Entre sonhos e abusos

Como de costume, a temporada para os londrinos do Chelsea começou cheia de sonhos e expectativas. O time já não era mais treinado pelo experiente Carlo Ancelotti, e sim pelo jovem André Villas-Boas, campeão da UEFA Europa League na temporada anterior com o Porto. Uma nova conquista da Premier League e o tão aguardado título europeu eram as metas do já calejado elenco blue.

Com nomes de peso como Frank Lampard, Didier Drogba, Ashley Cole e John Terry, e ainda algumas jovens apostas, como Daniel Sturridge, David Luiz e Oriol Romeu, AVB tinha tudo para fazer um grande trabalho na Inglaterra. Tudo começou bem para o português, que viu seu time vencer sete (um nos pênaltis) dos primeiros dez jogos da temporada. O único revés aconteceu na 5ª rodada, na derrota por 3×1 diante do Manchester United.

Porém, os meses finais de 2011 reservaram muitos problemas aos Blues. Foram quatro derrotas, quatro empates e cinco vitórias nos últimos dois meses do ano. O mais preocupante é que alguns destes tropeços foram novamente em jogos grandes. O Chelsea perdeu duas vezes para o Liverpool e uma vez para o Leverkusen. No último dia de 2011, o time londrino foi derrotado em casa para o até então desacreditado Aston Villa por 3×1 e a partir de então, a vida de André Villas-Boas passou a se tornar um inferno.

As críticas para cima do comandante português eram incessantes e pesadas. Somado a tudo isso, novamente falou-se sobre as “patotas” existentes no elenco do Chelsea. Essa conversa já existia desde o tempo que Luis Felipe Scolari treinava o clube inglês, e sem Michael Ballack, as “lideranças” ficaram a cargo de Drogba, Terry e Lampard.

Contando com atletas insatisfeitos e outros tantos não rendendo o esperado – entenda-se Fernando Torres -, os maus resultados se tornaram rotina e Villas-Boas duraria apenas mais três meses. A derrota diante do West Bromwich foi a página final da decepcionante passagem do treinador português, que colecionou em suas últimas semanas de “vida útil”, cinco vitórias, três derrotas, quatro empates e o incrível prejuízo de estar perdendo pro Napoli por 3×1 na série das oitavas-de-final da UEFA Champions League.

Di Matteo e Villas-Boas estavam juntos, mas a patota os separou (Reuters)

Subitamente, o Chelsea cresceu de produção com a saída de André Villas-Boas e com a efetivação do italiano Roberto Di Matteo – que já tinha uma boa passagem pelo West Brom em sua curta carreira. Foram quatro vitórias seguidas logo de cara, algo que não acontecia desde o início da temporada, curiosamente, época da chegada de AVB, em suas semanas de adaptação.

Depois da derrota para o Manchester City no dia 21 de março, os Blues só voltariam a ser derrotados no começo de maio, no 2×0 diante do Newcastle quando já estavam levando a Premier League com a barriga.

Honestamente, eu não gosto muito de sair acusando jogadores de fazerem “corpo mole” ou algo do gênero, mas no caso do Chelsea, parece ser nítido que a “patota” só aceita trabalhar com quem eles querem. Porém, a evolução do clube londrino não se deve apenas a um excesso súbito de vontade de Drogba, Lampard e Cia., mas Di Matteo também tem seus méritos. O deslocamento de Ramires da cabeça de área para a linha de armadores foi uma ótima sacada. O brasileiro conseguiu melhorar seu rendimento e ter suas arrancadas melhor exploradas. O ex-volante encarnado foi eleito o melhor jogador do time na temporada!

O italiano também aproveitou para apostar em homens mais experientes, como John Obi Mikel e Salomon Kalou, em preterimento os jovens Romeu e Sturridge, que perderam muito espaço após a saída de Villas-Boas. Cá pra nós, Mikel e Kalou, com a qualidade técnica que possuem, não podem, em hipótese alguma, fazer “corpo mole” pra derrubar treinador, já que são jogadores de nível inferior a outros do elenco.

Desde que Roberto Di Matteo assumiu o comando técnico londrino, o time conquistou treze vitórias, três derrotas e quatro empates. Os Blues ainda ergueram o troféu da FA Cup pela sétima vez na história.

Na UEFA Champions League, a campanha que já era regular com Villas-Boas, se tornou heróica pela superação. Os treze gols marcados na fase grupos colocaram os ingleses na ponta da chave, o que não significava caminho fácil no mata-mata. O perigoso Napoli ajudou a instalar a crise em Stamford Bridge ao vencer o duelo de ida por 3×1. Na volta, já com Di Matteo, o Chelsea venceu por 4×1 e conseguiu reverter o resultado.

