O Jogo da Década

Para começo de conversa, o título do post nem seria este. Eu teria mais ousadia e diria que o duelo destacado será “O jogo do século”, mas como bom zagueiro que sou – ??? -, tenho um pouco de cautela e digo que Bayern x Real Madrid será o “Jogo da Década”.

E por que penso assim?

Ora, um duelo que bota frente a frente times do calibre de Bayern de Munich e Real Madrid em um campeonato como a UEFA Champions League por si só já é algo de outro mundo, mas a temporada de ambas as equipes dão impressões ainda maiores de que será um duelo marcante para a história da competição.

O Real Madrid de José Mourinho vai encaminhando a conquista da liga espanhola e na Champions League deixou CSKA Moscow e APOEL pelo caminho sem grandes dificuldades.

Cristiano Ronaldo tem em jogadores como Kaká, a ajuda para decidir (Reuters)

Cristiano Ronaldo tem sido o grande nome do time, batendo recordes atrás de recordes, mostrando que “pipoqueiro é a vó!”. O português só está abaixo de Messi e olhe lá, depende do ponto de vista. O argentino demonstra em campo mais genialidade, enquanto o gajo parece ter recursos ofensivos ilimitados. São dois craques, é inegável.

O Real também tem um bom conjunto, dando um excelente cartel de coadjuvantes para Ronaldo, como Dí Maria, Benzema, Kaká e Özil.

O Bayern parece viver o contrário. Não há uma estrela em destaque e vários bons coadjuvantes a seu redor, mas sim diversos nomes destacados e poucos figurantes.

Os jogadores mais chamativos dos bávaros são Arjen Robben e Franck Ribéry – a dupla Robbéry -, mas se olharmos de forma mais ampla, poderemos notar que Mário Gomez já decidiu uma dúzia de jogos, assim como Kroos e Schweinsteiger. Os coadjuvantes do Bayern são os homens responsáveis pelo trabalho sujo, como Philipp Lahm e Luís Gustavo.

O que parece desequilibrar o duelo em favor dos espanhóis é a defesa. Mas isso se dá pelos nomes e não pelos números. Uma zaga formada por Holger Badstuber e Jérôme Boateng não é muito confiável, mas foram apenas 18 gols sofridos. E um número desses num campeonato como a Bundesliga – conhecida pelos jogos abertos e cheios de gols – deve ser muito valorizado.

Mas uma coisa é certa: o Campeonato Alemão tem vários bons atacantes, a maioria em conjunto, capaz de marcar mais de 18 gols no Bayern, mas nenhum tem o nível do Cristiano Ronaldo. Anular o “Gerd bom” é uma coisa, mas impedir que o Gajo ótimo faça estragos é outra bem diferente. A história muda totalmente de contexto com isso.

Contexto: tai um ponto que acho que acrescenta demais a minha “tese” deste ser o jogo da década.

A dupla Robbéry vem se entendendo nos jogos recentes (Reuters)

Não há uma longa história recente de duelos entre bávaros e madridistas. Essa faixa da UEFA Champions League poderá ser escrita a partir destes confrontos, pois não há uma rivalidade antiga.

É óbvio que existir uma rusga entre os times é bom para “climatizar” o confronto, mas sem ela, o foco não muda, todos querem o jogo. É diferente de Barcelona x Chelsea, por exemplo, onde existe um sentimento revanchista de 2009. Vai ser difícil ver alguém não se lembrar daquele jogo. Mas em Bayern x Madrid, o foco vai ser a partida e nada mais.

Para mim, nem aquele interminável rali entre Barça e Real no ano passado se iguala a esta partida. Os insistentes duelos entre catalães e madridistas chegou a encher o saco de muitos, isso é fato. Alguns não agüentavam mais ver uns vangloriando o Barcelona, outros criticando a arbitragem, etc..

É um gigante duelo, sem dúvida, o Jogo da Década. Dois grandes times, grandes em história, grandes em jogadores, que tem potencial para ultrapassar as fronteiras decimais e protagonizarem um dos grandes duelos do século.

