Às avessas

Agüero proporcionou uma das cenas mais marcantes de 2012

Desde que foi comprado pelo sheik Mansour bin Zayed Al Nahyan, a rotina do Manchester City é ir à forra e gastar pra valer. Segundo o site “Transfermarkt”, o clube inglês gastou 94 milhões de euros em 2011/12, 182 milhões em 2010/11, 147 milhões em 2009/10 e 157 milhões de euros em 2008/09, totalizando quase 600 milhões em quatro anos.

Se na última temporada o dinheiro investido já havia sido mais “modesto”, comparado com valores de temporadas passadas, você nem imagina o quanto que o City gastou para a edição 2012/13 da Barclays Premier League. Os campeões ingleses gastaram apenas 15 milhões de euros e em apenas um jogador, Jack Rodwell.

Caiu a ficha do sheik Mansour e de todos no Manchester City de que “gastar por gastar” não adianta muita coisa. O clube fará barulho, chamará a atenção da mídia e dos torcedores, mas criará uma pressão monstruosa sobre todos que participam deste projeto. Gastando com inteligência e com precisão cirúrgica, tudo pode dar certo.

Afinal de contas, o Manchester City foi campeão inglês, não havia muito para o que mexer. A não ser que Mansour queira, desesperadamente e a qualquer custo, vencer a UEFA Champions League, fazendo com que não meça esforços para chegar a tal objetivo. O título ele quer – quem não quer? -, mas tentando seguir a linha de raciocínio traçada na última temporada.

De que adianta a vinda de Rodwell? Simples! Yaya Touré, peça importantíssima da conquista nacional jogando como meia-armador, teve de jogar várias vezes como volante – sua posição original – para qualificar a saída de bola, que é uma pequena deficiência de Gareth Barry e Nigel De Jong. Rodwell atua nessa faixa central, fazendo o que os ingleses costumam chamar de “box-to-box”, com isso, Touré pode ser efetivado como um meia-ofensivo.

Mesmo com um único reforço, o Manchester City segue muito forte, já que não perdeu ninguém importante e mantém a espinha-dorsal, formada por Joe Hart, Vincent Kompany, Yaya Touré, David Silva e Agüero.

Além disso, o argentino Carlos Tévez tem se redimido de seus atos indisciplinares no passado e tem conquistado a confiança de Roberto Mancini. O treinador italiano já chegou a afirmar que “se tiver vontade de jogar, Tévez é um dos melhores”.

Com esses acréscimos todos, os adversários é que passaram a abrir o bolso para tentar desbancar o City. Até mesmo o vizinho United decidiu mexer-se da cadeira para contratar. Às vésperas do início da Premier League, os Red Devils investiram 30 milhões de euros em Robin van Persie, principal jogador do Arsenal. O holandês se juntará ao também recém chegado Shinji Kagawa, destaque do Borussia Dortmund.

O problema para Alex Ferguson será encaixar essa dupla com Wayne Rooney. No esquema que Fergie costuma utilizar, só caberiam dois deles, no caso, um homem de área e um segundo atacante. Fica a dúvida se o escocês colocará Kagawa como winger ou box-to-box, já que os atacantes deverão ser Rooney e van Persie.

Eden Hazard irá se aventurar em Londres

O time que mais fez apostas interessantes na hora de gastar sua grana foi o Chelsea. Os campeões europeus decidiram reforçar o setor que passava por maior instabilidade: a armação. Caracterizada como uma equipe veloz e de contra-ataque, Roman Abramovich decidiu investir em atletas dotados de maior técnica, como Oscar e Eden Hazard, ambos contratados por mais de 30 milhões de euros.

Mesmo com esses reforços vindo a peso de ouro, a maior esperança dos londrinos está depositada em Fernando “Niño” Torres. O espanhol, contratado por quase 60 milhões de euros em 2011, ainda não decolou em Stamford Bridge e com a saída de Didier Drogba, a diretoria decidiu fazer valer toda a grana investida e dar um voto de confiança a Torres.

Acredito que esse trio deverá brigar pelo título inglês. Foram os que mais investiram nas últimas temporadas e os que possuem elencos mais fortes e competitivos. Chegam forte não só para a Premier League, como para a UEFA Champions League.

A Premier League continuará com seu alto nível. Nos últimos anos, a edição que está para começar é a que tem os favoritos em maior força. O City tem a base campeã, o United se reforçou com o artilheiro da última temporada e o Chelsea trouxe dois brilhantes atletas da nova geração mundial.

É certeza de grandes jogos e emoção até o último minuto!

