Não existem palavras

Atletas bávaros não acreditam no resultado (Getty Images)

O Bayern perdeu a UEFA Champions League em casa e o que eu posso dizer sobre isso? Lamento amigos, quase nada!

Como fã do futebol alemão, admito que torcia pelo time bávaro. Mesmo tendo uma simpatia maior com o rival amarelo de Dortmund, sempre gosto de ver os times germânicos nas posições mais altas nas competições internacionais. Pouco valor tem se é rival ou não, o importante é torcer e ver estes times representando bem o futebol do país.

Diferente de 2010, onde nem cheguei a acompanhar a partida contra a Inter, a peleja disputada no último sábado, diante do Chelsea, me teve como espectador e como ser perplexo após o término da citada disputa. Como pode o futebol ser tão injusto assim? Como pode transformar pessoas confiantes em fracassadas num mero chute desperdiçado? Não parece certo! Talvez por isso sejamos apaixonados pelo esporte, nem sempre o que é legítimo, é justo. O Bayern jogou melhor, mas quem levou a “orelhuda” pra casa foram os Blues. A conquista perde legitimidade? Não!

Por isso que Uli Hoeness, presidente do Bayern, usou a melhor frase após o jogo: “Não existem palavras. É inacreditável!”. Para nós, fãs do fussball, faltam substantivos, verbos, adjetivos, artigos, preposições, xingamentos, emoticons… Falta tudo! É indescritível, mais até do que um eventual título bávaro. Pelas circunstâncias de jogo e ambiente, o vice-campeonato europeu foi uma das maiores decepções da história do clube.

O Bayern jogou melhor, tinha a cidade a seu lado e ouso dizer que aqueles que odeiam o “futebol moderno” também torciam contra o milionário Chelsea. Os bávaros tiveram o jogo nas mãos no tempo normal e também no tempo extra, quando Robben perdeu um pênalti. Na disputa da marca fatal, não deu! E quiseram os “Deuses do Futebol” que o responsável pela perda do pênalti alemão fosse Bastian Schweinsteiger, cria do clube e com extrema identificação com a torcida, além de melhor jogador em campo.

O futebol propicia essas coisas!

Sim, presenciamos a história sendo escrita. Foi o primeiro título europeu do Chelsea, mas também fomos viventes de umas das derrotas mais doloridas da história do Bayern, derrota essa que talvez tenha sido até mais chocante do que a de 1999, contra o Manchester United no Camp Nou. O fato de jogar em casa, de ter desperdiçado um pênalti no tempo extra e ainda cair na disputa de penais com o principal atleta do time perdendo uma cobrança, pode doer mais do que tomar dois gols nos acréscimos em uma final.

O “Maracanazo Azul” representou o ápice do sonho de Roman Abramovic, que desde que comprou os Blues sonhava com este título. Bateu na trave em 2008, mas este ano a bola entrou e, com um time bem mais enfraquecido que outros e ainda com as histórias de má vontade dos atletas com um ex-treinador se repetindo, o caneco chegou.

Não existem motivos para desmerecer o título do clube londrino. O futebol não perdeu, ele sempre ganha, mesmo se apresentando de forma pior, só se defendendo e jogando rudemente, essa é a graça do esporte. O Chelsea parou times como Barcelona e Bayern. Não é pouca coisa. Lembrem-se, outras equipes tentaram retrancas parecidas e até mais fechadas, mas não obtiveram sucesso contra as agremiações citadas. Há algum mérito nisso!

O marfinense Didier Drogba também poderá encerrar sua carreira tendo conquistado o maior troféu de clubes da Europa. “Ah, mas ele fez corpo mole pra derrubar Scolari e Villas-Boas”. Bom, dizem que sim, mas como eu costumo dizer, futebol é um jogo sujo, é desonesto. Muitos gênios do futebol têm histórias podres para contar, mas não perdem a alcunha de craques e revolucionários do esporte. Drogba não é um monstro sagrado, é sim um grande atacante, um dos melhores da nossa geração. Junto com Samuel Eto’o, talvez tenham sido os principais jogadores africanos em campos europeus nos últimos vinte anos. Faltava um grande título pro marfinense e ele conseguiu!

Frank Lampard, John Terry e Petr Cech foram outros jogadores que, por baterem na trave diversas vezes, também merecem esse prêmio pela insistência e de certa forma, por amor ao clube. As atitudes destes jogadores com alguns ex-comandantes podem não transparecer isso, mas esses caras têm uma grande identificação com o Chelsea. Não foi o dinheiro que apenas os seduziu, mas sim a paixão que a torcida tem com clube.

Schweini lamentou seu erro (Getty Images)

Para os jogadores do Bayern, essa sensação de ser campeão europeu vai demorar mais um pouco a chegar ou talvez nem chegue. O time bávaro conseguiu participar de duas finais de UEFA Champions League e perder as duas. A geração de Phillip Lahm, Bastian Schweinsteiger e Franck Ribéry vai ficando marcada como uma das mais talentosas da história do clube, mas que fracassou nas horas decisivas.

A derrota foi tão dura que pode haver um reflexo na Seleção Alemã que estará presente na UEFA Euro 2012. Sete jogadores bávaros que disputaram a final da UEFA Champions League deverão desfilar nos campos ucranianos e poloneses no próximo mês. O Bayern é a base da Nationalelf, mas esta é a hora certa que os jogadores precisam demonstrar a fama “fria” dos alemães, dando a volta por cima após esta dura derrota.

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O segredo de Guardiola

Pep Guardiola é um grande técnico?

Acho que sim.

Mas o fato de ter tido e ainda ter em mãos jogadores como Messi, Xavi, Iniesta e outros ajudou bastante pra que ele se tornasse esse “grande técnico”?

Também acho que sim.

Mas então, por que ele arranja tanta antipatia de alguns jogadores?

Beleza, Ibra? (Reuters)

Essa é uma pergunta que pelo menos eu não tenho resposta.

