400 vezes Hilton

Hilton é o brasileiro com mais jogos na história do Campeonato Francês | Foto: Divulgação/MHSC

Ao pisar no gramado do Estádio de La Mosson na tarde do último sábado (4), no empate por 1 a 1 entre Montpellier e Amiens, Vitorino Hilton entrou para a história. Aos 40 anos, o zagueiro chegou a expressiva marca de 400 jogos na carreira no Campeonato Francês. Entre todos os brasileiros que já disputaram o torneio, ninguém tem mais aparições do que ele.

Desconhecido no Brasil, o brasiliense, de 40 anos – jogador mais velho da atual temporada da Ligue 1 – tem carreira sólida na França. Filho de mãe costureira e pai trabalhador de construção, Hilton passou pela base da Chapecoense, mas se profissionalizou pelo Paraná Clube, antes de passar três anos no Servette, da Suíça, entre 2001 e 2004. Por lá, trabalhou com o técnico Lucien Favre, hoje no Nice, e participou da melhor campanha europeia do clube, parando nas oitavas-de-final da Copa da Uefa de 2002.

Desembarcou em terras gaulesas na temporada 2003/04, quando tinha 25 anos, para defender o Bastia. A passagem, que seria apenas por empréstimo, ficou para a eternidade. Suas qualidades nas antecipações, recuperação de bola e visão de jogo chamaram a atenção no curto período em que ficou na Ilha de Córsega e, na temporada seguinte, foi contratado em definitivo pelo tradicionalíssimo Lens.

Lens foi o segundo clube de Hilton na França | Foto: Reprodução

A mudança de clube significava o primeiro dos saltos que daria dali em diante. Em 2004, enquanto o Bastia escapou do rebaixamento somente na última rodada, o Lens foi o 8º colocado e havia disputado a Liga dos Campeões na temporada anterior.

No Norte da França, foi titular por quatro temporadas e se tornou capitão rapidamente. Anos depois, em 2013, em entrevista ao Eurosport, disse ter vivido os melhores anos da carreira no clube e que, na França, não há torcida mais apaixonada que a do Lens. “Meu único arrependimento foi não ter ganhado nada no clube”, admitiu.

O destaque foi tanto que entrou na seleção da temporada 2007/08, elaborada pela União Nacional dos Futebolistas Profissionais (UNFP), mesmo tendo sido o ano em que o clube Sangue e Ouro foi rebaixado para a segunda divisão.

Com a queda, abriu-se caminho para o Olympique de Marseille, de Didier Deschamps, e logo Hilton foi contratado por um dos mais tradicionais clubes franceses – o único do país a conquistar a Liga dos Campeões.

No OM, a primeira temporada foi brilhante. Participou de 36 dos 38 jogos do campeonato, e novamente foi colocado na seleção da temporada da UNFP. Em 2009/10, sem ter a mesma regularidade de antes, foi campeão francês e da Copa da Liga pelo Marseille, quebrando uma seca de quase 20 anos sem qualquer título.

No OM, Hilton foi campeão francês | Foto: Divulgação/OM.net

Porém, a saída do OM foi turbulenta. Assaltantes invadiram a residência do atleta, o agrediram e apontaram uma arma para sua cabeça diante dos próprios filhos. Após escapar desse episódio que poderia ter consequências ainda piores, o reflexo parecia único: sair do clube.

Foi aí que surgiu o Montpellier na vida de Hilton, em 2010/11. No ano seguinte, formando uma sólida dupla de zaga com o jovem Mapou Yanga-Mbiwa, conquistou o inédito título nacional, batendo o já milionário Paris Saint-Germain. Na mesma temporada, novamente foi lembrado na seleção da temporada da UNFP.

Considerado um profissional exemplar, dentro e fora de campo, Vito é capitão do time desde 2012, quando Mbiwa deixou o clube para se aventurar no futebol inglês. Desde então, tem sido líder e extremamente regular. Apenas na temporada passada fez menos de 30 jogos – ficou perto, 27.

Até o fim do campeonato, Hilton deve quebrar recordes de outros jogadores históricos como, por exemplo, Ludovic Giuly (401 jogos), Jean Tigana (411) e Dominique Rocheteau (417).

