O passo adiante de Lacazette

Lacazette foi anunciado no Arsenal nesta quarta-feira (5) | Foto: Divulgação/Arsenal

Chegou a hora de Alexandre Lacazette. Após algumas temporadas tendo nome ventilado em algumas das principais equipes do futebol europeu, enfim apareceu o momento de deixar o Olympique Lyonnais e buscar voos maiores no Arsenal, disputando a badalada Premier League.

Vendido aos Gunners por € 53 milhões, o atacante formado no próprio Lyon sai do clube com diversas sensações. Individualmente, deixa a França com o status de quarto maior goleador da história do OL, com 129 tentos. Se continuasse onde está, fatalmente subiria mais no ranking, já que o terceiro e o quarto colocado, Serge Chiesa e Bernard Lacombe, respectivamente, estão com 134 e 149 gols.

Além disso, Lacazette se tornou o jogador do Lyon com mais gols em uma única temporada do Campeonato Francês. Primeiro, em 2014/15, bateu recorde histórico de André Guy, de 1968/69, com 25 gols, terminando o ano com 27 tentos. Na última edição do torneio nacional, Laca bateu o próprio recorde e marcou 28 vezes.

Em contrapartida, coletivamente, a sensação é de que deixa um clube que não foi capaz de estar em mesmo nível. Desde a temporada 2009/10 entre os profissionais, conquistou apenas a Copa da França de 2012 pelo OL. Pouco, muito pouco.

As razões para esse currículo pouco extenso em títulos são várias e passam muito pelos técnicos incapazes de fazer o time render mais e até mesmo da montagem dos elencos, quase sempre desequilibrados e pautados no que o clube produzia na base. Lacazette, entregando pelo menos 20 gols desde 2013/14, certamente é o menor dos culpados por não ter conquistado tantos títulos.

O Lyon agora fica para trás e ele terá um árduo desafio pela frente na Premier League. O Campeonato Francês vem fornecendo um terreno fértil para os clubes ingleses, mas Lacazette é um dos poucos que vai com status elevado nas últimas temporadas. Com a iminente saída de Alexis Sanchez, o francês chega para ser o grande nome do comando de ataque do time de Arsène Wenger, até mesmo pelo status de maior negociação da história do clube inglês.

Só que da mesma maneira em que ir para a Premier League é um novo desafio na carreira de Lacazette, essa transferência também é um risco assumido a menos de um ano para a Copa do Mundo. Com apenas 11 jogos na seleção principal, um passo em falso na Inglaterra pode enterrar qualquer chance de estar no time inicial de Didier Deschamps na Rússia.

E sempre gosto de lembrar: a posição mais aberta dos Bleus é o ataque. A sombra de Lacazette ronda a posição há muito tempo, só que, hoje, Olivier Giroud é o cara da função. O estilo bruto de jogo do Gunner e os poucos indícios de que pode ser um atacante realmente capaz de decidir jogos grandes, porém, mantém a função órfã do descartado Karim Benzema. Em meio a isso, surgiu Kyllian Mbappé, o prodígio que desponta como o futuro francês e que já dá amostras de que pode ser aproveitado agora.

Por outro lado, é claro, Lacazette pode acertar em cheio, ter uma temporada de ouro e, enfim, se tornar um nome de peso na seleção. Basta lembrar o caso de Dimitri Payet, que trocou o Marseille pelo West Ham na temporada que culminaria com a Eurocopa. Explodiu na Inglaterra, teve temporada de destaque nos Hammers e chegou ao torneio europeu com status de peça-chave do time. Por que não pode acontecer o mesmo com o novo reforço do Arsenal?

Depay e Sanson: os grandes negócios da janela francesa

O período de abertura da janela de transferências de inverno vai seguindo para as semanas finais, mas, na França, pelo menos nesta semana, não foi para Paris que se direcionaram os grandes negócios no Campeonato Francês. A dupla de Olympiques – Lyonnais e Marseille – acertou as contratações de Memphis Depay e Morgan Sanson, respectivamente, e movimentaram os últimos dias na Ligue 1.

