Pequenino Croix, da 5ª divisão, disputa derby inédito contra gigante do norte

Foto: Reprodução - Separados por 8 km, Croix e Lille se enfrentarão na Copa da França

Foto: Reprodução – Separados por 8 km, Croix e Lille se enfrentarão na Copa da França

Que a Copa da França proporciona histórias fantásticas e que demonstram que o futebol europeu tem, sim, suas raízes humildes, todos sabemos. Percursos de clubes como Quevilly e Epinal em temporadas recentes não me deixam enganar. Na próxima terça-feira, no norte do país, teremos outras dessas histórias.

O Iris Club de Croix, equipe localizada na pequena comunidade, de apenas 20 mil habitantes, chamada de Croix, no município de Lille, chegou a impensável fase de 16avos de final da Copa da França. Neste estágio da competição, o adversário será justamente o Lille OSC, maior clube da região e campeão francês em 2011.

Apenas 8 km separam os dois clubes e o confronto regional será deveras marcante para o nanico Croix. Líder do grupo B da CFA 2 (equivalente a 5ª divisão) e invicto na temporada, eles terão uma oportunidade única de enfrentar um dos principais times do país e que semanas atrás segurou o Paris Saint-Germain na capital.

Mais do que isso, o Croix observa esse jogo como uma fonte de renda. O pequeno Stade Henri-Seigneur, de gramado sintético e com capacidade para apenas duas mil pessoas, será resguardado e o clube ressuscitará um local de marcantes lembranças para os torcedores do adversário em questão, o Lille: a partida da próxima terça-feira será jogada no Stade Lille Metrópole, antiga casa dos Dogues.

Foi neste estádio que o Lille ganhou o Campeonato Francês em 2011, fez boa parte de suas campanhas em copas e recebeu adversários importantes em torneios UEFA, como foi o Liverpool na Liga Europa de 2010 e a Inter de Milão na Liga dos Campeões em 2011.

Como hoje o LOSC usa o moderno Stade Pierre-Mauroy, o antigo estádio, que fora inaugurado em 1976, ficou relegado a competições de atletismo, jogos dos times de base do Lille, além de partidas de rúgbi do Lille Metrópole Rugby.

Foto: Stadium LM - Para este jogo, o Stadium Lille Metrópole será utilizado

Foto: Stadium LM – Para este jogo, o Stadium Lille Metrópole será utilizado

Durante algumas semanas, até sugeriram a realização da partida no Stade Pierre-Mauroy, mas o Croix preferiu exercer seu mando em outro estádio. Sempre é bom lembrar que os mandos de campo na Copa da França funcionam da seguinte maneira: se o confronto envolve times que tem duas divisões de diferença, o time da divisão inferior tem o mando. Algo diferente disso passa para sorteio.

Equilíbrio no orçamento

Patrice Weynants, presidente do Croix, acredita que possa equilibrar o orçamento do clube com essa partida no Lille Metrópole. “Se conseguirmos 60 ou 70 mil euros para equilibrar o orçamento e acertar as contas do fim do mês, nos será bem vindo”, declarou em entrevista ao canal France 3. A única preocupação do presidente está em cima do gramado, já que o estádio tem sido palco de jogos de rúgbi.

Segundo o Google Maps, a distância entre os dois estádios é de pouco mais de 7 km, por isso, não deverá afetar tanto para o torcedor do Croix.

É uma oportunidade única para o clube do norte. Fundado em 1952, o Croix nunca avançou da quinta divisão e não tem grandes feitos em sua história. O grande título foi a divisão regional Nord-Pas-de-Calais Honneur, da 6ª divisão, em 2011 e que lhe colocou na 5ª divisão.

O momento em que mais apareceu na mídia francesa foi quando o seu atleta Geoffrey Cabaye, irmão de Yohan Cabaye (jogador do Newcastle e da Seleção Francesa) foi convocado pra seleção vietnamita.

Apesar disso, o Croix é um clube que podemos chamar de “arrumado”. Possui time reserva disputando divisões inferiores, equipe de veteranos jogando copas distritais e ainda conta com categorias de base com times do sub-9 ao sub-19.

Mas eles sonham alto nesta temporada. Além de liderarem a chave em que estão na 5ª divisão, o Croix é o único time invicto do grupo, com dez vitórias e dois empates. Em outras palavras: o Croix não perdeu na temporada, já que os duelos da Copa da França são em jogos únicos. Aliás, na Copa, eliminaram o Neiges Le Havre, o Lilas e o Saint-Armand, todos os clubes de divisões abaixo da 5ª. O Lille será o primeiro time “de cima” a cruzar o caminho do Croix.

