Le Podcast du Foot #62 | Desafios europeus de Monaco e Lyon

Os sobreviventes franceses nas competições europeias estiveram em pauta na edição #62 de Le Podcast du Foot. Eduardo Madeira conduziu o programa, que teve os comentários de Renato Gomes, do Centrocampismo, e Vinícius Ramos, do Ici C’est Paris.

Entre os assuntos debatidos esteve o confronto entre Monaco e Borussia Dortmund, pela Champions League. Na terça (11), começa a disputa com a partida de ida, na Alemanha. Será que o time do Principado terá força e ritmo para disputar a série com o BvB e manter o pique nas competições domésticas?

Já o Lyon, que declaradamente abriu mão do Campeonato Francês e passou a focar na Europa League, vai encontrar o Beşiktaş, de Şenol Güneş (técnico responsável por levar a Turquia ao terceiro lugar na Copa de 2002). Ao contrário do Monaco, os gones jogarão a primeira partida em casa, na quinta (13). Não será um confronto fácil e o podcast avaliou as chances do OL no confronto.

Você pode ouvir o programa clicando na imagem abaixo:

Trilha: Ao fundo da edição #62 de Le Podcast du Foot você estará ouvindo a banda Noir Desir e o álbum Des Visages des Figures, lançado em 2001. Com esse álbum, o grupo formado nos anos 80 e que seguiu na ativa até 2010 obteve o disco de platina e ainda ganhou o prêmio de “Álbum de Rock do Ano”, em 2002. O CD completo está disponível no YouTube:

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Weidenfeller não mereceu ser convocado

Weidenfeller deveria fazer essa cara ao saber da convocação

Weidenfeller deveria fazer essa cara ao saber da convocação

Aos 33 anos, Roman Weidenfeller, goleiro do Borussia Dortmund, recebeu sua primeira convocação para defender a Seleção Alemã. Convocação injusta, diga-se de passagem.

Weidenfeller não merece porque é ídolo de um time que ajudou a tirar da lama.

Não merece porque está há pelo menos dois anos jogando mais que Manuel Neuer, que é mero expectador dos jogos do Bayern.

Não merece porque não vale a pena ser banco deste mesmo Neuer.

Não merece porque toda vez que entra no Signal Iduna Park, se sente pisando em uma arena de gladiadores, e que a camisa amarela e preta é um escudo muito mais forte que a branca com o brasão alemão bordado.

Não merece porque não precisa estar entre os ditos “melhores” para ser “o melhor”.

Não merece porque tem alma, coisa que uns e outros convocados não têm.

Não merece porque preza pelo amor ao jogo e ao clube, coisa que outros tantos convocados nunca nem ouviram falar.

Não merece porque ser sinônimo de Borussia Dortmund é muito mais relevante que ser mais um na seleção.

Não merece porque não é jogador pra ser convocado quando a Alemanha não precisa de resultado.

Não merece porque a seleção não tem necessidade, assim como ele não necessita estar nela.

Não merece porque Joachim Löw é louco.

Não merece porque sua carreira não vai ser um algo mais só por ter o nome presente em uma fichinha da DFB (Federação Alemã).

Weidenfeller não precisa da seleção!

Ele não merece defender o time de Löw. Tudo que ele precisa para ter carreira completa está em Dortmund e nunca sairá de lá. O que lhe completa é o clube, a torcida e a mística do Westfalenstadion.

A Seleção Alemã não vai ser nada na sua carreira. Vai acrescentar o que? Que jogou por um time que não ganha nada desde os anos 90?

Recuse Weidenfeller! Recuse a convocação e deixe Löw fracassar junto com os “desalmados”.

Boateng, Oliver Kahn tem nojo de você

ATENÇÃO: Este post contém altas doses de parcialidade, rancor e revolta, além de não possuir nada, realmente nada de vergonha na cara e nenhum fim jornalístico. Se você não entendeu a motivação, favor ler o post anterior; se você entendeu e se indignou, só lamento, eu tentei avisar.

