Os descartáveis

Lucas e Matuidi estão na lista de descartáveis parisienses | Foto: Getty

O Paris Saint-Germain virou o time mais visado da Europa nas últimas semanas. Dos apreciadores do bom futebol, há uma espera em ver como Neymar, contratado por generosos € 222 milhões, irá se encaixar na equipe e como se adaptará ao Campeonato Francês. Os adversários em nível doméstico também têm essa curiosidade, já que terão de encara-los a cada fim de semana.

Mas, certamente, quem está com os olhinhos atentos a tudo que cerca o PSG são os adversários de outras ligas, equipes com dinheiro para gastar e que procuram os alvos certos para negociar. A chegada de Neymar, além de provocar natural alteração no elenco para ajuste financeiro, deve mexer nos brios de alguns jogadores, que além de perder holofotes, devem ficar com espaço reduzido no elenco.

O exemplo mais claro disso é de Lucas Moura. Contratado em 2013 por € 40 milhões e com vínculo até 2019, o ex-são-paulino nunca foi peça unânime dentro do clube. Chegou na época do italiano Carlo Ancelotti, que atuava num clássico 4-4-2, onde não se encontrou. Não possuía capacidades para compor a segunda linha de quatro, tampouco conseguia render mais adiantado, junto de Ibrahimović.

Com Laurent Blanc, que trocou o 4-4-2 pelo 4-3-3, e também com Unai Emery, rendeu mais, cresceu nas estatísticas, mas nunca explodiu. Na última temporada, por exemplo, atuou 53 vezes, marcou 19 gols e deu 11 assistências, mas não completou 90 minutos nem em 15 jogos.

Na segunda metade da temporada, perdeu mais espaço ainda com o crescimento de Ángel Dí Maria e a chegada de Julian Draxler. Virou reserva e, na estreia contra o Amiens, sequer ficou no banco.

Avaliado pelo Transfermarkt em € 38 milhões, Lucas já virou peça descartável para o PSG. Uma saída é o melhor caminho para que os parisienses assumam o fracasso do negócio e que o próprio brasileiro tente render mais a menos de um ano da Copa do Mundo da Rússia.

Rumo a Itália?

Juventus é uma das interessadas em Matuidi | Foto: P.Lahalle/L’Equipe

Outro jogador que pode mudar de ares já visando o Mundial é Blaise Matuidi. Com contrato até junho de 2018, o PSG não demonstra intenção em renovar com o meio-campista de 30 anos, muito pela filosofia de jogo de Emery.

Matuidi não é dos jogadores mais técnicos e virtuosos e ganha espaço na aptidão física e condução de bola. O espanhol prepara seus times para reter a bola, atuar com triangulações, tendo combatividade. Talvez isso explique Adrien Rabiot ganhar mais espaço.

Já Blaise, que começou a temporada na reserva, deve estar pensando no melhor caminho para ganhar minutos visando 2018. Especulações colocam a Juventus como uma das interessadas no volante. O único impasse, porém, seria o desejo do time italiano de contar com um atleta mais jovem que o francês.

Avaliado em € 30 milhões, o empecilho da idade pesa, deve abaixar o valor e fazer com que essa novela se arraste até o fechamento da janela.

Os meninos-problemas

Aurier parece não fazer parte dos planos de Unai Emery | Foto: F.Faugere/L’Equipe

Se Matuidi e Lucas estão com a cabeça em outros times por pura falta de espaço ou de encaixe nas ideias de Emery, Serge Aurier e Hatem Ben Arfa vivem situações totalmente opostas e o PSG procura algum clube corajoso a segurar essas bombas.

Tanto o marfinense quanto o francês aprontaram o que podiam e o que não podiam e, mediante a atuação do clube no mercado, estão totalmente descartados. Ambos começaram a temporada sonhando em retomar espaço, mas viram as pretensões caírem por terra depois das chegadas de Daniel Alves para a posição de Aurier e Neymar para a função de Ben Arfa.