Por que não? É proibido ter jogo histórico atualmente?

Opostos… mas não tanto

Mais uma semana, mais jogos da Champions League. Assim como na última semana, volto aqui para mais uma prévia dos duelos que virão nesta semana. Leia abaixo o que espero dos quatro confrontos da semana.

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Um dos duelos mais equilibrados desta fase de oitavas-de-final da UEFA Champions League é entre Olympique de Marseille e Internazionale. Porém, a fase de ambas as equipes não traduz muito essa igualdade.

O time francês, que iniciou mal a temporada – o Marseille chegou a ficar na lanterna da Ligue 1 -, se ajeitou dentro das quatro linhas e não perde desde novembro. Já a esquadra italiana está com seu segundo comandante. Após os fracasso com Gasperini, Claudio Ranieri assumiu e parece tomar o mesmo caminho de seu antecessor. A Inter não vence a seis partidas e tem acumulado vexames, como as derrotas por 4×0 diante da Roma, 1×0 diante do Novara e 3×0 contra o Bologna – estes dois últimos em casa, com times da parte inferior da tabela da Série A. No momento, os Nerazzurris não iriam nem para a Liga Europa!

Loic Rémy será a grande ausência do duelo (Reuters)

Não enxergo nenhuma hipótese que coloque a Inter como favorita no duelo. O momento ruim e o péssimo futebol das últimas rodadas me fazem pensar assim. Em contrapartida, não considero o Marseille favorito.

O OM vem de dois decepcionantes empates na Ligue 1 e ainda perdeu Loic Rémy pro confronto. Um desfalque tremendo, já que o #11 do Marseille é o grande jogador do time na atual temporada.

Os últimos resultados e a lesão de Rémy podem não deixar o Marseille no mesmo patamar da Inter, mas não lhe dão uma vantagem considerável, algo que pelo menos pra mim, estava de acordo com a presença do artilheiro da equipe.

Mesmo assim, aposto em um 2×1 pro time francês e o duelo ficaria aberto para Milão.

FRANCOS FAVORITOS

O Real Madrid tem mais time, tem o brilhante José Mourinho, um craque como Cristiano Ronaldo… Enfim, há uma enorme lista de motivos que coloquem o time merengue como francos favoritos no duelo contra o CSKA.

A aposta do time russo, certamente é o frio. O CSKA tem até um time ajustado e contam com Doumbia em grande temporada, mas o fato é que o Campeonato Russo só irá reiniciar em março. Este importantíssimo duelo diante do Real Madrid será o primeiro do time em 2012.

Honda está de volta ao time (Reuters)

A boa nova do time russo fica por conta do retorno de Keisuke Honda. O japonês estava fora, contundido e ainda recebeu algumas propostas de transferência no final de janeiro, porém, permaneceu em Moscow.

Outro problema pode ser o ritmo de jogo. O Zenit, diante do Benfica, mostrou um pouco deste problema. Não atrapalhou tanto – até porque o time venceu por 3×2 -, mas claramente faltaram momentos de regularidade dentro da partida, o time de Spalletti declinou de ritmo várias vezes durante a partida. Isso deve ocorrer com o CSKA, e contra o Real Madrid tem tudo pra ser letal.

Detalhe: Malafeev, titular absoluto do Zenit, não pegou o Benfica por estar lesionado e Zhevnov, seu subtituto, falhou nos dois gols portugueses. Igor Akinfeev, titular do CSKA e da Seleção Russa, teve problemas no joelho ainda em agosto do ano passado e segue fora. Será que a história se repete?

Acho que os Merengues já definem o duelo na ida, 3×0.

TRADIÇÃO vs. OBSESSÃO

Napoli e Chelsea é outro duelo enroscado. Os italianos carregam nas costas a tradição vinda dos tempos de Maradona e Careca, além de terem eliminado na fase anterior, nada mais, nada menos que o poderoso Manchester City. Já o Chelsea se classificou na bacia das almas e com o momento não sendo dos melhores, a obsessão por conquistar a Champions League deve se tornar mais forte e eloquente na cabeça de atletas e torcedores.