Anúncios

EURO 2012: O grupo do enrosco

Nem grupo da morte, nem grupo das ‘babas’. A chave C da UEFA Euro 2012 tem um favorito claro, porém, não deixa de apresentar a esta equipe adversários conhecidos como “carne de pescoço”.

Atual campeã do torneio, a Espanha pode ser a primeira na história a conquistar a Eurocopa, a Copa do Mundo e de novo o torneio europeu em seguida, por isso é reconhecidamente a favorita do grupo. A Itália despontava como segunda candidata a vaga, porém, um novo escândalo envolvendo o futebol do país atormenta o momento psicológico da seleção. Já a Croácia surge com um time muito técnico e capaz de surpreender, enquanto a Irlanda, mesmo longe de torneios importantes desde 2002, tem jogadores experientes, além de um técnico estrategista.

Confira abaixo a análise dos quatro selecionados.

ESPANHA: Em busca de um feito inédito

Decisivo em 2008, Torres pode receber mais uma chance com Del Bosque

Acostumada a gerar grandes expectativas antes dos torneios, mas não correspondê-las, a Espanha retorna a Eurocopa com fama de favorita e, também, com pinta de que pode novamente conquistar o continente. O time treinado por Vicente Del Bosque pode se tornar a primeira seleção na história a conquistar a UEFA Euro, a Copa do Mundo e novamente o torneio europeu em sequência. Em 2008, quando ainda era comandada por Luís Aragonés, a Fúria ergueu o caneco no seu continente, dois anos depois, já com Del Bosque de técnico, veio o primeiro título mundial.

Mas para a disputa do torneio que inicia na sexta-feira, a Espanha não poderá contar com seu artilheiro, David Villa. O atacante do Barcelona se contundiu em dezembro, na disputa do Mundial de Clubes, e não se recuperou a tempo para a competição. Com isso, a tendência é que Fernando Torres seja seu substituto. O atacante do Chelsea, novamente, não fez boa temporada, porém, foi decisivo no duelo diante do Barcelona na UEFA Champions League, onde fez o gol que eliminou o time catalão.

Caso Torres não engrene, Del Bosque deverá apostar em Fernando Llorente do Athletic Bilbao. O atacante de 1,95 de altura balançou as redes em 29 oportunidades nesta temporada, dezoito vezes há mais que o concorrente do Chelsea.

A ausência de Villa não mudará o estilo de jogo espanhol de muito toque de bola, controle de jogo e movimentação. Os grandes “caras” deste estilo são Xavi, Iniesta – que deverá jogar mais aberto – e Xabi Alonso.

Dentre esses três atletas, surge David Silva. Bem na Euro 2008 e discreto na última Copa – devido a uma lesão -, o meia fez ótima temporada pelo Manchester City e foi um dos grandes responsáveis pelo título inglês, onde foi líder no quesito assistências. Mesmo com uma queda de rendimento na segunda metade da temporada, Silva tem tudo para encontrar sua melhor forma diante dos técnicos companheiros de time.

Na defesa, uma ausência deve ser muito sentida no espírito do time: Carles Puyol. O defensor do Barcelona sofreu uma lesão no joelho no fim da temporada e por isso ficará de fora do torneio. Com isso, Sérgio Ramos deve ser deslocado para o miolo de defesa e formar dupla com Piqué.

A novidade do time está na lateral-esquerda. Após anos e anos atuando com o “patinho feio” Joan Capdevila, o técnico Vicente Del Bosque viu em Jordi Alba, de apenas 23 anos, a solução para seus problemas na posição. Com sete assistências na temporada, Alba tem pouca experiência pela seleção espanhola, mas nos cinco jogos que fez, convenceu a todos de que deveria ser o titular da posição.

Essa é a Espanha, que chega ao torneio como favorita e com a mescla Barcelona-Real Madrid, que tem tudo para dar certo nesta Eurocopa.