Em 2001, Oliver Kahn mostrou que até o mais feroz dos titãs pode ter seu lado sensível…

Kahn ganhou o prêmio Fair Play pelo consolo ao derrotado Cañizares

Kahn ganhou o prêmio Fair Play da Uefa pelo consolo ao derrotado Cañizares

… em 2013, Jérôme Boateng mostrou que a inteligência é limitada e a imbecilidade não tem fim.

Boateng repetiu a provocação de Subotic do ano anterior

Boateng repetiu a provocação de Subotic do ano anterior

Esse parágrafo pode beirar a hipocrisia, mas a provocação do Subotić foi diferente a qual sofreu. Quando o sérvio praticamente invocou todos os espíritos malignos de Mun-Ha para cima de Robben, após o holandês perder um pênalti, ainda havia jogo, ou seja, o Bayern poderia empatar. Além disso, o campeonato teria sequência, alguém poderia fazer lavagem cerebral em todo elenco do Dortmund e eles perderem todos os jogos e o caneco parar na Baviera.

Já Boateng parou de fazer festa só para tirar onda com Subotić, tudo estava acabado, a festa era deles e poderia ter passado sem essa.

Não creio que Oliver Kahn tenha gostado disso.

Final tática

Os alemães invadirão o Wembley (Franck Fife - AFP/Getty Images)

Os alemães invadirão o Wembley
(Franck Fife – AFP/Getty Images)

O Bayern de Munique marcou 29 gols em 12 jogos na Uefa Champions League, média de 2,41 por partida; o Borussia Dortmund fez 23, com a mesma quantidade de atuações, média de 1,91. Como se não fosse o bastante, os bávaros finalizaram 188 vezes e os aurinegros 162. Esses times são nada mais, nada menos que o 1º e o 3º melhores ataques e finalizadores do torneio, respectivamente.

Para quem não conhece os dois times, a final deste sábado indica um jogo aberto, com chances para os dois lados e muitos gols. Sinto em dizer que não será bem isso que acontecerá.

Borussia Dortmund e Bayern se conhecessem muito bem e seus jogos recentes estão sendo qualquer coisa, menos abertos. Tirando a decisão da DFB Pokal de 2012 em que o BvB enfiou 5×2 nos bávaros, os confrontos recentes estão sendo de alto nível tático, técnico, mas de poucos gols.

A briga tática tem sido tão ferrenha que jogos recentes estão provocando confusões dentro e fora de campo. São times equilibrados, apesar da diferença da folha salarial e da quantidade de jogadores dentro dos elencos de cada time.

ARMAS DO DORTMUND

720436_Borussia_DortmundSem Mário Götze (lesionado?), o técnico Jürgen Klopp não deve inventar e entrará com Kevin Grosskreutz. Essa alteração provocaria o deslocamento de Marco Reus para a faixa central com o polivalente camisa 19 ocupando o lado esquerdo. O Borussia Dortmund perde em qualidade técnica, mas ganha em fôlego no meio campo e em um ponto extremamente citado para essa final: força tática.

Grosskreutz pode não ser um primor técnico, mas pode se tornar uma das peças chave nesse duelo. Nas temporadas do bicampeonato alemão sua dobradinha com Marcel Schmelzer dava muito certo. O lateral-esquerdo aparecia bem no ataque para cruzar e finalizar, sabendo que Grosskreutz seguraria as pontas na defesa, além deste ser um grande auxiliador na recomposição e ainda chegar com eficiência no ataque.

O lado esquerdo de defesa do Dortmund deverá estar atento em boa parte do jogo, pois é justamente nesse local que o Bayern concentra sua movimentação. Thomas Müller, que foi deslocado para o centro com a lesão de Toni Kroos, cai por esse lado junto com o centroavante Mario Mandžukić, que sempre deixa a área desocupada para os meio-campistas caírem por ali.

