Seguindo o critério Torres: Zebra

"O que eu fui falar?"

Fernando Torres estreou nesta noite pelo Chelsea, justamente contra o seu ex-clube, o Liverpool.

A estreia dele não foi boa. Ficou preso numa forte e bem postada zaga do Liverpool. Tocou pouco na bola e viu seu ex-time vencer.

Se seguirmos o seu critério, o que aconteceu hoje em Stamford Bridge pode ser chamada de “zebra”. Ora, mas por que zebra? Simples. Fernando Torres simplesmente diminuiu seu ex-clube na primeira entrevista no Chelsea, ao dizer que agora sim estava num clube grande. “Mas como? Os Blues se agigantaram na última década, o Liverpool sempre foi grande, como o time londrino pode ser maior?”

Declaração infeliz do espanhol. Ele usou mal as palavras.

Mas seguindo esse critério, a vitória do Liverpool sobre o Chelsea foi zebra.

Forte disputa entre Lucas e Kalou

Mas agora falando sobre o jogo, começo destacando as duas escalações.

No Chelsea, Carlo Ancelotti tirou o 4-3-3 e mudou o time para um 4-1-2-1-2, com Anelka – ponta direita no antigo esquema – jogando como um ponta de lança, logo atrás da dupla Torres-Drogba. Erro fatal do italiano. O francês não tem nenhuma característica de armador e mostrou séria dificuldades de cumprir essa função.

Já Kenny Dalglish deu uma aula de como se montar um time fechado, marcando forte e se aproveitando do erro adversário. Ele montou seu time com três zagueiros, algo pouco visto na Europa – na Itália alguns times ainda usam esse esquema. O esquema de seu time era um 3-6-1, mas no campo, era um 3-4-2-1. Tática boa pra evitar as subidas dos laterais dos Blues.

A primeira etapa foi muito disputada, sem um domínio amplo de ninguém. Algo que ficava nítido eram os erros das duas equipes. O Liverpool jogava no erro adversário por estratégia própria, já o Chelsea jogava no erro dos Reds por incompetência própria, de não conseguir entrar na área dos rivais e finalizar. Só que algo pode sim ser destacado. O gol feito que Maxi perdeu. Gerrard foi a linha de fundo e cruzou pro argentino, que com a trave aberta deu de tornozelo na bola e jogou por cima.

Só faltaram os socos (PA)

No fim do primeiro tempo, vimos outra cena curiosa. Após cruzamento de Maxi pra grande área, Cech saiu pra fazer a defesa, mas foi atrapalhado duas vezes por Ivanovic. Os dois tiveram uma curta discussão ainda na grande área, o clima ficou tenso.

Mas nem a Mãe Dinah em seus tempos inspirados iria prever que outra cena parecida decidiria o jogo…

Tudo começou com o Liverpool trocando passes com calma, até a bola chegar em Gerrard. O camisa 8 foi a linha de fundo e cruzou. Enquanto a bola passava pela pequena área, Ivanovic e Cech chegavam, eis que um esperou o outro e a bola passou pelos dois, chegando em Raúl Meireles, que de pé esquerdo mandou pras redes.

Torres, que já havia sido substituído, era focalizado pelas câmeras no banco de reservas, com cara de bobo, de não entender o que aconteceu: “Como? Eu saio do Liverpool, venho pro Chelsea e no primeiro jogo contra eles eu perco?”.

Há alguns destaques individuais que podem ser feitos. Torres foi mal, mas que o quê? Bateu de frente com Carragher, Skrtel e Agger. Todos os três foram bem, especialmente o inglês e o eslovaco, que estiveram inspirados. Pararam tanto Torres quanto Drogba. Kuyt foi um batalhador, como sempre. Se na técnica deixa a desejar, sempre se supera na raça e era o grande homem do time nas puxadas de contra-ataque. No Chelsea, Lampard esteve muito mal e errou muito. Essien deixou a desejar em suas tradicionais subidas ao ataque. Foram poucas (ou nenhuma).

A festa do Liverpool (Reuters)

É Torres…O “gigantesco” Chelsea foi derrotado pelo “inferiozado” Liverpool. Derrota que custa caro pros Blues. Se viessem os três pontos, a diferença pro líder Manchester United seria de 7 pontos e levando em conta que as duas equipes se pegam ainda duas vezes, essa desvantagem poderia cair pra um mísero ponto. No momento, a briga do Chelsea não é por título e sim por vaga na Champions League, vaga que disputa com o Tottenham.

O Liverpool segue com sua reação desde a chegada de Kenny Dalglish. Já são 4 vitórias consecutivas e o 6º lugar na tabela de classificação. São 38 pontos, nada que possa dizer que o time briga pela volta à Champions League, mas pode sonhar.

