Por que Lucas pode fazer sucesso na Europa?

Lucas foi apresentado no PSG direto do Qatar(Foto: PSG.fr)

Lucas foi apresentado no PSG direto do Qatar
(Foto: PSG.fr)

Tenho de admitir: quando o Paris Saint-Germain anunciou a compra de Lucas Moura por 40 milhões de euros, torci o nariz. Fiz isso porque não enxergava nele potencial que fizesse valer esse investimento todo. Porém, assistindo a mais jogos do garoto com a camisa do São Paulo e analisando o contexto com qual se desenvolveu a negociação, observo que foi uma boa para os dois lados.

Para o Paris Saint-Germain, é uma nítida demonstração de força vinda do Qatar. Lucas era observado por equipes mais tradicionais e tão fortes economicamente quanto o clube francês. Talvez jogar em grande centro fosse até mais sedutor ao brasileiro, mas os franceses, com o “combustível” árabe, desbancaram os rivais e trouxe o rapaz. Além disso, o clube passa a ter em mãos um jogador que, se ver a liga francesa crescer, poderá ficar por diversos anos defendendo sua camisa. Como disse o técnico Carlo Ancelotti, “Lucas é o futuro do Paris Saint-Germain”.

Olhando pelo lado do Lucas, podemos ter duas óticas favoráveis a essa contratação: a história e seu estilo de jogo.

Historicamente, jovens brasileiros que se aventuraram no Velho Continente em ligas de menor porte, se deram bem no futuro. O PSV trouxe Ronaldo e Romário com 18 e 22 anos respectivamente, enquanto Ronaldinho foi comprado pelo PSG quando tinha 21 anos. Lucas, que fará os mesmos 21 anos de Ronaldinho em agosto de 2013, vai jogar em um país onde o futebol não está tão qualificado como na Alemanha e Inglaterra e isso, por incrível que pareça, deve ser bom.

Embora a Ligue 1 não seja a “menina dos olhos” dos fãs de futebol, não é nenhum campeonato obscuro, muito pelo contrário. Mas a visibilidade não é o principal ponto de se jogar em uma liga menor. Imagina o tamanho da pressão que sobrecarregaria Lucas se ele fosse jogar em um Real Madrid, por exemplo? Espanhóis e brasileiros iriam esperar que ele se tornasse o salvador da pátria, sem se importar com o fato de ter apenas 20 anos. Robinho vivenciou algo parecido e se vê renegado a um retorno ao futebol brasileiro após fracasso em terras espanholas, inglesas e temporadas de figuração no Milan.

O Campeonato Francês tem demonstrado através dos anos que não é um torneio que exija de seus times ter jogadores prontos. Basta notar a quantidade de atletas que brilharam por lá e até hoje não explodiram. Gourcuff, Gervinho e Benzema – falem o que quiser, mas ele segue irregular no Real Madrid e é uma decepção na seleção – são os exemplos mais claros. Lucas chegará sendo uma espécie de “universitário” na França, pois estará em um país que tem uma liga qualificadora. Mantendo a linha de raciocínio, quando chegar aos times mais poderosos do continente, poderemos dizer que o brasileiro concluiu sua graduação e ingressou no mercado de trabalho.

Na França, o ex-são-paulino ainda terá dois “escudos” dentro de campo: Zlatan Ibrahimović e Thiago Silva, jogadores que tem, por obrigação, liderar o PSG dentro de campo e de serem os responsáveis por conduzir os franceses ao status que tanto almejam. É esse tipo de ação que alivia o peso sobre o brasileiro.

Lucas chegou falando em ser o melhor do mundo(Foto: PSG.fr)

Lucas chegou falando em ser o melhor do mundo
(Foto: PSG.fr)

Quanto ao estilo de jogo de Lucas, fica nítido, pelo menos a mim, que ele tem o jeito do futebol europeu. O brasileiro consegue unir velocidade, habilidade e objetividade para um atleta que atua pelo lado do campo. Já é mais recurso que Pastore e Lavezzi, opções de Ancelotti para a função, apresentam. O Paris Saint-Germain tem atuado no 4-4-2, no melhor estilo britânico, então, o brasileiro cabe tanto no flanco direito, quanto no esquerdo. Se o italiano conseguir implantar a tão temida, por muitos de nossos compatriotas, “consciência tática”, será um dos melhores wingers do planeta, talvez o melhor.

