Sem Falcao, Monaco tem aproveitamento melhor do que com ele em campo

Foto: L'Equipe - Falcao deverá perder o restante da temporada

Foto: L’Equipe – Falcao deverá perder o restante da temporada

Com Falcao García lesionado e, provavelmente, fora da temporada e também da Copa do Mundo, o Monaco precisará aprender a jogar sem o atacante colombiano… Ou será que já aprendeu?

Entre o final de novembro e início de dezembro, El Tigre se lesionou e desfalcou o time do Principado em quatro jogos. Porém, a ausência não foi sentida e o Monaco venceu as quatro partidas sem nem sofrer gols. Contra o Marseille, neste último dia 26, o ASM iniciou a longa jornada sem Falcao e começou em grande estilo, com mais um triunfo.

Com esses cinco jogos, mais uma partida da Copa da Liga em que não participou, constata-se que os monegascos chegaram a impressionantes 83,3% de aproveitamento, com média de 1,66 gols marcados por jogo. Tendo o colombiano em campo, o Monaco tem 68,4% de aproveitamento e média de 1,68 gols por jogo.

Em dados gerais, foram seis partidas sem Falcao, com cinco vitórias e uma derrota, além de 10 gols marcados e somente um sofrido. Com o atacante entre os jogadores utilizados, foram 19 jogos, 11 vitórias, seis empates e duas derrotas, com 32 gols marcados (11 de Falcao) e 16 sofridos.

Até mesmo nos últimos seis jogos com Falcao o desempenho não iguala as seis partidas sem ele. Foram quatro vitórias, um empate e uma derrota, com 11 gols marcados (apenas dois do colombiano) e cinco sofridos, dando 72,2% de aproveitamento.

Ligue 1

Se formos trazer estes dados apenas para o Campeonato Francês, chegaremos à outra surpreendente conclusão: o Monaco tem 100% de aproveitamento sem Falcao. Foram cinco jogos, cinco vitórias, 10 gols marcados e nenhum sofrido.

E nas últimas cinco aparições do colombiano na Ligue 1, mais queda. Foram dois triunfos, dois empates e um revés, totalizando 53,3% de aproveitamento. O que faz com esses dados contrastem com os das últimas seis partidas gerais é que ele disputou duas partidas da Copa da França, ambas com times de divisões inferiores.

Dá conta?

Foto: Reprodução - Rivière fez a maioria de seus gols sem Falcao em campo

Foto: Reprodução – Rivière fez a maioria de seus gols sem Falcao em campo

Curiosamente, o contestado Emmanuel Rivière, autor de 11 gols na temporada, fez a maioria de seus gols sem Falcao em campo. Contra Nice, Ajaccio e Marseille, ele balançou as redes uma vez cada, sendo que o colombiano estava lesionado em todas as ocasiões. Contra o Marseille, no 1º turno, Rivière substituiu o Tigre aos 28 minutos da etapa final e deu o tento da vitória monegasca cinco minutos depois. Contra o Monts, na Copa da França, houve a mesma alteração (motivada pela atual lesão do colombiano) e o camisa 29 marcou duas vezes.

Em números gerais, seis dos 11 gols de Rivière foram sem Falcao García em campo.

Mas será que ele dá conta? Vale ressaltar que esta é a temporada mais prolífera em gols para ele. Anteriormente, a temporada com maior número de gols foi a temporada 2009/10, quando fez 10 gols, na época vestindo a camisa do Saint-Étienne.

A diferença de pontos pro PSG no Campeonato Francês já caiu para três pontos, e 15 destes pontos foram somados sem a presença de Falcao García entre os relacionados. Será o colombiano tão primordial assim para a campanha monegasca? Eu acredito que isto seja só uma fase (sombria de Falcao e iluminada de Rivière), mas só o futuro nos trará a resposta.

A redenção de Diego

Líder em assistências na UEL, Diego conquista a Europa League (Getty Images)

O meio-campista Diego era o grande nome do Werder Bremen na temporada 2008/09. Maestro em campo, o brasileiro foi o principal condutor do time alemão em direção a final da antiga UEFA Cup, hoje, UEFA Europa League.

Suspenso, Diego não pôde disputar a decisão realizada em Istanbul. Jogando sem o astro da companhia, o Bremen sucumbiu à esquadra brasileira do Shakhtar Donetsk na prorrogação. O gosto da derrota ficou ainda mais amargo porque dias depois, Diego se despedira em direção de Turim, onde jogaria – e fracassaria – na Juventus.

Mas o vice-campeonato não foi bem digerido, já que durante muito tempo foi falado no tal “se”. SE o Diego tivesse jogado… SE o Diego não estivesse suspenso… Se isso, se aquilo, mas no geral, todos imaginavam que com o brasileiro em campo a história teria sido diferente, já que ele era o artilheiro do Werder Bremen na competição com seis gols.

Entendo que a revelação do Santos não tenha se abalado com todos esses acontecimentos aglomerados. Diego era jogador de nível internacional e tinha tudo para brilhar no calcio, mas não deu certo e voltou para a Alemanha e defender o Wolfsburg, onde mesmo tendo boas atuações – isso é por minha conta, não acho que tenha fracassado por completo – pôs tudo a perder com uma briga com Félix Magath na última rodada da Bundesliga de 2011.

O Mago não queria ter Diego no elenco dos Lobos e o brasileiro foi parar na Espanha, mais especificamente no Atlético de Madrid. Sem os investimentos astronômicos do rival da cidade, Real Madrid, o Atleti conseguiu remodelar seu time. Miranda, Arda Turan, Courtois e Falcão García se juntaram a Diego na nova empreitada.

Diego anotou o gol que confirmou o título do Atlético

O prêmio veio nesta quarta-feira, com a conquista da UEFA Europa League em Bucareste. O grande jogador da partida foi o Mr. Europa League, Falcão García, autor de dois gols, mas Diego também foi peça importante ao anotar o terceiro gol, o que sacramentou a conquista. Na comemoração, o brasileiro se ajoelhou e foi às lágrimas. Certamente, as lembranças e expectativas de 2009 vieram a sua mente, mas que só na Espanha ele pôde realizar. Foi sua redenção, sem dúvida alguma!

Não estou dizendo que ele voltará à seleção, que será um grande craque e concorrerá a Bola de Ouro no fim do ano, mas Diego conseguiu, com três anos de atraso, saber o que é jogar e conquistar uma Liga Europa – ou Copa da UEFA. Foi um peso tirado de suas costas e ele teve méritos com suas sete assistências pra gols, líder no quesito no torneio europeu.

Jogando em um time de ambições menores, Diego pôde voltar a apresentar um futebol convincente. A falta de obrigação em ser o astro do time – cargo dado a Falcão García – “libertou” a técnica e habilidade presa em seus tempos de Juventus e Wolfsburg – dois clubes com grandes metas e apostando alto em Diego.

A consolidação da temporada do brasileiro pode ser concluída no próximo fim de semana com uma vaga na próxima UEFA Champions League. Emprestado pelos Lobos até 2014 ao Atlético de Madrid, Diego teria a maior competição interclubes do mundo para mostrar que pode ser decisivo e tendo a batuta em mãos, orquestrando a sinfonia colchonera.