Lyon se apega a milagre de 2001 para chegar na decisão

Com Sonny Anderson inspirado, OL já reverteu 4 a 1 | Foto: Vereecken/Bolcina

Mal futebol, defesa bagunçada, principal jogador contundido e um placar muito adverso. Hoje, nada parece animar o Olympique Lyonnais para reverter o 4 a 1 construído pelo Ajax na partida de ida da semifinal da Liga Europa.

Mas revirando os baús dos confrontos do OL em torneios europeus, foi encontrado pelo presidente Jean-Michel Aulas um motivo para renovar as esperanças dos gones: o Lyon já reverteu um 4 a 1 em torneio europeu. Sim, meu caro leitor! Num passado não tão distante – também não tão presente – o brasileiro Sonny Anderson comandou uma das grandes remontadas da história do clube em um torneio europeu.

Tudo aconteceu na temporada 2001/02. Na ocasião, o Lyon era comandado por Jacques Santini e estava iniciando a formação daquele elenco vitorioso, que ergueu a taça de campeão francês em sete oportunidades consecutivas. No cenário europeu, o OL parou na Copa da Uefa após terminar em terceiro em sua chave na Liga dos Campeões – ficando atrás do Barcelona e do futuro vice-campeão Bayer Leverkusen.

O primeiro adversário na Copa Uefa, e outro protagonista de nossa história, foi o Club Brugge. A equipe belga, ao contrário do OL, estava na disputa do torneio desde a primeira fase e vinha mostrando bastante força diante de adversários frágeis. Eliminou o Akranes (Islândia) com 10 a 1 no agregado, Olympiakos Nicosia (Chipre) por 9 a 3 e o Arsenal Kiev (Ucrânia) por 7 a 0.  O Lyon seria o primeiro time tarimbado da lista.

Entretanto, logo na partida de ida, no dia 22 de novembro de 2001, no estádio Jan Breydel, os belgas sequer tomaram conhecimento do Lyon e, assim como o Ajax, venceram por 4 a 1, e em condições bem semelhantes. O Brugge abriu 3 a 0, com Gaëtan Englebert, Peter van der Heyden e Andrés Mendoza, cedeu um gol aos franceses, anotado por Peguy Luyindula, mas, antes do apito final, marcaram o quarto, com Tjorven De Brul.

Apesar do duro revés, Sonny Anderson, que na época era o grande nome do time, falou a veículos de imprensa locais que o Lyon viraria o jogo. O brasileiro cumpriu com a palavra duas semanas depois e foi o grande destaque da remontada. No primeiro tempo, ele anotou dois gols, aos 19 e aos 23, deixando o OL a um tento da classificação. Na etapa final, contou com a ajuda das defesas providenciais de Grégory Coupet e com um erro dos belgas no ataque, aos 48 minutos, para aproveitar um contra-ataque e classificar o time em um arremate cruzado, na última bola do jogo.

O Lyon não teve vida longa no torneio e logo na fase seguinte foi eliminado pelo Slovan Liberec (República Tcheca), mas aquele jogo contra o Brugge ficou marcado como a maior virada europeia do clube. Uma remontada clássica, com doses de sufoco, que começaram a moldar o caráter vencedor daquele time – que iniciaria naquela temporada a série do heptacampeonato nacional.

Outras remontadas

Buscando no histórico europeu do Lyon, encontrei algumas outras viradas europeias do clube. Nenhuma tão espetacular quanto aquela de 2001 – tampouco com a semelhança do que o time precisa diante do Ajax – mas deu para garimpar algo.

Por exemplo, na Taça dos Campeões de Copas Europeias da temporada 1967/68, o OL venceu o Tottenham por 1 a 0 na partida de ida da segunda fase e, na volta, chegou a estar perdendo por 3 a 1 e 4 a 2, mas conseguiu um gol com Mohamed Bouassa, aos 34 do segundo tempo, que lhe rendeu a classificação no critério do gol fora de casa – esse gol, aliás, marcou o marroquino na história do clube, tendo em vista que jogou somente cinco partidas pelo Lyon.

Outra recuperação famosa do OL foi ainda em fase de grupos da Liga dos Campeões. Na temporada 2011/12, o time então comandado por Remi Garde precisava de uma maluca combinação de resultados para se classificar na chave que já tinha o Real Madrid qualificado. A meta era vencer o Dínamo Zagreb, torcer para uma derrota do Ajax – que coincidência! – e ainda tirar o saldo de sete gols dos holandeses.

Numa série de acontecimentos que até hoje geram discussões, o Lyon meteu um impiedoso 7 a 1 nos croatas e ainda viu o Ajax ser derrota pelo Real Madrid por 3 a 0, conseguindo a improvável classificação para o mata-mata da competição.

