Os tops da temporada francesa

Encerrada mais uma temporada do Campeonato Francês, é chegada àquela hora bacana de retrospectiva e análise de tudo o que aconteceu ao longo das 38 rodadas. Desta vez, me empolguei em levantar listas com os tops e os flops do ano.

Claro que houve uma predominância: entre os tops, o Monaco, que com uma impressionante campanha e um ataque avassalador, ocupou as principais opções. Já entre os flops, o Paris Saint-Germain, que mais uma vez gastou tufos de grana e apresentou um futebol muito pobre, se sobressaindo muito na base da individualidade.

Hoje trago quem se destacou e, ainda nesta semana, trarei quem decepcionou. Confira a primeira lista:

5 – Balotelli ressurge

Super Mario foi o artilheiro do Nice na Ligue 1 | Foto: Divulgação/OGC Nice

Quando o Nice anunciou a contratação do italiano Mario Balotelli, muitos torceram o nariz. Polêmico, de extracampo complicado, Super Mario vinha de temporada pífia pelo Milan, com míseros três gols em 23 jogos. Parecia ser uma aposta perdida. Mero engano.

O italiano encerrou a temporada com 15 gols em 1.746 minutos na Ligue 1 (um a cada 116.4 ou um jogo e 26 minutos). O detalhe dos tentos é a distribuição deles. Foram oito na primeira etapa e sete na segunda, sendo sete em ações de jogo, três de pênalti, três após cruzamentos e dois de falta. Foi o artilheiro do time e peça-chave da formação ao lado do excelente meio-campista Jean Seri.

Ah, e sobre a tão cobrada questão disciplinar – com razão – Balotelli recebeu seis cartões amarelos e dois vermelhos.

4 – Nice voltando à Liga dos Campeões

Favre recolocou o Nice em uma Liga dos Campeões | Foto: Divulgação/OGC Nice

Com Lucien Favre no comando, o Nice fez história e, finalmente, terá a honra de disputar a Liga dos Campeões – mesmo que seja a fase prévia. Foram apenas duas vezes na história que isso aconteceu e a última foi na temporada 1959/60, quando caiu nas quartas-de-final para o Real Madrid.

Apesar de tradicionalíssimo, o Nice não tem grande carreira europeia, especialmente em anos mais recentes. Neste século, por exemplo, disputou duas edições da extinta Taça Intertoto e, mais recentemente, participou da Liga Europa sem grande sucesso – na atual temporada, caiu na fase de grupos.

Boa parte dos méritos vão para Favre, que armou uma equipe extremamente competitiva, capaz de bater de frente com os poderosos PSG e Monaco – nos 12 pontos disputados contra os dois, somou sete. Parte disso é explicado pela eficiência ofensiva, registrada nos números: 4º melhor ataque da Ligue 1, com 63 gols marcados, mas com a marca de ser apenas o 12º time no ranking de chutes por jogo.

Pena que Favre não deve permanecer nas Águias para a próxima temporada – o Borussia Dortmund é o principal cotado para tê-lo como treinador.

3 – Quadrado mágico do Monaco

Falcao foi um dos pilares do poderoso ataque monegasco | Foto: Divulgação/AS Monaco

Disparado o ataque mais positivo da Ligue 1, com 107 gols marcados – 60 (!!!) há mais que na temporada passada – o Monaco deve parte desse sucesso ao mágico quadrado ofensivo, formado pelos habilidosos Thomas Lemar e Bernardo Silva e dos letais Kyllian Mbappé e Radamel Falcao.

Dos 107 gols, 53 saíram do quarteto, ou seja, impressionantes 49,5% dos tentos. Destaque, é claro, para o colombiano, que voltou a ter uma temporada relevante e marcou 21 gols, e para o prodígio Mbappé, autor de 15 tentos.

Interessante destacar também a distribuição das assistências de Silva e Lemar: das nove do português, quatro foram para Mbappé, enquanto três das dez do francês foram para Falcao. No jogo de duplas de Leonardo Jardim (dois meio-campistas, dois articuladores e dois homens de frente), foi a formação de um quarteto que transformou a avassaladora máquina de gols do Monaco.

2 – El Pistolero!

Cavani fez 35 gols em 36 jogos na Ligue 1 | Foto: Divulgação/PSG

Em 36 jogos, 35 gols. Nunca Cavani marcou tantos quanto nessa temporada, superando, inclusive, 2012/13, quando marcou 29 na Série A italiana, ainda com a camisa do Napoli. Foi o artilheiro da Ligue 1 com sobras.

O detalhe interessante da temporada de El Pistolero é a regularidade: 18 gols foram feitos no primeiro turno e 17 no segundo. Se dividirmos o jogo em três partes de 30 minutos, observaremos que 15 tentos do uruguaio saíram na faixa final (contra 12 entre 0-30; 8 entre 30-60), mostrando que foi decisivo – coisa a qual era cobrado em temporadas anteriores.

