Trampolim quebrado

Não vou ficar no Shakhtar minha vida inteira. Quero fazer dele um trampolim para atingir meu objetivo, que é jogar por um grande clube na Europa. Uma ponte para um lugar melhor (…)

Douglas Costa e Messi no mesmo gramado: só como adversários

A frase acima foi dita pelo meio-campista brasileiro Douglas Costa, no início de 2010, quando deixava o Grêmio em direção do Shakhtar Donetsk. Pois é, dois anos e meio se passam e o atleta segue na Ucrânia, sem grandes perspectivas quanto ao seu sonho de atuar em um gigante europeu.

A declaração do garoto só mostra o quão ingênuos são alguns brasileiros quando se transferem para países periféricos, principalmente quando falamos de Rússia e Ucrânia. Não é segredo pra ninguém que eles possuem muito dinheiro, o bastante para contratar e se sustentarem sem precisar vender seus atletas. Chamar os donos desses clubes de “casquinhas” pode ser uma alcunha cabível, mas convenhamos, eles apenas defendem seus ‘patrimônios’. Basicamente, são times que não precisam vender, apenas comprar.

É fato que, muitas vezes, o cheque cheio de zeros seduz uma alma juvenil, mas é verdade também que a influência do empresário pode surtir um grande efeito, até porque ele também lucrará com a transferência. O papinho do trampolim, somado aos bens que podem ser consumidos com o ‘gorducho’ salário são alguns argumentos que o empresário pode usar com um jovem jogador e seduzi-lo a assinar o contrato.

Douglas Costa ainda sonha em chegar a um grande clube europeu

Com o “trampolim” e a “ponte para um lugar melhor”, Douglas Costa talvez não tivesse a intenção de atingir o clube e os torcedores, talvez eles nem tenham sabido desta declaração – registrada nesta matéria do Portal UOL -, mas, obviamente, ele não queria ir para a Ucrânia conquistar a Europa e “se tornar o melhor do mundo” – maior bobagem inventada pelos jogadores -, mas pensava mesmo em usar o clube como trampolim, até porque viver em Donetsk não parece ser o sonho de um jovem latino-americano. Douglas tem idade olímpica, poderia estar entre os atletas convocados para a competição, mas ficou de fora da lista final – fica o alento de ter ficado de fora apenas no último corte.

Geralmente, transferir-se para um clube do Leste Europeu é uma ‘furada’, mas admito que mudar-se para um Shakhtar ou para um CSKA Moscow, por exemplo, pode ter lá seu valor na carreira, já que são equipes que são constantemente vistas em competições européias, mas ser contratados por eles imaginando que poderá num futuro próximo, alçar um vôo gigantesco e chegar a uma grande liga – oi, Keisuke Honda – gerando imensas expectativas, é ingenuidade.

Olhando também o histórico de transferências do Shakhtar Donetsk, pode-se notar que é um clube que raramente vende jogadores para fora da Ucrânia, quiçá a grandes clubes europeus. Muitos dos que deixam o time ucraniano são por causa do término do contrato, outros são emprestados constantemente, até serem vendidos por um preço mais ‘camarada’, comparado ao que foi comprado. O brasileiro naturalizado boliviano, Marcelo Moreno é um exemplo. O Shakhtar o tirou do Cruzeiro por nove milhões de euros e o vendeu por seis milhões ao Grêmio, isso depois de quatro anos de sua compra e algumas temporadas fracassadas, tanto na Ucrânia, quanto na Alemanha e na Inglaterra.

A grande venda recente do Shakhtar para um verdadeiro grande clube europeu foi de Dmytro Chygrynskiy, mas não podemos de deixar de notar o quão estranha foi essa transação, já que o zagueiro não enchia os olhos de ninguém e foi comprado pelo Barcelona por 25 milhões de euros. Após algumas temporadas de lesões e poucos jogos na Cataluña, o defensor voltou para a Ucrânia por 15 milhões de euros. Jádson, Fernandinho, Srna, Luís Adriano e outros tinham grande destaque pelo Shakhtar, mas quem conseguiu ser comprado por um grande clube foi Chygrynskiy. Estranho, não?

Pode ser que até o final desta janela de transferências, Douglas Costa cale minha boca e mostre que não seja tão ingênuo assim, conseguindo saltar de seu trampolim e arranjar uma transferência para um grande clube da Premier League, Bundesliga ou La Liga, mas enquanto os ucranianos seguirem ‘defecando’ dinheiro, sem precisar vender seus atletas, congelará no Leste Europeu ou voltará para o Brasil.

*Crédito das Imagens: Reuters

Elétrico!

Bela festa dos Gunners

Assisti com atenção a partida entre Arsenal e Barcelona.