Retrospecto

Ao longo da história, o Lyon confrontou equipes holandesas em 13 oportunidades, somando seis vitórias, quatro empates e três derrotas. Contra o Ajax, foram cinco jogos, com dois empates e duas derrotas.

Contra holandeses, o Lyon conseguiu fazer o placar que precisa para se classificar contra o PSV Eindhoven, na temporada 2005/06 da Liga dos Campeões, quando venceu o jogo de volta da série por 4 a 0 e se classificou com um 5 a 0 no agregado, e também nos dois jogos contra o AZ Alkmaar na atual Liga Europa, com triunfos por 7 a 1 e 4 a 1 – que forçaria a prorrogação.

Esse 4 a 1 sobre o AZ foi a única vez na temporada que o Lyon venceu pelo placar que levaria o jogo contra o Ajax para o tempo extra. Em contrapartida, em nove oportunidades venceu por algum dos placares que lhe classificaria (3 a 0 [2x], 4 a 0 [2x], 5 a 0 [2x] 5 a 1, 6 a 0, 7 a 1). Desses nove triunfos, sete foram em casa.

Quanto ao Ajax, a equipe holandesa perdeu somente um jogo nessa temporada por 4 a 1. Foi na fase prévia da Liga dos Campeões, para o Rostov, em partida disputada na Rússia e que custou a eliminação do time. A última derrota por um placar que classificaria o Lyon foi apenas em 18 de dezembro de 2014, um 4 a 0 diante do Vitesse.

Vale ressaltar que, ao longo da história, o Ajax fez 25 jogos contra franceses em torneios europeus, acumulando 13 vitórias, cinco empates e sete derrotas. Na França, foram 12 jogos, com cinco triunfos (nenhum por um placar que o OL precise), dois empates e cinco reveses. Vale citar que nos dois jogos em casa, o Lyon perdeu e empatou um. O francês que mais bateu o time holandês em casa foi o Auxerre, com três vitórias.

O 3 a 0 de 2001 é a inspiração do OL | Foto: Vereecken/Bolcina

Le Podcast du Foot #62 | Desafios europeus de Monaco e Lyon

Os sobreviventes franceses nas competições europeias estiveram em pauta na edição #62 de Le Podcast du Foot. Eduardo Madeira conduziu o programa, que teve os comentários de Renato Gomes, do Centrocampismo, e Vinícius Ramos, do Ici C’est Paris.

Entre os assuntos debatidos esteve o confronto entre Monaco e Borussia Dortmund, pela Champions League. Na terça (11), começa a disputa com a partida de ida, na Alemanha. Será que o time do Principado terá força e ritmo para disputar a série com o BvB e manter o pique nas competições domésticas?

Já o Lyon, que declaradamente abriu mão do Campeonato Francês e passou a focar na Europa League, vai encontrar o Beşiktaş, de Şenol Güneş (técnico responsável por levar a Turquia ao terceiro lugar na Copa de 2002). Ao contrário do Monaco, os gones jogarão a primeira partida em casa, na quinta (13). Não será um confronto fácil e o podcast avaliou as chances do OL no confronto.

Você pode ouvir o programa clicando na imagem abaixo:

Trilha: Ao fundo da edição #62 de Le Podcast du Foot você estará ouvindo a banda Noir Desir e o álbum Des Visages des Figures, lançado em 2001. Com esse álbum, o grupo formado nos anos 80 e que seguiu na ativa até 2010 obteve o disco de platina e ainda ganhou o prêmio de “Álbum de Rock do Ano”, em 2002. O CD completo está disponível no YouTube:

Le Podcast du Foot #59 – Os franceses lá fora

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Foto: Reprodução

Le Podcast du Foot chega a sua edição #59 para falar das ambições das equipes da França em âmbito europeu. A fase de grupos da Uefa Champions League começa nas próximas semanas e os times franceses estão se preparando para fazer bonito. Paris Saint-Germain, Monaco e Lyon fazem as últimas contratações e os primeiros ajustes antes do debute em seus respectivos grupos.

O time da capital francesa, equipe mais forte do país, ficou no grupo A, ao lado de Arsenal, Basel e Ludogorets. O Lyon, vice-campeão francês na última temporada, caiu numa chave difícil, a H, ao lado de Juventus, Sevilla e Dínamo Zagreb. Já o time do Principado terá pela frente Bayer Leverkusen, Tottenham e CSKA Moscou, no grupo E.

Nesta edição, se reuniram Eduardo Madeira, Filipe Papini e Renato Gomes para analisar e projetar a participação francesa na Champions League. Além disso, demos uma palhinha do que pode acontecer na Liga Europa.

