Com novo esquema, Lyon encontra jogo variável, mas elenco preocupa

Gomis marcou o segundo gol do Lyon na vitória sobre o Guingamp

Gomis marcou o segundo gol do Lyon na vitória sobre o Guingamp

Após cinco partidas, o Olympique Lyonnais voltou a vencer no Campeonato Francês com o triunfo por 2-0 sobre o Guingamp, em partida válida pela 12ª rodada. Assim como na derrota contra o Monaco, na jornada anterior, Remi Garde escalou seu time no 4-3-1-2, com um losango no meio-campo, e, com equipe praticamente completa, viu seus comandados apresentarem jogo mais variável.

Essa variação aconteceu porque o tripé de meias casou direitinho. Maxime Gonalons era o homem central, ficando mais fixo e chefiando a defesa; Steed Malbranque possuía o toque mais clássico, além de ser veloz nos avanços. Se por vezes lhe faltava perna, ocasionada pela idade, sobrava qualidade no passe; já Gueida Fofana mesclava força física, velocidade e bom chute.

Em outras palavras: três jogadores e três características diferentes que foram deveras úteis para o Lyon durante a partida. O OL controlou a faixa central por possuir atletas capazes de preencher o meio tanto ofensivamente, quanto defensivamente.

Além disso, contar com uma trinca de meias versáteis possibilitou maior liberdade a Clément Grenier, que vinha de partidas muito ruins e foi ao menos mais ativo diante do Guingamp, apesar de estar, reconhecidamente, bem abaixo do que pode render.

No ataque, ficou nítido o bom entendimento tático de Bafetimbi Gomis e Alexandre Lacazette. O Predador deixa muito a área, é sua característica apesar de não ser muito técnico. Com isso, sempre deixa um vácuo em seu habitat-natural. Lacazette, observando isso, preencheu esse espaço, como visto no primeiro gol, no qual era o homem mais avançado.

Por vezes, também, os dois homens de frente abriram pelos flancos, o que possibilitava o avanço de Grenier pelo centro, como o famoso “falso nove”. Essa variação aconteceu mais diante do Monaco, já que, contra o Guingamp, o camisa 7 se deslocou mais para a direita.

Além disso, um fator tradicional dos esquemas em losango foi preponderante para o triunfo lionês: as laterais. Como esse sistema tático tende a focar a faixa central, abre-se um clarão nos flancos, logo, torna-se necessária a presença ofensiva dos laterais e, contra o Guingamp, isso foi bem explorado pelo Lyon.

No lado esquerdo, principalmente, Henri Bedimo mostrou a que veio. Após atuações pouco convincentes desde que veio do Montpellier, o atleta teve ótima participação diante dos rubro-negros e foi peça fundamental no ataque.

Mouhamadou Dabo, por visíveis deficiências técnicas, subiu pouco e preocupou-se mais com a marcação. Com isto, Grenier e Lacazette puderam flutuar mais pelo flanco direito.

Bastou um ótimo primeiro tempo (e duas falhas tolas do adversário) para o Lyon fazer o resultado de 2-0, que seguiu até o final da partida. O OL pressionou muito durante os primeiros 25 minutos, criou muitas chances e, apesar do bom comportamento defensivo adversário, mostrou uma atitude não vista nas rodadas anteriores.

Sistema

Só que o elenco é a maior preocupação de Remi Garde. O esquema em losango deu certo por contar com atletas específicos para cada posição, sem haver jogadores de características semelhantes entre os titulares. Foi necessária uma lesão para que tudo fosse desarticulado.

Gonalons sofreu entrada criminosa de Moustapha Diallo, que foi expulso, e deixou o campo lesionado, dando lugar a Jordan Ferri. Com isso, Fofana, que estava preocupado com providenciais avanços, atuou mais fixo na defesa, com Ferri, de características semelhantes à de Malbranque, atuando mais avançado.

No 11 contra 10, o Lyon não aparentava estar jogando um a mais, pois cedeu território ao Guingamp e não incomodou tanto a meta de Ndy Assembe.

E com isso fica a lição para Garde não se acomodar com o resultado, como costuma fazer. Não é porque o Lyon fez ótimo primeiro tempo no 4-3-1-2 que ele deve usar esse esquema todo jogo, já que, como fora supracitado, pro “3” do sistema, o técnico contava com três jogadores de estilos e aplicações em campo diferentes, o que lhe fornecia uma variação de jogo muito interessante.

