Exclusivo: Girotto enaltece trabalho de Ranieri: “procuro aprender todo dia”

Andrei Girotto foi contratado nesta temporada | Foto: FC Nantes

Blumenau, Belo Horizonte, São Paulo, Kyoto, Chapecó e agora Nantes. O roteiro da carreira de Andrei Girotto é um tanto quanto incomum. Circulou por clubes de pequeno e médio porte, teve chances em grandes centros, fez gols importantes (palmeirenses que me digam) e agora tem a grande chance da carreira no futebol europeu.

Desde agosto deste ano, o meio-campista de 26 anos veste a camisa do Nantes, equipe oito vezes campeã francesa. Nesta temporada, os Canários são uma das atrações da Ligue 1, já que são comandados pelo italiano Claudio Ranieri, campeão inglês da temporada 2015/16 com o modesto Leicester City. É o primeiro clube que comanda desde a saída do time britânico.

O início de temporada tem sido promissor e a equipe ocupa a 4ª colocação, com 16 pontos. Girotto, titular em cinco jogos, já marcou um golaço, na vitória por 1 a 0, sobre o Caen.

No momento, o Nantes estaria voltando a disputar um torneio europeu, fato que não ocorre desde a temporada 2004/05. Engana-se quem pensa que isso é um sonho. Em entrevista exclusiva ao Europa Football, Girotto confirmou que o objetivo é buscar uma dessas vagas internacionais e enalteceu o trabalho de Ranieri. “Busco sempre estar atento ao que ele fala para ir aprendendo com o tempo”, afirmou o camisa 20 do Nantes.

Confira abaixo como foi o bate papo com o meio-campista brasileiro:

Europa Football: Você estava bem na Chapecoense e acabou se transferindo para a Europa. Como foi que o Nantes entrou na tua carreira? Foi uma decisão difícil?

Andrei Girotto: Foi uma decisão muito complicada, pois eu estava num ótimo momento na Chapecoense, feliz no clube e na cidade, quando chegou a proposta do Nantes. Porém, sempre tive o sonho de jogar no futebol europeu e o Nantes é um grande clube e tem grandes ambições na temporada. Além disso, o futebol francês tem uma visibilidade muito grande e isso tudo fez com que eu aceitasse a proposta para jogar na França.

Chegasse já com a temporada andando. Como isso influenciou na sua adaptação?

Cheguei aqui após as duas primeiras rodadas do Campeonato Francês, então precisei tentar me adaptar o mais rápido possível. O elenco possui alguns brasileiros e eles me ajudaram muito no dia-a-dia para me sentir o mais à vontade. É claro que a adaptação completa leva tempo, mas no decorrer dos dias a gente vai se sentindo mais em casa e as coisas evoluem naturalmente.

O Nantes tem Lima e Diego Carlos, ambos também brasileiros. Como foi a recepção dos dois?

A recepção deles foi muito boa, e me ajudaram muito no meu começo aqui no Nantes. Acho importante essa parceria para que as coisas aconteçam da melhor forma possível e estou muito feliz por esse companheirismo.

Lima (esq.) é um dos brasileiros do elenco | Foto: FC Nantes

A Ligue 1 é um campeonato mais pegado que alguns outros, e você já recebeu três cartões amarelos em seis jogos. Isso tem relação ou os cartões foram questões casuais, de jogo mesmo?

O futebol na França realmente é mais pegado, mas os cartões que tomei, dois deles, pelo menos, eu contesto até agora. Um, a falta não existiu; o outro, foi numa dividida normal de jogo, onde o adversário e eu buscamos pegar a bola. Mas são coisas que acontecem, fazem parte do jogo, e o importante é não receber muitos cartões para não desfalcar a equipe.

O que tem aprendido com Claudio Ranieri? Como ele se comporta com os jogadores?

É um grande treinador e eu procuro aprender todo dia com ele. Muitos jogadores tem a vontade de estar com ele, pois é um cara que tem uma ótima relação com todo mundo e busco sempre estar atento ao que ele fala para ir aprendendo com o tempo.

Nantes começou muito bem a Ligue 1, ocupando as primeiras colocações. Até onde vai o fôlego do time? Dá para pensar em vaga em torneio internacional?

Começamos muito bem, com uma ótima sequência de vitórias, e pretendemos continuar assim até o fim do campeonato. Sabemos que é um torneio muito difícil, com grandes equipes, mas vamos pensando jogo a jogo para conseguir pontos importantes, que nos credenciem a, no final do torneio, ocupar as primeiras posições, buscando vaga nos torneios internacionais.

No que você entende que precisa melhorar?

Eu me adaptei muito bem ao estilo de jogo que o treinador gosta de colocar em prática. Acho que o ritmo de jogo daqui é diferente em relação ao Brasil, então, isso é algo que, com o tempo, a gente vai aperfeiçoando.

A torcida do Nantes é reconhecidamente fanática. Qual sua primeira impressão dos torcedores e também do estádio Le Beaujoire, do ambiente criado nos jogos?