Hoje, sem dúvida alguma, é idolatrado pelo torcedor. Um exemplo foi relatado pela RFI Brasil, em maio deste ano. “Ao final do apito da partida em que o Montpellier perdeu de 2 a 0 para o Paris Saint-Germain, pela 34ª rodada do Campeonato Francês, Hilton chamou seus companheiros para agradecer a presença de um grupo pequeno de torcedores acomodados na lateral do estádio Parc des Princes reservada à torcida adversária. Apenas um jogador seguiu o gesto elegante do capitão da equipe. ‘Essa é a imagem que um jogador tem que deixar aos seus torcedores. Eles fazem um esforço de viajar até Paris, e o mínimo que devemos fazer é agradecer a presença deles’, explicou na entrevista na saída do estádio”.

Aos 40 anos, Vito é idolatrado no Montpellier | Foto: MHSC

Na mesma entrevista, Hilton foi sincero e revelou que não pretende voltar ao Brasil, pois está estabelecido na França e que retornar ao país onde nasceu seria reiniciar uma vida. “Espero encerrar minha carreira no Montpellier”, confessou.

Quando isso acontecer, a tendência é continuar no clube. Em mais uma oportunidade, o brasileiro manifestou a intenção de trabalhar na formação de novos atletas, mas, à rede de televisão francesa TF1, Hilton revelou que, mais adiante pode ser até treinador no MHSC.

Com 1,80m, Hilton é um gigante. A história que construiu, aliás, é gigante. Se adaptou rápido a França, cresceu no meio da paixão sangue e dourada do Lens, saiu da fila com o Marseille e calou muitas boca$ no Montpellier. Merece respeito e admiração por ser um dos zagueiros mais regulares do século XXI no futebol francês. Bicampeão, quatro vezes entre os melhores do país. Podemos repetir isso 400 vezes para valorizar um dos grandes brasileiros que trilhou os gramados gauleses.

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Os flops da temporada francesa

Há duas semanas, trouxe os destaques da temporada 2016/2017 do Campeonato Francês. Só que o ano não teve somente gente se dando bem, gritando “é campeão”, fazendo gols bonitos e encantando os amantes do bom futebol. Tivemos também aqueles que prometeram muito e cumpriram pouco dentro de campo.

Após um período de certa triagem nos escolhidos e até conversas com os colegas de Le Podcast du Foot, fechei a lista e, hoje, trago cinco desses nomes que, como dizem no popular futebolístico, floparam na temporada – ou que pelo menos frustraram qualquer expectativa positiva. Reconheço que a maior parte da lista vem do Paris Saint-Germain, que viu a sequência de conquistar nacionais sendo quebrada, mas dá uma boa discussão.

Sem mais enrolações, vamos aos nomes:

5 – Jesé e Krychowiak

Vindos do futebol espanhol, Jesé e Krychowiak não renderam em Paris | Foto: Geoffroy van der Hasselt/AFP/Getty Images

Só em Jesé Rodríguez e Grzegorz Krychowiak, o Paris Saint-Germain investiu € 58 milhões. É uma grana federal que comprova a inflação do mercado de jogadores, convenhamos. Ambos estão entre as 15 mais caras contratações da história do clube e até custaram mais que nomes importantes da história recente do clube, como Zlatan Ibrahimovic e Marco Verratti.

Uma temporada depois de fazer esse investimento, a sensação é de desolação. Jesé fez apenas nove jogos e anotou um gol na Ligue 1. Na metade da temporada, foi emprestado ao Las Palmas e saiu sem deixar saudades. Hoje, ele é tratado como um problema a ser resolvido internamente. Como firmou contrato de cinco anos, voltará a Paris, mas a contragosto. Em recente entrevista à Rádio Cadena Ser, na Espanha, ele disse que não gostaria de retornar por causa das poucas chances que recebeu. Já Nasser Al-Khelaifi, presidente do clube, disse em dezembro do último ano que errou ao trazer o espanhol. Pepino a vista sobre a situação do atleta.

Já Krychowiak, contratado com o status de peça de confiança de Unai Emery dos tempos de Sevilla, jogou apenas 11 vezes na competição. No meio da temporada, o polonês chegou a jogar no time B por perceber que não tinha espaço na equipe principal. A paciência com ele acabou na reta final e o último jogo que fez foi no dia 12 de março, pela 29ª rodada, na vitória por 2 a 1 sobre o Nancy. Com contrato até 2021, é outro problema a ser contornado em Paris.

