Le Podcast du Foot #72 | Janela fechada

A janela de transferências de inverno enfim foi fechada na França, e alguns clubes trataram de se mexer para tentar resultados melhores na temporada. Saint-Étienne e Bordeaux são dois exemplos, já que trataram de buscar reforços para crescer no Campeonato Francês depois de inícios ruins.

Em Le Podcast du Foot #72, Eduardo Madeira e Filipe Papini analisam as principais movimentações da janela francesa e projetam os encaixas dos times com os planteis definidos.

É só dar play abaixo e acompanhar o programa:

Anúncios

Allez Granville!

Foto: Reprodução

Encho a boca para falar e não tenho medo de repetir: não existe torneio mais legal que a Copa da França. É o verdadeiro campeonato democrático, que pode colocar gigantes do país de frente com nanicos amadores, com atletas que possuem dois ou até três empregos, em estádios acanhados, com capacidade inferior a cinco mil pessoas.

É a copa que já nos brindou com histórias fantásticas, como a do Guingamp de 2009, do Évian de 2013, do Calais de 2000 e a que mais me fascinou nesse tempo todo: do Quevilly de 2012. Em comum entre esses times apenas a saga heroica, o sonho de disputar uma final no pomposo Stade de France para grande público. Para uns, veio o título, para outros, sobrou o vice. Mas para todos ficou a sensação de ter cativado milhares de amantes do futebol, apaixonados por presenciar histórias ricas de heroísmo e simplicidade no esporte que tanto amamos.

A história da vez é do US Granville, situado em cidade de mesmo nome, na Normandia, de pouco mais de 13 mil habitantes. Amador, o clube completa 100 anos em fevereiro e atualmente disputa a National 2, o equivalente a quarta divisão da França.

Ocupando o Grupo D da competição, os valentes heróis fazem discreta campanha, na 9ª colocação, com 21 pontos. Com o Le Mans (sim, é o mesmo Le Mans que já teve Grafite, Paulo André, Gervinho e Drogba) disparado na frente, com 37 pontos, é quase impossível imaginar que consigam subir para a terceira divisão.

Mas se no ostracismo do quarto escalão francês raramente conseguem algo para chamar a atenção, é na Copa da França que os Brancos e Azuis Reais tentam fazer uma graça.

A primeira grande aparição foi em 2015/16. De forma valente, o Granville, já comandado por Johan Gallon, foi pulando de galho em galho, eliminando, inclusive, o Stade Lavallois, na época, na segunda divisão. Foi pulando tanto que chegou a uma impensável fase de quartas-de-final, onde teria simplesmente o Olympique de Marseille pela frente.

O modesto estádio Louis-Dior foi deixado de lado e o Michel D’Ornano, em Caen, a mais de 100 km de Granville, foi o palco escolhido do jogo. Em oito horas, os 20 mil ingressos foram vendidos e o time, acostumado a jogar para pouco mais de mil torcedores, teria um grande chamariz pela frente.

A aventura, porém, acabou ali. O Marseille, mais forte e concentrado, dominou a partida, passou poucos sustos e venceu por 1 a 0, gol do belga Michy Batshuayi.

Dois anos depois, o Granville está reescrevendo sua história. Após eliminar os também amadores Vierzon (5ª divisão) e o Vitré (4ª), os Brancos e Azuis Reais receberam pela fase de 32avos de final o Bordeaux.

O estádio Louis-Dior, que pode receber 3 mil pessoas, estava abarrotado, e quem lá estava presenciou a virada mais mágica e impressionante da centenária história do Granville. Após sair atrás aos 37 da primeira etapa, o time da casa viu a maré mudar aos 40 do segundo tempo, com a expulsão do lateral Sabaly.

Nos últimos segundos de partida, quando a eliminação parecia certa, a zaga do Bordeaux não conseguiu tirar a bola do campo de defesa. Sorte de Martinet, que acertou um tiro rasteiro de fora da área e igualou o marcador aos 48 minutos da etapa derradeira.

Na prorrogação, coube a um dos mais experientes do time decidir em uma cobrança de pênalti, ainda na primeira parte do tempo extra: Ladislas Douniama, de 31 anos. Na larga carreira, somou passagens por clubes como Lille e Guingamp, e defendeu até mesmo a seleção do Congo. Com a frieza que o momento necessitava, deslocou o goleiro e fez o gol que entrou para a história do clube. Aos gritos “Allez Granville”, o time amador conseguiu o inédito feito de eliminar um adversário de primeira divisão.