A torcida é fantástica e o ambiente no estádio é o melhor possível. Eles são muito fanáticos, não param de apoiar um minuto sequer e para quem está ali no campo é muito importante sentir esse carinho e essa vibração. Fiquei muito feliz com a recepção que eles me deram aqui no Nantes e procuro devolver esse carinho dentro de campo.

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Le Podcast du Foot #65 | Os novos técnicos da Ligue 1

A temporada 2017/18 do Campeonato Francês promete ser interessante nas casamatas dos 20 times participantes. Isso porque alguns clubes optaram por trazer novos treinadores e apostaram em nomes que prometem mudar o cenário do torneio.

O nome mais chamativo é o de Marcelo Bielsa (foto). Referendado técnico, tido como exemplo para muitos treinadores, como Pep Guardiola, o argentino retorna à França após dois anos para comandar o Lille.

Outros times que apostam em novos técnicos são Saint-Étienne e Nantes. Os Verdes trouxeram Óscar García, ex-Red Bull Salzburg, e os Canários apostam no italiano Cláudio Ranieri, campeão inglês com o Leicester City na temporada 2015/16.

Esse novo cartel de treinadores da Ligue 1 foi tema de debate em Le Podcast du Foot #65. Eduardo Madeira, Filipe Papini e Renato Gomes discutiram o assunto na nova edição do programa.

Ouça abaixo e deixe sua opinião abaixo!

Opostos… mas não tanto

Mais uma semana, mais jogos da Champions League. Assim como na última semana, volto aqui para mais uma prévia dos duelos que virão nesta semana. Leia abaixo o que espero dos quatro confrontos da semana.

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Um dos duelos mais equilibrados desta fase de oitavas-de-final da UEFA Champions League é entre Olympique de Marseille e Internazionale. Porém, a fase de ambas as equipes não traduz muito essa igualdade.

O time francês, que iniciou mal a temporada – o Marseille chegou a ficar na lanterna da Ligue 1 -, se ajeitou dentro das quatro linhas e não perde desde novembro. Já a esquadra italiana está com seu segundo comandante. Após os fracasso com Gasperini, Claudio Ranieri assumiu e parece tomar o mesmo caminho de seu antecessor. A Inter não vence a seis partidas e tem acumulado vexames, como as derrotas por 4×0 diante da Roma, 1×0 diante do Novara e 3×0 contra o Bologna – estes dois últimos em casa, com times da parte inferior da tabela da Série A. No momento, os Nerazzurris não iriam nem para a Liga Europa!

Loic Rémy será a grande ausência do duelo (Reuters)

Não enxergo nenhuma hipótese que coloque a Inter como favorita no duelo. O momento ruim e o péssimo futebol das últimas rodadas me fazem pensar assim. Em contrapartida, não considero o Marseille favorito.

O OM vem de dois decepcionantes empates na Ligue 1 e ainda perdeu Loic Rémy pro confronto. Um desfalque tremendo, já que o #11 do Marseille é o grande jogador do time na atual temporada.

Os últimos resultados e a lesão de Rémy podem não deixar o Marseille no mesmo patamar da Inter, mas não lhe dão uma vantagem considerável, algo que pelo menos pra mim, estava de acordo com a presença do artilheiro da equipe.

Mesmo assim, aposto em um 2×1 pro time francês e o duelo ficaria aberto para Milão.

FRANCOS FAVORITOS

O Real Madrid tem mais time, tem o brilhante José Mourinho, um craque como Cristiano Ronaldo… Enfim, há uma enorme lista de motivos que coloquem o time merengue como francos favoritos no duelo contra o CSKA.

A aposta do time russo, certamente é o frio. O CSKA tem até um time ajustado e contam com Doumbia em grande temporada, mas o fato é que o Campeonato Russo só irá reiniciar em março. Este importantíssimo duelo diante do Real Madrid será o primeiro do time em 2012.

Honda está de volta ao time (Reuters)

A boa nova do time russo fica por conta do retorno de Keisuke Honda. O japonês estava fora, contundido e ainda recebeu algumas propostas de transferência no final de janeiro, porém, permaneceu em Moscow.

Outro problema pode ser o ritmo de jogo. O Zenit, diante do Benfica, mostrou um pouco deste problema. Não atrapalhou tanto – até porque o time venceu por 3×2 -, mas claramente faltaram momentos de regularidade dentro da partida, o time de Spalletti declinou de ritmo várias vezes durante a partida. Isso deve ocorrer com o CSKA, e contra o Real Madrid tem tudo pra ser letal.

Detalhe: Malafeev, titular absoluto do Zenit, não pegou o Benfica por estar lesionado e Zhevnov, seu subtituto, falhou nos dois gols portugueses. Igor Akinfeev, titular do CSKA e da Seleção Russa, teve problemas no joelho ainda em agosto do ano passado e segue fora. Será que a história se repete?

Acho que os Merengues já definem o duelo na ida, 3×0.

TRADIÇÃO vs. OBSESSÃO

Napoli e Chelsea é outro duelo enroscado. Os italianos carregam nas costas a tradição vinda dos tempos de Maradona e Careca, além de terem eliminado na fase anterior, nada mais, nada menos que o poderoso Manchester City. Já o Chelsea se classificou na bacia das almas e com o momento não sendo dos melhores, a obsessão por conquistar a Champions League deve se tornar mais forte e eloquente na cabeça de atletas e torcedores.