Em dez ocasiões fez ao menos dois gols, incluindo uma em que fez quatro, no 6 a 0 sobre o Caen. Além disso, dos 36 jogos em que atuou, só não marcou em 13. Em uma temporada bem decepcionante dos parisienses, Cavani foi o ponto fora da curva e o diferencial do time.

1 – O campeão!

Com méritos, a taça Ligue 1 ficou no Principado | Foto: Divulgação/AS Monaco

Enquanto todos esperavam o quinto título consecutivo do Paris Saint-Germain, surgiu o Monaco. Time de futebol envolvente, de dominação de espaço, mas, ao mesmo tempo, agressivo, os monegascos ergueram o troféu de campeão nacional após 17 anos.

A campanha foi irretocável, com maior número de vitórias (30), menor de derrotas (3), melhor ataque (107 gols) e melhor campanha como mandante e visitante. Somado a isso, o Monaco encerrou a Ligue 1 invicto a 20 jogos, com 12 vitórias seguidas e nenhum tropeço em 2017.

Interessante ressaltar ainda que, segundo o WhoScored, o Monaco foi o time que teve maior média de finalizações na temporada, mas foi apenas o quinto em posse de bola e sexto em porcentagem de passes certos. Ou seja, foi uma equipe de controle espacial e de intensa eficácia com a bola no pé.

Somado a isso, o time comandado por Leonardo Jardim apresentou ao mundo jovens talentos que quem acompanha o Francesão há algum tempo já conhece, como Benjamin Mendy, Tiemoué Bakayoko, Thomas Lemar, Fabinho, Bernardo Silva e, é claro, a estrela da companhia, Kyllian Mbappé. É, amigos, daqui algum tempo, teremos história para contar desse fantástico time.

O que acharam dos tops da Ligue 1? Faltou alguém? Exagerei em algum ponto? Dê seu pitaco! Ainda nesta semana trago os flops da temporada.

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Le Podcast du Foot #48

Foto: Reuters - Com nove gols, Rivière está voando na Ligue 1

Foto: Reuters – Com nove gols, Rivière está voando na Ligue 1

O Campeonato Francês esquentou! Com o tropeço do Paris Saint-Germain e a vitória do Monaco, a diferença entre os dois times caiu para três pontos. E aproveitando o clima quente da competição, Le Podcast du Foot aproveitou para trazer um formato diferente pro programa desta semana, com um debate mais intenso.

>> Confira a classificação da Ligue 1;

Para aplicar esta nova formatação, uma dupla tocou o programa, ao invés do tradicional trio. Eduardo Madeira e Flávio Botelho dividiram os papeis de comentaristas e apresentadores da edição #48 do podcast.

Entre os destaques do programa estão temas como a provável vinda de Yohan Cabaye ao PSG, os substitutos de Falcao García, a escassez de gols do Lille e a crise interna que afeta o Olympique de Marseille.

Confira todas as análises nos links abaixo:

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Os colombianos

Falcão García fez o gol do título (Getty Images)

Quem leu o último post do blog Europa Football, sabe da minha aposta de quem decidiria a final pro Porto. Era exatamente uma dupla colombiana que atua no Dragão. Freddy Guarín e Radamel Falcão García.

Ambos fizeram uma Liga Europa muito boa, sendo decisivos e fazendo um excelente uso de suas virtudes.

Freddy Guarín é um bom marcador e que tem uma saída de jogo precisa. É forte fisicamente, rápido, entra na área e finaliza muito bem. O camisa 6 do Porto assumiu a titularidade da equipe no meio da temporada, e com méritos. Sempre era colocado no meio das partidas por André Villas-Boas e mostrava bom futebol. Sua técnica com a bola no pé mostravam que era muito justa sua titularidade.

Já Falcão é titular incontestável. É o famoso centro-avante moderno. Não é pesadão, mas é de área. É rápido, sabe se movimentar, sair de área e buscar a tabela. E o melhor de tudo, sabe botar a bola na rede. Antes da final, haviam sido 16 vezes que Falcão havia saído pro abraço na Europa League. Matador, o colombiano sabe transformar uma bola quadrada em gol.

Quem leu o post também sabe que segundo este que vos tecla, um dia ruim da zaga do Braga e tudo poderia ir para o espaço. A zaga bracarense não esteve num dia ruim, mas teve um momento ruim na partida que custou o título.

Mas também seguindo a lógica, era hoje que o Braga deveria sofrer um gol.

Antes do apito inicial de Carlos Verdasco Carballo, o Braga só havia sofrido 4 gols em 8 jogos. Matemática pura! Gol sofrido em jogo sim, jogo não. Os Arsenalistas sofreram dois do Benfica no jogo de ida das semifinais e seguraram o ataque dos Encarnados na volta, seguindo a lógica, deveriam ter tomado pelo menos um gol hoje.