4 – Jérémy Ménez

Apesar da decepção, a diretoria do Bordeaux ainda aposta em Ménez | Foto: AFP

Voltando ao futebol francês após duas temporadas no Milan, Jérémy Ménez custou a singela bagatela de € 9,5 milhões ao Bordeaux, segunda maior contratação da história do clube. Dentro de campo, porém, o retorno não aconteceu nesta edição da Ligue 1. Foram 26 jogos (somente sete por 90 minutos), três gols marcados e duas assistências.

Ménez, que almejava retornar à seleção francesa após quatro anos, vê agora essa meta cada vez mais distante. Já com 30 anos e vindo de uma temporada bastante baixa, ele ainda observa nomes talentosos explodirem, com Ousmane Dembélé e Kyllian Mbappé. Hoje está claro que é preciso ir passo a passo e, primeiro, retomar bom futebol dentro do Bordeaux, que não quer se desfazer do alto investimento feito no começo da temporada.

3 – Torcida do Bastia

O ápice das confusões da torcida do Bastia foi contra o Lyon | Foto: OLWeb

Nenhuma torcida incomodou tanto na França quanto a do Bastia. No hall de confusões dos corsos, uma tentativa de agressão ao brasileiro Lucas, do PSG, durante uma cobrança de escanteio, insultos racistas a Mario Balotelli, do Nice, além das cenas de guerra campal com os jogadores do Lyon, fazendo a partida ser suspensa após 45 minutos de bola rolando. As imagens rodaram o mundo e mancharam ainda mais o status de um time que teve a pior campanha entre os 20 times da Ligue 1.

Para quem quiser entender mais a origem desses acontecimentos, que muito tem a ver com a tumultuada região da Córsega, o assunto esteve em debate na edição #63 de Le Podcast du Foot, quando, inclusive, recebemos o correspondendo do Lucarne Opposée no Brasil, Simon Balacheff.

2 – Ben Arfa

Ben Arfa clamou por uma oportunidade em Paris | Foto: C. Gavelle/PSG

Depois de uma temporada acima da média no Nice (com 17 gols e seis assistências), Hatem Ben Arfa parecia ter afastado o status de “garoto-problema” e investir € 10 milhões nele parecia ser um bom negócio. Mero engano – pior para o PSG, que ficou com a batata quente em mãos.

O retorno em campo foi mínimo, com míseros quatro gols e uma assistência (disso tudo, apenas a assistência foi na Ligue 1). Internamente, Ben Arfa era duramente questionado pela falta de empenho nos treinamentos e teria chegado a ouvir de Emery a frase “você não é Messi”.

Não bastasse isso, o atleta externou a insatisfação com a reserva. Na reta final da temporada, publicou um vídeo onde suplicou por uma chance. Disse que não queria jogar em uma posição específica ou algo semelhante, apenas queria uma oportunidade.

Apesar da iminente chance de saída, ele começou o mês de junho dizendo querer ficar em Paris. No Instagram, o atacante publicou um vídeo treinando em uma praia, com a trilha sonora de “Only God Can Judge Me” (Só Deus pode me julgar), de Tupac, e encerrou com o recado “nos vemos em julho”. Resta vez se Emery vai passar a mão na cabeça dele desta vez.

1 – Unai Emery

Emery veio com a meta de fazer o PSG jogar mais… e até agora, não cumpriu | Foto: C. Gavelle/PSG

Não gosto da expressão “obrigação” para títulos, mas ao chegar em Paris, Unai Emery precisava fazer o PSG render mais e dar o passo adiante que não deu com Laurent Blanc – que apesar dos 11 títulos em três temporadas, era cobrado por participações mais convincentes no cenário europeu. Além disso, Emery teve a chance de trazer alguns jogadores que desejava, como os já citados Krychowiak e Ben Arfa, além de Julian Draxler.

O que se viu dentro de campo, porém, foi um rendimento menor do que nos tempos de Blanc. Sem inspiração, lento em transições e nas combinações ofensivas, o PSG de Emery fez força para ganhar jogos que ganhava facilmente em anos passados. A perda do título francês para o Monaco foi puro reflexo de um time que foi sombra de um adversário com menos recursos financeiros, mas que ampliou as capacidades técnicas.