CONVOCADOS:

Goleiros: Iker Casillas (Real Madrid), José Manuel Reina (Liverpool-ING) e Victor Valdés (Barcelona)

Defensores: Álvaro Arbeloa, Sergio Ramos e Raúl Albiol (Real Madrid), Jordi Alba (Valencia), Juanfran Torres (Atlético de Madrid) e Gerard Piqué (Barcelona)

Meio-Campistas: Javí Martinez (Athletic Bilbao), Xabi Alonso (Real Madrid), Santiago Cazorla (Málaga), Xavi, Fabregas, Busquets e Iniesta (Barcelona), Juan Mata (Chelsea-ING), Jesus Navas (Sevilla) e David Silva (Manchester City-ING)

Atacantes: Álvaro Negredo (Sevilla), Fernando Llorente (Athletic Bilbao), Pedro (Barcelona) e Fernando Torres (Chelsea-ING)

ITÁLIA: 2006 E 1982 como exemplos

Grande destaque da Juve, Pirlo tentará carregar a Itália na Euro

Em 1982, Paolo Rossi chegava à Espanha para a disputa da Copa do Mundo graças a uma ação judicial que reduziu sua suspensão de três para dois anos. Naquela época, o escândalo Totonero fez com que diversos jogadores fossem presos e Rossi era um deles. No Mundial, o atacante, na época da Juventus, arrebentou e a Azzurra foi tri-campeã do mundo. Vinte e quatro anos depois, outro escândalo futebolístico atacava a Velha Bota, desta vez o Calciopoli. Este caso envolveu os clubes, gerou diversas punições e até rebaixou a Juventus, mas na Copa do Mundo, o Calcio deu a volta por cima e a Itália conquistou o tetra-campeonato mundial.

Em 2012, novo escândalo de apostas e agora com interferência direta na seleção do país. Domenico Criscito é um dos acusados de envolvimento no caso. Atualmente no Zenit da Rússia, o lateral-esquerdo foi excluído da lista de convocados para a Eurocopa.

Diante desses escândalos, a Itália tentará, novamente, se reerguer e levantar o caneco. Para isso, o técnico Cesare Prandelli aposta na mixagem de novos atletas com os mais experientes. No elenco atual, Gianluigi Buffon, Daniele De Rossi e Andrea Pirlo se unem a Fabio Borini, Mario Balotelli e Sebastian Giovinco nesta nova caminhada.

O setor mais produtivo do time é o meio-campo, onde está reunida muita técnica e disposição. Lá estará Andrea Pirlo, grande nome do time. O camisa 21 fez temporada brilhante pela Juventus e será o responsável por dar o toque de classe na faixa central do gramado. Como a Azzurra deve jogar sem um meia-armador, numa espécie de 4-3-3, Pirlo será o grande responsável por trabalhar a bola tanto na defesa, quanto no ataque.

Falando no setor ofensivo, é lá que Prandelli tem suas dúvidas. Mario Balotelli deverá ser titular, mas todos sabem que ele é uma bomba prestes a estourar e ficará sempre aquela interrogação quanto ao limite de sua paciência. Antônio Cassano também deverá ter sua vaguinha no time, mas o AVC que teve no final do ano o deixou durante um bom tempo inativo e acaba gerando dúvidas quanto sua forma física.

Giuseppe Rossi deveria ser o outro titular, mas o atacante do Villarreal ficou fora da lista final por estar com uma grave lesão. Com isso, sobraria uma vaga que seria disputada entre Giovinco e Di Natale. Riccardo Montolivo corre por fora, mas caso entre, será para jogar mais recuado, como um meio-campista.

Independente da formação escolhida, Cesare Prandelli opta por um ataque leve, de movimentação e sem um centro-avante fixo. Basta ver que nomes como Luca Toni e Vincenzo Iaquinta não tiveram vez com o ex-comandante da Fiorentina.

Enquanto isso, a defesa é muito consistente. Mesmo com o problema de Criscito e a lateral-esquerda, a força e rigidez do setor não fogem com a dupla Chielini e Bonucci. Na lateral-direita, Maggio, que atua como um ala no Napoli, mas parece estar se adaptando bem a função mais defensiva na Azzurra. Balzaretti, a surpresa Ogbonna e até Chielini surgem como possíveis substitutos de Criscito.

A Itália chega à Euro desacreditada. Prandelli já chegou a dizer que “para o bem do futebol no país, não seria problema nenhum não disputarem a competição”, mas eles devem jogar e tentar, na base da tradição, peso da camisa e novas ideias, chegar a um novo título europeu.