Garde tem histórico de se acomodar após bons resultados imediatos e isto, para um técnico que trabalha com elenco curto e sem grandes valores individuais, nunca é bom. Lisandro López foi um dos que foi fritado pelo comodismo de Garde com um sistema tático. Por isso, é necessário que haja um entendimento do treinador que é necessário mexer no esquema quando as lesões lhe atrapalham. Falta material humano de qualidade, mas não falta elenco com atletas de variados valores individuais.

Na atual situação do Lyon, o importante é não se acomodar após bom resultado e atuação que apresente um horizonte agradável. A escassez do elenco não proporciona um conforto para Garde, tanto na questão dos jogos, quanto em sua situação de emprego.

Lopes está verde

Anthony Lopes deixou o gol do Lyon ainda na etapa inicial

Anthony Lopes deixou o gol do Lyon ainda na etapa inicial

Além de Gonalons, o Lyon perdeu o goleiro Anthony Lopes lesionado. Por volta dos 25 minutos da etapa inicial, o arqueiro lionês dividiu bola com o ataque do Guingamp e levou a pior, se contundindo e dando lugar a Mathieu Gorgelin.

Apesar de lamentarmos a lesão do atleta, fica uma lição para o português. A dividida se deu em um lance em que a saída da meta era absurdamente desnecessária, coisa rotineira para ele.

Hugo Lloris, quando ainda vestia a camisa do Lyon, também possuía o hábito de sair do gol em momentos errados, porém, eram em lances pontuais, como bolas na marca do pênalti e repletas de companheiros, onde sua permanência na meta lhe dava mais chances de defender. Com o tempo evoluiu e hoje, no Tottenham, pouco se ouve de falhas do francês.

Mas Lopes tem uma mania diferente: sai em todas as bolas, não importando quem está pela frente e a necessidade desse abandono de meta. Seus erros tem sido constantes e algumas vezes custam resultados, como quando saiu de forma aloprada no primeiro gol do Monaco na derrota por 2-1.

O português tem só 23 anos e só nesta temporada tem jogado constantemente. Está verde, não é maduro o suficiente para aguentar a barra da situação ruim do Lyon. Remy Vercoutre, que está retornando de lesão, deve ter sua volta adiantada caso essa contusão de Lopes seja séria. E isso, por linhas tortas, é uma notícia boa, pois Vercoutre não só tem mais cancha (além dos 33 anos, tem mais de dez anos no clube) como é um goleiro pronto. Admito que não acreditava no potencial do veterano quando Lloris foi embora, mas ele correspondeu no último ano e pode ser peça chave para a recuperação do Lyon nesta temporada.

*Crédito das imagens: Le Progress
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Resgatem Gomis!

Griezmann fez essa pintura que derrubou o Lyon no Gerland

Griezmann fez essa pintura que derrubou o Lyon no Gerland

O Olympique Lyonnais não passa por bons bocados na fase prévia da Liga dos Campeões. A equipe francesa foi derrotada em casa pelos espanhóis da Real Sociedad por 2-0 e necessitam de um milagre para evitar a inesperada eliminação. Além do resultado negativo, o zagueiro sérvio Milan Biševac foi expulso e não atuará no duelo de volta.

A derrota só mostrou o quão ilusórios foram os dois jogos iniciais da temporada no Campeonato Francês. Jogando bem e apresentando um futebol ofensivo, o Lyon não tomou conhecimento de Nice e Sochaux, vencendo e marcando sete gols nos dois jogos.

Claro que toda e qualquer atuação deve ser valorizada, independente da força técnica do adversário, mas a fragilidade da defesa do OL já poderia ser avaliada anteriormente pelo técnico Rémi Garde.

Na goleada por 4-0 sobre o Nice, na rodada de estreia do campeonato, o Lyon cedeu 11 finalizações ao time de Claude Puel, além disso, terminou a partida com posse de bola equilibrada (51%49).

No triunfo por 3-1 sobre o Sochaux, os números foram ainda mais preocupantes. A equipe da Peugeot teve apenas 36% da posse de bola, mas conseguiu finalizar 12 vezes contra o gol de Anthony Lopes.

Contra a Real Sociedad o problema se repetiu e o Lyon recebeu 11 chutes do time adversário, sendo oito na direção da meta e dois gols sofridos que praticamente lhe tiram da competição.

Esses chutes na direção da meta trazem novamente à tona a polêmica envolvendo Bafétimbi Gomis. Se somarmos todas as finalizações do Lyon nos três jogos supracitados, batemos de frente com o seguinte dado: 40 finalizações, mas apenas 17 foram na direção do gol. Em outras palavras, o OL finaliza em média 13 vezes por jogo, mas apenas cinco desses chutes vão na meta.

