Faltou sorte

Reus no banco: erro ou azar de Klopp?(Getty Images)

Reus no banco: erro ou azar de Klopp?
(Getty Images)

Nas duas derrotas para o Schalke 04 na atual temporada do Campeonato Alemão, o técnico do Borussia Dortmund, Jürgen Klopp, tomou decisões controversas. No primeiro turno, o atual bicampeão nacional veio a campo com três zagueiros e perdeu em casa por 2×1. Mais recentemente, no duelo realizado neste sábado (09), Klopp decidiu deixar Marco Reus, principal contratação do time na temporada, no banco de reservas e viu sua equipe ser novamente derrotada pelo mesmo placar do turno inicial.

A diferença entre as duas decisões de Klopp está na intenção do técnico, por isso, considero que ele errou no primeiro turno, mas levou azar no segundo.

No duelo realizado no Signal Iduna Park, a ideia do 3-5-2 foi totalmente descabida. Jürgen Klopp tentou utilizar um esquema que não havia usado antes, a não ser em jogos que partiu para o desespero e que a organização não valia muita coisa. Em um confronto importante e na época em que o campeonato poderia ficar aberto, ousar dessa maneira foi um erro brutal, afinal, utilizar três zagueiros era uma opção sem fundamento.

Já no duelo mais recente, Klopp tinha uma ideia fundamentada para colocar Reus no banco e iniciar a partida com Kevin Grosskreutz entre os titulares: neutralizar o lado direito do Schalke 04. Os Azuis Reais vinham motivados desde o empate com o Galatasaray pela UEFA Champions League, resultado que deu um gás para o time, além disso, jogavam em casa e partiriam para cima. Logicamente, o Schalke usaria seu lado mais forte, que é o direito de Farfán e do ofensivo lateral Uchida. A entrada de Grosskreutz era para brecar essas ações ofensivas e ajudar Schmelzer na marcação. Isso sempre foi normal, o que espantou foi a saída de Reus e não a de Kuba, que era mais rotineiro.

Obviamente, a entrada de Grosskreutz daria um decréscimo ofensivo, técnico e criativo ao Borussia Dortmund, mas acrescentaria na defesa. Convenhamos, para quem tem Gündoğan, Götze, Kuba e Lewandowski no ataque, um reforço na marcação em troca de força ofensiva não seria uma perda tão sentida.

Porém, o que vimos em campo foi uma superioridade do Schalke, jogando por terra a mexida de Klopp. Farfán e Uchida ‘engoliram’ Schmelzer e Grosskreutz, não à toa, a jogada dos dois gols saíram no setor da dupla amarela. Na volta do intervalo, Klopp se viu obrigado a mexer no time e sacou Grosskreutz e Hummels – que fez outra partida ruim, mostrando estar com forma física ruim – colocando Reus e Şahin. O BvB melhorou em campo e foi superior na etapa final, mas não significa nada se levarmos pro campo da especulação de um possível início nesse sistema tático.

A estratégia inicial foi boa? Sim. Era a ideal? Há controvérsias. O fato é que o Schalke jogou melhor e soube explorar as deficiências do Borussia Dortmund, como a exposição dos zagueiros – impressionante como Bender tem jogado mal – e, claro, a já citada atuação ruim de Grosskreutz e Schmelzer.

É possível que Jürgen Klopp chame para si a responsabilidade, tome a culpa pela derrota e coloque a superioridade azul em cima da mexida que fez, mas eu não o crucifico. A entrada de Reus desde o início não significa que o resultado positivo viria, mas a sua ausência era bem fundamentada. O fato é que no primeiro turno, Klopp inventou e errou feio, neste sábado não foi invenção, mas algo premeditado. Levou azar, acontece, não o crucifico como no primeiro turno.

TOP 7: Dortmund bicampeão!

Após bater o Borussia Mönchengladbach por 2×0 neste sábado, o Borussia Dortmund se sagrou bi-campeão alemão. Foi à oitava vez que o time aurinegro conquistou o maior torneio da Alemanha. Se no último ano eu levantei os sete jogos chave para aquela conquista, desta vez falarei dos sete motivos que resultaram neste novo título.

– Aprendendo a jogar feio

Mesmo jogando mal, o BVB conquistou algumas vitórias (Reuters)

Quem se acostumou a ver o Borussia Dortmund da temporada passada, notou um time de toque de bola envolvente, jogo intenso e muita técnica. Não foi o caso do atual time ter perdido todas essas características, mas em alguns jogos o BVB precisou jogar feio para vencer, como nos duelos contra Hertha Berlin, Bayer Leverkusen e Werder Bremen, onde o futebol apresentando pelos comandados de Klopp foi abaixo do esperado. Na temporada anterior, qualquer jogo em que o Dortmund não conseguisse encaixar seu estilo técnico ia pro buraco.

