Chegada de Draxler “acorda” concorrentes de posição

Draxler já tem dois gols em três jogos pelo PSG | Foto: C. Gavelle/PSG

Draxler já tem dois gols em três jogos pelo PSG | Foto: C. Gavelle/PSG

O alemão Julian Draxler foi uma das cartadas do Paris Saint-Germain na janela de inverno. Unai Emery precisava ter em seu elenco alguém capaz de articular o jogo pelo lado do campo, compondo ainda a faixa central com a bola, e foi direto ao Wolfsburg buscar o atleta por € 40 milhões. Javier Pastore era um dos que poderia compor esta função, mas as lesões estão sendo um obstáculo para o argentino, que fez poucos mais de 20 jogos desde a temporada 2015/2016, enquanto o compatriota Ángel Dí Maria tem desempenho abaixo da crítica.

Draxler já começou a mostrar a que veio e já tem dois gols marcados em três jogos (174 minutos). No 4-3-3 de Emery, o alemão vem atuando pelo flanco esquerdo na linha ofensiva. O técnico espanhol forma o ataque com Lucas pela direita e Edinson Cavani pelo centro, além do germânico pela canhota.

Desenho tático do setor ofensivo parisiense com Draxler | Foto: Football User

Desenho tático do setor ofensivo parisiense com Draxler | Foto: Football User

Nesse começo, Dí Maria foi desbancado. Na primeira temporada em Paris, após ser contratado junto ao Manchester United por € 50 milhões, o argentino até teve desempenho destacado, com 15 gols e 25 assistências (dez gols e 18 assistências na Ligue 1), mas tem sido uma negação em 2016/2017. Em 26 partidas, fez seis gols e deu nove assistências. No Campeonato Francês, porém, onde o PSG passa apuros com Monaco e Nice, balançou as redes somente uma vez e deu cinco passes para gol.

O interessante disso tudo é que a chegada de Draxler, de certa forma, deu uma animada no argentino e em outros concorrentes. O canal Infosport+ trouxe no Twitter um dado interessante nesta semana: desde a chegada do meia alemão, Dí Maria fez três gols e deu duas assistências, enquanto Lucas, que vem sendo titular, fez um e deu três passes para tentos.

Lucas e Dí Maria precisaram agir após a chegada do alemão | Arte: Infosport+

Lucas e Dí Maria precisaram agir após a chegada do alemão | Arte: Infosport+

O próprio Hatem Ben Arfa pode ser enquadrado na lista. Por mais que tenha ainda apenas um gol na temporada (exatamente no primeiro jogo, na Supercopa da França), o winger de 29 anos deu duas assistências na goleada por 7×0 sobre o Bastia, na Copa da França, jogo de estreia de Draxler com a camisa azul de Paris.

É inegável que a contratação do alemão serviu para tirar muita gente da zona de conforto dentro do PSG. Ou alguém acredita que Ben Arfa não esteja com uma pulga atrás da orelha? Ou que o próprio Lucas não esteja preocupado ao ver um Dí Maria no banco? O argentino, aliás, é o caso mais emblemático deste novo cenário parisiense. Caso queira manter-se em alto nível, precisará encarar a concorrência, retomar o bom futebol e tornar-se importante para Emery no restante da temporada. Caso contrário, terá de tomar outro rumo – e pode ser a China.

Gonçalo Guedes

Guedes chegou a Paris querendo repetir os feitos de Pauleta | Foto: PSG

Guedes chegou a Paris querendo repetir os feitos de Pauleta | Foto: PSG

Para embaralhar ainda mais as cartas no setor ofensivo do PSG, o clube francês confirmou nesta semana a chegada de Gonçalo Guedes. O atacante de 20 anos, revelação portuguesa do Benfica, foi contratado por € 30 milhões, com vínculo até 2021.

O lusitano começou a carreira atuando aberto pela direita, mas nesta temporada tem jogado preferencialmente como centroavante. Ele chega à Paris para ser uma opção a Cavani, que vive fase esplendorosa em Paris (são 26 gols em 26 jogos).

Na chegada ao clube, Guedes projetou um caminho de sucesso e até citou o compatriota Pedro Miguel Pauleta, segundo maior artilheiro da história do clube com 109 gols (Cavani já igualou a marca com dois tentos sobre o Bordeaux, na Copa da Liga, na última terça-feira, dia 24).

“Sei que Pauleta foi muito apreciado pelos torcedores parisienses. Espero me sair tão bem e ser, um dia, tão popular quanto ele”, Gonçalo Guedes

Currículo para obter tal status não falta. O ESPN FC elencou cinco coisas a se saber de Gonçalo Guedes e algumas delas me chamaram a atenção, como o talento observado já desde os cinco anos de idade, a preferência pelo estilo mais reservado, sem tatuagens ou joias, mostrando não se deslumbrar com a fama, além das comparações com Cristiano Ronaldo desde a base do Benfica.

Apesar de não poder jogar a Champions League por já ter disputado o torneio pelo Benfica, Guedes é a peça que faltava no elenco de Emery. Caso haja qualquer problema com o uruguaio, o técnico parisiense vem sendo obrigado a improvisar na função, utilizado um centroavante mais móvel, de característica bastante diferente a de Cavani. O português supre essa necessidade.

Além disso, o português passa a ser uma opção para o futuro. El Pistolero completará 30 anos em fevereiro e chega num momento decisivo na carreira. Pode escolher ficar em Paris enquanto for competitivo, buscar novos objetivos em outra liga (como aconteceu com o sueco Zlatan Ibrahimović) ou até mesmo encher o bolso de dinheiro nos mercados periféricos da Ásia e do Mundo Árabe. Independente de qual for a decisão, o PSG terá Guedes preparado para substitui-lo.