Na fase de 16avos de final, o Granville terá pela frente o Concarneau, clube que está na 10ª colocação da terceira divisão, três pontos acima da zona de rebaixamento. O jogo será disputado já nesta terça-feira (23).

E por que não acreditar que a história de Gallon e seus comandados seguirá além? São times como o nosso improvável herói, que desbancou o Bordeaux, que fazem a Copa da França ser o que é, que a fazem ser o torneio que tira os grandes da zona de conforto e abram seus olhos para verem que há futebol além da bolha milionária.

Que sigam fazendo história! Allez Granville!

Le Podcast du Foot #71 | 2º turno vem aí!

Após algumas semanas de pausa, o Campeonato Francês retorna com carga total a partir da próxima sexta-feira (12), com a abertura do 2º turno.

A expectativa fica para os mortais, podemos dizer assim. O poderosíssimo Paris Saint-Germain, de Neymar, Kyllian Mbappé e Edinson Cavani, é líder, com 50 pontos, e com 16 vitórias em 19 rodadas, dificilmente perderá o título.

Restam as brigas entre Monaco, Lyon e Marseille pelas vagas nas copas europeias, com a zebra Nantes, de Claudio Ranieri, correndo por fora. Além disso, fica a expectativa por Saint-Étienne, Bordeaux e Lille, equipes com nível de investimento alto para os padrões franceses, mas que estão na parte baixa da tabela.

As projeções do 2º turno estiveram em debate no Le Podcast du Foot #71. Eduardo Madeira, Filipe Papini e Renato Gomes participaram do programa, que analisou o campeonato até agora e imaginou as próximas rodadas da competição.

Ouça abaixo o programa completo:

Os esquecidos da Ligue 1

Nunca tantos holofotes bateram em cima da Ligue 1. A chegada de Neymar ao Paris Saint-Germain, somada ao acréscimo de Kyllian Mbappé, Daniel Alves e de toda áurea midiática trouxeram para a liga francesa um aspecto talvez nunca antes visto.

Somado ao milionário PSG, ainda surgiram outros tópicos interessantes, como o fracasso de Marcelo El Loco Bielsa no Lille – que foi abordado na edição #69 de Le Podcast du Foot – e o poderoso ataque do Lyon. Dá para dizer que temos uma das temporadas mais agitadas e interessantes dos últimos anos, reunindo uma série de atrativos para acompanharmos rodada após rodada da competição.

Porém, apesar de todas as câmeras e flashes na competição, há quem fique esquecido nesse cenário todo. O próprio milionário PSG tem Lucas Moura e Hatem Ben Arfa, que já estão ultra aquecidos no banco de reservas do clube. Há outros como Wesley Sneijder, Grenier… É tanta gente que me senti obrigado a levantar uma lista com alguns dos esquecidos da atual temporada francesa. Confiram:

Do Chelsea para o banco do Amiens

Esse é um dos raros registros de Nathan no Amiens | Foto: Divulgação/Amiens

O meia Nathan é mais um daqueles clássicos casos de atletas que escolhem o Chelsea para jogar na Europa e passam a rodar pelo Velho Continente, sempre por empréstimo, e vão vendo a carreira ruir. Elogiadíssimo no Atlético-PR e com passagens por seleções de base, tinha um grande futuro. Hoje, aos 21 anos, amarga a reserva no Amiens. O meia acumula apenas 161 minutos na temporada, somente nove no Campeonato Francês – na 6ª rodada, na derrota por 2 a 0 diante do Marseille, em 17 de setembro.

Sem prestígio

Contento deve ser negociado nesta janela | Foto: Divulgação/Bordeaux

A situação de Diego Contento no Bordeaux mudou drasticamente de uma temporada para outra. Se em 2016/17 o ítalo-alemão era titular nos Girondins, agora ele sequer entrou em campo na Ligue 1. Suas únicas aparições foram em jogos da Liga Europa. Sem prestígio com o técnico Jocelyn Gourvennec, o lateral-esquerdo, de passagem vitoriosa pelo Bayern, deverá deixar o clube na janela de inverno.