A questão financeira não é o principal impasse. O marfinense está avaliado em € 15 milhões, já o francês é cotado em € 14 milhões. Além disso, os dois tiveram nomes ventilados em algumas equipes, como Manchester United, Inter (Aurier) e Fenerbahçe (Ben Arfa). A grande questão é: o valor monetário não é problema, mas, e o valor agregado? Quem quer pegar a bomba de dois jogadores-problemas, de extracampo pesadíssimo e que reflete em campo? O PSG só espera algum clube responder “eu quero” para uma dessas perguntas.

Pílulas

– Além desses casos que detalhei acima, há outros em que o descarte é mais escancarado. Grzegorz Krychowiak e Jesé Rodríguez, por exemplo, dificilmente jogarão nesta temporada, muito em conta pelo rendimento decepcionante no último ano e pelas contratações que foram feitas;

– E ainda há quem esteja de stand by. No gol, por exemplo, Kevin Trapp começou o ano no banco de Alphonse Areola e, com a forte especulação de Jan Oblak, do Atlético de Madrid, pode ser que procure novos ares;

– Retornando a linha de frente, a nova especulação do momento envolve a contratação de Kylian Mbappé. Se o prodígio do Monaco vier, alguém deve ir embora de Paris. Há quem aposte que o goleador Edinson Cavani procuraria novos ares, outros acreditam que Julian Draxler poderia partir. Enfim, se confirmada a vinda do monegasco, as especulações das peças descartáveis tendem apenas aumentar;

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Sem projeto consolidado, Lyon tenta não ficar para trás

Mesmo sob críticas, Genésio é o técnico nesta temporada | Foto: S. Guiochon

Entre os times postulantes ao título ou a vagas em torneios europeus, o Lyon é o que tem o ponto de interrogação maior para a temporada que recém iniciou na França. O OL não conta com o aporte financeiro do Paris Saint-Germain, tampouco tem projetos promissores e ousados como Lille e Olympique de Marseille.

Em contrapartida, o clube gerido por Jean-Michel Aulas tem dinheiro no bolso após as vendas pomposas de Corentin Tolisso e Alexandre Lacazette (juntos, suas vendas somaram € 94 milhões).

Apesar das negociações, a atuação no mercado de transferências não foi das mais agressivas. Das seis contratações efetuadas, quatro jogadores estão abaixo dos 25 anos e são legítimas apostas. Entre Bertrand Traoré, Mariano Díaz, Ferland Mendy, Kenny Teté e os brasileiros Marcelo e Fernando Marçal, não há nenhum que encha os olhos e seja garantia de retorno de imediato.

Até mesmo a dupla de brasileiros, que é a mais experiente (Marcelo tem 30 anos e Marçal 28), não possui muita rodagem na Europa, quase sempre atuando em ligas ou times de menor escalão. Os demais contratados mostraram valor por onde passaram (especialmente Traoré), mas ainda são jogadores em construção e a tendência é errar mais do que acertar.

Dentro deste cenário, abre-se um vazio para a formação de líderes. Os próprios Tolisso e Lacazette, vendidos nesta janela de transferências, eram figuras de respeito dentro do elenco. Christophe Jallet, lateral com Copa do Mundo no currículo, cabe na lista. Entre todos eles, porém, a figura máxima era a de Maxime Gonalons, vendido a Roma por € 5 milhões.

Gonalons trocou o Lyon pela Roma | Foto: S. Guiochon

Aos 28 anos de idade, o volante foi formado no Lyon e estava no clube desde 2000. Era capitão e líder nato no meio de campo, além de ser considerado ídolo da torcida. A saída, porém, foi tumultuada.

Além de já ter saída cogitada há algumas temporadas, publicamente ele disse “faltar ambição” ao time após tomar quatro do Ajax, na partida de ida das semifinais da Liga Europa. A frase foi o estopim de uma crise entre o staff do jogador e Aulas, que trocaram farpas via imprensa.

Esse vácuo acaba sendo amplificado na figura do próprio Mathieu Valbuena, que não era exatamente um líder do elenco, mas a vivência futebolística lhe daria um status diferente nesta temporada. O baixinho meia quase foi expulso do clube, vide a pouca vontade demonstrada pela direção em mantê-lo devido ao alto salário. Assim como Maxime, saiu se manifestando contra diretoria e comissão técnica.