Clique abaixo e ouça o programa!

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Da glória ao ostracismo

Foto: Reprodução - O Alavés fez história ao chegar na decisão da Copa da Uefa

Foto: Reprodução – O Alavés fez história ao chegar na decisão da Copa da Uefa

Quando relacionamos times espanhóis com finais de copas europeias, logo nos lembramos de Real Madrid e Barcelona, além do Atlético de Madrid, que ganhou a Liga Europa em duas oportunidades nos últimos anos. O que muitos esquecem é que, certa vez, o pequenino Deportivo Alavés, da província de Álava, chegou a uma final internacional com uma campanha heroica.

Fundado em 1921, o citado clube espanhol nunca havia obtido grandes feitos até a chegada do técnico José Manuel Esnal, o Mané, em 1997. Com ele no comando, o Alavés começou a saga que teve início na segunda divisão e parou com um vice-campeonato continental.

O acesso

O Alavés teve campanha praticamente impecável na segunda divisão espanhola na temporada 1997/98, na qual foi campeão. Em 42 partidas, foram conquistados 82 pontos, sendo o time que mais venceu (24 vezes) e o que menos sofreu gols (25).

Mas o que marcou não foi o acesso, mas sim o início do que seria caracterizado como “copeirismo” do time de Mané. O Alavés foi semifinalista da Copa do Rei, e também contando com uma boa dose de heroísmo.

O drama começou já nas fases iniciais. Contra o desconhecido Aurrerá de Vitoria, o Alavés precisou reverter o 1-0 sofrido na ida para seguir na competição. Venceu por 2-0 na volta e prosseguiu para enfrentar o Real Oviedo, no qual despachou com uma magra vitória por 1-0 na ida e 0-0 na volta.

Na etapa seguinte, mais dificuldades. Diante do Compostela, clube de primeira divisão na época, o Alavés venceu por 1-0 em casa e segurou o 2-2 na volta para se qualificar.

Na fase de oitavas-de-final, o adversário era o poderoso Real Madrid, futuro campeão europeu. No jogo de ida, no Estádio de Mendizorroza, em Álave, com gol de Manuel Serrano, o Alavés bateu o adversário da capital pelo marcador mínimo. Na volta, sufoco em Madrid. Riesco fez 1-0 para os visitantes, mas Roberto Carlos e Šuker viraram o jogo. O tento do atacante croata saiu aos 10 minutos da etapa final e o Alavés se segurou por 35 minutos para conseguir a classificação.

Na fase seguinte, o Alavés passou sem grandes dificuldades pelo Deportivo La Coruña, também time da elite, aplicando 3-1 em casa no jogo de ida e segurando o placar zerado na volta.

Na semifinal veio a queda diante do Mallorca. Com duas derrotas (2-1 na ida e 1-0 na volta), o Alavés deu adeus ao sonho de conquistar a Copa do Rei (que seria vencida pelo Barcelona naquele ano).

Caminho na elite

Em seu ano de retorno à elite do futebol espanhol após mais de 40 anos, o Alavés conseguiu a permanência na primeira divisão apenas na última partida. Antes do início da 38ª rodada, o Glorioso somava 37 pontos, ocupava a 17ª colocação e não possuía chances de queda, mas poderia ficar no playoff contra o descenso. Os adversários diretos eram Villarreal, com 35 pontos, e Extremadura, com 38. Curiosamente, os dois concorrentes se enfrentariam na rodada derradeira.

A fórmula do Alavés era simples: vencer a Real Sociedad e torcer pelo tropeço do Extremadura. Uma derrota o deixaria no playoff, já que os 17º e 18º colocados disputariam esta fase.

Tudo começou tranquilo para o Glorioso e acabou com emoção. Ao término do primeiro tempo dos dois jogos, o Alavés vencia por 2-0 e o Extremadura perdia pelo marcador mínimo. Antes dos 20 minutos da etapa complementar, a Real Sociedad conseguiu descontar com Javier de Pedro e trouxe emoção para a partida.

Aos 36 minutos, David Albelda marcou para o Submarino Amarelo, abrindo 2-0 e, aparentemente definindo a parada. Porém, em menos de cinco minutos, Iván Gabrich marcou dois gols, empatou a partida para o Extremadura, deixando o Alavés com atenção nos dois jogos.

Por fim, os placares permaneceram intactos e, com uma boa dose de sorte, o Glorioso permaneceu na elite espanhola.

Grandes resultados

Na temporada seguinte, tudo mudou. Já com nomes de destaque como Javier Moreno, Hermes Desio e o veterano Julio Salinas, o Alavés fez campanha impecável, ocupando a 6ª colocação ao término do Campeonato Espanhol, obtendo 61 pontos. O desempenho lhe rendeu uma vaga na Copa da Uefa do ano seguinte.

