Le Podcast du Foot #88 | As variadas emoções na rodada da Champions

Foi dada a largada para a fase de grupos da Uefa Champions League e para os três representantes da França, somente um misto de emoções pode resumir o pontapé inicial no principal torneio continental da Europa.

O Paris Saint-Germain, por exemplo, foi da frustração a euforia e terminou decepcionado com a derrota por 3 a 2 diante do Liverpool, atual vice-campeão. Mais do que o revés, a forma como o time jogou deixou um recado bem claro de que a diretoria tem muito o que fazer para não repetir os fiascos recentes.

Já o Monaco, com elenco enfraquecido e temporada incerta, alimentou o sonho de uma vitória sobre o poderoso Atlético de Madrid, mas terminou triste e conformado com uma derrota de virada por 2 a 1.

Quem se sobressaiu foi o Lyon, que surpreendeu a Europa ao bater o campeão inglês, Manchester City em solo britânico. O triunfo por 2 a 1, coroado por grande atuação de Nabil Fekir – autor de um gol e uma assistência – deixa o time de Bruno Génésio na liderança do grupo que ainda tem Shakhtar Donetsk e Hoffenheim – que empataram em 2 a 2.

O misto de emoções nas estreias dos times franceses pautou a edição #88 de Le Podcast du Foot. Eduardo Madeira e Renato Gomes analisaram os confrontos e contaram com as participações de Vinícius Ramos, do Ici c’est Paris, e Pedro Henrique Natario, do AS Monaco Brasil, que comentaram sobre seus respectivos times.

Ouça abaixo o podcast completo:

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Lembranças de uma noite de setembro

O dia 13 de setembro de 2005 entrou para a história do Lyon | Foto: AFP/Jean-Phillipe Ksiazek

Se hoje é o Paris Saint-Germain quem chama a atenção dos jovens e fãs de futebol quando o assunto é clube francês, na década passada, quem cumpria esse papel com maestria era o Lyon. Com uma ascensão meteórica, o time presidido pelo lendário Jean-Michel Aulas, acostumado a ocupar posições intermediárias em solo doméstico, conquistou o primeiro título francês em 2002 e só parou de erguer taças em 2008. Tudo isso com o brilhantismo de um ídolo nato: Juninho Pernambucano. Poucas vezes se viu uma química tão grande entre clube, atleta e torcida.

Uma das grandes noites daquele time, que ainda tinha personagens marcantes como Gregory Coupet, Cris, Cláudio Caçapa, Florent Malouda e outros, foi exatamente no dia 13 de setembro de 2005. Pela frente do campeão francês, o estrelado Real Madrid, ainda na era Galáctica sob o comando de Vanderlei Luxemburgo, pela primeira rodada da fase de grupos da Liga dos Campeões da Europa.

Aqueles próximos 90 minutos sob o Estádio Gerland lotado entrariam para a história do clube.

Faltava protagonismo

Maribor provocou o primeiro grande pesadelo europeu do Lyon | Foto: Divulgação

Se hoje nos acostumamos a ver o Lyon disputando copas europeias, o hábito era diferente até metade da década de 90. Salvo discretas participações em torneios de segundo escalão, o OL disputou a primeira Liga dos Campeões apenas na temporada 1999/00 – depois de alguns anos com disputas pouco efetivos na antiga Copa da Uefa.

A primeira participação em Liga dos Campeões, porém, foi traumática. Jogando contra o modesto Maribor, da Eslovênia, o Lyon perdeu a vaga ainda na primeira eliminatória, ao ser derrotado nos dois jogos por 1 a 0 na França e 2 a 0 em solo esloveno.

Naquele mesmo ano, o OL conseguiu um feito ainda maior na Copa da Uefa: venceu o alemão Werder Bremen por 3 a 0 no Gerland e conseguiu perder por 4 a 0 na volta e dar adeus precocemente, na terceira fase.

Nos anos seguintes, o Lyon se recompôs e conseguiu resultados mais expressivos. Em 2000/01, por exemplo, só caiu na segunda fase de grupos da Liga dos Campeões, quando tinha os poderosos Bayern e Arsenal pela frente, e em 2003/04 e 2004/05, foi eliminado nas quartas-de-final para o futuro campeão Porto e nos pênaltis pelo PSV, respectivamente.