Além disso, o Bayern conta com a presença de Arjen Robben que começou a temporada em baixa e só retomou espaço nessa reta final de temporada. Sua jogada manjada, porém, complicada de marcar de abrir pra canhota e bater colocado é o que exigirá mais da dupla Grosskreutz e Schmelzer.

No lado oposto também há uma dupla de enorme respeito: Piszczek e Kuba. O primeiro é, para mim, o melhor lateral-direito do planeta, acima até do rival Philipp Lahm e tem como grande arma a subida veloz ao ataque e o bom cruzamento. Isso influencia quando se tem no lado oposto um lateral muito ofensivo como Alaba. Kuba me agrada muito por saber ditar o ritmo do time. Quando é preciso correr, corre, quando é preciso cadenciar, cadencia. Ele é um dos pontos de equilíbrio do time e isso deve ser destacado.

Mesmo com esses pontos positivos, o peso deve cair sobre a dupla Lewandowski e Reus. Indiscutivelmente os dois estão entrosados e tem estilos de jogo que se encaixam. O polonês tem presença de área, mas sai dela também para tabelas rápidas. Nessas saídas, Reus pode ser um dos que ocupará o espaço vazio para finalizar.

O banco de reservas é o ponto de desequilíbrio entre os dois times. A única opção que pode mudar o jogo favorecendo ao Dortmund é Nuri Şahin. Sua entrada geralmente é no lugar de um dos três meias e formar um tripé na faixa cerebral do time com Bender na proteção e o turco ao lado de Gündoğan na armação. Esse sistema foi pouco utilizado, mas é uma das escassas, senão única alternativa que Klopp poderá utilizar durante o jogo caso o resultado não lhe agrade.

BAYERN E A POSSE SUFOCANTE

720437_FC_Bayern_MunchenApesar do equilíbrio, o Bayern leva ligeiro favoritismo nesta decisão. Jupp Heynckes, além de contar com um elenco mais rodado, armou a equipe de uma forma tão boa que as ausências de Kroos e Badstuber não estão sendo sentidas. O belga van Buyten e o alemão Boateng se revezam na função deixada por Badstuber e não estão comprometendo, enquanto Kroos deu lugar ao holandês Robben que voltou a boa fase.

A posse de bola bávara talvez seja o grande ponto favorável do time. Diferente do Barcelona, o controle do Bayern é mais forte, pressiona muito e sufoca o adversário, fazendo com que a posse de bola não se torne algo soberbo, mas imponente, obrigando o oponente a se defender.

Parte dessa posse sufocante é mérito do meio-campo extremamente técnico. Bastian Schweinsteiger, Javi Martínez, Arjen Robben, Thomas Müller e Franck Ribéry compõem a faixa de defesa e criação, demonstrando características de toque de bola, cadência, mas avanço diagonal e pressão do adversário.

Outro fator que traz vantagem ao Bayern é a supracitada movimentação dos homens de frente. Como já comentei em outras oportunidades, o deslocamento de Mandžukić da grande área nunca é em vão. Ele abre espaços para companheiros do meio-campo e nunca deixa a área desguarnecida. É complicado neutralizar esse tipo de jogada, pois proporciona uma intensa movimentação de jogadores de características diferentes.

Essa troca é diferente do que ocorre no Borussia Dortmund. Nos aurinegros, Lewandowski deixa a área para fazer tabelas curtas e rápidas, enquanto Mandžukić participa da armação de jogadas no Bayern.

Como se não fosse o bastante, Jupp Heynckes ainda conta com um poderoso banco de reservas. Shaqiri, Gomez, Pizarro e Luiz Gustavo são apenas algumas das opções que o veterano técnico terá à disposição entre os suplentes.

Para resumir toda ladainha escrita nos últimos parágrafos, basta dizer que todas as características citadas estão nas pranchetas de Heynckes e Klopp, assim como já estão mentalizadas nas cabeças dos jogadores envolvidos na decisão. Eles se conhecem muito e parte da rivalidade recente vem dessa ciência.

