Os flops da temporada francesa

Há duas semanas, trouxe os destaques da temporada 2016/2017 do Campeonato Francês. Só que o ano não teve somente gente se dando bem, gritando “é campeão”, fazendo gols bonitos e encantando os amantes do bom futebol. Tivemos também aqueles que prometeram muito e cumpriram pouco dentro de campo.

Após um período de certa triagem nos escolhidos e até conversas com os colegas de Le Podcast du Foot, fechei a lista e, hoje, trago cinco desses nomes que, como dizem no popular futebolístico, floparam na temporada – ou que pelo menos frustraram qualquer expectativa positiva. Reconheço que a maior parte da lista vem do Paris Saint-Germain, que viu a sequência de conquistar nacionais sendo quebrada, mas dá uma boa discussão.

Sem mais enrolações, vamos aos nomes:

5 – Jesé e Krychowiak

Vindos do futebol espanhol, Jesé e Krychowiak não renderam em Paris | Foto: Geoffroy van der Hasselt/AFP/Getty Images

Só em Jesé Rodríguez e Grzegorz Krychowiak, o Paris Saint-Germain investiu € 58 milhões. É uma grana federal que comprova a inflação do mercado de jogadores, convenhamos. Ambos estão entre as 15 mais caras contratações da história do clube e até custaram mais que nomes importantes da história recente do clube, como Zlatan Ibrahimovic e Marco Verratti.

Uma temporada depois de fazer esse investimento, a sensação é de desolação. Jesé fez apenas nove jogos e anotou um gol na Ligue 1. Na metade da temporada, foi emprestado ao Las Palmas e saiu sem deixar saudades. Hoje, ele é tratado como um problema a ser resolvido internamente. Como firmou contrato de cinco anos, voltará a Paris, mas a contragosto. Em recente entrevista à Rádio Cadena Ser, na Espanha, ele disse que não gostaria de retornar por causa das poucas chances que recebeu. Já Nasser Al-Khelaifi, presidente do clube, disse em dezembro do último ano que errou ao trazer o espanhol. Pepino a vista sobre a situação do atleta.

Já Krychowiak, contratado com o status de peça de confiança de Unai Emery dos tempos de Sevilla, jogou apenas 11 vezes na competição. No meio da temporada, o polonês chegou a jogar no time B por perceber que não tinha espaço na equipe principal. A paciência com ele acabou na reta final e o último jogo que fez foi no dia 12 de março, pela 29ª rodada, na vitória por 2 a 1 sobre o Nancy. Com contrato até 2021, é outro problema a ser contornado em Paris.

4 – Jérémy Ménez

Apesar da decepção, a diretoria do Bordeaux ainda aposta em Ménez | Foto: AFP

Voltando ao futebol francês após duas temporadas no Milan, Jérémy Ménez custou a singela bagatela de € 9,5 milhões ao Bordeaux, segunda maior contratação da história do clube. Dentro de campo, porém, o retorno não aconteceu nesta edição da Ligue 1. Foram 26 jogos (somente sete por 90 minutos), três gols marcados e duas assistências.

Ménez, que almejava retornar à seleção francesa após quatro anos, vê agora essa meta cada vez mais distante. Já com 30 anos e vindo de uma temporada bastante baixa, ele ainda observa nomes talentosos explodirem, com Ousmane Dembélé e Kyllian Mbappé. Hoje está claro que é preciso ir passo a passo e, primeiro, retomar bom futebol dentro do Bordeaux, que não quer se desfazer do alto investimento feito no começo da temporada.

3 – Torcida do Bastia

O ápice das confusões da torcida do Bastia foi contra o Lyon | Foto: OLWeb

Nenhuma torcida incomodou tanto na França quanto a do Bastia. No hall de confusões dos corsos, uma tentativa de agressão ao brasileiro Lucas, do PSG, durante uma cobrança de escanteio, insultos racistas a Mario Balotelli, do Nice, além das cenas de guerra campal com os jogadores do Lyon, fazendo a partida ser suspensa após 45 minutos de bola rolando. As imagens rodaram o mundo e mancharam ainda mais o status de um time que teve a pior campanha entre os 20 times da Ligue 1.

Para quem quiser entender mais a origem desses acontecimentos, que muito tem a ver com a tumultuada região da Córsega, o assunto esteve em debate na edição #63 de Le Podcast du Foot, quando, inclusive, recebemos o correspondendo do Lucarne Opposée no Brasil, Simon Balacheff.