CONVOCADOS:

Goleiros: Gianluigi Buffon (Juventus), Morgan De Sanctis (Napoli) e Salvatore Sirigu (Paris Saint-Germain-FRA)

Defensores: Ignazio Abate (Milan), Federico Balzaretti (Palermo), Andrea Barzagli, Leonardo Bonucci e Giorgio Chiellini (Juventus), Christian Maggio (Napoli) e Angelo Obinze Ogbonna (Torino)

Meio-Campistas: Daniele De Rossi (Roma), Alessandro Diamanti (Bologna), Emanuele Giaccherini, Claudio Marchisio e Andrea Pirlo (Juventus), Riccardo Montolivo (Fiorentina), Thiago Motta (Paris Saint-Germain-FRA) e Antonio Nocerino (Milan)

Atacantes: Mario Balotelli (Manchester City-ING), Fabio Borini (Roma), Antonio Cassano (Milan), Antonio Di Natale (Udinese) e Sebastian Giovinco (Parma)

CROÁCIA: Despontando como zebras

Após a ausência em 2008, Eduardo se sente aliviado por poder disputar em 2012

A Croácia foi uma das seleções que, de certa forma, herdou a técnica e habilidade da Iugoslávia. Até por isso, podemos considerar o time da marcante camisa xadrez como uma das postulantes a “zebra” na Eurocopa 2012.

A seleção armada por Slaven Bilic é jovem e muito talentosa. O grande nome desta geração é Luka Modric, do Tottenham. O meia tem muita capacidade técnica, além de qualidade para jogar na marcação e na armação do time. É o ponto de equilíbrio da equipe e tem tudo para brilhar na UEFA Euro.

Modric ainda conta com boas peças de apoio. Pela direita, o agressivo Srna deverá aparecer diversas vezes na linha de fundo. No outro lado, Ivan Rakitic deverá usar a parte mais interna do campo, além de arriscar chutes de longa distância. A única dúvida está em quem será o companheiro na faixa central do meia do Tottenham. Uns apostam em Vukojevic do Dynamo de Kiev, outros preferem acreditar que Dujmovic do Zaragoza será o titular.

No ataque, o brasileiro naturalizado croata, Eduardo da Silva deverá escrever a história que deveria ter sido escrita há quatro anos atrás. Na edição de 2008, o atacante, que era uma aposta de Bilic, não disputou o torneio por ter sofrido uma fratura no tornozelo, que o tirou de toda temporada. Agora, atuando na Ucrânia, Eduardo se sente inteiro fisicamente e pronto para ser o homem-gol da Croácia.

Seu parceiro de ataque deverá ser Mario Mandzukic, que entre brigas e abraços com o técnico Félix Magath no Wolfsburg, teve uma temporada regular. O reserva da dupla seria Ivica Olic, porém, o jogador, que recentemente deixou o Bayern, se contundiu e foi cortado. Será a grande chance para Nikica Jelavic do Everton e Nikola Kalinic do Dnipro. Ambos precisarão mostrar serviço para conquistar a confiança de Bilic.

Um problema está na defesa. Corluka e Pranjic atuaram pouco por seus clubes – o primeiro terminou a temporada no Leverkusen -, enquanto Gordon Schildenfeld necessita de mais experiência em jogos grandes. O veterano Josip Simunic deve formar dupla de zaga com Schildenfeld, mas se ele já não empolgava no auge, imagina agora aos 34 anos?

A Croácia deposita suas fichas neste jovem time que tem tudo para fazer uma boa campanha. Com os escândalos abalando o futebol italiano, o selecionado croata surge como uma candidata real a uma vaga para o mata-mata. Basta provarem que são capazes de brilhar como Suker, Prosinecki e Cia.

CONVOCADOS

Goleiros: Stipe Pletikosa (Rostov-RUS), Danijel Subasic (Monaco-FRA) e Ivan Kelava (Dinamo Zagreb)

Defensores: Jurica Buljat (Maccabi Haifa-ISR), Domagoj Vida (Dinamo Zagreb), Vedran Corluka (Bayer Leverkusen-ALE), Josip Simunic (Dinamo Zagreb), Gordon Schildenfeld (Eintracht Frankfurt-ALE), Ivan Strinic (Dnipro Dnepropetrovsk-UCR) e Danijel Pranjic (Bayern-ALE)

Meio-Campistas: Darijo Srna (Shakhtar Donetsk-UCR), Tomislav Dujmovic (Zaragoza-ESP), Ognjen Vukojevic (Dynamo Kiev-UCR), Ivan Rakitic (Sevilla-ESP), Luka Modric (Tottenham-ING), Ivan Perisic (Borussia Dortmund-ALE), Niko Kranjcar (Tottenham-ING), Milan Badelj (Dinamo Zagreb) e Ivo Ilicevic (Hamburgo-ALE)

Atacantes: Nikola Kalinic (Dnipro Dnipropetrovsk-UCR), Nikica Jelavic (Everton-ING), Mario Mandzukic (Wolfsburg-ALE) e Eduardo da Silva (Shakhtar Donetsk-UCR)

IRLANDA: Retranca empolgante

Robbie Keane tentará corresponder as expectativas da eufórica torcida irlandesa

A Copa do Mundo de 2002 foi o último torneio que a Irlanda disputou. De lá pra cá, o time bateu na trave algumas vezes antes de entrar em outra competição. A batida mais dolorosa foi em 2009, quando o time britânico caiu na repescagem para o Mundial diante da França, no fatídico jogo em que Henry deu uma “leve” ajeitada na bola com a mão e tocou para Gallas marcar.