Logo que chegou ao Barcelona, Guardiola já se desfez de peças como Ronaldinho Gaúcho, Deco e Samuel Eto’o. Com um pouco mais de relutância, manteve o camaronês em seu elenco e fez com que ele se tornasse uma das peças chave do Barcelona campeão europeu da temporada 08/09. Mas o bom convívio durou pouco: na temporada seguinte, Eto’o era trocado pelo sueco Zlatan Ibrahimovic. Erro fatal!

Não só Eto’o era novamente campeão europeu – daquela vez pela Inter – como Ibrahimovic se tornaria um tormento na vida de Guardiola. O pouco futebol apresentado pelo sueco era nítidamente contrastado com os 68 milhões de euros investidos pelo Barça. Ibra virou banco e obviamente não gostou disso.

Hoje, o sueco brilha no Milan, mas mesmo assim, como nos tempos de Barcelona, segue soltando farpas em direção de Guardiola, claramente dedicando seu fracasso ao seu treinador em campos espanhóis.

Tão perto... mas tão distante... (Reuters)

Ibrahimovic é talvez o único “inimigo público” de Guardiola. Dos jogadores “de nome” que Pep mandou embora do Barcelona, Ibra é o único que segue criticando o treinador à distância. Recentemente, o sueco chegou a chamar Pep de “filósofo”, obviamente com uma dose enorme de sarcasmo. Eto’o já chegou a dizer que não entendia o motivo de sua saída e criticou a mudança que Guardiola queria fazer no clube. Calados, Deco e Ronaldinho nunca falaram nada demais. Mas certamente Eto’o guarda uma mágoa maior e não tenha se expressado ainda querendo evitar uma polêmica maior ou simplesmente não teve a oportunidade de vir a público comentar sobre o assunto. Deco e Ronaldinho também devem guardar uma certa raiva do treinador, que os dispensou e após desse fato, ganhou títulos e mais títulos, além de ter ficado com a fama de bom moço.

Nessa semana, mais um ex-jogador do Barcelona mostrou sua antipatia com Pep Guardiola:

Não consegui falar direito com ele durante uma temporada toda. E, quando era possível, falava coisas estranhas, pouco comuns a um treinador. Se tivéssemos conversado bem, provavelmente ainda estaria no Barcelona

Guardiola não confiava em mim. Sempre que falávamos, ele me deixava sem resposta e era pouco claro nas justificativas para me deixar fora da equipe. Até que surgiu a oferta do Manchester City. Nesta época, confesso que até a minha família começou a pensar que havia um problema qualquer com ele. Sempre pensei que tinha condições para encerrar a minha carreira lá, mas estava enganado

Yaya Touré

Não deixa de ser um fato novo. Eu poderia jurar que Touré havia trocado o Barcelona pelo Manchester City por causa do caminhão de dinheiro oferecido pelos ingleses. Agora veio à tona esse distanciamento do marfinense com o treinador.

Aliás, só puxando uma extensão: Touré disse que Guardiola pouco falava com ele, o curioso é que Ibrahimovic – sempre ele – e Bojan – outro ex-jogador do Barcelona que saiu do clube criticando Guardiola – soltaram as mesmas reclamações ao treinador. O sueco afirmou que “tudo ia bem no Barcelona, mas após a virada de 2009 para 2010, algo aconteceu e Guardiola emendou dois meses sem conversar com ele”. Enquanto Bojan, em sua despedida do clube blaugrana disse que “se despediu de quem se portou bem com ele e não de Guardiola, que passou todo o verão sem falar com ele”.

Quando decidi fazer esse post, tinha em minha cabeça que Guardiola só conversava com o pessoal da base, ou seja, com jogadores que assim como ele, foram criados pelo Barça, sabem como funciona o “esquema Barcelona” e talvez até alguns desses atletas tenham passado por suas mãos e já tenham laços antigos de amizado com Pep, mas ao fazer uma “googlada” pra ver quem mais havia criticado o treinador, percebi que não é exatamente isso que acontece.

Não sou um grande entendedor de futebol espanhol, mas sei que no Barcelona há alguns jogadores criados pelo clube que tem certo potencial, mas por ficarem tanto tempo esquecidos no banco de Guardiola, acabam se desmotivando e a carreira vai pro buraco.

Líder da "panela"? (Reuters)

Vide esses grandes problemas de relacionamento que Guardiola tem com ex-jogadores e com todos eles destacando os mesmos problemas, só pode ser verdade – ou está tudo clinicamente combinado -, e só pode ser verdade também que há uma “panelinha” no clube, onde há os jogadores criados no Barcelona – e algum outro gato pingado, como Dani Alves – que acabam se dando muito bem com Guardiola e formam um “grupo forte”.

Só que esses problemas internos e essas “panelinhas” – que por declarações de ex-jogadores, me deixam com a nítida sensação que existem mesmo – são muito bem protegidas. Desde que Guardiola chegou ao clube, há uma camuflagem enorme sobre o elenco e a comissão técnica. Raramente surge uma polêmica envolvendo o clube fora das quatro linhas. As polêmicas que o Barça se vê envolvido são dentro do gramado, como nas incessantes disputas contra o Real Madrid na última temporada.

Não é anormal haver “panelinhas” em um grupo de atletas. Muito pelo contrário. Num grupo enrome de pessoas, sempre haverá um determinado subgrupo de pessoas que irá se dar melhor e por isso ficará mais tempo junto. É normal do ser humano! Mas cabe aos jogadores saber distinguir que o cara que não é seu amigo também está no grupo e que todos estão no mesmo barco. Não é sempre que isso acontece. Há vários casos de grupos de jogadores derrubando treinador ou coisas do tipo, sem o consentimento de outros atletas.

O que considero anormal é Guardiola se envolver em uma dessas “panelinhas”. Não é certo! Ele, como líder e até autoridade diante de um grupo, não pode entrar em um subgrupo, descartando quem não se envolve com isso. Fora da área de trabalho é outra história, lá fora, ele faz o que bem entender, a vida é dele!