2 – Ben Arfa

Ben Arfa clamou por uma oportunidade em Paris | Foto: C. Gavelle/PSG

Depois de uma temporada acima da média no Nice (com 17 gols e seis assistências), Hatem Ben Arfa parecia ter afastado o status de “garoto-problema” e investir € 10 milhões nele parecia ser um bom negócio. Mero engano – pior para o PSG, que ficou com a batata quente em mãos.

O retorno em campo foi mínimo, com míseros quatro gols e uma assistência (disso tudo, apenas a assistência foi na Ligue 1). Internamente, Ben Arfa era duramente questionado pela falta de empenho nos treinamentos e teria chegado a ouvir de Emery a frase “você não é Messi”.

Não bastasse isso, o atleta externou a insatisfação com a reserva. Na reta final da temporada, publicou um vídeo onde suplicou por uma chance. Disse que não queria jogar em uma posição específica ou algo semelhante, apenas queria uma oportunidade.

Apesar da iminente chance de saída, ele começou o mês de junho dizendo querer ficar em Paris. No Instagram, o atacante publicou um vídeo treinando em uma praia, com a trilha sonora de “Only God Can Judge Me” (Só Deus pode me julgar), de Tupac, e encerrou com o recado “nos vemos em julho”. Resta vez se Emery vai passar a mão na cabeça dele desta vez.

1 – Unai Emery

Emery veio com a meta de fazer o PSG jogar mais… e até agora, não cumpriu | Foto: C. Gavelle/PSG

Não gosto da expressão “obrigação” para títulos, mas ao chegar em Paris, Unai Emery precisava fazer o PSG render mais e dar o passo adiante que não deu com Laurent Blanc – que apesar dos 11 títulos em três temporadas, era cobrado por participações mais convincentes no cenário europeu. Além disso, Emery teve a chance de trazer alguns jogadores que desejava, como os já citados Krychowiak e Ben Arfa, além de Julian Draxler.

O que se viu dentro de campo, porém, foi um rendimento menor do que nos tempos de Blanc. Sem inspiração, lento em transições e nas combinações ofensivas, o PSG de Emery fez força para ganhar jogos que ganhava facilmente em anos passados. A perda do título francês para o Monaco foi puro reflexo de um time que foi sombra de um adversário com menos recursos financeiros, mas que ampliou as capacidades técnicas.

Somado a isso, veio o fracasso diante do Barcelona na Liga dos Campeões e a péssima gestão de elenco, constatada nas mais variadas notícias de insatisfações e cobranças externas dos atletas.

Apesar disso tudo, Emery vai continuar no PSG para a próxima temporada, mas cada vez mais pressionado a fazer o time jogar para salvar a própria pele – e do presidente Nasser Al-Khelaifi.

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E aí? O que achou da lista? Dê sua opinião e amplie o debate!

Os tops da temporada francesa

Encerrada mais uma temporada do Campeonato Francês, é chegada àquela hora bacana de retrospectiva e análise de tudo o que aconteceu ao longo das 38 rodadas. Desta vez, me empolguei em levantar listas com os tops e os flops do ano.

Claro que houve uma predominância: entre os tops, o Monaco, que com uma impressionante campanha e um ataque avassalador, ocupou as principais opções. Já entre os flops, o Paris Saint-Germain, que mais uma vez gastou tufos de grana e apresentou um futebol muito pobre, se sobressaindo muito na base da individualidade.

Hoje trago quem se destacou e, ainda nesta semana, trarei quem decepcionou. Confira a primeira lista:

5 – Balotelli ressurge

Super Mario foi o artilheiro do Nice na Ligue 1 | Foto: Divulgação/OGC Nice

Quando o Nice anunciou a contratação do italiano Mario Balotelli, muitos torceram o nariz. Polêmico, de extracampo complicado, Super Mario vinha de temporada pífia pelo Milan, com míseros três gols em 23 jogos. Parecia ser uma aposta perdida. Mero engano.

O italiano encerrou a temporada com 15 gols em 1.746 minutos na Ligue 1 (um a cada 116.4 ou um jogo e 26 minutos). O detalhe dos tentos é a distribuição deles. Foram oito na primeira etapa e sete na segunda, sendo sete em ações de jogo, três de pênalti, três após cruzamentos e dois de falta. Foi o artilheiro do time e peça-chave da formação ao lado do excelente meio-campista Jean Seri.