A classificação “um tanto quanto” sufocante diante do Benfica nas quartas-de-final mostrava que o time inglês estava vários degraus abaixo do seu adversário na semifinal, o Barcelona. A série ficou marcada nos grandes jogos da UEFA Champions League. O Chelsea marcou como nunca, segurou o time catalão com unhas e dentes, tomou pressão nos dois jogos, mas com a dupla Ramires e Drogba inspirada, os Blues conseguiram chegar a mais uma final. O brasileiro participou de dois dos três gols ingleses na série, enquanto o marfinense mostrou seu lado “catimbeiro” e incomodou demais.

Com Villas-Boas no comando, Frank Lampard chegou a ficar na reserva (Reuters)

Essa nova final para o clube londrino consegue ser bacana e injusta ao mesmo tempo. Foi simplesmente sensacional ver a reação inglesa diante do Napoli quando estava quase eliminado, e ainda observar a enorme superação diante do poderoso Barcelona. Porém, fica aquela pontinha de raiva ao ver que os jogadores responsáveis por estas glórias, foram os mesmos que derrubaram Villas-Boas.

É a história de 2008 se repetindo. Roman Abramovic já comandava o Chelsea e buscava obsessivamente o título europeu, e para isso, também contava com um treinador português que fez sucesso no Porto, José Mourinho. Diferentemente de Villas-Boas, Mou já fazia sucesso na Inglaterra e figurava entre os principais treinadores do continente europeu. Porém, o magnata russo, sedento por resultados, demitiu o português e apostou em Avram Grant, que assim como Di Matteo, levou o clube para a final da UEFA Champions League. Em Moscow, os Blues tropeçaram diante do rival inglês, Manchester United.

O italiano terá o mesmo destino do israelita e será um técnico “tampão”? Talvez o título europeu mude os rumos da repetida história londrina.

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A história de um dos técnicos mais promissores da Europa

Texto de: Romário Henderson

Villas Boas tem um grande futuro pela frente (Reuters)

Com apenas 33 anos, André Villas-Boas é um dos mais promissores técnicos. A história do Português, que aprendeu à partir de dois grandes mestres, como Bobby Robson e José Mourinho, é muito particular.

Depois de deixar uma marca indelével no Porto, enfrenta agora o desafio de liderar o Chelsea, um dos clubes mais prestigiados do mundo.

A vida de Villas-Boas teve uma mudança fundamental em 1994, quando o treinador do Porto na época, Bobby Robson, se mudou para um edifício no mesmo quarteirão. O jovem português de 16 anos, um fã do jogo Championship Manager, decidiu escrever uma carta ao DT Inglês para explicar como explorar o desempenho do atacante Domingos Paciência.

Sir Bobby ficou tão impressionado com sua maneira eloqüente de falar de futebol e sua compreensão detalhada do jogo, que o convidou para treinamento e, em seguida, foi contratado como olheiro do Porto. O assistente de Robson na época era José Mourinho, e Villas-Boas teve a sorte de aprender a partir de dois especialistas na área.

“Bobby era instrumental em meus primeiros dias com as suas recomendações, e cresceu a paixão. Comecei a ser mais prático e dar meus primeiros passos como treinador”, disse o Português em uma entrevista com seu novo clube, o Chelsea.

“Ele abriu algumas portas para entrar no mundo do futebol. Eu estava feliz no Porto e por trabalhar com Mourinho, e ele estava satisfeito com o meu profissionalismo”, disse ele.

Em sua adolescência, Villas-Boas deslumbrou seus professores com o seu conhecimento tático, e ajudou na formação. Robson sentiu o amor de futebol que teve este jovem, e usou seus contatos na Inglaterra para começar sua carreira na Academia de Lilleshall.

Em seguida, desembarcou em Ipswich, no Robson Club, onde ele tinha 13 anos e ganhou a UEFA e a Taça da Inglaterra e, finalmente, completou seus estudos na Escócia para obter a licença. Em 2000, com apenas 22 anos, Villas-Boas foi uma experiência marcante como treinador das Ilhas Virgens na tentativa de qualificação para a Copa do Mundo Coréia-Japão. Mas os resultados eram muito pobres e um ano depois deixou o cargo após admitir sua idade real.