Hulk também apanhou (Getty Images)

Outra coisa que “previ”, foi que seria um jogo nervoso. Aliás, qualquer um poderia prever isso. Não é pra menos. O Braga encarava sua primeira decisão européia na história, enquanto o Porto, mesmo tendo um histórico grande nas competições Uefa, é um time que nos últimos anos tinha chego nos grandes jogos como “zebra”, “franco-atirador” e com outros apelidos do tipo. Hoje era diferente. O Porto era o favorito, tinha, em tese, a obrigação de no mínimo ser mais efetivo no ataque. E isso nem sempre é bom psicologicamente. Somando os dois fatores, o resultado foi um jogo nervoso.

Esse nervosismo estragou o jogo, que foi bem abaixo das expectativas. O primeiro tempo foi de um marasmo que só… Muitos toques de lado, muitas faltas, raras chances de gol, até a minha previsão se concluir.

Que foto, hein? (AP)

Freddy Guarín pegou a bola na direita, brecou a passada e cruzou para Falcão García, que aproveitando o espaço deixado pela defesa do Braga, cabeceou pro gol. Os dois colombianos e a falha da zaga bracarense não só me davam fama de vidente, como deixavam uma histórinha para contarmos sobre a etapa inicial, que como eu disse acima, foi morninha…

O Braga, acostumado a segurar os resultados, teve de fazer algo que pouco precisou nessa Europa League: gols! E essa chance veio logo no comecinho da etapa final, quando Mossoró, com 40 segundos em campo, ficou cara-a-cara com Hélton e tremeu na base, perdendo um gol feito.

Mossoró tremeu (AFP)

Depois que Mossoró perdeu aquele gol, ficava claro que não era o dia do Braga. O time não assustou mais Hélton, além do Porto desistir de atacar, deixando o jogo mais nervoso, do que jogado.

Por quanto mais que pese a não expulsão de Sapunaru, – com cartão amarelo, o defensor fez falta dura no meio campo e o árbitro deixou passar – o Braga não atacou. Não sei se no onze contra dez os bracarenses conseguiriam algo diferente, até porque a sensação que ficou era que se ao invés do Braga fosse um time mais forte, não sei se o Porto aguentaria. Eu cansei de dizer durante a semana: “o time do Braga é muito limitado”. Claro que teve méritos em chegar a final, mas se não fizesse o jogo dos sonhos contra o Porto, poderíamos dizer que o então título bracarense seria um acidente da natureza.

Pro Braga é bola pra frente, mas é preciso olhar com muito cuidado pro futuro. Domingos Paciência deve ir para Lisboa treinar o Sporting. O capitão Vandinho já disse que seu ciclo no Braga acabou, Sílvio confirmou que jogará no Atlético de Madrid e Artur deve se transferir pro Benfica. Fora outros jogadores que possam eventualmente receber propostas de outros times. Deve haver um desmanche no Braga e não custa lembrar: o Braga não é o Benfica, não é o Porto, não é o Sporting. O Braga é um time pequeno e talvéz não consiga se remontar.

Fica a interrogação no futuro do Braga.

Ora pois, somos campeões! (AP)

Embora o jogo tenha sido ruim e o Porto não tenha jogo nem 50% do que pode, o título é merecido. Os Dragões apresentaram o melhor futebol da competição, com vitórias avassaladoras e convincentes, um futebol… atraente. Não chegou a ser bonito, mas era legal de ver, era certo que veríamos um time ofensivo e que não seria por falta de finalizações que não venceria o jogo.

Somente no jogo de hoje que faltou isso. O Porto tentou furar a barreira bracarense nos primeiros minutos, mas logo desistiu e passou a entrar no jogo do Braga. Pode-se dizer que o gol saiu por acaso, quando as equipes já iam em “ritmo de intervalo”.

Parabéns ao Porto e aos fanáticos filhos do Dragão! Vocês merecem mesmo, pelo belo time montado!

Os trunfos de Porto e Braga

Todo time seus trunfos. Sejam eles grandes ou pequenos. Mas numa final de campeonato, esses trunfos acabam sendo mais valorizados. Então, aproveito eu para destacar os pontos positivos de Porto e Braga, que farão hoje em Dublin, a final da Uefa Europa League.