– Götze

Quando Mário Götze se machucou no final de 2011, tudo parecia acabar para o Borussia Dortmund. Na época da lesão, o time estava jogando muito mal e só o garoto de 19 anos ia se sobressaindo, mas quando ele foi para no estaleiro, justamente o contrário começou a acontecer. O BVB passou a jogar bem sem o camisa 11 e acabou se tornando “independente” dele. Kuba, seu substituto, entrou e arrebentou. Kagawa – tema de um tópico seguinte – também se achou na temporada. Não que a saída de Götze tenha feito bem ao Dortmund, mas a sua ausência pôde mostrar aos demais

– Bons reservas

Um dos problemas da temporada passada do Borussia Dortmund era justamente o banco de reservas. Existiam poucas opções que realmente poderiam decidir jogos vindos da suplência. Isto mudou nos dias atuais. Kevin Grosskreutz e Ivan Perisic se revezavam na meia-esquerda, dependendo da ocasião e proposta de jogo, Jürgen Klopp escolhia um ou outro. Na zaga, Felipe Santana sempre entrou bem e chegou a marcar no clássico diante do Schalke. No 2º turno, Ilkay Gündogan finalmente justificou o investimento e proporcionou uma boa disputa de posição com Sven Bender. Essa variação só ajudou Klopp, que conseguiu ter uma base forte, mas podendo fazer mexidas objetivas!

– Poloneses

Piszczek, Lewandowski e Kuba tiveram boa dose de importância na conquista da Salva de Prata

Na temporada passada, o polonês Lukasz Piszczek já havia sido um dos destaques do Borussia Dortmund na lateral-direita, atuando sempre com regularidade e surgindo bem como uma válvula de escape, mas no bicampeonato ele viu dois conterrâneos lhe darem uma forcinha: Jakub Blaszczykowski e Robert Lewandowski. O primeiro está há muito tempo em Dortmund e sempre foi um reserva atuante, mas com a lesão de Götze, Kuba, como é carinhosamente chamado, ganhou mais oportunidades e foi muito bem. Podemos dizer que ele vive o melhor momento da carreira! Já Lewandowski usou a primeira temporada como adaptação e a segunda para deslanchar. Com Barrios contundido e demorando a voltar à velha forma, Lewangoalski tomou conta da posição e anotou 20 gols na Bundesliga, se tornando o artilheiro da equipe.

– Crescendo nos grandes jogos

Claro que nos torneios de pontos corridos deve-se vencer a maior quantidade de times possíveis, só que às vezes é mais importante derrotar os concorrentes diretos do que os times de meio de tabela. O Borussia Dortmund de Jürgen Klopp passou com êxito nesse quesito. Diante de Bayern, Schalke e Gladbach – 2º, 3º e 4º colocados, respectivamente -, o BVB somou 16 dos 18 pontos possíveis. Apenas um empate com os Potros mudou essa seqüência, que não deixa de ser ótima e mostrando ser um dos grandes fatores para esta conquista.

– Kagawa

Shinji Kagawa perdeu quase todo o 2º turno da temporada passada, mas não fez tanta falta como no início desta edição da Bundesliga, quando curiosamente estava inteiro fisicamente. O japonês iniciou a competição jogando muito mal e amargando até o banco de reservas. Chegou 2012 e com o ano novo veio o “futebol velho” de Kagawa, que passou a ser “O Cara” do Dortmund. A evolução do japonês foi tão grande que não é exagero algum dizer que ele é o melhor jogador da Bundesliga. Nove dos treze gols do japonês foram no 2º turno da competição!

– Jürgen Klopp

Klopp recebeu o tradicional banho de cerveja dos campeões (BVB.de)

Grande mentor deste novo momento do clube, Jürgen Klopp merece boa parte dos méritos possíveis desta nova conquista do Borussia Dortmund. Paizão, o treinador de 44 anos foi quem se livrou de veteranos inúteis, trouxe jovens de valor e soube mesclar com experientes bons de bola, como Roman Weidenfeller e Sebastian Kehl. Não tem como não dar méritos ao e toda sua comissão técnica e diretoria. É difícil imaginar, na Europa inteira, talvez até no planeta todo, um treinador que tenha uma relação tão afetiva com elenco e torcida como Jürgen Klopp.