Guardiola soube filtrar bem o elenco catalão e hoje tem poucos jogadores, porém em número suficiente para disputar a temporada. O normal seria que esse pequeno número de jogadores ficasse unido e não existisse um subgrupo, mas se realmente há, Pep tem de saber administrar esse problema. Enquanto ele conseguir controlar, “tudo bem”, mas na hora que perder o controle, sai da frente!

Mas não custa lembrar que estou escrevendo sobre uma hipótese, também sobre algumas interpretações de declarações de ex-jogadores do Barcelona contra Guardiola. Se todas as hipóteses que levantei forem falsas, pobre de mim, que digitou mais de 1000 palavras à toa…

‘Ciao’ Inter!

Tá na rede (DPA)

E o atual campeão europeu vai embora da Champions League tardiamente. Campanha ridícula, se levar em conta que é o último time que ergueu a ‘orelhuda’, futebol medíocre e sumiço dos principais jogadores, que marcaram a campanha interista na Champions League.

Dos dez jogos que a Internazionale fez na Uefa Champions League 2010/11, foram somente 4 vitórias, com 1 empate e 5 derrotas. Foram 18 gols marcados e 21 sofridos. Números ridículos, justificando pouco o rótulo de “atual campeão” da maior competição de clubes europeus.

Pior que esses números é o modo como a equipe foi eliminada da competição. A Inter tomou no agregado 7×3 do Schalke 04. Tá certo que Ralf Rangnick conseguiu construir um time mais sólido, deixou os Azuis Reais com uma ‘cara’ mais respeitável, mas como diria Ronaldinho: “A Inter é a Inter”. Ou seja, não poderia ter tomado 7×3 de um time que está na parte debaixo da tabela da Bundesliga e que nunca jogou as semifinais da Champions League.

Eto'o: Quase um mês sem marcar (Reuters)

Outro ponto que é até pior do que ter sofrido 7×3 do Schalke, é ter apresentado um futebol medíocre não só nos dois jogos das quartas-de-final, mas na competição inteira. A Inter passou trabalho em dois jogos contra o Twente. Levou dois bailes do Tottenham, mesmo tendo vencido um duelo. Conseguiu tomar 3×0 do Werder Bremen, time que luta contra o rebaixamento na Bundesliga. Nas oitavas-de-final, uma obra milagrosa e erros de van Gaal, permitiram que a Inter se classificasse sem jogar grande coisa. E nas duas partidas contra o Schalke, foi totalmente dominada.

Se na ida, jogadores como Jurado e Edú conseguiram ter grandes espaços e acabar com a partida à favor do Schalke, no jogo de volta, na Veltins Arena, a Internazionale, precisando vencer por 4×0, praticamente nem incomodou os Azuis Reais.

A Inter passou praticamente 90 minutos trocando passes inúteis, que cruzavam o campo inteiro, mas que não tinham a mínima velocidade de chegar na área adversária. A zaga, que foi problema no jogo de ida, esteve melhor hoje com a presença de Lúcio, porém, quando errou, foi prejudicada fatalmente. Raúl abriu o placar nas costas do perdidão Ranocchia. Enquanto o zagueiro Höwedes fez o segundo tento, disparando nas costas de Nagatomo. E ainda teve um gol do mesmo Höwedes que foi anulado, onde ele se enfiou atrás de todos os zagueiros para marcar. Para mim, o lateral-esquerdo japonês deu condições para o zagueiro alemão.

O gol da Inter no acaso (Reuters)

Sneijder, homem que deveria pensar o jogo interista e fazer esse time jogar, teve mais uma atuação ruim. Por alguns momentos até buscou o jogo, mas produziu pouco, assim como Eto’o, que ficou muito preso no lado esquerdo e foi minado pelo japonês Uchida. Os principais jogadores da Internazionale estiveram muito mal em campo, tanto que o gol saiu por acaso, numa bola aérea, onde Thiago Motta marcou. As atuações de Sneijder e Eto’o nas duas partidas foram vergonhosas. O futebol deles beirou o ridículo de tão inerte que foi.

Já o Schalke entrou mais cauteloso. Com a ausência de Farfán, Ralf Rangnick preferiu fechar mais o time, colocando Metzelder, reposicionando Matip como volante. O time Azul Real foi mais lento que no jogo de ida, porém, se fechou melhor, marcou bem e deu poucos espaços a Inter, além de em nenhum momento do jogo ter se acomodado com sua vantagem e soube administrá-la com experiência talvez nunca vista por esse time. Quando pôs velocidade no jogo ofensivo, acabou decidindo. Passou com méritos.

A Internazionale tem muito a evoluir. Não enxergo os Nerazzurri como um time dos mais fortes da Europa. Pelo menos não atualmente. A defesa é muito instável. Faz grandes jogos, mas acabam por sofrer apagões ora ou outra e prejudicando um jogo inteiro. O meio campo da Inter sobrevive das subidas dos volantes, isso porque Sneijder não tem jogado nada. Milito não é sombra do que foi na temporada passada. Eto’o, mesmo tendo números expressivos, vive má fase. Na sexta feira, o camaronês completará um mês sem marcar gols!

Leonardo tem culpa? Sim. Ele ‘armou’ esse time, mas quando o coletivo não compensa, o que se espera no mínimo é que as estrelas façam algo voluntarioso pelo menos…Mas Sneijder e Eto’o estão muito mal. A Inter terá de se contentar com a Coppa Italia, isso se conseguir passar pela copeira Roma na semifinal…

Semifinais definidas:

Como falei acima, o Schalke eliminou a Inter e vai pegar o Manchester United. Os ingleses são favoritos, mas há algo de diferente nessa partida. A forte defesa Red Devil vai bater de frente com um cara que tem uma estrela forte na Champions League, um tal de Raúl. Na outra semifinal teremos Superclásico entre Real Madrid e Barcelona. O time Merengue bateu o Tottenham por 1×0, fechando a série em 5×0.

Schalke, Manchester United, Real Madrid e Barcelona são os times que podem estar no Wembley. Aguardemos!