Temos tudo para acompanhar um grande jogo, mas muito, muito mesmo, marcado pelo estudo, pelo conhecimento e pela tática.

Bayern x Dortmund – Perfil dos elencos

A grande semana da temporada 2012/13 na Europa chegou. No próximo sábado (25), Bayern de Munique e Borussia Dortmund irão se enfrentar no estádio Wembley, em Londres, valendo o título máximo de clubes do continente.

Como não poderia deixar de ser, o Futebol Europeu Online preparou uma série de posts especiais para a grande decisão do sábado. Para dar o pontapé inicial, você confere o perfil dos prováveis 22 jogadores titulares da partida com a análise deste blogueiro que vos escreve.

Confira:

Bayern x BVB - Goleiros

“Todo bom time começa com um bom goleiro”, essa frase antiga deve ser usada para descrever Bayern e Dortmund – e para a maioria dos times alemães. No lado bávaro, Manuel Neuer veste a camisa 1 e também é o titular da seleção alemã, no lado borussiano, quem ocupa o mesmo status é Roman Weidenfeller, dois goleiros de alto nível.

Neuer é o tão esperado substituto de Oliver Kahn. Os bávaros apostavam suas fichas em Rensing, que hoje é reserva do Bayer Leverkusen, depois em Thomas Kraft, titular do Hertha Berlin, mas nenhum dos dois vingou. A alternativa foi Neuer, goleiro do Schalke, que finalmente trouxe segurança a meta bávara quebrando vários recordes e justificando o alto investimento.

Já Weidenfeller foi ensinado na tradicional escola de goleiros do Kaiserslautern e já está há mais de dez anos no Borussia Dortmund. Ele já disputou mais de 250 partidas pelo clube e é sinônimo de segurança na meta. Com um time muito ofensivo, muitas vezes a bomba explode na defesa e sua participação tem sido muito importante.

Não ouso dizer quem é melhor, não escondo meu gosto pela técnica e segurança de Weidenfeller, apesar de não ser goleiro de seleção como Neuer. Os dois times estão bem servidos na função, isso é fato.

Bayern x BVB - LD

Em minha visão, a final da Uefa Champions League colocará frente-a-frente os dois melhores laterais-direito do mundo. Philipp Lahm é mais completo, marca e ataca com extrema eficiência, apesar de ter vivido momento de instabilidade na temporada passada, já o polonês Piszczek não é tão firme defensivamente, mas é uma flecha no ataque, se tornando uma ótima opção ofensiva ao lado do compatriota Kuba.

Geralmente as laterais dos dois times servem como “válvulas de escape”, mas essa final será muito estudada e de poucos espaços. Lahm deverá estar ocupado com Reus e Götze que deverão agir em seu lado, assim como Piszczek terá enormes preocupações com a dupla Ribéry e Alaba. Creio que suas participações mais efetivas serão defensivas.

Bayern x BVB - Z1

Nessa disputa, não há dúvidas que Subotić leva vantagem. O sérvio é mais técnico, mas não teme em dar chutões quando necessário. É um ponto de equilíbrio na defesa do Borussia Dortmund e se completa com Hummels.

Daniel van Buyten não é o zagueiro dos sonhos, mas não o considero tão ruim como muitos pregam. Apesar da altura, o belga tem alguma desenvoltura com a bola no pé e amadureceu com o tempo, comprometendo menos. Além disso, seus quase dois metros de altura lhe dão muita vantagem na bola aérea. O que pode pesar é o trauma da final de 2010, onde ficou marcado por ser entortado pelo argentino Diego Milito na final do Santiago Bernabéu. Até por isso, não seria nenhuma surpresa a entrada de Jérôme Boateng em seu lugar.

Bayern x BVB - Z2

Dante e Hummels são os principais jogadores da defesa de seus times. O brasileiro mostrou enorme personalidade ao vestir a camisa do Bayern após vários anos em clubes que até possuíam tradição, mas que não almejavam do status bávaro. Ele é titular absoluto e conseguiu seu espaço na seleção brasileira.