Qualificada para a Euro 2012, a Irlanda conta com o experiente técnico Giovanni Trapattoni, que conseguiu fazer uma mistura chata para os adversários: juntou a força defensiva italiana com antiga truculência britânica. Hoje, a Irlanda possui uma defesa firme e um ataque que baseia seu jogo nas bolas aéreas.

Embora este seja um estilo de jogo feio de se ver, há tempos o povo irlandês não ficava tão empolgado com o futebol. O simples fato de disputar a Eurocopa, mesmo que seja para fazer figuração, já deixa a torcida eufórica, como poucas vezes foi visto.

Os fanáticos mais antigos lembrarão-se da única participação irlandesa na história da Eurocopa, que foi em 1988, e naquela edição, a seleção britânica protagonizou uma das maiores zebras da história do torneio. A vitória por 1×0 sobre a favorita Inglaterra foi comemorada como um título, não só por ter sido a primeira na história da competição, mas por ter sido sobre uma arrogante rival da Grã-Bretanha.

Para conseguir surpreender novamente, Trapattoni leva para Ucrânia e Polônia um time experiente, com quatro remanescentes da campanha de 2002: Robbie Keane, Damien Duff, Richard Dunne e Shay Given. O quarteto forma o grande pilar construído por Trap. Sem eles, nada disso seria possível e um surpreendente avanço para as quartas-de-final também será impossível se os quatro não estiverem em boa ligação.

Entre os veteranos, surge Darron Gibson, de apenas 24 anos. A revelação do Manchester United se notabilizou pelos chutes de longa distância. Nesta temporada, ele ficou sem espaço nos Red Devils e se viu obrigado a mudar de ares e foi jogar no Everton. Esse espaço recebido em Liverpool foi primordial para que pudesse conquistar seu lugar na Eurocopa.

Trapatonni também conta com boas opções de ataque. Além do experiente e ídolo irlandês Keane, o italiano terá à disposição Jonathan Walters do Stoke City e Shane Long do West Brom. Eles marcaram 11 e 8 gols, respectivamente, nesta temporada. A dupla atua na Inglaterra, como boa parte do elenco irlandês. Apenas Darren O’Dea, que joga na Escócia, McGeady, na Rússia e Robbie Keane, nos EUA, atuam fora da Inglaterra.

Essa é a Irlanda, que mesmo longe das competições internacionais há mais de dez anos, apresenta uma equipe calejada e chata. Não deve ir longe, mas tem tudo para ser uma pedra no sapato da tradicional Itália e das técnicas Croácia e Espanha.

CONVOCADOS:

Goleiros: Shay Given (Aston Villa-ING), Keiren Westwood (Sunderland-ING) e David Forde (Millwall-ING).

Defensores: John O’Shea (Sunderland-ING), Richard Dunne (Aston Villa-ING), Sean St Ledger (Leicester City-ING), Stephen Ward (Wolverhampton-ING), Kevin Foley (Wolverhampton-ING), Stephen Kelly (Fulham-ING) e Darren O’Dea (Celtic-ESC)

Meio-Campistas: Keith Andrews (West Bromwich-ING), Glenn Whelan (Stoke Cit-ING), Darron Gibson (Everton-ING), Damien Duff (Fulham-ING), Aiden McGeady (Spartak Moscou-RUS), Stephen Hunt (Wolverhampton-ING), Paul Green (Derby County-ING) e James McClean (Sunderland-ING)

Atacantes: Robbie Keane (Los Angeles Galaxy-EUA), Kevin Doyle (Wolverhampton-ING), Simon Cox (West Bromwich-ING), Jonathan Walters (Stoke City-ING) e Shane Long (West Bromwich-ING)

Falta ao Chelsea algo que sobra no Manchester

Terry e Essien ainda não tocaram a 'orelhuda' (Getty Images)

Entendo eu que seja indiscutível que esse time do Manchester United não encanta. “Encantar” digo no sentido de jogar um futebol vistoso, de grandes lances, jogadas de efeito, enfim, vocês sabem bem o que eu quero dizer com “encantar”. Mas algo é inegável: é um time que sabe ganhar e tem esse espírito. O Chelsea parece não saber muito bem o que é isso.