Na temporada do 6º lugar, resultados importantes ficaram marcados para o time, entre estes, 2-0 sobre o Valencia no Mestalla, 2-1 de virada sobre o Barcelona, 2-0 no Atlético de Madrid e 1-0 no Real Madrid.

Saga europeia

Para começar a rotina de mochileiro pelo Velho Continente, o Alavés precisou dar uma modificada no elenco. Entre os reforços estavam o uruguaio Iván Alonso, vindo do River Plate do Uruguai, Jordi Cruyff, contratado junto ao Manchester United, Juan Epitié, atacante de Guiné Equatorial que veio da base do Real Madrid, Mario Rosas, cria do Barcelona, e Ivan Tomić, que veio da Roma.

Em contrapartida, Mané perdeu duas peças importantes para a temporada: o atacante Meho Kodro, autor de cinco gols na temporada anterior, foi para o Maccabi Tel-Aviv (onde encerrou a carreira), e o volante Ángel Morales, que retornou de empréstimo ao Espanyol.

Autor de sete gols na campanha do Campeonato Espanhol, o atacante Javi Moreno foi mantido no clube, diferente do artilheiro do time, Julio Salinas, que balançou as redes oito vezes. O atacante, que disputou as Copa de 1986, 1990 e 1994, tinha 38 anos e pendurou as chuteiras em 2000.

Foto: Reprodução - O veterano Julio Salinas ajudou o Alavés a chegar na Copa da Uefa

Foto: Reprodução – O veterano Julio Salinas ajudou o Alavés a chegar na Copa da Uefa

Mortal fora de casa

Reza a lenda do bom time copero, que para se sair bem em competições mata-mata, seu time precisa saber jogar fora de casa, principalmente pelo temido gol como visitante. O Alavés cumpriu com maestria este quesito.

Nas primeiras fases, o Glorioso sofreu em jogos em casa e precisou sair da Espanha para conseguir avançar. Logo na estreia, empatou sem gols com o Gaziantepspor no estádio de Mendizorroza, mas buscou a vaga na Turquia com uma surpreendente vitória por 4-3, quando esteve duas vezes atrás no marcador.

Já nesta fase, os reforços começaram a aparecer. Na partida fora de casa, Iván Alonso e, principalmente, Tomić foram os responsáveis pela imponente vitória do Alavés.

Nas duas fases seguintes, o Glorioso enfrentou adversários noruegueses e, em ambos os casos, fez o resultado no país nórdico. Contra o Lillestrøm, vitória por 3-1 na ida e a manutenção do empate em 2-2 na Espanha. Diante do Rosenborg veio o maior susto, afinal, o empate em 1-1 no Mendizorroza causava dores de cabeça. Mas o 3-1 na volta foi construído com imensa tranquilidade e qualificou o Alavés para as oitavas-de-final da Copa da Uefa, um feito inimaginável para um clube que estava na segunda divisão dois anos antes.

Primeiro gigante

Foto: Reprodução - Os espanhóis fizeram história ao eliminar a Inter em Milão

Foto: Reprodução – Os espanhóis fizeram história ao eliminar a Inter em Milão

Nas oitavas-de-final, o Alavés viu o primeiro gigante pela frente: a Internazionale. Invicto e mais tradicional internacionalmente, o time italiano era franco favorito. Sem sentir a pressão de jogar a primeira partida na Espanha e de sair atrás no marcador, a Inter virou para 3-1 sem suar.

Mas, na raça, o Glorioso buscou o empate diante do gigante italiano. Óscar Téllez cobrando falta e Iván Alonso de cabeça deram o placar igualitário à partida. Não era essa a vez que o Alavés conseguiria sua primeira vitória internacional jogando em casa, mas o resultado não era tão ruim quanto se desenhou durante a partida.

Cirúrgico, o Alavés precisou de duas estocadas no final do jogo para eliminar a Inter no Giuseppe Meazza. Na primeira, aos 33 minutos da etapa complementar, Jordi Cruyff acertou um potente chute de canhota e abriu o placar. Cinco minutos depois, Tomić usou do mesmo artifício de Cruyff para marcar o tento que sacramentou a histórica classificação na Itália.

 

Consolidação em casa

Apesar de estarem invictos jogando em casa, o fato de não terem vencido no Mendizorroza incomodava parte da torcida que ainda não vira de perto o time triunfar. Nas quartas-de-final, esse sonho tinha grandes chances de ser realizado de uma forma ou de outra, afinal de contas, o adversário seria o também espanhol Rayo Vallecano.

