Kagawa volta a brilhar!

O Borussia Dortmund teve uma atuação de gala diante do Hamburgo. O 5×1 não foi só mérito de uma grande atuação coletiva do time aurinegro, mas também da partida quase perfeita do japonês Shinji Kagawa.

No muito bem dividido 4-2-3-1, Kagawa conseguiu flutuar pelo campo com tranquilidade. Coisa rara de se ver em qualquer jogador que atue em um time que adote o esquema citado anteriormente. Claro que a organização do time de Jurgen Klopp e o entrosamento do japonês com Grosskreutz ajudou, mas as confusas duplas de volantes do Hamburgo – foram duas duplas nos 90 minutos – ajudaram bastante…

No confronto do último domingo, tanto Hamburgo, quanto Dortmund, atuaram no 4-2-3-1

O japonês já teve boas atuações nesta temporada. A maioria, abaixo das séries de dribles, passes e finalizações vistas na primeira metade da vitoriosa temporada passada. Mas neste domingo, Kagawa conseguiu mostrar seu verdadeiro futebol. Foi a melhor atuação do japonês na atual temporada. Os defensores do Hamburgo ainda devem estar procurando o camisa 23 do Dortmund.

Mas voltando a falar das táticas: o time aurinegro entrou em campo no 4-2-3-1, que sem a bola virava um 4-4-2, com Kagawa ajudando Lewandowski na marcação da saída de bola. O polonês marcava o lado esquerdo, enquanto o japonês cuidava do lado direito.

Defensivamente, os laterais do Borussia Dortmund se comportaram bem. Tanto Piszczek quanto Schmelzer subiram pouco pro ataque e se preocuparam mais em guardar posição. Mas o que tornou o lado do lateral polonês como fonte de ataques do Hamburgo foi a falta de apoio defensivo. Na esquerda, Grosskreutz sempre acompanhava Diekmeier e não deixava Schmelzer no mano-a-mano. No lado oposto, Kuba seguia Aogo até a intermediária e por lá ficava, deixando seu compatriota, Piszczek, de mãos atadas.

 No mais, nenhum problema defensivo.

Ofensivamente, a movimentação foi a palavra chave do Dortmund. Kuba era o mais fixo – se somarmos isso com a pouca presença defensiva, diriamos que a atuação do polonês foi ruim, mas passou longe disso – no lado direito, sempre aproveitando o espaço que havia entre Dennis Aogo e Heikko Westermann. Kagawa jogava centralizado e buscava a aproximação no centro-avante Lewandowski. O japonês sempre caia pela faixa esquerda do campo. Isso geralmente acontecia quando Kevin Grosskreutz vinha pra dentro, abrindo um corredor em seu lado. Nunca sobrava um espaço do campo sem alguém de amarelo!

Robert Lewandowski foi o único centro-avante, porém, não estava isolado. Os meias sempre encostavam e o polonês não ficava fixo na área.

Muitas vezes, Kagawa agia como segundo atacante, atuando ao lado de Lewandowski

Se sobrou movimentação no meio campo do Borussia, faltou no do Hamburgo!

A começar pelo erro do técnico Thorsten Fink, que colocou Tesche como meia armador. O camisa 13 é volante e criou muito pouco na nova função. Não à toa, Fink teve de reposicioná-lo após o intervalo – coisa que veremos mais tarde.

Na defesa, muito espaçamento, mas muita lentidão. Bruma e Westermann, dupla de zaga, até que estavam atuando próximos um do outro, mas Aogo e Diekmeier ficavam muito abertos e distantes dos demais defensores. A saída de bola ficava restrita aos volantes Kacar e Rincón, mas ambos abusaram dos erros de passe. A marcação do Dortmund era avançada, mas não era muito forte. Mas como a saída de bola do HSV era obrigatoriamente dos volantes, ficou fácil marcá-la.

Os meias também pouco fizeram pra auxiliar. Jansen e Lam não chegaram perto do meio campo e seus toques na bola só aconteciam quando recebiam no pé, e não quando buscavam jogo. Tesche estava perdido na função de armador.

Somada a essa desorganização e falta de conjunto, o resultado era único: Isolamento do centro avante Guerrero.

Erros de passe e desorganização resumem o primeiro tempo do time de Thorsten Fink.

Com laterais distantes dos zagueiros, o Hamburgo teve dificuldades pra sair jogando com os volantes

No primeiro tempo, foi visto um domínio total do Borussia Dortmund. O time de Jurgen Klopp estava melhor distribuído em campo, os jogadores trocavam de posicionamento com sincronia e a marcação exercida na saída de bola do – desorganizado e lento – Hamburgo determinou o 2×0 no marcador.

No primeiro gol, Kagawa tirou um coelho da cartola, ao puxar a bola e trazer a marcação pra si. Sem muito equilíbrio, saiu o passe para o livre Grosskreutz marcar. Mais tarde, Lewandowski deu uma caneta desmoralizante em Westermann, passou fácil por Aogo e deu um tapinha charmoso por cima de Drobný. Foi 2×0, mas poderia ter sido mais.