Contra Nice e Sochaux, ninguém notou a ausência de Gomis, afinal, Lacazette e Benzia, que eram os responsáveis pela movimentação na grande área, estavam compensando com gols, mas, por oportunismo ou não, todos se lembraram do Predador após o tropeço de quarta-feira.

Como citei, essa lembrança pode ser puro oportunismo, mas pelo menos a mim, há sim uma razão. Observe abaixo o mapa dos passes e finalizações disponibilizado pela Uefa.

Circulado em vermelho: finalizações do Lyon; Circulado em amarelo: finalizações da Real Sociedad;

Circulado em vermelho: finalizações do Lyon;
Circulado em amarelo: finalizações da Real Sociedad;

Note que o Lyon finalizou de dentro da grande área poucas vezes e nenhuma vez foi com homens de frente: Gueida Fofana e Maxime Gonalons foram os responsáveis pelos chutes. Agora, observe atentamente de onde saíram às finalizações da Real Sociedad e note que boa parte delas foi de dentro da área ou, na melhor das hipóteses, da entrada da área.

Esse distanciamento do Lyon da grande área é mera coincidência? Talvez Jean-Michel Aulas, presidente do clube, acredite nisso, mas eu não. O Lyon rodou, rodou e rodou, forçou muitas jogadas laterais, principalmente com o afobado Miguel Lopes, que abusou dos erros de passes e lançamentos pela direita, mas fez cócegas na Real Sociedad em questão de finalizações.

Faltou presença na grande área, alguém que segurasse os zagueiros para quem viesse de trás e não alguém como Lacazette, que sempre procurava driblar, mas a cada defensor que vencia, vinha outro que não tinha, por exemplo, um Gomis a marcar, e o desarmava com facilidade.

Gomis e Briand hoje brilham... no time B do Lyon

Gomis e Briand hoje brilham… no time B do Lyon

Enquanto isso, o Predador segue jogando no time B do Lyon. Sim, jogando, não é só treinando. Junto dele está o meia-atacante Jimmy Briand, que há pouco tempo era convocado para a seleção francesa. Briand não seria de grande utilidade ao elenco principal hoje, mas privar-se de Bafé Gomis é privar o time de um rendimento melhor.

Com a saída de Lisandro López, o Lyon não tem centroavante algum. Cabe analisar que tanto Gomis, quanto o clube tem objetivos que aparentemente são diferentes, mas que podem ter final paralelo. O atleta quer ir a Copa do Mundo e uma troca de clube ou até mesmo de país pode ser prejudicial para seu espaço na seleção, já Aulas quer que Garde se vire nos trinta treinando garotos e não podendo contratar. Para chegar a Copa, Gomis precisa jogar e marcar gols, para Garde “se virar nos trinta”, precisa de alguém que balance as redes, um objetivo casa com o outro. O Predador precisa ser resgatado urgentemente. Se o Lyon sonha (porque hoje é apenas um sonho) em se classificar para a fase de grupos da Liga dos Campeões, isso precisa ser feito ontem, porque um time não vence sem marcar gols.

A culpa é do Lyon

Gomis finalmente encontrou um novo clube

Gomis finalmente encontrou um novo clube

Após semanas de pura especulação, o centroavante Bafétimbi Gomis parece ter definido seu destino: o Newcastle. Jean-Michel Aulas, presidente do Lyon, confirmou o acerto por oito milhões de euros, mais dois de bônus e acrescentou que algumas taxas e formas de pagamento faltam para a concretização da negociação.

Positivamente para a carreira do atacante, essa transferência significa uma provável evolução técnica. O Predador jogará em uma liga mais forte, em um clube ambicioso (apesar dos resultados decepcionantes na última temporada) e tradicional na Inglaterra. Além disso, Gomis encontrará um clube com dez jogadores franceses e não deverá demorar a se adequar ao ambiente do plantel.

Se internamente esse entrosamento não deverá tardar a aparecer, dentro de campo pode demorar e lhe causar um grave prejuízo em curto prazo. Há uma nítida mudança de ritmo entre o futebol praticado na França e na Inglaterra. A Ligue 1 é mais cadenciada e técnica, com um jogo mais lento até; já a Premier League preza pelo ritmo de jogo, intensidade, velocidade e participação de todos os atletas.

Não será nenhuma surpresa se Bafé Gomis demorar a se adaptar ao jogo inglês simplesmente por ser um centroavante à moda antiga, de pouca mobilidade e muita presença física na grande área. Se essa demora na adequação a Premier League realmente ocorrer, o jogador poderá ver sua vaga entre os 23 convocados para a Copa do Mundo de 2014 em risco.