Em 2002, Mourinho lhe ofereceu um emprego como treinador de jovens no Dragons, e juntos formaram uma equipe formidável. Por sua visão para analisar cada detalhe, Villas-Boas mudou de emprego e se tornou responsável por estudar os adversários e, em seguida, entregar relatórios para os jogadores e comissão técnica.

Villas-Boas vibrou com o título da Europa League (Reuters)

Nas temporadas seguintes, o Porto viria a ser conhecido em todo o mundo, conquistando o trevo em Portugal (Liga, Taça e UEFA Super Cup). E o final do ano seguinte para confirmar o seu poder para levar o título da Liga dos Campeões, deixando o caminho para o Manchester United.
Em 2004, Mourinho foi contratado pelo Chelsea e mudou toda sua equipe, incluindo os jovens Villas-Boas. Sua experiência na Inglaterra foi um sucesso retumbante. The Blues começou a encher seu armário de troféus com bicampeonato da Premier League em 2004/05 e 2005/06, além de ganhar dois Carling Cup (2005 e 2007), a Community Shield (2005) e da FA Cup (2007) .

Mou se tornou o treinador mais vitorioso na história do clube e disse adeus a Stamford Bridge depois de transformá-la em uma força imbatível.

Após este período de sucesso na Inglaterra, os serviços de Mourinho foram obrigados por uma das equipes mais poderosas da Itália, Inter de Milão. Villas-Boas ouviu de Mou que seu atendimento foi perfeito. Ele descreveu como seus olhos e ouvidos. E quando ele foi para a Inter também continuou a contar com a sua mão direita. Mas então, o jovem assistente tinha suas próprias ambições. Depois de compartilhar no nerazzurro, decidiu deixar um de seus mentores para regressar a Portugal e assumir a Academica de Coimbra.

Aos 31 anos, Villas-Boas teve sua primeira experiência como treinador em uma equipe complicada. Em outubro de 2009 veio a acadêmicos, e em apenas dois meses poderia corrigir o curso da equipe que ficou longe de acabamento na parte inferior do meio da tabela e alcançou as semifinais da Taça de Portugal.

Poucos meses depois, ele chamou o mais esperado. Porto, que era um fã clube desde a infância queria contratá-lo como chefe do principal grupo para substituir Jesualdo Ferreira. A imprensa questionou a inexperiência do jovem treinador em um clube tão poderoso, mas os resultados foram tornando uma realidade.

Ele voltou para casa para reviver o espírito de Porto vencedor, com figuras de desempenho no pico como Falcão e Hulk, o clube voltou a obter um trevo memorável invicto vencendo o campeonato, com apenas 3 empates e 21 pontos de diferença com o Benfica sendo sua escolta. Aos 32 anos, o Português levantou a Taça UEFA e se tornou o mais jovem treinador a vencer uma competição europeia.

Depois de uma temporada perfeita com o FC Porto, Roman Abramovich não hesitou em pagar a cláusula de rescisão do seu contrato (15 milhões de euros) e colocado no comando do Chelsea, um dos maiores clubes da Inglaterra, onde há uma grande pressão para ganhar títulos. O Português é muito claro, e sabe que é a equipe certa para implementar uma filosofia agressiva de jogar. “Você não pode escapar o sucesso”, disse ele em uma entrevista com seu novo clube.

Por que o Milan tem sofrido para vencer?

Texto de: Romário Henderson

O Milan jogou no Estádio San Siro nas duas últimas partidas da Série A. Na primeira delas, suou para empatar com a organizada e perigosa equipe da Udinese, que vai brigar, no mínimo, por uma vaga na Champions League, pois o técnico Francesco Guidolin vem fazendo um bom trabalho, armando seu time no 3-5-1-1, com o brasileiro Danilo, ex-Palmeiras na sobra dentre os zagueiros, liberando os laterais, com Pablo Armero como meia pela esquerda, Asamoah Kwadwo pela direita e o veterano e ágil Antonio Di Natale no ataque.

Depois, o rossonero enfrentou o Cesena, e venceu no sufoco por 1×0, sem se apresentar bem. Por que o atual campeão italiano neste início da Liga Nacional tem encontrado dificuldades para engrenar?

Romário não gosta das formações de Allegri (Reuters)

Em minha opinião, a formação escolhida pelo técnico Massimiliano Alegri, o 4-3-1-2, e a presença de alguns jogadores como Abate e Nocerino, além da ausência do sueco Zlatan Ibramovich, explicam tal situação. Por que atuar somente com Seedorf na armação? Por que improvisar Zambrotta na lateral esquerda sendo que há um lateral esquerdo de ofício e qualidade como Taiwo? Deveria sacar Abate e colocar o nigeriano, deslocando Gianluca Zambrotta para a direita, sua posição de origem.