11 anos depois, Patrice Evra volta à França

O lateral-esquerdo Patrice Evra é, indiscutivelmente, um dos jogadores franceses mais bem-sucedidos no exterior nos últimos tempos. Foram 11 anos de desempenho de alto nível. Com o Manchester United, conquistou 15 títulos, incluindo uma Uefa Champions League, já com a Juventus foram cinco troféus em três anos. Só para termos de comparação (do currículo, só para deixar claro), Zinedine Zidane concluiu a carreira com 12 títulos em dez temporadas divididas na Itália e Espanha.

Agora o lateral está de volta. Após perder espaço na Juventus (fez apenas 13 jogos na temporada), Evra, aos 35 anos, acertou com o Olympique de Marseille, com um contrato de um ano e meio. É uma volta em um cenário bastante diferente do que deixou o país, na metade da temporada 2005/2006. De grande expoente quando saiu, volta com o status de veterano de sucesso.

Evra atuou por duas temporadas no Nice | Foto: Arquivo/Nice Matin

Evra atuou por duas temporadas no Nice | Foto: Arquivo/Nice Matin

Evra, que nasceu em Senegal e se mudou para a França antes de completar o primeiro ano de vida, curiosamente, começou a carreira profissionalmente na Itália, jogando pelos modestos Marsala, da 3ª divisão, e pelo Monza, da 2ª. Somente em 2000, no Nice, que recebeu a primeira oportunidade no país onde cresceu. Claro, o fato de Fédérico Pastorello, diretor geral do clube, ser o seu empresário facilitou nesta chegada.

Mas antes de retornar ao país gaulês e também no começo de sua passagem pelo clube, Evra viveu um momento de muita incerteza. Quando garoto, nos testes que fez alguns clubes, incluindo o Paris Saint-Germain, chegou a ser chamado de “novo Romário” por um amigo que lhe levou a uma das peneiras. Isso chegou pela altura, mas também pelo fato de ser atacante. Quando chegou ao Nice, já atuava no meio.

No clube rubro-negro, entretanto, viu a carreira crescer. Chegou quando a equipe estava na segunda divisão, estreou numa derrota impiedosa por 7×2, jogou pouco, mas tomou conta da lateral-esquerda no ano seguinte de forma surpreendente, sendo eleito o melhor lateral-esquerdo da temporada, conseguindo a transferência para o Monaco ao término do contrato.

Didier Deschamps foi um dos grandes mentores da carreira de Evra | Foto: Getty Images

Didier Deschamps foi um dos grandes mentores da carreira de Evra | Foto: Getty Images

No clube do Principado, tinha em mente que atuaria como winger pelo flanco esquerdo. Entretanto, entraria na história o técnico Didier Deschamps. O ex-defensor, campeão mundial com a França em 1998, o convenceu a atuar na lateral-esquerda e que lhe faria um marcador melhor. Dito isso, Evra passou a compor a defesa ao lado de Jurietti, Rafa Márquez e Squillaci.

A estratégia deu certo. Evra se notabilizou como um dos principais laterais do país e, com o vice-campeonato europeu em 2004, teve nome vinculado a grandes clubes, como Arsenal, Milan, Juventus e Barcelona. Decidiu deixar a França apenas em setembro de 2005, quando optou por aceitar a proposta do Manchester United, se transferindo na janela de inverno daquela temporada.

Pelo Monaco, foram 154 partidas em três temporadas e meia, com dois gols e três assistências. Coletivamente, ergueu apenas a Copa da Liga em 2002/2003, mas viu o clube ser vice-campeão europeu e sempre ficar nas três primeiras posições enquanto esteve por lá. Tamanho desempenho fez com que fosse reconhecido pela torcida, que o colocou como o melhor lateral-esquerdo da história do clube em votação no site oficial do próprio Monaco.

Acréscimo importante

Evra chega para reforçar o OM por uma temporada e meia | Foto: Divulgação/OM

Apesar de não ser mais aquele jovem vigoroso dos tempos de Monaco, tampouco o regular e eficiente lateral dos tempos de Manchester e seleção francesa, Evra deve acrescentar bastante ao Marseille, de Rudi Garcia.

A posição é uma das principais, se não a principal, carência do OM. No momento, o camaronês Henri Bedimo, que veio para ser o titular na função, se recupera de um grave problema no menisco e o brasileiro Dória vem sendo improvisado na lateral-esquerda.

Na péssima campanha do time na Ligue 1 (no momento, ocupa a 7ª colocação, com 30 pontos e bem distante das ligas europeias) Evra pode ser um acréscimo importante se mantiver a forma física, mantendo-se livre das lesões (o que sempre foi uma característica do atleta). Só resta saber o ritmo de jogo do jogador, que não joga oficialmente desde outubro de 2016.

Num modo geral, o Marseille vem fazendo um bom mercado, tentando corrigir o elenco e solucionar problemas pontuais que afetam o clube há alguns anos. O novo dono, o norte-americano Frank McCourt, tem consigo o diretor esportivo Andoni Zubizarreta, e os dois, ao lado de Garcia, buscam uma sintonia de ideias para formar um novo Marseille, com atletas comprometidos com o novo projeto do clube. O marfinense Didier Drogba, ídolo do clube, por exemplo, foi colocado para fora do leque de opções do OM exatamente por não se enquadrar neste perfil.

Evra pode até ter tido no passado alguns problemas (seríssimos) extracampo na seleção francesa, mas retomou a carreira nos Bleus sendo peça de confiança de Didier Deschamps e tornando-se um líder da equipe. Em reta final de carreira, mas em boas condições físicas, tende a ser uma peça de grande valia e de poder de liderança ao novo Marseille.