Mutante, França tem prova de fogo para buscar o bicampeonato

Foto: FFF

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Não há seleção na Copa do Mundo que seja mais mutante que a França. Há um ano, muitos acreditavam que a ausência no Mundial era algo provável de acontecer. Após a histórica vitória sobre a Ucrânia na Repescagem, os franceses começaram a ser colocados no bloco de coadjuvantes.

O triunfo sobre a Holanda (2×0), em março deste ano, trouxe novos horizontes para a equipe comandada por Didier Deschamps. Os então personagens secundários começaram a ser apontados como potenciais surpresas da Copa. Entretanto, o corte de Franck Ribéry, semanas antes do debute na competição, fez muitos darem passos atrás com os Bleus.

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Weidenfeller não mereceu ser convocado

Weidenfeller deveria fazer essa cara ao saber da convocação

Weidenfeller deveria fazer essa cara ao saber da convocação

Aos 33 anos, Roman Weidenfeller, goleiro do Borussia Dortmund, recebeu sua primeira convocação para defender a Seleção Alemã. Convocação injusta, diga-se de passagem.

Weidenfeller não merece porque é ídolo de um time que ajudou a tirar da lama.

Não merece porque está há pelo menos dois anos jogando mais que Manuel Neuer, que é mero expectador dos jogos do Bayern.

Não merece porque não vale a pena ser banco deste mesmo Neuer.

Não merece porque toda vez que entra no Signal Iduna Park, se sente pisando em uma arena de gladiadores, e que a camisa amarela e preta é um escudo muito mais forte que a branca com o brasão alemão bordado.

Não merece porque não precisa estar entre os ditos “melhores” para ser “o melhor”.

Não merece porque tem alma, coisa que uns e outros convocados não têm.

Não merece porque preza pelo amor ao jogo e ao clube, coisa que outros tantos convocados nunca nem ouviram falar.

Não merece porque ser sinônimo de Borussia Dortmund é muito mais relevante que ser mais um na seleção.

Não merece porque não é jogador pra ser convocado quando a Alemanha não precisa de resultado.

Não merece porque a seleção não tem necessidade, assim como ele não necessita estar nela.

Não merece porque Joachim Löw é louco.

Não merece porque sua carreira não vai ser um algo mais só por ter o nome presente em uma fichinha da DFB (Federação Alemã).

Weidenfeller não precisa da seleção!

Ele não merece defender o time de Löw. Tudo que ele precisa para ter carreira completa está em Dortmund e nunca sairá de lá. O que lhe completa é o clube, a torcida e a mística do Westfalenstadion.

A Seleção Alemã não vai ser nada na sua carreira. Vai acrescentar o que? Que jogou por um time que não ganha nada desde os anos 90?

Recuse Weidenfeller! Recuse a convocação e deixe Löw fracassar junto com os “desalmados”.

Os onze gols que a Alemanha precisava

A final da Liga dos Campeões será alemã (Franck Fife - AFP/Getty Images)

A final da Liga dos Campeões será alemã
(Franck Fife – AFP/Getty Images)

Bayern de Munique x Borussia Dortmund é a final de Liga dos Campeões da Europa que o futebol alemão tanto aguardava. De um jeito ou de outro o campeão será germânico e isso por si só será um alívio para todos que trabalham com o futebol no país. Desde o título europeu e mundial do Bayern em 2001, os clubes alemães e também a seleção têm acumulado decepções em momentos decisivos.

Desde 2001, Borussia Dortmund e Werder Bremen foram vice-campeões da Copa da Uefa, o Bayern ficou com o segundo lugar da Liga dos Campeões em duas oportunidades e a seleção alemã teve de se contentar com um vice-campeonato e o terceiro lugar da Copa do Mundo em duas oportunidades, além de um vice-campeonato europeu e uma inesperada eliminação na semifinal da edição de 2012.

Vale salientar que, tirando o vice-campeonato do Borussia Dortmund na Copa da Uefa e da Alemanha na Copa do Mundo, ambos em 2002, todos os outros tropeços foram depois de 2006, quando novas gerações de jogadores passaram a vestir as camisas dos grandes clubes do país, além, é claro, da seleção.