Na linha de três, questiono a presença de Nocerino, que tem sido ineficiente na marcação e impreciso na transição. Seria conveniente atuar com apenas dois volantes: Van Bommel e Aquilani; dois meias: Seedorf e Emmanuelson; e dois atacantes: Cassano e Inzaghi.

Eu optaria pelo 4-2-2-2, um time mais leve, onde teria um ala esquerdo que apóia com freqüência, dois volantes eficazes na marcação, sobretudo o holandês, e Aquilani com certa liberdade para sair para o jogo. À frente, Seedorf teria a companhia de Emmanuelson para dividir a responsabilidade da armação, além de Antonio Cassano, que tem muita mobilidade e daria opção aos meias. E, claro, Pippo Inzaghi como referência, prendendo os zagueiros. O ídolo da torcida do Milan, após voltar de lesão, encontra-se clínica e fisicamente bem, portanto, deveria ocupar uma vaga no time titular.

André Villas-Boas tomou uma atitude em relação o mal futebol de Lampard (Reuters)

Villas-Boas faz o que Ancelotti não fez – São poucos os técnicos que barram atletas renomados, quando estes estão mal. No Chelsea, o meia Frank James Lampard, desde a temporada passada, vem tendo atuações reticentes, no entanto, nunca foi sacado por Carlo Ancelotti, certamente por ter uma história nos blues e presença freqüente na Seleção Inglesa. O português Villas-Boas pensa diferente para a escalação de um jogador. Crê que o nome não ganha jogo, e que é necessário ser produtivo, e não inoperante como Lampard. O jovem e competente treinador sacou Frank no intervalo do jogo contra o Manchester United, quando uma vez mais o inglês era peça nula, literalmente apagado. De acordo com relatos da imprensa inglesa, já há um clima desconfortável do jogador com o treinador.

Ferguson quer Wesley Sneijder

Texto de: Romário Henderson

Sneijder está indeciso sobre seu futuro

Com a aposentadoria do elegante Paul Scholes na última temporada, o Manchester United até agora assinou com o goleiro De Gea, o zagueiro Phil Jones e o meia-atacante Ashley Young, e o manager quer fechar com um meia armador, e sugeriu o holandês Sneijder, que afirmou estar feliz na Inter, mas que tudo poderia acontecer.

A necessidade de uma meia para jogar centralizado é evidente. Ferguson, que adota diversas formações, tem em mente o 4-3-1-2, com Sneijder sendo o “1” da formação, incumbido de ser a cabeça pensante dos diabos vermelhos, atuais campeões da Premier League.

Sneijder tem o bom chute como grande característica

A multa rescisória de Sneijder é de 35 milhões de euros, e seu salário semanal gira em torno de 250.000,00 euros. Maximo Moratti, presidente da Inter, admitiu que o clube não está nadando em dinheiro e, inclusive, iria propor uma redução salarial ao holandês, situação na qual poderia constranger Sneijder, obrigando-o a procurar outro clube.

Se o Manchester United conseguir contratá-lo, não tenho dúvidas que será uma belíssima aquisição, já que Sneijder é bastante técnico, disciplinado taticamente e exímio nas bolas paradas. Coordenar o meio-campo dos diabos não seria tão dificultoso, pois estaria jogando à frente de Carrick, Flechter e Anderson, atletas de ótima qualidade de passe e de chegada; e atrás de Rooney e Hernandez, dois jogadores que se movimentam bastante, tanto abrindo espaço para sua infiltração quanto se projetando para receber o passe.

Hulk quer o Chelsea-> Embora tenha acabado de renovar contrato com o Porto, que aproveitou para aumentar consideravelmente sua multa rescisória para 100 milhões de euros, o brasileiro Hulk mostrou-se interessado numa possível ida para o Chelsea. “Se Abramovich chegar com o dinheiro, seria positivo para o Porto FC”, explicou Hulk. André Villas-Boas, técnico dos Blues, quer fazer o que José Mourinho fez em sua vinda para o clube londrino. Na oportunidade, Mourinho levou Ricardo Carvalho, Paulo Ferreira e Tiago. Villas-Boas está interessado em Hulk, João Moutinho e Falcão

Gastança desenfreada bastará?

Após algum tempinho sem colunistas, o Europa Football finalmente terá um cidadão para compartilhar seus conhecimentos sobre futebol europeu. Romário Henderson chega pra vestir a camisa 11 do blog!