Somado a isso, veio o fracasso diante do Barcelona na Liga dos Campeões e a péssima gestão de elenco, constatada nas mais variadas notícias de insatisfações e cobranças externas dos atletas.

Apesar disso tudo, Emery vai continuar no PSG para a próxima temporada, mas cada vez mais pressionado a fazer o time jogar para salvar a própria pele – e do presidente Nasser Al-Khelaifi.

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E aí? O que achou da lista? Dê sua opinião e amplie o debate!

Le Podcast du Foot #63 | Violência nos estádios franceses

Bastia e Lyon foi paralisado no intervalo | Foto: OLWEB

A onda de violência que assola os estádios franceses foi pauta de mais uma edição de Le Podcast du Foot. O apresentador Eduardo Madeira comandou a mesa redonda ao lado de Flávio Botelho e do convidado especial Simon Balacheff, correspondente do Lucarne Opposée no Brasil, que trouxe uma visão local e de quem conheceu de perto a cultura das torcidas francesas.

Recentemente, tivemos a torcida do Bastia invadindo o gramado do Armand Cesari para brigar com jogadores do Lyon, ampliando o vasto de leque de incidentes que vem provocando nesta temporada. Além disso, o próprio Lyon foi punido pela Uefa em função da confusão diante do Besiktas, na Liga Europa, e caso a torcida volte a aprontar, será automaticamente suspenso por dois anos.

Abaixo você pode ouvir a edição #63 de Le Podcast du Foot:

Trilha: Ao fundo da edição #63 do podcast, você ouve as músicas do álbum “Comme on a dit”, da banda francesa Louis Attaque. Foi o segundo álbum do grupo, lançado em 2000, e que foi eleito o melhor do ano na categoria “rock” em 2001. O CD completo está disponível no YouTube.

Limite ultrapassado

Os jogadores do Lyon passaram por apuros na Córsega | Foto: OlWeb

Violência nos estádios é um assunto bastante delicado e difícil de se abordar. Por mais que se cobrem punições a “torcedores” brigões, é quase impossível isolar os clubes dessas discussões. Muitos deles são coniventes e fazem vista grossa por interesses alheios aos jogos e que, por muitas vezes, possuem até cunho político.

Mas há momentos em que medidas radicais precisam ser tomadas em prol da coletividade. Ver os ultras do Bastia – a “Bastia 1905” – invadirem o gramado do estádio Armand Cesari para brigar com jogadores do Lyon no aquecimento e no intervalo do jogo foi algo totalmente fora do compasso e que obriga a LFP (Liga de Futebol Profissional, em português) a tomar medidas bruscas para evitar problemas maiores e diminuir a sensação de impunidade.

Para quem quiser entender mais do ocorrido, o colega Filipe Papini, do Brasil Lyonnais, fez um compilado dos acontecimentos. Veja e se espante com a brutalidade, que fez com que o jogo durasse apenas 45 minutos.

Já vi muita coisa em termos de violência nos estádios, mas nada parecido com aquilo. Vi confusões entre torcedores e jogadores do próprio time, brigas entre si e com organizadas adversárias, mas nada a ponto do que foi visto na Córsega, uma invasão a campo antes mesmo de a bola rolar. Foi desproporcional e inconsequente.

Vale ressaltar que a torcida do Bastia já possui um histórico violento nesta temporada. O L’Equipe fez o levantamento:

vs PSG: Lucas foi cobrar um escanteio e tentaram agredi-lo com um cabo de bandeira. Por mais que o brasileiro tenha simulado, fica nítido que o torcedor teve a intenção de atingi-lo.

vs Nice: o italiano Mario Balotelli foi perseguido desde o aquecimento por gritos racistas. Não foram um ou dois gritos. Foram vários, insistentes e ofensivos. Como mostra o vídeo abaixo, a “torcida” chegou a imitar macacos e ainda soltaram ofensas como “espécie de m…”.

vs Nantes: Durante o jogo, os Canários empataram no último minuto em 2×2. O técnico Sérgio Conceição vibrou efusivamente e desagradou o banco do Bastia. Na saída para o vestiário, muito tumulto e isso passou para a torcida, que atacou o ônibus do Nantes. Os atletas e a comissão técnica tiveram que esperar os ânimos se acalmarem e a escolta chegar para se dirigirem ao aeroporto.

