Le Podcast du Foot #94 | Os caras do ano na França

2018 foi, definitivamente, um ano especial para o futebol francês. Foi esta a temporada em que a França voltou a erguer uma Copa do Mundo, a segunda de sua história. Foi também o período em que voltamos a ver uma equipe do país a chegar a uma decisão europeia. O Marseille, porém, ficou sem a taça, mas valeu a campanha histórica na Liga Europa. No futebol feminino, vimos o Lyon emplacar a melhor jogadora e o melhor treinador do planeta. Enfim, rolou muita coisa que colocaram os franceses em evidência.

Para homenagear as pessoas que fizeram o ano de 2018 ser mais do que marcante, a turma de Le Podcast du Foot se reuniu e escolheu os nomes de destaque da temporada, entre atletas e treinadores franceses ou que atuam na França. Eduardo Madeira comandou a edição #94 ao lado de Filipe Papini e Renato Gomes.

Ouça abaixo o programa:

Le Podcast du Foot #67 | Rumo à Rússia (?)

Foto: Divulgação / FFF

Líder do Grupo A das Eliminatórias Europeias para a Copa do Mundo, a França está perto do Mundial da Rússia, em 2018. Só que os últimos dois jogos deixaram uma pontinha de dúvida na cabeça do torcedor: afinal, qual o real poder de fogo dos Bleus?

Diante de uma desesperada Holanda, que precisava do resultado para se manter viva na luta pela vaga na Copa, o selecionado francês, do técnico Didier Deschamps, se sobressaiu e goleou por 4 a 0, mas diante da inexpressiva seleção de Luxemburgo, fraquejou e empatou sem gols.

O cenário francês após essas duas partidas foi debatido na edição #67 de Le Podcast du Foot. Eduardo Madeira conduziu o programa, que contou com as participações de Filipe Papini, do blog C’Est Le Foot, e Renato Gomes, do Centrocampismo.

Clique no player abaixo e ouça o programa!

Le Podcast du Foot #58 – O vice da França

aurelien durand

Foto: Aurélien Durand/FFF – Matuidi é consolado após derrota na final

O esperado terceiro título europeu não veio e a França precisou se contentar com o vice da Uefa Euro 2016. Mesmo jogando diante de seu torcedor, os Bleus pararam na seleção portuguesa, que pela primeira vez na história ergueu o principal troféu do continente europeu.

A França, comandada por Didier Deschamps, teve como grande pilar Antoine Griezmann. Artilheiro do torneio com seis gols, o atacante do Atlético de Madrid ainda foi eleito o principal jogador da competição. Além disso, os Bleus tiveram campanha praticamente impecável. Foram cinco vitórias e dois empates – contabilizando o empate da decisão, já que a partida foi definida na prorrogação.

Entretanto, estes fatores não impediram a seleção das críticas. Desempenho ruim, decisões contestáveis de Deschamps e atuações decepcionantes de Paul Pogba foram alguns dos temas que geraram questionamentos durante a competição.

Enfim, a Euro deixou perguntas e respostas no ar e Le Podcast du Foot, em sua edição #58, debate muitas delas. O programa teve apresentação de Eduardo Madeira e comentários de Filipe Papini e Renato Gomes, além de um drop de Bruno Pessa.

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Sem título

Deschamps: Coerente e incoerente na mesma lista

Foto: Sportsfile - Destaque nas seleções de base, Griezmann terá primeira oportunidade nos Bleus

Foto: Sportsfile – Destaque nas seleções de base, Griezmann terá primeira oportunidade nos Bleus

A Copa do Mundo vai se aproximando e Didier Deschamps, assim como muitos técnicos, ainda não sabe que plantel trará ao Brasil para defender a França na disputa da competição. O francês, aliás, vive um dilema curioso. Faltam-lhe defensores mais seguros, assim como centroavantes mais regulares, mas lhe sobram meio-campistas e meias-atacantes habilidosos e modernos.

A prova desta “gordura” na faixa central foi comprovada nesta quinta-feira, 27, na convocação para o amistoso contra a Holanda, que acontece no próximo dia 5. O jovem Antoine Griezmann, de apenas 22 anos, da Real Sociedad, foi convocado pela primeira vez para a seleção, justamente nos preparativos derradeiros para a Copa do Mundo.