Bastian Schweinsteiger, Manuel Neuer e Phillip Lahm são apenas alguns dos que já vem desde a geração de 2006 – apesar do goleiro não ter disputado a Copa daquele ano – outros como Mário Götze, Marco Reus, Mesut Özil e Toni Kroos surgiram mais recentemente, mas todos eles sofrem até hoje com o estigma de serem ótimos jogadores, formarem times condizentes com suas qualidades individuais, mas que pecam na hora da decisão.

Os onze gols que Bayern e Dortmund marcaram contra a poderosa dupla Barcelona e Real Madrid se tornou o momento chave da afirmação da força do futebol no país. Futebol envolvente, toques rápidos e nenhum medo do rival. Essas foram as características que colocaram a Alemanha, pelo menos nesta temporada, no topo do futebol europeu.

No fundo, a decisão que será realizada no Wembley será um grande teste para o futuro da seleção alemã. No dia 25 de maio, Joachim Löw poderá observar nos dois times quem são os “caras”, quem não treme e pode ser decisivo para tirar a Alemanha da fila que será de 18 anos sem título em 2014.

Thomas Müller marcou nos dois jogos diante do Barcelona (Quique Garcia - AFP/Getty Images)

Thomas Müller marcou nos dois jogos diante do Barcelona
(Quique Garcia – AFP/Getty Images)

No momento, o grande nome é Thomas Müller. Apesar de Reus e Götze pintarem como futuras estrelas da seleção, o meia-atacante bávaro voltou a jogar bem após acumular atuações fracas depois da Copa do Mundo de 2010. Müller é peça fundamental do time de Jupp Heynckes e o período em que colocou Arjen Robben no banco foi primordial para seu amadurecimento.

O momento ruim do holandês proporcionou a Müller a vaga no time titular em sua melhor função: a ponta direita e por ali voltou a mostrar o bom futebol que lhe rendeu vários elogios durante a última Copa.

O amadurecimento se mostrou nítido após a lesão de Toni Kroos, ainda nas quartas-de-final da Liga dos Campeões. Robben entrou no time, o que forçou um deslocamento de Müller para a faixa central na linha de três meias do Bayern e ele, diferente de temporadas anteriores, apresentou um bom futebol e marcou três dos sete gols de seu time na massacrante série sobre o Barcelona nas semifinais.

Falta esse amadurecimento pegar em outros atletas do time. Thomas Müller é ótimo jogador, mas não chega a ser um grande craque. Como citado anteriormente, Mário Götze e Marco Reus se aproximam mais dessa alcunha e essa final de 2013 marca o ponto de ebulição para, no mínimo, o início do amadurecimento desses atletas. Enquanto isso, para Schweinsteiger, Lahm, Weidenfeller e outros será a caminhada final rumo à consagração máxima que suas carreiras necessitam.

Mas, acima de todo amadurecimento e quebra do jejum de títulos, a final da Liga dos Campeões de 2013 será o momento em que a supremacia alemã será sentida. Desde 2010 fala-se nisso. Desde 2010 fala-se da nova geração. Desde 2010 fala-se do novo estilo de jogo do país. E, principalmente, desde 2001 fala-se do tão almejado título internacional.

Europeus e a Copa das Confederações: 1999 – Vexame alemão

confederations cup 1999 logoNa terceira parte da série especial de aquecimento para a Copa das Confederações 2013, chegamos à primeira edição do torneio que não foi realizada na Arábia Saudita. Em 1999, o México foi o responsável por sediar a competição.

Assim como nas duas edições anteriores, a Europa foi representada por apenas uma seleção, daquela vez, pela campeã continental, a Alemanha, que se recusou a disputar o torneio dois anos antes. Recusa também houve do lado da então campeã mundial França, que teria direito de participar do torneio.

Como você poderá ver nos parágrafos seguintes, a participação germânica não foi nada boa, muito pelo contrário.

Confira nas próximas linhas a terceira parte do especial Copa das Confederações:

A EDIÇÃO

Ribbeck teve passagem pouco marcante pela seleção

Ribbeck teve passagem pouco marcante pela seleção

Com o passar dos anos, a Copa das Confederações foi ganhando os moldes que observamos nos dias atuais. O torneio, que foi nomeado como Copa do Rei Fahd em suas duas primeiras edições e foi realizada na Arábia Saudita nas três primeiras, ganhou a chancela FIFA a partir da terceira e na quarta, que é a edição destacada de hoje, recebeu nova sede: o México. Pela terceira vez em quatro campeonatos, a seleção da América do Norte disputaria a Copa das Confederações.

