Le Podcast du Foot #76 | O futuro de Wenger

A era Arsène Wenger no Arsenal está prestes a se encerrar. Depois de 22 anos vitoriosos na Inglaterra, ele comunicou a saída dos Gunners ao término da temporada e agora a pergunta que não quer calar: qual o futuro do francês?

As primeiras especulações já o colocam como alvo do Paris Saint-Germain para ocupar um cargo na direção do clube. Mas há quem diga que Wenger possa ficar na espreita para assumir a seleção francesa.

Projetando essas possibilidades, Eduardo Madeira, Filipe Papini e Flávio Botelho se reuniram em Le Podcast du Foot #78. Dá para imaginar um retorno para a França? Técnico ou dirigente? Volta ao Monaco? Ida para PSG, Lyon? Nossos debatedores brincaram com algumas dessas opções.

Ouça abaixo o programa:

*PS: Perdão pelo ato falho do apresentador, que citou algumas vezes que era a edição 78, e não a 76;

 

Trauma superado… pelo menos por uma noite

Ibra e Robinho deixam o Milan com os dois pés na próxima fase (Dpa)

Zlatan Ibrahimovic e Robinho: estão aí dois jogadores que nós poderíamos chamar de “pipoqueiros” em disputas de UEFA Champions League.

O sueco é campeão das ligas nacionais que disputa desde 2004. E isso não é mero acaso, já que Ibracadabra foi peça chave na maioria destas conquistas. Porém, quando o assunto se expandia para o continente, ele se tornava um mero coadjuvante, quando um “algo mais” era esperado.

Robinho é outro. Postulante a craque, o brasileiro veio cedo para o futebol europeu e mostrou não estar pronto para tal desafio. Fez figuração em Real Madrid e Manchester City quando era apontado como estrela. Pelos Merengues, disputou a Champions League por mais de uma oportunidade e não vingou. Após passagem pelo futebol brasileiro, o “pequeno Róbson” retornou ao velho continente, desta vez para o Milan, mas em sua primeira temporada na Bota, também fracassou na UCL.

Como citei no post onde analisei os confrontos das oitavas-de-final da Champions, era a hora de Ibrahimovic mostrar para que veio ao mundo do futebol e mostrar no torneio de maior importância o motivo de receber tanta fama e elogios. Não englobei Robinho nesta lista. É fato que no Milan ele cresceu demais. O brasileiro achou seu posicionamento ideal – segundo atacante, no máximo um meia e não como um winger, como jogava na Inglaterra, muito distante da área -, passou a ser peça de confiança de Massimiliano Allegri, mas como ajudante e não como estrela, algo que seu início fantástico no Santos sugeria, por isso não o citei na então relação.

No jogo de ida contra o Arsenal pelas oitavas-de-final da Champions League, Ibra e Robinho parecem ter superado o trauma de disputar a estrelada competição. A esmagadora goleada por 4×0 sobre os londrinos deve ser colocada muito na conta da dupla, que soube aproveitar muito bem a fraca marcação no meio campo e a desajustada defesa Gunner.

Será que agora, Ibra justifica na UCL toda sua fama? (acmilan.com)

Zlatan Ibrahimovic também comprovou hoje não merecer mais a fama de “egoísta” que adquiriu através de sua carreira. O sueco, conhecido pelos vários gols e algumas obras primas, tem se notabilizado na atual temporada pelas assistências. Seja seu parceiro de ataque Pato ou Robinho, ele tem se entendido bem com o companheiro, seja quem for. A prova disso foi o segundo gol contra o Arsenal, quando Ibra criou a jogada na ponta direita e fez o passe para Robinho completar em gol como um centro-avante.

O sueco ainda distribuiu bem o jogo, criou algumas chances de gol, construiu a jogada do terceiro tento milanista – o segundo de Robinho -, conseguiu um pênalti e o converteu. Ibracadabra deu um show! Comandou o Milan nesta estupenda vitória sobre o Arsenal e mostrou que talvez tenha superado o trauma da Champions.