É uma ficha corrida bastante preocupante e suficiente para punições duras. É claro que os infratores precisam ser identificados e punidos, mas mediante a reincidência e a aparente falta de vontade em coibir esse tipo de situação, é preciso colocar o próprio Bastia no jogo.

A LFP precisa pensar em medidas eficazes, mas exemplares. Só os acontecimentos desta temporada já são razão suficiente para, pelo menos, banir a Bastia 1905 dos estádios franceses ou colocar o clube da Córsega para atuar com portões fechados. Qualquer medida que afaste esse grupo dos estádios será positiva. É hora de dar um “basta” e mostrar que o limite já foi esgotado.

Histórico cultural

Vale acrescentar a discussão que a violência vista pela torcida do Bastia, especialmente pelo grupo Bastia 1905, tem uma relação muito próxima com a questão cultural da Ilha da Córsega. Historicamente, a região tem ligações com grupos separatistas e nacionalistas. A própria Bastia 1905 é ligada a esses blocos e já usou do argumento de xenofobia e preconceito para rebater punições passadas – já foram impedidos de viajar e obrigaram a equipe a atuar com portões fechados.

Para acrescentar a discussão, recomendo dois conteúdos do Xadrez Verbal:

– o post do blog do historiador Filipe Figueiredo, que conta bem como é a política e a cultura da Ilha da Córsega:

– e o podcast no Central 3, que abordou esse mesmo tema, tendo o viés futebolístico:

Qual a origem dos nomes dos estádios franceses? (Parte I)

Não sei vocês, mas sou do tipo de pessoa que fica sempre curioso em saber os motivos de os estádios terem os nomes que têm. Fico instigado a entender se aquele cidadão que está com o nome estampado na fachada foi um jogador importante, um dirigente histórico ou apenas um político da região. Considero saber isso como algo fundamental para entendermos mais das origens dos times.

Motivado por essa curiosidade pessoal, decidir fazer um levantamento justificando os nomes dos estádios das 20 equipes que disputam a primeira divisão do Campeonato Francês nesta temporada 2016/2017.

Como em função da Eurocopa 2016 muitos mudaram de casa e até adotaram os famigerados naming rights em seus estádios, decidi também citar os nomes dos campos antecessores e a razão dos respectivos nomes. Aliás, ‘linkado’ as nomenclaturas estará a localização dos estádios no Google Maps, para que você também possa ver mais de cada um.

Confira agora a primeira das duas partes do especial:

Angers

Estádio Jean-Bouin – inaugurado em 1912 – capacidade para 16.500 pessoas

O estádio homenageia Jean Bouin, um famoso corredor francês do início do século XX, que conquistou uma medalha de prata nos Jogos Olímpicos de 1912, em Estocolmo, na Suécia. Ele foi medalhista nos 5.000 metros livres. Na França, são quase dez estádios com esse nome, incluindo um em Marseille, cidade onde nasceu. No caso do Angers, o estádio foi construído em 1912, com o nome de Bessonneau, em homenagem ao empresário local Julien Bessonneau. Na época, nem existia o Angers, mas sim o Club Sportif Bessonneau. Apenas em 1957 foi rebatizado como estádio Jean Bouin, para homenagear o ex-atleta.

Bastia

Estádio Armand Cesari – inaugurado em 1932 – capacidade para 16.078 pessoas

Casa do Bastia, o Armand Cesari homenageia ex-capitão do time | Foto: SC Bastia

Casa do Bastia, o Armand Cesari homenageia ex-capitão do time | Foto: SC Bastia

Inaugurado em 1932, a casa do Bastia teve como primeiro nome estádio Doutor Luciani, homenagem ao presidente do clube na época e idealizador do projeto. Quatro anos depois, o local foi rebatizado com o nome atual: Armand Cesari. Ele foi membro de uma família bastante atuante no clube. O irmão Jean-Marie jogou pelo time principal, enquanto o pai Joseph Cesari foi presidente do clube entre 1922 e 1925. Já Armand foi capitão da equipe durante um bom tempo, se tornando um dos atletas mais famosos do clube. Ele desapareceu em janeiro de 1936, quando tinha 33 anos. O nome do estádio foi uma forma de homenageá-lo.