Quando um menino se torna um homem no futebol

Pato começando a se afirmar na carreira (AP)

Sempre há um momento em sua vida, seja uma época ou um acontecimento que lhe faz ter a verdadeira noção de que você não é mais um simples menino e é um verdadeiro homem. No futebol não é diferente.

O garoto surge na base, se destaca, ganha rótulo de promessa, sobe para o time profissional e lá fica tímido. Aos poucos vai ganhando espaço, se firmando, mas ainda deixa aquela pulga atrás da orelha de muita gente, que desconfia que ele ainda seja imaturo. Mas sempre chega o momento em que esse garoto prova que não é bem assim.

Esse momento chegou para a Alexandre Pato!

Ele já fez gol em Mundial de Clubes pelo Internacional, gols em competições sulamericanas e alguns poucos gols decisivos em suas passagens por Inter e Milan. Embora não se duvida do enorme potencial de Pato, sempre ficava uma certa dúvida sobre o que realmente esse rapaz viria a ser quando atingisse o seu auge. Tanto até que mesmo fazendo uma temporada muito boa pelo Milan, ele era muito criticado aqui no Brasil. Não sei como é a atitude da imprensa e da torcida na Itália em relação o brasileiro, mas no nosso glorioso país, Pato não servia para ser o 9 da Seleção, por exemplo.

Mas hoje, no Derby della Madonnina, senti que veio o amadurecimento do garoto e que nesta tarde de sábado – noite de sábado na Itália -, Alexandre Pato deixou de ser um mero “jovem jogador”, para se tornar “O jogador”.

Abbiati vibrou com a milagrosa defesa que fez na etapa inicial

Decidir um clássico é para muitos. Isso mesmo. Para muitos. Nada impede um zagueiro casca grossa de fazer um gol decisivo nos acréscimos do árbitro. Mas ser o homem de um clássico que é praticamente uma final de campeonato é para poucos. Não consigo imaginar um ‘jogador comum’ fazer o que Alexandre Pato fez pro Milan no clássico de hoje.

Foram dois gols marcados e uma expulsão cavada, fora os demais lances individuais que me fizeram credenciar esse momento a Alexandre Pato.

Essa hora deve ser mágica para qualquer jogador. É o momento da afirmação! É justamente quando não se pode falhar, quando se deve chamar a responsabilidade, botar a bola debaixo do braço e ir pro jogo. Foi o que Pato fez. Na ausência de Ibrahimovic, ele foi o comandante do ataque e tacou o terror na defesa adversária.

Na primeira etapa, Pato mostrou estar no seu dia com menos de um minuto de jogo. Beiravam os 50 segundos de partida, quando Robinho dividiu com Júlio César e a bola sobrou pro camisa 7 marcar. O Milan fez quinze minutos excelentes, onde empurrou a Inter para seu próprio campo, mas com o passar do tempo, recuou e passou a apostar nos contra-ataques, com Alexandre Pato armando a boa maioria dessas jogadas.

Pato corrigiu o chute torto de Abate (AP)

Na segunda etapa, Pato foi mais decisivo. Ele primeiro cavou a expulsão de Cristian Chivu. Muita gente considerou correta a expulsão do lateral – no jogo de hoje, zagueiro – romeno, mas para mim, nem falta foi. Pato corria em direção diagonal, enquanto Chivu ia reto, já erguendo os braços. O camisa 7 milanista não foi empurrado, então a dúvida parte para as pernas, mas entendo eu que o brasileiro tropeçou. Ficou outra dúvida: se Pato tropeçou nas próprias pernas ou no Chivu. Como o lance foi na meia-lua da grande área, o romeno foi expulso. Como eu disse, Rizzoli pra mim errou ao dar a falta, mas ao marcar a infração, o jogador da Inter deveria ser expulso.

Se a Inter já estava mal no 11 contra 11, ficou pior com um à menos, se perdeu mais ainda e Pato e cia. deitaram e rolaram. O atacante brasileiro anotou seu segundo gol no jogo, completando chute torto de Abate. Era o dia dele! Deixou o campo aplaudido pelo estádio inteiro!

Ainda deu tempo de uma passagem relâmpago de Antonio Cassano. Ele mal entrou e sofreu e converteu um pênalti, levou dois cartões amarelos e foi expulso.

Sobre o jogo, 3×0 incontestável. O Milan jogou melhor desde a saída da bola, quando abriu o placar com menos de um minuto de jogo. Alexandre Pato será destacado depois. Robinho jogou bem, se movimentando, buscando jogo e em alguns momentos, se dando a luxo de ser displiscente. Van Bommel jogou bem também. Ora, não quis bater, quis jogar e teve boa atuação. Por incrível que pareça, Abate teve boa atuação. E o que dizer de Clarence Seedorf? Que atuação! Maestro no meio campo milanista. Armou, buscou jogo, participou das jogadas de ataque e teve atuação impecável.

Todos sabiam onde estava Bárbara Berlusconi, agora, Sneijder e Eto'o...

Já a Inter teve atuação terrível. A zaga foi uma lástima, o meio campo estava desorganizado e de resultado, um ataque que mal recebeu a bola. Até fiz essa brincadeira no twitter. Bárbara Berlusconi, filha de Sílvio e namorada de Pato, apareceu mais que Sneijder e Eto’o. Jogadores como Maicon e Cambiasso estiveram nervosos no jogo inteiro e produziram pouco. Se não fosse Júlio César, a Inter tomaria 5, 6…

Agora, Alexandre Pato. Jogou demais, foi o melhor em campo e está se tornando um homem no mundo do futebol. Ele ficará marcado após esse jogo. Daqui há dez, vinte anos, torcedores do Milan lembrarão que a grande atuação de Alexandre Pato rendeu um – que por enquanto é – provável título italiano. O atacante brasileiro também se lembrará, pois se atuações como a de hoje se repetirem em outros jogos de grande expectativa, esse clássico ficará reservado como o “momento em que virei homem, decidi um clássico decisivo”.

A situação do campeonato é a seguinte: O Milan lidera com 65 pontos e cinco pontos atrás, vem a Inter. Dificil pros Nerazzuri, que terão de dividir atenções com a Champions League e se o Schalke for eliminado, o tempo de atenção dividida vai aumentar e uma hora ou outra a Inter largará a Série A. São seis pontos a se tirar em 7 jogos.