O time amadurecia temporada após temporada, dominava o solo doméstico e dava amostras claras de que estava pronto para dar o salto adiante na Europa.

Noite mágica no Gerland

Aulas foi atrás do veterano Houllier em 2005 | Foto: Divulgação

Para dar o passo além na temporada 2005/06, um novo treinador. Paul Le Guen pediu as contas e um velho conhecido do futebol francês foi chamado: Gérard Houllier, ex-técnico de PSG, Liverpool e seleção francesa.

Apesar de conseguir um treinador tarimbado e buscar reforços importantes, como os meio-campistas Benoît Pedretti e Tiago, o atacante norueguês John Carew e a então jovem revelação brasileira Fred, Aulas não teve forças para segurar o ótimo volante Mickael Essien. Mesmo renovando contrato com o ganês, o Chelsea investiu 28 milhões de euros no atleta e o tirou do Gerland.

O início de temporada foi promissor e o Lyon emendou cinco vitórias e um empate nas primeiras seis rodadas de Campeonato Francês. Mas isso era pouco para as ambições do clube e o grande teste veio três dias depois de desbancar o Monaco por 2 a 1, na 6ª rodada do torneio nacional.

Pela frente naquele dia 13 de setembro, o galáctico Real Madrid. De um lado, o esquadrão brasileiro de Cris, Caçapa e Juninho e, do outro, o estrelado time de Robinho, Beckham e Raúl, sob a regência de Vanderlei Luxemburgo – que estava desfalcado de Zidane, Figo e Ronaldo, é bem verdade.

Sem dúvidas que se tratava de um jogo especial.

O Lyon sabia disso e entrou com a seriedade necessária para uma partida desta envergadura. Cris e Caçapa, como era padrão, mantinham a virilidade de seu jogo, não abandonando nenhuma dividida, sempre com o amparo de um meio-campo forte, mas ao mesmo tempo técnico, composto por Diarra, Tiago e Juninho, que constantemente trocavam de posição.

Se nas divididas isso acabava sendo positivo, em alguns momentos extrapolava e, em menos de dez minutos, o Lyon deu ao Real Madrid duas faltas na entrada da área. Beckham e Roberto Carlos não aproveitaram as chances, mas deram um aviso claro ao Lyon: poderiam errar uma cobrança, mas duas seria difícil.

Só que o recado valia para o outro lado também. O 8 do OL era simplesmente Juninho, dono de um pé direito potente e calibrado, no auge da carreira. Míchel Salgado, porém, parecia não saber disso.

Aos 19 minutos, cometeu uma falta boba em Malouda. Era uma bola quase perdida no lado esquerdo. Afoito, puxou o atacante pelo ombro, levando-o ao chão. Não era uma falta para cobrança direta, mas boa para jogar na área e provocar dores de cabeça ao goleiro Iker Casillas.

Insatisfeito por provocar tal perigo a própria meta, Salgado completou o serviço. Juninho cobrou a falta em direção da área e o lateral, além de dar ao menos três passos adiante, esticou os braços para bloquear o chute. A falta ficou mais perto ainda.

Lembram do recado “errou uma, mas duas seria difícil”? Juninho, desta vez, cobrou forte, na direção do gol. Carew, que vinha sendo o desafogo do time com seus pivôs, deu uma casquinha na bola quase imperceptível. O leve desvio foi suficiente para impedir a defesa de Casillas, que até tocou na bola, mas a viu morrer dentro das redes.

E era aberta a contagem.

De pé calibrado, Juninho participou do primeiro gol | Foto: AFP/Jean-Philippe Ksiazek

O Real, de Luxa, era uma contradição só. Se sobrava técnica com Beckham, Robinho, Raúl e Roberto Carlos, exalava jogo físico e bruto com Thomas Gravesen, Pablo García e Míchel Salgado. Em campo, um 4-4-2 bem brasileiro, com dois volantes, dois meias, um atacante mais móvel e outro para empurrar a bola para as redes.

E dessa contradição, a truculência parecia falar mais alto. Num intervalo rápido, de pouco mais de dois minutos, três faltas, duas em Juninho e uma em Diarra. Pobre do time que não aprende com os próprios erros.