Já Hummels é cria do próprio Bayern, mas não foi aproveitado. O Dortmund sentiu a oportunidade e, hoje, conta com o principal zagueiro do país. Apesar disso, sua temporada não foi das melhores. Além de algumas lesões que o tiraram de diversos jogos, o jovem defensor cometeu algumas falhas grotescas durante a temporada, o que só reforça a minha teoria de que Hummels não comete erros isolados, se ele falhar, pode ter certeza que ele irá repetir o erro durante a partida.

Por esse fator, creio que Dante leva ligeira vantagem. É óbvio que Hummels é um zagueiro de maior qualidade, mas o brasileiro parece ter mais sangue frio e isso pesa.

Bayern x BVB - LE

Outra disputa boa, mas de jogadores com características diferentes. David Alaba, apesar de ter surgido mesmo como lateral, já foi aproveitado no meio campo e sempre mostrou ótimas qualidades ofensivas. O austríaco possui mais técnica e consegue “casar” bem seu estilo com o francês Franck Ribéry que atua em seu lado.

Marcel Schmelzer é um lateral à moda antiga. Seus avanços ao ataque são mais eficazes e menos cadenciados. O alemão tem bom chute de esquerda e faz valer também em seus cruzamentos. Nesta temporada, cresceu de rendimento defensivamente porque Grosskreutz perdeu espaço para Reus, diminuindo o auxílio que vinha do camisa 19.

Nesta final, nenhum dos dois leva vantagem em minha visão. Alaba terá que parar a forte dupla Kuba e Piszczek, enquanto Schmelzer terá de segurar Robben – querendo tirar a fama de pipoqueiro – e o eficiente Lahm. Missão dura para ambos.

Bayern x BVB - V1

Tudo que você já ouviu de “volante moderno” pode ser integrado nas duas duplas de volantes. Começando pelos responsáveis pelo trabalho sujo no meio-campo. No Bayern, esse cara é Javí Martínez, contratação cara e que desbancou Luiz Gustavo na cabeça de área. Apesar de jogar mais avançado que Schweinsteiger, o espanhol acaba pegando mais firme na marcação, não à toa tem quatro cartões amarelos na Liga dos Campeões. Isso não o impede de chegar forte no ataque, demonstrar eficiência na bola aérea e nos chutes de média distância.

Sven Bender assumiu a titularidade no Dortmund apenas na reta final de temporada. O experiente Sebastian Kehl era o titular na função e o camisa 6 só conseguiu tomar a posição nos jogos decisivos da Liga dos Campeões. Bender é dinâmico e tem excelente passe, não desempenha a liderança de Kehl, mas tem mais vigor.

Bayern x BVB - V2

Chegamos agora em Schweinsteiger e Gündoğan, dois volantes de características semelhantes: dois meias que aos poucos adequaram seus estilos às funções defensivas. Schweini chegou a atuar como ponteiro no início da carreira, hoje é o volante mais recuado do Bayern, armando o jogo da cabeça de área. Já Gündoğan sempre atuou pela faixa mais central, ora como meia, ora como volante. O jogador de origens turcas sempre se incorpora a linha de três meias do Dortmund e demonstra várias qualidades na distribuição de jogo e na condução de bola.

Schweinsteiger talvez seja o principal jogador da Liga dos Campeões e nisso leva vantagem, mas sendo um dos jogadores que passou pelos dramas dos vices recentes do clube, pode sentir a partida, coisa que tem sido rotineira em jogadores de sua geração.

Bayern x BVB - MD

A faixa direita do gramado dos dois times possui jogadores de qualidades e características diferentes. Robben é mais habilidoso, técnico e tem um preciso chute de perna esquerda, enquanto Kuba é muito voluntarioso, tem bom controle de bola, finaliza bem e pode desempenhar mais de uma função.