Das duas, a negociação que mais chamou a atenção foi a de Depay, de 22 anos, que está no Manchester United. A transferência ainda não é oficial, mas está quase lá. O Lyon, inclusive, publicou foto do holandês chegando na França para finalizar os últimos termos do contrato. Especula-se entre os órgãos de imprensa franceses e ingleses que o OL pagará € 16,5 milhões, mais € 8 milhões de bônus, caso atinja alguns objetivos.

Depay já está na França para acertar os últimos detalhes da transferência | Foto: Divulgação/Lyon

Depay já está na França para acertar os últimos detalhes da transferência | Foto: Divulgação/Lyon

Valorizado após a Copa do Mundo de 2014, Depay não correspondeu às expectativas em duas temporadas e meia em Manchester e em 56 jogos pelo clube, anotou apenas sete gols e deu sete assistências.

Nesta temporada, com José Mourinho no comando, os números são piores e o holandês atuou em apenas 134 minutos, distribuídos em míseros oito jogos. São estatísticas que contrastam bastante com os 50 gols e 29 assistências nos tempos de PSV Eindhoven, na Holanda.

Na França, Depay tem tudo para dar certo na ponta esquerda do Lyon. Talento tem de sobra e pode acrescentar com um jogo mais agressivo pelas laterais. Uma das ideias, evidentemente, é fazer com que o OL, time que tem a maior média de chutes por jogo da Ligue 1 e é o terceiro melhor ataque da temporada, consiga explorar ainda mais este recurso.

Entretanto, dois fatores preocupam. O primeiro deles é o ritmo de jogo. Como citei acima, Depay foi pouco aproveitado por Mourinho e, em função disso, está inativo desde o dia 24 de novembro do último ano, quando atuou por apenas oito minutos contra o Feyenoord, pela Liga Europa. Importante ressaltar que o máximo de minutos que o holandês teve em uma partida nesta temporada foi 55, contra o Northampton Town, pela Copa da Liga.

Nem mesmo a lendária camisa 7 fez com que Depay ganhasse minutos nesta temporada pelo United | Foto: Facebook/Memphis Depay

Nem mesmo a lendária camisa 7 fez com que Depay ganhasse minutos nesta temporada pelo United | Foto: Facebook/Memphis Depay

O outro fator seria uma possível decepção pelas cifras envolvidas. Ao pagar a bagatela de mais de € 16 milhões, o Lyon transmite um recado bem claro a Depay: “queremos você jogando e sendo decisivo”.

O próprio OL tem um trauma com altos investimentos que deram errado, vide os casos de Yoann Gourcuff (€ 22 milhões), Kader Keitä (€ 16,8 milhões) e Aly Cissokho (€ 16,2 milhões), contratados a peso de ouro, mas que deixaram o clube pela porta dos fundos. Uma nova decepção em um investimento caro seria um duro golpe na autoestima de um clube que busca, a sua maneira, competir com os milionários PSG e Monaco.

Além disso, vale ressaltar que a Ligue 1 tem sido terreno fértil para clubes de outros ligas deitarem e rolarem, gastando pouco e tendo um retorno muito maior, tanto dentro de campo, quanto financeiramente. Alguns exemplos são Dimitri Payet, contratado pelo West Ham junto ao Marseille por € 15 milhões, e N’Golo Kanté, trazido do Caen pelo Leicester City por € 9 milhões, valores que são relativamente pequenos para clubes ingleses.

Alguns torcedores, desconfiados com a contratação de Depay, se perguntam: não seria melhor garimpar algum talento na França por um valor menor? Só o tempo para responder.

Na Inglaterra, o holandês não repetiu dos bons números que obteve no futebol holandês | Arte: Europa Football

Na Inglaterra, o holandês não repetiu dos bons números que obteve no futebol holandês | Arte: Europa Football

A negociação que já é oficial, entretanto, envolve o meio-campista Morgan Sanson, de 22 anos. Ele foi contratado pelo Marseille, junto ao Montpellier, pelo valor de € 9 milhões, com € 3 milhões de bônus.