PORTO

O Porto tem muitos pontos positivos, já que é um grande time. Começamos no banco de reservas, com o técnico André Villas-Boas. Os Dragões são apenas o seu segundo time como treinador. Aliás, com 33 anos, Villas-Boas pode se tornar o técnico mais jovem a levantar um troféu da Uefa. Mas o Porto chegou longe muito graças a sua “experiência”, acredite se quiser. Com a experiência de um rapaz de 33 anos, o time português tem conseguido fazar essa maravilhosa temporada. É que Villas-Boas foi durante muito tempo um dos assistentes de José Mourinho. Com ele, aprendeu a formar um time sólido defensivamente e que no ataque não costuma ter perdão e aproveita as chances que tem. Basicamente é o assim que joga o Porto.

Falcão-Hulk: Dupla letal

A defesa é muito firme, comete poucos deslizes e no Campeonato Português sofreu apenas 16 gols, ou seja, um turno inteiro e mais um jogo. O meio campo e o ataque são formados por três jogadores em cada setor. E todos eles tem características diferentes, o que faz esses setores serem bem consistente. Fernando é o volante mais marcador e que tem a função de proteger a zaga, João Moutinho tem um toque de mais classe, enquanto Guarín é mais forte fisicamente, marcando com vigor e saindo com eficiência pro ataque, sempre apresentando bons chutes de longe. No ataque, Hulk é habilidoso, sabe driblar, mas por ser canhoto e jogar na direita, acaba sempre forçando o drible para seu ‘pé bom’ para conseguir ângulo para a finalização. Varela, que joga no lado oposto, é mais veloz e sempre procura a linha de fundo. Falcão García está lá basicamente para empurrar a bola pra dentro, mas sabe atuar fora da área e tem muitos recursos técnicos.

Acredito que Guarín e Falcão possam decidir

Quem pode decidir à favor do Porto, em minha visão são os colombianos Guarín e Falcão. O primeiro, demorou a engrenar na temporada e durante bom tempo foi reserva de Belluschi, mas com boas atuações, sempre usando bem suas características, – que destaquei acima – acabou se tornando peça chave do meio campo portista. Já Falcão tem feito uma temporada espetacular. É artilheiro da Europa League e titular absoluto do ataque do Porto. Esse jogo tem a cara dos dois. Guarín é o ponto de equilíbrio do meio campo de seu time e uma má atuação do colombiano pode resultar no descontrole do time e perda da consistência no meio campo, enquanto Falcão é o cara que transforma as bolas ruins em gol e num jogo que tem tudo para ser nervoso, essa característica pode ajudar muito.

Claro, não posso esquecer de Hulk, principal jogador do Porto nesta temporada, mas também não posso esquecer que o ponto forte do Braga é a sua defesa, ou seja, Domingos Paciência deve armar algo que possa neutralizar os drbiles e chutes de Hulk, além das investidas na linha de fundo de Varela. Então continuo achando que Guarín e Falcão podem ser mais decisivos do que Hulk. Pelo menos hoje!

Provável time do Porto: Hélton; Sapunaru, Rolando, Otamendi e Álvaro Pereira; Fernando, João Moutinho e Guarín; Falcão, Hulk e Varela (4-3-3). Técnico: André Villas-Boas

BRAGA

Não dá para dizer que o Braga não tem méritos de chegar a final da Europa League, mas o fato é que o pequeno time do norte de Portugal não chegou a final do mesmo modo do Porto. Os Dragões passaram por cima de times que impõem respeito, como Spartak, Sevilla e Villarreal, já o Braga, até passou por adversários complicados, como Dynamo de Kiev, Liverpool e Benfica, mas sempre com o regulamento debaixo do braço. Mas não muda o fato do time ter muitos méritos em chegar a final.

Domingos Paciência comandando o Braga em seu auge

É estratégia de Domingos Paciência fazer com que seu time conquiste o resultado da forma apertada. O elenco é limitado e as centenas de brasileiros que há no elenco do Braga – 11 no total – não são da melhor categoria. Difícil imaginar jogadores como Alan, Leandro Salino e Lima sendo titulares em times brasileiros, por exemplo, mas são grandes peças do Braga. Sabendo dessa limitação, Paciência montou um forte sistema defensivo, que na Europa League sofre gols no esquema ‘jogo sim, jogo não’ e na maioria das vezes, sofre gol nos jogos que pode sofrer, geralmente nas partidas de ida. Não é à toa que o Braga sofreu somente 4 gols na Liga Europa inteira, – claro, levando em conta que o time entrou no meio do torneio – só Ajax, Rangers, Liverpool, Basel e Rubin Kazan conseguiram números identicos na competição.

Em contrapartida, o ataque não é lá dos melhores. Foram só 6 gols anotados, além de 28 arremates no torneio, não são números tão bons. Além do artilheiro da equipe ser Alan, com 2 gols em 8 jogos. Mas como já repeti diversas vezes: o Braga é um time que joga com o regulamento debaixo do braço e joga de acordo com o tamanho de sua história, joga de forma pequena. Isso não é pecado muito menos proibido, é até certo. É um time limitado, que conhece esse limite e joga nessa margem.