Agora falamos de Robinho…

O brasileiro não teve uma brilhante atuação como Ibrahimovic. Na primeira etapa, por exemplo, o camisa 70 abusava de errar passes. No 2º tempo, esses números diminuíram, graças a exposição dos ingleses, que precisavam de qualquer maneira diminuir a desvantagem.

Só que Robinho foi decisivo. É isso que se espera de um craque! Ele não é isso, mas quando surgiu para o futebol, esperava ser craque e demonstrou que poderia ser sim! Hoje, como um simples “operário”, o brasileiro vai encontrando seu caminho e mostrou que pode ser mais ao mostrar sua capacidade de decisão. Robinho anotou dois gols e por isso foi um dos grandes jogadores em campo.

Se os dois superaram o trauma da Champions definitivamente é outra história, mas que tanto Ibrahimovic quanto Robinho, deram uma demonstração de que esse problema pode ser passageiro, isso é inegável.

NÃO PENSEM QUE FORAM SÓ OS DOIS

Anteriormente, disse que a categórica vitória milanista – usei quantos adjetivos diferentes para descrever este resultado? – teve grande responsabilidade dos dois jogadores supracitados nos parágrafos anteriores. Mas não pensem que Ibra e Robinho carregaram o Milan nas costas, porque não foi bem assim.

Na defesa, muita solidez e o principal, Thiago Silva monstrando o porque de ser chamado de “Monstro”. O brasileiro teve um momento de instabilidade no 2º tempo, porém, foi perfeito em 90% da partida. Abbiati não foi muito acionado, mas quando precisou trabalhar, foi impecável. O arqueiro de 34 anos vai me provando que “goleiro bom é goleiro velho”. Incrível como jogadores desta posição acabam se tornando mais seguros com o passar dos anos!

Boateng abriu o placar com este petardo de direita (Dpa)

No meio-campo, a marcação não era das mais fortes, mas bem encaixada, o que dificultou o desenvolvimento do jogo do Arsenal. E o Milan ainda teve Prince Boateng em uma boa jornada, tendo marcado um belo gol. Admito que o ganês tem me surpreendido a cada partida que passa. Sempre achei ele voluntarioso, esforçado, mas que não era nada disso. Porém, nesta temporada, Prince tem sido decisivo, vem marcando golaços e tem grande entrosamento com os atacantes.

Allegri, outro cobrado por mim para tomar uma atitude e tentar achar novas alternativas para o imutável 4-3-1-2, chegou a deixar o Milan atuando com duas linhas de quatro, tudo para marcar bem as investidas de Chamberlain pela direita.

Sobre o Arsenal, pouco a se dizer. Um primeiro tempo completamente desligado, os Gunners pareciam em uma sintonia diferente do Milan. Na etapa final, com a vaca se dirigindo pro brejo, a coisa foi mais desanimadora. Até Henry, que entrara para fazer sua última partida em seu retorno ao futebol inglês, pouco fez.

A nota negativa vai pra Wenger, que a meu ver, errou ao não colocar Chamberlain desde o início ou então no intervalo. O garoto vive fase muito melhor do que Theo Walcott, que pouco tocou na bola.

NOS OUTROS JOGOS

Na terça-feira, o Barcelona demonstrou sua força, mas também a instabilidade que tem sido característico em jogos recentes. Com 1×0 de vantagem, os catalães chegaram a ceder o empate e  quase sofreram a virada do Leverkusen. O 3×1 representou bem o jogo, embora o time alemão tenha feito um jogo corajoso e explorando bastante uma das fraquezas do Barça, as bolas longas. Tanto defesa-ataque quanto bolas alçadas na área, é duro dos comandados de Guardiola vencerem uma.

Menção honrosa para Robin Dutt, que outrora criticado por este blogueiro de “medroso” e coisas do tipo, ousou contra o time blaugrana e mesmo com poucas peças ofensivas no banco – vide aos inúmeros desfalques – fez um jogo corajoso. Dutt ganhou pontos comigo depois deste duelo.