É difícil imaginar que possa ir longe na Copa da França, mas não custa sonhar. Estamos falando da Copa da França, a copa dos feitos impossíveis. A copa em que um time do naipe do Quevilly conseguiu disputar uma decisão frente o poderoso Lyon. Por que não, Croix?

>> Leia também: relato de outro derby do norte, esse entre Croix e Wasquehal (em inglês);

Um domingo como nenhum outro

Épinal fazendo história(Foto: Getty Images)

Épinal fazendo história
(Foto: Getty Images)

Não foi um domingo normal. Eu deveria ter percebido isso logo após acordar. Também pudera, pulei da cama antes das nove horas, coisa rara se tratando de um ser preguiçoso somado há um dia em que, geralmente, “fazer nada” é a obrigação principal. Mas nem percebi e segui o domingo como se fosse qualquer outro.

Mero engano, não era um domingo qualquer.

Rodeado pelo tédio da manhã, me deparei com uma partida que, assim como todo o domingo, seria previsível. De um lado, o Épinal, clube da Lorena, escondido atrás do sofá do maior time da região, o Nancy. Como grandes feitos, o Épinal tem dez participações na segunda divisão. No outro canto, estava o imponente e multicampeão Lyon, que ainda vinha com a fama de ser o grande perseguidor do milionário Paris Saint-Germain em solo nacional – porque, convenhamos, o Olympique de Marseille não tem bola pra brigar pelo caneco. Não restavam dúvidas, eu iria assistir ao uma partida de um único time. Bastava ver o primeiro tempo, almoçar e tirar o merecido cochilo da digestão.

Os indícios de uma vitória do Lyon tão tranquila como devorar aquela macarronada do domingo – é nisso que dá falar de um jogo da hora do almoço – estavam tão claros que o Épinal nem usava seu uniforme. A Federação Francesa de Futebol não é tão organizada quanto a Liga de Futebol Profissional da França, mas eles levam suas frescuras ao ponto de ebulição para tudo dar certo. Na Copa da França, os times não usam a numeração fixa dos campeonatos que disputam semanalmente e, sim, a tradicional numeração de 1 a 11. Além disso, as marcas estampadas na camisa de cada time são de patrocinadores do torneio, ou seja, a camisa usada na Copa da França é totalmente diferente da usada nos jogos de campeonato. Diversos clubes não têm condições financeiras de atender a todas essas frescuras exigências e recebem uma mão da FFF, ganhando o uniforme da federação. Era essa a situação vivida pelo Épinal.

Mas voltando ao jogo, quem, em sã consciência, apostaria que um time, pelo menos no momento, rebaixado à quarta divisão francesa e sem uniforme próprio, bateria o vice-líder do Campeonato Francês? Não me venham com o papo de “é copa, é jogo único”, quem diz isso só está tentando mostrar alguma imparcialidade, mas, no fundo, sabe (?) qual vai ser o resultado final do jogo.

Mas então, voltamos às primeiras palavras do texto: “não foi um domingo normal”. Não fazia nem quinze minutos que a bola estava rolando no Estádio de la Colombière e o placar apontava 2×0 para o Épinal. Na hora, fiquei sem saber se estava tendo ilusões causadas pela fome gerada pelo fantástico cheiro de comida que vinha da cozinha ou se era real mesmo. Precisei entrar em alguns sites especializados para confirmar e sim, o pequeno time da Lorena batia o gigante Lyon com dois tentos de vantagem.

A história parecia tão absurda que os gols foram marcados por Tristan Boubaya, um rapaz de 23 anos que ainda não havia marcado pelo clube da Lorena. O conto foi se tornando ainda mais absurdo! Aquele inexplicável triunfo do Épinal sobre o Lyon era o primeiro em casa desde agosto de 2012.

Mas “quem avisa amigo é”, diria aquele amigo imaginário que sempre surge na hora em que é tomada uma atitude contrária a pensada por esse cidadão. Antes mesmo de saborear meu almoço, a partida já estava empatada em 2×2. Era óbvio que voltaríamos ao tradicional marasmo dominical e acompanharíamos a mais uma vitória do Lyon. Mas os visitantes estavam com calma. Eles até esperaram eu almoçar para dar o rumo normal de meu dia. O tento da virada saiu aos 18 minutos da etapa final em um pênalti cobrado por Lisandro López.

Acabou. Era só deitar, relaxar e cochilar na frente da TV, afinal, o Lyon confirmou a vitória…

Mas o Épinal empatou. Sim! Os mandantes conseguiram igualar o marcador com Valentin Focki. E eu voltava a questionar se realmente estava acordado, já que, assim como Boubaya, Focki não marcava há um bom tempo, desde fevereiro de 2012, mais precisamente. Alguma coisa estava errada!

Rémi Garde, técnico do Lyon, talvez estivesse dizendo o mesmo quando via seu zagueiro, Bakary Koné, ter atuação terrível. Possivelmente, um daqueles indiscretos bonecos de posto, se remexendo de um lado para o outro na defesa, teria uma participação mais segura que o burquinense.