Será que agora o ataque funciona?

O ataque do Braga não é dos mais confiáveis. Lima, Alan e algumas vezes Meyong ou até Paulo César, não chegam aos pés de Hulk, Falcão e Varela, mas que mesmo assim, tem sua dose de importância. No duelo contra o Benfica, por exemplo, Meyong e Alan se posicionaram bem abertos nos flancos, evitando as subidas dos laterais Encarnados. Esse foi um dos fatores que ocasionou na classificação do Braga.

Para este blogueiro, o grande trunfo do Braga é a sua defesa, que é muito bem armada e irá encontrar um ataque que além de também ser bem armado, é forte técnica e fisicamente. Se os Arsenalistas saírem na frente do marcador, dificilmente perderão a partida. Isso foi muito lembrado pelo pessoal do Porto e pela imprensa. E é verdade. O Braga abre o placar e se retrai um pouco mais. Não chega a armar um retranca, mas arregala os dois olhos, prestando mais atenção na marcação.

Entendo eu, que se a defesa do Braga não estiver num bom dia, as chances do Porto ser campeão, que já são grandes, aumenta de forma explosiva. A defesa do Braga é a chave do sucesso do time!

Provável time do Braga: Artur; Miguel García, Alberto Rodríguez, Paulão e Sílvio; Custódio, Hugo Viana, Leandro Salino e Vandinho; Alan e Lima (4-3-1-2). Técnico: Domingos Paciência

Bonde do Dragão sem freio

É golo!!!! (Getty Images)

Não gosto muito do termo “final antecipada”. Acho que isso não existe. “Final é final” – como diria o filósofo Ronaldinho -, ou seja, é o desfecho, o encarramento, o término. Sem falar que o termo é jogado pro espaço se o time que vencer a tal final perder a verdadeira final.

Porto e Villarreal, pelas semifinais da Liga Europa era descrita por alguns como final antecipada. Como disse acima, não gosto do termo, mas o jogo teve cara de final. O primeiro tempo foi aberto, com as duas equipes querendo jogar, buscando a vitória e na etapa final, o então perdedor decidiur jogar. Para uma quinta-feira à tarde, foi uma partida bem agradável.

Só um parágrafo sobre o jogo: o Porto começou marcando forte, atrapalhando a saída de bola do Villarreal, que quando conseguia escapar da forte marcação, sempre arranjava bons ataques. A linha de impedimento portuguesa foi burra mesma e diversas vezes, Nilmar e Rossi ficaram cara-a-cara com Hélton. Esse foi o grande pecado do time espanhol, que poderia ter feito três, quatro gols se não fosse incompetente em suas finalizações. Mesmo assim, o Villarreal foi pro intervalo em vantagem, após gol de Cani, aproveitando cruzamento de Nilmar, que se aproveitou da “avenida Álvaro Domínguez”, que só faltou botar uma placa e avisar: “Joguem por aqui”. Na etapa final, poucas palavras: o Porto sobrou. Sobrou fisicamente e tecnicamente. O time espanhol morreu e quase nem passou do meio campo. Com Álvaro mais preso, Guarín pôde chegar mais à frente e teve grande atuação. Hulk também teve atuação destacada. Falcão foi magistral, com quatro gols.

Agora sim, vou falar do “Bonde do Dragão sem freio”. Tá certo que esse papo de bonde do Flamengo e trem bala do Vasco já encheu a paciência aqui no Brasil, mas fiquei imaginando: se o time rubro-negro, jogando essa bolinha aí já virou bonde sem freio, o Porto é o quê então? Os Dragões tem uma equipe de muito respeito. Um meio campo forte, com Fernando fazendo a proteção à zaga, com Guarín e Moutinho chegando à frente. No ataque, Hulk, Varela – hoje jogou o nulo Cristian Rodríguez – e Falcão cumprem muito bem seu papel. É certamente, um dos times mais fortes da Europa!

André Villas Boas: um Mourinho, só que mais simpático (Getty Images)

E no banco fica André Villas-Boas. Esse rapaz revolucionou o time do Porto. O time que se acostumou a só ganhar a liga portuguesa, do nada se viu fora da Champions League e esse garoto mudou a mentalidade do time. Os Dragões fizeram uma primeira etapa abaixo do que podem render, bastou uma papinho e jogadores como Guarín e Falcão passaram a decidir. Villas Boas é um dos “seguidores de Mourinho”, só que mais novo e essa jovialidade dele parece fazer bem ao Porto. A equipe não se conforma com o pouco e sempre quer mais. Com o jogo em 3×1, 4×1, os Dragões seguiram em cima e após o 5×1, só não marcaram mais por falta de tempo.

É uma equipe avassaladora!