Se o dinheiro dos catarinos foi primordial na escolha do brasileiro pelo PSG não dá para saber, só perguntando a ele mesmo, mas é fato que na França, Lucas poderá se desenvolver mais do que em uma liga mais forte. Em outras palavras, disputar a Ligue 1 é uma boa pedida quando se pensa na evolução futura da carreira.

Sem sentido

Lewandowski no Manchester: tem sentido?(Foto: Getty Images)

Lewandowski no Manchester: tem sentido?
(Foto: Getty Images)

Nunca foi de meu feitio comentar as especulações que tanto aparecem na mídia. A maioria é rasa em informações e feita apenas para vender mais jornais e ganhar mais cliques em portais na internet. Mas uma das mais comentadas atualmente me soa tão absurda, porém, possível que seja concretizada, que me senti obrigado a abrir o blog pra comentar. O rumor em questão envolve o atacante do Borussia Dortmund, Robert Lewandowski, que estaria migrando para o Manchester United.

Mas o que o polonês deseja fazer em Manchester? Pegar chuva? Pergunto isso porque jogar não me parece ser um dos principais objetivos com uma eventual mudança. Ainda assim, muitos veículos de imprensa falam com tanta clareza que essa transferência pode ser efetuada, que me soa absurdamente estúpido – dos dois lados – que isso aconteça.

Um primeiro ponto de estupidez seria pela grana gasta pelo Manchester United em um curto espaço de tempo para jogadores de funções semelhantes. Robin van Persie foi comprado por 30 milhões de euros no começo da temporada e segundo a imprensa inglesa, a contratação de Lewandowski superaria a marca dos 20 milhões. Gastar mais de 50 milhões em menos de seis meses para dois atacantes não é uma das ideias mais sensatas que se pode ter.

Essa contratação teria sentido maior se o Manchester United tivesse a pretensão de formar uma dupla de ataque com van Persie e Lewandowski, não me parece ser esse o caso. Alex Ferguson ainda tem a disposição Wayne Rooney, que, convenhamos, não é um atacante que possa ser desprezado. Além disso, o mexicano e pouco badalado Chicharito Hernández vem fazendo seus gols e tem se tornado uma espécie de talismã do técnico escocês.

E com a Premier League virando uma espécie de passatempo para o Manchester – principalmente se passarem “ilesos” dessa incontável série de jogos entre o fim de 2012 e início de 2013 –, a UEFA Champions League vai se tornar o sonho principal do time e Lewandowski não poderia disputar a competição por já ter jogado pelo Dortmund.

Jornais ingleses afirmam categoricamente que Lewandowski jogará no time de Ferguson

Jornais ingleses afirmam categoricamente que Lewandowski jogará no time de Ferguson

Veículos de imprensa da Inglaterra defendem a ideia de que o polonês sairá da Alemanha por ainda não ter renovado seu contrato. Detalhe: seu vínculo com o clube do Vale do Ruhr vai até o meio de 2014, ou seja, o fato de ter rejeitado uma renovação no passado, não significa que não possa mudar de ideia nos próximos 18 meses.

Honestamente, ninguém sairá ganhando com essa troca. Olhando pela ótica do Lewandowski, ele sairá de um clube onde é titular absoluto e que fará muita falta – ainda me explicarão o que Julian Schieber faz em Dortmund – para disputar posição com dois dos melhores atacantes do mundo e com um jovem confiante e que vem sendo lapidado por Ferguson. Enquanto o Manchester United gastará demais em um setor bem abastecido de jogadores e nem poderá utilizar o polonês na Liga dos Campeões. É claro que tanto Rooney quanto van Persie podem atuar em outras posições, mas não vão render o máximo e nem fazer os gols que tanto esperam que façam. Além do mais, Chicharito deverá perder espaço e ganhar novo status em outra equipe, possivelmente, em um rival do United.

Nada faz sentido nessa especulação. O dinheiro não seria gasto conscientemente pelo Manchester, Lewandowski não teria a mesma estabilidade que tem em Dortmund e o clube alemão ficaria órfão de seu principal artilheiro. Pode ter coelho nesse mato – alguém conseguirá tirar Rooney da Inglaterra? – mas enquanto não surgir algo mais concreto, não darei tanta ênfase a essa especulação. Se todas as afirmações categóricas da imprensa inglesa forem confirmadas, poderemos soar as cornetas, pois essa transferência só tem lógica pra quem quer vender jornal, mas no campo, nada.