Texto de: Romário Henderson

Fortuna madridista

Não é de hoje que o Real Madrid é um clube que faz altíssimos investimentos. A base nem sempre é aproveitada. Eu comparo o clube merengue à charmosa escuderia Ferrari: duas potências no esporte que investem nos melhores do mundo, preterindo valores formados na base, ou seja, optam pela experiência e rodagem aos inexperientes.

Nem sempre os gastos, às vezes excessivos, ajudam o clube a almejar os objetivos. Falando mais recentemente, a partir de 2002, quando Florentino Perez era presidente do Real, uma super equipe foi montada. No elenco, atletas como, por exemplo, Roberto Carlos, Beckham, Figo, Zidane e Ronaldo. Bem, em tese, o favoritismo dos galácticos era evidente em qualquer competição que disputasse.

No futebol, as teorias costumam blefar, pois o que vale mesmo são os resultados, e eles não vieram como Florentino Perez e, sobretudo, os “aficcionados” madridistas esperavam. Os gastos são recuperados com vendas dos produtos oficiais do clube, mas as façanhas, depois de perdidas, são irrecuperáveis.

Para a temporada 2011/2012, a gastança está desenfreada. Nuri Sahin, Altintop e Fábio Coentrão são alguns exemplos. O último, inclusive, foi comprado por 30 milhões de euros. Será que um lateral, por mais ótimo que seja, vale tudo isso? O que Florentino Perez quer de fato é a conquista da Champions League, coisa que não veio em sua primeira passagem. E, claro, brecar a hegemonia catalã nos últimos anos.

Alexis Sanchéz foi apresentado nesta segunda no Barcelona

Barça fora dos trilhos-> Todos sabem que o Barcelona forma seus atletas para chegarem ao time profissional prontos. Não é à toa que na equipe titular, apenas três não foram revelados pelo clube. Curiosamente, após a venda de Bojan, invés de buscar uma “jóia” na base para reposição, os catalães optaram em trazer alguém de fora. O chileno Alexis Sanchez foi contratado junto a Udinese. E outro que pode pintar é Fábregas, proveniente do Arsenal. Fora dos trilhos momentaneamente ou de vez?

Villas-Boas tem missão dura-> Desde que comprou os blues em 2003, Roman Abramovich ainda não pôde saborear um título de Champions. Chegou perto em 2008. O técnico contratado, André Villas-Boas, após fazer ótima temporada com o Porto, terá que provar que, de fato, é um promissor treinador. O elenco do Chelsea é reduzido e envelhecido. Não adianta vencer a Premier League e/ou a Copa da Inglaterra. É imprescindível a conquista da Champions. Com essa equipe, o jovem treinador terá que se desdobrar e levantar a linda taça, que, diga-se, é o sonho de consumo do bilionário russo.

Os trunfos de Porto e Braga

Todo time seus trunfos. Sejam eles grandes ou pequenos. Mas numa final de campeonato, esses trunfos acabam sendo mais valorizados. Então, aproveito eu para destacar os pontos positivos de Porto e Braga, que farão hoje em Dublin, a final da Uefa Europa League.

PORTO

O Porto tem muitos pontos positivos, já que é um grande time. Começamos no banco de reservas, com o técnico André Villas-Boas. Os Dragões são apenas o seu segundo time como treinador. Aliás, com 33 anos, Villas-Boas pode se tornar o técnico mais jovem a levantar um troféu da Uefa. Mas o Porto chegou longe muito graças a sua “experiência”, acredite se quiser. Com a experiência de um rapaz de 33 anos, o time português tem conseguido fazar essa maravilhosa temporada. É que Villas-Boas foi durante muito tempo um dos assistentes de José Mourinho. Com ele, aprendeu a formar um time sólido defensivamente e que no ataque não costuma ter perdão e aproveita as chances que tem. Basicamente é o assim que joga o Porto.

Falcão-Hulk: Dupla letal

A defesa é muito firme, comete poucos deslizes e no Campeonato Português sofreu apenas 16 gols, ou seja, um turno inteiro e mais um jogo. O meio campo e o ataque são formados por três jogadores em cada setor. E todos eles tem características diferentes, o que faz esses setores serem bem consistente. Fernando é o volante mais marcador e que tem a função de proteger a zaga, João Moutinho tem um toque de mais classe, enquanto Guarín é mais forte fisicamente, marcando com vigor e saindo com eficiência pro ataque, sempre apresentando bons chutes de longe. No ataque, Hulk é habilidoso, sabe driblar, mas por ser canhoto e jogar na direita, acaba sempre forçando o drible para seu ‘pé bom’ para conseguir ângulo para a finalização. Varela, que joga no lado oposto, é mais veloz e sempre procura a linha de fundo. Falcão García está lá basicamente para empurrar a bola pra dentro, mas sabe atuar fora da área e tem muitos recursos técnicos.

