Dossiê Benzema

Era março de 2007. A França olhava fixamente para a Eurocopa de 2008. Após um vice-campeonato mundial em 2006, com uma seleção já bastante envelhecida, o polêmico Raymond Domenech tentava renovar a seleção. Nomes hoje calejados, como Patrice Evra, Jérémy Toulalan, Rio Mavuba e Lass Diarra começavam a ganhar espaço especialmente em amistosos.

E foi exatamente em um desses jogos teste que começou a história de Karim Benzema na seleção francesa. Para encarar a Áustria, no dia 28 de março, no Stade de France, Domenech fez diversas experiências. Dos 11 da formação inicial, sete não tinham sequer dez jogos pelos Bleus, sendo um estreante: o prodígio, que tornaria-se mais tarde um garoto-problema, Samir Nasri.

Benzema, na época com 19 anos, assim como Nasri, era um prodígio francês. Desde que havia estreado entre os profissionais do Lyon na temporada 2004/05, não tinha números estrondosos. Mesmo assim, já ia para a segunda convocação. A primeira havia sido em novembro de 2006, ainda com 18 anos, quando somava meros quatro gols e 32 aparições no Campeonato Francês. Não debutou em função de uma lesão.

O azar não se repetiu naquela noite parisiense. No intervalo da partida, Domenech fez três alterações. Ao lado do veterano William Gallas e do companheiro de clube Eric Abidal, Benzema ingressara no time na vaga de Djibril Cissé.

O menino franco-argelino não precisou nem de dez minutos para mostrar do que era capaz. Em falta na linha de fundo pelo lado direito, Nasri, inteligente, cobrou rasteiro e para trás. Livre, Benzema acertou um chute ao seu estilo: colocado, de pé direito, nem muito forte, nem tão fraco, mas o suficiente para ser impossível de defender.

Era um amistoso, é verdade, mas já foi um belo cartão de visitas para um expoente de 19 anos: ali residia uma esperança de gols.

A partir dali, Benzema passou a sempre ser lembrado por Domenech e, constantemente, entrava no time. Com Thierry Henry e David Trezeguet em rota descendente da carreira e Nicolas Anelka longe de ser o nome dos sonhos, ter uma via alternativa se fazia necessário para aquele momento. Domenech sabia que Benzema era essa via.

Euro 2008: Primeira decepção

Com a explosão na temporada 2007/08, onde fez 20 gols em 36 jogos no campeonato nacional – 33 gols em 63 ao todo – tornou-se inevitável assumir a titularidade. E assim foi até a estreia na Eurocopa disputada na Suíça.

No debute contra a Romênia, Henry foi desfalque em função de um problema no nervo ciático. Com isso, Benzema formou dupla com Anelka. A partida foi decepcionante, fraca tecnicamente, e o placar não saiu do zero, em jogo que, definitivamente, não está na história da Eurocopa.

Foi o indício de que dias ruins viriam. Sem vencer diante da seleção mais fraca da chave e com Itália e Holanda pela frente, os Bleus precisariam mostrar mais caso quisessem avançar.

Nada feito. Com Benzema no banco e sem sequer entrar na reta final da partida, a França foi atropelada por uma irresistível Holanda de Sneijder, Robben e Van Persie, perdendo por 4 a 1. O atacante acabou sendo lembrado pela imprensa – ou aliviado por ela.

Na época, porém, Benzema já causava os primeiros furdunços internos. A imprensa francesa noticiava na época que o comportamento considerado arrogante e individualista incomodava outros atletas.

Ainda assim, bastava uma vitória diante da Itália para os franceses se classificar e Domenech acionou o garoto para iniciar o confronto. Entretanto, a expulsão de Eric Abidal, com menos de 25 minutos, selou o início da derrocada gaulesa. A Azzurra, assim como em 2006, mandava os franceses para casa decepcionados, desta vez, com o 2 a 0 no marcador.

Benzema atuou durante 90 minutos. Inclusive, no segundo gol italiano, anotado por Daniele De Rossi, a bola desviou nele, que estava na barreira, e saiu do alcance de Coupet. Ofensivamente, a participação mais efetiva foi em um chute rasteiro de fora da área, aos 13 minutos, com o placar ainda zerado, que saiu levemente a esquerda de Buffon. Apesar da frustrante participação, foi uma experiência válida para o atacante que tinha, na época, 20 anos.

Benzema participou de dois jogos da Euro 2008 | Foto: Reprodução

Boa parte do fracasso daquele time já se devia as convicções de Domenech. Foram três escalações diferentes em três jogos e um 4-4-2 muito engessado. No ataque, não havia uma clareza sobre os posicionamentos dos atacantes e Benzema, que nos dois jogos que fez atuou mais afastado da área, muitas vezes se embolou com companheiros exatamente por essa confusão do time.

Benzema, ainda garoto e começando a enfrentar jogos de maior peso, era o menor culpado disso.

Caso Zahia e a Copa da África

Quem sabe em 2010? Primeira Copa em continente africano, França sedenta para afastar a má impressão deixada em 2008, cenário favorável para Benzema explodir. Somado a isso, veio a transferência para o Real Madrid, por 36 milhões de euros. Jogar ao lado de Cristiano Ronaldo, Kaká e outros tenderia a potencializar ainda mais suas qualidades. Entretanto, as polêmicas extracampo começaram a entrar na rotina do atacante.

Tudo começou em 5 de setembro de 2009. Naquela noite, a França enfrentaria a Romênia, em Paris. Os Bleus passavam maus bocados nas Eliminatórias para a Copa, com vitórias magras diante de seleções pouco expressivas e atuações nada convincentes. Para quem adora propagar o discurso de vitórias obrigatórias, essa partida diante dos romenos se encaixava aí.

Benzema, entretanto, começou no banco. Foi chamado para entrar aos 28 minutos da etapa final, no lugar de Yoann Gourcuff. A partida estava empatada por 1 a 1 e assim ficou até o fim. A polêmica pegou porque o atacante teria mostrado certa má vontade para entrar no jogo.

A atitude foi considerável inadmissível para Domenech. Para completar, meses depois, Benzema foi indiciado por, supostamente, ter tido relações sexuais com Dehia Zahar, uma prostituta menor de idade. Ele foi absolvido apenas em 2014, o que foi suficiente para que fosse descartado definitivamente pelo treinador e ficasse fora da Copa do Mundo de 2010. Nem mesmo o surgimento de André-Pierre Gignac no Toulouse poderia explicar aquela decisão.

Sete anos depois, Benzema pode até se dizer aliviado, já que não compôs o elenco que promoveu uma grande rebelião contra o próprio Domenech e protagonizou o maior fiasco da história dos Bleus.

Volta e seca

Passado o vexame no África do Sul, Domenech se foi, Laurent Blanc chegou e Benzema voltou. No primeiro jogo pós-Copa, entrou aos 16 minutos do segundo tempo, na vaga de Guillaume Hoarau. A titularidade, porém, veio apenas na vitória por 2 a 0 sobre a Bósnia, na qualificação para a Eurocopa.

A confiança de Blanc foi recompensada em grande estilo. Aos 26 minutos da etapa complementar, a partida estava empatada em 0x0, quando Benzema recebeu cruzamento rasteiro da esquerda. De costas para o gol, ele girou bonito, deixou o zagueiro para trás e mandou um lindo arremate de canhota para as redes.

Foi dali para cima. O começo de 2011 foi empolgante e Benzema dava pinta de que seria “o cara” tão procurado desde as aposentadorias de Zidane e Henry (da carreira e da seleção, respectivamente). Em amistosos ‘cascudos’ contra Brasil e Inglaterra, fez gols e ajudou nas duas vitórias, que deram cancha a um time que ainda estava desacreditado.

O que viria em diante, porém, foi decepção para o atacante. Depois da vitória contra os algozes brasileiros, em fevereiro de 2011, Benzema passou cinco jogos sem marcar, voltando a marcar em setembro do mesmo ano, na vitória por 2 a 1 sobre a Albânia. Seis partidas depois, às vésperas da Euro 2012, dois gols diante da Estônia, chegando a marca de 15 gols pela seleção francesa.

A empolgação de recuperar o respeito perdido na Copa de 2010 era grande, mas a Euro disputada na Polônia e na Ucrânia foi apenas mais um capítulo da turbulenta carreira de Benzema pela França.

Eliminado nas quartas-de-final, o atacante madridista deixou a competição de forma discreta, sem ter marcado um gol sequer e muito questionado pela imprensa local. O único jogo em que conseguiu se destacar foi no 2 a 0 diante da Ucrânia, onde deu as assistências para os dois gols.

Benzema deixou a Euro 2012 sem gols | Foto: Reprodução

Não havia dúvidas, Benzema era a grande decepção da França. Não apenas pelo nome que possui, tampouco por jogar no Real Madrid, mas estávamos falando do atacante que teve na temporada 2011/12 o período mais prolífico em gols na carreira. Em 64 jogos, marcou 35 gols, recorde máximo desde que surgiu em 2004/05.

A imprensa francesa valorizou o esforço, pontuou que o jogo dos Bleus fluía mais quando saia da área e ajudava a criar jogadas, mas não foi capaz de perdoar a ausência de gols.

Neste meio tempo, surgiram as críticas mais covardes, as direcionadas a sua origem argelina. Partidos de ultra-direita tentavam diminuí-lo e pediam sua expulsão da seleção. O fato de não cantar o hino nacional incomodava também. Não bastasse a falta de gols, havia a xenofobia em cima.

A seca, aliás, foi tenebrosa. Lembram dos dois gols contra a Estônia, ainda antes da Euro? O gol seguinte seria marcado quase 500 dias depois, 16 jogos seguintes, na goleada por 6 a 0 sobre a Austrália, em outubro de 2013.

Afirmação para 2014

Passada a decepção da Eurocopa de 2012, chegava o ciclo para a Copa do Mundo de 2014, no Brasil. A novidade era a presença de Didier Deschamps como treinador. Campeão do mundo em 1998 como jogador, DD já possuía uma sólida carreira na casamata nos comandos de Monaco, Juventus e Marseille.

A França seria o ápice de seu período como treinador, e logo o disciplinador Deschamps sabia que precisaria ter como ponto chave a recuperação de Benzema. Na época em que o madridista sofria sem gols, Olivier Giroud explodia no Montpellier e seguia para a Premier League, trilhando os campos ingleses com a camisa do Arsenal. Nem por isso abriu mão de Benzema.

Medida acertada. A França seguiu para a Copa e no jogo em que mais era preciso de Benzema, ele apareceu.

Na repescagem, após perder para a Ucrânia na ida por 2 a 0, um turbilhão de emoções cercava o jogo de volta no Stade de France. A França estava entre o medo de ficar fora da Copa do Mundo e o temor de conseguir a vaga como em 2010, diante da Irlanda, com uma mãozinha de Henry.

Antes dos 25 minutos, o zagueiro Mamadou Sakho colocou a França em vantagem. A primeira palhinha de Benzema veio aos 29. Em retomada de bola no setor ofensivo, Ribéry cruzou fechado da esquerda e encontrou o camisa 10, quase embaixo da trave, para marcar. Mesmo em posição legal, a jogada foi invalidada.

Se foi por peso na consciência ou pura incapacidade não sabemos, mas minutos depois, em impedimento flagrante, Benzema fez o gol que explodiu o Stade de France. O 2 a 0 forçava a prorrogação, mas, naquele momento, todos lá dentro sabiam: a classificação viria – e veio na etapa final, novamente com Sakho.

Passados os apuros das eliminatórias e da repescagem, veio uma Copa do Mundo que não foi exitosa, mas que ajudou a recuperar o caráter competitivo perdido em torneios anteriores. Benzema, zerado em gols nas duas Euros que disputou, deixou o Brasil com três tentos – e só não fez mais, assim como não foi mais longe que as quartas-de-final, por causa de uma defesa surreal de Manuel Neuer, da Alemanha.

Sextape e os capítulos finais

Se 2014 foi o torneio para a retomada da autoestima, 2016 seria o momento da afirmação francesa. Anfitriã da Eurocopa daquele ano, os Bleus teriam um Benzema cada vez mais amadurecido ao lado dos ótimos Antoine Griezmann e Paul Pogba, cada vez mais ambientados ao cenário internacional.

Tudo corria muito tranquilamente, sem grandes percalços, apenas no aguardo dos jogos da Eurocopa. Eis que vem a tona o escândalo que pôs capítulos finais a passagem de Benzema pela seleção francesa.

Em junho de 2015, conta Le Figaro, Mathieu Valbuena, na época concentrado com a seleção francesa para amistosos contra Bélgica e Alemanha, recebe um telefonema de alguém que dizia ter um vídeo íntimo do atleta com a namorada. Para não divulgar o vídeo, a pessoa pedia 100 mil euros.

O atleta, na época no Lyon, apresentou queixa à polícia e as negociações com os chantagistas passaram a ser feitas por um agente da polícia que se fazia passar por Valbuena.

No fim de outubro, a história ganhou outros contornos e jogadores começaram a abordar Valbuena sobre o vídeo. Benzema teria, inclusive, incentivado a pagar o resgate. A bomba explodiu quando Djibril Cissé foi detido por ter abordado o atleta. Ele foi liberado no mesmo dia quando disse que conversou com o meia-atacante na condição de amigo.

No fim de outubro, o jornal La Provence revelou que um homem chamado Axel Angot, próximo de vários jogadores franceses, estaria no centro da extorsão. Ele teria confirmado que o vídeo chegou até ele por um outro atleta e que, com a ajuda de outra pessoa, tinha decidido contatá-lo para extorquir 150 mil euros.

Chegava novembro e o caso se desdobrava. Uma pessoa que seria próxima de um dos irmãos de Benzema foi detida. Essa proximidade com os suspeitos, juntamente com a conversa entre os dois atletas em outubro, fez com que a polícia detivesse o madridista sob a suspeita de que tivesse tentado convencer Valbuena a pagar ao chantagista, o que faria dele cúmplice.

Benzema chegou a ser detido em 2015 | Foto: AFP

Desde então, o caso vem se arrastando. Na justiça, Benzema chegou a ver seu primeiro recurso ser rejeitado pela justiça francesa, mas em julho deste ano, o Supremo Tribunal de França concedeu razão ao madridista na sua luta contra a atuação da polícia durante o processo de investigação. Foi determinado que a investigação é ilegítima, mas a defesa do atacante continua com a briga para que o caso seja arquivado.

Se a justiça ainda não decidiu que rumo dar a essa história, dentro das quatro linhas o caminho parece bem traçado. Benzema, que foi suspenso, mas depois liberado a vestir a camisa da seleção francesa, não joga pelos Bleus desde outubro de 2015, na goleada por 4 a 0 sobre a Armênia. Curiosamente, fez dois gols naquela noite, provavelmente, os últimos dois com a camisa azul.

Com a renovação de Deschamps até 2020, difícil crer que volte a ser convocado, encerrando seu ciclo com 81 jogos e 27 gols (nono maior da história). O pior disso tudo é observar que, em tão pouco tempo, um dos atacantes franceses mais bem-sucedidos da história recente tenha conseguido ter uma passagem tão tumultuada pela seleção. A França merecia mais… Benzema merecia também. Nessa queda de braço, todos perdem.

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Deschamps 2020: Os reflexos da renovação de contrato

O que vinha sendo especulado há algumas semanas se concretizou na terça-feira (31): Didier Deschamps renovou contrato com a Federação Francesa de Futebol (FFF) e treinará a seleção nacional até 2020.

Até lá, DD, que assumiu a equipe em 2012, concluirá o ciclo da Copa do Mundo do próximo ano e terá mais uma Eurocopa pela frente. O desafio será conquistar feitos relevantes a frente de uma das mais talentosas gerações do futebol mundial, recolocando a França no hall das grandes seleções do planeta.

Essa renovação traz à tona diversos reflexos, negativos e positivos, e que devem ser contrabalanceados na hora de uma análise mais precisa sobre o benefício da escolha da FFF por manter DD por mais anos.

Negativamente, a conclusão é quase unânime: a pequena margem de progressão em qualidade de jogo. Deschamps tem em suas mãos uma vasta lista de atletas de grande talento, como Kyllian Mbappé, Antoine Griezmann, Paul Pogba, Thomas Lemar e outros tantos que compõem o elenco atual – fora os que sequer são lembrados. É gente suficiente para montar uma equipe capaz de fazer frente a qualquer seleção do mundo, apresentando futebol de ótimo nível.

O que tem sido visto dentro de campo, entretanto, está longe disso. Até mesmo na Eurocopa, onde foi vice-campeã, perdendo a final em casa para Portugal, os franceses estiveram longe de convencer. Tirando a excelente exibição na semifinal, diante da Alemanha, foram poucas aparições convincentes.

Iniciou-se o ciclo mundial, mas mesmo com o acréscimo de outros nomes talentosos, como Mbappé, o progresso foi mínimo. Apesar de ter garantido presença na Copa da Rússia sem grandes sustos – sete vitórias, dois empates e uma derrota – alguns dados chamaram a atenção, como ter o 15º ataque da qualificação europeia com 18 gols.

O site da UEFA aponta ainda que a França finalizou 180 vezes durante toda a competição, o que lhe dá média de um gol a cada dez chutes. Como exemplo de comparação, Bélgica e Alemanha, que tiveram os melhores ataques, precisavam de menos de cinco arremates (43 gols em 214 chutes e 43 em 209, respectivamente).

O contrastante é ver que os Bleus tiveram a sétima média de finalizações entre todas as seleções europeias. Muito chute e pouco aproveitamento.

Além do desempenho dentro de campo, Deschamps possui ainda os seus “soldadinhos”, expressão que o colega Renato Gomes gosta de usar nas edições de Le Podcast du Foot. Moussa Sissoko, Blaise Matuidi, Kingsley Coman são alguns dos exemplos de atletas que, invariavelmente, aparecem no time titular em momentos importantes, onde outros poderiam estar entre os titulares.

Deschamps deverá continuar fora da seleção | Foto: AFP

Nessa mesma linha, surge o caso de Karim Benzema. Seu último jogo pela seleção francesa foi em 8 de outubro de 2015. Desde então, esteve envolvido na polêmica do sex tape de Mathieu Valbuena, foi afastado e, de certa forma, perdoado pela FFF. Não por Deschamps.

Prestes a completar 30 anos, podemos cravar que aquela goleada por 4 a 0 sobre a Albânia, há dois anos, ficará registrada na história como sua última aparição pela seleção francesa.

Um fim trágico de um dos melhores atacantes que surgiu na França desde Thierry Henry. Habilidade, inteligência e faro de gol desperdiçados por polêmicas extracampo. E falo “polêmicas” mesmo, no plural.

Para refrescar a memória, vale lembrar que Benzema sempre foi alvo de críticas, especialmente de pessoas ligadas a extrema-direita francesa, por sua origem argelina, o que lhe tornaria “menos francês”, e também por não cantar a tão exaltada Marselhesa, o hino nacional.

Seus problemas também estiveram relacionados a relação com o técnico Raymond Domenech, que lhe deu a primeira chance nos Bleus em março de 2007. Em 2010, Benzema, na época se adaptando ao Real Madrid, sequer ficou na lista de 30 jogadores pré-convocados para a Copa do Mundo.

Um curto período antes, o atacante esteve envolvido em um escândalo sexual com uma prostituta menor de idade – importante frisar que a prostituição é legalizada na França, mas as prostitutas precisam ser maiores de idade. Além dele, Franck Ribéry também estava nesse imbróglio judicial – que resultou na absolvição da dupla.

Em menos de dez anos de serviços prestados à seleção, Benzema acumulou um histórico de polêmicas maior do que de boas atuações dentro de campo – 27 gols em 81 jogos, Olivier Giroud, por exemplo, já têm 28 tentos em 68 aparições.

Pontos positivos

Próximo desafio de DD será a Copa de 2018 | Foto: Guillaume Bigot

Sim, amigos, há pontos positivos na renovação de Deschamps. O principal deles, a meu ver, é a questão da recuperação do respeito internacional. Vamos lembrar que de 2008 a 2012, a seleção francesa emendou uma série de vexames, todos por causa de problemas extracampo que refletiram no desempenho coletivo, tendo como ápice a greve comandada por Nicolas Anelka, Patrice Evra e cia ltda. na Copa do Mundo de 2010, onde os Bleus foram eliminados na fase de grupos.

Desde que assumiu o comando da equipe, após a saída de Laurent Blanc depois da decepcionante participação na Eurocopa de 2012, DD tratou de afastar problemas alheios as quatro linhas. Não só Benzema não voltou mais depois da polêmica com Valbuena, mas Samir Nasri, outro menino-problema, foi descartado sumariamente pelo treinador. Evra só retornou depois de muito tempo e de uma enquadrada do comandante.

Essa nova linha de trabalho fez com que a França passasse sem sustos ou turbulências pela Copa do Mundo de 2014 e pela Euro de 2016. Claro que controlando os ânimos dos atletas, é hora de cobrar resposta do conjunto armado pelo treinador dentro de campo.

Mas, mais do que a disciplina imposta e o afastamento de crises extracampo, vale a indagação: suponhamos que Deschamps seja demitido agora, quem assumiria? Vamos sempre nos lembrar que o futebol de seleções é um tabu para grandes técnicos, já que o dia-a-dia dos clubes, as repetições, os treinamentos constantes com os mesmos atletas, são substituídos por encontros esporádicos e em épocas que lhe impossibilitam de tratar o time com a intensidade que possa entender necessário.

Quem toparia essa bucha?

Zinedine Zidane? Será mesmo que Zizou deixaria o futebol de clubes, e arriscaria seu status obtido dentro de campo comandando agora a seleção?

Arsène Wenger? Seria um prêmio a sua brilhante carreira na Inglaterra, mas, aos 68 anos, teria interesse em assumir a França?

E um estrangeiro? Duvido muito que a FFF possa fazer essa escolha.

A decisão de renovar com Deschamps, antes mesmo de saber o que acontecerá no Mundial, pode ser controversa, mas a federação não deixa de ter seus argumentos para fazer isso. O problema é o contexto diferente. DD pegou uma seleção em frangalhos, com a moral afundada nas catacumbas do Stade de France e com uma série de perguntas na cabeça. Hoje, com o surgimento de jogadores talentosíssimos e o status de favoritismo para 2018, na Rússia, fica o questionamento de suas capacidades para levar esse time a um lugar maior.

Le Podcast du Foot #58 – O vice da França

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Foto: Aurélien Durand/FFF – Matuidi é consolado após derrota na final

O esperado terceiro título europeu não veio e a França precisou se contentar com o vice da Uefa Euro 2016. Mesmo jogando diante de seu torcedor, os Bleus pararam na seleção portuguesa, que pela primeira vez na história ergueu o principal troféu do continente europeu.

A França, comandada por Didier Deschamps, teve como grande pilar Antoine Griezmann. Artilheiro do torneio com seis gols, o atacante do Atlético de Madrid ainda foi eleito o principal jogador da competição. Além disso, os Bleus tiveram campanha praticamente impecável. Foram cinco vitórias e dois empates – contabilizando o empate da decisão, já que a partida foi definida na prorrogação.

Entretanto, estes fatores não impediram a seleção das críticas. Desempenho ruim, decisões contestáveis de Deschamps e atuações decepcionantes de Paul Pogba foram alguns dos temas que geraram questionamentos durante a competição.

Enfim, a Euro deixou perguntas e respostas no ar e Le Podcast du Foot, em sua edição #58, debate muitas delas. O programa teve apresentação de Eduardo Madeira e comentários de Filipe Papini e Renato Gomes, além de um drop de Bruno Pessa.

Clique no player e ouça o programa!

Sem título

Le Podcast du Foot #57 – Prévia da Uefa Euro 2016

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Foto: Guillaume Bigot

Está chegando o grande dia! Na sexta-feira, dia 10, a bola rola para a abertura da Uefa Euro 2016, realizada na França.

Le Podcast du Foot, é claro, não fica fora da festa. A edição #57 do primeiro e único podcast dedicado ao futebol na terra da Torre Eiffel projetou a participação francesa no torneio. Considerados um dos favoritos ao título, os Bleus terão como oponentes, na primeira fase, Albânia, Suíça e Romênia, adversária da estreia, na sexta, às 16h, no Stade de France.

O programa foi apresentado por Eduardo Madeira e teve os comentários de Flávio Botelho, Renato Gomes, Filipe Papini (do blog C’est Le Foot) e Bruno Pessa (do blog Planeta Bola). E além da projeção para o desempenho francês, nossa equipe tratou de outras questões envolvendo o torneio, como a ausência de Benzema, a possibilidade de ataques terroristas e também as greves que vão acontecendo na França.

Clique na imagem abaixo e ouça o programa!

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TOP 7: As decepções da Euro

Muitos jogadores de futebol vivem de “momentos”. Em tal “momento” estão bem, em tal “momento” estão mal e por aí vai. Na etapa onde vivem o auge, os atletas tendem a achar que se manterão neste estágio ou evoluirão. Porém, nos momentos onde devem provar que vivem grandes “momentos”, esses jogadores decepcionam e fraquejam quando suas ações mais são necessárias.

Não foi diferente na UEFA Euro 2012. Alguns jogadores prometiam demais para a competição, mas não conseguiram corresponder a todas as expectativas e deixaram o torneio com uma pequena mancha em suas carreiras.

Confira abaixo, os sete jogadores que mais decepcionaram na Eurocopa:

Ben Arfa é mais um francês com histórico de indisciplina

7 – Hatem Ben-Arfa (França)

Uma das surpresas de Laurent Blanc na lista prévia para o torneio, Hatem Ben-Arfa teve premiada sua grande temporada pelo Newcastle com uma convocação para a fase decisiva da Euro. Com um lugar vago no setor ofensivo do time, ele possuía boas chances de ser o titular. Embora tenha estreado bem, a revelação do Lyon perdeu moral com o desrespeito a Blanc no confronto diante da Suécia. Ele atendeu o celular no vestiário e foi repreendido pelo técnico. Ainda assim, bateu boca com Blanc por uma substituição, dizendo que muitos jogaram menos que ele e permaneciam titulares. Sua rebeldia pode custar uma suspensão da FFF, além da moral já perdida com essa crise.

6 – Christian Eriksen (Dinamarca)

Grande aposta do futebol dinamarquês para o futuro, Christian Eriksen não conseguiu ser a “cabeça pensante” do meio campo de sua seleção. Principal jogador do Ajax campeão holandês da última temporada, o armador teve atuações pra lá de apagadas e deixou uma impressão ruim após o torneio. Eriksen tem apenas 20 anos e a Euro 2012 fez parte de seu amadurecimento, mas ele tem construído um histórico preocupante de sumiços em jogos importantes.

5 – Lukasz Piszczek (Polônia)

Após duas temporadas de destaque no bicampeão alemão, Borussia Dortmund, o polonês Lukasz Piszczek já desperta as atenções de várias equipes do Velho Continente, porém, deve ter decepcionado quem foi ao torneio só para vê-lo jogar. Esforçado na marcação e preciso nos cruzamentos, o lateral-direito se tornou, na Eurocopa, uma avenida na defesa e uma peça improdutiva no ataque. Suas atuações apagadas ajudam a justificar a precoce eliminação polonesa.

4 – Franck Ribéry (França)

Após temporada muito boa pelo Bayern, Franck Ribéry chegava, juntamente com Benzema, como a grande esperança para a França na Eurocopa. Porém, diferentemente do que se imaginava, a dupla não esteve em sintonia e o jogador bávaro pouco produziu. Aparentemente perdido em uma “ilha” no lado esquerdo, Ribéry corria, corria e corria, mas não saia do lugar. O francês é um dos que começa a alimentar a fama de “pipoqueiro”, embora eu discorde dela.

Robben segue tropeçando

3 – Arjen Robben (Holanda)

Arjen Robben fez uma temporada muito boa pelo Bayern, mas desandou no final, ao perder dois pênaltis decisivos para os bávaros. O holandês poderia ter encerrado bem a temporada na UEFA Euro, porém, manteve o embalo ruim na competição. Assim como seu parceiro, Ribéry, Robben parecia estar isolado na beirada do campo e não produziu nada, nem mesmo a tradicional jogada do corte pro pé esquerdo funcionou. Foi um dos que afundou junto com a barca holandesa na Eurocopa.

2 – Karim Benzema (França)

A camisa 10 da França já foi de Michel Platini e Zinedine Zidane. Em 2012, ela pertenceu a Karim Benzema e, obviamente, todos depositavam muita confiança no atacante do Real Madrid. Quem fez isso, se decepcionou. Autor de 18 finalizações no torneio inteiro, Benzema não fez nenhum gol e ainda caracterizou-se por jogar mais fora da área do que dentro dela. Embora tenha sido um dos mais esforçados da França, não fez o que era esperado de si: gols.

Artilheiro da Premier League, van Persie fez apenas um gol na Euro

1 – Robin van Persie (Holanda)

Artilheiro da badalada Premier League, o holandês Robin van Persie sofria com a sombra do goleador máximo da Bundesliga, Huntelaar. Ainda assim, Bert van Marwijck e os torcedores da Laranja depositavam enormes esperanças no atacante do Arsenal. Com treze finalizações e um mísero gol nos três jogos que participou, RvP é apontado, por este blogueiro que vos fala, como a grande decepção da Eurocopa. Poderia ter ajudado muito mais a sua seleção, mas não foi capaz e sucumbiu ainda na fase inicial.

*Crédito das imagens: Presse Sports, AFP e Getty Images

TOP 7: Os melhores da Euro

Para encerrar a cobertura da UEFA Euro 2012, o “Europa Football” prepara uma série de posts com as listas do que houve de melhor e pior no torneio europeu. Os craques, os vexames, as surpresas, enfim, tudo que foi destaque na Eurocopa.

Para começarmos, vamos com os principais jogadores da competição. Embora a UEFA Euro não tenha se notabilizado por ter grandes atuações dos craques do momento, tivemos atletas que se sobressaíram em relação os demais e mereceram entrar nesta lista. Vamos a eles.

Özil marcou o último gol alemão na Euro 2012

7 – Mesut Özil (Alemanha)

Alemão de origem turca, o meia Mesut Özil mostrou grande classe nos campos ucranianos e poloneses. Sem ter a sombra de Cristiano Ronaldo, como ocorre no Real Madrid, o camisa 8 alemão conseguiu ter mais liberdade, não só em campo como de atenção do público mesmo. Özil deu três assistências e fez um gol, porém, não foi capaz de evitar a eliminação germânica na semifinal diante da Itália. Neste confronto, foi deslocado por Joachim Löw para a ponta direita e seu futebol foi prejudicado.

6 – Xavi (Espanha)

Uma lesão debilitou Xavi Hernández em boa parte da competição. O próprio atleta chegou a afirmar que essa contusão o atrapalhou em alguns jogos. Mesmo assim, mereceu fazer parte desta lista por bater recordes e ser decisivo na hora certa. Na partida contra a Irlanda, tentou dar 136 passes e concluiu 127, quebrando os recordes de tentativas e acertos. E na final, deu suas duas únicas assistências no torneio, porém, teve brilhante atuação, se aproveitando da frágil marcação italiana, que lhe deu totais liberdades durante os noventa minutos.

5 – Pepe (Portugal)

Famoso pelas entradas grosseiras e extremamente violentas, o brasileiro naturalizado português Pepe mostrou um estilo completamente oposto na UEFA Euro. Esbanjando classe e precisão nas ações executadas, o zagueiro pode ser apontado como um dos melhores da posição no torneio. Em toda Eurocopa, Pepe cometeu somente duas faltas e levou um cartão amarelo. Foi o pilar defensivo de Portugal.

4 – Sami Khedira (Alemanha)

Diversas vezes ofuscado por Bastian Schweinsteiger, Sami Khedira conseguiu fazer Eurocopa primorosa, muito melhor do que a de seu companheiro citado anteriormente, prejudicado por uma lesão. Constantemente chamado de “1º volante”, Khedira aparecia sempre no ataque e anotou um gol e uma assistência no torneio. Além disso, o atleta do Real Madrid arrematou 10 vezes ao gol, sendo uma das válvulas de escape do time alemão na Euro.

A melhor atuação individual da Euro foi de Cristiano Ronaldo contra a Holanda

3 – Cristiano Ronaldo (Portugal)

Chamado constantemente de “pipoqueiro”, Cristiano Ronaldo decidiu mudar sua fama nesta Eurocopa. Nos dois primeiros jogos, decepção e gols perdidos. No decisivo duelo diante da Holanda, onde o mundo inteiro já pegava em seu pé, o gajo teve a melhor atuação individual de todo o torneio, marcando dois gols e infernizando a Laranja. Nas quartas-de-final diante da República Tcheca, o camisa 7 fez o gol que qualificou Portugal para a fase seguinte. Na hora de tirar o “10”, Cristiano Ronaldo bobeou e desperdiçou a bola do jogo contra a Espanha. Mesmo assim, vale o registro de suas atuações.

2 – Andrea Pirlo (Itália)

A mudança de Milão para Turim fez muito bem a Andrea Pirlo. O italiano reencontrou o bom futebol na Juventus e conseguiu repetir as boas atuações pela Azzurra. Autor de duas assistências e um gol, o meio-campista foi eleito melhor em campo nas partidas contra Croácia, Inglaterra e Alemanha. No confronto diante dos ingleses, Pirlo deu uma “Panenka” – a famosa “cavadinha” – na disputa de pênaltis, momento propício, justo no torneio onde o estilo de cobrança foi inventado. Para muitos, mesmo com o vice-campeonato, deveria ter sido eleito o melhor jogador do torneio.

Iniesta é um dos onze jogadores que estiveram nos últimos três títulos espanhois

1 – Andrés Iniesta (Espanha)

Iniesta sequer tem números expressivos na competição: nenhum gol e apenas uma assistência. Só que quem acompanhou a UEFA Euro viu que essas estatísticas não traduziram exatamente o que foi visto. Iniesta foi peça chave da intensa movimentação espanhola e ainda colaborou com o incessante e, por vezes, chato toque de bola. Porém, foi o jogador mais objetivo, quebrando a lentidão da Espanha. Autor do gol do título mundial em 2010, o meia do Barcelona se consagrou nesta Eurocopa pelas atuações mais constantes e decisivas.

*Créditos das imagens: AFP e Getty Images

O resultado do entrosamento

Os treinadores que aceitam o desafio de comandar uma seleção nacional estão sendo exigidos cada vez mais, mas tendo pouco a evoluir. Embora alguns contem com um número maior de atletas atuando em alto nível e, por consequência, contando com opções mais numerosas, eles tem de se virar para arrumar o time tendo pouco tempo para executar tal ação.

O calendário do futebol atual é muito apertado, prejudicando demais as seleções. Os treinadores acabam recebendo seus atletas convocados em um dia, treinando no outro e os mandando a campo no dia seguinte. Isso atrapalha demais os trabalhos dos treinadores, que com tempo escasso, elaboram poucas coisas, nada novo e os times se tornam previsíveis.

Para poder se sobressair entre os selecionados adversários, o entrosamento que os jogadores obtêm dos clubes se torna arma dos treinadores. Porém, nem todos conseguem ter este privilégio, não só pela birra que alguns técnicos tem com certos atletas, mas também do fato de muitos clubes grandes possuírem legiões estrangeiras em seus elencos.

Nessa situação, Vicente Del Bosque pode se considerar um ilustre privilegiado. A base de sua seleção campeã mundial e novamente campeã europeia está nos dois principais times da Espanha: Real Madrid e Barcelona. Dos 23 atletas que viajaram para Ucrânia e Polônia para disputar a UEFA Euro, cinco atuam pelo clube da capital espanhola, enquanto sete vestem a camisa catalã, sem contar David Villa e Carles Puyol, peças de confiança de Del Bosque, mas que contundidos, ficaram de fora do torneio.

O resultado dessa soberania está sendo notada pelo mundo inteiro nos últimos campeonatos entre seleções, onde a Espanha conseguiu se tornar a primeira seleção a conquistar duas Euros consecutivas, com uma Copa do Mundo entre esses títulos. Além disso, a Fúria igualou a Alemanha em números de conquistas europeias, três de cada, e ambas dividem o posto de maiores campeãs da história do torneio. Sem falar de uma série incontável de recordes que a Espanha vem batendo com as últimas conquistas.

É claro que possuir uma geração dotada de muito talento e predestinada a vencer tudo que disputar – caso contrário da geração de Raul, por exemplo – é um dos grandes méritos, se não o maior, dessa trinca de títulos, mas ter em mãos um grupo de atletas que joga junto há tempos e adquire grande entrosamento em seus clubes é um grande privilégio de Vicente Del Bosque e isso só ajuda a solidificar seu trabalho.

O treinador também tem o mérito de conseguir distribuir bem os jogadores, mesclando precisamente os valores de Real e Barça, sem desequilibrar o time. Além disso, Del Bosque conseguiu, nesta Euro, dar pequenas “pinceladas”, como o ingresso de David Silva e Jordi Alba, dois “estrangeiros”, ao time titular – embora Alba já seja novo contratado do Barcelona.

A prova final de que o talento de uma grande geração, somada ao entrosamento de longa data realmente fez efeito foi vista pelo mundo inteiro na Eurocopa. A Espanha jogou quase toda a competição abaixo do que pode render, apresentando um futebol, classificado por muitos como, “chato e burocrático” e ainda assim, foi campeã invicta, sofrendo apenas um gol, sendo esse anotado na partida de estreia.

Espanha bi-campeã europeia

Na grande decisão diante da Itália, única seleção que havia balançado as redes espanholas na competição, a Espanha apresentou a Azzurra todas as suas armas. Um toque de bola mais objetivo e envolvente, a intensa movimentação dos homens de frente, fazendo valer o fato de não possuir um centro-avante fixo e a imposição de seu já conhecido estilo de jogo.

A goleada por 4×0 serviu para consagrar Xavi e Iniesta, que tiveram atuações de gala. Ambos foram mal marcados, diga-se de passagem – principalmente Xavi -, mas a dupla mostrou o porque de tanto sucesso e aclamação as suas técnicas. A inspiração da dupla só ajudou a engolir o meio-campo italiano, que pouco produziu durante a partida.

Foi a consagração do estilo espanhol de se jogar futebol. Os constantes toques de bola e a valorização da posse da gorduchinha foram as grandes marcas deste time. Com Barcelona e Real Madrid mantendo os atuais jogadores e aumentando suas forças humanas e financeiras, o domínio nacional e talvez continental deve se tornar uma estigma, com tendência a reflexão na seleção local. Teoricamente, se isso se manter, o trabalho dos treinadores da Fúria, seja quem for, será diminuído, já que ele receberá uma base pronta para ser levemente lapidada.

Enquanto não surgir um estilo de jogo eficaz ao ponto de parar ao jeito espanhol de jogar bola, o cheiro de dinastia no mundo das seleções ficará cada vez mais forte.