Aliás, essa fase foi dominada por times da Península Ibérica. Além da partida espanhola citada no parágrafo acima, Barcelona e Celta de Vigo se confrontaram, sem falar do Porto, que enfrentou o Liverpool.

Mas voltando a falar do Alavés, o time de Mané finalmente agradou a torcida e conseguiu uma grande vitória sobre o Rayo já no jogo de ida, 3-0. A partida de volta se tornou mera formalidade e o Glorioso se deu ao luxo de perder a primeira na competição: 2-1.

Em estado de graça, o Alavés permaneceu com o mesmo pique e atropelou o Kaiserslautern na semifinal. Com 5-1 na Espanha e 4-1 na Alemanha, os espanhóis passaram por cima e confirmaram a inimaginável vaga na final da Copa da Uefa.

O triunfo sobre o Kaiserslautern não foi um triunfo qualquer, já que o time alemão era um dos que estava no bolo de candidatos ao título em seu país. Na semana da partida de ida, o Campeonato Alemão tinha completadas 27 rodadas e a diferença do líder Bayern pro Kaiserslautern, 6º colocado, era de apenas três pontos.

A situação que o Alavés vivia na Espanha era muito diferente. Era o 8º colocado com 40 pontos, estava 19 atrás do Real Madrid, então líder do torneio, e sonhava apenas com a vaga na Copa da Uefa.

O adversário

Foto: Reprodução - O Liverpool de Owen poderia erguer o segundo troféu em uma semana

Foto: Reprodução – O Liverpool de Owen poderia erguer o segundo troféu em uma semana

Na decisão, o pequenino Deportivo Alavés teria pela frente um time de enorme história e de respeito inigualável: o Liverpool. Naquela época, os Reds eram detentores de 18 títulos do Campeonato Inglês, seis da Copa da Inglaterra, seis da Copa da Liga Inglesa, além de quatro da Liga dos Campeões e dois da Copa da Uefa.

O novo título europeu não seria apenas uma nova conquista para o time de Gérard Houllier, mas também a chance de erguer o segundo troféu em menos de uma semana. No dia 12 de maio de 2001, o Liverpool venceu o Arsenal no Millenium Stadium por 2-1 e foi campeão da Copa da Inglaterra. Aquele jogo foi marcante porque os Reds perdiam até os 38 minutos da etapa final, quando Michael Owen apareceu e virou a partida com dois gols em cinco minutos.

Além disso, em fevereiro daquele ano, o Liverpool havia derrotado o Birmingham City pela final da Copa da Liga Inglesa, também no Millenium Stadium. Ou seja, na final do dia 15 de maio, em Dortmund, o time da terra dos Beatles poderia erguer o terceiro troféu da temporada.

Na Copa da Uefa, o Liverpool teve campanha praticamente impecável. Foram 12 jogos, com sete vitórias, quatro empates e somente uma derrota. Além disso, 14 gols foram marcados e sua defesa foi vazada apenas cinco vezes.

A decisão

Foto: Reprodução - Um gol contra decidiu a final de 2001

Foto: Reprodução – Um gol contra decidiu a final de 2001

O Liverpool entrou no gramado do Westfalenstadion, em Dortmund, no 4-4-2 habitual, contando com o retorno do escocês Gary McAllister, que havia ficado de fora da decisão da Copa da Inglaterra. Já o Alavés entrou no cauteloso 5-4-1, apenas com Javi Moreno no ataque. O uruguaio Iván Alonso, um dos grandes nomes da campanha, começou no banco.

Talvez nervoso com a situação atípica em que se encontrava, o Glorioso sentiu o peso da decisão. Com 15 minutos já olhava o placar com dois gols de vantagem para o adversário inglês. Markus Babbel e Steven Gerrard marcaram para o Liverpool em erros do time espanhol.

Mané se viu obrigado a mexer rapidamente. Aos 22 minutos, chamou Alonso e sacou um de seus defensores: o norueguês Dan Eggen. A mexida surtiu efeito imediato e três minutos após entrar, o uruguaio descontou, aproveitando cruzamento de Cosmin Contra, que também fez ótimas aparições na temporada.

Porém, outro erro de passe no meio-campo resultou em um pênalti a favor do Liverpool antes do término do primeiro tempo. Os aproveitadores do erro foram Dietmar Hamann e Michael Owen. O alemão lançou o inglês, que driblou o goleiro Herrera e foi derrubado na sequência. McAllister converteu a cobrança e levou o 3-1 para os vestiários.

Além da entrada do brasileiro Magno no intervalo, a conversa de Mané com os jogadores surtiu grande efeito nos jogadores do Alavés, que buscaram o resultado rapidamente. Javi Moreno, que havia ficado de fora do jogo de volta das quartas-de-final e das duas partidas da semifinal, fez dois gols em três minutos e deixou tudo igual. O primeiro tento foi de cabeça, aproveitando nova jogada de Contra. Já o segundo gol foi cobrando falta por baixo da barreira.