Foi um baita jogo, mas fiquei um bom tempo pensando num bom título pro post. Foi até difícil pensar sobre isso. É meio inexplicável ver um jogo tão bom que você não consiga rotulá-lo com algo. Mas após essa busca insana pelo “título perfeito”, encontrei: “Elétrico!”.

E não me resta dúvidas. Foi um jogo muito eletrizante. Ataque pra cá, ataque pra lá. Nada de retranca, nada de bicão. Jogo bonito e bom de se ver

O 2×1 pro Arsenal foi justo. Assim como se o placar fosse favorável ao Barcelona, também seria justo. As duas equipes jogaram muito. Não desgrudei os olhos da TV.

Não dava!

Estava hipnotizado pela velocidade da partida.

Gol de Villa no Emirates pode decidir na volta

No começo, o Arsenal pressionava, tanto a saída de bola quanto o gol adversário. Mas só pressionar a saída de bola do Barcelona não adiantava. Eles sabem trocar passes como poucos. Sabiam se desvencilhar da forte pressão e aos poucos tomaram conta do jogo e abriram o placar, com Villa, aproveitando passe perfeito de Messi.

As rápidas escapadas do Barcelona entre os zagueiros londrinos sempre davam trabalho, assim como a correria de Walcott atormentava a defesa catalã – desfalcada de Carles Puyol e na volta, ele deverá voltar, mas não pra jogar com Piqué, que foi suspenso.

Esse foi o ponto alto da decepcionante temporada de Arshavin

Mas o 2º tempo chegou e o Arsenal era melhor. Tinha a mesma tática do início do jogo, mas parecia dar mais trabalho ao Barcelona. Os catalães não tinham o mesmo futebol e mesmo espaço pra jogar como tinham no 1º tempo, só que junto com isso vinham as falhas defensivas. A falha geral foi no primeiro gol dos Gunners. Robin Van Persie recebeu nas costas da dupla de zagueiros e soltou um canudo, que foi entre a trave e Valdés. A zaga deu uma grande bobeira por levar bola nas costas, o goleiro também falhou feio em tentar pegar o cruzamento e não fechar o ângulo. Minutos depois, Nasri recebeu nas costas de Maxwell e ainda viu uma zaga toda bagunçada, teve calma pra preparar a jogada e tocar pra Arshavin, que soltou um belo chute de pé direito, virando a peleja.

O jogo ficou mais elétrico ainda. Eu tinha a impressão que nos dez minutos finais, mais um gol sairia. Quando o Arsenal pegava a bola, o Barça parecia atordoado e perto de sofrer mais um gol. Quando o Barcelona pegava na bola, os Gunners pareciam determinados a tirar a bola de qualquer jeito, mas sem se preocupar com um posicionamento decente.

Pena não ter saído mais nenhum gol!

O jogo cumpriu suas expectativas e a volta, no Camp Nou será coisa de outro mundo. Acho que o Barcelona segue como favorito e as finalizações de Messi que não entraram hoje, talvés entrem na partida de volta. Mas sabe aquela história dos contra-ataques? O Barça costuma sofrer com eles. A diferença é que na Liga BBVA, os times jogam muito fechados e com jogadores lentos no ataque, proporcionando contra-ataques não muito eficientes, agora, o Arsenal deverá ter Walcott, que é um motorzinho humano, então a defesa catalã terá de dormir com um barulho desses.

Eu tenho a sensação de que o Barcelona, por incrível que pareça, não vai ter tanto trabalho pra bater o Arsenal. Talvés seja como no ano passado, após o primeiro gol, a porteira abre.

Jádson e o gol da derrocada italiana

Tragédia no Olímpico!

Tá certo que a Roma conseguiu sair de seu estádio com um placar não tão desfavorável, mas não acho que tenha forças pra reverter o 3×2 sofrido no Olímpico contra o Shakhtar. Os Gialorossi chegaram a abrir o placar com Perrotta, mas após o gol de empate de Jádson, a Roma perdeu a cabeça. Não assisti ao jogo, mas pelos relatos, a Roma se mandou pro ataque desesperadamente e deixou espaços na defesa. Primeiro pra Douglas Costa acertar um belo chute e virar, mais tarde, Riise tinha a bola dominada na lateral e caiu e acabou vendo Luiz Adriano marcar. Ranieri também não fez nada demais em suas alterações. Castellini no lugar de Riise e Borriello no lugar de Vucinic não são as alterações das mais ofensivas. Mesmo assim, a Roma diminuiu na individualidade de Menez, que arrancou e acertou um petardo de fora da área.

Quero ver a Roma se virar na Ucrânia. Não tem jogado bem, Ranieri é contestado, dizem haver várias rusgas entre o treinador e os jogadores, enquanto o Shakhtar tem um time ajeitado e que joga junto há anos. Olha, se no jogo entre Arsenal x Barcelona dá pra apostar nos dois, nesse outro jogo apostaria minhas fichas somente nos ucranianos…