Bordeaux

Estádio Matmut-Atlantique – inaugurado em 2015 – capacidade para 42.115 pessoas

O Bordeaux jogou muito tempo no estádio Chaban-Delmas até se mudar para o moderníssimo Matmut-Atlantique, construído entre 2012 e 2015, também visando a Eurocopa de 2016. A questão do nome gerou muitas discussões entre os torcedores, já que a empresa do ramo de companhia de seguros Matmut investiu € 2 milhões para estampar o nome do grupo no estádio por dez anos. Uma ala de torcedores, descontente com isso, realizou uma votação para escolher o novo nome e decidiram por homenagear René Gallice, sexto jogador com mais atuações com a camisa do clube. Por fim, ficou o nome Matmut-Atlantique e a empresa que gere o estádio é a Bordeaux Atlantique, sendo que o financiamento é feito entre a cidade de Bordeaux e a própria empresa.

Sobre o Chaban-Delmas, que homenageia o estadista francês Jacques Chaban Delmas, hoje é de domínio do Union Bordeaux Bégles, clube de rugby. O estádio passou a ser chamado assim em 2001, após a morte dele em 2000 – antes era conhecido como Parc Lescure.

Caen

Estádio Michel D’Ornano – inaugurado em 1993 – capacidade para 20.453 pessoas

Inaugurado em 1993, o estádio do Caen homenageia o político francês Michel D’Ornano. Ele morreu em 1991, após ser atropelado por uma van. A ideia de homenageá-lo foi do senador-prefeito de Caen, Jean-Marie Girault, já que ele entendia que D’Ornano era um amigo dos esportes e a construção do estádio estava ligada ao nome do político. Por via de curiosidade, antes desse estádio, os azuis e vermelhos jogavam no estádio Venoix, em razão do bairro onde está localizado. Em 2013, o local foi renomeado como estádio Claude Mercier, em homenagem a um ex-jogador do clube. O time reserva e de base do Caen utilizam o campo, assim como algumas equipes amadoras que por lá treinam.

Dijon

Estádio Gaston Gérard – inaugurado em 1934 – capacidade para 13.778 pessoas

A casa do Dijon é um dos poucos que tem o mesmo nome desde sua inauguração. Gaston Gérard, que dá nome ao estádio, foi um influente político no início do século passado, tendo sido vice-prefeito de Dijon e primeiro-ministro do Turismo francês. Ele nasceu em 1878 e morreu em 1969, vivendo sempre na mesma cidade, o suficiente para ser imortalizado no estádio da cidade.

Guingamp

Estádio Municipal de Roudourou – inaugurado em 1990 – capacidade para 18.465 pessoas

O nome do estádio do Guingamp é bem simples de explicar: ele fica localizado no distrito de Roudourou. O Guingamp, apesar de ser um clube de 114 anos, só atuou profissionalmente desde 1984. Então, antes do Roudourou, jogava no estádio Yves-Jaguin, que homenageava um ex-presidente do clube nos anos 40. Esse estádio, aliás, vive um momento curioso. O time reserva e de base do Guingamp treinavam ali, mas discute-se a possibilidade de venda do local e até mesmo de uma demolição.

Lille

Estádio Pierre Mauroy – inaugurado em 2012 – capacidade para 50.157 pessoas

Na onda de reformas, o estádio do Lille foi o primeiro a ser concluído | Foto: LOSC

Na onda de reformas, o estádio do Lille foi o primeiro a ser concluído | Foto: LOSC

Originalmente conhecido como Grand Stade Lille Metrópole, o estádio recebeu o nome de Pierre Mauroy, em junho de 2013. A medida foi adotada pelo Conselho Metropolitano de Lille, que visava homenagear o ex-prefeito de Lille e ex-primeiro-ministro, que morreu no mesmo mês. Muitos não gostaram, pois o político não era um grande fã de esportes e que a decisão foi tomada sem consultas a outros órgãos e aos torcedores.