A figura da liderança dentro do plantel, até mesmo como exemplo de adaptação para os novos contratados, recairá sobre Nabil Fekir, que tenta retomar o ótimo nível técnico após uma série de lesões, do goleiro Anthony Lopes e do próprio Memphis Depay, contratado a peso de ouro na metade da última temporada e que tem papel de referência cada vez mais evidenciado com as saídas de Lacazette e Tolisso.

E é dentro deste cenário que Genésio terá que se impor. Os rachas internos, que faziam com que os jogadores mais experientes perdessem parte do respeito pelo técnico, somadas as críticas da torcida, que não confiam em seu desempenho na casamata, fazem com que transforme esse desafio ainda maior.

Diferente dos outros clubes que citei ainda no primeiro parágrafo, o Lyon não conta com uma coesão de ideias entre comissão técnica e diretoria e isso pode pesar no fim da temporada.

Início animador

Apesar de todas essas variantes, o Lyon começou a temporada com o pé direito, goleando o recém-promovido Strasbourg, por 4 a 0. Mariano Díaz, vindo do Real Madrid, já marcou dois.

O domínio do OL ficou escancarado muito além do placar, aja vista que os comandados de Genésio finalizaram 12 vezes, sendo que sete desses arremates foram contra a meta de Kamara. Além disso, teve amplo controle da posse de bola, com 61,6% de domínio, tendo concluído mais de 457 passes.

Entretanto, preocupa o estilo “boxeador” que Genésio impõe. Apesar das 12 finalizações, o Strasbourg, que deve se limitar a lutar contra o rebaixamento, arrematou em sete oportunidades. Três desses chutes saíram quando a partida ainda estava 1 a 0, o que se tornou um risco sério de estrago do placar.

Nas próximas duas rodadas, o OL terá testes de fogo que poderão mostrar a que pé anda a própria evolução. Na sexta (11), o adversário será o remodelado Rennes, na Bretanha, e oito dias depois, recebe o Bordeaux, tentando se reerguer após um conturbado início de temporada – marcado por eliminação na Liga Europa e empate na rodada inicial da Ligue 1. Diferentemente do que ocorreu com o Strasbourg, a “trocação” característica da equipe pode pesar ao lado contrário nos próximos duelos.

O passo adiante de Lacazette

Lacazette foi anunciado no Arsenal nesta quarta-feira (5) | Foto: Divulgação/Arsenal

Chegou a hora de Alexandre Lacazette. Após algumas temporadas tendo nome ventilado em algumas das principais equipes do futebol europeu, enfim apareceu o momento de deixar o Olympique Lyonnais e buscar voos maiores no Arsenal, disputando a badalada Premier League.

Vendido aos Gunners por € 53 milhões, o atacante formado no próprio Lyon sai do clube com diversas sensações. Individualmente, deixa a França com o status de quarto maior goleador da história do OL, com 129 tentos. Se continuasse onde está, fatalmente subiria mais no ranking, já que o terceiro e o quarto colocado, Serge Chiesa e Bernard Lacombe, respectivamente, estão com 134 e 149 gols.

Além disso, Lacazette se tornou o jogador do Lyon com mais gols em uma única temporada do Campeonato Francês. Primeiro, em 2014/15, bateu recorde histórico de André Guy, de 1968/69, com 25 gols, terminando o ano com 27 tentos. Na última edição do torneio nacional, Laca bateu o próprio recorde e marcou 28 vezes.

Em contrapartida, coletivamente, a sensação é de que deixa um clube que não foi capaz de estar em mesmo nível. Desde a temporada 2009/10 entre os profissionais, conquistou apenas a Copa da França de 2012 pelo OL. Pouco, muito pouco.

As razões para esse currículo pouco extenso em títulos são várias e passam muito pelos técnicos incapazes de fazer o time render mais e até mesmo da montagem dos elencos, quase sempre desequilibrados e pautados no que o clube produzia na base. Lacazette, entregando pelo menos 20 gols desde 2013/14, certamente é o menor dos culpados por não ter conquistado tantos títulos.

O Lyon agora fica para trás e ele terá um árduo desafio pela frente na Premier League. O Campeonato Francês vem fornecendo um terreno fértil para os clubes ingleses, mas Lacazette é um dos poucos que vai com status elevado nas últimas temporadas. Com a iminente saída de Alexis Sanchez, o francês chega para ser o grande nome do comando de ataque do time de Arsène Wenger, até mesmo pelo status de maior negociação da história do clube inglês.