Ah, e sobre a tão cobrada questão disciplinar – com razão – Balotelli recebeu seis cartões amarelos e dois vermelhos.

4 – Nice voltando à Liga dos Campeões

Favre recolocou o Nice em uma Liga dos Campeões | Foto: Divulgação/OGC Nice

Com Lucien Favre no comando, o Nice fez história e, finalmente, terá a honra de disputar a Liga dos Campeões – mesmo que seja a fase prévia. Foram apenas duas vezes na história que isso aconteceu e a última foi na temporada 1959/60, quando caiu nas quartas-de-final para o Real Madrid.

Apesar de tradicionalíssimo, o Nice não tem grande carreira europeia, especialmente em anos mais recentes. Neste século, por exemplo, disputou duas edições da extinta Taça Intertoto e, mais recentemente, participou da Liga Europa sem grande sucesso – na atual temporada, caiu na fase de grupos.

Boa parte dos méritos vão para Favre, que armou uma equipe extremamente competitiva, capaz de bater de frente com os poderosos PSG e Monaco – nos 12 pontos disputados contra os dois, somou sete. Parte disso é explicado pela eficiência ofensiva, registrada nos números: 4º melhor ataque da Ligue 1, com 63 gols marcados, mas com a marca de ser apenas o 12º time no ranking de chutes por jogo.

Pena que Favre não deve permanecer nas Águias para a próxima temporada – o Borussia Dortmund é o principal cotado para tê-lo como treinador.

3 – Quadrado mágico do Monaco

Falcao foi um dos pilares do poderoso ataque monegasco | Foto: Divulgação/AS Monaco

Disparado o ataque mais positivo da Ligue 1, com 107 gols marcados – 60 (!!!) há mais que na temporada passada – o Monaco deve parte desse sucesso ao mágico quadrado ofensivo, formado pelos habilidosos Thomas Lemar e Bernardo Silva e dos letais Kyllian Mbappé e Radamel Falcao.

Dos 107 gols, 53 saíram do quarteto, ou seja, impressionantes 49,5% dos tentos. Destaque, é claro, para o colombiano, que voltou a ter uma temporada relevante e marcou 21 gols, e para o prodígio Mbappé, autor de 15 tentos.

Interessante destacar também a distribuição das assistências de Silva e Lemar: das nove do português, quatro foram para Mbappé, enquanto três das dez do francês foram para Falcao. No jogo de duplas de Leonardo Jardim (dois meio-campistas, dois articuladores e dois homens de frente), foi a formação de um quarteto que transformou a avassaladora máquina de gols do Monaco.

2 – El Pistolero!

Cavani fez 35 gols em 36 jogos na Ligue 1 | Foto: Divulgação/PSG

Em 36 jogos, 35 gols. Nunca Cavani marcou tantos quanto nessa temporada, superando, inclusive, 2012/13, quando marcou 29 na Série A italiana, ainda com a camisa do Napoli. Foi o artilheiro da Ligue 1 com sobras.

O detalhe interessante da temporada de El Pistolero é a regularidade: 18 gols foram feitos no primeiro turno e 17 no segundo. Se dividirmos o jogo em três partes de 30 minutos, observaremos que 15 tentos do uruguaio saíram na faixa final (contra 12 entre 0-30; 8 entre 30-60), mostrando que foi decisivo – coisa a qual era cobrado em temporadas anteriores.

Em dez ocasiões fez ao menos dois gols, incluindo uma em que fez quatro, no 6 a 0 sobre o Caen. Além disso, dos 36 jogos em que atuou, só não marcou em 13. Em uma temporada bem decepcionante dos parisienses, Cavani foi o ponto fora da curva e o diferencial do time.

1 – O campeão!

Com méritos, a taça Ligue 1 ficou no Principado | Foto: Divulgação/AS Monaco

Enquanto todos esperavam o quinto título consecutivo do Paris Saint-Germain, surgiu o Monaco. Time de futebol envolvente, de dominação de espaço, mas, ao mesmo tempo, agressivo, os monegascos ergueram o troféu de campeão nacional após 17 anos.