O Predador está justamente entre os cotados para a posição mais aberta do time de Didier Deschamps: o ataque. Karim Benzema ainda não decolou na carreira e está há mais de um ano sem marcar pela seleção; Olivier Giroud, apesar de alguns brilharecos, ainda não transmite a confiança necessária para ser o “homem gol” do time.

Gomis já fez três gols com a camisa dos Bleus

Gomis já fez três gols com a camisa dos Bleus

Em seguida vem Gomis, mas junto dele chegam André-Pierre Gignac (com menos chances por sua rixa com Deschamps), Jérémie Aliadière e até mesmo o garoto Yaya Sanogo, da seleção sub-20, todos querendo uma mísera oportunidade.

Se a França chegar à Copa e o nome de Bafé Gomis não aparecer na lista final do técnico dos Bleus, a culpa não será somente sua, mas, em grande parte, será também do Lyon e de Jean-Michel Aulas.

JMA já adotou, há algum tempo, a política do corte de custos e não queria a permanência do atacante no clube pelo alto salário. Aparentemente, só ele não o queria lá, já que até mesmo o técnico do time, Rémi Garde, deu a entender nas entrelinhas de suas entrevistas que a decisão era única e exclusivamente do presidente.

Desde o princípio, Gomis declarou que gostaria de permanecer no Lyon, mas não foi ouvido e nem participou da pré-temporada da equipe. O argentino Lisandro López tem sido o atacante titular nesses jogos iniciais de temporada.

O próprio Predador tem consciência que uma mudança de ares, nessa altura do campeonato e faltando menos de um ano para a Copa do Mundo, a primeira de sua carreira, não é de todo bom. Sua ida para o Newcastle, visando o Mundial que será realizado no Brasil, é mais um ponto de interrogação do que um avanço. No futuro pode ser um progresso, mas agora, não.

Só que o futebol é imprevisível. Gomis pode arrebentar na Inglaterra, liderar o ranking de artilheiros da Premier League, assumir a titularidade da seleção e trazer o bicampeonato do mundo para a França, mas eu fico com a opção pessimista e coloco o Lyon e Aulas como culpados por uma eventual ausência no mundial.

É claro que o clube tem seus interesses e obrigações financeiras, mas nada que um bom papo não resolva. Não estávamos falando de um atleta odiado pela torcida e que corria risco de vida ao dar uma simples caminhada na rua, estávamos falando de um jogador reconhecidamente carismático e um dos principais goleadores do país. Além de todas essas qualidades, Gomis ainda queria ficar, duvido que esteja feliz em mudar de clube, mas era pra ser assim. No Newcastle, ele terá que ser, mais do que nunca, o Predador para conseguir chegar a Copa. Com 27 anos, é difícil imaginar que chegue em melhor forma técnica em 2018.

Imagens: Made In Foot e Zimbio

Lisandro López precisa se reinventar

Lisandro faz temporada abaixo do esperado (Foto: Fred Tanneau/AFP-Getty Images)

Lisandro faz temporada abaixo do esperado
(Foto: Fred Tanneau/AFP-Getty Images)

O atacante do Lyon, Lisandro López, dispensa grandes apresentações e é, reconhecidamente, um jogador de muita qualidade. Mas, apesar de seus 10 gols marcados no Campeonato Francês, a impressão que o argentino passa nessa reta final de temporada é que necessita se reinventar na carreira.

O esquema tático que o técnico Rémi Garde adota é o 4-2-3-1 – variando para o 4-1-4-1 – e Lisandro é encaixado como um meia-atacante de lado de campo. O motivo disso é a insistência de Garde em tentar manter o argentino com Bafetimbi Gomis, artilheiro do elenco, no time titular. Como o Predador não é tão versátil sobra para Lisandro a dura tarefa de cumprir uma função que não exerce com maestria.

Porém, o desempenho do argentino como jogador de lado de campo tem sido muito ruim e a justificativa é lógica: ele não sabe desempenhar tal função no sistema tático do Lyon. Garde, vendo que essa maneira de jogar estava refletindo no restante da equipe, parou com a teimosia e começou a revezar Gomis com Lisandro na função de centroavante.

No último fim de semana, por exemplo, o argentino iniciou como titular na partida contra o Nancy, mas após pouco tocar na bola na etapa inicial, foi trocado por Gomis e o francês foi decisivo ao marcar dois dos três gols do Lyon.