Só que da mesma maneira em que ir para a Premier League é um novo desafio na carreira de Lacazette, essa transferência também é um risco assumido a menos de um ano para a Copa do Mundo. Com apenas 11 jogos na seleção principal, um passo em falso na Inglaterra pode enterrar qualquer chance de estar no time inicial de Didier Deschamps na Rússia.

E sempre gosto de lembrar: a posição mais aberta dos Bleus é o ataque. A sombra de Lacazette ronda a posição há muito tempo, só que, hoje, Olivier Giroud é o cara da função. O estilo bruto de jogo do Gunner e os poucos indícios de que pode ser um atacante realmente capaz de decidir jogos grandes, porém, mantém a função órfã do descartado Karim Benzema. Em meio a isso, surgiu Kyllian Mbappé, o prodígio que desponta como o futuro francês e que já dá amostras de que pode ser aproveitado agora.

Por outro lado, é claro, Lacazette pode acertar em cheio, ter uma temporada de ouro e, enfim, se tornar um nome de peso na seleção. Basta lembrar o caso de Dimitri Payet, que trocou o Marseille pelo West Ham na temporada que culminaria com a Eurocopa. Explodiu na Inglaterra, teve temporada de destaque nos Hammers e chegou ao torneio europeu com status de peça-chave do time. Por que não pode acontecer o mesmo com o novo reforço do Arsenal?

Um barcelonista em Saint-Étienne

Garcia foi apresentado oficialmente como novo comandante do Saint-Étienne | Foto: Divulgação/ASSE.fr

Óscar García desembarcou em Saint-Étienne com um árduo desafio pela frente na equipe local. Além de ser o clube de maior expressão que coloca no seu curto currículo como treinador, o espanhol de 44 anos terá a missão de reestruturar uma equipe que passou quase dez temporadas com Christophe Galtier como técnico.

Mas além dos resultados dentro de campo, García tentará propor uma nova filosofia de jogo: o badalado modelo barcelonista.

Promissor meia-atacante, de 1,84m, e com passagens pelas seleções espanholas de base, além da olímpica, em Atlanta, 1996, ele foi formado no Barcelona, por onde atuou entre 1984 e 1999 – contabilizando tempo de base e profissionalismo. Nesse período, conviveu com grandes jogadores e, principalmente, com grandes treinadores, como Johan Cruyff. Foi da convivência com o holandês que García ganhou o incentivo para virar técnico (foi auxiliar de Cruyff na seleção da Catalunha) e propagar a filosofia de jogo barcelonista.

Em 2013, quando treinava o Brighton, na segunda divisão inglesa, o espanhol foi entrevistado pelo The Independent e deixou muito clara a citada influência de Cruyff. “Você pode ver que dos jogadores que ele teve enquanto foi nosso treinador, a maioria é treinador agora, porque aprendemos muito. Estamos tentando ensinar aos nossos jogadores o que ele nos ensinou”, disse.

“Uma das coisas incríveis que me lembro era de que antes das partidas, Cruyff explicava o que pensava que aconteceria no jogo. Os jogadores achavam que ele era louco. Mas, na maioria das vezes, acontecia o previsto”, acrescentou.

Na mesma ocasião, García afirmou que cresceu com a mentalidade e a filosofia do Barcelona, inclusive, ajudou a formar jogadores como Rafinha Alcântara, Mauro Icardi e Gerard Deulofeu, que passaram pelo seu crivo nas canteras do clube catalão.

“Você precisa da bola”

O tiki-taka, filosofia de jogo que ficou conhecida no período de Pep Guardiola no comando do Barcelona, tem como alguns dos princípios a manutenção da posse de bola, realização de passes diagonais, curtos e em todas as direções.

Como manda o figurino, García tenta fazer com que seus times apliquem este conceito e explica que sua filosofia é ter a bola e passa-la quantas vezes for possível até encontrar o espaço. “Você precisa da bola, mas também precisa saber o que fazer com ela. A bola tem que correr, mas isso não significa que o jogador tenha que correr tanto quanto ela, mesmo que seja evidente que o jogador deva estar bem preparado para entrar na dinâmica”, disse ao Independent.