A campanha foi irretocável, com maior número de vitórias (30), menor de derrotas (3), melhor ataque (107 gols) e melhor campanha como mandante e visitante. Somado a isso, o Monaco encerrou a Ligue 1 invicto a 20 jogos, com 12 vitórias seguidas e nenhum tropeço em 2017.

Interessante ressaltar ainda que, segundo o WhoScored, o Monaco foi o time que teve maior média de finalizações na temporada, mas foi apenas o quinto em posse de bola e sexto em porcentagem de passes certos. Ou seja, foi uma equipe de controle espacial e de intensa eficácia com a bola no pé.

Somado a isso, o time comandado por Leonardo Jardim apresentou ao mundo jovens talentos que quem acompanha o Francesão há algum tempo já conhece, como Benjamin Mendy, Tiemoué Bakayoko, Thomas Lemar, Fabinho, Bernardo Silva e, é claro, a estrela da companhia, Kyllian Mbappé. É, amigos, daqui algum tempo, teremos história para contar desse fantástico time.

O que acharam dos tops da Ligue 1? Faltou alguém? Exagerei em algum ponto? Dê seu pitaco! Ainda nesta semana trago os flops da temporada.

Le Podcast du Foot #64 | Monaco campeão!

Faltando uma rodada pro término da Ligue 1, o Monaco se sagrou campeão nacional | Foto: Divulgação/AS Monaco

Dezessete anos depois de ver a dupla David Trezeguet e Marco Simone infernizar as defesas adversárias e deixar o título francês no Principado, agora é a vez de um elenco jovem e muito talentoso, com nomes cobiçados como Kyllian Mbappé, Thomas Lemar e Bernardo Silva, roubar a cena e colocar mais um troféu na sala do Monaco.

O time campeão francês a uma rodada do término da temporada 2016/17 se destaca como o que mais venceu jogos e que menos perdeu, tudo isso coroado com um ataque destruidor de 104 gols.

Essas nuances da campanha monegasca estiveram em debate na nova edição de Le Podcast du Foot. Eduardo Madeira conduziu o programa, que teve participação de Flávio Botelho e Renato Gomes, do Centrocampismo.

Ouça abaixo a edição #64:

Lyon se apega a milagre de 2001 para chegar na decisão

Com Sonny Anderson inspirado, OL já reverteu 4 a 1 | Foto: Vereecken/Bolcina

Mal futebol, defesa bagunçada, principal jogador contundido e um placar muito adverso. Hoje, nada parece animar o Olympique Lyonnais para reverter o 4 a 1 construído pelo Ajax na partida de ida da semifinal da Liga Europa.

Mas revirando os baús dos confrontos do OL em torneios europeus, foi encontrado pelo presidente Jean-Michel Aulas um motivo para renovar as esperanças dos gones: o Lyon já reverteu um 4 a 1 em torneio europeu. Sim, meu caro leitor! Num passado não tão distante – também não tão presente – o brasileiro Sonny Anderson comandou uma das grandes remontadas da história do clube em um torneio europeu.

Tudo aconteceu na temporada 2001/02. Na ocasião, o Lyon era comandado por Jacques Santini e estava iniciando a formação daquele elenco vitorioso, que ergueu a taça de campeão francês em sete oportunidades consecutivas. No cenário europeu, o OL parou na Copa da Uefa após terminar em terceiro em sua chave na Liga dos Campeões – ficando atrás do Barcelona e do futuro vice-campeão Bayer Leverkusen.

O primeiro adversário na Copa Uefa, e outro protagonista de nossa história, foi o Club Brugge. A equipe belga, ao contrário do OL, estava na disputa do torneio desde a primeira fase e vinha mostrando bastante força diante de adversários frágeis. Eliminou o Akranes (Islândia) com 10 a 1 no agregado, Olympiakos Nicosia (Chipre) por 9 a 3 e o Arsenal Kiev (Ucrânia) por 7 a 0.  O Lyon seria o primeiro time tarimbado da lista.

Entretanto, logo na partida de ida, no dia 22 de novembro de 2001, no estádio Jan Breydel, os belgas sequer tomaram conhecimento do Lyon e, assim como o Ajax, venceram por 4 a 1, e em condições bem semelhantes. O Brugge abriu 3 a 0, com Gaëtan Englebert, Peter van der Heyden e Andrés Mendoza, cedeu um gol aos franceses, anotado por Peguy Luyindula, mas, antes do apito final, marcaram o quarto, com Tjorven De Brul.