Em 1999, no quesito número de participações, os mexicanos só perderam para a Arábia Saudita que, apesar de não ser mais sede, conseguiu cavar seu espaço na competição ao conquistar a Copa da Ásia de 1996. É importante lembrar que os Emirados Árabes Unidos participaram da edição de 1997, justamente, por terem sido vice-campeões da citada edição da Copa da Ásia.

O Brasil, atual campeão da Copa das Confederações, participou da competição no lugar da França que, como vencedora da Copa do Mundo, recusou o convite de disputar o torneio e deu lugar a seleção brasileira, vice-campeã mundial.

Os Estados Unidos, segundo colocado da Copa Ouro, encerrava o quadro de “veteranos” da Copa das Confederações de 1999, segunda participação norte-americana.

Entre os novatos, encontrava-se a Nova Zelândia, campeã da Copa da Oceania, o Egito, campeão africano, a Bolívia, vice-campeã da Copa América – o campeão Brasil chegou como vencedor da Copa do Mundo -, além da Alemanha, personagem principal desta matéria.

Os germânicos poderiam estar na sua segunda participação, afinal de contas, teriam direito de participar da edição de 1997 como campeões da Eurocopa do ano anterior. Com a recusa, a República Tcheca, vice-campeã, participou e levou o terceiro lugar da Copa das Confederações daquele ano.

A Alemanha vivia um momento de transição naquela época. Apesar do título europeu em 1996, a participação na Copa do Mundo de 1998 foi decepcionante e ficava nítida a necessidade de renovação. Visando isso, o experiente, porém, pouco vencedor – como técnico, mas sim como assistente – Erich Ribbeck assumiu a seleção e passou a mesclar o elenco com jovens como Enke, Ballack, Ricken e Baumann com veteranos do naipe de Lehmann, Marschall e Lotthar Matthäus – com 38 anos na época.

CLASSIFICAÇÃO

Michael Preetz foi o responsável pela primeira vitória alemã em Copas das Confederações

Michael Preetz foi o responsável pela primeira vitória alemã em Copas das Confederações

O grupo alemão não era exatamente forte, também não era fraco, principalmente se fossemos comparar com a chave alternativa. O grupo A contava com México, Bolívia, Egito e Arábia Saudita, definitivamente, adversários mais acessíveis que Brasil, Nova Zelândia e EUA, seleções do grupo da Alemanha.

Para complicar e trazer mais nervosismo para a cabeça germânica, a estreia seria diante do Brasil de Vanderlei Luxemburgo. O que aliviava um pouco era, com todo respeito, a bizarrice que foi a convocação brasileira da época com jogadores do naipe de Odvan, Evanílson, Beto, Roni, Warley e outros. Em compensação, Luxa convocou atletas como Dida, Flávio Conceição, Serginho, Émerson e Zé Roberto, que viviam ótimos momentos nas carreiras. Além destes, Alex e Ronaldinho Gaúcho, ambos jovens, começaram a desempenhar papeis de destaque na seleção justamente na Copa das Confederações.

Por uma hora, alemães e brasileiros protagonizaram um duelo equilibrado no Jalisco de Guadalajara, porém, depois do primeiro gol, a porteira foi escancarada e sacramentada com a goleada do Brasil por 4×0. Ronaldinho e Alex foram os grandes nomes do jogo e três dos quatro gols saíram dos pés deles.

Apesar do massacre sofrido na estreia, Ribbeck não fez grandes mexidas para o duelo diante da Nova Zelândia. O confronto já seria decisivo, pois as duas seleções perderam na estreia e quem saísse de campo sem os três pontos estaria muito próximo da eliminação. Sabendo disso, os alemães trataram de definir a partida em menos de 40 minutos com grande participação de Michael Preetz. O histórico atacante do Hertha Berlin – e que hoje é dirigente neste mesmo clube – anotou o primeiro gol e deu o passe para Matthäus marcar o segundo, sacramentando a primeira vitória alemã na Copa das Confederações.

Na rodada decisiva diante dos Estados Unidos, o saldo de gols fez diferença. Com saldo zerado, os norte-americanos jogavam pelo empate contra os alemães, que tinham saldo -2. Porém, a Alemanha voltou a decepcionar e saiu de campo derrotada por 2×0, com dois belos gols anotados por Ben Olsen e Joe Max Moore.