Na mesma entrevista, o espanhol ainda detalhou que a proposta que apresentava aos atletas do Brighton era sempre retomar a bola o mais rápido possível – esse “rápido” tem prazo de 5 segundos.

O discurso é muito bonito e dá a entender que o Saint-Étienne terá um panorama diferente na temporada. Veremos na prática. Como já foi debatido na última edição de Le Podcast du Foot, o ASSE será um dos times mais interessantes a ser visto na próxima Ligue 1 e a razão é a chegada de um barcelonista, que promete revolucionar o time verde.

Pré-temporada

Para medir a temperatura do início de trabalho, o Saint-Étienne fará cinco amistosos ao longo da pré-temporada:

5 de julho | Saint-Étienne x Nyon (3ª divisão suíça)
8 de julho | Saint-Étienne x Ajaccio
15 de julho | Saint-Étienne x Dijon
22 de julho | Saint-Étienne x Real Sociedad
26 de julho | Saint-Étienne x Montpellier

A rodada de abertura da Ligue 1 está programada para acontecer entre os dias 4, 5 e 6 de agosto e o Saint-Étienne começara em casa contra o Nice, de Lucien Favre.

Óscar García

Clubes:

2009-10 | Seleção da Catalunha (auxiliar)
2010-12 | Barcelona (base)
2012-13 | Maccabi Tel-Aviv
2013-14 | Brighton
2014 | Maccabi Tel-Aviv
2015-17 | Red Bull Salzburg

Títulos:

2012/13 | Campeonato Israelense – Maccabi Tel Aviv
2015/16 | Campeonato Austríaco e Copa Austríaca – Red Bull Salzburg

Le Podcast du Foot #65 | Os novos técnicos da Ligue 1

A temporada 2017/18 do Campeonato Francês promete ser interessante nas casamatas dos 20 times participantes. Isso porque alguns clubes optaram por trazer novos treinadores e apostaram em nomes que prometem mudar o cenário do torneio.

O nome mais chamativo é o de Marcelo Bielsa (foto). Referendado técnico, tido como exemplo para muitos treinadores, como Pep Guardiola, o argentino retorna à França após dois anos para comandar o Lille.

Outros times que apostam em novos técnicos são Saint-Étienne e Nantes. Os Verdes trouxeram Óscar García, ex-Red Bull Salzburg, e os Canários apostam no italiano Cláudio Ranieri, campeão inglês com o Leicester City na temporada 2015/16.

Esse novo cartel de treinadores da Ligue 1 foi tema de debate em Le Podcast du Foot #65. Eduardo Madeira, Filipe Papini e Renato Gomes discutiram o assunto na nova edição do programa.

Ouça abaixo e deixe sua opinião abaixo!

Os flops da temporada francesa

Há duas semanas, trouxe os destaques da temporada 2016/2017 do Campeonato Francês. Só que o ano não teve somente gente se dando bem, gritando “é campeão”, fazendo gols bonitos e encantando os amantes do bom futebol. Tivemos também aqueles que prometeram muito e cumpriram pouco dentro de campo.

Após um período de certa triagem nos escolhidos e até conversas com os colegas de Le Podcast du Foot, fechei a lista e, hoje, trago cinco desses nomes que, como dizem no popular futebolístico, floparam na temporada – ou que pelo menos frustraram qualquer expectativa positiva. Reconheço que a maior parte da lista vem do Paris Saint-Germain, que viu a sequência de conquistar nacionais sendo quebrada, mas dá uma boa discussão.

Sem mais enrolações, vamos aos nomes:

5 – Jesé e Krychowiak

Vindos do futebol espanhol, Jesé e Krychowiak não renderam em Paris | Foto: Geoffroy van der Hasselt/AFP/Getty Images

Só em Jesé Rodríguez e Grzegorz Krychowiak, o Paris Saint-Germain investiu € 58 milhões. É uma grana federal que comprova a inflação do mercado de jogadores, convenhamos. Ambos estão entre as 15 mais caras contratações da história do clube e até custaram mais que nomes importantes da história recente do clube, como Zlatan Ibrahimovic e Marco Verratti.