Antes da moderna arena, o Lille jogou em quatro estádios: o Jules-Lemaire (dentista famoso por ter descoberto propriedades antissépticas de ácido de carbono), que foi utilizado até a II Guerra Mundial; Henri Jooris (dirigente bastante atuante na região de Lille) aproveitado após a guerra e até os anos 70; Grimonprez-Jooris (uma homenagem ao próprio Henri Jooris e o ex-campeão de hóquei de campo Félix Grimonprez), utilizado entre 1975 e 2004; e mais recentemente o Lille Metropole, aproveitado entre 2004 e 2012.

Lorient

Estádio Yves Allainmat – Le Moustoir – inaugurado em 1959 – capacidade para 18.500 pessoas

O apelido de “Moustoir” acabou ficando para o estádio do Lorient por ser exatamente o bairro onde o clube fica localizado. Em 1993, a casa dos Merlus foi rebatizada com o nome de Yves Allainmat, ex-vice-prefeito da cidade, que morreu no mesmo ano.

Lyon

Parc OL – inaugurado em 2016 – capacidade para 59.186 pessoas

O moderníssimo estádio do Lyon é gerido pelo OL Groupe, que foi fundado em 1999 para supervisionar o clube. Oficialmente, o estádio se chama Parc OL, mas também é lembrado por Grand Stade de Lyon ou Stade des Lumières. O antigo estádio Gerland, inaugurado em 1920 e utilizado pelo OL desde sua fundação, em 1950, até 2015, levava esse nome por estar localizado no bairro com mesmo nome.

Marseille

Estádio Orange Vélodrome – inaugurado em 1937 – capacidade para 67.394

Entre mudanças e reformas, o OM sempre seguiu no Vélodrome | Foto: Yannick Parienti/OM

Entre mudanças e reformas, o OM sempre seguiu no Vélodrome | Foto: Yannick Parienti/OM

Casa do único francês que já conquistou uma Liga dos Campeões, o mítico Vélodrome ganhou naming rights para dez anos, contando a partir de 2016, da empresa Orange. O nome original, por razões óbvias, se deve ao fato de também abrigar corridas de ciclismo.

*Nos próximos dias, possivelmente após o Carnaval, trago a segunda parte, com as origens dos demais dez times;

Le Podcast du Foot #50

Foto: PSG - Não foi desta vez que Ibrahimovic marcou

Foto: PSG – Não foi desta vez que Ibrahimovic marcou

O Campeonato Francês segue aberto. No duelo mais aguardado da temporada, Paris Saint-Germain e Monaco ficaram no empate por 1-1 e a distância entre os times permanece em cinco pontos, com os parisienses no topo da tabela.

>> Confira a classificação do Campeonato Francês;

Como não poderia deixar de ser, o confronto entre os líderes do campeonato foi o principal destaque de Le Podcast du Foot desta semana, que chegou a 50ª edição. Assim como nas semanas anteriores, a dupla Eduardo Madeira e Flávio Botelho foi responsável pelo andamento do programa, com as análises e opiniões a respeito do clássico.

O podcast também não deixou passar em branco as apresentações de Marseille, Lille e Lyon, que também foram marcantes na rodada.

Quer ouvir? É só clicar no player abaixo!

Vídeos do VodPod não estão mais disponíveis.

Ouça também no MixCloud

Le Podcast du Foot #44

Ibra será julgado por ter sido um matador implacável

Ibra será julgado por ter sido um matador implacável

Você pensava que os julgamentos já tinham terminado? Que os juízes e advogados já estavam arrumando as malas para passar prolongadas semanas nas praias? Você está enganado!

A 44ª sessão de Le Podcast du Foot chega nesta semana abordando todas mazelas da lei impostas na 18ª rodada do Campeonato Francês. E atenção: não cabe recurso! Ouça ou será julgado culpado.

Os promotores Flávio Botelho e Vinícius Ramos chegaram com tudo no tribunal do Campeonato Francês com argumentos, álibis e provas concretas de quatros jogos da rodada para demonstrar que o futebol da terra da Torre Eiffel faz jus permanecer na elite dos nossos gostos futebolísticos.

Já o juiz Eduardo Madeira terá o desafio de mediar à sessão, dando espaço para testemunhas como Ibrahimovic, Kalou, Thauvin e James Rodríguez.

Não fique longe do processo, clique no link abaixo e evite que o tapetão o derrube:

Le Podcast du Foot #43

Foto: Site oficial do PSG