Persona non grata

Grenier é sombra do que já foi | Foto: Divulgação/OL

Depois de três temporadas mágicas pelo Lyon, onde se notabilizou como um meia clássico e de ótima pegada na bola – o que ocasionou as inevitáveis comparações com Juninho Pernambucano no quesito cobrança de faltasClément Grenier virou persona non grata dentro do clube. Derrubado por gravíssimas lesões (que o tiraram da Copa do Mundo de 2014) e problemas extracampo, o meia, que tem contrato até junho de 2018, atuou por apenas quatro minutos na Ligue 1 e está fora dos planos do técnico Bruno Genesio. A tendência é que deixe o clube no meio da temporada.

Dupla de ferro

Atuações ruins e concorrentes como Rami e Abdennour tiraram o espaço de Dória | Foto: Divulgação/OM

Mesmo sem o poderio financeiro do Paris Saint-Germain, o Olympique de Marseille conseguiu investir bastante nessa temporada, fazendo com que alguns nomes calejados sumissem do mapa. Um deles é o do zagueiro brasileiro Dória. Após as chegadas de Aymen Abdennour e Adil Rami, passou a atuar pouco e, atualmente, acumula apenas 85 minutos jogados na temporada e míseros três jogos na Ligue 1. Ele ficou marcado pela catastrófica atuação na goleada sofrida diante do Monaco, por 6 a 1, onde recebeu nota 1 do jornal L’Equipe. O site 10 Sport informa que o Saint-Étienne poderia ser o destino do atleta pouco aproveitado por Rudi Garcia.

Quem vive situação pior é Rod Fanni. O defensor de 34 anos, com passagens pela seleção francesa e uma história de sucesso dentro do próprio Marseille, simplesmente não entrou em campo na atual temporada. O atleta se diz bem fisicamente e tenta encerrar seu contrato com o OM para seguir com a carreira em outro clube.

Na reserva do lanterna

Zagueiro alemão sequer jogou na Ligue 1 | Foto: Divulgação/FC Metz

A terrível campanha do Metz, com míseros 11 pontos em 19 rodadas, só não é mais estranha que a situação do zagueiro alemão Philipp Wollscheid. Com passagens até pela seleção nacional, ele fez apenas uma partida pelo clube grená, e foi pela Copa da Liga. Matéria do Le Républicain Lorrain aponta que o defensor vive péssima fase física, chegando a jogar no time amador do Metz, onde também encontrou dificuldades para mostrar bom nível. Como diz a mesma reportagem, é um mistério a situação de Wollscheid no clube.

Flop rubro-negro?

Sneijder voltou a sofrer com as lesões | Foto: Divulgação/Nice

Uma das principais apostas do Nice na temporada, o holandês Wesley Sneijder foi recepcionado com muita festa do torcedor. Dentro de campo, porém, a resposta não foi em nível igual. Ausente desde a 13ª rodada da Ligue 1, o meia de 33 anos vem sofrendo com a forma física e está fora de combate há um mês devido a um problema muscular. Somando todas as competições, fez oito jogos e deu apenas uma assistência.

Trinca milionária

Lucas e Trapp são reservas de luxo do PSG | Foto: Reprodução

No recheado e milionário elenco do Paris Saint-Germain, um reflexo claro é na sobra para o banco de reservas. Três casos claros são os de Kevin Trapp, Lucas Moura e Hatem Ben Arfa.

O goleiro alemão, que se revezou na titularidade com Alphonse Areola na temporada passada, não tem mais o mesmo espaço com o técnico Unai Emery e atuou por apenas três jogos – dois no campeonato e outro na Copa da Liga. Às vésperas da Copa do Mundo, a tendência é que busque novos ares para ser um dos escolhidos do técnico Jöachim Löw.

Já Lucas, que outrora almejava vaga na seleção brasileira, entrou em campo apenas seis vezes na temporada. Ao todo, acumula 79 minutos e é um dos alvos mais cobiçados do clube parisiense.

Só que mais esquecido que os dois está Hatem Ben Arfa. Num momento de devaneio, ele imaginou que poderia ter espaço entre os titulares, mesmo com o rendimento baixo e as públicas declarações de que não jogaria, e ficou no clube. Sequer entrou em campo e dificilmente seguirá em Paris na segunda metade da temporada.

Sobre as peças descartáveis do PSG, falei mais disso em agosto aqui no Europa Football.

E aí? Entre os esquecidos na Ligue 1, esqueci de mais alguém (com o perdão da redundância)? Deixe sua lembrança na caixa de comentários.

