Le Podcast du Foot #59 – Os franceses lá fora

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Foto: Reprodução

Le Podcast du Foot chega a sua edição #59 para falar das ambições das equipes da França em âmbito europeu. A fase de grupos da Uefa Champions League começa nas próximas semanas e os times franceses estão se preparando para fazer bonito. Paris Saint-Germain, Monaco e Lyon fazem as últimas contratações e os primeiros ajustes antes do debute em seus respectivos grupos.

O time da capital francesa, equipe mais forte do país, ficou no grupo A, ao lado de Arsenal, Basel e Ludogorets. O Lyon, vice-campeão francês na última temporada, caiu numa chave difícil, a H, ao lado de Juventus, Sevilla e Dínamo Zagreb. Já o time do Principado terá pela frente Bayer Leverkusen, Tottenham e CSKA Moscou, no grupo E.

Nesta edição, se reuniram Eduardo Madeira, Filipe Papini e Renato Gomes para analisar e projetar a participação francesa na Champions League. Além disso, demos uma palhinha do que pode acontecer na Liga Europa.

Clique abaixo e ouça o programa!

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Opostos… mas não tanto

Mais uma semana, mais jogos da Champions League. Assim como na última semana, volto aqui para mais uma prévia dos duelos que virão nesta semana. Leia abaixo o que espero dos quatro confrontos da semana.

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Um dos duelos mais equilibrados desta fase de oitavas-de-final da UEFA Champions League é entre Olympique de Marseille e Internazionale. Porém, a fase de ambas as equipes não traduz muito essa igualdade.

O time francês, que iniciou mal a temporada – o Marseille chegou a ficar na lanterna da Ligue 1 -, se ajeitou dentro das quatro linhas e não perde desde novembro. Já a esquadra italiana está com seu segundo comandante. Após os fracasso com Gasperini, Claudio Ranieri assumiu e parece tomar o mesmo caminho de seu antecessor. A Inter não vence a seis partidas e tem acumulado vexames, como as derrotas por 4×0 diante da Roma, 1×0 diante do Novara e 3×0 contra o Bologna – estes dois últimos em casa, com times da parte inferior da tabela da Série A. No momento, os Nerazzurris não iriam nem para a Liga Europa!

Loic Rémy será a grande ausência do duelo (Reuters)

Não enxergo nenhuma hipótese que coloque a Inter como favorita no duelo. O momento ruim e o péssimo futebol das últimas rodadas me fazem pensar assim. Em contrapartida, não considero o Marseille favorito.

O OM vem de dois decepcionantes empates na Ligue 1 e ainda perdeu Loic Rémy pro confronto. Um desfalque tremendo, já que o #11 do Marseille é o grande jogador do time na atual temporada.

Os últimos resultados e a lesão de Rémy podem não deixar o Marseille no mesmo patamar da Inter, mas não lhe dão uma vantagem considerável, algo que pelo menos pra mim, estava de acordo com a presença do artilheiro da equipe.

Mesmo assim, aposto em um 2×1 pro time francês e o duelo ficaria aberto para Milão.

FRANCOS FAVORITOS

O Real Madrid tem mais time, tem o brilhante José Mourinho, um craque como Cristiano Ronaldo… Enfim, há uma enorme lista de motivos que coloquem o time merengue como francos favoritos no duelo contra o CSKA.

A aposta do time russo, certamente é o frio. O CSKA tem até um time ajustado e contam com Doumbia em grande temporada, mas o fato é que o Campeonato Russo só irá reiniciar em março. Este importantíssimo duelo diante do Real Madrid será o primeiro do time em 2012.

Honda está de volta ao time (Reuters)

A boa nova do time russo fica por conta do retorno de Keisuke Honda. O japonês estava fora, contundido e ainda recebeu algumas propostas de transferência no final de janeiro, porém, permaneceu em Moscow.

Outro problema pode ser o ritmo de jogo. O Zenit, diante do Benfica, mostrou um pouco deste problema. Não atrapalhou tanto – até porque o time venceu por 3×2 -, mas claramente faltaram momentos de regularidade dentro da partida, o time de Spalletti declinou de ritmo várias vezes durante a partida. Isso deve ocorrer com o CSKA, e contra o Real Madrid tem tudo pra ser letal.

Detalhe: Malafeev, titular absoluto do Zenit, não pegou o Benfica por estar lesionado e Zhevnov, seu subtituto, falhou nos dois gols portugueses. Igor Akinfeev, titular do CSKA e da Seleção Russa, teve problemas no joelho ainda em agosto do ano passado e segue fora. Será que a história se repete?

Acho que os Merengues já definem o duelo na ida, 3×0.

TRADIÇÃO vs. OBSESSÃO

Napoli e Chelsea é outro duelo enroscado. Os italianos carregam nas costas a tradição vinda dos tempos de Maradona e Careca, além de terem eliminado na fase anterior, nada mais, nada menos que o poderoso Manchester City. Já o Chelsea se classificou na bacia das almas e com o momento não sendo dos melhores, a obsessão por conquistar a Champions League deve se tornar mais forte e eloquente na cabeça de atletas e torcedores.