Apesar do duro revés, Sonny Anderson, que na época era o grande nome do time, falou a veículos de imprensa locais que o Lyon viraria o jogo. O brasileiro cumpriu com a palavra duas semanas depois e foi o grande destaque da remontada. No primeiro tempo, ele anotou dois gols, aos 19 e aos 23, deixando o OL a um tento da classificação. Na etapa final, contou com a ajuda das defesas providenciais de Grégory Coupet e com um erro dos belgas no ataque, aos 48 minutos, para aproveitar um contra-ataque e classificar o time em um arremate cruzado, na última bola do jogo.

O Lyon não teve vida longa no torneio e logo na fase seguinte foi eliminado pelo Slovan Liberec (República Tcheca), mas aquele jogo contra o Brugge ficou marcado como a maior virada europeia do clube. Uma remontada clássica, com doses de sufoco, que começaram a moldar o caráter vencedor daquele time – que iniciaria naquela temporada a série do heptacampeonato nacional.

Outras remontadas

Buscando no histórico europeu do Lyon, encontrei algumas outras viradas europeias do clube. Nenhuma tão espetacular quanto aquela de 2001 – tampouco com a semelhança do que o time precisa diante do Ajax – mas deu para garimpar algo.

Por exemplo, na Taça dos Campeões de Copas Europeias da temporada 1967/68, o OL venceu o Tottenham por 1 a 0 na partida de ida da segunda fase e, na volta, chegou a estar perdendo por 3 a 1 e 4 a 2, mas conseguiu um gol com Mohamed Bouassa, aos 34 do segundo tempo, que lhe rendeu a classificação no critério do gol fora de casa – esse gol, aliás, marcou o marroquino na história do clube, tendo em vista que jogou somente cinco partidas pelo Lyon.

Outra recuperação famosa do OL foi ainda em fase de grupos da Liga dos Campeões. Na temporada 2011/12, o time então comandado por Remi Garde precisava de uma maluca combinação de resultados para se classificar na chave que já tinha o Real Madrid qualificado. A meta era vencer o Dínamo Zagreb, torcer para uma derrota do Ajax – que coincidência! – e ainda tirar o saldo de sete gols dos holandeses.

Numa série de acontecimentos que até hoje geram discussões, o Lyon meteu um impiedoso 7 a 1 nos croatas e ainda viu o Ajax ser derrota pelo Real Madrid por 3 a 0, conseguindo a improvável classificação para o mata-mata da competição.

Retrospecto

Ao longo da história, o Lyon confrontou equipes holandesas em 13 oportunidades, somando seis vitórias, quatro empates e três derrotas. Contra o Ajax, foram cinco jogos, com dois empates e duas derrotas.

Contra holandeses, o Lyon conseguiu fazer o placar que precisa para se classificar contra o PSV Eindhoven, na temporada 2005/06 da Liga dos Campeões, quando venceu o jogo de volta da série por 4 a 0 e se classificou com um 5 a 0 no agregado, e também nos dois jogos contra o AZ Alkmaar na atual Liga Europa, com triunfos por 7 a 1 e 4 a 1 – que forçaria a prorrogação.

Esse 4 a 1 sobre o AZ foi a única vez na temporada que o Lyon venceu pelo placar que levaria o jogo contra o Ajax para o tempo extra. Em contrapartida, em nove oportunidades venceu por algum dos placares que lhe classificaria (3 a 0 [2x], 4 a 0 [2x], 5 a 0 [2x] 5 a 1, 6 a 0, 7 a 1). Desses nove triunfos, sete foram em casa.

Quanto ao Ajax, a equipe holandesa perdeu somente um jogo nessa temporada por 4 a 1. Foi na fase prévia da Liga dos Campeões, para o Rostov, em partida disputada na Rússia e que custou a eliminação do time. A última derrota por um placar que classificaria o Lyon foi apenas em 18 de dezembro de 2014, um 4 a 0 diante do Vitesse.

Vale ressaltar que, ao longo da história, o Ajax fez 25 jogos contra franceses em torneios europeus, acumulando 13 vitórias, cinco empates e sete derrotas. Na França, foram 12 jogos, com cinco triunfos (nenhum por um placar que o OL precise), dois empates e cinco reveses. Vale citar que nos dois jogos em casa, o Lyon perdeu e empatou um. O francês que mais bateu o time holandês em casa foi o Auxerre, com três vitórias.