Uma temporada depois de fazer esse investimento, a sensação é de desolação. Jesé fez apenas nove jogos e anotou um gol na Ligue 1. Na metade da temporada, foi emprestado ao Las Palmas e saiu sem deixar saudades. Hoje, ele é tratado como um problema a ser resolvido internamente. Como firmou contrato de cinco anos, voltará a Paris, mas a contragosto. Em recente entrevista à Rádio Cadena Ser, na Espanha, ele disse que não gostaria de retornar por causa das poucas chances que recebeu. Já Nasser Al-Khelaifi, presidente do clube, disse em dezembro do último ano que errou ao trazer o espanhol. Pepino a vista sobre a situação do atleta.

Já Krychowiak, contratado com o status de peça de confiança de Unai Emery dos tempos de Sevilla, jogou apenas 11 vezes na competição. No meio da temporada, o polonês chegou a jogar no time B por perceber que não tinha espaço na equipe principal. A paciência com ele acabou na reta final e o último jogo que fez foi no dia 12 de março, pela 29ª rodada, na vitória por 2 a 1 sobre o Nancy. Com contrato até 2021, é outro problema a ser contornado em Paris.

4 – Jérémy Ménez

Apesar da decepção, a diretoria do Bordeaux ainda aposta em Ménez | Foto: AFP

Voltando ao futebol francês após duas temporadas no Milan, Jérémy Ménez custou a singela bagatela de € 9,5 milhões ao Bordeaux, segunda maior contratação da história do clube. Dentro de campo, porém, o retorno não aconteceu nesta edição da Ligue 1. Foram 26 jogos (somente sete por 90 minutos), três gols marcados e duas assistências.

Ménez, que almejava retornar à seleção francesa após quatro anos, vê agora essa meta cada vez mais distante. Já com 30 anos e vindo de uma temporada bastante baixa, ele ainda observa nomes talentosos explodirem, com Ousmane Dembélé e Kyllian Mbappé. Hoje está claro que é preciso ir passo a passo e, primeiro, retomar bom futebol dentro do Bordeaux, que não quer se desfazer do alto investimento feito no começo da temporada.

3 – Torcida do Bastia

O ápice das confusões da torcida do Bastia foi contra o Lyon | Foto: OLWeb

Nenhuma torcida incomodou tanto na França quanto a do Bastia. No hall de confusões dos corsos, uma tentativa de agressão ao brasileiro Lucas, do PSG, durante uma cobrança de escanteio, insultos racistas a Mario Balotelli, do Nice, além das cenas de guerra campal com os jogadores do Lyon, fazendo a partida ser suspensa após 45 minutos de bola rolando. As imagens rodaram o mundo e mancharam ainda mais o status de um time que teve a pior campanha entre os 20 times da Ligue 1.

Para quem quiser entender mais a origem desses acontecimentos, que muito tem a ver com a tumultuada região da Córsega, o assunto esteve em debate na edição #63 de Le Podcast du Foot, quando, inclusive, recebemos o correspondendo do Lucarne Opposée no Brasil, Simon Balacheff.

2 – Ben Arfa

Ben Arfa clamou por uma oportunidade em Paris | Foto: C. Gavelle/PSG

Depois de uma temporada acima da média no Nice (com 17 gols e seis assistências), Hatem Ben Arfa parecia ter afastado o status de “garoto-problema” e investir € 10 milhões nele parecia ser um bom negócio. Mero engano – pior para o PSG, que ficou com a batata quente em mãos.

O retorno em campo foi mínimo, com míseros quatro gols e uma assistência (disso tudo, apenas a assistência foi na Ligue 1). Internamente, Ben Arfa era duramente questionado pela falta de empenho nos treinamentos e teria chegado a ouvir de Emery a frase “você não é Messi”.

Não bastasse isso, o atleta externou a insatisfação com a reserva. Na reta final da temporada, publicou um vídeo onde suplicou por uma chance. Disse que não queria jogar em uma posição específica ou algo semelhante, apenas queria uma oportunidade.

Apesar da iminente chance de saída, ele começou o mês de junho dizendo querer ficar em Paris. No Instagram, o atacante publicou um vídeo treinando em uma praia, com a trilha sonora de “Only God Can Judge Me” (Só Deus pode me julgar), de Tupac, e encerrou com o recado “nos vemos em julho”. Resta vez se Emery vai passar a mão na cabeça dele desta vez.