Le Podcast du Foot #70 | Em busca de um lugar ao sol

Natural de Maceió (AL), Otávio foi aparecer para o mundo do futebol no Sul do Brasil. Foi vestindo a camisa do Atlético Paranaense que o volante cresceu na carreira e chamou a atenção do Bordeaux, que o contratou no início da temporada 2017/18.

Sem saber falar francês, tem se virado como pode, seja no curso de idiomas, seja com os funcionários do clube, com os brasileiros do elenco ou até mesmo com o tcheco Jaroslav Plasil, figura icônica do Bordeaux e que aprendeu falar português ao se casar com uma brasileira.

Na língua da bola, tem se entendido bem. Desde que chegou aos Girondins, vem sendo titular com alguma frequência e tem buscado evoluir o quanto pode. A ideia é seguir a linhagem de brasileiros bem-sucedidos do clube, casos de Fernando Menegazzo, Henrique, Wendel, Jussiê, Mariano e, atualmente, Malcom.

O volante de 23 anos foi personagem central da edição #70 de Le Podcast du Foot. Otávio conversou com Eduardo Madeira e Renato Gomes sobre a chegada ao Bordeaux e a primeira metade de temporada na França.

Dê play abaixo e escute o programa:

 

Os flops da temporada francesa

Há duas semanas, trouxe os destaques da temporada 2016/2017 do Campeonato Francês. Só que o ano não teve somente gente se dando bem, gritando “é campeão”, fazendo gols bonitos e encantando os amantes do bom futebol. Tivemos também aqueles que prometeram muito e cumpriram pouco dentro de campo.

Após um período de certa triagem nos escolhidos e até conversas com os colegas de Le Podcast du Foot, fechei a lista e, hoje, trago cinco desses nomes que, como dizem no popular futebolístico, floparam na temporada – ou que pelo menos frustraram qualquer expectativa positiva. Reconheço que a maior parte da lista vem do Paris Saint-Germain, que viu a sequência de conquistar nacionais sendo quebrada, mas dá uma boa discussão.

Sem mais enrolações, vamos aos nomes:

5 – Jesé e Krychowiak

Vindos do futebol espanhol, Jesé e Krychowiak não renderam em Paris | Foto: Geoffroy van der Hasselt/AFP/Getty Images

Só em Jesé Rodríguez e Grzegorz Krychowiak, o Paris Saint-Germain investiu € 58 milhões. É uma grana federal que comprova a inflação do mercado de jogadores, convenhamos. Ambos estão entre as 15 mais caras contratações da história do clube e até custaram mais que nomes importantes da história recente do clube, como Zlatan Ibrahimovic e Marco Verratti.

Uma temporada depois de fazer esse investimento, a sensação é de desolação. Jesé fez apenas nove jogos e anotou um gol na Ligue 1. Na metade da temporada, foi emprestado ao Las Palmas e saiu sem deixar saudades. Hoje, ele é tratado como um problema a ser resolvido internamente. Como firmou contrato de cinco anos, voltará a Paris, mas a contragosto. Em recente entrevista à Rádio Cadena Ser, na Espanha, ele disse que não gostaria de retornar por causa das poucas chances que recebeu. Já Nasser Al-Khelaifi, presidente do clube, disse em dezembro do último ano que errou ao trazer o espanhol. Pepino a vista sobre a situação do atleta.

Já Krychowiak, contratado com o status de peça de confiança de Unai Emery dos tempos de Sevilla, jogou apenas 11 vezes na competição. No meio da temporada, o polonês chegou a jogar no time B por perceber que não tinha espaço na equipe principal. A paciência com ele acabou na reta final e o último jogo que fez foi no dia 12 de março, pela 29ª rodada, na vitória por 2 a 1 sobre o Nancy. Com contrato até 2021, é outro problema a ser contornado em Paris.

4 – Jérémy Ménez

Apesar da decepção, a diretoria do Bordeaux ainda aposta em Ménez | Foto: AFP

Voltando ao futebol francês após duas temporadas no Milan, Jérémy Ménez custou a singela bagatela de € 9,5 milhões ao Bordeaux, segunda maior contratação da história do clube. Dentro de campo, porém, o retorno não aconteceu nesta edição da Ligue 1. Foram 26 jogos (somente sete por 90 minutos), três gols marcados e duas assistências.