Nesse caso, apesar da vantagem técnica do holandês, atribuo a vantagem no confronto ao polonês. Para começo de conversa, Robben só ganhou a posição de titular com a lesão de Toni Kroos, além disso, ficou marcado por erros em momentos decisivos por Bayern e seleção holandesa. Não creio que sejam casos isolados, Robben tem um lado pipoqueiro e muitas vezes ele fala mais alto.

Bayern x BVB - ME

Disputa altamente equilibrada entre Ribéry e Reus. O francês está há um bom tempo no Bayern e sempre foi um jogador decisivo, porém, baterá de frente com a dupla Kuba e Piszczek que tem lhe causado inúmeros problemas nos embates recentes.

Marco Reus chegou nesta temporada ao Dortmund, mas parece estar há anos no clube. Apesar da idade, o meia nunca tremeu nas horas decisivas e marcou em partidas importantes da Liga dos Campeões como contra o Manchester City e o Málaga.

Difícil apontar quem leva vantagem neste duelo, a única coisa certa é que os laterais adversários terão dificuldades na marcação, principalmente quando tiveram que subir ao ataque.

Bayern x BVB - MA

Junto com Reus, citado anteriormente, Müller e Götze formam o trio de ouro do futebol alemão. Além de atuarem juntos na seleção alemã, os dois estarão juntos em 2013/14 no Bayern, já que o borussiano reforçará o time bávaro. A situação de enfrentar um futuro clube pode não pesar – isso é normal na Alemanha – mas a pressão em cima de um rapaz que tem apenas 20 anos pode complicar. É nesse ponto que Jürgen Klopp deve se concentrar no trabalho psicológico com Götze.

É por isso que considero Müller como uma peça mais decisiva na partida. Ele pode não ter a habilidade e nem a técnica do adversário, mas possui uma estrela enorme. Além dos gols contra o Barcelona na semifinal, o meia-atacante fez o gol bávaro na última final europeia.

Bayern x BVB - CA

Mandžukić e Lewandowski possuem características semelhantes, mas elas são exploradas de formas diferentes em seus times. Ambos podem atuar fora da área como armadores, mas são empurrados para o ataque. Essa função é explorada no croata com a troca de posição com Müller, movimentação essa que provoca confusão nas defesas adversárias. Já Lewandowski não sai tanto da área, mas quando a deixa é para fazer tabelas rápidas que deixam os três meias próximos do gol.

Difícil apontar uma vantagem nessa situação. Lewandowski é mais atacante, seus dez gols contra dois do croata mostram isso, mas suas funções táticas são de extrema importância para a participação dos meias no ataque. Dou um voto de confiança para o polonês pela sua capacidade técnica.

Bayern x BVB - DT

Duelo antagônico entre os técnicos. Josef “Jupp” Heynckes já está em sua terceira passagem pelo Bayern, nono clube de seu currículo, e busca também o nono título de sua carreira, segundo de Liga dos Campeões da Europa. Klopp é 22 anos mais novo, mas já é um dos técnicos mais reconhecidos na Europa.

O título passa pelos dois. Bayern e Dortmund se conhecem muito bem, assim como os treinadores sabem das possíveis cartas nas mangas que o oponente pode ter. Nisso Heynckes leva vantagem. Além de ter um elenco maior, ele já demonstrou saber alterar melhor durante os jogos. Klopp até consegue explorar ao máximo seu plantel, mas nunca fui um grande “alterador”.

Os onze gols que a Alemanha precisava

A final da Liga dos Campeões será alemã (Franck Fife - AFP/Getty Images)

A final da Liga dos Campeões será alemã
(Franck Fife – AFP/Getty Images)

Bayern de Munique x Borussia Dortmund é a final de Liga dos Campeões da Europa que o futebol alemão tanto aguardava. De um jeito ou de outro o campeão será germânico e isso por si só será um alívio para todos que trabalham com o futebol no país. Desde o título europeu e mundial do Bayern em 2001, os clubes alemães e também a seleção têm acumulado decepções em momentos decisivos.