A precoce eliminação na Copa das Confederações foi apenas o início da derrocada de Erich Ribbeck que, após vexame na Eurocopa do ano seguinte, foi demitido com um dos piores aproveitamentos de um técnico na história da seleção alemã. Desde então, Ribbeck nunca mais treinou um time.

DECISÕES

Sem europeus nas fases finais desde a inclusão de seleções do continente na Copa das Confederações, as semifinais da competição ganharam rosto americano. Das quatro seleções semifinalistas, duas eram da América do Norte e um da América do Sul. A Arábia Saudita era a única intrusa nesse grupo.

Na semifinal 100% americana, clássico entre México e EUA, decidido por Blanco na prorrogação. No outro duelo, massacre brasileiro, 8×2 para cima dos árabes. Na final disputada no estádio Azteca, jogo eletrizante entre México x Brasil. Os mexicanos abriram 2×0 antes do intervalo, cederam o empate, mas abriram 4×2 antes dos 30 minutos da etapa derradeira. Zé Roberto descontou, mas não pôde evitar a conquista do título no lado do México em uma das piores participações europeias na história da Copa das Confederações.

*Imagens: Getty Images

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O vácuo de uma geração

No Olympiastadion, a Suécia arrancou o 4×4 após estar perdendo por 4×0

Chega a ser um crime comparar a nova geração de meias e atacantes da Alemanha com os recentes defensores formados no mesmo país. O setor ofensivo revelou nomes de muito talento como Marco Reus, Mario Götze, Thomas Müller e Julian Draxler, enquanto na defesa, o único nome mais chamativo é o de Mats Hummels.

Esse vácuo na formação de atletas no país começa a ter reflexos preocupantes na seleção principal da Alemanha. No inesperado empate em 4×4 com a Suécia – após abrir uma vantagem de quatro gols -, a zaga alemã bateu cabeça em diversos momentos da partida e colaborou demais para a queda da gigante vantagem. Para completar, Holger Badstuber, um dos zagueiros da nova safra, foi crucificado por suas sucessivas falhas – mais especificamente, seus cochilos nos quatro gols suecos – e fazendo com que o índice de desconfiança com seu futebol ficasse cada vez maior.

Badstuber não é mau jogador. O atleta do Bayern é um bom chutador e consegue compensar sua lentidão com bom posicionamento. O problema é que falta inteligência, percepção de jogo e força psicológica. Parece não existir um trabalho individual com ele, pois se abala com facilidade e é muitas vezes pego no mano a mano com atacantes adversários, algo muito ruim se tratando de um defensor lento. Para completar a sina, Badstuber sofre com uma pequena “crise de identidade”, já que tem sido lateral-esquerdo no clube bávaro e zagueiro na seleção de Jögi Löw.

Badstuber foi colocado como vilão no tropeço

A situação fica ainda pior quando notamos que Benedikt Höwedes e Jérôme Boateng sofrem da mesma crise de Badstuber e custam a se firmar no time alemão, além disso, Per Mertesacker já vem em curva descendente na carreira. Hummels, que seria titular no confronto contra a Suécia, não foi convocado por estar contundido.

Só Hummels faria milagre? Claro que não. Ele esteve na Eurocopa e contribuiu negativamente, direta ou indiretamente, em alguns gols. No Borussia Dortmund, o zagueiro conta com um entrosamento de muitos anos com Piszczek, Subotić e Schmelzer, coisa que não acontece na seleção. Seu parceiro ideal seria Höwedes, do rival Schalke, mas por ser escalado como lateral-direito em seu time, Löw não arrisca e não muda sua posição em sua seleção. Aparentemente é uma decisão sensata, mas fica impossível defendê-lo quando Badstuber é escalado em uma posição diferente da que joga em seu clube. Isso se chama incoerência.

Se jogarmos a responsabilidade para o ataque, seríamos injustos. Com uma defesa fraca, basta seguir a lógica: “a melhor defesa é o ataque”. Mas vai cobrar o quê nesse jogo contra a Suécia? Que fizessem mais gols? 4×0 é um ótimo resultado e mesmo pedindo para que façam 5, 6, 7 (…) gols, fica complicado cobrar, bate um relaxamento natural, além do mais, contra uma equipe de alguma tradição como a Suécia, não dá para simplesmente ir pra frente e marcar mais, existe respeito.