O OM adquiriu um meio-campista completo. Sanson pode fazer a função defensiva e ofensiva e deve contribuir de várias maneiras ao time comandado por Rudi Garcia. É um jogador de muita técnica, boa distribuição de jogo e que possui, principalmente, boa decisão de jogadas e sabe o que fazer na hora de articular uma situação de gol.

Sanson vestirá a camisa 8 no OM | Foto: Allan Chaussard/OM

Sanson vestirá a camisa 8 no OM | Foto: Allan Chaussard/OM

Na atual temporada, Sanson era um dos poucos que vinha se salvando na péssima temporada do Montpellier, tendo marcado três gols e distribuído sete assistências. Já não é de hoje que vinha fazendo boas exibições no MHSC e foi premiado agora com essa transferência.

O grande impasse sobre Sanson é sobre a concentração mesmo. O Marseille já trouxe a pouco tempo outras revelações do futebol francês, como Florian Thauvin e Remy Cabella, mas ambos não conseguiram ainda repetir as atuações que os projetaram até a Premier League, por exemplo. Certamente há um temor em Garcia e em toda a direção que um novo garoto problema surja. O histórico de Sanson não aponta isso, mas o ambiente turbulento do OM é propício para pressões extremas, “criando” novos flops. À primeira vista, é um grande negócio do OM.

Sanson era um dos destaques do frágil Montpellier | Arte: Europa Football

Sanson era um dos destaques do frágil Montpellier | Arte: Europa Football

Com o passar das semanas, a tendência é que o mercado fique mesmo mais agitado. Quem ainda almeja algo na temporada, certamente vai mexer os pauzinhos para trazer novos reforços e cumprir com as metas. Alguns ainda vão tentar se estabelecer com o que tem e segurar as suas peças. A única certeza é que o mercado francês já está tendo suas movimentações de impacto.

Os Números Dizem Muito: Negócio do Lille

Enquanto o PSG compra, o Lille investe(Foto: Getty Images)

Enquanto o PSG compra, o Lille investe
(Foto: Getty Images)

No futebol cada vez mais envolvido com os números relacionados às quantias astronômicas nas vendas de atletas, tem se tornado natural vermos times “vendedores”. O maior exemplo da Europa é o Porto, que lotou seu cofre com as negociações de atletas como Falcao García e Hulk.

Na França, o principal exemplo tem sido o Lille. Da temporada 2007/08 até a atual, o clube do norte da França obteve pelo menos 140 milhões de euros em vendas de jogadores. Digo “pelo menos” porque levantei no site Transfermarkt apenas as contratações mais caras, deixando algumas pechinchas de lado. Porém, o Lille acabou lucrando demais com essas negociações, pois no mesmo período, a contratação mais cara que fez foi a de Marvin Martin nesta temporada, por 10 milhões de euros.

Olhando com uma visão ainda mais otimista, vemos que o Grand Stade Lille Metrópole, moderno estádio do time, construído recentemente, custou algo em torno de 280 milhões de euros, sendo que esse valor foi dividido entre a empresa responsável e o poder público. Ou seja, com esses 140 milhões, menos alguns investimentos, deu para pagar a construção de seu estádio.

Confira abaixo os números das vendas do Lille:

2012/13 – 46 milhões de euros
40 milhões = Hazard para o Chelsea
6 milhões = Debuchy para o Newcastle

2011/12 – 33 milhões de euros
12 milhões = Gervinho para o Arsenal
10 milhões = Sow para o Fenerbahçe
6 milhões = Rami para o Valencia
5 milhões = Cabaye para o Newcastle

2010/11 – Nenhuma grande venda

2009/10 – 18 milhões de euros
18 milhões = Michel Bastos para o Lyon

2008/09 – 14 milhões de euros
14 milhões = Jean II Makoun para o Lyon

2007/08 – 29 milhões de euros
16 milhões e 6 milhões = Kader Keitä e Bodmer para o Lyon
7 milhões = Odemwingie para o Lokomotiv Moscou

Por que Lucas pode fazer sucesso na Europa?