A falta de Raúl em Diarra foi típica de quem não sabe marcar. Foi um prato cheio para Juninho. A distância não foi problema, ainda mais quando Casillas colocou apenas três jogadores na barreira. Chute forte, de pé direito, rasante. O único quique no chão foi antes de fugir do alcance do goleiro espanhol e beijar as redes.

Como um boxeador prestes a ir a lona, o Real Madrid balançava no gramado do Gerland. Não sabia para onde ia, tampouco qual o rumo das jogadas do Lyon. Quando o relógio marcava 31 minutos, veio o golpe que praticamente nocauteou os galácticos.

De Wiltord para Réveillère.

De Revéillère para Wiltord.

De Wiltord para o gol.

O jogo no Gerland nem bem tinha completado 30 minutos e o Lyon já colocava um imponente 3 a 0 em cima do Real Madrid. Três gols dos 21 aos 31 minutos. Dez minutos de loucura, de brilhantismo, que mostraram para o que o OL vinha naquela temporada.

O estrago só não foi maior porque Juninho desperdiçou um pênalti aos 40 minutos.

A segunda parte do jogo foi protocolar. Numa nova analogia ao boxe, Juninho e companhia esperavam apenas o fim da luta para vencer por pontos. O Real Madrid se esforçou e martelou, mas esbarrou em Cris e Caçapa. Imponentes e eficientes, os brasileiros tiveram atuação para ser lembrada.

Se a primeira impressão é a que fica, a imagem que o Lyon deixou naquela estreia pautou toda a campanha ao longo da Liga dos Campeões. O time de Houllier ficou a apenas dois minutos da semifinal da competição. Na fase de grupos, além do Real, ficaram pelo caminho Olympiakos e Rosenborg.

Nas oitavas-de-final, uma revanche para cima do PSV Eindhoven, que na temporada anterior tirou o OL nos pênaltis em jogo polêmico até hoje devido a um pênalti – escandaloso – não marcado em cima de Nilmar na prorrogação. Desta vez, atropelo: 5 a 0 no agregado.

Os franceses caíram apenas nas quartas-de-final para o Milan em dois jogos duros. Na ida, no Gerland, 0 a 0. No San Siro lotado, com mais de 80 mil pessoas, Inzaghi colocou o Milan em vantagem, mas Diarra empatou ainda na primeira etapa. O placar se manteve assim até os 43 minutos da etapa complementar, quando Pippo apareceu novamente, aproveitando sobra de bola que bateu nas duas traves, fez 2 a 1 e abriu caminho para a classificação, que seria completada com mais um gol.

Momentaneamente, ficou a tristeza de não vir uma classificação para a semifinal que esteve a ponto de se concretizar. Na história, porém, ficou o legado daquele time. O Lyon, dominante em solo local, mostrou, enfim, que poderia ir além. Bateu poderosos, jogou de igual para igual com times pesados, mostrou do que era capaz. Aquele 13 de setembro durou longos anos para uma torcida inebriada por uma equipe que deixa saudades até hoje.

Ficha técnica:

Lyon 3×0 Real Madrid

Liga dos Campeões – Grupo F

Estádio Gerland | 40.309 pessoas

Arbitragem: Massimo De Santis (Itália)

Lyon (4-3-3): Coupet; Réveillère, Cris, Caçapa e Berthod; Diarra, Tiago (Pedretti, aos 43’/2º) e Juninho; Wiltord (Govou, aos 36’/2º), Carew (Fred, aos 27’/2º) e Malouda – Técnico: Gérard Houllier

Real Madrid (4-4-2): Casillas; Salgado, Helguera, Ramos e Roberto Carlos; Gravesen (Guti, aos 16’/2º), Garcia, Beckham e Júlio Baptista; Robinho e Raúl – Técnico: Vanderlei Luxemburgo

Gols: 1×0 Carew, aos 21’/1º; 2×0 Juninho, aos 26’/1º; e 3×0 Wiltord, aos 31’/1º;

Cartões amarelos: Salgado, aos 20’/1º; Berthod, aos 23’/1º; Garcia, aos 39’/1º; Diarra, aos 7’/2º; e Beckham, aos 45’/2º;

Le Podcast du Foot #74 | Futuro parisiense

A precoce eliminação na Liga dos Campeões coloca em xeque o futuro do Paris Saint-Germain. Mais do que a perda da vaga, pesa nesse cenário a atuação pouco convincente diante do Real Madrid, que deixa dúvidas pairando no ar sobre o poder competitivo do time francês.