1 – Unai Emery

Emery veio com a meta de fazer o PSG jogar mais… e até agora, não cumpriu | Foto: C. Gavelle/PSG

Não gosto da expressão “obrigação” para títulos, mas ao chegar em Paris, Unai Emery precisava fazer o PSG render mais e dar o passo adiante que não deu com Laurent Blanc – que apesar dos 11 títulos em três temporadas, era cobrado por participações mais convincentes no cenário europeu. Além disso, Emery teve a chance de trazer alguns jogadores que desejava, como os já citados Krychowiak e Ben Arfa, além de Julian Draxler.

O que se viu dentro de campo, porém, foi um rendimento menor do que nos tempos de Blanc. Sem inspiração, lento em transições e nas combinações ofensivas, o PSG de Emery fez força para ganhar jogos que ganhava facilmente em anos passados. A perda do título francês para o Monaco foi puro reflexo de um time que foi sombra de um adversário com menos recursos financeiros, mas que ampliou as capacidades técnicas.

Somado a isso, veio o fracasso diante do Barcelona na Liga dos Campeões e a péssima gestão de elenco, constatada nas mais variadas notícias de insatisfações e cobranças externas dos atletas.

Apesar disso tudo, Emery vai continuar no PSG para a próxima temporada, mas cada vez mais pressionado a fazer o time jogar para salvar a própria pele – e do presidente Nasser Al-Khelaifi.

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E aí? O que achou da lista? Dê sua opinião e amplie o debate!

Os tops da temporada francesa

Encerrada mais uma temporada do Campeonato Francês, é chegada àquela hora bacana de retrospectiva e análise de tudo o que aconteceu ao longo das 38 rodadas. Desta vez, me empolguei em levantar listas com os tops e os flops do ano.

Claro que houve uma predominância: entre os tops, o Monaco, que com uma impressionante campanha e um ataque avassalador, ocupou as principais opções. Já entre os flops, o Paris Saint-Germain, que mais uma vez gastou tufos de grana e apresentou um futebol muito pobre, se sobressaindo muito na base da individualidade.

Hoje trago quem se destacou e, ainda nesta semana, trarei quem decepcionou. Confira a primeira lista:

5 – Balotelli ressurge

Super Mario foi o artilheiro do Nice na Ligue 1 | Foto: Divulgação/OGC Nice

Quando o Nice anunciou a contratação do italiano Mario Balotelli, muitos torceram o nariz. Polêmico, de extracampo complicado, Super Mario vinha de temporada pífia pelo Milan, com míseros três gols em 23 jogos. Parecia ser uma aposta perdida. Mero engano.

O italiano encerrou a temporada com 15 gols em 1.746 minutos na Ligue 1 (um a cada 116.4 ou um jogo e 26 minutos). O detalhe dos tentos é a distribuição deles. Foram oito na primeira etapa e sete na segunda, sendo sete em ações de jogo, três de pênalti, três após cruzamentos e dois de falta. Foi o artilheiro do time e peça-chave da formação ao lado do excelente meio-campista Jean Seri.

Ah, e sobre a tão cobrada questão disciplinar – com razão – Balotelli recebeu seis cartões amarelos e dois vermelhos.

4 – Nice voltando à Liga dos Campeões

Favre recolocou o Nice em uma Liga dos Campeões | Foto: Divulgação/OGC Nice

Com Lucien Favre no comando, o Nice fez história e, finalmente, terá a honra de disputar a Liga dos Campeões – mesmo que seja a fase prévia. Foram apenas duas vezes na história que isso aconteceu e a última foi na temporada 1959/60, quando caiu nas quartas-de-final para o Real Madrid.

Apesar de tradicionalíssimo, o Nice não tem grande carreira europeia, especialmente em anos mais recentes. Neste século, por exemplo, disputou duas edições da extinta Taça Intertoto e, mais recentemente, participou da Liga Europa sem grande sucesso – na atual temporada, caiu na fase de grupos.