O 3 a 0 de 2001 é a inspiração do OL | Foto: Vereecken/Bolcina

Cinco confrontos históricos entre Monaco e italianos

Monaco e times italianos é um confronto, de certa forma, recorrente. Desde a temporada 1961/62, quando os monegascos debutaram fora da França, foram 13 confrontos com clubes da Velha Bota, com três vitórias, três empates e sete derrotas, sempre em fases eliminatórias. Na lista histórica, os times da Itália estão atrás apenas de ingleses, alemães e espanhóis em partidas contra o representante do Principado.

Na atual temporada, a Juventus vai cruzar o caminho francês na semifinal da Champions League. Se levarmos em conta o retrospecto nos jogos anteriores, é bom o Monaco se preocupar, já que avançou de fase somente uma vez quando teve equipes de lá pela frente.

Para projetar o confronto da próxima quarta-feira, recordo hoje no blog cinco confrontos marcantes entre monegascos e italianos. Só para ressaltar, o levantamento será em ordem cronológica:

Roma – 1991/92

O baixinho Rui Barros (dir.) decidiu o confronto diante da Roma | Foto: Divulgação/Monaco

O primeiro confronto da lista aconteceu na temporada 1991/92, pelas quartas-de-final da extinta Taça dos Vencedores de Copas Europeias. O Monaco tinha, na época, um time forte comandado por Arsène Wenger e que ainda tinha no elenco nomes como Ettori, Emmanuel Petit e George Weah. A Roma, de Aldair e Rudi Völler, seria o primeiro grande adversário naquela edição, já que passara facilmente pelo galês Swansea (10 a 1 no placar agregado) e pelo sueco Norrköping (3 a 1 no agregado, com duas vitórias).

Na ida, no Olímpico de Roma, uma partida sem grandes emoções, onde o Monaco criou as melhores chances. George Weah e Rui Barros chegaram a acertar a trave em mais de uma ocasião, fazendo com que os monegascos deixassem a Velha Bota com a sensação de que poderiam ter obtido um resultado melhor.

Na volta, o estádio Louis II estava tomado de torcedores. Estiveram presentes 20 mil pessoas, um recorde histórico para o clube. Em campo, uma partida mais aberta, onde o Monaco levou a melhor pelo placar mínimo, gol de Rui Barros, avançando para a semifinal. Foi a única vez que o Monaco eliminou um clube italiano. Em seguida, os monegascos despacharam o Feyenoord, mas perderam a final para o Werder Bremen.

Milan – 1993/94

Duas temporadas depois, o Monaco voltava a encontrar um time italiano em seu caminho. Desta vez, o Milan, e agora na nova Liga dos Campeões da Europa. Naquela época, o torneio tinha formato diferente do atual e os monegascos precisaram passar por duas fases de mata-mata até chegarem a fase de grupos. Eram duas chaves, onde os dois primeiros colocados avançavam e faziam as semifinais.

O Monaco, ainda com Wenger no comando e com outros remanescentes no elenco, como o goleiro Ettori, Emmanuel Petit, Claude Puel e Lillian Thuram, mas com novas referências, como Viktor Ikpeba, Youri Djorkaeff e Jurgen Klinsmann, passou de fase no grupo A atrás do Barcelona e na frente de Spartak Moscou e Galatasaray.

Na semifinal em jogo único, simplesmente o Milan de Fábio Capello, e que contava com um esquadrão formado por Mauro Tasotti, Demetrio Albertini, Franco Baresi, Roberto Donadoni, Zvonimir Boban, Dejan Savicevic e outros tantos. Não deu outra! Jogando no San Siro, vitória milanista por 3 a 0, com gols de Desailly, Albertini e Massaro. Vale lembrar que o Milan se sagraria campeão futuramente, com uma impiedosa goleada por 4 a 0 sobre o Barcelona de Romário, Guardiola, Koeman e Stoichkov.

Inter de Milão – 1996/97

Em 1997, o jovem Henry não conseguiu ajudar o Monaco contra a Inter | Foto: Divulgação/Monaco

Chegamos a temporada 1996/97 e o Monaco, já bastante alterado em relação a anos anteriores (mas ainda com Petit, desta vez como capitão) novamente bateu de frente com uma equipe de Milão. Naquela ocasião foi a Internazionale, de Roy Hodgson, pela semifinal da Copa da Uefa. Curiosamente, o time do Principado foi o segundo francês da campanha nerazzurri, que passara também o Guingamp na primeira fase.