Hoje já há questionamentos ao técnico Unai Emery e a alguns jogadores, como Marco Verratti (expulso no jogo de volta) e até mesmo de Kyllian Mbappé, que teve discreta atuação nos dois jogos.

Para projetar o futuro do PSG após mais essa pancada europeia, Eduardo Madeira e Vinícius Ramos se reuniram para a edição #74 de Le Podcast du Foot. Dê play abaixo e escute mais um programa:

Neymar versus Cavani: a disputa que nunca existiu

Falta química entre Neymar e Cavani? Números derrubam argumento | Foto: AFP/Getty Images

A derrota por 3 a 1 para o Real Madrid, na primeira mão das oitavas-de-final da Liga dos Campeões da Europa, trouxe uma série de repercussões negativas para o Paris Saint-Germainalgumas delas foram discutidas na edição #73 de Le Podcast du Foot.

Muitos falaram das tomadas de decisão de Neymar, das escolhas de Unai Emery, da forma como o time joga, enfim, poucas vezes uma derrota arrasou a milionária terra parisiense como essa.

Diversos desses argumentos, de fato, rendem discussão e bons debates. Alguns passam do limite, seja por críticas descabidas e até desconectadas com o jogo, seja por simplesmente serem mentirosas.

A que mais me intrigou foi a da tal “falta de química” entre a dupla Neymar e Edinson Cavani. Como argumento, utilizaram um dado que indicava que um não tocou a bola para o outro na partida. O fato, em si, não condiz com a verdade, como mostrou o analista de desempenho e jornalista Eduardo Cecconi em seu Twitter:

A informação provocou uma série de reações, inclusive, comentários desconectados da realidade. Cito aqui o do jornalista André Rizek, do Sportv (e deixo claro que a intenção não é desmerece-lo, porém, entendo que se fosse algo que eu tivesse dito, gostaria que fosse citado para corrigir ou, ao menos, rebater).

Em seu perfil no Twitter, logo após o jogo, disse que Neymar e Cavani “não são uma dupla, são uma disputa”. Assisti a um trecho do Redação Sportv do dia seguinte, Rizek reforçou o argumento e citou a referida informação de que Cavani e Neymar não trocaram passes entre si.

Pois bem, fui atrás de números, dados concretos e irrefutáveis que rebatessem essa afirmação. Encontrei estatísticas simples, pouco profundas, mas que jogam por terra o argumento da “disputa” entre os dois. Neymar deu 12 assistências na temporada do Campeonato Francês. Seis delas foram para Cavani. Já o uruguaio, que nunca foi afeito a passes para gol, deu quatro, duas para o brasileiro.

Se isso é falta de química, me desculpem, mas não sei o que é entendimento entre dois jogadores de ataque.

Para complementar, tomei o cuidado de olhar assistência por assistência, analisar com cuidado para ver se não foram lances fortuitos, casos de sorte mesmo. Portanto, segue abaixo um relato de cada passe para gol de Neymar e, em seguida, de Cavani – no título estão os links que redirecionam para os vídeos dos lances:

1 – Guingamp 0-3 PSG | 2ª rodada 

Neymar recebe a bola na faixa central e observa o deslocamento de Cavani entre os zagueiros. O uruguaio é lançado e marca após dois toques na bola.

2 – Metz 1-5 PSG | 5ª rodada 

Lance semelhante ao primeiro: Neymar recebe no centro, enxerga o deslocamento de Cavani e Kyllian Mbappé. O Pistolero chega antes depois do lançamento e marca o gol.

3 – PSG 6-2 Bordeaux | 8ª rodada 

A jogada deste gol envolveu o trio Mbappé, Neymar e Cavani. Os dois primeiros tabelaram e o brasileiro encontrou o uruguaio em condições de marcar na saída de Benoît Costil.

4 – PSG 2-0 Troyes | 15ª rodada 

Jogada mais simples: Neymar recebeu na esquerda, tinha marcação por perto, diferente de Cavani, que estava livre na marca do pênalti. O camisa 9 foi acionado e guardou.