Se a culpa então é do “salto alto”, que joguem esse demérito a todos: atacantes, meias, defensores e comissão técnica. São profissionais, recebem altos salários e são duramente pressionados. Vacilar daquela maneira é inaceitável, assim como não dá para culpar um ou outro pelo descaso com o jogo. Todos os jogadores têm a noção da responsabilidade que tem em campo, assim como existem pessoas responsáveis o bastante para olhar fixo dentro dos olhos dos inconsequentes e cobrar um pouco mais de atitude na partida.

A solução, então, poderia vir das seleções de base da Alemanha, porém, a situação do time sub-21, por exemplo, é idêntica ao do time principal. Os alemães lideraram o grupo da eliminatória europeia com folga, tiveram um ataque avassalador, mas passaram por algumas panes defensivas. Nos dez jogos feitos pela fase de grupos do torneio sub-21, o time de Rainer Adrion sofreu oito gols. Parece ser um número inexpressivo, mas vale dizer que esses tentos foram sofridos em dois jogos: no empate em 4×4 com a Bielorrússia e na vitória por 5×4 diante da Grécia. Para completar, nas duas partidas eliminatórias contra a Suíça, os alemães sofreram gols, ainda assim, conseguiram a vaga na fase final do torneio.

Voltando ao time principal, vamos nos lembrar que na Eurocopa, a Alemanha não sofreu gol apenas na estreia. Desde a vitória pelo placar mínimo sobre Portugal, os alemães só não viram suas redes sendo balançadas em uma ocasião, que foi contra as Ilhas Faroe. Holanda, Dinamarca, Grécia, Itália, Argentina, Áustria, Irlanda e mais recentemente, Suécia, marcaram contra a seleção germânica desde o triunfo sobre os portugueses.

Fica difícil imaginar que Löw encontre um novo zagueiro até a Copa, sendo que faltam menos de dois anos para o torneio. As peças que ele tem agora deverão ser as mesmas que ele trará para o Brasil, a não ser que surja uma nova revelação, mas algo de outro mundo, alguém que entre no time para não sair mais, senão não valerá à pena.

E aí nós voltamos ao time sub-21. Enquanto o setor ofensivo contou durante o torneio com nomes como Lewis Holtby, Julian Draxler, Moritz Leitner, Ilkay Gündoğan e Karim Bellarabi, todos eles com papéis de destaque em importantes clubes alemães, a defesa teve jogadores que ainda nem chegaram a atuar pelos profissionais e os que tiveram o prazer de entrar em campo pelo time principal, são de equipes menores.

É lógico que a Alemanha não irá revelar outro Franz Beckenbauer, mas esse vácuo entre novos atacantes e defensores serve só para atrasar o desenvolvimento da seleção. O setor ofensivo evolui a passos largos e se torna exemplo para a Europa toda, enquanto a defesa parece que acabou de sair da era cavernosa.

*Crédito das imagens: Getty Images

Uma chance para Weidenfeller

Weidenfeller tem feito por merecer uma chance na Nationalelf (Getty Images)

Não canso de dizer que a Alemanha, além de possuir as melhores fábricas de automóveis e cervejas, produz muitos goleiros de ótima qualidade. Ainda assim, ciente da enorme concorrência, faço um pequeno apelo ao técnico da seleção alemã, Joachim Löw: convoque para seu time Roman Weidenfeller.

Aos 32 anos, o goleiro que defende o Borussia Dortmund desde 2002, tem apenas passagens pelo time B que a Alemanha formou para preparar garotos visando a Copa de 2006. Ainda assim, Weidenfeller fez apenas um jogo e era muito jovem na época, apenas uma aposta borussiana para substituir Lehmann, que havia se transferido para o Arsenal.

Atualmente, acabo entendendo que Löw opte por Manuel Neuer, que mesmo não sendo exigido no Bayern como era no Schalke, ainda é o melhor da posição no país. Entendo também que chame os jovens Marc-André ter Stegen e Ron-Robert Zieler, já que ambos necessitam dessas chances para evoluírem na carreira e sucederem Neuer no futuro.

O que não entra, de maneira nenhuma, em minha cabeça é como o intempestivo e completamente instável Tim Wiese tenha recebido várias convocações, enquanto Weidenfeller ficou chupando dedo esse tempo todo.