Acredito que Guarín e Falcão possam decidir

Quem pode decidir à favor do Porto, em minha visão são os colombianos Guarín e Falcão. O primeiro, demorou a engrenar na temporada e durante bom tempo foi reserva de Belluschi, mas com boas atuações, sempre usando bem suas características, – que destaquei acima – acabou se tornando peça chave do meio campo portista. Já Falcão tem feito uma temporada espetacular. É artilheiro da Europa League e titular absoluto do ataque do Porto. Esse jogo tem a cara dos dois. Guarín é o ponto de equilíbrio do meio campo de seu time e uma má atuação do colombiano pode resultar no descontrole do time e perda da consistência no meio campo, enquanto Falcão é o cara que transforma as bolas ruins em gol e num jogo que tem tudo para ser nervoso, essa característica pode ajudar muito.

Claro, não posso esquecer de Hulk, principal jogador do Porto nesta temporada, mas também não posso esquecer que o ponto forte do Braga é a sua defesa, ou seja, Domingos Paciência deve armar algo que possa neutralizar os drbiles e chutes de Hulk, além das investidas na linha de fundo de Varela. Então continuo achando que Guarín e Falcão podem ser mais decisivos do que Hulk. Pelo menos hoje!

Provável time do Porto: Hélton; Sapunaru, Rolando, Otamendi e Álvaro Pereira; Fernando, João Moutinho e Guarín; Falcão, Hulk e Varela (4-3-3). Técnico: André Villas-Boas

BRAGA

Não dá para dizer que o Braga não tem méritos de chegar a final da Europa League, mas o fato é que o pequeno time do norte de Portugal não chegou a final do mesmo modo do Porto. Os Dragões passaram por cima de times que impõem respeito, como Spartak, Sevilla e Villarreal, já o Braga, até passou por adversários complicados, como Dynamo de Kiev, Liverpool e Benfica, mas sempre com o regulamento debaixo do braço. Mas não muda o fato do time ter muitos méritos em chegar a final.

Domingos Paciência comandando o Braga em seu auge

É estratégia de Domingos Paciência fazer com que seu time conquiste o resultado da forma apertada. O elenco é limitado e as centenas de brasileiros que há no elenco do Braga – 11 no total – não são da melhor categoria. Difícil imaginar jogadores como Alan, Leandro Salino e Lima sendo titulares em times brasileiros, por exemplo, mas são grandes peças do Braga. Sabendo dessa limitação, Paciência montou um forte sistema defensivo, que na Europa League sofre gols no esquema ‘jogo sim, jogo não’ e na maioria das vezes, sofre gol nos jogos que pode sofrer, geralmente nas partidas de ida. Não é à toa que o Braga sofreu somente 4 gols na Liga Europa inteira, – claro, levando em conta que o time entrou no meio do torneio – só Ajax, Rangers, Liverpool, Basel e Rubin Kazan conseguiram números identicos na competição.

Em contrapartida, o ataque não é lá dos melhores. Foram só 6 gols anotados, além de 28 arremates no torneio, não são números tão bons. Além do artilheiro da equipe ser Alan, com 2 gols em 8 jogos. Mas como já repeti diversas vezes: o Braga é um time que joga com o regulamento debaixo do braço e joga de acordo com o tamanho de sua história, joga de forma pequena. Isso não é pecado muito menos proibido, é até certo. É um time limitado, que conhece esse limite e joga nessa margem.

Será que agora o ataque funciona?

O ataque do Braga não é dos mais confiáveis. Lima, Alan e algumas vezes Meyong ou até Paulo César, não chegam aos pés de Hulk, Falcão e Varela, mas que mesmo assim, tem sua dose de importância. No duelo contra o Benfica, por exemplo, Meyong e Alan se posicionaram bem abertos nos flancos, evitando as subidas dos laterais Encarnados. Esse foi um dos fatores que ocasionou na classificação do Braga.

Para este blogueiro, o grande trunfo do Braga é a sua defesa, que é muito bem armada e irá encontrar um ataque que além de também ser bem armado, é forte técnica e fisicamente. Se os Arsenalistas saírem na frente do marcador, dificilmente perderão a partida. Isso foi muito lembrado pelo pessoal do Porto e pela imprensa. E é verdade. O Braga abre o placar e se retrai um pouco mais. Não chega a armar um retranca, mas arregala os dois olhos, prestando mais atenção na marcação.