Mal comparando, suas características táticas lembram as de Kléber “Gladiador”, atacante que defendeu o Dynamo de Kiev na Ucrânia e hoje veste a camisa do Grêmio. Não enxergo nos dois atletas aquele típico centroavante de área, trombador e empurrador de bola para as redes – como é ‘Bafé’ Gomis – assim como não os vejo cumprindo funções de lado de campo. Basicamente, Kléber e Lisandro são segundo-atacantes, são auxiliares do centroavante, não jogam dentro da área, mas não se afastam dela. Logo, o esquema ideal para ambos seria o 4-4-2 ou o 4-3-1-2 que os possibilitaria uma movimentação mais ampla e sem deixar a grande área vazia.

No caso de Lisandro, onde Rémi Garde não parece querer abrir mão do 4-2-3-1, o ideal seria se encaixar como o homem centralizado da linha de três que se posiciona atrás do centroavante. Porém, Clément Grenier vem despontando como um dos grandes jogadores do Lyon para as próximas temporadas. Desbanca-lo é uma missão árdua, pra não dizer impossível de ser concretizada.

A reinvenção de Lisandro pode passar por uma transferência. A Juventus já demonstrou interesse em seu futebol na metade da atual temporada, mas será que a Vecchia Senhora permanece com essa disposição em contratá-lo? Acredito que não.

O argentino ainda tem lenha para queimar no próprio Lyon, mas essa permanência só será efetivada – entenda-se jogando bem mesmo – se ele colocar a mão na própria consciência e notar o que está fazendo de errado e onde pode evoluir. A função que cumpre dentro de campo é muito específica e poucos times podem fazer com ela faça valer, mas Lisandro não é nenhum craque que possa obrigar técnicos e dirigentes a abrir mão de suas convicções para trazê-lo e montar um novo time.

Caso queira mesmo permanecer no Lyon, clube onde tem uma torcida que o adora, Lisandro López precisa sair da mesmice, trocar experiências até mesmo com os jovens jogadores do elenco e tentar se fixar no time titular da melhor maneira possível, onde não só contribua para o conjunto, mas cresça individualmente também. Essa deve ser a busca do argentino para se reinventar no Lyon.

Fora Benzema (?)

Até onde vai a paciência com Benzema?(Getty Images)

Até onde vai a paciência com Benzema?
(Getty Images)

O nome de Karim Benzema finalmente começou a ser questionado na seleção francesa, infelizmente, pelos motivos errados. O movimento francês Front National (FN), por meio de sua presidente, Marine Le Pen, criticou o atacante do Real Madrid por não cantar o hino nacional antes dos jogos da seleção e cobra a exclusão do jogador nas próximas convocações.

Antes de entrar no mérito das críticas levantadas, vale lembrar que o FN é qualificado como um grupo político de extrema-direita, apesar de Le Pen e outros membros afirmarem que “não são nem de direita, nem de esquerda”. Além disso, o FN tem características neofascistas e de repressão a imigrantes.

Creio que a maioria dos leitores passou a desconsiderar as críticas do FN apenas lendo o segundo parágrafo e com alguma razão, afinal de contas, Karim Benzema é neto de argelinos, apesar de ter nascido e vivido em Lyon boa parte de sua vida.

E convenhamos, os franceses poderiam enumerar diversos motivos que classificam como vergonhosos e antipatrióticos em sua seleção, menos o que foi levantado pelo FN. A baderna na África do Sul, as escolhas “astrais” de Raymond Domenech, a falta de respeito com outros profissionais como Carlos Alberto Parreira do próprio Domenech e por aí vão os inúmeros motivos que você pode escolher.

Cantar o hino é o menor dos problemas. Como o próprio Benzema chegou a dizer, “se marcar três gols, ninguém vai reclamar do fato de não cantar o hino”. Esse nacionalismo nas seleções nacionais não existe mais, essa é a realidade, sem falar da série de regras empíricas que o mundo tenta impor em todos os âmbitos da sociedade. “Não canta o hino, não gosta do país”, “não faz tal coisa, é isso”, “faz tal coisa, é aquilo”, essa tentativa de padronização que há no mundo incomoda e o futebol, que muitas vezes parece ser um mundo novo e diferente, se assemelha ao que vemos diariamente em nossa vida.

Mas olhando para dentro de campo, vale questionar a presença de Benzema na seleção francesa? A convocação, creio que não, mas seu status de intocável no time titular, sim. Como destaquei em outubro de 2012, o atacante tem números ruins pela seleção, principalmente se compararmos com Thierry Henry, principal referência da posição na França na última década.