O goleiro do Dortmund é sinônimo de segurança. Weidenfeller é firme nas bolas aéreas, tem reflexos apurados, se impõe debaixo dos três postes e raras vezes falha, mantendo sempre uma boa regularidade. É um goleiraço!

Para quem quiser ver só um pouco do que ele é capaz, procure assistir o jogo entre Manchester City 1×1 Borussia Dortmund, pela 2ª rodada da UEFA Champions League. Boa parte do crédito do empate foi colocada na conta do goleiro do time inglês, Joe Hart, mas muitos acabaram se esquecendo que na etapa inicial, Weidenfeller fez diversas defesas complicadas, evitando a abertura do placar ainda no início da partida.

A participação do goleiro que mais me chamou a atenção na citada partida foi em um lance com Kun Agüero. O argentino recebeu com liberdade pela direita e viu Weidenfeller saindo e fechando o ângulo, porém, ficou com as pernas abertas. O atacante não hesitou e mandou a bola justamente ali, mas em um ato de puro reflexo e agilidade, o arqueiro borussiano dobrou uma das pernas e evitou o gol inglês.

Essa foi somente uma das várias defesas monumentais de Weidenfeller na etapa inicial daquele jogo, onde o Dortmund teve atuação de gala. Aliás, só para desabafar um pouco, o árbitro Pavel Kralovec estragou a melhor partida do BVB desde o 3×1 sobre o Bayern em 2010/11 com um pênalti fajuto, marcado nos minutos finais.

Voltando ao Weidenfeller, não custa reforçar que ele é um dos símbolos do novo Borussia Dortmund, que passou de time praticamente falido e coadjuvante no país a clube bicampeão nacional e exemplo no continente. O goleiro pode não ser um dos jogadores citados quando lembram exemplos de futebol bonito, como Mario Götze, Kuba, Robert Lewandowski e Ilkay Gündoğan, mas é sempre lembrado como líder e jogador de grupo, como Sebastian Kehl, Sven Bender e Mats Hummels.

Pedir que Weidenfeller seja titular e até presença constante nas convocações de Löw talvez seja exagero demais de minha parte, mas não soa bem saber que o goleiro do time bicampeão alemão e um dos mais regulares do país, nunca tenha recebido uma mísera convocação para a seleção nacional. Por isso, faço esse apelo ao técnico da Alemanha: leve Weidenfeller para um amistoso, dê 90 minutos a ele! Se não se satisfizer, tudo bem, não o chame mais, mas não deixe a carreira deste grande goleiro com um vazio desses.

Obs: Talvez jogue todas as palavras acima no lixo ao dizer isso, mas não nego a ninguém que tenho certa afeição pelo Borussia Dortmund, até por isso, você pode entender que o texto seja passional ou algo do gênero. Enfim, é o que penso sobre Weidenfeller e como fã do BVB, não fico contente em vê-lo assistir a Nationalelf pela televisão.

Quinze nomes conhecidos da 2.Bundesliga

Quem levará o troféu pra casa?

Os campeonatos de segunda divisão são um barato em qualquer lugar do mundo, seja na Europa, nas Américas, na Ásia e até mesmo na África. Além das disputas ferrenhas entre as equipes e das dificuldades extra-campo, essas competições são verdadeiras feiras de jogadores conhecidos e que estão em curvas descendentes nas suas carreiras.

A segunda divisão do Campeonato Alemão não foge a regra e tem estas características. Sexta-feira (03/08), a 2.Bundesliga terá seu início e o blogueiro que vos fala selecionou quinze nomes que estarão na disputa do torneio e que provavelmente, vocês, leitores, já devem ter ouvido falar em algum momento da vida.

Confira a lista abaixo.

Görlitz teve passagem discreta pelo poderoso Bayern

Quem encabeça a lista é uma cria do Munique 1860, mas que diferentemente dos irmãos Bender, não decolou na carreira: Andreas Görlitz. O defensor apareceu bem no clube bávaro entre 2000 e 2004, mas com a queda do time para a segunda divisão, optou por se transferir para o Bayern. Logo no início de sua nova jornada, ele foi chamado para defender a seleção principal da Alemanha e fez dois jogos, mas logo sua carreira declinou, acumulando várias lesões e prejudicando sua sequencia na Baviera.