Mas não era um domingo normal (seria mais anormal se um boneco de posto estivesse jogando mesmo)…

Fomos para o tempo extra e o Épinal, por incrível que pareça, encontrou a fraqueza de seu oponente: a bola aérea. Bastava jogar a redondinha na grande área que era perigo na certa. Já havia saído dois gols assim, por que não o terceiro? Talvez o boneco de posto, citado no parágrafo anterior, ganhasse mais bolas no alto do que Koné.

O Épinal cansou. Fazer três gols no Lyon é um trabalho árduo, ainda mais quando se é um dos fortes candidatos a disputar a quarta divisão do país. No outro lado, Garde fez uma mísera alteração, mas os dez guerreiros que correram por mais de 100 minutos pareciam crianças em um parque de diversões, corriam como nunca. Corriam para vencer, corriam para evitar o vexame.

Correram em vão.

Ter de passar de fase contra o Épinal na disputa de pênaltis já era vexatório o bastante para o Lyon. Poderiam, tranquilamente, pegar suas coisas e voltar para casa sem nem passar pela marca fatal. Não fariam, ficaria mais feio ainda.

Àquela altura, já era torcedor desde criança do Épinal. Não fazia ideia se era sonho ou se estava acontecendo mesmo, mas queria muito que o time da terceira divisão passasse de fase e escrevesse seu nome na história das zebras da Copa da França.

Olivier Robin: Nome de herói, agindo como herói(Foto: Getty Images)

Olivier Robin: Nome de herói, atitude de herói
(Foto: Getty Images)

Todo o feito dependeria de um herói. Para o goleiro do Épinal, isso já era meio caminho andado, pois, nome de herói ele já tem. Olivier Robin criou carreira própria, deixou Gothan City de lado e se aventurou como goleiro na França. Era o momento ideal para mostrar a Batman e ao mundo todo que fez a escolha certa ao se mudar para a Europa e largar a carreira de super-herói.

Ele, mais do que ninguém, sabe o que é mais perigoso: ser herói ou goleiro.

O heroísmo de Robin começou logo na segunda cobrança, quando defendeu o tiro de Fofana. Em seguida, pressionado pelo erro do companheiro Do, o goleiro do Épinal bateu de frente com o Coringa. Durante a partida, Koné fez todos rirem com suas pixotadas para dar o golpe de misericórdia na disputa de pênaltis. “Daria”, eu quis dizer. Os vilões nunca vencem, contam as histórias, e Koné mandou a bola na lua e voltou a dar alegrias a Robin.

Nas duas cobranças seguintes do Épinal, somente acertos. Isso significava que o nanico time da Lorena, vice-lanterna da terceira divisão e que nem tinha condições de organizar o uniforme para a peleja, estava eliminando o Lyon, um dos grandes postulantes ao título da Ligue 1.

Isso seria um sonho (pesadelo para os torcedores do Lyon)? Acredito que sim. Há mais indícios. Na mesma Copa da França, o SC Bastia foi eliminado por um adversário local, o CA Bastia, também da terceira divisão. Sem falar do PSG, que quase se complicou diante do Arras da quinta divisão.

Bom, se essa ladainha toda não foi em momento algum real, talvez ninguém esteja lendo esse texto. Talvez passemos a acreditar que o nosso querido esporte bretão “não é uma caixinha de surpresas” e que “tem muito bobo no futebol”. Talvez devamos extinguir todas as copas, afinal, não tem como um time praticamente amador bater um grande clube do país.

Mas é viagem minha, ignorem tudo isso. Aconteceu, não foi um domingo qualquer. Ainda bem que existe o futebol para imortalizar dias como esse.

Müller ou Robben: Eis a questão

Em má fase, Robben e Müller não conseguem render juntos (Reuters)

Eu estava pronto para escrever um texto sobre determinado assunto neste momento, mas a classificação do Bayern para a semifinal da DFB Pokal – Copa da Alemanha – me forçou a mudar totalmente estes planos.

Uma das mudanças, inclusive, era o título. Este post se chamaria “Müller, o queridinho da Baviera“. Eu destacaria o seu péssimo momento no Bayern, somadas as críticas do ex-bávaro Mario Basler, que pegou no pé de Robben. Só pra não ficar confuso, só queria demonstrar que mesmo jogando mal, Müller tinha sua pele aliviada ao ver outros companheiros sendo criticados e ele não.

Acontece que esta tarde, o Bayern meteu 2×0 no Stuttgart pela copa alemã e Müller foi muito bem, tendo participado dos dois gols bávaros. Detalhe: o camisa 25 do Bayern foi escalado de forma diferente por Jupp Heynckes. Com Kroos de volta a linha de armadores no lugar de Robben, Müller foi deslocado para a direita, posição do holandês.