Não existem dúvidas quanto ao merecimento desta convocação. Em 23 jogos no Campeonato Espanhol, Griezmann fez 15 gols e deu quatro assistências. O francês já participou de 38 partidas na temporada, 34 como titular, sendo que, dos quatro como reserva, três foram na Copa do Rei, jogos em que, teoricamente, jogadores de poucos minutos ganham chance de jogar.

Os números desta temporada já são superiores aos da temporada passada, quando ajudou a Sociedad a chegar à Liga dos Campeões da Europa. Foram 35 jogos, 11 gols e cinco assistências.

O menino vem crescendo ano pós ano e podemos considerar nome certo para a disputa da Eurocopa de 2016, principalmente porque Franck Ribéry e Mathieu Valbuena, dois dos meias-atacantes mais habilidosos da França, já serão ‘trintões’. Uma apresentação acima da média diante da Holanda poderá representar o carimbo do passaporte para o Brasil. E a chance de isto acontecer não está nem perto de ser pequena.

Incoerência I

Mas se Deschamps foi coerente ao chamar Griezmann, o mesmo não pode ser dito quanto à convocação de Lucas Digne. O lateral é um dos jovens mais promissores da França, mas a reserva no Paris Saint-Germain não deveria lhe credenciar a uma vaga na Copa do Mundo.

Maxwell sobra na posição na capital parisiense. Seguro na defesa e importantíssimo no apoio ao ataque, principalmente como elemento-surpresa, o brasileiro não oferece grandes chances a Digne. O francês revelado pelo Lille, em contrapartida, ainda não disse a que veio. Foram apenas 13 jogos na temporada (1185 minutos).

Como se não fosse o bastante, o garoto de 20 anos não consegue ser eficaz na sua especialidade, que é a subida ao ataque. Pior ainda: tem mostrado fragilidade imensa na defesa. O lance mais marcante foi na última partida do primeiro turno do Campeonato Francês, curiosamente diante do ex-clube, o Lille. Digne, de forma afoita, derrubou Franck Béria na área e cometeu o pênalti que resultou no segundo gol do time do norte francês (partida que acabou empatada em 2-2).

Para tomar como parâmetro e constatarmos a fragilidade defensiva de Digne, basta notar que, segundo o “WhoScored” nos nove jogos que participou no Campeonato Francês, fez apenas seis faltas. Porém, Maxwell, com o dobro de jogos, fez a mesma quantidade.

Digne é o lateral do futuro da França e do próprio PSG. Maxwell não é mais garoto e é difícil imaginar que vá jogar mais do que tem jogado nas últimas duas temporadas. Deschamps deixou a coerência de lado ao convocar o defensor reserva do Paris neste momento. O velho ditado diz que “a paciência é uma virtude”, e se DD espera ficar mais tempo no cargo atual, precisava aguardar um pouco mais para chamar Digne.

Foto: ASM.fr - Kurzawa não foi lembrado por Deschamps

Foto: ASM.fr – Kurzawa não foi lembrado por Deschamps

Além do mais, se a intenção era trazer um jovem para a lateral-esquerda, Deschamps tinha a solução: bastava apostar em Layvin Kurzawa. Um ano mais velho que Digne, o defensor do Monaco é uma das gratas surpresas da temporada francesa. Já foram 26 partidas na temporada (25 como titular), com cinco gols e duas assistências.

Apresentando características semelhantes a do atleta do PSG (força ofensiva), mas com robustez na marcação e força no jogo aéreo, Kurzawa tem a segunda melhor média do elenco monegasco no Campeonato Francês, apontado pelo site “WhoScored”, atrás apenas de Jérémy Toulalan. No ranking da liga feito pelo mesmo portal, o lateral surge entre os cinco jogadores (de todas as posições) de melhor média.

Muitos o colocam, com justiça, como melhor lateral-esquerdo do Campeonato Francês.

A justificativa de que a não convocação teria se dado pela presença de Kurzawa na seleção Sub-21 não cola, principalmente porque o monegasco é mais velho que Digne. É óbvio que participar das seleções de base é importante na formação do atleta, principalmente àqueles que já estão nos profissionais e tem a síndrome do “estrelismo”, mas chega a ser um crime convocar um lateral reserva enquanto outro voa.

Incoerência II

Foto: Reuters - Gignac não foi convocado para enfrentar a Holanda

Foto: Reuters – Gignac não foi convocado para enfrentar a Holanda

Mas o crime maior de Deschamps foi deixar André-Pierre Gignac, do Olympique de Marseille, de fora desta convocação. Não existem dúvidas que ele é o segundo melhor centroavante francês da atualidade, atrás apenas de Karim Benzema. São 18 gols em 33 partidas para ‘Dedé’, números superiores aos de Olivier Giroud (36 jogos e 16 gols) e Loïc Remy (23 jogos e 12 gols), centroavantes convocados junto de Benzema (35 jogos e 20 gols).