Ménez, que almejava retornar à seleção francesa após quatro anos, vê agora essa meta cada vez mais distante. Já com 30 anos e vindo de uma temporada bastante baixa, ele ainda observa nomes talentosos explodirem, com Ousmane Dembélé e Kyllian Mbappé. Hoje está claro que é preciso ir passo a passo e, primeiro, retomar bom futebol dentro do Bordeaux, que não quer se desfazer do alto investimento feito no começo da temporada.

3 – Torcida do Bastia

O ápice das confusões da torcida do Bastia foi contra o Lyon | Foto: OLWeb

Nenhuma torcida incomodou tanto na França quanto a do Bastia. No hall de confusões dos corsos, uma tentativa de agressão ao brasileiro Lucas, do PSG, durante uma cobrança de escanteio, insultos racistas a Mario Balotelli, do Nice, além das cenas de guerra campal com os jogadores do Lyon, fazendo a partida ser suspensa após 45 minutos de bola rolando. As imagens rodaram o mundo e mancharam ainda mais o status de um time que teve a pior campanha entre os 20 times da Ligue 1.

Para quem quiser entender mais a origem desses acontecimentos, que muito tem a ver com a tumultuada região da Córsega, o assunto esteve em debate na edição #63 de Le Podcast du Foot, quando, inclusive, recebemos o correspondendo do Lucarne Opposée no Brasil, Simon Balacheff.

2 – Ben Arfa

Ben Arfa clamou por uma oportunidade em Paris | Foto: C. Gavelle/PSG

Depois de uma temporada acima da média no Nice (com 17 gols e seis assistências), Hatem Ben Arfa parecia ter afastado o status de “garoto-problema” e investir € 10 milhões nele parecia ser um bom negócio. Mero engano – pior para o PSG, que ficou com a batata quente em mãos.

O retorno em campo foi mínimo, com míseros quatro gols e uma assistência (disso tudo, apenas a assistência foi na Ligue 1). Internamente, Ben Arfa era duramente questionado pela falta de empenho nos treinamentos e teria chegado a ouvir de Emery a frase “você não é Messi”.

Não bastasse isso, o atleta externou a insatisfação com a reserva. Na reta final da temporada, publicou um vídeo onde suplicou por uma chance. Disse que não queria jogar em uma posição específica ou algo semelhante, apenas queria uma oportunidade.

Apesar da iminente chance de saída, ele começou o mês de junho dizendo querer ficar em Paris. No Instagram, o atacante publicou um vídeo treinando em uma praia, com a trilha sonora de “Only God Can Judge Me” (Só Deus pode me julgar), de Tupac, e encerrou com o recado “nos vemos em julho”. Resta vez se Emery vai passar a mão na cabeça dele desta vez.

1 – Unai Emery

Emery veio com a meta de fazer o PSG jogar mais… e até agora, não cumpriu | Foto: C. Gavelle/PSG

Não gosto da expressão “obrigação” para títulos, mas ao chegar em Paris, Unai Emery precisava fazer o PSG render mais e dar o passo adiante que não deu com Laurent Blanc – que apesar dos 11 títulos em três temporadas, era cobrado por participações mais convincentes no cenário europeu. Além disso, Emery teve a chance de trazer alguns jogadores que desejava, como os já citados Krychowiak e Ben Arfa, além de Julian Draxler.

O que se viu dentro de campo, porém, foi um rendimento menor do que nos tempos de Blanc. Sem inspiração, lento em transições e nas combinações ofensivas, o PSG de Emery fez força para ganhar jogos que ganhava facilmente em anos passados. A perda do título francês para o Monaco foi puro reflexo de um time que foi sombra de um adversário com menos recursos financeiros, mas que ampliou as capacidades técnicas.

Somado a isso, veio o fracasso diante do Barcelona na Liga dos Campeões e a péssima gestão de elenco, constatada nas mais variadas notícias de insatisfações e cobranças externas dos atletas.

Apesar disso tudo, Emery vai continuar no PSG para a próxima temporada, mas cada vez mais pressionado a fazer o time jogar para salvar a própria pele – e do presidente Nasser Al-Khelaifi.

——————————

E aí? O que achou da lista? Dê sua opinião e amplie o debate!