Lucas foi apresentado no PSG direto do Qatar(Foto: PSG.fr)

Lucas foi apresentado no PSG direto do Qatar
(Foto: PSG.fr)

Tenho de admitir: quando o Paris Saint-Germain anunciou a compra de Lucas Moura por 40 milhões de euros, torci o nariz. Fiz isso porque não enxergava nele potencial que fizesse valer esse investimento todo. Porém, assistindo a mais jogos do garoto com a camisa do São Paulo e analisando o contexto com qual se desenvolveu a negociação, observo que foi uma boa para os dois lados.

Para o Paris Saint-Germain, é uma nítida demonstração de força vinda do Qatar. Lucas era observado por equipes mais tradicionais e tão fortes economicamente quanto o clube francês. Talvez jogar em grande centro fosse até mais sedutor ao brasileiro, mas os franceses, com o “combustível” árabe, desbancaram os rivais e trouxe o rapaz. Além disso, o clube passa a ter em mãos um jogador que, se ver a liga francesa crescer, poderá ficar por diversos anos defendendo sua camisa. Como disse o técnico Carlo Ancelotti, “Lucas é o futuro do Paris Saint-Germain”.

Olhando pelo lado do Lucas, podemos ter duas óticas favoráveis a essa contratação: a história e seu estilo de jogo.

Historicamente, jovens brasileiros que se aventuraram no Velho Continente em ligas de menor porte, se deram bem no futuro. O PSV trouxe Ronaldo e Romário com 18 e 22 anos respectivamente, enquanto Ronaldinho foi comprado pelo PSG quando tinha 21 anos. Lucas, que fará os mesmos 21 anos de Ronaldinho em agosto de 2013, vai jogar em um país onde o futebol não está tão qualificado como na Alemanha e Inglaterra e isso, por incrível que pareça, deve ser bom.

Embora a Ligue 1 não seja a “menina dos olhos” dos fãs de futebol, não é nenhum campeonato obscuro, muito pelo contrário. Mas a visibilidade não é o principal ponto de se jogar em uma liga menor. Imagina o tamanho da pressão que sobrecarregaria Lucas se ele fosse jogar em um Real Madrid, por exemplo? Espanhóis e brasileiros iriam esperar que ele se tornasse o salvador da pátria, sem se importar com o fato de ter apenas 20 anos. Robinho vivenciou algo parecido e se vê renegado a um retorno ao futebol brasileiro após fracasso em terras espanholas, inglesas e temporadas de figuração no Milan.

O Campeonato Francês tem demonstrado através dos anos que não é um torneio que exija de seus times ter jogadores prontos. Basta notar a quantidade de atletas que brilharam por lá e até hoje não explodiram. Gourcuff, Gervinho e Benzema – falem o que quiser, mas ele segue irregular no Real Madrid e é uma decepção na seleção – são os exemplos mais claros. Lucas chegará sendo uma espécie de “universitário” na França, pois estará em um país que tem uma liga qualificadora. Mantendo a linha de raciocínio, quando chegar aos times mais poderosos do continente, poderemos dizer que o brasileiro concluiu sua graduação e ingressou no mercado de trabalho.

Na França, o ex-são-paulino ainda terá dois “escudos” dentro de campo: Zlatan Ibrahimović e Thiago Silva, jogadores que tem, por obrigação, liderar o PSG dentro de campo e de serem os responsáveis por conduzir os franceses ao status que tanto almejam. É esse tipo de ação que alivia o peso sobre o brasileiro.