Se fosse apostar meu dinheiro, diria que Gignac não tem mais chances de ir à Copa. A próxima convocação já será a definitiva e o atacante do Marseille nem ao menos teve chances de jogar por muito tempo com DD. ‘Dedé’ atuou somente meia-hora no medonho empate sem gols diante da Geórgia, ainda pelas Eliminatórias para a Copa do Mundo. Muito pouco para um atacante que já acumula 36 gols nas últimas duas temporadas.

O que leva Deschamps a não convoca-lo? Honestamente, não sei. Seria a rixa que os dois tiveram nos tempos de Marseille? O temperamento do atacante? Ou DD, pura e simplesmente, acredita que os atacantes que convoca são melhores que Gignac?

No começo do ano já destrinchei o assunto e clamava por uma convocação do atacante do Marseille. Hoje me dou conta que Deschamps tem suas convicções, e não consigo concordar com elas. DD não consegue agradar a todos, principalmente quando consegue ser coerente e incoerente na mesma medida.

Pílulas da convocação

– Tá certo que o principal motivo da ausência de Mickäel Landreau é a lesão que sofreu na partida diante do Olympique de Marseille, mas não dava para ignorar as ótimas temporadas de Stéphane Ruffier. Porém, não creio que tenha vindo pra ficar;

– Apostar de novo em Elaquim Mangala foi uma bola dentro de Didier Deschamps. Com Adil Rami tentando se reafirmar na carreira e Eric Abidal sem convencer na seleção, a virtude do zagueiro do Porto pode ser uma cartada interessante para o elenco da Copa;

– Porém, o mesmo Mangala preocupa na questão dos cartões. Em 31 jogos na temporada, o defensor viu o cartão amarelo dez vezes;

– Vejo com bons olhos a insistência em Rio Mavuba. Deschamps tem investido muito em volantes técnicos e de boa saída de jogo. Ter alguém de estilo diferente no banco tem lá sua utilidade;

– Além disso, Mavuba, que fará 30 anos no próximo dia 8, tem espírito de liderança e é jogador “bom de grupo”. Não é craque, muito menos midiático, mas pode ser muito importante no ambiente francês;

– Deschamps precisa explicar a presença de Dimitri Payet entre os convocados. Sete gols e seis assistências em 33 jogos é muito pouco para um jogador que veio bem gabaritado para o Marseille e começou o Campeonato Francês com três gols em dois jogos;

– Para ver que a corneta não é infundada, Alexandre Lacazette, do Lyon, com 18 gols e seis assistências em 38 partidas, merecia muito mais que o jogador do Marseille;

Mundial Sub-20: Você vai ouvir falar

Depois de fazer dois posts falando sobre jogadores europeus que se destacaram no Mundial Sub-20, o Europa Football prepara agora um post especial com jogadores que despontam como possíveis destaques de suas seleções europeias no Mundial Sub-20 que se inicia na próxima sexta-feira, na Colômbia.

Vamos a eles!

Áustria – Andreas Weimann (Aston Villa)

Andreas Weimann é o jogador mais badalado da Áustria

Do elenco austríaco, certamente Weimann é o jogador mais badalado. Ele está no Aston Villa desde a temporada 2007/08, mas nunca jogou com tanta regularidade. Isso ele conseguiu na última temporada, quando foi emprestado para o Watford e disputou a segunda divisão inglesa. Weimann disputou 18 partidas nos Hornets e anotou 4 gols. Na temporada que está perto de se iniciar, ele retorna ao Aston Villa e pode receber mais oportunidades. Weimann é atacante e fará 20 anos no dia 5 de agosto.

De olho em… Djuricin, atacante do Hertha Berlin, que mesmo não tendo a badalação de Weimann, é uma peça de grande importância da Áustria. De olho também no defensor do Rapid Viena, Michael Schimpelsberger, que é titular nas seleções de base da Áustria desde o Sub-17. Ele é o mais velho do time e por isso carrega a tarja de capitão.