Vitória importante também quem conquistou foi o Birmingham. Os Blues venceram o adversário direto contra o rebaixamento, o West Ham, fora de casa, gol de Zigic e ficam fora da zona de rebaixamento. Os Hammers dormem lá…

Palpites???

 

Será que o tiozinho sabe quem serão os finalistas?

Após o fim de semana que tivemos o “início” da FA Cup – após duas fases, enfim os grandes entraram -, o meio de semana ficou reservado para a Carling Cup.

A segunda copa mais importante da Inglaterra está na sua fase semifinal. Nos dois jogos que tivemos, vimos partidas equilibradas e com placares parelhos e com difíceis previsões pros jogos de volta e obivamente, um palpite pros finalistas.

A Carling Cup pode ser a salvação tanto do West Ham, quanto do Birmingham (Reuters)

Certamente, o jogo que menos dá prognóstico é entre equipes que ocupam a parte debaixo da tabela da Premier League, West Ham x Birmingham. O jogo foi entre essas duas equipes foi muito equilibrado. Ora um dominava, ora outro dominava. Mas é aquela história. Num jogo de dois times de ponta, um jogador capaz de fazer algo diferente, desequilibra a partida e decide a seu favor. Agora, num jogo de dois times que frequentam a parte debaixo da tabela, só um erro pra decidir. A partida estava 1×1 – Noble abriu o placar pros Hammers num chute cruzado e Ridgewell empatou pro Birmingham – e o West Ham ficou com um à menos, já que Obinna foi expulso, mas não foi esse erro que decidiu, e sim uma falha do goleiro dos Blues. Carlton Cole chutou fraquinho, fraquinho…e Ben Foster aceitou, deixando a bola passar por baixo de seu corpo.

Ainda me lembro do dia que me xingaram no blog porque falei que Foster era fraquinho…Desde a época de Manchester United ele é inseguro, nunca botei fé nele e não vai ser nesta temporada que botarei fé nele.

O que esperar no jogo da volta? Não sei. O Birmingham é uma equipe muito forte jogando no St. Andrews e para mim, surge como o favorito, já que precisa vencer só por 1×0, mas o West Ham – mesmo estando mal na temporada – é um time meio maluco. Consegue fazer grandes atuações e fazer o jogo de sua vida, ora faz atuações patéticas e é humilhado. Acho que dá Birmingham, mas não me surpreenderia vendo os Hammers na final.

Ipswich, 19º colocado do Championship, surpreendeu o gigante Arsenal

O outro jogo foi hoje e dessa vez eu pude assistir, que foi Ipswich Town e Arsenal. Jogo ruim…Os Tractor Boys marcavam bem e não davam espaços nas laterais pros Gunners. Essa falta de espaço prejudicou o futebol de Theo Walcott, que poucas vezes apareceu na linha de fundo. O outro winger, Arshavin, fez uma partida terrível. Não foi a linha de fundo, não se movimentou, enfim, errou tudo que tentou. Demorou pra ser substituído. Fábregas é outro que esteve mal e assim como na temporada inteira, teve lampejos de bom futebol. Na frente, Bendtner foi peso morto. A zaga então…nem se fala.

Enquanto na primeira etapa tivemos poucas chances de gol, diria que quase nenhuma, na etapa final, a bola longa do Ipswich Town começou a atormentar a defesa Gunner. Principalmente o atacante Prinskin, que ficou três vezes com espaço, aproveitando cochilos da zaga. Nas duas primeiras vezes, ele deu bobeira e perdeu, na terceira vez ele não bobeou e mandou pras redes.

Bateu um certo desespero no Arsenal, que teve de correr atrás no marcador mas não conseguiu o resultado. Agora no Emirates Stadium, os Gunners terão de correr atrás do provável recuado Ipswich Town e tentar tirar a desvantagem do placar. Acho que dá Arsenal…mas, vai saber, né?

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Kenny Dalglish ainda não venceu na sua volta ao Liverpool (Reuters)

Mudamos de assunto mas permanecemos na Inglaterra. Blackpool e Liverpool se enfrentaram pela Premier League, era um jogo adiado da 19ª rodada. Os Reds sofreram a derrota de virada. Torres abriu o placar, mas Taylor-Fletcher e Campbell viraram pros Tangerines. Embora a campanha do Liverpool seja irrisória – 13ª colocação, com 25 pontos, quatro acima da zona de rebaixamento -, devemos valorizar a bela campanha do Blackpool. O elenco é limitado e o gasto com a equipe é baixo, é um dos menores orçamentos da Premier League e mesmo assim, os Tangerines estão na 9ª colocação, com 28 pontos.