Lucas chegou falando em ser o melhor do mundo(Foto: PSG.fr)

Lucas chegou falando em ser o melhor do mundo
(Foto: PSG.fr)

Quanto ao estilo de jogo de Lucas, fica nítido, pelo menos a mim, que ele tem o jeito do futebol europeu. O brasileiro consegue unir velocidade, habilidade e objetividade para um atleta que atua pelo lado do campo. Já é mais recurso que Pastore e Lavezzi, opções de Ancelotti para a função, apresentam. O Paris Saint-Germain tem atuado no 4-4-2, no melhor estilo britânico, então, o brasileiro cabe tanto no flanco direito, quanto no esquerdo. Se o italiano conseguir implantar a tão temida, por muitos de nossos compatriotas, “consciência tática”, será um dos melhores wingers do planeta, talvez o melhor.

Se o dinheiro dos catarinos foi primordial na escolha do brasileiro pelo PSG não dá para saber, só perguntando a ele mesmo, mas é fato que na França, Lucas poderá se desenvolver mais do que em uma liga mais forte. Em outras palavras, disputar a Ligue 1 é uma boa pedida quando se pensa na evolução futura da carreira.

Sem sentido

Lewandowski no Manchester: tem sentido?(Foto: Getty Images)

Lewandowski no Manchester: tem sentido?
(Foto: Getty Images)

Nunca foi de meu feitio comentar as especulações que tanto aparecem na mídia. A maioria é rasa em informações e feita apenas para vender mais jornais e ganhar mais cliques em portais na internet. Mas uma das mais comentadas atualmente me soa tão absurda, porém, possível que seja concretizada, que me senti obrigado a abrir o blog pra comentar. O rumor em questão envolve o atacante do Borussia Dortmund, Robert Lewandowski, que estaria migrando para o Manchester United.

Mas o que o polonês deseja fazer em Manchester? Pegar chuva? Pergunto isso porque jogar não me parece ser um dos principais objetivos com uma eventual mudança. Ainda assim, muitos veículos de imprensa falam com tanta clareza que essa transferência pode ser efetuada, que me soa absurdamente estúpido – dos dois lados – que isso aconteça.

Um primeiro ponto de estupidez seria pela grana gasta pelo Manchester United em um curto espaço de tempo para jogadores de funções semelhantes. Robin van Persie foi comprado por 30 milhões de euros no começo da temporada e segundo a imprensa inglesa, a contratação de Lewandowski superaria a marca dos 20 milhões. Gastar mais de 50 milhões em menos de seis meses para dois atacantes não é uma das ideias mais sensatas que se pode ter.

Essa contratação teria sentido maior se o Manchester United tivesse a pretensão de formar uma dupla de ataque com van Persie e Lewandowski, não me parece ser esse o caso. Alex Ferguson ainda tem a disposição Wayne Rooney, que, convenhamos, não é um atacante que possa ser desprezado. Além disso, o mexicano e pouco badalado Chicharito Hernández vem fazendo seus gols e tem se tornado uma espécie de talismã do técnico escocês.

E com a Premier League virando uma espécie de passatempo para o Manchester – principalmente se passarem “ilesos” dessa incontável série de jogos entre o fim de 2012 e início de 2013 –, a UEFA Champions League vai se tornar o sonho principal do time e Lewandowski não poderia disputar a competição por já ter jogado pelo Dortmund.

Jornais ingleses afirmam categoricamente que Lewandowski jogará no time de Ferguson

Jornais ingleses afirmam categoricamente que Lewandowski jogará no time de Ferguson

Veículos de imprensa da Inglaterra defendem a ideia de que o polonês sairá da Alemanha por ainda não ter renovado seu contrato. Detalhe: seu vínculo com o clube do Vale do Ruhr vai até o meio de 2014, ou seja, o fato de ter rejeitado uma renovação no passado, não significa que não possa mudar de ideia nos próximos 18 meses.