Boa parte dos méritos vão para Favre, que armou uma equipe extremamente competitiva, capaz de bater de frente com os poderosos PSG e Monaco – nos 12 pontos disputados contra os dois, somou sete. Parte disso é explicado pela eficiência ofensiva, registrada nos números: 4º melhor ataque da Ligue 1, com 63 gols marcados, mas com a marca de ser apenas o 12º time no ranking de chutes por jogo.

Pena que Favre não deve permanecer nas Águias para a próxima temporada – o Borussia Dortmund é o principal cotado para tê-lo como treinador.

3 – Quadrado mágico do Monaco

Falcao foi um dos pilares do poderoso ataque monegasco | Foto: Divulgação/AS Monaco

Disparado o ataque mais positivo da Ligue 1, com 107 gols marcados – 60 (!!!) há mais que na temporada passada – o Monaco deve parte desse sucesso ao mágico quadrado ofensivo, formado pelos habilidosos Thomas Lemar e Bernardo Silva e dos letais Kyllian Mbappé e Radamel Falcao.

Dos 107 gols, 53 saíram do quarteto, ou seja, impressionantes 49,5% dos tentos. Destaque, é claro, para o colombiano, que voltou a ter uma temporada relevante e marcou 21 gols, e para o prodígio Mbappé, autor de 15 tentos.

Interessante destacar também a distribuição das assistências de Silva e Lemar: das nove do português, quatro foram para Mbappé, enquanto três das dez do francês foram para Falcao. No jogo de duplas de Leonardo Jardim (dois meio-campistas, dois articuladores e dois homens de frente), foi a formação de um quarteto que transformou a avassaladora máquina de gols do Monaco.

2 – El Pistolero!

Cavani fez 35 gols em 36 jogos na Ligue 1 | Foto: Divulgação/PSG

Em 36 jogos, 35 gols. Nunca Cavani marcou tantos quanto nessa temporada, superando, inclusive, 2012/13, quando marcou 29 na Série A italiana, ainda com a camisa do Napoli. Foi o artilheiro da Ligue 1 com sobras.

O detalhe interessante da temporada de El Pistolero é a regularidade: 18 gols foram feitos no primeiro turno e 17 no segundo. Se dividirmos o jogo em três partes de 30 minutos, observaremos que 15 tentos do uruguaio saíram na faixa final (contra 12 entre 0-30; 8 entre 30-60), mostrando que foi decisivo – coisa a qual era cobrado em temporadas anteriores.

Em dez ocasiões fez ao menos dois gols, incluindo uma em que fez quatro, no 6 a 0 sobre o Caen. Além disso, dos 36 jogos em que atuou, só não marcou em 13. Em uma temporada bem decepcionante dos parisienses, Cavani foi o ponto fora da curva e o diferencial do time.

1 – O campeão!

Com méritos, a taça Ligue 1 ficou no Principado | Foto: Divulgação/AS Monaco

Enquanto todos esperavam o quinto título consecutivo do Paris Saint-Germain, surgiu o Monaco. Time de futebol envolvente, de dominação de espaço, mas, ao mesmo tempo, agressivo, os monegascos ergueram o troféu de campeão nacional após 17 anos.

A campanha foi irretocável, com maior número de vitórias (30), menor de derrotas (3), melhor ataque (107 gols) e melhor campanha como mandante e visitante. Somado a isso, o Monaco encerrou a Ligue 1 invicto a 20 jogos, com 12 vitórias seguidas e nenhum tropeço em 2017.

Interessante ressaltar ainda que, segundo o WhoScored, o Monaco foi o time que teve maior média de finalizações na temporada, mas foi apenas o quinto em posse de bola e sexto em porcentagem de passes certos. Ou seja, foi uma equipe de controle espacial e de intensa eficácia com a bola no pé.

Somado a isso, o time comandado por Leonardo Jardim apresentou ao mundo jovens talentos que quem acompanha o Francesão há algum tempo já conhece, como Benjamin Mendy, Tiemoué Bakayoko, Thomas Lemar, Fabinho, Bernardo Silva e, é claro, a estrela da companhia, Kyllian Mbappé. É, amigos, daqui algum tempo, teremos história para contar desse fantástico time.

O que acharam dos tops da Ligue 1? Faltou alguém? Exagerei em algum ponto? Dê seu pitaco! Ainda nesta semana trago os flops da temporada.