Falcão é o artilheiro da Europa League (Getty Images)

Os jogadores que mais me chamam a atenção nesse Porto são dois colombianos: Freddy Guarín e Radamel Falcão. O primeiro atua no meio-campo, mas tem uma chegada ao ataque muito boa. É forte fisicamente, tem bom passe, é inteligente e o principal: tem um potente chute de direita. Guarín já anotou diversos gols em chutes de média e longa distância. Já Falcão, que já era um terror em seus tempos de River Plate, – os botafoguenses confirmam – evoluiu muito no futebol português. É um atacante letal. Não costuma perder tantas chances de gol, sempre aproveita as que tem. Sabe fazer gols, tem técnica e tem algumas artimanhas que lhe dão vantagem aos zagueiros, como o seu domínio de bola, que é sempre girando pra cima do marcador.

O Porto poderia muito bem estar na Champions League. É uma equipe forte e poderia fazer suas surpresinhas na Liga.

O 5×1 deixa os Dragões com as passagens encaminhadas para Dublin e só Deus sabe quem pode parar o “bonde sem freio” do Porto.

Sobre o Villarreal…

Preocupa essa queda de rendimento do Submarino Amarelo. No início da temporada, o Villarreal era um dos times capazes de parar a dupla Barça-Madrid, mesmo que só por um jogo, hoje podem até ficar sem a vaga para a Champions League. O Villarreal é um bom time, com Borja Valero armando o time, com Cani e Cazorla carregando a equipe pelos flancos e com a poderosa dupla de ataque formada por Nilmar e Rossi. A prova foi hoje. É muito difícil parar o Porto no Estádio do Dragão e o Villarreal fez isso…por 45 minutos. Morreu nos outros 45 e esse resto de jogo deve custar a eliminação na Liga Europa.

Na outra semifinal…

Benfica vence na ida (Getty Images)

Resultado bom…mas nem tanto pro Benfica. O 2×1 sobre o Braga na Luz, deixa os Encarnados com a vantagem do empate, mas os braguistas já provaram que podem encrencar um jogo no Municipal de Braga. É só 1×0… Dá pra tirar. Ainda mais que sou daqueles que prefiro que nesses mata-mata, meu time jogue a primeira em casa, pra tentar matar logo a série. 2×1 não é confortável. O Braga, de Domingos Paciência, conhece muito bem o Benfica. Sabe suas virtudes e seus defeitos.

O Municipal de Braga vai tremer na próxima quinta!

Elas não são tão diferentes assim….

Os troféus pelo menos são bem diferentes...

Em tese, Europa League e Champions League são competições muito diferentes. A UCL reúne os principais times das grandes ligas européias e tem menos times se comparada a competição citada à seguir. Enquanto isso, a UEL reúne times de um segundo escalão europeu, de países sem grande tradição, há muito mais times e por consequencia, mais fases e jogos.

Porém, as quartas de final de ambas as competições mostram que pelo menos nessa fase, elas não são tão diferentes assim.

Como escrevi ontem, três dos quatro jogos da Champions League podem ser considerados definidos. Schalke, Real Madrid e Barcelona dificilmente serão eliminados, após abrirem boas vantagens nos jogos de ida. Chelsea x Manchester United é o único confronto que podemos dizer que está aberto, embora os Red Devils tenham vantagem no placar.

A Europa League manteve a mesma história. Porto, Benfica e Villarreal – curiosamente, mesmo sequencia numérica de países, dois do mesmo país e um de outro – dificilmente serão eliminados, enquanto Braga e Dynamo de Kiev fazem o único duelo aberto.

Falcão, vice-artilheiro da Europa League (Getty Images)

O Porto, que para mim é o grande favorito ao título, mostrou o “porque” de merecer esse rótulo. Enfrentando o bom time do Spartak Moscow, meteu 5×1, com três gols de Falcão García. O atacante colombiano chegou a 10 gols e lidera o ranking de artilheiros da Europa League. Só pra mostrar como será difícil, pra não dizer impossível, a missão russa, o Porto sofreu somente 9 gols no Campeonato Português. O Spartak terá de meter 4×0 pra se classificar!

Se o Porto já está quase classificado, pode-se dizer o mesmo de seu provável futuro adversário, o Villarreal. O Submarino Amarelo pegou o Twente – time que já havia eliminado o bom time do Zenit – e surrou os holandeses com um impiedoso 5×1, com dois gols de Nilmar e mais um do vice-artilheiro da competição, Rossi. Dificil imaginar o líder da Eredivisie fazendo 4×0 no Villarreal, levando em conta que terá de se expor diante de um time que tem Borja Valero ligando os velozes Nilmar e Rossi. É pedir pra tomar contra-ataques e por consequência, gols.