Entendo eu, que se a defesa do Braga não estiver num bom dia, as chances do Porto ser campeão, que já são grandes, aumenta de forma explosiva. A defesa do Braga é a chave do sucesso do time!

Provável time do Braga: Artur; Miguel García, Alberto Rodríguez, Paulão e Sílvio; Custódio, Hugo Viana, Leandro Salino e Vandinho; Alan e Lima (4-3-1-2). Técnico: Domingos Paciência

A final da nova geração de treinadores

A nova geração de 'pofexores'

A final da Europa League, que será disputada amanhã, em Dublin, não representa apenas um jogo entre dois times portugueses, ou entre Davi e Golias, – já que o Porto é um gigante europeu, enquanto o Braga é um time pequeno – mas representa também o auge de uma provável nova era no futebol português: a era dos técnicos!

O técnico do Porto, André Villas-Boas tem somente 33 anos e esse é somente o segundo time que comanda, enquanto Domingos Paciência, comandante do Braga tem 42 anos e já está em sua 3ª experiência como treinador. Os dois novatos são um dos grandes responsáveis pelo sucesso de suas equipes, com seus novos pensamentos e novos estilos de jogo.

Mas os grandes clubes portugueses sempre se notabilizaram por trazerem técnicos de fora para treiná-los. Para servir de exemplo, o técnico que comandou o Porto em seu primeiro título como clube profissional, foi o francês Adolphe Cassaigne, que ficou quase vinte anos no cargo de treinador do clube. O primeiro treinador português do Porto – primeiro que não foi interino – foi Carlos Nunes, na temporada 1947/48 e o primeiro técnico português a conquistar um título pelos Dragões foi José Maria Pedroto, na temporada 1967/68.

Mas não custa lembrar que eram portugueses os técnicos do Porto nas temporadas em que conquistaram a Europa. Na temporada 1986/87, Artur Jorge era o comandante, enquanto mais recentemente, na temporada 2003/04, José Mourinho treinava o time do Porto.

Ainda em Portugal, podemos citar outros exemplos, como Béla Guttman, húngaro que foi bicampeão europeu no comando do Benfica. É mania, ou vício. Difícil de perder. Basta ver o Sporting, que está em uma grave crise e recentemente teve uma eleição para presidente e cada um deles prometia um técnico diferente e todos de fora de Portugal.

Mas olhando a história de André-Villas Boas e Domingos Paciência, percebemos que o roteiro de ambos estão coincidindo

Villas-Boas: novo Mourinho... ou novo Bobby Robson? Ou simplesmente "Villas-Boas"?

André Villas-Boas morava no mesmo prédio do histórico técnico Bobby Robson, que na época treinava o Porto. O garoto, na época com 17 anos, era maluco pelo game Championship Manager, que é um jogo onde você administra um clube e assim, Villas-Boas treinava seus times e sempre enchia Robson com maneiras de escalar o Porto. Em 1994, o ídolo de André Villas-Boas era justamente… Domingos Paciência, atacante do Porto, então, ele vivia enchendo a paciência de Robson, mostrando vários modos de escalar o time com Domingos Paciência de titular. Villas-Boas encomodou tanto, que o treinador o ajudou a conseguir o certificado de treinador.

Villas-Boas conseguiu trabalhar nas categorias de base do Porto, mas logo foi parar nas Ilhas Virgens, sendo coordenador técnico e mais tarde, treinador da seleção local. Por indicação de Bobby Robson, José Mourinho aceitou colocar Villas-Boas em sua comissão técnica, na época, no Porto. André era um olheiro. Viajava para acompanhar os adversários e passava as informações para Mourinho. Ambos seguiram juntos para o Chelsea e mais tarde a Inter, mas no meio do caminho, André Villas-Boas decidiu trocar o time que conquistaria a Europa pela Académica, lanterna do Campeonato Português. Ao que tudo indica, deve ter havido uma briga entre André e Mourinho, já que o atual técnico do Porto não gosta muito do rótulo de “novo Mourinho”.

André Villas-Boas chegou ao Porto no dia 2 de junho de 2010. Chegou também cercado de desconfianças. O Porto, que almejava voltar ao trono de campeão português, preferiu apostar num garoto inexperiente, ao invés de um “macaco velho”.