Trampolim quebrado

Não vou ficar no Shakhtar minha vida inteira. Quero fazer dele um trampolim para atingir meu objetivo, que é jogar por um grande clube na Europa. Uma ponte para um lugar melhor (…)

Douglas Costa e Messi no mesmo gramado: só como adversários

A frase acima foi dita pelo meio-campista brasileiro Douglas Costa, no início de 2010, quando deixava o Grêmio em direção do Shakhtar Donetsk. Pois é, dois anos e meio se passam e o atleta segue na Ucrânia, sem grandes perspectivas quanto ao seu sonho de atuar em um gigante europeu.

A declaração do garoto só mostra o quão ingênuos são alguns brasileiros quando se transferem para países periféricos, principalmente quando falamos de Rússia e Ucrânia. Não é segredo pra ninguém que eles possuem muito dinheiro, o bastante para contratar e se sustentarem sem precisar vender seus atletas. Chamar os donos desses clubes de “casquinhas” pode ser uma alcunha cabível, mas convenhamos, eles apenas defendem seus ‘patrimônios’. Basicamente, são times que não precisam vender, apenas comprar.

É fato que, muitas vezes, o cheque cheio de zeros seduz uma alma juvenil, mas é verdade também que a influência do empresário pode surtir um grande efeito, até porque ele também lucrará com a transferência. O papinho do trampolim, somado aos bens que podem ser consumidos com o ‘gorducho’ salário são alguns argumentos que o empresário pode usar com um jovem jogador e seduzi-lo a assinar o contrato.

Douglas Costa ainda sonha em chegar a um grande clube europeu

Com o “trampolim” e a “ponte para um lugar melhor”, Douglas Costa talvez não tivesse a intenção de atingir o clube e os torcedores, talvez eles nem tenham sabido desta declaração – registrada nesta matéria do Portal UOL -, mas, obviamente, ele não queria ir para a Ucrânia conquistar a Europa e “se tornar o melhor do mundo” – maior bobagem inventada pelos jogadores -, mas pensava mesmo em usar o clube como trampolim, até porque viver em Donetsk não parece ser o sonho de um jovem latino-americano. Douglas tem idade olímpica, poderia estar entre os atletas convocados para a competição, mas ficou de fora da lista final – fica o alento de ter ficado de fora apenas no último corte.

Geralmente, transferir-se para um clube do Leste Europeu é uma ‘furada’, mas admito que mudar-se para um Shakhtar ou para um CSKA Moscow, por exemplo, pode ter lá seu valor na carreira, já que são equipes que são constantemente vistas em competições européias, mas ser contratados por eles imaginando que poderá num futuro próximo, alçar um vôo gigantesco e chegar a uma grande liga – oi, Keisuke Honda – gerando imensas expectativas, é ingenuidade.

Olhando também o histórico de transferências do Shakhtar Donetsk, pode-se notar que é um clube que raramente vende jogadores para fora da Ucrânia, quiçá a grandes clubes europeus. Muitos dos que deixam o time ucraniano são por causa do término do contrato, outros são emprestados constantemente, até serem vendidos por um preço mais ‘camarada’, comparado ao que foi comprado. O brasileiro naturalizado boliviano, Marcelo Moreno é um exemplo. O Shakhtar o tirou do Cruzeiro por nove milhões de euros e o vendeu por seis milhões ao Grêmio, isso depois de quatro anos de sua compra e algumas temporadas fracassadas, tanto na Ucrânia, quanto na Alemanha e na Inglaterra.

A grande venda recente do Shakhtar para um verdadeiro grande clube europeu foi de Dmytro Chygrynskiy, mas não podemos de deixar de notar o quão estranha foi essa transação, já que o zagueiro não enchia os olhos de ninguém e foi comprado pelo Barcelona por 25 milhões de euros. Após algumas temporadas de lesões e poucos jogos na Cataluña, o defensor voltou para a Ucrânia por 15 milhões de euros. Jádson, Fernandinho, Srna, Luís Adriano e outros tinham grande destaque pelo Shakhtar, mas quem conseguiu ser comprado por um grande clube foi Chygrynskiy. Estranho, não?

Pode ser que até o final desta janela de transferências, Douglas Costa cale minha boca e mostre que não seja tão ingênuo assim, conseguindo saltar de seu trampolim e arranjar uma transferência para um grande clube da Premier League, Bundesliga ou La Liga, mas enquanto os ucranianos seguirem ‘defecando’ dinheiro, sem precisar vender seus atletas, congelará no Leste Europeu ou voltará para o Brasil.

*Crédito das Imagens: Reuters