Não é de hoje que é sabido que a revelação da Copa do Mundo de 2010 rende muito mais jogando pelo flanco direito, porém, ele “quebrava um galho” pelo centro. Só que nesta temporada, nem isso ele tem conseguido fazer.

Robben, que ficou um bocado de tempo contundido, voltou, mas jogando mal. Marcando poucos gols e raramente sendo decisivo. As críticas de Basler não me surpreenderam nem um pouco. Não sei se o holandês estava “jogando com o nome”, talvez Heynckes, sabendo de seu potencial, estivesse esperando o momento em que ele voltasse a apresentar o futebol de sua primeira temporada na Alemanha, mas isso estava demorando demais pra acontecer. Uma atitude tinha de ser tomada!

O mesmo servia pra Müller, que jogando um futebolzinho sem-vergonha, se mantinha como titular do Bayern, sobrecarregando jogadores como Kroos e Ribéry.

Heynckes tem a bomba em mão, não pode deixá-la explodir (Reuters)

Jupp Heynckes ainda tentou um jeito de encaixar todo mundo no mesmo time ao colocar Kroos e Schweinsteiger como volantes, mas a fórmula que está dando certo na Seleção Alemã, não deu resultados no clube bávaro. O jogo do Bayern depende demais das presenças ofensivas de Kroos e Schweini, com os dois de volantes, isso fica impossível, já que um dos dois precisa ficar e proteger a defesa. Como isto ficava acontecendo constantemente, o jogo ficava sobrecarregado em Müller, Robben e Ribéry, sendo que os dois primeiros estão em má fase e o terceiro é uma granada prestes a explodir.

Na partida de hoje contra o Stuttgart, Heynckes tomou uma nova atitude. Robben ficou no banco – um dia após as críticas de Basler -, com Müller jogando aberto na direita e o Bayern jogou muito bem. Mesmo com Schweinsteiger tendo permanecido cerca de 20 minutos em campo – o #31 do Bayern se lesionou… de novo – Kroos esteve em uma grande jornada, contando com o auxílio de Alaba, que substituiu Schweini.

Thomas Müller, jogando aberto na direita, foi decisivo e bem mais participativo que o normal. O #25 do Bayern precisa de espaço pra correr, já que normalmente busca as jogadas diagonais, além de ser aquele tipo de jogador que se tem espaço, consegue driblar. Sem espaço, só toca. Diferente de Robben, que sabe driblar curto e não precisa ter grande liberdade pra finalizar. São estilos diferentes, mas que mesmo assim se encaixam na meia direita.

Hoje foi o dia da decisão: Jupp Heynckes, se ainda acha que o Bayern pode voltar a erguer a Salva de Prata e a “orelhuda” mais cobiçada da Europa, precisa se decidir: Robben ou Müller. Eles até cabem juntos no mesmo time, mas isto tem prejudicado a grande ação ofensiva do time, que é a chegada de trás de Kroos e Schweinsteiger. Robben no time titular significa Müller jogando centralizado, que significa Kroos de volante e finalmente, significa Bayern jogando mal.

A bola está com Heynckes! Insista no erro – que, repito, pode até dar certo, mas não parece que dará – ou faça o simples e conquiste as vitórias com bom futebol!

Bastou uma bola

Desfalcado por causa da CAN, Wenger teve de ir atrás de um velho ídolo (Arsenal.com)

Era quinta-feira à noite e de férias, estava de bobeira. Eis que recebo a escala de transmissões da Futebol Plus. Nesta escala, sou convocado para a transmissão de Arsenal e Leeds United pela Copa da Inglaterra, juntamente com os bravíssimos Felipe Silva e Thiago Ienco. Logo bateu aquela ansiedade para a partida. E o motivo era único, Thierry Henry.

Sua contratação ainda não havia sido oficializada, mas todos já davam como certo seu retorno. O próprio Arsene Wenger, técnico do Arsenal, já mostrava otimismo para com a vinda do eterno ídolo Gunner.

Não sou torcedor do Arsenal – aliás, não torço pra ninguém na Inglaterra – mas nunca neguei a ninguém a minha paixão pelo futebol francês. Isso não ficou preso somente aos clubes franceses e se estendeu também para a seleção francesa. Por isso virei um admirador do futebol de Henry. Com 51 gols, ele é o maior artilheiro da história de Les Bleus, com dez gols à mais que Michel Platini e vinte em relação a Zinedine Zidane. Sem falar que The King é o segundo jogador que mais atuou com a camisa francesa, 123 jogos.

O fato de ser símbolo do Arsenal na última década se tornou a cereja do bolo.