Esquema Tático do Porto

Villas-Boas armou o Porto durante a temporada inteira no 4-3-3. Hélton no gol, Fucile na direita e Álvaro Pereira na esquerda são os laterais, que sobem de forma alternada, mas eficiente. Otamendi e Rolando formam uma vigorosa dupla de zaga. No meio campo, posicionamente básico. Fernando fica plantado na frente da zaga e sai pro jogo com os tradicionais toques de lado. João Moutinho arma o jogo pela esquerda, enquanto Guarín, pela direita, marca bem, mas tem como grande característica a forte chegada ao ataque e apresentando um potente chute de fora da área. No ataque, Hulk joga aberto pela direita e Varela pela esquerda e por terem características diferentes, acabam se completando. O brasileiro é canhoto, por isso usa muitas vezes o artifício de cortar pro pé bom, e tendo mais ângulo, finaliza. Já o português procura mais a linha de fundo, sempre arranjando cruzamentos para o centro-avante Falcão, que sabe trabalhar fora da área e sabe também transformar uma bola ruim em gol. Não à toa é o artilheiro da Europa League.

Esse é o Porto, que comandado por um treinador novo, com uma visão jovial do que é o futebol, conseguiu já o título invicto do Campeonato Português, segunda vez na história que isso acontece e não foi por acaso. Mostrando o equilíbrio do time, basta ver os números do time no campeonato nacional: o Porto teve a melhor defesa, tendo sofrido somente 16 gols, mas teve o melhor ataque, anotando 73 gols e ainda tendo o artilheiro da competição, Hulk com 23 gols.

Ídolo do Porto, Paciência pode frustrar seus fãs

Domingos Paciência, mesmo sendo treinador do Braga, é ídolo da torcida do Porto. Isso porque ele fez 263 jogos com a camisa portista e anotou 106 gols. Sua carreira como treinador se iniciou lá. Paciência começou treinando os times de base e posteriormente o time B do Porto, até se aventurar no União de Leiria, onde na temporada 2006/07, levou o time até a 7ª colocação. 7ª colocação foi também o feito que Domingos Paciência conseguiu no comando da Acadêmica, posição histórica pro clube.

Mais um fato curioso entre os dois treinadores é que quem assumiu a Acadêmica na temporada seguinte – mesmo não sendo logo na sequência de Paciência – foi André Villas-Boas.

Até que na temporada 2009/10, Domingos Paciência chegava ao Braga para substituir Jorge Jesus e logo em sua primeira temporada, levou o pequeno time do norte de Portugal ao inédito 2º lugar no Campeonato Português.

Na atual temporada, o Braga conseguiu eliminar os calejados Celtic e Sevilla nas fases prévias da Champions League e entrar na fase de grupos da competição. Por um pouquinho o time português não aparecia nos mata-matas do torneio, acabou ficando com a Europa League e chegando a essa final histórica.

Domingos Paciência não têm um time fixo. Sempre varia o time, dependendo do jogo, mas tem sim suas peças de confiança, como o goleiro Artur, que barrou o (supervalorizado) atual goleiro do Flamengo, Felipe, e sua forte zaga, que geralmente é formada por Miguel Garcia, Paulão, Rodríguez e Sílvio. Aliás, o pessoal do Porto levantou uma bola com a qual eu concordo: “Se o Braga sair na frente, ficará difícil reverter”. E é verdade! Os tradicionais Benfica e Liverpool que o digam.

Domingos Paciência vs André Villas-Boas

Em todas as fases da Europa League que o Braga jogou, a classificação veio da forma básica. Contra o Lech, eles perderam na ida por 1×0, fizeram 2×0 na volta; contra o Liverpool, 1×0 em casa e 0x0 no Anfield; contra o Dynamo, 1×1 na Ucrânia e 0x0 na volta; e contra o Benfica, derrota por 2×1 fora de casa e 1×0 em casa. Ou seja, é um time que trabalha com o resultado e sabendo de suas limitações, joga no limite, faz o resultado e se resguarda para ver no que dá!

Esse é somente mais um fator que transforma Braga vs Porto em um (provável) grande jogo. É sempre legal ver uma nova geração no futebol. Ora vemos novas gerações de torcedores, de jogadores, de estádios, de organizações e agora de treinadores. No Brasil tem surgido alguns novos treinadores, mas como entendo eu que essa posição seja muito ingrata, – pois só agrada quem vence a curto prazo – seus trabalhos acabam sendo diminuídos, mas Portugal tem conseguido uma nova safra de comandantes. Será muito bom pro povo português se esses novos treinadores possam além de render frutos aos clubes portugueses, possam também render frutos a Seleção de Portugal, que anda meio mal das pernas e como os clubes, tem feito sucesso com treinadores estrangeiros.