Já o Lyon decepcionou. Não consegui acompanhar a peleja, mas relatos de alguns amigos que assistiram era de que o jogo foi horrível. Na etapa inicial, o OL teve o famoso “domínio estéril”, mas mesmo finalizando bastante – foram 13 tiros -, não conseguia ameaçar a meta do APOEL. O gol de Lacazette foi de méritos totais do jovem, que vinha sendo o grande nome do Lyon na peleja.

Placar magro, hein Garde! (olweb.fr)

Assim como previ no último post, Garde foi medroso. Começou com Gomis no banco e não colocou o atacante durante a partida. Para completar, fez somente duas alterações, todas “seis por meia dúzia”. Segundo o site da UEFA, o APOEL teve 37% de posse de bola e finalizou somente uma vez. Custava soltar o time e ir pra cima, Garde? O Lyon pode pagar um preço caro por isso!

Para fechar, falo do disputado jogo na gelada St. Petersburgo. A partida não primou pela técnica e por isso venceu quem menos errou. A zaga do Benfica falhou em três oportunidades cruciais – posicionamento, afobação, erros técnicos e por aí vai – e tomou três gols do Zenit. Já os russos erraram somente duas vezes… Deixa eu corrigir a frase: o goleiro Zhevnov errou duas vezes. O substituto do contundido e titular absoluto Malafeev largou bolas fáceis nos dois gols portugueses.

Assim como nos dois tópicos anteriores, destacarei um técnico, desta vez, Luciano Spalletti. O italiano colocou Semak e Bystrov. Pois é, Bystrov deu a assistência para Semak marcar um gol de calcanhar. Mandou bem ou não? Não há dúvidas da resposta correta!

Até!

Bastou uma bola

Desfalcado por causa da CAN, Wenger teve de ir atrás de um velho ídolo (Arsenal.com)

Era quinta-feira à noite e de férias, estava de bobeira. Eis que recebo a escala de transmissões da Futebol Plus. Nesta escala, sou convocado para a transmissão de Arsenal e Leeds United pela Copa da Inglaterra, juntamente com os bravíssimos Felipe Silva e Thiago Ienco. Logo bateu aquela ansiedade para a partida. E o motivo era único, Thierry Henry.

Sua contratação ainda não havia sido oficializada, mas todos já davam como certo seu retorno. O próprio Arsene Wenger, técnico do Arsenal, já mostrava otimismo para com a vinda do eterno ídolo Gunner.

Não sou torcedor do Arsenal – aliás, não torço pra ninguém na Inglaterra – mas nunca neguei a ninguém a minha paixão pelo futebol francês. Isso não ficou preso somente aos clubes franceses e se estendeu também para a seleção francesa. Por isso virei um admirador do futebol de Henry. Com 51 gols, ele é o maior artilheiro da história de Les Bleus, com dez gols à mais que Michel Platini e vinte em relação a Zinedine Zidane. Sem falar que The King é o segundo jogador que mais atuou com a camisa francesa, 123 jogos.

O fato de ser símbolo do Arsenal na última década se tornou a cereja do bolo.

Chegava sexta-feira e o que todos já sabiam, apenas se concretizou. Henry retornara ao Arsenal por dois meses!

E lá estava eu catando notícias e informações importantes para comentar a peleja. No então jogo, teria de cobrir o Arsenal e não dava outra: só se falava em Henry. A cada dez notícias no site Gunner, oito eram sobre o francês. Poderiam ser as palavras do francês, de Wenger, de qualquer outro jogador ou até do porteiro do clube… Só se falava de Henry!

Parecia que nos lados londrinos, se importavam mais com a presença do francês no duelo contra o Leeds do que propriamente com a partida. Apenas o time adversário estava ligado no jogo. Como manda o figurino dos visitantes, The Whites jogaram fechados – pra não dizer retrancados – e ficaram esperando “uma bola” pra decidir.