Desde 2001, Borussia Dortmund e Werder Bremen foram vice-campeões da Copa da Uefa, o Bayern ficou com o segundo lugar da Liga dos Campeões em duas oportunidades e a seleção alemã teve de se contentar com um vice-campeonato e o terceiro lugar da Copa do Mundo em duas oportunidades, além de um vice-campeonato europeu e uma inesperada eliminação na semifinal da edição de 2012.

Vale salientar que, tirando o vice-campeonato do Borussia Dortmund na Copa da Uefa e da Alemanha na Copa do Mundo, ambos em 2002, todos os outros tropeços foram depois de 2006, quando novas gerações de jogadores passaram a vestir as camisas dos grandes clubes do país, além, é claro, da seleção.

Bastian Schweinsteiger, Manuel Neuer e Phillip Lahm são apenas alguns dos que já vem desde a geração de 2006 – apesar do goleiro não ter disputado a Copa daquele ano – outros como Mário Götze, Marco Reus, Mesut Özil e Toni Kroos surgiram mais recentemente, mas todos eles sofrem até hoje com o estigma de serem ótimos jogadores, formarem times condizentes com suas qualidades individuais, mas que pecam na hora da decisão.

Os onze gols que Bayern e Dortmund marcaram contra a poderosa dupla Barcelona e Real Madrid se tornou o momento chave da afirmação da força do futebol no país. Futebol envolvente, toques rápidos e nenhum medo do rival. Essas foram as características que colocaram a Alemanha, pelo menos nesta temporada, no topo do futebol europeu.

No fundo, a decisão que será realizada no Wembley será um grande teste para o futuro da seleção alemã. No dia 25 de maio, Joachim Löw poderá observar nos dois times quem são os “caras”, quem não treme e pode ser decisivo para tirar a Alemanha da fila que será de 18 anos sem título em 2014.

Thomas Müller marcou nos dois jogos diante do Barcelona (Quique Garcia - AFP/Getty Images)

Thomas Müller marcou nos dois jogos diante do Barcelona
(Quique Garcia – AFP/Getty Images)

No momento, o grande nome é Thomas Müller. Apesar de Reus e Götze pintarem como futuras estrelas da seleção, o meia-atacante bávaro voltou a jogar bem após acumular atuações fracas depois da Copa do Mundo de 2010. Müller é peça fundamental do time de Jupp Heynckes e o período em que colocou Arjen Robben no banco foi primordial para seu amadurecimento.

O momento ruim do holandês proporcionou a Müller a vaga no time titular em sua melhor função: a ponta direita e por ali voltou a mostrar o bom futebol que lhe rendeu vários elogios durante a última Copa.

O amadurecimento se mostrou nítido após a lesão de Toni Kroos, ainda nas quartas-de-final da Liga dos Campeões. Robben entrou no time, o que forçou um deslocamento de Müller para a faixa central na linha de três meias do Bayern e ele, diferente de temporadas anteriores, apresentou um bom futebol e marcou três dos sete gols de seu time na massacrante série sobre o Barcelona nas semifinais.

Falta esse amadurecimento pegar em outros atletas do time. Thomas Müller é ótimo jogador, mas não chega a ser um grande craque. Como citado anteriormente, Mário Götze e Marco Reus se aproximam mais dessa alcunha e essa final de 2013 marca o ponto de ebulição para, no mínimo, o início do amadurecimento desses atletas. Enquanto isso, para Schweinsteiger, Lahm, Weidenfeller e outros será a caminhada final rumo à consagração máxima que suas carreiras necessitam.

Mas, acima de todo amadurecimento e quebra do jejum de títulos, a final da Liga dos Campeões de 2013 será o momento em que a supremacia alemã será sentida. Desde 2010 fala-se nisso. Desde 2010 fala-se da nova geração. Desde 2010 fala-se do novo estilo de jogo do país. E, principalmente, desde 2001 fala-se do tão almejado título internacional.