Os dois gols lhe deixaram com seis na competição, empatado no topo do ranking de artilheiros com outros três jogadores: Drulić (Estrela Vermelha), Kuzba (Lausanne) e Nikolaidis (AEK Atenas).

Porém, não era apenas Mané que poderia fazer mexidas úteis. Houllier também agiu e tirou Robbie Fowler do banco de reservas aos 20 minutos. Menos de dez minutos depois, o atacante recebeu de McAllister, limpou a marcação e finalizou no cantinho esquerdo de Herrera, recolocando o Liverpool em vantagem.

Valente, o Alavés foi buscar o empate aos 44 minutos com uma cabeçada de Jordi Cruyff. O filho de Johan pode não ter chegado nem perto do que o pai fez, mas foi de fundamental importância para a campanha espanhola naquele ano. Ele foi o autor de quatro gols, incluindo o que abriu o placar na histórica vitória sobre a Inter nas oitavas-de-final.

O gol em Dortmund forçou a prorrogação, na época, com o temido Gol de Ouro.

No tempo extra, o Alavés foi sentindo o cansaço aos poucos. Sem poder de recuperação com 11, os espanhóis se viram em prejuízo ainda maior quando o brasileiro Magno entrou de forma violenta em Babbel, recebeu o segundo amarelo e foi expulso.

Sem pernas e com 10, o Alavés cedeu à pressão do Liverpool. Faltando cinco minutos para acabar o jogo, Smicer, que entrara no começo do segundo tempo, ia passando fácil por Antonio Karmona. Sem opção, o capitão espanhol puxou o adversário e cometeu falta no bico da grande área. Por já ter amarelo, também foi expulso.

Na cobrança de falta, o pior aconteceu. McAllister cobrou fechado e o zagueiro Delfí Geli, com o intuito de afastar a bola, se antecipou ao goleiro e jogou contra a própria meta. A desolação foi total. Depois de ficar atrás no marcador em duas oportunidades e buscar o empate em ambas às vezes, o Alavés sucumbia no final da prorrogação. Foi o encerramento de um sonho.

Foto: Reprodução - A derrota foi dolorosa para o Alavés

Foto: Reprodução – A derrota foi dolorosa para o Alavés

Futuro sombrio

Depois de ir longe na Copa da Uefa, o Alavés sofreu perdas importantes. O Milan veio buscar Cosmin Contra e Javi Moreno, enquanto Ivan Tomić retornou a Roma. Apesar das perdas significativas, o time de Mané seguiu forte e terminou na 7ª colocação na temporada seguinte, retornando a Copa da Uefa na temporada 2002/03.

Porém, de 2003 em diante, o Alavés sofreu uma vertiginosa queda. Já na Copa da Uefa não foi longe, parando logo na segunda fase diante do Besiktas. No Campeonato Espanhol a campanha foi horrível e, na penúltima colocação, foi rebaixado para a segunda divisão. Além disso, Mané havia deixado o cargo de técnico após derrota para o Valencia na 31ª rodada. Na ocasião, o Alavés já ocupava a penúltima colocação e aquele foi o nono tropeço consecutivo, sendo que, desses nove jogos, o Glorioso não havia marcado gols em seis partidas.

Na temporada seguinte, com Pepe Mel no comando, o Alavés ficou em 4º na segunda divisão e não subiu e ainda parou na semifinal da Copa do Rei. Na temporada 2004/05, com Chuchi Cos como técnico, o acesso finalmente veio, mas a festa durou pouco e o Glorioso ficou apenas uma temporada na elite (2005/06).

Desde então não voltou mais. E nem tem passado perto disso. Depois de duas temporadas em que se salvou na bacia das almas, a queda para a terceira divisão veio em 2009. O Alavés voltou para a segunda divisão apenas nesta temporada, mas novamente briga contra o descenso. Após algumas rodadas na lanterna, o time ganhou fôlego e ocupa a 19ª colocação com 33 pontos. Tal posicionamento ainda lhe rebaixa, mas a distância pro primeiro time fora da zona de descenso (Hércules) é de apenas um ponto.

Uma pena que em pouco mais de dez anos, um time que surpreendeu toda Europa esteja sofrendo de tal maneira. É apenas sombra do que era em 2001.

Enquanto novos dias de sol não chegam para o Alavés, recorde como foi a decisão de 2001:

A redenção de Diego

Líder em assistências na UEL, Diego conquista a Europa League (Getty Images)

O meio-campista Diego era o grande nome do Werder Bremen na temporada 2008/09. Maestro em campo, o brasileiro foi o principal condutor do time alemão em direção a final da antiga UEFA Cup, hoje, UEFA Europa League.