Já os jovens Gunners  pareciam agoniados em campo. Não encontravam espaços e sempre paravam na barreira adversária. A sensação era de que eles queriam provar que poderiam vencer a partida sem Henry. Mas não dava! O atacante era Chamakh e não Henry. O marroquino foi decisivo em seus tempos de Bordeaux, mas contava com Gourcuff em grande forma – evento único -, por isso, recebia diversas “bolas redondas”. Nos Gunners, tinha de se virar com bolas nem tão “arredondadas” e mostra não ser um grande atacante.

Henry iniciou no banco de reservas, assim como o poupado Walcott (Arsenal.com)

Enquanto o Arsenal penava para furar a firme defesa do Leeds, Henry estava lá, quietinho no banco, só esperando a sua vez. Uma hora não teve jeito, ele precisou ser chamado por Wenger. O frisson foi de outro mundo. Era nele que a torcida do Arsenal depositava a sua confiança de dias melhores. Não era em Chamakh, Arshavin, Ramsey ou qualquer outro, nenhum deles chegava aos pés de Henry.

67 minutos! Este foi o tempo que a torcida do Arsenal precisou esperar para ir ao delírio. Exatamente no minuto 67, Henry entrara em campo no lugar do apagado Chamakh.

Bastou apenas uma bola pro francês tirar o grito de gol que estava entalado na garganta dos torcedores. Poucos mais de dez minutos em campo foram necessários para Henry receber uma bela bola de Song e mandar pras redes. Foi gol de artilheiro! O francês recebeu já com o corpo posicionado pro tiro colocado. Cabeça erguida, sem perder a bola e o goleiro de vista. Henry simplesmente ajeitou e bateu colocado, marcando o gol que colocou o Arsenal na fase seguinte da FA Cup.

Henry precisou somente de uma bola pra decidir o duelo (Arsenal.com)

Agora vestindo a 12 que lhe consagrou na Seleção da França, Henry proporcionou uma vibração nunca vista por torcedores do Arsenal no Emirates Stadium. Os Gunners estão carentes de títulos! Eles estão cansados de ver seu time bater um oponente direto na briga pelo título e cair diante de times pequenos. Henry trouxe essa alegria de volta!

Serão dois meses de pura nostalgia pro torcedor do Arsenal. Não é garantido que nesse período, Henry vá fazer gols à rodo e os Gunners irão iniciar uma arrancada rumo ao título inglês, mas à cada gol do francês, o torcedor do Arsenal vai se lembrar dos tempos em que Henry, Pirès, Vieira e Ljungberg eram uma das equipes mais poderosas do planeta.

Henry já deve ter pedido a força física, velocidade, arranque, talvez até um pouco da inteligência dentro de campo, mas o faro de gol… Ah, o faro de gol! Vai precisar acontecer um estrago daqueles pra ele perder isso.

Com a 12, Henry se consagrou na França, mas no Arsenal? Igualará seus feitos com a 14? (Arsenal.com)

Após o jogo, Henry deu entrevistas destacando o que sente pelo Arsenal. Não é força de expressão, a torcida o ama e ele os ama também. Henry não precisa fazer “coraçõeszinhos” pra demonstrar esse amor. Ele mostra isso voltando ao clube, se dedicando dentro de campo, marcando gols e se tornando cada vez mais um ídolo Gunner.

Sou fã de Henry. Um monstro! Um dos melhores atacantes que já vi. Cabe facilmente no top 5 da França na última década e talvez até no top 5 mundial do mesmo período. Habilidoso, inteligente, matador e decisivo. O Arsenal pode crescer com ele e van Persie, mas sempre ficará aquela pontinha de desconfiança: “até quando Henry aguenta?”. Dois meses me parece tempo suficiente pro francês dar aquele último gás na carreira. Se for notado que o agora camisa 12 pode aguentar mais, por que não insistir com o pessoal do NY Red Bulls pra liberá-lo por mais um tempo?

PS: O servidor nos derrotou e não conseguimos transmitir a partida pela Futebol Plus