O Napoli ainda pode encostar no Milan. Basta vencer a Lazio, que fica três pontos atrás do atual líder.

Mas mudando de assunto…mas nem tanto. Valeu a pena acompanhar o nosso esnquenta, heim? Foi um jogaço!

Os caras do Derby della Madonnina

Todos os grandes jogos, sejam clássicos ou não, sempre tem seus destaques individuais, suas estrelas e seus jogadores mais decisivos. Na série “Esquenta pros Clássicos”, o Europa Football continua falando do Derby della Madonnina, agora listando os jogadores que podem decidir tanto para o Milan, quanto para a Inter.
  • INTERNAZIONALE

O maestro do meio campo da Inter: Sneijder

Nome completo: Wesley Benjamin Sneijder
Data de nascimento: 9 de junho de 1984, em Ultrecht (HOL)
Ex clubes:

Ajax (127 jogos e 44 gols)
Real Madrid (52 jogos e 11 gols)

Wesley Sneijder manda no meio campo da Inter. Tem grande técnica, finaliza bem com os dois pés e é decisivo. Desde que chegou na Itália tem sido assim: Sneijder e mais dez. E essa história tem sua razão. Mourinho armou um 4-2-3-1 na temporada passada pensando nele como um grande pensador do meio campo italiano, assim como atualmente, Leonardo arma um 4-3-1-2 com o mesmo pensamento. Mesmo assim, com Sneijder cumprindo com maestria essa função de “maestro”, ele mostra que não é um jogador de um único posicionamento. Sempre que é preciso uma mudança de esquema, o camisa 10 nerazzuri se desloca para os flancos, ou passa a voltar mais e buscar jogo. Ele mostra ser um jogador de grupo. Então você me pergunta: “Por que Sneijder pode ser o ‘cara’ do clássico?”. Primeiramente, uma resposta simples meio clichê. Ele é craque, e é exatamente isso que se espera de um jogador desses, que decida os jogos mais importantes. Outro ponto que pode-se destacar é que dos 21 jogos que Sneijder participou nesta temporada, ele participou ativamente de 8 gols. Foram três gols e cinco assistências.

Eto'o, o artilheiro interista

Nome completo: Samuel Eto’o Fils
Data de nascimento: 10 de março de 1981, em Duala (Camarões)
Ex clubes:

Leganés (30 partidas e 4 gols)
Real Madrid (6 partidas e nenhum gol)
Mallorca (163 jogos e 69 gols)
Barcelona (200 jogos e 130 gols)

Mesmo com a soberania de Wesley Sneijder no meio campo nerazzuri, algo todos tem de concordar: Samuel Eto’o é o melhor jogador da Inter na temporada. Já são 19 gols e 6 assistências. O camaronês tem mostrado ser mais que um simples “empurrador de bola para as redes”. Já nos tempos de José Mourinho, ele já mostrava sua versatilidade ao jogar como um winger, nessa atual temporada ele já atuou como winger, centro avante, segundo atacante, enfim, tem sido outra peça fundamental nesse elenco interista. Eto’o está muito bem desde o início da temporada sem declinar muito. Nos últimos dez jogos da Inter, ele fez 7 gols e deu 4 assistências, enquanto nos dez jogos iniciais da temporada, ele fez 12 gols e deu 4 assistências. São números diferentes, porém, respeitáveis. Esses números surgem como um “porque” de uma eventual pergunta sobre o motivo de Eto’o se um dos ‘caras’ do derby.

  • MILAN

Alexandre Pato, The Duck

Nome completo: Alexandre Rodrigues da Silva
Data de nascimento: 2 de setembro de 1989, em Pato Branco
Ex clubes:

Internacional (27 jogos e 12 gols)

O sueco Zlatan Ibrahimovic, grande destaque do Milan na temporada, está suspenso, então a responsabilidade de carregar o Milan fica à cargo de Alexandre Pato. O atacante brasileiro pode não estar vivendo uma grande temporada – grande parte disso pode ser creditada as lesões que tem sofrido -, mas tem sido importante em momentos decisivos. Vale lembrar o decisivo duelo contra o Napoli, há pouco mais de um mês, onde Pato fez um gol e deu uma assistência, fora ter tido realmente uma grande apresentação. No duelo de volta contra o Tottenham, pela Champions League, mesmo com o Milan sendo eliminado, o camisa 7 milanista teve boa atuação, não se omitindo na partida. Nessa hora surge a velha máxima do “clássico é clássico” e nessa hora também não importa muito a temporada inteira e sim os 90 minutos batalhados em campo, e Alexandre Pato pode se sobressair. O “porque” de ele ser um dos ‘caras’ vem do fato de ele ser uma grande promessa do futebol brasileiro, com grande técnica e faro de gol, já estar calejado e o principal, por este ser um momento ótimo para ele provar a que veio nesse mundo futebolístico, pois não pode se contentar em ser um coadjuvante e sem Ibra, Pato terá de chamar a responsabilidade!

O Monstro, Thiago Silva

Nome completo: Thiago Emiliano da Silva
Data de nascimento: 22 de setembro de 1984, no Rio de Janeiro
Ex clubes:

Juventus (27 jogos e 3 gols)
Porto e Dynamo Moscow (em ambos, nenhum jogo)
Fluminense (146 jogos e 14 gols)

Thiago Silva é o Monstro que comanda a zaga do Milan. Zagueiro técnico e espantosamente calmo. Dificilmente você o vê fazendo besteiras em campo. Não o vê dando carrinho tolo, dando bico pro ataque. Thiago sempre mostra categoria na saída de jogo. Seu parceiro de zaga é o experiente Alessandro Nesta. Tá certo que seu companheiro é muito bom zagueiro, um dos melhores do mundo enquanto esteve no auge, mas hoje não é mais o mesmo e cabe a Thiago Silva muitas vezes salvar a pele de Nesta. E cá pra nós, salvar a pele de um zagueiro do nível de Nesta é para poucos. Nesta temporada, o defensor brasileiro tem mostrado versatilidade e já atuou até como volante. Thiago Silva pode ser o ‘cara’ do jogo pois vai se deparar com um ataque com Eto’o em excelente temporada e o brasileiro tem tudo para brecar o camisa 9 adversário e ainda ser uma boa opção no jogo aéreo milanista.