É rede! (Reuters)

O Napoli vem crescendo na Série A. Não perde e não sofre gols a quatro partidas. A última derrota dos comandados de Mazzarri em San Paolo foi na metade de dezembro, quando tomou 3×1 da Roma. De lá pra cá, foram seis partidas, com quatro vitórias e dois empates. Honestamente, sempre gostei deste time do Napoli. Mazzarri coloca o time num esquema diferente – 3-4-3 – e dá certo, eles quase sempre jogam bem. E me chamam mais a atenção os três homens de frente: Edinson Cavani – autor de 16 gols nos últimos 18 jogos -, Ezequiel Lavezzi e Marek Hamsik. Se não é o melhor, está entre os cinco melhores trios da Itália!

Já o momento do Chelsea não é legal. Os Blues ainda não venceram em fevereiro e estão a quatro jogos sem vencer. Outro problema do time londrino são os empates. São sete em toda Premier League e seis deles vindo de dezembro pra cá. Menos mal que Drogba volta ao time – após Fernando Torres quebrar a marca dos 1000 minutos sem marcar gols -, mas não custa lembrar que o marfinense perdeu o pênalti mais importante de sua carreira na final da CAN, talvez ainda esteja abalado, vide o seu ótimo relacionamento com seu país.

Pobre Villas-Boas! Topou entrar em um desafio ambicioso e pode cair se o Chelsea não vingar na Champions. Roman Abramovic não tem paciência com os técnicos dos Blues e se não ver John Terry – que não deve jogar, assim como Cole – erguer a orelhuda, vai mandando “pofexô por pofexô” – aliás, Luxa está aí – embora!

Eu aposto em vitória do Napoli por 3×1.

CRÍTICAS COMO ADVERSÁRIO

O Bayern vive num turbilhão de emoções. Dos 15 pontos disputados em 2012, os bávaros conquistaram 8 e ainda eliminaram o Stuttgart da DFB Pokal. Números bons, concordam? Mas não para um time como o Bayern. Soberba? Talvez sim, mas se formos ver o contexto, o time bávaro foi ultrapassado por Dortmund e Gladbach na tabela de classificação da Bundesliga. Ou seja, os 8 pontos não foram tão bons assim…

Para completar, o time está jogando mal. Robben, criticado por todos os lados – inclusive por Beckembauer – agora é reserva. Müller segue sendo titular indiscutível, mas jogando uma bolinha murcha, enquanto Kroos e Ribéry não voltaram ao ritmo do final de 2011. As críticas são justas, mas estão pressionando demais o time, coisa que anda muito nítida nas últimas rodadas.

Todos de olho em Shaqiri (Reuters)

Já o Basel foi uma das grandes supresas da fase de grupos. A eliminação do Manchester United não foi mera sorte dos suíços. Thorsten Fink e mais tarde Heiko Vogel armaram um time consistente e tiveram méritos na classificação. Basta ver que em jogos oficiais, o Basel não perde desde agosto! Mas em contrapartida, vem de três empates consecutivos…

Mas todos os olhos estarão em cima de Xherdan Shaqiri, contratado pelo Bayern para a disputa da próxima temporada, mas que defende o Basel atualmente. É dificil saber qual será a reação do garoto de 20 anos, mas todos estarão de olho!

Após em Bayern 2×1.

Uns aprendem, outros desaprendem

Lahm sabe que o Bayern precisa convencer (Reuters)

Para se conquistar um campeonato, não basta jogar bem. Jogar bem não é sinônimo de vitórias. Por isso, de vez em quando, é muito bom “jogar feio”, alçar bolas na área, ir pra “empurrança”, enfim, vencer de uma maneira não tão “plástica”.