Em alguns momentos da “era Abramovic”, dava para dizer que o Chelsea encantava. Jogava bem, Lampard brilhava, Drogba finaliza 5 e marcava 4, enfim, era um time que poderia ser chamado de “favorito a tudo que disputa”. Não é o caso dessa temporada. Pode-se dizer que 2010/2011 é a pior temporada do Chelsea, desde a chegada do russo. E essa má atuação foi completada com a eliminação na Champions League.

O que se viu hoje no jogo de volta contra o Manchester United foi apenas um esboço de time que quer vencer. O Chelsea fez um bom primeiro tempo, mas em dois ataques sofreu dois gols, um anulado, outro validado, que complicou a vida dos Blues. Na etapa final, os Red Devils passaram a administrar a peleja, mas mesmo assim, acabaram sofrendo o empate com Drogba. Segundos depois, Park fechou o caixão, com 3×1 no agregado.

Passa temporada, entra temporada e os times comandados por Sir Alex Ferguson sempre são competitivos e com algo em comum: eles tem o espírito vencedor. A atuação de hoje foi só um exemplo. O Manchester teve menos posse de bola durante boa parte da etapa inicial, mas quando passou a tomar conta da peleja, fez o gol e administrou a vantagem. Quando viu a vaga ser ameaçada, não deu sopa para o azar e logo matou o jogo.

Chicharito tem sido decisivo, assim como Giggs tem arrebentado (Getty Images)

Não consigo dizer que o time do Manchester é brilhante. A defesa sim é, pois tem muita consistência e dá poucas brechas, mas jogadores de ataque, como Nani e Chicharito, nunca me encheram os olhos, mas eles estão sempre decidindo jogos. Hoje, o mexicano fez um gol e o português sofreu as duas faltas que ocasionaram nos dois cartões amarelos de Ramires.

Se Rooney não está sendo tão fantástico como em outros tempos, Ryan Giggs está sim e mostrando ser como o vinho, melhorando com o passar dos anos. Ele foi o grande jogador da série de duas partidas, comandando o meio campo do United. O meia galês tem mostrado que mesmo mais velho, pode ter sua dose de polivalência. Nos anos 90, ele era um ponteiro – winger na Inglaterra -, atualmente, ele tem jogado como segundo volante.

Mas o Chelsea….. Ah, o Chelsea….

"Saia do jogo e da Champions League", disse Olegário Benquerença

Eles não tem o mesmo espírito vencedor do Manchester United. Ancelotti, outrora vencedor no Milan, insiste com Fernando Torres, fiasco da temporada. Contratado por milhões e milhões, o espanhol ainda não balançou as redes no clube londrino e hoje a história se manteve. Torres cansou de perder gols e quando Didier Drogba entrou em seu lugar, o marfinense teve boa atuação, mantendo seu costume de movimentar-se e lutar por todas as bolas. Drogba fez um gol, coisa que Torres não tem feito.

Frank Lampard, que deveria ser o maestro do meio campo blue, não jogou nada, mantendo sua regularidade na temporada, aliás. O camisa 8 londrino tem jogado mais pelo nome, pois como hoje, tem sido peça nula em campo.

Não basta Abramovic gastar milhões com jogadores e treinadores, se o que falta para o Chelsea finalmente conquistar a Uefa Champions League é algo que o dinheiro não compra, é um sentimento, ou como descrevi no United, um espírito. E isso não é qualquer equipe que tem e só o tempo vai dizer que o Chelsea um dia será um Champion.

Ainda hoje…

O Barcelona só administrou sua vantagem e venceu o Shakhtar Donetsk por 1×0, gol de Messi, fechando a série em 6×1. O time blaugrana se tornou o quarto na história a chegar nas semifinais da Liga dos Campeões por quatro anos seguidos. Real Madrid – 55/56, 56/57, 57/58, 58/59 e 59/60 -, Internazionale – 63/64, 64/65, 65/66 e 66/67 – e Juventus – 95/96, 96/97, 97/98 e 98/99 – foram as outras equipes que conseguiram esse feito.

Seguindo o critério Torres: Zebra

"O que eu fui falar?"

Fernando Torres estreou nesta noite pelo Chelsea, justamente contra o seu ex-clube, o Liverpool.

A estreia dele não foi boa. Ficou preso numa forte e bem postada zaga do Liverpool. Tocou pouco na bola e viu seu ex-time vencer.