  • COADJUVANTES (Postulantes a homens do jogo)

– Júlio César: o arqueiro da Inter pode viver uma temporada não muito boa, mas fazendo a sua parte lá atrás e ainda conseguindo alguns milagres, pode vir a ser um jogador decisivo no derby.

– Maicon: o lateral-direito é uma das peças chaves da Inter. Muitas vezes o time deixa de jogar pelo lado esquerdo ou pelo centro para focar todas as jogadas em cima de Maicon. Se estiver em dia inspirado, o brasileiro pode vir a decidir o clássico, levando em conta que as laterais são o ponto fraco do Milan.

– Cambiasso: o volante argentino parece um ser onipresente em campo. Quando você menos espera, Cambiasso aparece dentro da área para marcar um gol. Excelente peça de chegada ao ataque.

– Milito: o argentino não vive boa temporada, mas nessa hora a história pesa. Gols que valeram títulos para a Inter mostram que a estrela de Milito pode voltar a brilhar.

– Pazzini: contratado na janela de inverno, Pazzini tem jogado muito bem e tem feito gols. Talvez ele sinta a pressão de um Derby della Madonnina, mas ele jogou alguns Derby della Lanterna, que também envolve forte rivalidade.

– Seedorf: o holandês já viveu dias melhores, mas recentemente tem jogado numa espécie de primeiro volante e tem se saído bem nas suas atuações, principalmente com sua qualificada saída de bola. Seedorf é outro que tem gols importantes no currículo e os milanistas torcem para sua estrela voltar a brilhar.

– Cassano: o camisa 99 foi a grande contratação do Milan na janela de inverno e o que pode se esperar de Cassano é raça, técnica e fogo na defesa adversária, sem falar que o ex-jogador da Sampdoria tem sido um bom assistente desde que chegou ao Milan. Já foram 5 assistências!

– Robinho: após muita contestação em relação a seu futebol, Robinho se firmou no Milan. O brasileiro é uma peça chave, pois pode ser um segundo atacante, winger e numa eventual emergência, pode jogar como armador, posição em que tem jogado bem.

Erros na cara

Van Gaal? És tu?

Sou um fã da Bundesliga. Toda a rodada assisto a dois, três jogos da competição. Acompanho a maioria dos times, inclusive o Bayern de Munich.

Para a maioria, que vê “por cima”, acha que o Bayern tem um time fantástico. Tenho de concordar que com Ribéry, Robben, Müller, Schweinsteiger, Gomez, Lahm – e por aí vai – dá para montar um baita de um time, mas não é bem por aí que a coisa anda. Desde a temporada passada, o time bávaro tinha problemas na zaga, mas havia algo importante: Os inseguros Van Buyten e Demichelis eram entrosados, jogavam juntos há anos. Só que nessa atual temporada, o argentino brigou com Van Gaal e se foi pro Málaga, enquanto Van Buyten se contundiu algumas vezes, prejudicando muito seu rendimento. Hoje, o zagueiro belga tem 15 partidas pelo Bayern, na temporada passada ele fez 31.

Com isso, Van Gaal teve de remontar sua defesa, só que fez de um jeito errado. Testou muitos jogadores e muitas duplas em um momento difícil, onde o Bayern tinha vários jogos complicados. Passaram por lá Breno, Tymoshchuk, Badstuber e até o volante Luíz Gustavo – além de, é claro, Van Buyten -, isso em um curto período de tempo.

Nos últimos dez jogos o Bayern teve as seguintes duplas de zaga:

Van Buyten e Breno (Internazionale [volta])
Van Buyten e Luíz Gustavo (Hamburgo)
Tymoshchuk e Breno (Hannover, Schalke)
Tymoshchuk e Badstuber (Borussia Dortmund, Internazionale [ida], Mainz, Hoffenheim, Colônia, Werder Bremen)

Pelos números, a dupla de zaga formada por Tymoshchuk e Badstuber foi a que mais atuações teve, 6, mas foram oito gols que o Bayern sofreu. O ucraniano até já jogou como zagueiro na sua época de futebol ucraniano, mas desde os tempos de Zenit é volante, já o alemão, ele é um garoto ainda, tem muito a evoluir, mas tem sentido a pressão e recebido muitas críticas, por isso acho até melhor aproveitá-lo na lateral esquerda.

Agora a pergunta que não quer calar: Pra que a insistência em mudar tanto a defesa? Pro jogo de volta contra a Internazionale, pela Uefa Champions League, o ideal seria que Tymoshchuk e Badstuber jogassem, pois mesmo sendo contestados, ambos tem lá seu entrosamento. Mas não, Van Gaal acreditou que no papo e treinamento, conseguiria fazer com que Van Buyten e Breno jogassem, se entrosassem e triunfassem.

Eto'o tirando o zero do placar (AP)

O que se viu no jogo de hoje diante da Inter foi um projeto mal elaborado de dupla de zaga. No primeiro gol sofrido, logo no início do jogo, Eto’o – um pouco impedido – estava entre os dois zagueiros para receber a bola e marcar. E a maior falha foi certamente no 3º gol. Após longo lançamento, Breno estava na frente de Eto’o, se perdeu no quique da bola, deixou o camaronês ganhar facilmente e servir Pandev para fazer o gol que classificou a Inter. Esse erro do brasileiro prejudicou todo o posicionamento da defesa, pois um teve que cobrir o outro, o outro teve que cobrir o um e Pranjic, que teria de estar onde estava Pandev na hora da finalização, não estava lá, pois teve de cobrir Breno na grande área.