Chegava sexta-feira e o que todos já sabiam, apenas se concretizou. Henry retornara ao Arsenal por dois meses!

E lá estava eu catando notícias e informações importantes para comentar a peleja. No então jogo, teria de cobrir o Arsenal e não dava outra: só se falava em Henry. A cada dez notícias no site Gunner, oito eram sobre o francês. Poderiam ser as palavras do francês, de Wenger, de qualquer outro jogador ou até do porteiro do clube… Só se falava de Henry!

Parecia que nos lados londrinos, se importavam mais com a presença do francês no duelo contra o Leeds do que propriamente com a partida. Apenas o time adversário estava ligado no jogo. Como manda o figurino dos visitantes, The Whites jogaram fechados – pra não dizer retrancados – e ficaram esperando “uma bola” pra decidir.

Já os jovens Gunners  pareciam agoniados em campo. Não encontravam espaços e sempre paravam na barreira adversária. A sensação era de que eles queriam provar que poderiam vencer a partida sem Henry. Mas não dava! O atacante era Chamakh e não Henry. O marroquino foi decisivo em seus tempos de Bordeaux, mas contava com Gourcuff em grande forma – evento único -, por isso, recebia diversas “bolas redondas”. Nos Gunners, tinha de se virar com bolas nem tão “arredondadas” e mostra não ser um grande atacante.

Henry iniciou no banco de reservas, assim como o poupado Walcott (Arsenal.com)

Enquanto o Arsenal penava para furar a firme defesa do Leeds, Henry estava lá, quietinho no banco, só esperando a sua vez. Uma hora não teve jeito, ele precisou ser chamado por Wenger. O frisson foi de outro mundo. Era nele que a torcida do Arsenal depositava a sua confiança de dias melhores. Não era em Chamakh, Arshavin, Ramsey ou qualquer outro, nenhum deles chegava aos pés de Henry.

67 minutos! Este foi o tempo que a torcida do Arsenal precisou esperar para ir ao delírio. Exatamente no minuto 67, Henry entrara em campo no lugar do apagado Chamakh.

Bastou apenas uma bola pro francês tirar o grito de gol que estava entalado na garganta dos torcedores. Poucos mais de dez minutos em campo foram necessários para Henry receber uma bela bola de Song e mandar pras redes. Foi gol de artilheiro! O francês recebeu já com o corpo posicionado pro tiro colocado. Cabeça erguida, sem perder a bola e o goleiro de vista. Henry simplesmente ajeitou e bateu colocado, marcando o gol que colocou o Arsenal na fase seguinte da FA Cup.

Henry precisou somente de uma bola pra decidir o duelo (Arsenal.com)

Agora vestindo a 12 que lhe consagrou na Seleção da França, Henry proporcionou uma vibração nunca vista por torcedores do Arsenal no Emirates Stadium. Os Gunners estão carentes de títulos! Eles estão cansados de ver seu time bater um oponente direto na briga pelo título e cair diante de times pequenos. Henry trouxe essa alegria de volta!

Serão dois meses de pura nostalgia pro torcedor do Arsenal. Não é garantido que nesse período, Henry vá fazer gols à rodo e os Gunners irão iniciar uma arrancada rumo ao título inglês, mas à cada gol do francês, o torcedor do Arsenal vai se lembrar dos tempos em que Henry, Pirès, Vieira e Ljungberg eram uma das equipes mais poderosas do planeta.

Henry já deve ter pedido a força física, velocidade, arranque, talvez até um pouco da inteligência dentro de campo, mas o faro de gol… Ah, o faro de gol! Vai precisar acontecer um estrago daqueles pra ele perder isso.

Com a 12, Henry se consagrou na França, mas no Arsenal? Igualará seus feitos com a 14? (Arsenal.com)

Após o jogo, Henry deu entrevistas destacando o que sente pelo Arsenal. Não é força de expressão, a torcida o ama e ele os ama também. Henry não precisa fazer “coraçõeszinhos” pra demonstrar esse amor. Ele mostra isso voltando ao clube, se dedicando dentro de campo, marcando gols e se tornando cada vez mais um ídolo Gunner.

Sou fã de Henry. Um monstro! Um dos melhores atacantes que já vi. Cabe facilmente no top 5 da França na última década e talvez até no top 5 mundial do mesmo período. Habilidoso, inteligente, matador e decisivo. O Arsenal pode crescer com ele e van Persie, mas sempre ficará aquela pontinha de desconfiança: “até quando Henry aguenta?”. Dois meses me parece tempo suficiente pro francês dar aquele último gás na carreira. Se for notado que o agora camisa 12 pode aguentar mais, por que não insistir com o pessoal do NY Red Bulls pra liberá-lo por mais um tempo?