Salvio anotou "dois golos" (Getty Images)

Não é só o líder da Eredivisie que está em maus lençóis, o vice-líder também está. O PSV Eindhoven caiu diante do Benfica: 4×1. A grande notícia do jogo fica à cargo do renascimento dos argentinos que tanto ajudaram os Encarnados na conquista do título português da temporada passada, mas que andavam com um futebol meio xoxo. Salvio, que nem estava no Benfica na última época, fez dois gols, enquanto Saviola e Aimar, destaques do time no então título fecharam a conta. No duelo contra o PSG, deu para ver um Benfica sabendo o que fazer, isso tendo uma vantagem menor e arriscada, dificilmente cairá na Holanda.

Na mesma chave, duelo aberto. Dynamo de Kiev e Braga ficaram no 1×1 e a disputa da vaga vai para Portugal.

Agora tentem ir no mesmo pensamento que eu. O grande favorito da Champions League é o Barcelona. Nas quartas-de-final da dita cuja, o time catalão venceu o Shakhtar por 5×1. O grande favorito da Europa League, o Porto, fez a mesma coisa: 5×1 no Spartak. O Real Madrid, time do mesmo país do Barcelona, venceu o Tottenham por 4×0 e só cai por incompetência própria. O Benfica, time do mesmo país do Porto meteu 4×1 no PSV e está na mesma situação Merengue. O Schalke, time de “país isolado” em relação aos prováveis classificados, venceu a Inter fora de casa por 5×2 e tem tudo para segurar a vantagem. O time do “país isolado” na Europa League, o Villarreal, com o 5×1 aplicado no Twente, tem tudo para passar de fase. No outro duelo de ambas as competições, confronto aberto entre Manchester e Chelsea na UCL e Braga e Dynamo na UEL.

Saldo: 3 times (praticamente) classificados e um duelo aberto nas duas competições.

É, Manolev, ficou difícil.... (Getty Images)

Mas que conclusão dá pra tirar disso? Não sei….Se tivesse que mandar logo de cara, diria que isso tudo é coincidência, mas isso pode mostrar como está nivelado o futebol que até assim, em competições diferentes a semelhança permanece.

A única conclusão que pude tirar realmente veio do tweet do amigo Fernando Ribeiro.

Você realmente está ansioso para os jogos de volta tanto da Champions League e da Europa League? Eu pelo menos nem tanto….

Ora pois meu gajo, grandes apuramentos

Porto: favorito ao título!

E quem diria que dos oito times que disputarão as quartas-de-final da Europa League, três seriam times portugueses? Mas é o que acontecerá!

Surpresa? Talvez sim.

Geralmente os times da terrinha são menosprezados e jogados de lado por parte da torcida e imprensa, mas sempre levando em conta que aqueles que defendem a tese de que quem abastece o futebol europeu somos nós, sulamericanos, esquecem que boa parte dos times portugueses tem uma base de jogadores aqui da América do Sul.

Surpresa? Talvez não.

Acontece que os times portugueses estão melhorando seus investimentos a cada ano que passa e hoje conseguem montar times fortes…com muitos sulamericanos.

Dupla do barulho portista: Falcão e Hulk

Eu defendo a segunda tese. Não acho que seja surpresa. O Porto, do discípulo de José Mourinho, André Villas Boas, tem uma campanha quase que impecável na Liga Zon Sagres. São 23 jogos, 21 vitórias e 2 empates, 53 gols marcados e somente 7 sofridos, 65 pontos, 13 de vantagem pro vice-líder da competição, o Benfica. Para fechar com chave de ouro, o Porto ainda tem o artilheiro do ‘Portuguesão’, Hulk, com 20 gols. Só para ter uma noção, o vice-líder na lista de artilheiros, João Tomás, do Rio Ave, tem 13 gols. Campanha magnífica, que credencia qualquer um a favorito ao título de uma competição internacional.

Nessa fase de oitavas de final, o Porto eliminou o CSKA Moscow no “melhor estilo Mourinho”, que certamente Villas Boas aprendeu com o próprio Mourinho ensinou a seu time. Os Dragões conseguiram um resultado satisfatório fora de casa, vitória por 1×0 e jogando em casa, bastou logo matar o adversário. O Porto abriu 2×0 em 25 minutos de jogo, deixou o CSKA descontar, mas nada que atrapalhasse o time português.

Já disse aqui outras vezes, para mim o Porto é o grande favorito ao título da Uefa Europa League. Os Dragões tem um belo elenco, com um bom time titular e bons reservas a disposição de André Villas Boas, que é um verdadeiro fenômeno da temporada europeia.

Benfica: Favorito ao título?

Rival do Porto, o Benfica não vive sua melhor temporada. Atual campeão português, os Encarnados são muito irregulares e essa irregularidade permitiu aos Dragões abrir essa larga vantagem na ponta da Liga Zon Sagres. Mas nada que impedisse o técnico Jorge Jesus de levar seu time longe na Europa League.