Qual a origem dos nomes dos estádios franceses? (Parte I)

Não sei vocês, mas sou do tipo de pessoa que fica sempre curioso em saber os motivos de os estádios terem os nomes que têm. Fico instigado a entender se aquele cidadão que está com o nome estampado na fachada foi um jogador importante, um dirigente histórico ou apenas um político da região. Considero saber isso como algo fundamental para entendermos mais das origens dos times.

Motivado por essa curiosidade pessoal, decidir fazer um levantamento justificando os nomes dos estádios das 20 equipes que disputam a primeira divisão do Campeonato Francês nesta temporada 2016/2017.

Como em função da Eurocopa 2016 muitos mudaram de casa e até adotaram os famigerados naming rights em seus estádios, decidi também citar os nomes dos campos antecessores e a razão dos respectivos nomes. Aliás, ‘linkado’ as nomenclaturas estará a localização dos estádios no Google Maps, para que você também possa ver mais de cada um.

Confira agora a primeira das duas partes do especial:

Angers

Estádio Jean-Bouin – inaugurado em 1912 – capacidade para 16.500 pessoas

O estádio homenageia Jean Bouin, um famoso corredor francês do início do século XX, que conquistou uma medalha de prata nos Jogos Olímpicos de 1912, em Estocolmo, na Suécia. Ele foi medalhista nos 5.000 metros livres. Na França, são quase dez estádios com esse nome, incluindo um em Marseille, cidade onde nasceu. No caso do Angers, o estádio foi construído em 1912, com o nome de Bessonneau, em homenagem ao empresário local Julien Bessonneau. Na época, nem existia o Angers, mas sim o Club Sportif Bessonneau. Apenas em 1957 foi rebatizado como estádio Jean Bouin, para homenagear o ex-atleta.

Bastia

Estádio Armand Cesari – inaugurado em 1932 – capacidade para 16.078 pessoas

Casa do Bastia, o Armand Cesari homenageia ex-capitão do time | Foto: SC Bastia

Casa do Bastia, o Armand Cesari homenageia ex-capitão do time | Foto: SC Bastia

Inaugurado em 1932, a casa do Bastia teve como primeiro nome estádio Doutor Luciani, homenagem ao presidente do clube na época e idealizador do projeto. Quatro anos depois, o local foi rebatizado com o nome atual: Armand Cesari. Ele foi membro de uma família bastante atuante no clube. O irmão Jean-Marie jogou pelo time principal, enquanto o pai Joseph Cesari foi presidente do clube entre 1922 e 1925. Já Armand foi capitão da equipe durante um bom tempo, se tornando um dos atletas mais famosos do clube. Ele desapareceu em janeiro de 1936, quando tinha 33 anos. O nome do estádio foi uma forma de homenageá-lo.

Bordeaux

Estádio Matmut-Atlantique – inaugurado em 2015 – capacidade para 42.115 pessoas

O Bordeaux jogou muito tempo no estádio Chaban-Delmas até se mudar para o moderníssimo Matmut-Atlantique, construído entre 2012 e 2015, também visando a Eurocopa de 2016. A questão do nome gerou muitas discussões entre os torcedores, já que a empresa do ramo de companhia de seguros Matmut investiu € 2 milhões para estampar o nome do grupo no estádio por dez anos. Uma ala de torcedores, descontente com isso, realizou uma votação para escolher o novo nome e decidiram por homenagear René Gallice, sexto jogador com mais atuações com a camisa do clube. Por fim, ficou o nome Matmut-Atlantique e a empresa que gere o estádio é a Bordeaux Atlantique, sendo que o financiamento é feito entre a cidade de Bordeaux e a própria empresa.

Sobre o Chaban-Delmas, que homenageia o estadista francês Jacques Chaban Delmas, hoje é de domínio do Union Bordeaux Bégles, clube de rugby. O estádio passou a ser chamado assim em 2001, após a morte dele em 2000 – antes era conhecido como Parc Lescure.

Caen

Estádio Michel D’Ornano – inaugurado em 1993 – capacidade para 20.453 pessoas

Inaugurado em 1993, o estádio do Caen homenageia o político francês Michel D’Ornano. Ele morreu em 1991, após ser atropelado por uma van. A ideia de homenageá-lo foi do senador-prefeito de Caen, Jean-Marie Girault, já que ele entendia que D’Ornano era um amigo dos esportes e a construção do estádio estava ligada ao nome do político. Por via de curiosidade, antes desse estádio, os azuis e vermelhos jogavam no estádio Venoix, em razão do bairro onde está localizado. Em 2013, o local foi renomeado como estádio Claude Mercier, em homenagem a um ex-jogador do clube. O time reserva e de base do Caen utilizam o campo, assim como algumas equipes amadoras que por lá treinam.