Croácia – Mario Ticinovic (Hajduk Split)

Ticinovic foi o jogador mais jovem a assinar contrato com o Hajduk Split, clube da Croácia. Não à toa, ele é chamado de “Nedved croata”. Não sei se chega a tanto, mas de fato, ao vê-lo em campo, nota-se grande técnica e inteligência dentro das quatro linhas. Ticinovic, que já é o maestro do Hajduk Split, certamente será um dos “cabeças” da Croácia no Mundial. Junto com Ozobic, do Spartak Moscow, será um dos extremos da equipe. Ele vestirá a 11 e completará 20 anos no dia 20 de agosto.

De olho em… Matej Delac, uma das grandes promessas do futebol europeu para goleiro. Aos 16 anos era titular do Inter Zapresic e após boa participação na Euro Sub-19, foi comprado pelo Chelsea. De olho também em Pamic, principal referência ofensiva do time croata.

Espanha – Sérgio Canales (Real Madrid)

Esse já é mais conhecido. Canales despontou como grande destaque no Racing Santander, há duas temporadas. Após fazer um caminhão de gols e chamar a atenção de meio mundo, foi comprado pelo Real Madrid. Lá, Canales perdeu espaço e jogou pouco, sem falar da Euro Sub-19, onde foi pouco decisivo. O Mundial Sub-20 será a grande chance do meia atacante trazer os holofotes de volta pra si e mostrar para José Mourinho que merece mais oportunidades no time titular do Real Madrid. Canales vestirá a 10 e tem 20 anos.

De olho em… Oriol Romeu, mais uma cria do Barcelona (não precisa dizer mais, né?), só que não vestirá a camisa azul grená, pois recentemente foi contratado pelo Chelsea. Olho também em Dani Pacheco, jogador do Liverpool. Ele se destacou na última Euro Sub-19 e usará o Mundial Sub-20 para chamar a atenção do treinador do Liverpool, Kenny Dalglish, que usa muitos jovens em seu time.

França – Antoine Griezmann (Real Sociedad)

Griezmann é dotado de grande técnica

Griezmann foi uma das peças mais importantes da Real Sociedad na última temporada. O garoto participou de 37 dos 38 jogos da equipe e conseguiu até cavar uma vaguinha na seleção principal de Laurent Blanc. Na última Euro Sub-19, Griezmann foi o maestro do meio campo francês e um dos destaques do torneio. Olho nesse garoto! Esse sim tem um futuro imenso pela frente. Les Bleus agradecem! Griezmann vestirá a 11 e tem 20 anos.

De olho em… Gael Kakuta, que é aquele famoso atacante que se envolveu na transação Lens-Chelsea e que proibiu os Blues de negociarem por um tempinho. Polêmica à parte, Kakuta mostrou na última Euro Sub-19 muita técnica e habilidade. Vale ficar observando. De olho também em Lacazette, atacante de 1m74, mas muito veloz e envolvente em seus dribles. Na última Euro Sub-19, quase sempre entrou no decorrer dos jogos, mas sempre sendo decisivo.

Inglaterra – Dean Parrett (Tottenham)

Cria do Tottenham, o meio campista Dean Parrett vive andando de clube em clube, sempre emprestado pelos Spurs. Na última temporada, Parrett esteve no Plymouth Argyle e no Charlton. Somando os jogos pelas duas equipes, ele esteve em campo em 18 oportunidades, tendo marcado dois gols. É esperar pra ver mais desse garoto, pois como cansamos de saber, são poucos os clubes ingleses que dão oportunidades para esses garotos. Parrett vestirá a 15 e tem 19 anos.

De olho em… Matt Phillips, jogador do Blackpool e que ganhou minutos importantes na última temporada, tendo jogado bastante pelos Tangerines.

Portugal – Roderick (Benfica)

Roderick comanda a defesa lusa

Roderick é considerado o mais promissor defensor do futebol português. Ele mostra qualidades como senso apurado de marcação e bom posicionamento. Até por isso ele é sempre observado pelos técnicos que passam pelo Benfica, embora jogue pouco pelo clube. Devido a sua experiência nas seleções de base, receberá a tarja de capitão de Portugal, que sonha com um eventual tri-campeonato mundial. Roderick vestirá a 5 e tem 20 anos.

De olho em… Nélson Oliveira, do Benfica, que é apontado por muitos como um sucessor de Pauleta. Na base benfiquista, ele anotou 59 gols em 60 jogos, números impressionantes.

*Só pra constar, darei meu palpite pro título: França. Sei que esses torneios sub alguma coisa sempre mostram surpresas e equipes que nem imaginávamos ter times de base surpreendem, mas essa geração da França é muito forte.