Aliás, desde a expulsão diante do Hannover, a saída de Breno do Bayern tem sido especulada e à partir de hoje então…

Ele não poderá reclamar. Chegou como grande promessa pro futuro e até agora nada jogou. Se machuca com frequencia e quando entra não corresponde. Ele deixou seu futebol aqui no Brasil.

Em todos os jogos que vi do Bayern, sabia dos problemas defensivos da equipe, mas sempre achei que uma boa dupla de volantes resolveria o assunto. Van Bommel e Schweinsteiger era uma boa dupla de volantes, mas o volante holandês saiu e Van Gaal mexeu um monte na proteção à zaga. Luíz Gustavo, Pranjic, Ottl e Kroos já foram parceiros de Schweini. Aliás, não entendo porque o técnico holandês coloca Luíz Gustavo de lateral-esquerda e Pranjic de volante na Bundesliga e na Champions League inverte. A opção ‘europeia’ é a melhor, mas esse troca-troca é que não dá para entender.

Eu sou daqueles que dificilmente culpa um técnico por momentos ruins de uma equipe, mas o caso do Bayern é diferente. O que Van Gaal fez de bom pros bávaros? Achou Müller, encaixou Ribéry e Robben no mesmo time, enquadrou Van Bommel, fez Mário Gómez voltar aos bons tempos de Stuttgart, foi campeão da Bundesliga e da DFB Pokal, além de um vice-campeonato europeu. Tá bom, é muita coisa, mas as coisas ruins, mesmo não sendo tantas, são mais fortes. Logo em sua chegada, mandou Lúcio embora. Faz falta ou não? Brigou com uma porrada de jogadores, inclusive com Van Bommel – capitão da equipe e esse foi um dos motivos de sua saída -, Ribéry e Robben e o maior de todos: foi teimoso ao montar sua defesa. Em meio a competições importantes e em um time onde a pressão é muito forte, não se pode ficar testando tanto e testando jogadores que não são da posição – Luíz Gustavo, volante jogou na zaga, assim como Tymoshchuk, além de Badstuber, que se sai melhor como lateral. O “se” não existe, mas me arrisco a dizer que “se” a dupla de zaga do Bayern fosse Demichelis e Van Buyten, o Bayern venceria, ou até se Van Bommel estivesse jogando ao lado de Schweinsteiger isso aconteceria! O torcedor bávaro dá graças a Deus por Van Gaal ir embora!

Trágico (AFP)

Sobre o jogo, o Bayern foi impecável na etapa inicial. Mesmo saindo atrás, virou a partida, com Gómez e Müller, aliás, no gol do Supermário, Júlio César falhou de novo, ao tentar encaixar um chute de longe de Robben e se atrapalhar todo, deixando o artilheiro em boas condições para marcar. A dupla Robbéry estava dando show. Robben, que se destacou no sábado por não ficar preso na direita – além dos três gols marcados -, se deslocou bastante no jogo de hoje, confundindo a zaga adversária. Ribéry dava um toque de classe ao meio campo bávaro. Só que o time perdeu a chance de matar o jogo. A Inter, que havia começado o jogo tentando administrar a posse de bola, havia sentido a virada. Mas na etapa final, o Bayern entrou com uma postura muito defensiva, sem atitude e com Robben novamente preso, enquanto o time italiano ocupava mais o campo de ataque. Van Gaal mexeu mal ao tirar Robben e colocar Altintop. Eu até colocaria o turco, mas tiraria Müller, por exemplo, para reforçar a marcação – daria para centralizar Ribéry, deslocar Robben pra esquerda e deixar Altintop na direita. A saída do holandês acabou com o poder de fogo do Bayern. É difícil imaginar Ribéry correndo o campo inteiro armando um contra-ataque. Ele até arranca, mas curtas distâncias. A Inter não chegava a criar tanto, mas na bobeira geral da zaga bávara, fez dois gols e virou a partida para 3×2, se classificando.

Em outras palavras, os erros defensivos que foram vistos hoje na Alianz Arena pelo lado alemão não são raras, isso acontece quase toda rodada da Bundesliga.

O Bayern poderia ter vencido com tranquilidade, por isso digo: O Bayern perdeu a vaga e não a Inter que ganhou!

REAÇÕES

É um resultado histórico, tendo em conta o quão difícil foi o jogo e como o nosso adversário era forte, mas já tínhamos feito algo semelhante no campeonato, recuperando de desvantagem e marcando nos minutos derradeiros. É um sinal de que estes jogadores acreditam na equipe, nunca desistem. O campeão europeu continua de pé.

Leonardo, técnico da Internazionale

Acreditamos na vitória até o final e conseguimos! Estamos nas quartas-de-final! Estamos felizes demais por Pandev, pelo seu gol e agora é continuar a recuperar o Milito. Essa equipe tem coração

Cambiasso, meio-campista da Internazionale

Podíamos ter decidido as coisas mais cedo. Em vez disso, a Inter segue em frente e ainda pode defender o título. Mesmo que tenha criado poucas ocasiões de gol, aproveitou as que teve. Existe sempre essa possibilidade no futebol.

Louis Van Gaal, técnico do Bayern

Teve uma hora em que nós devíamos ter feito 4 a 1 a nosso favor. Não aproveitamos nossas chances e isso é algo que nos pune no futebol, especialmente contra um time como a Inter. Depois nós fomos muito passivos, não tivemos agressividade o suficiente e ninguém quis assumir a responsabilidade. Nosso jogo é manter a posse de bola, mas se isso quer dizer recuar para o goleiro é inútil

Mário Gómez, atacante do Bayern

Chicharito decidiu pros Red Devils (Reuters)

No outro jogo do dia, deu a lógica. O Manchester United passou pelo Olympique de Marseille. Tá certo, eu apostei no time francês, mas depois do escândalo envolvendo o Brandão, fiquei meio em dúvida se os atuais campeões franceses perderiam o foco ou não. Não vi o jogo pra saber como foi, só olhando os melhores momentos, vi que o Marseille teve chances claras de gol, mas acabou sofrendo dois gols de Chicharito e sendo eliminado com a derrota por 2×1 – Brown, contra, fez o gol francês.