PS: O servidor nos derrotou e não conseguimos transmitir a partida pela Futebol Plus

Le Classique em copas

PSG já conquistou a Coupe de France em cima do Marseille

Claro que os clássicos em campeonatos de pontos corridos são bons. Viver aquela expectativa durante uma semana, fazer projeções com possíveis resultados, além de ver se pode indiretamente prejudicar a caminhada de um outro rival. Isso cria um clima interessante para um grande clássico.

Mas talvez esses jogos não tenham o brio de um clássico em um mata-mata. A necessidade absoluta da vitória e a possibilidade de conquistar viradas heróicas acaba se sobressaindo a um jogo de pontos corridos, onde você pode jogar por um empate e pior, dependendo do resultado, pode ajudar uma equipe alheia ao clássico.. Em um mata-mata, o resultado da partida beneficiará e atrapalhará somente quem está envolvido com o jogo.

O duelo de domingo entre Olympique de Marseille e Paris Saint-Germain marcará o 77º duelo entre ambas as equipes. Dos 76 jogos já disputados, 11 foram disputados em copas, fora um que decidiu a Supercopa da França, vencida pelo Olympique de Marseille em 2011.

Mesmo que o duelo de domingo seja disputado pelo Campeonato Francês, pontos corridos, não custa repassar alguns duelos marcantes de mata-mata de Le Classique. E não foram poucos!

O PRIMEIRO

Os duelos de número 5 e 6 da história de Le Classique ficaram reservados para as quartas de final da Copa da França da temporada 1974/75.

O confronto valia mais para o Paris Saint-Germain, que não almejava muita coisa na Ligue 1, a não ser evitar o descenso. O Marseille lutava pelo troféu do maior torneio de clubes franceses. Mas nada disso evitou que tivessemos dois jogos épicos.

Um dos grandes artilheiros do PSG, M'Pelé já balançou as redes do Marseille

Naquela época, a Copa da França ainda era disputada em jogos de ida e volta, e logo na ida vimos uma grande reação parisiense. Em um intervalo de dois minutos, o Marseille abria 2×0 com Georges Bereta e Jaizinho – o Furacão da Copa – e construia boa vantagem tendo ainda mais 35 minutos de jogo. Só que quando chegaram os 25 minutos de partida na etapa final no Vélodrome, o artilheiro François M’Pelé já havia marcado dois gols e deixado tudo igual.

O congolês M’Pelé anotou 97 gols em toda a sua carreira no Paris Saint-Germain e é o quarto maior artilheiro do clube, atrás apenas de Pauleta, Dominique Rocheteau e Mustapha Dahleb.

No jogo da volta, foi só o Paris Saint-Germain fechar a conta com o 2×0, gols de Louis Floch e Jacky Laposte. 46,471 pessoas presenciaram a primeira vitória do PSG sobre o Olympique de Marseille em toda a história do maior clássico da França. Até aquela ocasião, haviam acontecido quatro jogos, com duas vitórias do OM e dois empates.

FREGUÊS

Cinco temporadas depois as duas equipes viriam a se reencontrar em uma Copa da França. Além do reencontro após sete anos na competição, a partida também ficou marcada pelo reencontro entre os dois times após três anos. Aconteceu que naquela ocasião, o Olympique de Marseille estava na segunda divisão e por isso houve esse pequeno distanciamento dos duelos.

Porém, o que aconteceu na temporada 1981/82 foi somente a confirmação da freguesia imposta pelo Paris Saint-Germain no Olympique de Marseille em copas. Logo na partida de ida, Luis Fernández fez o gol da vitória parisiense. Na partida de volta, vitória tranquila do Paris por 3×1 e o Marseille era novamente eliminado da Copa da França pelo PSG. Futuramente o time parisiense bateria o Saint Etienne nos pênaltis e conquistaria a Copa da França.

Era o quarto jogo entre PSG e Marseille em copas e o Olympique não havia conseguido vencer nenhum jogo sequer.

TABÚ QUEBRADO

Quase dez anos depois, finalmente o Olympique de Marseille conseguiria vencer o Paris Saint-Germain em uma copa francesa. Assim como no último confronto entre os dois pela Copa da França, PSG e OM se pegaram nas oitavas-de-final. A diferença é que em 1990/91, a principal copa do país já era disputada em jogos únicos.

Jogando no Parc des Princes, o Marseille não se intimidou e com gols de Laurent Fournier e Jean-Pierre Papin derrotou o Paris por 2×0. O PSG não conseguiu repetir o feito de 1975 ao empatar o jogo em 2×2 após sair perdendo por 2×0. Por causa do regulamento, o Paris caia fora da competição.