5 – Rennes 1-4 PSG | 18ª rodada 

Este foi, certamente, um dos gols mais bonitos. Neymar, com liberdade pela área central, lançou Cavani por elevação. Antes da chegada do goleiro, tocou por cobertura e marcou.

6 – PSG 6-2 Strabourg | 26ª rodada 

E, finalmente, o lance mais recente, mas que teve muita semelhança com outras jogadas: Neymar livre na área central, observa a movimentação de Cavani e o lança. O uruguaio, oportunista, guardou mais um.

Já nos passes de Cavani…

1 – Guingamp 0-3 PSG | 2ª rodada 

O gol saiu muito facilmente, mas ficou marcado por Cavani evitando a saída da bola pela linha de fundo e rolando para trás, onde estava Neymar, que fez o primeiro gol com a camisa parisiense.

2 – PSG 4-0 Montpellier | 23ª rodada 

Este talvez seja o único que dê para discutir se foi uma assistência intencional ou não, embora tenha me parecido proposital. Em rápido contra-ataque, Cavani recebeu na saída do goleiro e, sem o ângulo ideal, tocou por elevação. Antes de a bola entrar, Neymar marcou o gol.

Cavani e Neymar é a dupla fatal do PSG | Foto: Reprodução

Bom, lendo as descrições e assistindo aos lances, me parece claro que a tal “disputa” não existe. E ainda não entram na conta lances que não viraram gols, como aquele que Cecconi mostrou em Real x PSG. Esse dado poderia ser ainda maior.

O que se detectou foi, principalmente, um Neymar mais cerebral, jogando em uma faixa de campo mais recuada, mas sendo igualmente fatal, principalmente por ter um goleador nato em sua frente.

Aliás, quantos talvez tenham percebido isso ao longo da temporada? Como jornalista, sou muito crítico a minha profissão e me parece muito claro que, cada vez mais, se assiste menos futebol, mesmo existindo infinitas maneiras de acompanhar os jogos. Quantas partidas do PSG foram assistidas por nossa crônica especializada?

Ouso dizer que poucas.

E o reflexo é visto aí. Propaga-se uma opinião equivocada de que não há sintonia entre dois atletas que são responsáveis por mais da metade dos gols do PSG na liga nacional (42 de 81). Mais gritante ainda é ver que muitos desses tentos saíram de jogadas construídas pelos dois.

Se há uma rixa interna entre a dupla pouco importa. Isso é bom para vender jornais e caçar cliques de quem pouco está interessado em entender o jogo. Dentro das quatro linhas há entendimento e podemos ser categóricos: Neymar e Cavani não são uma disputa, como foi sugerido, mas, sim, uma dupla e tanto.

Le Podcast du Foot #73 | Real 3×1 PSG

A sonhada conquista da Liga dos Campeões da Europa ficou alguns quilômetros mais distante de Paris. O trio Neymar, Cavani e Mbappé sucumbiu a grandeza do Real Madrid e ao brilhantismo de Cristiano Ronaldo, perdendo por 3 a 1, na ida das oitavas-de-final, no Santiago Bernabéu. Na volta, em Paris, o PSG precisará vencer por 2 a 0 ou por três gols de diferença para seguir na competição.

Para analisar tudo que aconteceu no confronto de ida, Eduardo Madeira, Flávio Botelho e Renato Gomes estiveram reunidos na edição #73 de Le Podcast du Foot.

Unai Emery errou na escalação? Lo Celso ou Lass? Dí Maria poderia ter jogado? Thiago Motta fez falta? E o que mudar até a volta, no dia 6 de março? Tudo isso e muito mais foi aprofundado no programa que você escuta abaixo, no MixCloud:

Cinco confrontos históricos entre Monaco e italianos

Monaco e times italianos é um confronto, de certa forma, recorrente. Desde a temporada 1961/62, quando os monegascos debutaram fora da França, foram 13 confrontos com clubes da Velha Bota, com três vitórias, três empates e sete derrotas, sempre em fases eliminatórias. Na lista histórica, os times da Itália estão atrás apenas de ingleses, alemães e espanhóis em partidas contra o representante do Principado.