Honestamente, ninguém sairá ganhando com essa troca. Olhando pela ótica do Lewandowski, ele sairá de um clube onde é titular absoluto e que fará muita falta – ainda me explicarão o que Julian Schieber faz em Dortmund – para disputar posição com dois dos melhores atacantes do mundo e com um jovem confiante e que vem sendo lapidado por Ferguson. Enquanto o Manchester United gastará demais em um setor bem abastecido de jogadores e nem poderá utilizar o polonês na Liga dos Campeões. É claro que tanto Rooney quanto van Persie podem atuar em outras posições, mas não vão render o máximo e nem fazer os gols que tanto esperam que façam. Além do mais, Chicharito deverá perder espaço e ganhar novo status em outra equipe, possivelmente, em um rival do United.

Nada faz sentido nessa especulação. O dinheiro não seria gasto conscientemente pelo Manchester, Lewandowski não teria a mesma estabilidade que tem em Dortmund e o clube alemão ficaria órfão de seu principal artilheiro. Pode ter coelho nesse mato – alguém conseguirá tirar Rooney da Inglaterra? – mas enquanto não surgir algo mais concreto, não darei tanta ênfase a essa especulação. Se todas as afirmações categóricas da imprensa inglesa forem confirmadas, poderemos soar as cornetas, pois essa transferência só tem lógica pra quem quer vender jornal, mas no campo, nada.

Trampolim quebrado

Não vou ficar no Shakhtar minha vida inteira. Quero fazer dele um trampolim para atingir meu objetivo, que é jogar por um grande clube na Europa. Uma ponte para um lugar melhor (…)

Douglas Costa e Messi no mesmo gramado: só como adversários

A frase acima foi dita pelo meio-campista brasileiro Douglas Costa, no início de 2010, quando deixava o Grêmio em direção do Shakhtar Donetsk. Pois é, dois anos e meio se passam e o atleta segue na Ucrânia, sem grandes perspectivas quanto ao seu sonho de atuar em um gigante europeu.

A declaração do garoto só mostra o quão ingênuos são alguns brasileiros quando se transferem para países periféricos, principalmente quando falamos de Rússia e Ucrânia. Não é segredo pra ninguém que eles possuem muito dinheiro, o bastante para contratar e se sustentarem sem precisar vender seus atletas. Chamar os donos desses clubes de “casquinhas” pode ser uma alcunha cabível, mas convenhamos, eles apenas defendem seus ‘patrimônios’. Basicamente, são times que não precisam vender, apenas comprar.

É fato que, muitas vezes, o cheque cheio de zeros seduz uma alma juvenil, mas é verdade também que a influência do empresário pode surtir um grande efeito, até porque ele também lucrará com a transferência. O papinho do trampolim, somado aos bens que podem ser consumidos com o ‘gorducho’ salário são alguns argumentos que o empresário pode usar com um jovem jogador e seduzi-lo a assinar o contrato.

Douglas Costa ainda sonha em chegar a um grande clube europeu

Com o “trampolim” e a “ponte para um lugar melhor”, Douglas Costa talvez não tivesse a intenção de atingir o clube e os torcedores, talvez eles nem tenham sabido desta declaração – registrada nesta matéria do Portal UOL -, mas, obviamente, ele não queria ir para a Ucrânia conquistar a Europa e “se tornar o melhor do mundo” – maior bobagem inventada pelos jogadores -, mas pensava mesmo em usar o clube como trampolim, até porque viver em Donetsk não parece ser o sonho de um jovem latino-americano. Douglas tem idade olímpica, poderia estar entre os atletas convocados para a competição, mas ficou de fora da lista final – fica o alento de ter ficado de fora apenas no último corte.

Geralmente, transferir-se para um clube do Leste Europeu é uma ‘furada’, mas admito que mudar-se para um Shakhtar ou para um CSKA Moscow, por exemplo, pode ter lá seu valor na carreira, já que são equipes que são constantemente vistas em competições européias, mas ser contratados por eles imaginando que poderá num futuro próximo, alçar um vôo gigantesco e chegar a uma grande liga – oi, Keisuke Honda – gerando imensas expectativas, é ingenuidade.