O Olympique de Marseille passou aquela temporada inteira sem perder pro Paris Saint-Germain. Além do confronto citado acima, o OM venceu por 2×1 e 1×0 os dois duelos do Campeonato Francês. A próxima vitória do PSG sobre o Marseille em qualquer confronto só viria acontecer em 1995, justamente em uma Copa da França. O time parisiense venceu por 2×0, gols de Ricardo Gomes e George Weah.

E a freguesia voltava…

SÓ EMOÇÃO… E FREGUESIA

Ronaldinho já disputou "Le Classique"

Os últimos cinco confrontos entre as duas equipes em copas foram de enorme emoção, sempre envolvendo prorrogação, placares apertados e coração na boca dos torcedores.

O primeiro desses cinco duelos aconteceu no dia 10 de fevereiro de 2002, em jogo válido pelas oitavas de final da Copa da França da temporada 2001/02. No tempo normal, 1×1, com gols somente de zagueiros: Heinze pro PSG e Van Buyten pro Marseille. Com esse resultado, tivemos prorrogação, que acabou com o mesmo resultado. Na disputa de pênaltis, o goleiro do Paris Saint-Germain, Jerôme Alonzo catou três cobranças, inclusive a de Van Buyten, já na série alternadas, dando a vaga para o time parisiense com a apertada vitória por 7×6 nos penais.

Na temporada seguinte, as duas equipes voltaram a se encontrar pela Copa da França, desta vez na fase 16avos de final. Assim como na temporada anterior, o tempo normal da partida acabou em 1×1, a diferença é que e 2003 houve vencedor na prorrogação e novamente foi o PSG, com um gol anotado por Fiorèse.

Mais uma temporada, mais um jogo pela mesma fase da Copa da França e mais uma vitória parisiense na prorrogação. Na temporada 2003/04, as 53 mil pessoas que foram ao Vélodrome viram o tempo normal acabar em 1×1 e na prorrogação, também viram o “verdadeiro Sorín” decidir o jogo para o PSG. O “lateral” argentino surgiu na pequena área para completar cruzamento de Reinaldo – aquele mesmo, ex-São Paulo, Flamengo e que hoje está no Bahia – e classificar o Paris para a fase seguinte.

O confronto da temporada seguinte não foi pela Copa da França, mas sim pela Copa da Liga. Foi o único confronto entre as duas equipes que aconteceu por este torneio, porém, foi um duelo marcante. Com 41 minutos de jogo o Olympique de Marseille vencia o PSG por 2×0 e com menos de dez na etapa final já via a partida empatada em 2×2, graças a dois gols de Boskovic. No último minuto de jogo, a zaga do Marseille falhou feio e Mendy virou pro Paris Saint-Germain.

A fraguesia era mantida…

Dhorasoo fez o gol do título parisiense em 2006

Mas a “mãe de todos os jogos” em copas de Le Classique foi no dia 29 de abril de 2006. Paris Saint-Germain e Olympique de Marseille se enfrentaram em um dos palcos sagrados do futebol francês: o Stade de France. Naquela ocasião, as duas equipes iriam se pegar na grande final da Copa da França. E só pra variar, tivemos um jogaço.

A partida foi cercada de nervosismo, entradas duras e algumas confusões entre os jogadores. Com a bola no pé, Bonaventure Kalou abriu o placar para o Paris Saint-Germain. Na etapa final, Vikash Dhorasoo acertou um chutaço à 25 metros de distância do gol e fez o tento que deixava o Paris perto do título. Segundo o próprio meio campista, foi o gol de maior distância que marcou em sua carreira. Maoulida ainda descontou, mas não evitou que o Paris Saint-Germain conquistasse o seu sétimo de oito títulos da Copa da França.

ESTATÍSTICAS

Em jogos de copas – sejam elas a Coupe de France ou a Coupe de La Ligue – tivemos 11 confrontos entre Paris Saint-Germain contra Olympique de Marseille. O time parisiense venceu 9 jogos – estou contando a vitória nos pênaltis da temporada 2001/02 – e anotou 20 gols, enquanto o Marseille teve mísera uma vitória e marcou 11 gols. Tivemos um empate, esse ainda na época dos jogos de ida e volta.

Engraçado… lamentável

Dois fatos marcaram o futebol na Europa Central.

Na Alemanha, Manuel Neuer fez o seu provável último jogo com a camisa do Schalke e foi campeão da DFB Pokal, após meter 5×0 no Duisburg. Na festa de comemoração, o Schalke foi as ruas e Neuer estava lá, cumprimentando os torcedores, até que do nada, surge uma mão e lhe dá um tapa. Como não surgiu uma grande reação do arqueiro alemão, posso dizer que foi engraçado.