O Bayern de Munich cansou de fazer isso em temporadas anteriores. Os bávaros muitas vezes só incomodavam os adversários que estavam na sua frente na tabela de classificação após conquistarem vitórias truculentas e de placares magros. Já o Borussia Dortmund de Jurgen Klopp nunca foi disso. Sempre jogou bem, bonito e vistosamente. Não à toa, o momento de maior instabilidade na vitoriosa última temporada foi quando o time passou a jogar mal e por isso, os resultados não chegavam.

Mas este início de 2012 tem sido diferente!

O Borussia Dortmund ainda não perdeu em 2012 e embora tenha mostrado um futebol vistoso e muito bom em alguns jogos – como na vitória sobre o Hamburgo na Nordbank Arena -, o time caiu de produção nas últimas rodadas e bateu Nüremberg, Bayer Leverkusen e Hertha Berlin jogando abaixo do esperado e obtendo placares apertados.

Já o Bayern de Munich vive uma pequena crise. Robben é criticado por todos os lados, Müller segue sendo titular indiscutível, mesmo jogando muito mal e as lesões vão dando enormes dores de cabeça a Jupp Heynckes. O resultado disso tudo estão nos resultados, que não tem sido positivos e vão derrubando o time bávaro na tabela de classificação da Bundesliga.

De "puxeta", Grosskreutz deu a vitória ao Dortmund em Berlin (DPA)

Jurgen Klopp conseguiu fazer o Borussia Dortmund jogar mal e vencer. O grande exemplo é Kevin Grosskreutz. Tecnicamente, o camisa 19 nunca encheu os olhos, mas talvez seja o jogador mais tático do futebol alemão. E é justamente Grosskreutz, que dentre nomes como Kagawa, Barrios e Lewandowski, tem decidido jogos como o do último sábado, diante do Hertha Berlin.

Esse aprendizado – se é que podemos chamar de “aprendizado” jogar mal e vencer – pode ser o caminho para transformar o Dortmund de Klopp é um verdadeiro time campeão. A equipe precisa superar as adversidades e perceber que nem sempre dará pra jogar o máximo, tendo enfim, que vencer de forma truculenta.

Já o Bayern se perdeu deste caminho. No último sábado, encarou um agora organizado Freiburg – méritos para o novo técnico do time, Christian Streich – e não mostrou nenhuma alternativa eficaz para furar a defesa adversária. Ribéry agiu em lances esporádicos, Müller foi a velha peça nula, enquanto Robben – que atuou apenas no 2º tempo – desperdiçou a maioria das chances que teve.

Falta de Schweinsteiger? Talvez sim, mas não creditaria o mau futebol bávaro à ausência de Schweini. Não custa lembrar que a cria bávara já terminou 2011 machucado, voltou neste ano, mas jogando muito mal e novamente se contundiu. O Bayern já está acostumado a jogar sem ele.

Muitos fatores podem ser creditados a esta má fase. Um destes fatores é a enorme pressão que o time vem sofrendo, outro fator é o fato de alguns times já terem pegado a manha de jogar contra o time de Heynckes – qualquer time com uma marcação adiantada e relativamente forte, já pára o Bayern -, além, é claro, das intermináveis más fases de Robben e Müller.

Ribéry briga muito, mas também caiu de produção (Getty Images)

O resultado disto tudo é a ausência do bom futebol e dos resultados também. Dortmund e Mönchengladbach, outrora abaixo dos bávaros na tabela de classificação, hoje estão acima e ainda tem o Schalke logo abaixo.

Chega a ser cômica a situação das duas equipes. O BVB acostumado a jogar bem e de forma vistosa nos últimos anos, agora vence seus duelos jogando mal, enquanto o Bayern, outrora time que na “hora H” sabia o que fazer para se virar, hoje desconhece o caminho das pedras.

Mas fica a pergunta: o Bayern, com um elenco recheado de estrelas, voltará a mostrar o futebol eficiente? E o Dortmund? Tem consciência de que “jogar mal e vencer” geralmente tem prazo de validade? Bom, só o tempo dirá!