Jogando no Estádio da Luz, na ida, o Benfica foi mal, mas derrotou o PSG por 2×1. No Parc des Princes, o time português se impôs, jogou melhor, arrancou um empate por 1×1 e se garantiu na próxima fase. Mas há de se ressaltar a sorte do Benfica, que enfrentou um adversário que…pipocava na frente do gol. No lance que deixou todos de boca aberta, aos 49 minutos do segundo tempo, Maurice recebeu livre na grande área e ao tentar o arremate cruzado, pisou na bola, caiu e o jogo acabava.

Diferentemente do Porto, vejo o Benfica mais abaixo que o rival local. É um time bom, com um elenco bom também, mas não é tão bom quanto o plantel portista. Os Encarnados sofrem com essa irregularidade e isso pode pesar na disputa da Europa League, pois não vai ser sempre que se encontrará um PSG pela frente.

Marcio Mossoró: Um dos 789 brasileiros do Braga

Num patamar bem mais baixo que Porto e Benfica, vem o time que pode ser considerada a surpresa que eu perguntava acima da Liga Europa: o Sporting Braga. O brasileiríssimo time da cidade portuguesa mais antiga, já havia surpreendido na Champions League ao complicar a vida do Arsenal, agora foi a vez de complicar a vida de outro gigante inglês, o Liverpool.

Na ida, no Estádio Municipal, o time de Domingos Paciência conseguiu derrotar os Reds por 1×0. Placar magro e que forçaria o inexperiente time a segurar o rodada Liverpool na Inglaterra. E após sofrer 12 arremates durante a partida inteira e não sofrer nenhum gol, o Braga calou o lendário Anfield Road e se classificou para as quartas de final da Europa League. Pela história e investimento tanto de Liverpool quanto Braga, foi uma surpresa!

Essa vaga para as quartas de final é um dos maiores feitos pelo Braga em toda sua história. Para se ter uma noção, a melhor colocação desse time no Campeonato Português foi o vice-campeonato da temporada passada. Os Braguistas conquistaram a Taça de Portugal, mas foi lá nos anos 60, além de conquistar a única edição da Taça FPF, disputada em 76/77.

O céu é o limite pro Braga. A equipe não tem mais nada a perder. O 6º lugar na Liga Zon Sagres só lhe coloca na briga direta por uma vaga na próxima Liga Europa. A volta para a Champions League é improvável. O Braga é reconhecidamente o time mais fraco dos três portugueses, com brasileiros desconhecidos e os que são minimamente conhecidos, é porque fracassaram em grandes clubes do Brasil. Mas nada impede esse time ir longe.

O único ponto negativo dessa boa fase dos times portugueses é ver que os destaques de Porto, Benfica e Braga são estrangeiros. Nos Dragões dá para destacarmos Hulk e Falcão, nos Encarnados, Aimar, Cardozo e Luizão e nos Guerreiros do Minho, Alan e Paulo César, todos sulamericanos. O que explica um pouquinho da má fase do selecionado português.

Mas como no futebol moderno isso é moda, não há nada de errado.

O Porto é o time mais forte dos três. Tem uma boa base, um treinador que virou um fenômeno e tem jogadores que desequilibram uma partida. O Benfica tem os mesmos atributos, mas o que pesa contra é a irregular temporada, que mexe na confiança dos jogadores e da torcida. O Braga é a zebra. Não tem um vasto elenco, tem um investimento menor e nem o mais fanático torcedor braguista apostaria que o time chegaria até onde chegou no início da temporada.

Enfim, os três times portugueses deverão ir com tudo na Europa League. O Porto tem o Campeonato Português em suas mãos, podendo poupar forças para a competição da Uefa; o Benfica tem a vaga na próxima Champions League praticamente garantida, poderá fazer o mesmo que o Porto; já o Braga vive um dilema, vai com tudo na Liga Europa ou tenta também conquistar a vaga para a mesma competição via Campeonato Português? Como eu sou daqueles que critica os obsessivos por vagas e mais vagas em outras competições, iria com tudo na Europa League. E você? O que faria?

Demais Classificados:

*Dynamo de Kiev: Após vencer em casa por 2×0, os ucranianos se deram ao luxo de perder pro Manchester City por 1×0 para se classificar;

*Twente: Outro que se deu ao luxo de perder e se classificar. Derrota por 2×0 diante do Zenit, mas o 3×0 na ida lhes classificou;

*Spartak Moscow: Vitória contundente sobre o Ajax, 3×0 e 4×0 no agregado;

*PSV: Após 0x0 na ida, os holandeses conseguiram um suado 1×0 contra o Rangers na Escócia;

*Villarreal: Depois de vencer o Leverkusen na BayArena por 3×2, o time espanhol fechou a conta com uma vitória por 2×0.