O outro fato é lamentável. O Rapid Wiena perdia o derby da cidade pro Austria Wiena, 2×0, até que os Ultras – como diriam aqueles, a “torcida organizada deles” – se irritaram e invadiram o campo. Tocaram o terror, me pareceu que tentaram atacar a torcida adversária, abordaram os jogadores, – que inteligentemente foram se direcionando aos vestiários logo após a invasão dos Ultras – mas o cordão militar de 400 policiais agiu, avançou e encurralou os marginais. Como eu twittei: “Ultras: Uma raça que tem que acabar!”

O jogo foi suspenso e no fim do jogo, os técnicos lamentaram muito o ocorrido.

Simplesmente lamentável e vergonhoso pro futebol austríaco!

A cidade de Manchester já passou por uma dupla felicidade

"Faça sua festa, torcedor de algum Manchester!"

A cidade de Manchester entrou em uma grande festa às 14h45 de sábado, – hora da Inglaterra – quando no Ewood Park, no condado de Lancashire se encerrava o duelo onde o Manchester United ficava no 1×1 com o Blackburn e pela 19ª vez se sagrava campeão inglês.

Poucas horas depois, em Londres, se encerrava no Wembley o jogo que culminou no primeiro grande título do Manchester City, depois de 35 anos. O gol de Yaya Touré sobre o Stoke City deu o troféu da FA Cup pro clube azul de Manchester. Os Citizens haviam vencido em 1976 a Copa da Liga Inglesa e seu verdadeiro último título foi o Championship em 01/02.

A cidade parou! Os dois rivais de Manchester eram campeões no mesmo dia. O United se tornava o maior campeão inglês de todos os tempos, enquanto o City saia de uma encômoda fila sem títulos. Ninguém precisava tirar onda com ninguém, só podiam simplesmente sair e comemorar os títulos!

Jogando de camisa listrada, City conquistou a FA Cup

Mas aconteceram épocas semelhantes, onde as duas cores de Manchester puderam comemorar um título.

Primeiro tivemos a temporada que foi examente igual a essa. A temporada 1955/1956, onde o Manchester United, treinado pelo lendário Matt Busby conquistou de forma soberana – onze pontos de vantagem pro vice-campeão Wolves – o Campeonato Inglês e o Manchester City conquistava sua terceira FA Cup, após vencer na final o Birmingham por 3×1 (veja no vídeo abaixo).

Só que a temporada que quero destacar é a temporada 67/68.

Título heróico do City!

Chegamos no dia 11 de maio de 1968. Após meter 6×0 no Newcastle, o Manchester United chegava nesse dia 11 precisando de uma simples vitória em casa sobre o Sunderland para conquistar na época o que seria seu 8º título nacional. Com 56 pontos, os Red Devils observavam logo abaixo, com um ponto à menos o seu rival local, o Manchester City, que precisaria vencer o Newcastle fora de casa e torcer para um tropeço do United para erguer o caneco pela segunda vez em sua história. Pois é, e na base da emoção, isso aconteceu.

No St. James Park, o Manchester City encontrou um adversário cascudo. O Newcastle deu muito trabalho. Os Citizens abriam o marcador… lá iam os Magpies empatar. O City fazia o segundo… o Newcastle empatava. Só quando os visitantes fizeram o terceiro, veio uma folguinha, já que conseguiram anotar o quarto gol também. Mesmo assim, os Magpies descontaram para 4×3.  As mais de 46 mil pessoas que lotaram o estádio puderam invadir o gramado para festejar o título do Manchester City, porque o Manchester United havia perdido pro Sunderland, 2×1.

Com a vitória, o Manchester City terminaria a competição na primeira colocação, com 58 pontos, dois a mais que o United. Foi a última vez que os Citizens conseguiram conquistar o título inglês.

Primeiro "Glory" do United na Europa

Porém, o lado vermelho de Manchester pôde vibrar 18 dias depois, justamente no Wembley, na final da Copa dos Campeões, coincidindo o local da final desta temporada da própria competição.

Na época, os Red Devils encararam o Benfica de Eusébio, treinado pelo lendário técnico brasileiro, Otto Glória. Jogo duro! O placar foi aberto somente aos 8 minutos do segundo tempo, com uma mortal cabeçada de Bobby Charlton. Aos 30 minutos, num tiro cruzado, Jaime Graça veio a empatar. Com o empate no tempo normal, tivemos prorrogação, onde o United sobrou. George Best, Kidd e novamente Charlton fecharam em 4×1 e o Manchester United pôde fazer sua festa também!

Ninguém pôde reclamar. Todos estavam felizes com seus times campeões. A diferença nessa temporada é que alguém vai terminar mais feliz que o outro, já que em menos de duas semanas, Manchester United x Barcelona farão a final da Champions League. Se os Red Devils perderem, os Citizens ficarão mais felizes ainda, já que somarão o título da FA Cup e o fracasso do rival na UCL, mas se o United vencer, a festa é toda deles, já que terão conquistado os dois maiores troféus da temporada.

Quem viver verá….