Suspenso, Diego não pôde disputar a decisão realizada em Istanbul. Jogando sem o astro da companhia, o Bremen sucumbiu à esquadra brasileira do Shakhtar Donetsk na prorrogação. O gosto da derrota ficou ainda mais amargo porque dias depois, Diego se despedira em direção de Turim, onde jogaria – e fracassaria – na Juventus.

Mas o vice-campeonato não foi bem digerido, já que durante muito tempo foi falado no tal “se”. SE o Diego tivesse jogado… SE o Diego não estivesse suspenso… Se isso, se aquilo, mas no geral, todos imaginavam que com o brasileiro em campo a história teria sido diferente, já que ele era o artilheiro do Werder Bremen na competição com seis gols.

Entendo que a revelação do Santos não tenha se abalado com todos esses acontecimentos aglomerados. Diego era jogador de nível internacional e tinha tudo para brilhar no calcio, mas não deu certo e voltou para a Alemanha e defender o Wolfsburg, onde mesmo tendo boas atuações – isso é por minha conta, não acho que tenha fracassado por completo – pôs tudo a perder com uma briga com Félix Magath na última rodada da Bundesliga de 2011.

O Mago não queria ter Diego no elenco dos Lobos e o brasileiro foi parar na Espanha, mais especificamente no Atlético de Madrid. Sem os investimentos astronômicos do rival da cidade, Real Madrid, o Atleti conseguiu remodelar seu time. Miranda, Arda Turan, Courtois e Falcão García se juntaram a Diego na nova empreitada.

Diego anotou o gol que confirmou o título do Atlético

O prêmio veio nesta quarta-feira, com a conquista da UEFA Europa League em Bucareste. O grande jogador da partida foi o Mr. Europa League, Falcão García, autor de dois gols, mas Diego também foi peça importante ao anotar o terceiro gol, o que sacramentou a conquista. Na comemoração, o brasileiro se ajoelhou e foi às lágrimas. Certamente, as lembranças e expectativas de 2009 vieram a sua mente, mas que só na Espanha ele pôde realizar. Foi sua redenção, sem dúvida alguma!

Não estou dizendo que ele voltará à seleção, que será um grande craque e concorrerá a Bola de Ouro no fim do ano, mas Diego conseguiu, com três anos de atraso, saber o que é jogar e conquistar uma Liga Europa – ou Copa da UEFA. Foi um peso tirado de suas costas e ele teve méritos com suas sete assistências pra gols, líder no quesito no torneio europeu.

Jogando em um time de ambições menores, Diego pôde voltar a apresentar um futebol convincente. A falta de obrigação em ser o astro do time – cargo dado a Falcão García – “libertou” a técnica e habilidade presa em seus tempos de Juventus e Wolfsburg – dois clubes com grandes metas e apostando alto em Diego.

A consolidação da temporada do brasileiro pode ser concluída no próximo fim de semana com uma vaga na próxima UEFA Champions League. Emprestado pelos Lobos até 2014 ao Atlético de Madrid, Diego teria a maior competição interclubes do mundo para mostrar que pode ser decisivo e tendo a batuta em mãos, orquestrando a sinfonia colchonera.

O preço alto da soberba

É, Pastore... Não deu! (Reprodução: PSG.fr)

Durante toda a história, somente dois clubes franceses conquistaram torneios continentais: o Olympique de Marseille, que já foi campeão da Liga dos Campeões e o Paris Saint-Germain, que já ergueu a Taça das Taças.

Não são números pra lá de expressivos, muito pelo contrário. Mas levando em conta a quantidade absurda de jogadores que os times franceses cedem para grandes clubes de outras ligas, dava para imaginar resultados melhores. Se os clubes do país tivessem um maior poder aquisitivo, não só manteriam muitos jogadores como formariam equipes capazes de bater de frente com as grandes forças européias.

Mesmo assim, estando colocada em um posto de destaque mediano no cenário continental, os times da França se sentem no direito de “esnobar” um torneio como a Europa League.

Na temporada passada, o Lille, por exemplo, futuro campeão francês e contando com o entrosado trio Hazard-Sow-Gervinho, jogou boa parte da Liga Europa com time misto. A gota d’água foi no mata-mata contra o PSV Eindhoven. Após empatar em casa por 2×2, o técnico Rudi Garcia mandou pro jogo de volta, na Holanda, um time quase reserva. Moussa Sow e Hazard entraram em campo quando a vaca já estava se dirigindo pro brejo mais próximo.