Aos 25 anos, Henry tinha marcado 16 gols em 45 partidas internacionais, sendo três gols na Copa do Mundo de 1998 e outros três na Eurocopa de 2000. Benzema, que completou 25 anos em dezembro de 2012, fez 55 partidas, mas apenas 15 gols. Seu último tento foi anotado no dia 05 de junho de 2012 contra a Estônia, desde então, o atacante participou de dez jogos – sendo quatro pela Eurocopa – e saiu de campo sem marcar gols em todos eles. Enquanto isso, a maior seca de Henry foi em sua fase descendente e perdura até hoje. Desde o gol marcado contra a Áustria em outubro de 2009, o atacante disputou oito partidas, incluindo duas pela trágica Copa do Mundo de 2010, mas não balançou as redes. Nunca mais foi convocado após a citada competição.

Para piorar o cenário envolvendo Benzema, sua situação no Real Madrid não é das melhores. Após 37 jogos na temporada, o francês balançou as redes em 15 oportunidades, número mais baixo desde seu ano inicial com a camisa madridista, onde fez nove gols em 33 partidas. Aliás, Benzema tem aparecido mais fora de campo – chegou a ser multado por andar em alta velocidade – do que dentro dele, não à toa, Gonzalo Higuaín tem tomado seu espaço no time de José Mourinho.

Benzema se defende das diversas críticas envolvendo essa seca de gols, tanto no clube, quanto na seleção, afirmando que tem criado muitas chances para seus companheiros marcarem, mas quando você é o principal atacante de sua seleção, esse argumento se torna vazio. Seus companheiros é que deveriam criar chances para você e não o inverso.

O técnico Didier Deschamps tem que rever essa situação, afinal, Olivier Giroud e Bafétimbi Gomis pedem passagem. Apesar de não viverem seus melhores momentos – principalmente o atacante do Lyon –, ambos marcaram em amistosos recentes e aparecem como melhores opções para o lugar de Benzema. Deschamps sempre foi um técnico enérgico e nunca pestanejou diante de estrelas, o problema será controlar o nada frio ambiente da seleção francesa caso a exclusão do madridista do time titular cause grandes transtornos.

Mas é uma pena que essa válida discussão sobre a omissão de Benzema em comparação com estrelas do passado venha aparecer por causa de uma crítica política descabida. Se o atacante merece perder espaço na seleção francesa, é pelo futebol apresentado e não por deixar de cantar o hino nacional.

Um jogo com a cara do campeonato

Todo fim de semana estou de olho no Campeonato Francês e admito que o futebol do país não tem uma cara definida para mim. Afinal, como descrever o estilo de jogo de uma nação que possui um campeonato com dez campeões diferentes em vinte temporadas seguidas e que ainda contou com um time heptacampeão neste período? O “Francesão” é um torneio, de certa forma, imprevisível.

É justamente essa a cara que o principal jogo de dezembro na França nos transmite. Paris Saint-Germain e Olympique Lyonnais conseguiram, em um curto espaço de tempo, passar por momentos completamente opostos, o que torna o desafio do próximo domingo uma tarefa inglória de se prever o resultado.

O PSG passava por grave crise há duas semanas, com Carlo Ancelotti e Leonardo tendo seus cargos ameaçados. O italiano falou que faria “mudanças radicais” e de lá pra cá, foram três jogos, um novo esquema tático e 100% de aproveitamento. Enquanto o Lyon, que há pouco tempo era massacrado pelo Toulouse de Ben Yedder, conseguiu se recuperar e disparar na liderança. Porém, com o inesperado empate diante do vice-lanterna Nancy, a história mudou de figura e um tropeço contra a equipe da capital pode resultar em perda da liderança.

Ibra é o artilheiro isolado da Ligue 1

Ibra é o artilheiro isolado da Ligue 1

Para o confronto do domingo, o grande trunfo parisiense é Zlatan Ibrahimović. O sueco está impossível e já balançou as redes em 17 oportunidades. O que serve de alento para a torcida do PSG é que, o que era “Ibradependência” semanas atrás, começa a se tornar conjunto. Ancelotti adotou o 4-4-2 no melhor estilo britânico, com duas linhas de quatro e dois homens na frente, sendo um mais móvel. Essa formatação tática tem dado certo principalmente pela participação mais efetiva de Javier Pastore, Jérémy Ménez e Ezequiel Lavezzi.

El Flaco Pastore, caracterizado como um meia mais cerebral e de posicionamento fixado no centro, passou a jogar na beirada do campo e acordou pra vida. O argentino tem mostrado um futebol ainda não visto em terras francesas, com passes mais vistosos, ágeis e inteligentes. A imprensa francesa notou isso e tem elogiado demais o garoto.