É rede! (Reuters)

O Napoli vem crescendo na Série A. Não perde e não sofre gols a quatro partidas. A última derrota dos comandados de Mazzarri em San Paolo foi na metade de dezembro, quando tomou 3×1 da Roma. De lá pra cá, foram seis partidas, com quatro vitórias e dois empates. Honestamente, sempre gostei deste time do Napoli. Mazzarri coloca o time num esquema diferente – 3-4-3 – e dá certo, eles quase sempre jogam bem. E me chamam mais a atenção os três homens de frente: Edinson Cavani – autor de 16 gols nos últimos 18 jogos -, Ezequiel Lavezzi e Marek Hamsik. Se não é o melhor, está entre os cinco melhores trios da Itália!

Já o momento do Chelsea não é legal. Os Blues ainda não venceram em fevereiro e estão a quatro jogos sem vencer. Outro problema do time londrino são os empates. São sete em toda Premier League e seis deles vindo de dezembro pra cá. Menos mal que Drogba volta ao time – após Fernando Torres quebrar a marca dos 1000 minutos sem marcar gols -, mas não custa lembrar que o marfinense perdeu o pênalti mais importante de sua carreira na final da CAN, talvez ainda esteja abalado, vide o seu ótimo relacionamento com seu país.

Pobre Villas-Boas! Topou entrar em um desafio ambicioso e pode cair se o Chelsea não vingar na Champions. Roman Abramovic não tem paciência com os técnicos dos Blues e se não ver John Terry – que não deve jogar, assim como Cole – erguer a orelhuda, vai mandando “pofexô por pofexô” – aliás, Luxa está aí – embora!

Eu aposto em vitória do Napoli por 3×1.

CRÍTICAS COMO ADVERSÁRIO

O Bayern vive num turbilhão de emoções. Dos 15 pontos disputados em 2012, os bávaros conquistaram 8 e ainda eliminaram o Stuttgart da DFB Pokal. Números bons, concordam? Mas não para um time como o Bayern. Soberba? Talvez sim, mas se formos ver o contexto, o time bávaro foi ultrapassado por Dortmund e Gladbach na tabela de classificação da Bundesliga. Ou seja, os 8 pontos não foram tão bons assim…

Para completar, o time está jogando mal. Robben, criticado por todos os lados – inclusive por Beckembauer – agora é reserva. Müller segue sendo titular indiscutível, mas jogando uma bolinha murcha, enquanto Kroos e Ribéry não voltaram ao ritmo do final de 2011. As críticas são justas, mas estão pressionando demais o time, coisa que anda muito nítida nas últimas rodadas.

Todos de olho em Shaqiri (Reuters)

Já o Basel foi uma das grandes supresas da fase de grupos. A eliminação do Manchester United não foi mera sorte dos suíços. Thorsten Fink e mais tarde Heiko Vogel armaram um time consistente e tiveram méritos na classificação. Basta ver que em jogos oficiais, o Basel não perde desde agosto! Mas em contrapartida, vem de três empates consecutivos…

Mas todos os olhos estarão em cima de Xherdan Shaqiri, contratado pelo Bayern para a disputa da próxima temporada, mas que defende o Basel atualmente. É dificil saber qual será a reação do garoto de 20 anos, mas todos estarão de olho!

Após em Bayern 2×1.

O maior de todos!

A enquete recebeu mais de 13 mil votos e Hitzfeld ganhou com sobras (Reuters)

O portal do diário Bild fez uma enquete com seus leitores para eleger o maior técnico de todos os tempos da Bundesliga. Com 46% dos votos, Ottmar Hitzfeld, que ergueu a Salva de Prata em sete oportunidades foi o vencedor.

Nascido em Baden-Württemberg, terceiro maior estado alemão, Hitzfeld foi formado como jogador no TuS Stetten-Lörrach. Como profissional, atuou no FV Lörrach – digamos que é uma associação ao Stetten-Lörrach – antes de se transferir pro Basel em 71. Desde então sua carreira deslanchou, tendo passagens consistentes não só pelo Basel, mas também por Stuttgart, Lugano e Luzern.

Centro-avante azul e vermelho por quatro temporadas, Hitzfeld conquistou a artilharia do Campeonato Suíço em 1973, ao marcar 18 gols. Outro recorde interessante do ex-atacante foi na temporada 1976/77, quando o Stuttgart – na época, seu clube – venceu o SS Jahn Regensburg por 8×0 e Hitzfeld anotou 6 gols. Nenhum outro jogador conseguiu igualar este feito até hoje na história da segunda divisão alemã.

Na temporada 1982/83, Hitzfeld encerrara sua carreira de jogador atuando pelo Luzern. No mesmo ano, iniciara sua vida como técnico de futebol. Certamente, ele não imaginaria que faria tanto sucesso como fez e faz até hoje…

Em seu primeiro time e em sua temporada inicial, Ottmar Hitzfeld levou o pequenino FC Zug da segunda para a primeira divisão suíça. O sucesso foi tanto que o alemão migrou para o FC Aarau, tradicional time do país, mas que estava sem ganhar o campeonato nacional desde 1914.