É rede! (Reuters)

O Napoli vem crescendo na Série A. Não perde e não sofre gols a quatro partidas. A última derrota dos comandados de Mazzarri em San Paolo foi na metade de dezembro, quando tomou 3×1 da Roma. De lá pra cá, foram seis partidas, com quatro vitórias e dois empates. Honestamente, sempre gostei deste time do Napoli. Mazzarri coloca o time num esquema diferente – 3-4-3 – e dá certo, eles quase sempre jogam bem. E me chamam mais a atenção os três homens de frente: Edinson Cavani – autor de 16 gols nos últimos 18 jogos -, Ezequiel Lavezzi e Marek Hamsik. Se não é o melhor, está entre os cinco melhores trios da Itália!

Já o momento do Chelsea não é legal. Os Blues ainda não venceram em fevereiro e estão a quatro jogos sem vencer. Outro problema do time londrino são os empates. São sete em toda Premier League e seis deles vindo de dezembro pra cá. Menos mal que Drogba volta ao time – após Fernando Torres quebrar a marca dos 1000 minutos sem marcar gols -, mas não custa lembrar que o marfinense perdeu o pênalti mais importante de sua carreira na final da CAN, talvez ainda esteja abalado, vide o seu ótimo relacionamento com seu país.

Pobre Villas-Boas! Topou entrar em um desafio ambicioso e pode cair se o Chelsea não vingar na Champions. Roman Abramovic não tem paciência com os técnicos dos Blues e se não ver John Terry – que não deve jogar, assim como Cole – erguer a orelhuda, vai mandando “pofexô por pofexô” – aliás, Luxa está aí – embora!

Eu aposto em vitória do Napoli por 3×1.

CRÍTICAS COMO ADVERSÁRIO

O Bayern vive num turbilhão de emoções. Dos 15 pontos disputados em 2012, os bávaros conquistaram 8 e ainda eliminaram o Stuttgart da DFB Pokal. Números bons, concordam? Mas não para um time como o Bayern. Soberba? Talvez sim, mas se formos ver o contexto, o time bávaro foi ultrapassado por Dortmund e Gladbach na tabela de classificação da Bundesliga. Ou seja, os 8 pontos não foram tão bons assim…

Para completar, o time está jogando mal. Robben, criticado por todos os lados – inclusive por Beckembauer – agora é reserva. Müller segue sendo titular indiscutível, mas jogando uma bolinha murcha, enquanto Kroos e Ribéry não voltaram ao ritmo do final de 2011. As críticas são justas, mas estão pressionando demais o time, coisa que anda muito nítida nas últimas rodadas.

Todos de olho em Shaqiri (Reuters)

Já o Basel foi uma das grandes supresas da fase de grupos. A eliminação do Manchester United não foi mera sorte dos suíços. Thorsten Fink e mais tarde Heiko Vogel armaram um time consistente e tiveram méritos na classificação. Basta ver que em jogos oficiais, o Basel não perde desde agosto! Mas em contrapartida, vem de três empates consecutivos…

Mas todos os olhos estarão em cima de Xherdan Shaqiri, contratado pelo Bayern para a disputa da próxima temporada, mas que defende o Basel atualmente. É dificil saber qual será a reação do garoto de 20 anos, mas todos estarão de olho!

Após em Bayern 2×1.

Os números dizem muito: O crescimento em dez rodadas

Internazionale e Olympique de Marseille irão se enfrentar nas oitavas de final da Uefa Champions League. Se fossemos analisar o confronto vendo apenas os primeiros jogos de ambas as equipes, certamente diriamos que o duelo é nivelado por baixo, pois tanto Inter, quanto Marseille iniciaram mal a temporada.

O time italiano começou com um novo treinador, Giampiero Gasperini que com poucas rodadas foi substituído por Claudio Ranieri, já no time francês, Didier Deschamps, campeão francês na temporada 2009/10, já estava cansado, ameaçou sair e os resultados ruins só aumentaram os rumores de sua saída. Deschamps permaneceu e fez seu time crescer.

Mas as últimas dez rodadas, tanto da Série A, quanto da Ligue 1 mostram um grande crescimento de produção de ambas as equipes. Os números mostram:

Na 8ª rodada da Série A, a Inter estava na 12ª colocação, com 10 pontos

Na 18ª rodada da Série A, a Inter está na 5ª colocação, com 32 pontos

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Na 10ª rodada da Ligue 1, o Marseille estava na 15ª colocação com 9 pontos

Na 20ª rodada da Ligue 1, o Marseille está na 6ª colocação com 34 pontos

Como deu pra notar, a Inter somou 22 pontos de 30 possíveis, enquanto o Marseille somou 25 de 30. Só pra tomar de exemplo, a Juventus, líder da Série A após o término da 18ª rodada – 4ª colocada na 8ª rodada – somou 24 pontos desses 30 possíveis, enquanto o PSG, líder da Ligue 1 atualmente, somou apenas 20 pontos.