Na ida, em Milão, a Inter parecia que encaminharia a classificação com facilidade. Com três gols em um intervalo de 22 minutos, abriu 3 a 0 no time de Fabien Barthez, Sonny Anderson e Thierry Henry. Maurizio Ganz fez dois e Ivan Zamorano anotou o outro. Na etapa final, o Monaco perdeu Gilles Grimandi expulso, mas ainda conseguiu descontar Ikpeba, que saiu do banco para recolocar os franceses na parada para o jogo de volta.

Na França, o máximo que o Monaco conseguiu foi o 1 a 0, novamente com gol de Ikpeba. Importante ressaltar que essa partida de volta teve arbitragem polêmica do holandês Mario van der Ende. Ele anulou dois gols franceses e o tento que validou teve um claro toque de mão de Enzo Scifo. Por fim, a Inter passou, mas esbarrou no Schalke na grande decisão, que ergueu o troféu nos pênaltis, e o Monaco teve de se contentar com o título francês, servindo de gancho para o próximo jogo da lista.

Juventus – 1997/98

Como campeões nacionais, os monegascos caíram já na fase de grupos da Liga dos Campeões do ano seguinte e conseguiram consistente campanha até a semifinal. Passaram em primeiro na chave que ainda tinha os alemães do Bayer Leverkusen, os portugueses do Sporting e os belgas do Lierse, e conseguiram eliminar o poderoso Manchester United nas quartas-de-final.

Na semifinal, o Monaco levou o azar de bater de frente com a Juventus e com um inspirado Alessandro Del Piero. Com dois gols de pênalti, um de falta e uma assistência, ele ajudou a Velha Senhora a construir um impiedoso 4 a 1, que praticamente eliminou os monegascos.

No Principado, o Monaco promoveu um bombardeio para tentar diminuir a vantagem, mas esbarrou em uma ótima noite de Peruzzi e novamente em Del Piero, que mais uma vez marcou. Os monegascos até venceram por 3 a 2, mas saíram de campo sem a vaga na final.

Juventus – 2014/15

O último confronto foi mais recente, nas quartas-de-final da temporada 2014/15. Na ocasião, o Monaco vinha de surpreendente classificação diante do Arsenal, enquanto a Juventus atropelou o Borussia Dortmund. Havia um favorito claro no confronto, mas não foi isso que se viu na prática. Um único gol, anotado num pênalti até hoje contestado – eu, particularmente, não achei falta e fiquei na dúvida se foi dentro da área – na partida de ida, em Turim, tratou de encerrar o sonho monegasco novamente com um 1 a 0, seguido de um empate sem gols na volta.

Bônus: Completam a lista de confrontos do Monaco contra italianos as eliminações para a Internazionale, nas oitavas-de-final da Copa dos Clubes Campeões Europeus, em 1963/64 (derrotas por 1 a 0 e 3 a 1); e na semifinal da Taça dos Clubes Campeões de Copas Europeias, para a Sampdoria, na temporada 1989/90 (empate por 2 a 2 na ida e derrota por 2 a 0 na volta).

A bola da vez

Desempenho na temporada faz Lacazette ser cobiçado por grandes clubes europeus | Foto: S. Guiochon/Le Progrés

Com contrato válido até junho de 2019 e avaliado em € 40 milhões, segundo o site Transfermarkt, o atacante Alexandre Lacazette é a bola da vez da França. No inconstante time de Bruno Genésio, é ele quem desequilibra, decide jogos e vem se tornando alvo de grandes clubes do continente europeu.

Até o momento, Laca já balançou as redes 31 vezes em 40 jogos na temporada, o que lhe dá uma impressionante média de um gol a cada 101 minutos. Só para termos ideia, o gabonês Pierre-Emerick Aubameyang, artilheiro da atual temporada da Bundesliga, tem 34 gols em 41 jogos na temporada inteira e, ainda assim, e tem a mesma média de um tento a cada 101 minutos.