Se seguirmos o seu critério, o que aconteceu hoje em Stamford Bridge pode ser chamada de “zebra”. Ora, mas por que zebra? Simples. Fernando Torres simplesmente diminuiu seu ex-clube na primeira entrevista no Chelsea, ao dizer que agora sim estava num clube grande. “Mas como? Os Blues se agigantaram na última década, o Liverpool sempre foi grande, como o time londrino pode ser maior?”

Declaração infeliz do espanhol. Ele usou mal as palavras.

Mas seguindo esse critério, a vitória do Liverpool sobre o Chelsea foi zebra.

Forte disputa entre Lucas e Kalou

Mas agora falando sobre o jogo, começo destacando as duas escalações.

No Chelsea, Carlo Ancelotti tirou o 4-3-3 e mudou o time para um 4-1-2-1-2, com Anelka – ponta direita no antigo esquema – jogando como um ponta de lança, logo atrás da dupla Torres-Drogba. Erro fatal do italiano. O francês não tem nenhuma característica de armador e mostrou séria dificuldades de cumprir essa função.

Já Kenny Dalglish deu uma aula de como se montar um time fechado, marcando forte e se aproveitando do erro adversário. Ele montou seu time com três zagueiros, algo pouco visto na Europa – na Itália alguns times ainda usam esse esquema. O esquema de seu time era um 3-6-1, mas no campo, era um 3-4-2-1. Tática boa pra evitar as subidas dos laterais dos Blues.

A primeira etapa foi muito disputada, sem um domínio amplo de ninguém. Algo que ficava nítido eram os erros das duas equipes. O Liverpool jogava no erro adversário por estratégia própria, já o Chelsea jogava no erro dos Reds por incompetência própria, de não conseguir entrar na área dos rivais e finalizar. Só que algo pode sim ser destacado. O gol feito que Maxi perdeu. Gerrard foi a linha de fundo e cruzou pro argentino, que com a trave aberta deu de tornozelo na bola e jogou por cima.

Só faltaram os socos (PA)

No fim do primeiro tempo, vimos outra cena curiosa. Após cruzamento de Maxi pra grande área, Cech saiu pra fazer a defesa, mas foi atrapalhado duas vezes por Ivanovic. Os dois tiveram uma curta discussão ainda na grande área, o clima ficou tenso.

Mas nem a Mãe Dinah em seus tempos inspirados iria prever que outra cena parecida decidiria o jogo…

Tudo começou com o Liverpool trocando passes com calma, até a bola chegar em Gerrard. O camisa 8 foi a linha de fundo e cruzou. Enquanto a bola passava pela pequena área, Ivanovic e Cech chegavam, eis que um esperou o outro e a bola passou pelos dois, chegando em Raúl Meireles, que de pé esquerdo mandou pras redes.

Torres, que já havia sido substituído, era focalizado pelas câmeras no banco de reservas, com cara de bobo, de não entender o que aconteceu: “Como? Eu saio do Liverpool, venho pro Chelsea e no primeiro jogo contra eles eu perco?”.

Há alguns destaques individuais que podem ser feitos. Torres foi mal, mas que o quê? Bateu de frente com Carragher, Skrtel e Agger. Todos os três foram bem, especialmente o inglês e o eslovaco, que estiveram inspirados. Pararam tanto Torres quanto Drogba. Kuyt foi um batalhador, como sempre. Se na técnica deixa a desejar, sempre se supera na raça e era o grande homem do time nas puxadas de contra-ataque. No Chelsea, Lampard esteve muito mal e errou muito. Essien deixou a desejar em suas tradicionais subidas ao ataque. Foram poucas (ou nenhuma).

A festa do Liverpool (Reuters)

É Torres…O “gigantesco” Chelsea foi derrotado pelo “inferiozado” Liverpool. Derrota que custa caro pros Blues. Se viessem os três pontos, a diferença pro líder Manchester United seria de 7 pontos e levando em conta que as duas equipes se pegam ainda duas vezes, essa desvantagem poderia cair pra um mísero ponto. No momento, a briga do Chelsea não é por título e sim por vaga na Champions League, vaga que disputa com o Tottenham.

O Liverpool segue com sua reação desde a chegada de Kenny Dalglish. Já são 4 vitórias consecutivas e o 6º lugar na tabela de classificação. São 38 pontos, nada que possa dizer que o time briga pela volta à Champions League, mas pode sonhar.