Na atual temporada, Lyon e Marseille até que fizeram bonito na Uefa Champions League – ambos conseguiram no sufoco suas qualificações pro mata-mata – mas o Lille deu vexame ao cair fora da competição sem nem pegar Liga Europa.

Na própria Europa League, o vexame foi maior. O Rennes não se classificar é normal. O time rubro-negro não tem como costume disputar competições continentais e a falta de experiência era totalmente aceitável. Mas o Paris Saint-Germain???? Vexame!

A Qatar Sports Investiments botou muita grana no clube, trouxe nomes de peso como Ménez, Gameiro e Pastore, e o PSG tem muito mais time que muita gente que se classificou. Porém, o descaso do time com o torneio foi grande.

Em casa, o time parisiense fez sua parte. Venceu os três jogos, marcou oito gols e sofreu apenas três. Mas fora de casa, o PSG somou somente um mísero ponto em cima do fraquíssimo Slovan Bratislava. O grande detalhe desses três jogos como visitante, é que o time parisiense estava com time misto.

Agora olha o estrago que essas eliminações tolas poderão causar ao futebol francês:

Esse ranking acima é da UEFA e que indica a posição de cada liga européia. Ele determina quantas vagas para torneios continentais cada país poderá fornecer.

As três primeiras colocadas podem ceder quatro times para a Champions League e mais três para a Europa League. As três seguintes colocações fornecem três vagas para as duas competições. Depois do sétimo ao décimo quarto lugar, são cedidas duas vagas para a UCL e por aí vai…

Neste momento, a França ocupa a quinta colocação no ranking da Uefa, com 53.344 de coeficiente. A Ligue 1 ainda está muito distante da Série A, mas em contrapartida, vê as ligas portuguesa e russa se aproximarem. Se os dois países ultrapassarem a França neste ranking, a Ligue 1 perderá uma vaga na Champions League.

Mais do que nunca, os franceses terão de torcer para Lyon e Marseille chegarem longe na Champions League, pois são os únicos que podem manter as 3 vagas do país para a Champions League. Tanto Rússia, quanto Portugal, tem quatro times disputando as competições UEFA.

Pior vai ser ver depois uma eventual choradeira de “certos times” que possivelmente ficarão de fora da Champions League por ficarem em 4º lugar…

Durma-se com um barulho desses!

Europa, eles estão aí!

A banda de Hannover, a "The Men Who" está empolgada com o momento do time

Lá estava eu catando mais algum cântico de torcida para publicar aqui no Hino Mania, eis que encontro uma banda que torce pro Hannover e que orgulhosa da campanha do time na última temporada da Bundesliga e desse atual início de temporada, compôs uma música em homenagem ao time.

A banda “The Men Who” é composta pelo guitarrista Daniel, pelo baterista Friedo, pelo baixista Torsten e pelo vocalista e guitarrista Lasse. Jovens de Hannover, capital da Baixa Saxônia, eles se inspiram no rock do Reino Unido.

Como torcedores do Hannover 96, eles ficaram orgulhosos da campanha do time na temporada 10/11 da Bundesliga, onde o time ficou na 4ª colocação e por pouco não se classificou para a Uefa Champions League. Nesse início de temporada, o time não só vai bem no campeonato nacional, como depende apenas de uma vitória para se qualificar na Europa League.

Não à toa, no fim de setembro eles lançaram a música “Europa, Wir Sind Da!” (Europa, estamos aqui!).

Confira abaixo a letra:

EUROPA, WIR SIND DA!

Schalalalala…
Europa – wir kommen!
Die rote Macht aus Hannover ist da
Die Fans im Fieber
Die ganze Stadt freut sich
Den Puls gefühlt
Er schlägt Sechsundneunzig
Das Stadion tobt
Und singt Schalala!

Los, Wir hol‘n uns den Pokal!
Europa – Wir sind da!
Los, Wir hol‘n uns den Pokal! Sechsundneunzig – wunderbar!

Die Mannschaft der Star, der Wille unbändig
Die Tage gezählt, es ist soweit – endlich!
Der Griff nach den Sternen Nie war‘n wir so nah! Schwarz weiß grün – Sind uns‘re Farben
Schwarz weiß grün – Die ganze Stadt
Mit alter Liebe
Auf Wolke Sieben

Los, Wir hol‘n uns den Pokal! Europa – Wir sind da!
Los, Wir hol‘n uns den Pokal! Sechsundneunzig – wunderbar!
Schalalalala… Hannover!
Schalalalala… Hannover!
Schalalalala… Hannover Sechsundneunzig!

Los, Wir hol‘n uns den Pokal!
Europa – Wir sind da!
Los, Wir hol‘n uns den Pokal! Sechsundneunzig – wunderbar!

Hannover!