Desde 2010, o jogador defende o Ingolstadt, onde tem ficado na parte intermediária da tabela da segunda divisão alemã. Görlitz permanecerá no clube bávaro nesta temporada e terá a companhia de um brasileiro conhecido dos são-paulinos: Caiuby que ficou notabilizado por chegar ao tricolor paulista como uma aposta do treinador Muricy Ramalho, vindo da Ferroviária, junto com Francisco Alex. A dupla não decolou no clube paulista – nem em lugar nenhum -, mas Caiuby tem feito carreira em times menores da Alemanha.

O meio-campista chegou a estar no elenco campeão alemão do Wolfsburg, mas nunca teve um número consistente de jogos, por isso foi sempre emprestado. No último ano, o brasileiro esteve por empréstimo no Ingolstadt, onde convenceu, jogou bastante e acabou sendo contratado em definitivo, com contrato até 2015.

Roger Bernardo é outra figura conhecida dos paulistas e que estará na disputa da 2.Bundesliga. O volante, que também atua na zaga, defendeu o Palmeiras na última década, depois de ter tido uma rápida experiência no Arminia Bielefeld, quando tinha apenas 19 anos. Depois de meteóricas passagens por clubes do sul e do sudeste do país, Roger se transferiu para o Energie Cottbus em 2009, onde permanece até hoje.

Falando no Cottbus, a equipe contará com dois atacantes conhecidos na Alemanha: Martin Fenin e Boubacar Sanogo. O primeiro surgiu como uma das grandes esperanças do futebol tcheco e quando estava jogando em seu país, no Teplice, era cortejado por equipes como a Juventus, mas optou por defender o Eintracht Frankfurt. Na Alemanha, Fenin nunca decolou e no último ano, foi emprestado ao Energie Cottbus, onde passou por problemas psicológicos, chegando a declarar que sofria de depressão e dependência química. Recuperado, o tcheco tenta se reinventar no esporte e na vida ainda no Cottbus.

Já o marfinense Boubacar Sanogo tem, em sua carreira, passagens discretas por clubes como Hoffenheim, Hamburgo e Werder Bremen, mas seu maior “feito” foi no time verde, ao brigar com o brasileiro Carlos Alberto em um treino. Sanogo ainda teve uma passagem vergonhosa pelo francês Saint-Étienne, onde fez mais de trinta jogos e marcou apenas um gol.

Sanogo se envolveu em uma famosa briga com Carlos Alberto em seus tempos de Bremen

Continuamos no ataque, mas cruzamos o planeta inteiro, chegando a Coreia do Norte, onde encontramos o Rooney Asiático, que também estará disputando a segunda divisão alemã. Jong Tae-Se é uma das apostas do Colônia para superar a dependência de Lukas Podolski, recém transferido para o futebol inglês. Chong Tese – como também é conhecido – foi o primeiro norte-coreano a atuar no futebol profissional da Alemanha, isso em 2010, quando defendia o Bochum. Apenas em janeiro deste ano chegou para ajudar os Bodes.

Talvez estas referências não deixem em sua memória quem realmente é Jong Tae-Se, ou simplesmente não liguem o nome ao atleta, mas o norte-coreano foi o responsável por uma das cenas mais marcantes da Copa do Mundo de 2010. No confronto contra a Seleção Brasileira, o atacante se emocionou durante a execução do hino de seu país e começou a chorar.

No Colônia, Tae-Se terá a companhia de um dos grandes flops recentes do Bayern. Michael Rensing foi considerado durante algum tempo como o sucessor de Oliver Kahn na equipe bávara e seu início até foi bom. Reserva da lenda alemã, Rensing se saia muito bem nos poucos jogos que participava. Na primeira temporada sem Kahn, ele assumiu a titularidade e era peça de confiança de Jürgen Klinsmann, mas assim como o técnico, o time não foi a lugar algum, chegando a perder o título alemão para o nanico Wolfsburg.

Com Louis van Gaal no comando do time bávaro, Rensing perdeu espaço para o veterano Butt. O tempo foi passando e não havia mais clima para o goleiro, que acabou sendo dispensado após o término de seu contrato. Desde 2011, ele defende o Colônia, onde vem se reencontrando na carreira e fazendo bons jogos.