Já Lavezzi e Ménez têm ganhado mais notoriedade pela movimentação. Ambos não se fixam em suas posições e flutuam bastante entre a beirada do campo e a grande área, não só confundindo as marcações adversárias, como auxiliando Ibrahimović. A citada dupla teve parcela considerável nas recentes vitórias.

Lá atrás, nem é preciso comentar muito. Thiago Silva tem sido o maestro e um dos poucos alheios as oscilações que o time tem enfrentado. Ao seu lado, vinha ganhando entrosamento com Alex, mas com a lesão do compatriota no duelo diante do Valenciennes, fica a dúvida do rendimento de Mamadou Sakho, que caiu demais do princípio de temporada pra cá. Nas laterais, Maxwell se fixou como um dos melhores da posição, deixando até a pergunta no ar: por que o PSG corre tanto atrás de outros laterais esquerdos?

Mas não custa reforçar: essa é a impressão do PSG dos últimos três jogos, porque anteriormente víamos muita dependência de Ibrahimović, enorme lentidão e pouca organização. Além disso, os jornais franceses destacavam toda hora algumas “guerras de egos” – supracitada em nosso podcast semanal – que podem resultar em transferências na janela de inverno.

Já o Lyon pode sim ser considerado uma das surpresas do campeonato. Tradição à parte, o clube presidido por Jean-Michel Aulas se enfraqueceu demais nos últimos anos e não conseguiu repor seus principais jogadores com o nível desejado. Estar na liderança com uma equipe formada por muitos pratas da casa é uma surpresa.

Malbranque e Gomis são os grandes nomes do Lyon na temporada

Malbranque e Gomis são os grandes nomes do Lyon na temporada

A cada rodada que passa, os nomes de Maxime Gonalons, Clément Grenier e Alexandre Lacezette se tornam mais conhecidos França afora, todos são crias do Lyon. Até mesmo o veterano Steed Malbranque – que ficou um ano parado -, outro formado no clube, soltou suas manguinhas e é um dos melhores jogadores do campeonato, sendo cogitado até para a seleção francesa. Além destes, Samuel Umtiti, Rachid Ghezzal e Yassine Benzia passam a ganhar espaço com Rémi Garde.

No ataque, a dependência de Lisandro Lopez não é mais tão explícita. O argentino passou algum tempo machucado e a estrela de Bafetimbi Gomis brilhou nesse período. O Predador tem 10 gols no Campeonato Francês – o dobro de tentos que Lisandro anotou -, sendo cinco entre novembro e dezembro.

Protegendo a meta, Remy Vercoutre fez valer toda a confiança imposta por Aulas e tem substituído Lloris a altura. Quem não tem valorizado a força dada pelo presidente é Yoann Gourcuff. O meia até tenta jogar, quando entra em campo colabora bastante, mas seu físico é muito frágil, tanto que só fez oito partidas na Ligue 1, conseguindo completar os 90 minutos apenas duas vezes – o máximo de minutos que jogou até ser substituído foi 74.

Aliás, as lesões tem sido a grande barreira do caminho de Rémi Garde. Além de Gourcuff, nomes úteis como Jimmy Briand e o já citado Clément Grenier também estão no departamento médico. Além disso, Lisandro e Lovren retornam aos poucos de contusão e talvez não atuem por muito tempo.

Esses problemas do Lyon tornam o duelo, de certa forma, mais interessante. Claro que seria melhor assistirmos dois times com forças máximas, mas o contraste das equipes no Parque dos Príncipes será um tanto quanto curioso: de um lado, o Paris Saint-Germain, clube milionário e que busca os jogadores mais caros do mundo a qualquer preço; do outro lado, o Lyon, clube multicampeão na última década, mas que enfraquecido, se vê na obrigação de colher o que plantou em sua horta. Esse é o jogo que deve traçar o futuro das equipes nas próximas semanas, mas o “Francesão” é tão imprevisível que este duelo pode não decidir nada.

*Imagens: Getty Images

Benzema é uma sombra

Benzema está enfrentando uma seca de gols na França (Getty Images)

Se levantarmos dez nomes dos melhores atacantes do planeta, com certeza colocaremos Karim Benzema nesta lista. Obviamente, ele acaba sendo um dos principais jogadores da França, senão o mais destacado. O atacante do Real Madrid tem carregado esse peso ao lado do meia do Bayern, Franck Ribéry. Mas, aparentemente, essa carga tem atrapalhado o jogador merengue.

O último gol de Benzema com a camisa azul da França foi em junho deste ano, contra a Estônia. De lá pra cá, foram oito jogos, entre amistosos, Eurocopa e Eliminatórias para a Copa do Mundo, e nenhum tento anotado. Esses números acabam se tornando mais assustadores se levarmos em conta que o último gol do atacante em partidas oficiais pela França foi em setembro de 2011, contra a Albânia em disputa válida pelas Eliminatórias para a Eurocopa.