Dijon

Estádio Gaston Gérard – inaugurado em 1934 – capacidade para 13.778 pessoas

A casa do Dijon é um dos poucos que tem o mesmo nome desde sua inauguração. Gaston Gérard, que dá nome ao estádio, foi um influente político no início do século passado, tendo sido vice-prefeito de Dijon e primeiro-ministro do Turismo francês. Ele nasceu em 1878 e morreu em 1969, vivendo sempre na mesma cidade, o suficiente para ser imortalizado no estádio da cidade.

Guingamp

Estádio Municipal de Roudourou – inaugurado em 1990 – capacidade para 18.465 pessoas

O nome do estádio do Guingamp é bem simples de explicar: ele fica localizado no distrito de Roudourou. O Guingamp, apesar de ser um clube de 114 anos, só atuou profissionalmente desde 1984. Então, antes do Roudourou, jogava no estádio Yves-Jaguin, que homenageava um ex-presidente do clube nos anos 40. Esse estádio, aliás, vive um momento curioso. O time reserva e de base do Guingamp treinavam ali, mas discute-se a possibilidade de venda do local e até mesmo de uma demolição.

Lille

Estádio Pierre Mauroy – inaugurado em 2012 – capacidade para 50.157 pessoas

Na onda de reformas, o estádio do Lille foi o primeiro a ser concluído | Foto: LOSC

Na onda de reformas, o estádio do Lille foi o primeiro a ser concluído | Foto: LOSC

Originalmente conhecido como Grand Stade Lille Metrópole, o estádio recebeu o nome de Pierre Mauroy, em junho de 2013. A medida foi adotada pelo Conselho Metropolitano de Lille, que visava homenagear o ex-prefeito de Lille e ex-primeiro-ministro, que morreu no mesmo mês. Muitos não gostaram, pois o político não era um grande fã de esportes e que a decisão foi tomada sem consultas a outros órgãos e aos torcedores.

Antes da moderna arena, o Lille jogou em quatro estádios: o Jules-Lemaire (dentista famoso por ter descoberto propriedades antissépticas de ácido de carbono), que foi utilizado até a II Guerra Mundial; Henri Jooris (dirigente bastante atuante na região de Lille) aproveitado após a guerra e até os anos 70; Grimonprez-Jooris (uma homenagem ao próprio Henri Jooris e o ex-campeão de hóquei de campo Félix Grimonprez), utilizado entre 1975 e 2004; e mais recentemente o Lille Metropole, aproveitado entre 2004 e 2012.

Lorient

Estádio Yves Allainmat – Le Moustoir – inaugurado em 1959 – capacidade para 18.500 pessoas

O apelido de “Moustoir” acabou ficando para o estádio do Lorient por ser exatamente o bairro onde o clube fica localizado. Em 1993, a casa dos Merlus foi rebatizada com o nome de Yves Allainmat, ex-vice-prefeito da cidade, que morreu no mesmo ano.

Lyon

Parc OL – inaugurado em 2016 – capacidade para 59.186 pessoas

O moderníssimo estádio do Lyon é gerido pelo OL Groupe, que foi fundado em 1999 para supervisionar o clube. Oficialmente, o estádio se chama Parc OL, mas também é lembrado por Grand Stade de Lyon ou Stade des Lumières. O antigo estádio Gerland, inaugurado em 1920 e utilizado pelo OL desde sua fundação, em 1950, até 2015, levava esse nome por estar localizado no bairro com mesmo nome.

Marseille

Estádio Orange Vélodrome – inaugurado em 1937 – capacidade para 67.394

Entre mudanças e reformas, o OM sempre seguiu no Vélodrome | Foto: Yannick Parienti/OM

Entre mudanças e reformas, o OM sempre seguiu no Vélodrome | Foto: Yannick Parienti/OM

Casa do único francês que já conquistou uma Liga dos Campeões, o mítico Vélodrome ganhou naming rights para dez anos, contando a partir de 2016, da empresa Orange. O nome original, por razões óbvias, se deve ao fato de também abrigar corridas de ciclismo.

*Nos próximos dias, possivelmente após o Carnaval, trago a segunda parte, com as origens dos demais dez times;