Na atual temporada, a Juventus vai cruzar o caminho francês na semifinal da Champions League. Se levarmos em conta o retrospecto nos jogos anteriores, é bom o Monaco se preocupar, já que avançou de fase somente uma vez quando teve equipes de lá pela frente.

Para projetar o confronto da próxima quarta-feira, recordo hoje no blog cinco confrontos marcantes entre monegascos e italianos. Só para ressaltar, o levantamento será em ordem cronológica:

Roma – 1991/92

O baixinho Rui Barros (dir.) decidiu o confronto diante da Roma | Foto: Divulgação/Monaco

O primeiro confronto da lista aconteceu na temporada 1991/92, pelas quartas-de-final da extinta Taça dos Vencedores de Copas Europeias. O Monaco tinha, na época, um time forte comandado por Arsène Wenger e que ainda tinha no elenco nomes como Ettori, Emmanuel Petit e George Weah. A Roma, de Aldair e Rudi Völler, seria o primeiro grande adversário naquela edição, já que passara facilmente pelo galês Swansea (10 a 1 no placar agregado) e pelo sueco Norrköping (3 a 1 no agregado, com duas vitórias).

Na ida, no Olímpico de Roma, uma partida sem grandes emoções, onde o Monaco criou as melhores chances. George Weah e Rui Barros chegaram a acertar a trave em mais de uma ocasião, fazendo com que os monegascos deixassem a Velha Bota com a sensação de que poderiam ter obtido um resultado melhor.

Na volta, o estádio Louis II estava tomado de torcedores. Estiveram presentes 20 mil pessoas, um recorde histórico para o clube. Em campo, uma partida mais aberta, onde o Monaco levou a melhor pelo placar mínimo, gol de Rui Barros, avançando para a semifinal. Foi a única vez que o Monaco eliminou um clube italiano. Em seguida, os monegascos despacharam o Feyenoord, mas perderam a final para o Werder Bremen.

Milan – 1993/94

Duas temporadas depois, o Monaco voltava a encontrar um time italiano em seu caminho. Desta vez, o Milan, e agora na nova Liga dos Campeões da Europa. Naquela época, o torneio tinha formato diferente do atual e os monegascos precisaram passar por duas fases de mata-mata até chegarem a fase de grupos. Eram duas chaves, onde os dois primeiros colocados avançavam e faziam as semifinais.

O Monaco, ainda com Wenger no comando e com outros remanescentes no elenco, como o goleiro Ettori, Emmanuel Petit, Claude Puel e Lillian Thuram, mas com novas referências, como Viktor Ikpeba, Youri Djorkaeff e Jurgen Klinsmann, passou de fase no grupo A atrás do Barcelona e na frente de Spartak Moscou e Galatasaray.

Na semifinal em jogo único, simplesmente o Milan de Fábio Capello, e que contava com um esquadrão formado por Mauro Tasotti, Demetrio Albertini, Franco Baresi, Roberto Donadoni, Zvonimir Boban, Dejan Savicevic e outros tantos. Não deu outra! Jogando no San Siro, vitória milanista por 3 a 0, com gols de Desailly, Albertini e Massaro. Vale lembrar que o Milan se sagraria campeão futuramente, com uma impiedosa goleada por 4 a 0 sobre o Barcelona de Romário, Guardiola, Koeman e Stoichkov.

Inter de Milão – 1996/97

Em 1997, o jovem Henry não conseguiu ajudar o Monaco contra a Inter | Foto: Divulgação/Monaco

Chegamos a temporada 1996/97 e o Monaco, já bastante alterado em relação a anos anteriores (mas ainda com Petit, desta vez como capitão) novamente bateu de frente com uma equipe de Milão. Naquela ocasião foi a Internazionale, de Roy Hodgson, pela semifinal da Copa da Uefa. Curiosamente, o time do Principado foi o segundo francês da campanha nerazzurri, que passara também o Guingamp na primeira fase.

Na ida, em Milão, a Inter parecia que encaminharia a classificação com facilidade. Com três gols em um intervalo de 22 minutos, abriu 3 a 0 no time de Fabien Barthez, Sonny Anderson e Thierry Henry. Maurizio Ganz fez dois e Ivan Zamorano anotou o outro. Na etapa final, o Monaco perdeu Gilles Grimandi expulso, mas ainda conseguiu descontar Ikpeba, que saiu do banco para recolocar os franceses na parada para o jogo de volta.