Se durante o torneio europeu a desculpa acabou sendo o esquema do então técnico Laurent Blanc, que acabava o deixando isolado no ataque, agora, com Didier Deschamps, essa justificativa não pode ser usada. O novo técnico Bleu já lhe deu alguns companheiros para o setor, como o também centro avante Olivier Giroud e segundo atacante Jérémy Ménez.

A França precisa de Benzema se pelo menos almeja retornar ao caminho vitorioso trilhado no fim dos anos 90 e início dos anos 2000, até porque Deschamps não conta com outro atleta do nível do madridista para a posição. Giroud é uma pequena incógnita e só o tempo que levará a se adaptar ao Arsenal dirá do que será capaz. Gomis não é e nunca será a solução para uma questão de tal representatividade.

Enquanto isso, fora do time, André-Pierre Gignac começa a repetir no Marseille as atuações que fizeram Raymond Domenech levá-lo para a Copa do Mundo de 2010, quando ainda defendia o Toulouse. Gignac tem sido o principal jogador do OM nesse princípio de temporada, com cinco gols em oito jogos no Campeonato Francês.

Há quem diga que sua ausência na seleção se deve ao desentendimento que teve com Deschamps, ainda no Marseille, após uma partida da UEFA Champions League, no final de 2011, mas esse problema é coisa do passado, já que voltou a figurar entre os titulares do time na citada temporada, após a confusão.

A boa fase de Gignac não pode ser considerada uma ameaça a Benzema, que só ficará de fora da seleção se Deschamps tiver algum tipo de ataque cerebral que afete sua capacidade de analisar futebol com o mínimo de propriedade, mas não é exagero imaginar que o atacante do Real Madrid amargue um banco de reservas.

O que estamos vendo nas recentes atuações de Benzema pela seleção francesa é apenas uma sombra do que é realmente capaz. Ele faz quase tudo certo, os domínios, os passes, os posicionamentos, mas vem pecando no ponto fundamental de sua função: a finalização. É só outro atacante começar a marcar gols que o madridista perde seu espaço.

Presença nas convocações desde 2006, Benzema já tem 53 atuações pela seleção principal da França, mas fez apenas 15 gols, ou seja, um gol a cada 318 minutos – três partidas e um tempo. Visando os torneios de seleções, que são de tiro curto, esse tempo sem balançar as redes prejudica demais, como vimos na última Eurocopa. Esses números ficam mais preocupantes principalmente se traçarmos um paralelo com a grande referência da posição nos últimos anos: Thierry Henry. O jogador do New York Red Bulls fez 51 gols em 123 partidas, um gol a cada duas partidas e quase um tempo.

Aos 24 anos, idade de Benzema, Henry já tinha 11 gols em 32 jogos pela seleção francesa, com um espaçamento de tempo entre os gols parecido, um tento a cada quase três jogos completos. A diferença fundamental era que Henry já havia ganhado uma Copa do Mundo – para defender Benzema, ele ficou de fora, injustamente, da edição de 2010 – e uma Eurocopa, acumulando cinco gols nas duas competições.

E que não venham com papo de “pressão exacerbada”. Mesmo aos 24 anos, Benzema se acostumou a enfrentar momentos que poucos teriam a coragem de encarar. O atacante ajudou o Lyon a se manter no topo do futebol francês por sete anos e hoje é titular de um dos grandes times da Europa. Ser o líder da seleção de seu país é mera consequência do que tem apresentado em Madrid.

Nesta semana, a França irá reencontrar a Espanha, algoz na Eurocopa disputada na Ucrânia e na Polônia. Mais do que nunca, uma atuação decente de Benzema será necessária, ainda mais com o panorama que espero do jogo. A posse de bola, a pressão, as chances de gols… Tudo será espanhol. Os franceses vão se preocupar em defender demais e atacar uma vez ou outra. E é aí que se inicia o papel do protagonista deste post. Provavelmente, ele receberá poucas bolas e terá de aproveitar as que vierem mandando para dentro.

E esse recado vale para as demais partidas da seleção francesa. Benzema precisa acordar e começar a marcar gols, caso contrário, a seca de títulos continuará afetando o país. A carga não pode ser depositada somente em Ribéry, ela tem de ser dividida e enquanto algumas brigas de egos insistem em atrapalhar o ambiente do time, o tranquilo Benzema deverá assumir a bronca, coisa que não anda acontecendo.