Pastore chegou! Decisivo, argentino faz melhor temporada na França

Foto: Divulgação

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Demorou, mas chegou! Após muita instabilidade, idas e vindas entre banco de reservas e time titular e até mesmo questionamentos quanto à validade do investimento de 42 milhões de euros em sua contratação junto ao Palermo, o argentino Javier Pastore, quatro temporadas depois de ter sido contratado, finalmente mostra seu melhor futebol em Paris.

Leia a análise completa no Doentes Por Futebol

– O blogueiro Eduardo Madeira também escreve para o Doentes Por Futebol;

Não culpem o sistema

O problema de Pastore não é o sistema tático (Foto: Icon Sport)

O problema de Pastore não é o sistema tático
(Foto: Icon Sport)

Há quem invente mil e uma razões para o baixo rendimento de Javier Pastore com a camisa do Paris Saint-Germain. A milésima segunda e mais nova justificativa para a sonolência do meia é o sistema tático dos atuais campeões franceses. Para muitos, o argentino é mal escalado.

Será?

Originalmente, Pastore é meia-articulador, aquele famoso “10” que joga pelo centro, sempre botando a bola debaixo do braço e armando as principais jogadas de ataque do time. Porém, na temporada passada, o argentino foi deslocado para os flancos pelo então técnico do PSG, Carlo Ancelotti. Na fase pré-Lucas, Pastore jogou pela direita (época em que mais rendeu no clube); pós-Lucas ele partiu para a esquerda. Com Laurent Blanc, os parisienses têm jogado no 4-3-3 e o argentino retornou ao centro, mas não como armador e sim como um dos membros do tripé de meias do time.

Para muitos, o que Ancelotti fez e o que Blanc apronta agora não está certo. Essas medidas afastam Pastore do ataque, o que torna sua posição em campo equivocada. Mas será que já passou pela cabeça que foi a inoperância do próprio argentino que faz com que os técnicos o coloquem em uma posição que não seja a sua original?

Pastore já está há dois anos em Paris e em um ano e meio atuou centralizado, seja no 4-2-3-1 ou no famoso sistema “árvore de natal” de Ancelotti, o 4-3-2-1. Jogando assim, o argentino era ainda mais sonolento. Ele tinha tanta liberdade para flutuar entre ataque e defesa que se perdia no meio do caminho e nem sabia o que fazer, tornando-se presa fácil para qualquer adversário.

Seu deslocamento para a ponta foi para o bem do time. Como ele era (e é até hoje) um dos poucos passadores do elenco, não seria bom coloca-lo no banco de reservas, porém, seus constantes erros e cochilos eram fatais pelo centro. Na lateral ele encontrou mais espaços para jogar e fez ótimo mês de dezembro, quando, atuando pela direita, realizou ótima dobradinha com o não menos contestável Jallet.

              PSG - III  PSG - I

PSG - II

 

Pastore está longe de ser mal escalado. Pelos flancos pode haver até uma discussão, mas ajudando Matuidi e Thiago Motta na distribuição de jogo é inaceitável levantar tal hipótese. O argentino tem espaço e liberdade para avançar e grudar nos atacantes, mas prefere a sonolência da sua zona de conforto.

Não me venham com papo de “longe do gol” porque isso não existe no futebol atual, o futebol da movimentação, das constantes mudanças de posição e do jogo aglutinado. Pastore, da posição que tem sido escalado por Blanc, tem a obrigação de se aproximar do ataque e ele tem espaço territorial pra isso.

Hoje não dá para culpar sua inadaptação do futebol francês, como foi consenso em sua primeira temporada na França. É quase unânime que Javier Pastore não passa de um flop, de mais um jogador que promete demais e não rende o esperado. E a culpa não está nem perto de ser do sistema tático.

Benzema é uma sombra

Benzema está enfrentando uma seca de gols na França (Getty Images)

Se levantarmos dez nomes dos melhores atacantes do planeta, com certeza colocaremos Karim Benzema nesta lista. Obviamente, ele acaba sendo um dos principais jogadores da França, senão o mais destacado. O atacante do Real Madrid tem carregado esse peso ao lado do meia do Bayern, Franck Ribéry. Mas, aparentemente, essa carga tem atrapalhado o jogador merengue.

O último gol de Benzema com a camisa azul da França foi em junho deste ano, contra a Estônia. De lá pra cá, foram oito jogos, entre amistosos, Eurocopa e Eliminatórias para a Copa do Mundo, e nenhum tento anotado. Esses números acabam se tornando mais assustadores se levarmos em conta que o último gol do atacante em partidas oficiais pela França foi em setembro de 2011, contra a Albânia em disputa válida pelas Eliminatórias para a Eurocopa.