Hitzfeld ficou no Aarau de 1984 até 1988, onde conquistou uma Copa da Suíça e levara o time para a Copa da Uefa.

De 88 até 91, o alemão deu um salto ainda maior na carreira, comandando o Grasshopper, um dos grandes clubes da Suíça. Após início de anos 80 avassalador, com três títulos em cinco temporadas, o então presidente Fritz Peter trouxe Hitzfeld para fazer o clube reerguer um troféu.

Título foi o que não faltou nesta época! Bi-campeão da Copa da Suíça – 1989 e 1990 – além de bi-campeão nacional em 1990 e 1991. Em 1990 também veio o título da Supercopa Suíça. Com menos de dez anos de carreira, o alemão conseguira em sua carreira, feitos que técnicos calejados e com enorme rodagem ainda não conseguiram.

Hitzfeld conquistou sua primeira Bundesliga comandando o Dortmund

Em 1991, Ottmar Hitzfeld tomou uma das decisões mais importantes e desafiantes de sua carreira: trocar o Grasshopper pelo então decadente Borussia Dortmund. Ele reergue o BVB, tirou da rabeira e levou aos picos mais altos da tabela da Bundesliga. Sem contar os feitos internacionais! Hitzfeld levou o Dortmund para uma final de Copa Uefa e mais outra de Champions League. Nas duas, enfrentou a Juventus. Perdeu uma, mas levou a mais importante, a UCL.

De 1991 até 1997, Hitzfeld conquistou o Campeonato Alemão e a Supercopa Alemã em duas oportunidades, além de ser o técnico responsável por levar o Dortmund a seu único título de Champions League.

Anos mais tarde, Ottmar se tornaria o segundo técnico a conquistar a Champions League por dois times diferentes. Em sua passagem pelo Bayern de Munich, ele chegou a duas finais da competição da UEFA, mas só foi igualar Ernst Happel na segunda tentativa. Após perder tragicamente pro Manchester em 99, Hitzfeld conseguiu levantar a orelhuda pela segunda vez dois anos mais tarde, em Milão, na vitória do Bayern sobre o Valencia.

Além da UCL, os bávaros conquistaram três – finadas – Copas da Liga, duas Copas da Alemanha, um Mundial de Clubes e quatros títulos da Bundesliga na ” primeira era Hitzfeld”.

Ottmar sentiu saudades do clube bávaro e mesmo após deixar o clube em 2004, viu as portas abertas e decidiu voltar três anos depois para erguer mais uma Salva de Prata, além da Copa da Liga e da Copa da Alemanha.

Desde 2009, Ottmar Hitzfeld treina a Suíça e foi o responsável pela maior zebra da Copa do Mundo de 2010, ao bater a Espanha por 1×0.

O técnico alemão tem sido o encarregado de comandar a transição do futebol suíço, que antes era conhecido por suas retrancas e por um jogo “medonho”, mas que atualmente conta com uma geração jovem e talentosa – Shaqiri, Emeghara, Timm Klose, Ben Khalifa e Gavranovic são só alguns nomes que surgiram recentemente – e com alguns experientes que podem acrescentar bastante – como Derdyiok, Gokhan Inler, Barnetta e Diego Benaglio. Hitzfeld tem a missão de conseguir formar uma base sólida e levar este time para a próxima Copa do Mundo, já que a vaga na Eurocopa não veio.

Mesmo experiente, rodado e talvez até ultrapassado, Ottmar Hitzfeld ainda se mostra importante no mundo do futebol! Sua escolha é totalmente merecida. Poucos técnicos na Bundesliga tem números como os dele. Até agora, somente na Seleção Suíça ele não obteve grandes resultados, mas é um projeto totalmente diferente do que esteve envolvido em seus clubes. Hitzfeld conseguiu mostrar aos clubes alemães que mesmo não tendo o glamour de ligas como a inglesa e a espanhola, é possível quebrar as fronteiras de seu país e dominar a Europa!

Confira abaixo, os 5 mais votados e um pequeno histórico de cada um:

1 – Ottmar Hitzfeld

2 – Udo Lattek

Lattek treinou vários clubes alemães, mas obteve maior sucesso em Bayern e Monchengladbach. Nos bávaros, ganhou 6 Bundesligas, 3 Copas da Alemanha e uma Liga dos Campeões. Nos Potros, foram dois títulos alemães e uma Copa da Uefa.

3 – Otto Rehhagel

Assim como Lattek, Rehhagel passou por diversas equipes alemãs, tendo ganhado a Bundesliga duas vezes no Werder Bremen e uma vez no Kaiserslautern. Mas com certeza, seu grande feito foi ganhar a Eurocopa pela Grécia.

4 – Hennes Weisweller

Histórico técnico de Colônia e Monchengladbach, Weisweller conquistou quatro títulos da Bundesliga, três vezes nos Potros e uma vez pelso Bodes.

5 – Thomas Schaaf

Schaaf foi criado no Werder Bremen, jogou somente no Bremen e só treinou os Verdes. Um título alemão, três da copa alemã, além de uma final de Copa UEFA pra ele.