Na Ligue 1, o aproveitamento do camisa 10 do Lyon é ainda mais impressionante: 24 gols em 2.173 minutos, distribuídos em 27 jogos, o que lhe dá média de um gol a cada 91 minutos, praticamente um por jogo. Ele é o vice artilheiro do torneio, atrás apenas do uruguaio Edinson Cavani, do PSG, que está com absurdos 31 gols em 31 jogos, um a cada 84 minutos.

Para serviço de comparação com os artilheiros das principais ligas europeias, em tempo médio de tentos, Lacazette só está atrás de três jogadores: além de Cavani, está Lionel Messi, do Barcelona (um gol a cada 78 minutos), e Aubameyang, do Borussia Dortmund (um a cada 90 minutos).

Camp. Artilheiro Clube J G Tempo pra gol
ESP Lionel Messi Barcelona 29 31 78 minutos
FRA Edinson Cavani Paris SG 32 31 84 minutos
ALE Pierre Aubameyang Dortmund 28 27 90 minutos
ITA Andrea Belotti

Edin Dzeko

Torino

Roma

33

33

25

25

105 minutos

109 minutos

ING Romelu Lukaku Everton 33 24 121 minutos
FRA Alexandre Lacazette Lyon 27 24 91 minutos

Convenhamos que ficar atrás de Messi é algo natural. Cavani, no nível que atingiu nesta temporada, também. Com Aubameyang, é praticamente um empate técnico nos números.

Hoje é fato: Lacazette é um dos principais fios condutores do Lyon nesta temporada. Decisivo, importante e poderoso em suas finalizações, ele é o ponto de desequilíbrio e quem pode decidir jogos para a equipe. Na Liga Europa, por exemplo, já vimos isso contra Roma e Besiktas nas últimas fases. Aliás, apenas um parêntese: a lesão que sofreu contra a equipe turca pode o tirar das semifinais diante do Ajax, o que significa um prejuízo quase que incalculável para o técnico Bruno Genésio.

Mas voltando aos números, essa importância de Lacazette ao Lyon fica mais evidente quando observamos que 36% dos gols da equipe no Campeonato Francês saíram de conclusões dele. Mais impressionante ainda é constatar que 50% dos gols do time como visitante foram do artilheiro lyonnais.

Contrato de Laca com o OL vai até o meio de 2019 | Foto: S. Guiochon/Le Progrés

Atualmente, Lacazette possui muitas valências que um jogador de sua posição precisa ter: inteligência, bom posicionamento, velocidade, saída da área e poder de finalização. Peca ainda em algumas questões de repertório na hora da conclusão, tendo em vista que 19 dos 24 gols foram marcados de pé direito – um foi de cabeça e outro de canhota.

Ainda assim, vale o investimento. Aos 25 anos de idade, ele já está atuando em excelente nível e ainda possui boa margem de progressão para as próximas temporadas. A renovação contratual dificilmente irá sair e, com isso, Ligue 1, que tem sido um ótimo celeiro de atletas para clubes de ligas mais competitivas (a Premier League me confirma essa afirmação), apresenta ao mercado um Lacazette pronto para explodir. Cabe agora chegarem a um meio-termo com Jean-Michel Aulas, presidente do Lyon.

Le Podcast du Foot #63 | Violência nos estádios franceses

Bastia e Lyon foi paralisado no intervalo | Foto: OLWEB

A onda de violência que assola os estádios franceses foi pauta de mais uma edição de Le Podcast du Foot. O apresentador Eduardo Madeira comandou a mesa redonda ao lado de Flávio Botelho e do convidado especial Simon Balacheff, correspondente do Lucarne Opposée no Brasil, que trouxe uma visão local e de quem conheceu de perto a cultura das torcidas francesas.

Recentemente, tivemos a torcida do Bastia invadindo o gramado do Armand Cesari para brigar com jogadores do Lyon, ampliando o vasto de leque de incidentes que vem provocando nesta temporada. Além disso, o próprio Lyon foi punido pela Uefa em função da confusão diante do Besiktas, na Liga Europa, e caso a torcida volte a aprontar, será automaticamente suspenso por dois anos.

Abaixo você pode ouvir a edição #63 de Le Podcast du Foot:

Trilha: Ao fundo da edição #63 do podcast, você ouve as músicas do álbum “Comme on a dit”, da banda francesa Louis Attaque. Foi o segundo álbum do grupo, lançado em 2000, e que foi eleito o melhor do ano na categoria “rock” em 2001. O CD completo está disponível no YouTube.