Se durante o torneio europeu a desculpa acabou sendo o esquema do então técnico Laurent Blanc, que acabava o deixando isolado no ataque, agora, com Didier Deschamps, essa justificativa não pode ser usada. O novo técnico Bleu já lhe deu alguns companheiros para o setor, como o também centro avante Olivier Giroud e segundo atacante Jérémy Ménez.

A França precisa de Benzema se pelo menos almeja retornar ao caminho vitorioso trilhado no fim dos anos 90 e início dos anos 2000, até porque Deschamps não conta com outro atleta do nível do madridista para a posição. Giroud é uma pequena incógnita e só o tempo que levará a se adaptar ao Arsenal dirá do que será capaz. Gomis não é e nunca será a solução para uma questão de tal representatividade.

Enquanto isso, fora do time, André-Pierre Gignac começa a repetir no Marseille as atuações que fizeram Raymond Domenech levá-lo para a Copa do Mundo de 2010, quando ainda defendia o Toulouse. Gignac tem sido o principal jogador do OM nesse princípio de temporada, com cinco gols em oito jogos no Campeonato Francês.

Há quem diga que sua ausência na seleção se deve ao desentendimento que teve com Deschamps, ainda no Marseille, após uma partida da UEFA Champions League, no final de 2011, mas esse problema é coisa do passado, já que voltou a figurar entre os titulares do time na citada temporada, após a confusão.

A boa fase de Gignac não pode ser considerada uma ameaça a Benzema, que só ficará de fora da seleção se Deschamps tiver algum tipo de ataque cerebral que afete sua capacidade de analisar futebol com o mínimo de propriedade, mas não é exagero imaginar que o atacante do Real Madrid amargue um banco de reservas.

O que estamos vendo nas recentes atuações de Benzema pela seleção francesa é apenas uma sombra do que é realmente capaz. Ele faz quase tudo certo, os domínios, os passes, os posicionamentos, mas vem pecando no ponto fundamental de sua função: a finalização. É só outro atacante começar a marcar gols que o madridista perde seu espaço.

Presença nas convocações desde 2006, Benzema já tem 53 atuações pela seleção principal da França, mas fez apenas 15 gols, ou seja, um gol a cada 318 minutos – três partidas e um tempo. Visando os torneios de seleções, que são de tiro curto, esse tempo sem balançar as redes prejudica demais, como vimos na última Eurocopa. Esses números ficam mais preocupantes principalmente se traçarmos um paralelo com a grande referência da posição nos últimos anos: Thierry Henry. O jogador do New York Red Bulls fez 51 gols em 123 partidas, um gol a cada duas partidas e quase um tempo.

Aos 24 anos, idade de Benzema, Henry já tinha 11 gols em 32 jogos pela seleção francesa, com um espaçamento de tempo entre os gols parecido, um tento a cada quase três jogos completos. A diferença fundamental era que Henry já havia ganhado uma Copa do Mundo – para defender Benzema, ele ficou de fora, injustamente, da edição de 2010 – e uma Eurocopa, acumulando cinco gols nas duas competições.

E que não venham com papo de “pressão exacerbada”. Mesmo aos 24 anos, Benzema se acostumou a enfrentar momentos que poucos teriam a coragem de encarar. O atacante ajudou o Lyon a se manter no topo do futebol francês por sete anos e hoje é titular de um dos grandes times da Europa. Ser o líder da seleção de seu país é mera consequência do que tem apresentado em Madrid.

Nesta semana, a França irá reencontrar a Espanha, algoz na Eurocopa disputada na Ucrânia e na Polônia. Mais do que nunca, uma atuação decente de Benzema será necessária, ainda mais com o panorama que espero do jogo. A posse de bola, a pressão, as chances de gols… Tudo será espanhol. Os franceses vão se preocupar em defender demais e atacar uma vez ou outra. E é aí que se inicia o papel do protagonista deste post. Provavelmente, ele receberá poucas bolas e terá de aproveitar as que vierem mandando para dentro.

E esse recado vale para as demais partidas da seleção francesa. Benzema precisa acordar e começar a marcar gols, caso contrário, a seca de títulos continuará afetando o país. A carga não pode ser depositada somente em Ribéry, ela tem de ser dividida e enquanto algumas brigas de egos insistem em atrapalhar o ambiente do time, o tranquilo Benzema deverá assumir a bronca, coisa que não anda acontecendo.