Parabéns ao Borussia Dortmund e sua imensa torcida pelo bicampeonato alemão!

Uns aprendem, outros desaprendem

Lahm sabe que o Bayern precisa convencer (Reuters)

Para se conquistar um campeonato, não basta jogar bem. Jogar bem não é sinônimo de vitórias. Por isso, de vez em quando, é muito bom “jogar feio”, alçar bolas na área, ir pra “empurrança”, enfim, vencer de uma maneira não tão “plástica”.

O Bayern de Munich cansou de fazer isso em temporadas anteriores. Os bávaros muitas vezes só incomodavam os adversários que estavam na sua frente na tabela de classificação após conquistarem vitórias truculentas e de placares magros. Já o Borussia Dortmund de Jurgen Klopp nunca foi disso. Sempre jogou bem, bonito e vistosamente. Não à toa, o momento de maior instabilidade na vitoriosa última temporada foi quando o time passou a jogar mal e por isso, os resultados não chegavam.

Mas este início de 2012 tem sido diferente!

O Borussia Dortmund ainda não perdeu em 2012 e embora tenha mostrado um futebol vistoso e muito bom em alguns jogos – como na vitória sobre o Hamburgo na Nordbank Arena -, o time caiu de produção nas últimas rodadas e bateu Nüremberg, Bayer Leverkusen e Hertha Berlin jogando abaixo do esperado e obtendo placares apertados.

Já o Bayern de Munich vive uma pequena crise. Robben é criticado por todos os lados, Müller segue sendo titular indiscutível, mesmo jogando muito mal e as lesões vão dando enormes dores de cabeça a Jupp Heynckes. O resultado disso tudo estão nos resultados, que não tem sido positivos e vão derrubando o time bávaro na tabela de classificação da Bundesliga.

De "puxeta", Grosskreutz deu a vitória ao Dortmund em Berlin (DPA)

Jurgen Klopp conseguiu fazer o Borussia Dortmund jogar mal e vencer. O grande exemplo é Kevin Grosskreutz. Tecnicamente, o camisa 19 nunca encheu os olhos, mas talvez seja o jogador mais tático do futebol alemão. E é justamente Grosskreutz, que dentre nomes como Kagawa, Barrios e Lewandowski, tem decidido jogos como o do último sábado, diante do Hertha Berlin.

Esse aprendizado – se é que podemos chamar de “aprendizado” jogar mal e vencer – pode ser o caminho para transformar o Dortmund de Klopp é um verdadeiro time campeão. A equipe precisa superar as adversidades e perceber que nem sempre dará pra jogar o máximo, tendo enfim, que vencer de forma truculenta.

Já o Bayern se perdeu deste caminho. No último sábado, encarou um agora organizado Freiburg – méritos para o novo técnico do time, Christian Streich – e não mostrou nenhuma alternativa eficaz para furar a defesa adversária. Ribéry agiu em lances esporádicos, Müller foi a velha peça nula, enquanto Robben – que atuou apenas no 2º tempo – desperdiçou a maioria das chances que teve.

Falta de Schweinsteiger? Talvez sim, mas não creditaria o mau futebol bávaro à ausência de Schweini. Não custa lembrar que a cria bávara já terminou 2011 machucado, voltou neste ano, mas jogando muito mal e novamente se contundiu. O Bayern já está acostumado a jogar sem ele.

Muitos fatores podem ser creditados a esta má fase. Um destes fatores é a enorme pressão que o time vem sofrendo, outro fator é o fato de alguns times já terem pegado a manha de jogar contra o time de Heynckes – qualquer time com uma marcação adiantada e relativamente forte, já pára o Bayern -, além, é claro, das intermináveis más fases de Robben e Müller.

Ribéry briga muito, mas também caiu de produção (Getty Images)

O resultado disto tudo é a ausência do bom futebol e dos resultados também. Dortmund e Mönchengladbach, outrora abaixo dos bávaros na tabela de classificação, hoje estão acima e ainda tem o Schalke logo abaixo.

Chega a ser cômica a situação das duas equipes. O BVB acostumado a jogar bem e de forma vistosa nos últimos anos, agora vence seus duelos jogando mal, enquanto o Bayern, outrora time que na “hora H” sabia o que fazer para se virar, hoje desconhece o caminho das pedras.

Mas fica a pergunta: o Bayern, com um elenco recheado de estrelas, voltará a mostrar o futebol eficiente? E o Dortmund? Tem consciência de que “jogar mal e vencer” geralmente tem prazo de validade? Bom, só o tempo dirá!