O comandante da dupla será o folclórico Holger Stanislawski – único treinador nessa lista. Stani ganhou notoriedade no cenário alemão ao levar o “Cult” St. Pauli para a primeira divisão. O time subiu e logo caiu, então, o treinador migrou para o Hoffenheim, onde teve campanha medíocre e não se sustentou com seu carisma, como acontecia no St. Pauli. Seu novo desafio será trazer o Colônia para a primeira divisão.

Wagner já foi apresentado e vestirá a 33 (Foto: Hertha Berlin)

Por falar em equipes que até ontem estavam na primeira divisão e que tentarão retornar o mais rápido possível para a elite alemã, não podemos deixar de falar de uma dupla que defenderá o Hertha Berlin nesta temporada: Peer Kluge e Sandro Wagner. O primeiro é volante e ganhou destaque na Alemanha por seus seis anos de bom futebol no Borussia Mönchengladbach. Depois disso, até foi bem no Nuremberg, mas conviveu com várias lesões no Schalke e nunca convenceu. Desprestigiado com Hubb Stevens, Kluge se transferiu para o Hertha, com um contrato de dois anos.

Já Wagner é atacante e nunca primou pela técnica, é o famoso “centro-avante rompedor”. Nesse estilo, o alemão chamou atenção na final da Eurocopa Sub-21 em 2009, ao marcar dois gols na final diante da Inglaterra. Depois disso, nenhum brilho por Werder Bremen e Kaiserslautern, agora, tentará a sorte na capital.

Falando em Berlin, no outro time da cidade encontra-se um brasileiro que já deu uma entrevista para o “Europa Football”, trata-se de Sílvio. O atacante até começou bem a última temporada, mas caiu de produção, junto com seu parceiro de ataque, John Jairo Mosquera. Com seu companheiro ofensivo se mudando para atuar no futebol chinês, a responsabilidade de finalmente levar o Union Berlin para a primeira divisão cairá sobre as costas de Sílvio.

Florian Kringe era praticamente patrimônio vivo do Borussia Dortmund. O meio-campista esteve presente nos últimos três títulos alemães do clube, tendo aparições pra lá de esporádicas. Entre 2000 e 2011 – período onde ficou em Dortmund -, o atleta foi emprestado para clubes como Colônia e Hertha Berlin, mas só agora saiu em definitivo. Seu novo desafio será no Cult St. Pauli.

Xará de Kringe, Florian Fromlowitz será mais um a disputar a segunda divisão alemã. O goleiro foi lapidado pelo Kaiserslautern, clube que o abrigou em 1992, quando tinha apenas seis anos. Ele passou por todas as equipes de base do clube até chegar ao profissional, onde atuou por três anos. Em 2008, se transferiu para o Hannover, onde teve a dura missão de substituir o amigo Robert Enke, que se suicidou. Com o aparecimento de Zieler, Fromlowitz perdeu espaço e foi para o Duisburg, onde também não se firmou. Nesta temporada, seu desafio será no Dynamo Dresden.

O mesmo clube que formou o atleta citado no último parágrafo contará com uma dupla conhecida do grande público: Mimoun Azaouagh e Mohamadou Idrissou. O primeiro tem origens marroquinas, mas é alemão e ganhou destaque no início dos anos 2000 ao jogar pelo Mainz. Magro, mas habilidoso, Azaouagh foi peça de cobiça do Schalke 04, que lutou demais para tê-lo em seu elenco. Após pouco jogar em Gelsenkirchen, o marroquino se transferiu para o Bochum, clube que o abrigou nos últimos quatro anos. Já Mohamadou Idrissou também tem origens africanas, ele é de Camarões, mas está desde 2000 na Alemanha. Por lá, teve passagens de destaque pelo pequenino Wehen Wiesbaden, além de Freiburg e Borussia Mönchengladbach. Na última temporada, o centro-avante de 1,90m ajudou o Eintracht Frankfurt a voltar para a primeira divisão, marcando 14 gols.

Tanto Azaouagh quanto Idrissou tentarão recolocar uma tradicional equipe alemã no campeonato nacional mais nobre da Alemanha, o Kaiserslautern. Os Diabos Vermelhos foram rebaixados na última temporada e buscarão um triunfante retorno.

Esses foram os quinze nomes que destaquei, mas existem muitos outros. A caixa de comentários está aberta para novas sugestões!