Vitória importante também quem conquistou foi o Birmingham. Os Blues venceram o adversário direto contra o rebaixamento, o West Ham, fora de casa, gol de Zigic e ficam fora da zona de rebaixamento. Os Hammers dormem lá…

Palpites???

 

Será que o tiozinho sabe quem serão os finalistas?

Após o fim de semana que tivemos o “início” da FA Cup – após duas fases, enfim os grandes entraram -, o meio de semana ficou reservado para a Carling Cup.

A segunda copa mais importante da Inglaterra está na sua fase semifinal. Nos dois jogos que tivemos, vimos partidas equilibradas e com placares parelhos e com difíceis previsões pros jogos de volta e obivamente, um palpite pros finalistas.

A Carling Cup pode ser a salvação tanto do West Ham, quanto do Birmingham (Reuters)

Certamente, o jogo que menos dá prognóstico é entre equipes que ocupam a parte debaixo da tabela da Premier League, West Ham x Birmingham. O jogo foi entre essas duas equipes foi muito equilibrado. Ora um dominava, ora outro dominava. Mas é aquela história. Num jogo de dois times de ponta, um jogador capaz de fazer algo diferente, desequilibra a partida e decide a seu favor. Agora, num jogo de dois times que frequentam a parte debaixo da tabela, só um erro pra decidir. A partida estava 1×1 – Noble abriu o placar pros Hammers num chute cruzado e Ridgewell empatou pro Birmingham – e o West Ham ficou com um à menos, já que Obinna foi expulso, mas não foi esse erro que decidiu, e sim uma falha do goleiro dos Blues. Carlton Cole chutou fraquinho, fraquinho…e Ben Foster aceitou, deixando a bola passar por baixo de seu corpo.

Ainda me lembro do dia que me xingaram no blog porque falei que Foster era fraquinho…Desde a época de Manchester United ele é inseguro, nunca botei fé nele e não vai ser nesta temporada que botarei fé nele.

O que esperar no jogo da volta? Não sei. O Birmingham é uma equipe muito forte jogando no St. Andrews e para mim, surge como o favorito, já que precisa vencer só por 1×0, mas o West Ham – mesmo estando mal na temporada – é um time meio maluco. Consegue fazer grandes atuações e fazer o jogo de sua vida, ora faz atuações patéticas e é humilhado. Acho que dá Birmingham, mas não me surpreenderia vendo os Hammers na final.

Ipswich, 19º colocado do Championship, surpreendeu o gigante Arsenal

O outro jogo foi hoje e dessa vez eu pude assistir, que foi Ipswich Town e Arsenal. Jogo ruim…Os Tractor Boys marcavam bem e não davam espaços nas laterais pros Gunners. Essa falta de espaço prejudicou o futebol de Theo Walcott, que poucas vezes apareceu na linha de fundo. O outro winger, Arshavin, fez uma partida terrível. Não foi a linha de fundo, não se movimentou, enfim, errou tudo que tentou. Demorou pra ser substituído. Fábregas é outro que esteve mal e assim como na temporada inteira, teve lampejos de bom futebol. Na frente, Bendtner foi peso morto. A zaga então…nem se fala.

Enquanto na primeira etapa tivemos poucas chances de gol, diria que quase nenhuma, na etapa final, a bola longa do Ipswich Town começou a atormentar a defesa Gunner. Principalmente o atacante Prinskin, que ficou três vezes com espaço, aproveitando cochilos da zaga. Nas duas primeiras vezes, ele deu bobeira e perdeu, na terceira vez ele não bobeou e mandou pras redes.

Bateu um certo desespero no Arsenal, que teve de correr atrás no marcador mas não conseguiu o resultado. Agora no Emirates Stadium, os Gunners terão de correr atrás do provável recuado Ipswich Town e tentar tirar a desvantagem do placar. Acho que dá Arsenal…mas, vai saber, né?

>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>

Kenny Dalglish ainda não venceu na sua volta ao Liverpool (Reuters)

Mudamos de assunto mas permanecemos na Inglaterra. Blackpool e Liverpool se enfrentaram pela Premier League, era um jogo adiado da 19ª rodada. Os Reds sofreram a derrota de virada. Torres abriu o placar, mas Taylor-Fletcher e Campbell viraram pros Tangerines. Embora a campanha do Liverpool seja irrisória – 13ª colocação, com 25 pontos, quatro acima da zona de rebaixamento -, devemos valorizar a bela campanha do Blackpool. O elenco é limitado e o gasto com a equipe é baixo, é um dos menores orçamentos da Premier League e mesmo assim, os Tangerines estão na 9ª colocação, com 28 pontos.