REAÇÕES

O nosso problema neste jogo foi sempre a bola aérea, pois os franceses foram perigosos nas jogadas de bola parada. A parceria entre o Wayne Rooney e o Javier Hernández está a evoluir. Para o Wayne, tem sido importante o local onde tem jogado nos últimos jogos. Ele tem muita força e o Hernández faz excelentes movimentações em direção ao gol, para dentro e para fora.

Alex Ferguson, técnico do Manchester United

O que nos falta é o hábito de jogar a este nível. Eles não puderam contar com alguns jogadores, mas praticaram um futebol de alta qualidade. Não nos arrependemos de nada. Estivemos tímidos nos primeiros 20, 25 minutos, talvez devido à responsabilidade e o ambiente. A minha equipe tem jogadores jovens que sentiram dificuldades em Old Trafford.

Didier Deschamps, técnico do Olympique de Marseille

É relativo

Robben teve grande atuação na evolução bávara (Witters)

Há algumas semanas, o Bayern de Munich ia até o Giuseppe Meazza e batia a Inter por 1×0, gol de Mário Gómez, em jogo válido pela Champions League. Naquela época, o time alemão estava em boa fase, dos 7 jogos que havia feito em 2011, tinha perdido somente um, empatado mais um e vencido cinco. A Inter também viva boa fase na época. Tinha perdido somente dois jogos no ano, mas pelo modo que a equipe jogou – cautelosa e pouco agressiva -, poucos apostariam em uma remontada.

Mesmo levando a Pokal e a Bundesliga, Van Gaal tem sua imagem desgastada

Após essa vitória sobre a Inter, o Bayern tinha três jogos cruciais e que serviam para provar a boa fase da equipe, mas nada feito. O time bávaro tomou 3×1 do Dortmund na Bundesliga, caiu na Pokal pro Schalke e para completar, tomou uma porrada do Hannover por 3×1 e viu a crise ser instalada no clube. Na segunda-feira seguinte, a diretoria do Bayern confirmou que Louis Van Gaal deixaria o comando técnico da equipe no fim da temporada. Decisão que pode-se dizer acertada, pois o holandês nunca agradou, tomava decisões duvidosas, embora tenha descoberto Müller. O que realmente podemos criticar é o tempo que foi dito isso. Cedo? Talvez sim, mas como o elenco do Bayern é milionário e experiente, os atletas devem assimilar bem esse anuncio. É aquela história, é melhor anunciar cedo, do que deixar que as especulações em torno de uma possível demissão de Van Gaal entrem no grupo e tirem o foco.

Enquanto a Internazionale fez só dois jogos, ambos com a dupla de Gênova e passou bem. Meteu 2×0 na Sampdoria fora de casa e em seguida goleou o Genoa por 5×2, com Eto’o marcando três dos sete gols. O camaronês é disparado o melhor jogador da Inter na temporada.

Tudo perfeito para mudar o roteiro do jogo da volta da Champions League que será disputada na Alianz Arena, mas a relatividade já conhecida do futebol apareceu.

Não é segredo pra ninguém que o futebol é relativo. O time que hoje vive fase de glórias e conquistas, pode estar amanhã em crise, contestado e em estado de guerra. Um jogo pode mudar tudo, no caso de Bayern e Inter, isso é verdade.

Era de se prever que com os resultados das duas equipes, a Internazionale chegaria na terça-feira com chances reais de virar a partida e se classificar. Como assíduo espectador da Bundesliga, eu já colocava o time italiano como favorito. Mas os resultados dessa rodada da Série A e da Bundesliga me fazem repensar sobre o assunto.

Podia ser pior... (EFE)

A Inter tropeçou na sexta feira diante do fraco Brescia – penúltimo colocado. O time comandado por Leonardo vencia por 1×0 – mais um gol de Eto’o, que vive grande fase – até aos 40 minutos do segundo tempo, quando Córdoba cabeceou pra trás e Caracciolo marcou. Minutos depois, Córdoba fez outra besteira e cometeu pênalti em Éder, só que o mesmo Caracciolo desperdiçou.

A Inter seguiu mostrando os velhos defeitos: O ataque funciona, a defesa não. Isso quando o ataque também não funciona, as funções não se invertem, nada funciona.

O resultado foi trágico para a Inter, que fica quatro pontos atrás do Milan. Só que os Rossoneros recebem no domingo o Bari, lanterninha da Série A, vitória praticamente certa. O Milan abriria então sete pontos e não seria somente o confronto direto que salvaria a Inter.

Bayern vai voltando a ter favoritismo (Witters)

Para complicar pro time italiano, o Bayern, que já tinha visto o Hannover – adversário direto por uma vaga na Champions League – tomar 4 do Colônia, fez hoje uma de suas grandes atuações – porém poucas – na temporada e ganha motivação extra. No clássico contra o Hamburgo, o time bávaro meteu 6×0, com grande atuação da dupla Robbéry. Robben fez três gols e deu uma assistência, enquanto Ribéry fez um gol e deu duas assistências. O holandês foi quem mais se destacou. Acostumado a ficar preso na direita, Robben se viu numa boa marcação de Aogo com Zé Roberto, então decidiu se movimentar. O primeiro gol dele foi na esquerda e no terceiro, ele começou pela direita e após tabela, se deslocou pro centro pra marcar.

O Bayern continua vivo na luta pela vaga na Champions League. A distância pro Hannover é de dois pontos e todos sabem que o time bávaro tem um elenco melhor, só não está apresentando isso no campo. Tem grandes chances de ficar com a 3ª vaga.

A história muda. A Internazionale vai para a Alianz Arena pressionada. Terá de tirar o 1×0 feito pelo time alemão e vê o título italiano fugir, ou seja, em dois jogos pode ver os dois títulos mais importantes da temporada irem pro espaço. Enquanto o Bayern está vivo na briga pela terceira vaga na Champions League, joga em casa e ainda tem a vantagem contra a Inter.

Essa é a relatividade do futebol, que a cada semana vê os mesmos times mudarem de clima e motivação para grandes jogos.