Olhando também o histórico de transferências do Shakhtar Donetsk, pode-se notar que é um clube que raramente vende jogadores para fora da Ucrânia, quiçá a grandes clubes europeus. Muitos dos que deixam o time ucraniano são por causa do término do contrato, outros são emprestados constantemente, até serem vendidos por um preço mais ‘camarada’, comparado ao que foi comprado. O brasileiro naturalizado boliviano, Marcelo Moreno é um exemplo. O Shakhtar o tirou do Cruzeiro por nove milhões de euros e o vendeu por seis milhões ao Grêmio, isso depois de quatro anos de sua compra e algumas temporadas fracassadas, tanto na Ucrânia, quanto na Alemanha e na Inglaterra.

A grande venda recente do Shakhtar para um verdadeiro grande clube europeu foi de Dmytro Chygrynskiy, mas não podemos de deixar de notar o quão estranha foi essa transação, já que o zagueiro não enchia os olhos de ninguém e foi comprado pelo Barcelona por 25 milhões de euros. Após algumas temporadas de lesões e poucos jogos na Cataluña, o defensor voltou para a Ucrânia por 15 milhões de euros. Jádson, Fernandinho, Srna, Luís Adriano e outros tinham grande destaque pelo Shakhtar, mas quem conseguiu ser comprado por um grande clube foi Chygrynskiy. Estranho, não?

Pode ser que até o final desta janela de transferências, Douglas Costa cale minha boca e mostre que não seja tão ingênuo assim, conseguindo saltar de seu trampolim e arranjar uma transferência para um grande clube da Premier League, Bundesliga ou La Liga, mas enquanto os ucranianos seguirem ‘defecando’ dinheiro, sem precisar vender seus atletas, congelará no Leste Europeu ou voltará para o Brasil.

*Crédito das Imagens: Reuters

Golpe de estado

Era quarta-feira, quarto dia do ano de 2012. Eu estava num “aquecimento” pra assistir Paris Saint-Germain x Milan – ô joguinho chato, diga-se de passagem – e antes de rumar para o sofá da sala, decidi dar uma navegada por sites alemães e conferir as novidades do futebol local.

O primeiro site que decido entrar é o polêmico diário Bild. Logo na página inicial do portal está a notícia de que Marco Reus seria o novo reforço do Borussia Dortmund. Bom, pra estar na capa do Bild – não na capa de esportes, e sim na principal – é porque eles botavam fé na informação ou queriam mesmo é receber mais acessos.

Decidi dar meu clique e ver o que estava rolando. Na notícia constava que por 17,5 milhões de euros, a jóia do Borussia Monchengladbach reforçaria o time que defendeu dos 7 aos 17 anos até 2017.

Levei um pouco de fé na notícia, mas me lembrei que na semana anterior, o próprio Bild, jornal que adora uma especulação, havia divulgado que o mesmo Reus recebera uma grande proposta do Real Madrid. Se recebeu a proposta do clube espanhol, poucos sabem, mas se realmente houve, Reus não aceitou.

Decidi então entrar no site da conceituada revista Kicker. Nada marcava lá. Se fosse uma mera especulação, até estaria na página, mas ficaria em um cantinho obscuro, de pouco destaque.

Então, deixei a notícia de lado…

Passa um tempo… pequeno tempo, diga-se de passagem, nem cinco minutos, alguém me alerta no twitter – eu já havia twittado minutos antes da notícia publicada no Bild – que o Borussia Monchengladbach confirmara a venda de Marco Reus para o Borussia Dortmund.

Vou correndo pro site da Kicker e já estava na capa do site uma foto enorme de Reus, já anunciando sua venda. Decido então entrar no site do Borussia Dortmund. Dito e feito! Lá também estava o anúncio de sua contratação e todo aquele “blá, blá, blá” de dirigentes felizes com a vinda do novo jogador. Faltava entrar no site do Gladbach, mas o número de acessos era tanto, que o portal dos Potros saiu do ar.

Mas voltando ao portal Kicker, o que realmente me chamou a atenção foi a manchete do site: “Golpe de estado: Dortmund leva Reus”. “Golpe de estado”, não há melhor definição para o assunto.