Na França, o máximo que o Monaco conseguiu foi o 1 a 0, novamente com gol de Ikpeba. Importante ressaltar que essa partida de volta teve arbitragem polêmica do holandês Mario van der Ende. Ele anulou dois gols franceses e o tento que validou teve um claro toque de mão de Enzo Scifo. Por fim, a Inter passou, mas esbarrou no Schalke na grande decisão, que ergueu o troféu nos pênaltis, e o Monaco teve de se contentar com o título francês, servindo de gancho para o próximo jogo da lista.

Juventus – 1997/98

Como campeões nacionais, os monegascos caíram já na fase de grupos da Liga dos Campeões do ano seguinte e conseguiram consistente campanha até a semifinal. Passaram em primeiro na chave que ainda tinha os alemães do Bayer Leverkusen, os portugueses do Sporting e os belgas do Lierse, e conseguiram eliminar o poderoso Manchester United nas quartas-de-final.

Na semifinal, o Monaco levou o azar de bater de frente com a Juventus e com um inspirado Alessandro Del Piero. Com dois gols de pênalti, um de falta e uma assistência, ele ajudou a Velha Senhora a construir um impiedoso 4 a 1, que praticamente eliminou os monegascos.

No Principado, o Monaco promoveu um bombardeio para tentar diminuir a vantagem, mas esbarrou em uma ótima noite de Peruzzi e novamente em Del Piero, que mais uma vez marcou. Os monegascos até venceram por 3 a 2, mas saíram de campo sem a vaga na final.

Juventus – 2014/15

O último confronto foi mais recente, nas quartas-de-final da temporada 2014/15. Na ocasião, o Monaco vinha de surpreendente classificação diante do Arsenal, enquanto a Juventus atropelou o Borussia Dortmund. Havia um favorito claro no confronto, mas não foi isso que se viu na prática. Um único gol, anotado num pênalti até hoje contestado – eu, particularmente, não achei falta e fiquei na dúvida se foi dentro da área – na partida de ida, em Turim, tratou de encerrar o sonho monegasco novamente com um 1 a 0, seguido de um empate sem gols na volta.

Bônus: Completam a lista de confrontos do Monaco contra italianos as eliminações para a Internazionale, nas oitavas-de-final da Copa dos Clubes Campeões Europeus, em 1963/64 (derrotas por 1 a 0 e 3 a 1); e na semifinal da Taça dos Clubes Campeões de Copas Europeias, para a Sampdoria, na temporada 1989/90 (empate por 2 a 2 na ida e derrota por 2 a 0 na volta).

Le Podcast du Foot #62 | Desafios europeus de Monaco e Lyon

Os sobreviventes franceses nas competições europeias estiveram em pauta na edição #62 de Le Podcast du Foot. Eduardo Madeira conduziu o programa, que teve os comentários de Renato Gomes, do Centrocampismo, e Vinícius Ramos, do Ici C’est Paris.

Entre os assuntos debatidos esteve o confronto entre Monaco e Borussia Dortmund, pela Champions League. Na terça (11), começa a disputa com a partida de ida, na Alemanha. Será que o time do Principado terá força e ritmo para disputar a série com o BvB e manter o pique nas competições domésticas?

Já o Lyon, que declaradamente abriu mão do Campeonato Francês e passou a focar na Europa League, vai encontrar o Beşiktaş, de Şenol Güneş (técnico responsável por levar a Turquia ao terceiro lugar na Copa de 2002). Ao contrário do Monaco, os gones jogarão a primeira partida em casa, na quinta (13). Não será um confronto fácil e o podcast avaliou as chances do OL no confronto.

Você pode ouvir o programa clicando na imagem abaixo:

Trilha: Ao fundo da edição #62 de Le Podcast du Foot você estará ouvindo a banda Noir Desir e o álbum Des Visages des Figures, lançado em 2001. Com esse álbum, o grupo formado nos anos 80 e que seguiu na ativa até 2010 obteve o disco de platina e ainda ganhou o prêmio de “Álbum de Rock do Ano”, em 2002. O CD completo está disponível no YouTube: