11 anos depois, Patrice Evra volta à França

O lateral-esquerdo Patrice Evra é, indiscutivelmente, um dos jogadores franceses mais bem-sucedidos no exterior nos últimos tempos. Foram 11 anos de desempenho de alto nível. Com o Manchester United, conquistou 15 títulos, incluindo uma Uefa Champions League, já com a Juventus foram cinco troféus em três anos. Só para termos de comparação (do currículo, só para deixar claro), Zinedine Zidane concluiu a carreira com 12 títulos em dez temporadas divididas na Itália e Espanha.

Agora o lateral está de volta. Após perder espaço na Juventus (fez apenas 13 jogos na temporada), Evra, aos 35 anos, acertou com o Olympique de Marseille, com um contrato de um ano e meio. É uma volta em um cenário bastante diferente do que deixou o país, na metade da temporada 2005/2006. De grande expoente quando saiu, volta com o status de veterano de sucesso.

Evra atuou por duas temporadas no Nice | Foto: Arquivo/Nice Matin

Evra atuou por duas temporadas no Nice | Foto: Arquivo/Nice Matin

Evra, que nasceu em Senegal e se mudou para a França antes de completar o primeiro ano de vida, curiosamente, começou a carreira profissionalmente na Itália, jogando pelos modestos Marsala, da 3ª divisão, e pelo Monza, da 2ª. Somente em 2000, no Nice, que recebeu a primeira oportunidade no país onde cresceu. Claro, o fato de Fédérico Pastorello, diretor geral do clube, ser o seu empresário facilitou nesta chegada.

Mas antes de retornar ao país gaulês e também no começo de sua passagem pelo clube, Evra viveu um momento de muita incerteza. Quando garoto, nos testes que fez alguns clubes, incluindo o Paris Saint-Germain, chegou a ser chamado de “novo Romário” por um amigo que lhe levou a uma das peneiras. Isso chegou pela altura, mas também pelo fato de ser atacante. Quando chegou ao Nice, já atuava no meio.

No clube rubro-negro, entretanto, viu a carreira crescer. Chegou quando a equipe estava na segunda divisão, estreou numa derrota impiedosa por 7×2, jogou pouco, mas tomou conta da lateral-esquerda no ano seguinte de forma surpreendente, sendo eleito o melhor lateral-esquerdo da temporada, conseguindo a transferência para o Monaco ao término do contrato.

Didier Deschamps foi um dos grandes mentores da carreira de Evra | Foto: Getty Images

Didier Deschamps foi um dos grandes mentores da carreira de Evra | Foto: Getty Images

No clube do Principado, tinha em mente que atuaria como winger pelo flanco esquerdo. Entretanto, entraria na história o técnico Didier Deschamps. O ex-defensor, campeão mundial com a França em 1998, o convenceu a atuar na lateral-esquerda e que lhe faria um marcador melhor. Dito isso, Evra passou a compor a defesa ao lado de Jurietti, Rafa Márquez e Squillaci.

A estratégia deu certo. Evra se notabilizou como um dos principais laterais do país e, com o vice-campeonato europeu em 2004, teve nome vinculado a grandes clubes, como Arsenal, Milan, Juventus e Barcelona. Decidiu deixar a França apenas em setembro de 2005, quando optou por aceitar a proposta do Manchester United, se transferindo na janela de inverno daquela temporada.

Pelo Monaco, foram 154 partidas em três temporadas e meia, com dois gols e três assistências. Coletivamente, ergueu apenas a Copa da Liga em 2002/2003, mas viu o clube ser vice-campeão europeu e sempre ficar nas três primeiras posições enquanto esteve por lá. Tamanho desempenho fez com que fosse reconhecido pela torcida, que o colocou como o melhor lateral-esquerdo da história do clube em votação no site oficial do próprio Monaco.

Acréscimo importante

Evra chega para reforçar o OM por uma temporada e meia | Foto: Divulgação/OM

Apesar de não ser mais aquele jovem vigoroso dos tempos de Monaco, tampouco o regular e eficiente lateral dos tempos de Manchester e seleção francesa, Evra deve acrescentar bastante ao Marseille, de Rudi Garcia.

A posição é uma das principais, se não a principal, carência do OM. No momento, o camaronês Henri Bedimo, que veio para ser o titular na função, se recupera de um grave problema no menisco e o brasileiro Dória vem sendo improvisado na lateral-esquerda.

Na péssima campanha do time na Ligue 1 (no momento, ocupa a 7ª colocação, com 30 pontos e bem distante das ligas europeias) Evra pode ser um acréscimo importante se mantiver a forma física, mantendo-se livre das lesões (o que sempre foi uma característica do atleta). Só resta saber o ritmo de jogo do jogador, que não joga oficialmente desde outubro de 2016.

Num modo geral, o Marseille vem fazendo um bom mercado, tentando corrigir o elenco e solucionar problemas pontuais que afetam o clube há alguns anos. O novo dono, o norte-americano Frank McCourt, tem consigo o diretor esportivo Andoni Zubizarreta, e os dois, ao lado de Garcia, buscam uma sintonia de ideias para formar um novo Marseille, com atletas comprometidos com o novo projeto do clube. O marfinense Didier Drogba, ídolo do clube, por exemplo, foi colocado para fora do leque de opções do OM exatamente por não se enquadrar neste perfil.

Evra pode até ter tido no passado alguns problemas (seríssimos) extracampo na seleção francesa, mas retomou a carreira nos Bleus sendo peça de confiança de Didier Deschamps e tornando-se um líder da equipe. Em reta final de carreira, mas em boas condições físicas, tende a ser uma peça de grande valia e de poder de liderança ao novo Marseille.

Experiência acima de tudo

O Barcelona jogará a final no Wembley para não criar a estigma de time que joga bonito e perde no fim, já o Manchester United jogará a peleja sem grandes pressões do gênero que deverá sentir o Barça. É um time rodado e muito experiente. É assim que vão os Red Devils. É o segundo post do aquecimento pra final de amanhã.
 

Juntos, Giggs e Van der Sar somam 77 anos

Pra vocês, amigos internautas: qual a diferença entre velhice e experiência?

Para este blogueiro, “velhice” se refere a algo gasto demais, algo antigo e obsoleto, ou seja, que teve sua função, já a cumpriu e hoje pode ser chamado de “inútil” em seu meio, enquanto “experiência” se refere a algo que se adquire com muita prática, com muita rodagem e com tempo de aprendizagem. Quando quero me referir ao Manchester United, quero também me referir a experiência.

Se você olhar Van der Sar, que tem 40 anos e Giggs, de 37, pode me chamar de louco por considerar os dois peças fundamentais do time inglês. Você pode imaginar: “Como dois caras que tendo suas idades somadas, tem 77 anos podem ser peças fundamentais de um time finalista do maior torneio de clubes do mundo?”. Talvez não haja um explicação lógica, e sim o simples e rude “eles são peças importantes e ponto”.

Van der Sar catou este pênalti e o United se sagrou campeão europeu de 2008

Mas o fato é que Van der Sar, que chega a sua 5ª final de Champions League – venceu uma pelo Ajax e uma pelo Manchester e perdeu uma de cada lado – parece ser como o vinho: vai melhorando com o passar dos anos. O holandês fará amanhã seu último jogo como profissional, deixando pros fãs de futebol aquele gostinho de quero mais, só que há certas horas que um homem precisa deixar o emprego de lado e tomar as rédeas da família. É o que Van der Sar fará. Sua mulher, Anne-Marie van Kesteren, teve derrame cerebral em 2009 e o arqueiro holandês chegou a perder alguns jogos daquela temporada para cuidar da mulher. Embora ele possa deixar muitos fãs com saudades de suas defesas, o melhor para Edwin é cuidar de sua mulher e filhos.

Pode-se dizer que Ryan Giggs surpreendeu nesta temporada. O galês jogou durante sua vida inteira como um winger – um ponta, como queira – e com a renovação do elenco, Giggs perdeu um pouco do espaço para jovens, como Nani e Valencia. Mas com as inúmeras lesões de Fletcher e a instabilidade de Paul Scholes, fez com que Giggs conseguisse espaço como segundo volante. O meia galês se deu muito bem nesta nova função e se tornou um meio campista completo.

Giggs chegou a jogar com Solskjaer, Yorke e Stam

Se Van der Sar se encaminha para a quinta final de Champions em sua carreira, mas atuando por dois clubes diferentes, a final que será disputada no Wembley será a quarta de Ryan Giggs, todas pelo Manchester e no momento, ele “vence” por 2×1.

Engana-se quem pensa que a experiência que há no time do Manchester United se resuma a Giggs e Van der Sar. No quarteto defensivo, por exemplo, Ferdinand, Vidic e Evrá participarão da terceira final de Champions League pelo Manchester United, sem falar que o lateral-esquerdo francês já jogou uma final de Champions pelo Mônaco. Carrick, Nani e Rooney engrossam a lista de atletas que jogarão sua terceira final de Champions League pelo United – mas leva-se em conta que Nani ficou no banco e não participou da final de 2009.

No banco de reservas do Manchester United ainda haverá a “bola de segurança” chamada Paul Scholes, que pode ser acionado para solucionar alguma instabilidade no meio campo.

Ferguson pode erguer a orelhuda pela terceira vez.

Mas em termos de experiência, nada no United se compara a Alexander Chapman Ferguson, ou simplesmente Fergie. Ele está no clube desde a temporada 86/87 e de lá para cá foram 12 títulos do Campeonato Inglês, cinco copas da Inglaterra, quatro copas da liga, dois mundiais e dois troféus da Champions League.

Experiência pouca é bobagem. Aliás, experiência talvez seja pouco para explicar Alex Ferguson. Ele simplesmente é um técnico de quase 70 anos, que está no ramo de treinadores desde os anos 70 – ele iniciou no escocês St. Mirren, em 74/75 – e não parou no tempo, está evoluindo junto com o futebol e me arrisco a dizer que ele é um dos extra-séries que não evolui junto com o esporte e sim que faz o esporte evoluir.

Sua bagagem, sua representatividade pro elenco do Manchester e sua postura nos jogos, me fazem crer que em jogos como esse, não basta só ter o melhor conjunto ou o craque da atualidade, mas basta ter é um treinador capaz de equilibrar o time e fazê-lo realmente jogar.

Se o Barcelona tem o futebol bonito e envolvente, o Manchester tem a experiência de quem já fez filas e mais filas de títulos na Inglaterra, além da sabedoria de que talvez não seja preciso mudar para bater o aparentemente imbatível adversário catalão, mas que seja melhor jogar pura e simplesmente do seu jeito.

– A Última Bola é Nele

Assim como fiz no post sobre o Barcelona, com o Manchester farei o mesmo esquema de mostrar a minha aposta para decidir amanhã.

Não sei se será este cara que decidirá. Tenho várias impressões pra partida de amanhã. Acho por exemplo, que se Giggs não precisar “se matar” pra marcar, tem tudo para ser decisivo, mas se precisar se esforçar mais marcando, não sei se terá condições físicas para poder decidir. Entendo eu também que Nani, às costas de Dani Alves pode ser uma peça chave para uma eventual vitória inglesa. Chicharito pode decidir também, como tem feito muito nesta segunda metade de temporada. Mas se fosse basquete e o Manchester precisasse de pontos para vencer faltando poucos segundos, a bola iria em Wayne Rooney.

Gol do renascimento de Rooney

O Shrek tem crescido no momento certo. Ele iniciou a temporada de forma ruim, ameaçando deixar o Manchester e demorou para engrenar, mas o dia 12 de fevereiro de 2011 ficou marcado como “o ressurgimento de Rooney”. No duro duelo contra o Manchester City, ele fez um fantástico gol de bicicleta, aos 33 minutos da etapa final, quando a partida estava empatada em 1×1. Aquele foi apenas o 6º gol de Rooney na temporada e de lá para cá, ele fez mais 9 gols, incluindo um hat-trick contra o West Ham, dois gols em dois jogos duros contra o Chelsea e um contra o Arsenal. O Rooney voltou!

Por isso entendo eu que se a coisa estiver feia e a vaca já estiver comprando a passagem pro brejo mais próximo, a bola vai na Wayne Rooney, nem que seja para dar um lançamento, fazer um drible no meio campo, cobrar um lateral e quem sabe, um memorável gol que valesse o título.

– Provável Escalação

Edwin Van der Sar; Fábio da Silva, Nemanja Vidic, Rio Ferdinand e Patrice Evrá; Antônio Valencia, Michael Carrick, Ryan Giggs e Luís Nani; Wayne Rooney; Javier “Chicharito” Hernández. 4-4-1-1.

Nenhuma grande surpresa na escalação do Manchester. Ferguson, que tinha muito o costume de preservar Rafael de jogos grandes, devido a sua inexperiência, não faz isso com o irmão do garoto e Fábio, lateral-esquerdo destro, jogará como titular na lateral-direita, deixando seu irmão, antigo titular, na reserva. Fergie faz bem em explorar este bom momento vivido pelo defensor brasileiro e quem sabe não chame a atenção de Mano Menezes, que estará no Wembley. Só se lembre, Fábio, se por acaso você se machucar, quebre a perna para que Mano acredite que você tenha se machucado. Marcelo não fez isso e está de fora da seleção…