Todos esperavam ansiosamente por uma proposta do Bayern de Munich. Os mais otimistas, aguardavam até propostas de times de fora da Alemanha, como Arsenal e Real Madrid. E do nada, “Buuuum!”, explode a bomba, Reus é do Dortmund.

Como quem não queria nada, o BVB, clube que rejeitou Reus quando ele tinha 18 anos, traz o garoto de volta. Foi um trabalho bem feito, ágil e eficiente, que deixou o Bayern chupando dedo como criança que fica sem o colo da mãe.

Marco Reus se tornou a 7ª contratação mais cara da história do futebol alemão!

O que será dessa dupla em Dortmund? (bvb.de)

Logo após o anúncio, um turbilhão de mensagens surgiu, todos imaginando como será a dupla Marco Reus-Mario Götze. Admito que também imaginei, assim como pensei que Jurgen Klopp é um privilegiado ao ter a disposição quatro meias de enorme qualidade. Além de Reus e Götze, o técnico aurinegro têm Grosskreutz e Kagawa.

Com todos inteiros, Klopp pode optar por formar um trio mais técnico, colocando Götze na direita, Kagawa pelo centro e Reus na esquerda, sacando Grosskreutz. Se o treinador atual campeão alemão decidir ter um pouquinho mais de velocidade, o japonês seria sacado, com Götze indo pro centro e Reus invertendo de lado, para Grosskreutz atuar na esquerda.

Klopp terá pelo menos até o dia 1º de julho para decidir. A não ser que…

Alguém seja vendido! Fica difícil imaginar que o Borussia Dortmund, clube que até a metade da última década sofria com problemas financeiros, quisesse gastar quase 20 milhões em um jogador que o time não precisava. Os rumores das saídas ou de Götze ou de Kagawa deverão ser levados mais à sério.

Michael Zorc, diretor esportivo do Borussia Dortmund, já havia dito semanas atrás que o BVB “está bem financeiramente, que Götze tem contrato até 2014, então não há motivos para vendê-lo”. Zorc até tem razão ao dizer isso, mas meio mundo que a jóia borussiana, então, é bom ficarmos atentos. Só o tempo nos trará essa resposta.

Por enquanto, nos basta sonhar em ver em campo jovens talentosos como Götze e Reus juntos em um clube, algo diário, jogos todas as semanas, jogos de alto nível e não jogos de seleções, que até são de alto nível, mas são raros.

PÍLULAS DO TEMA

>Será normal no segundo turno da Bundesliga o Borussia Monchengladbach cair de produção. O time titular é até bom, mas o elenco nem tanto. Se somarmos essa provável queda de rendimento com a paixão de torcedor, pelo menos eu, cheguei a conclusão de que a pressão cairá em cima de Reus, naquele papo de “já está vendido e não quer mais jogar aqui”. Será essa a reação da torcida ou o ídolo se sobressairá nessa?

>As 10 contratações mais caras da história da Bundesliga

  1. Mario Gómez (2009) – Do Stuttgart pro Bayern – 30 milhões de euros
  2. Franck Ribéry (2007) – Do Marseille pro Bayern – 25 milhões
  3. Amoroso (2001) – Do Parma pro Dortmund – 25 milhões
  4. Arjen Robben (2009) – Do Real Madrid pro Bayern – 24 milhões
  5. Manuel Neuer (2011) – Do Schalke pro Bayern – 22 milhões
  6. Roy Makaay (2003) – Do La Coruña pro Bayern – 19 milhões
  7. Marco Reus (2012) – Do M’Gladbach pro Dortmund – 17,5 milhões
  8. Luíz Gustavo (2011) – Do Hoffenheim pro Bayern – 17 milhões
  9. Miroslav Klose (2007) – Do Werder pro Bayern – 15 milhões
  10. Tomás Rosicky (2001) – Do Sparta Praga pro Dortmund – 14,5 milhões