O gigante tcheco

Quarentão, Koller já salvou o Dortmund evitando gols(Foto: Getty Images)

Quarentão, Koller já salvou o Dortmund evitando gols
(Foto: Getty Images)

No dia 30 de março de 1973, nascia em Smetanova Lhota, na antiga Tchecoslováquia, um dos personagens mais marcantes do futebol europeu nas últimas décadas: Jan Koller. Com seus dois metros e dois de altura e sua reluzente careca, era impossível assistir um jogo de seu time e não nota-lo em campo.

Em sua extensa carreira, foram mais de 550 jogos como profissional e 279 gols, sendo 55 deles pela seleção tcheca, que defendeu entre 1999 e 2009. Esses números colocam Koller como artilheiro máximo de seu país, empatado em quantidade de partidas com Pavel Nedvěd.

Porém, uma das histórias mais marcantes de sua carreira não envolveu nenhum gol marcado e sim alguns evitados.

Essa história aconteceu em novembro de 2002. Na época, Koller, já campeão alemão pelo Borussia Dortmund na temporada anterior, carregava parte da simpatia do torcedor por seus 11 importantes gols no ano do título. Essa afeição dos fãs com o tcheco aumentou na ocasião que citarei nos parágrafos seguintes.

O Borussia Dortmund foi ao estádio Olímpico de Munique encarar o Bayern em jogo válido pela 12ª rodada da Bundesliga. Os dois times estavam próximos na tabela de classificação e qualquer deslize já poderia traçar o destino de ambos no torneio, apesar do princípio de campeonato. Até por isso, a partida foi tensa, principalmente no lado borussiano. Seis cartões amarelos foram distribuídos pelo árbitro Michael Weiner, cinco deles para o Dortmund.

Tal postura emocional estava justificada pela maneira com o qual o jogo se desenrolou. Koller abriu o placar na etapa inicial, aproveitando passe do brasileiro Amoroso, porém, o BvB foi para o intervalo sem Frings, expulso por ter recebido dois cartões amarelos. O Bayern se aproveitou e com vinte minutos no segundo tempo já havia virado a partida.

No gol da virada, a revolta dos jogadores do Dortmund com um possível impedimento de Claudio Pizarro foi tão grande que Jens Lehmann se exaltou, conseguindo ser expulso e deixando seu time em situação delicada, pois Mathias Sammer havia efetuado sua terceira alteração dois minutos antes.

Sobrou para o gigantão Jan Koller. Quando surgiu na República Tcheca, ele era goleiro, mas ao chegar às categorias de base do Sparta Praga, virou atacante. Nada poderia ser mais estarrecedor para o torcedor do Borussia Dortmund: seu time perdia por 2×1, via seu goleiro ser expulso e passaria pelo drama de ter um centroavante de mais de dois metros defendendo sua meta por vinte minutos.

O que deveria ser o apocalipse para o Dortmund, acabou sendo um dos episódios mais insólitos da história do clube. Koller não só assumiu a bronca como foi bem de goleiro. Além de não sofrer gols, o tcheco mostrou qualidade na saída da meta – não era pra menos, com mais de dois metros – e ainda agarrou um potente tiro de Michel Ballack no último lance do jogo. Koller até tentou marcar um gol de cabeça no fim da partida, mas não foi capaz de evitar a derrota. Ao menos evitou o alargamento do marcador…

A conceituada revista Kicker valorizou tanto a atuação do tcheco que o colocou como “homem do jogo”.

Após deixar o Dortmund em 2006, depois de 73 gols em mais de 160 partidas, o tcheco se aventurou em outros países, como França e Rússia e até mesmo na Baviera, jogando pelo Nürnberg, mas não pôde vencer as lesões. Em 2011, jogando pelo Cannes na 3ª divisão francesa, o atacante encerrou seus 17 anos de carreira.

Fica registrada nossa homenagem ao novo quarentão, Jan Koller, o gigante tcheco!