Veja como se distribuíram em campo as duas equipes

Na etapa final, o Hamburgo voltou com uma mudança: Kacar, talvez o pior em campo, deu lugar a Mladen Petric. Tesche foi recuado para a cabeça de área. A mexida era necessária, mas o Hamburgo já estava muito atrás e precisava sair pro jogo, dando campo pro Dortmund fazer o que mais gosta, contra-atacar.

Mas voltando a falar sobre o Hamburgo, a alteração surtiu pouco efeito. A grande mudança foi da maior presença de Guerrero, que não estava mais tão isolado, mas o problema foi que Petric tocou pouco na bola. Jansen seguiu dormindo, Lam ficou preso na direita e os laterais deixaram os zagueiros e volantes sozinhos com os atacantes aurinegros várias vezes.

A saída de bola já não era problema. Kacar não tinha mais de organiza-la e o Dortmund já jogava mais recuado.

Jacob Sala chegou a entrar mais tarde no lugar de Jansen – invertendo com Lam e indo jogar na direita – mas já era tarde…

Lam e Jansen acabaram tendo atuação pra lá de fraca. Ambos se movimentara pouco

Já o Borussia Dortmund não mexeu nas peças, e sim na postura. O BVB é reconhecidamente um time de forte contra-ataque. Os jovens aurinegros não só são velozes, mas também se posicionam bem e correm agrupados, ou seja, nos contra-golpes, encurralam o adversário. Até por isso, o time de Jurgen Klopp jogou mais recuado no segundo tempo, não apertou tanto na saída de bola, tratou apenas de esperar o erro do Hamburgo – sem forçar – para contra-atacar e matar o jogo.

As mudanças que Klopp viria fazer mais tarde, foram simplesmente para dar ritmo a alguns jogadores.

Mas retornando aos contra-ataques, o terceiro gol aurinegro saiu de um contra-ataque armado por Grosskreutz e Kagawa, concluído por Kuba. O mesmo meia polonês viria a marcar mais um, dessa vez de pênalti. Lewandowski fechou a conta. Antes que me esqueça, Guerrero marcou pro Hamburgo. Não mereçeram, mas marcaram.

Com essa vitória, o tabú de seis anos sem vencer o Hamburgo na Nordbank Arena foi quebrado pelo Dortmund. O destalhe é que em 2006, na histórica vitória por 4×2, um polonês teve grande atuação, Smolarek – atacante que surgiu muito bem no Feyenoord e hoje está perdido no Al Khor do Qatar – que fez um gol e participou dos outros três. Na vitória deste domingo, Lewandowski e Kuba, dois conterrâneos de Smolarek foram decisivos, anotando dois gols cada.

Eu estava assistindo a partida e só caiu a minha ficha quando a partida já estava praticamente decidida: Götze não jogou! O #11 do Dortmund estava contundido e não participou da lavada na Nordbank Arena.

Se foi isso que proporcionou grande atuação de Kagawa, eu não sei, mas o japonês teve sua melhor atuação na temporada e deixa o torcedor do Dortmund com a esperança de ver seu time erguer a Salva de Prata pelo segundo ano seguido.

Desesperado, o Hamburgo deu campo pro Dortmund

Rebaixamento: Realidade

Fritz e cia. se lamentam pela horrorosa campanha (AP)

Nos últimos anos, os campeonatos nacionais na Europa tem proporcionado poucas zebras no quesito rebaixamento. Com os altos investimentos dos grandes clubes e a falta desses investimentos nos pequenos, essa história de “grande caindo” tem se tornado coisa mais rara. Mas acontece que a Bundesliga na temporada 2010/2011 tem feito essa velha história voltar.

Borussia Monchengladbach, Stuttgart (ambos 5 vezes campeões alemães), Kaiserslautern, Werder Bremen (ambos 4 vezes), Colônia (3 vezes) e Wolfsburg (1 vez) são os grandes “candidatos” ao rebaixamento.

Todas essa equipes podem ser chamadas de “grandes”, talvés o Wolfsburg não, já que não tem uma grande história no futebol alemão, mas o fato é que de uns tempos pra cá, o investimento aumentou. Mas voltando ao tema “grandes”, eles estão lutando contra o rebaixamento.

Começo falando da equipe que vive maior ascensão. O Colônia, de Frank Schafer, somou dez dos últimos 15 pontos e em 2011 perdeu apenas um jogo – pro St. Pauli, 3×1, no dia 29 de janeiro. O jogo que parece impulsionar os Bodes pra fuga do rebaixamento foi a vitória por 3×2 sobre o Bayern. O Colônia foi pro intervalo perdendo por 2×0 e na etapa final arrancou a virada.

Rensing (quase) catou tudo (Getty Images)

Nessa rodada, o Colônia arrancou um bom empate na Rhein-Neckar Arena contra o Hoffenheim em um jogo pegado, onde o árbitro Markus Schmidt distribuiu 7 cartões amarelos, coisa rara de se ver na Bundesliga, onde os árbitros dão poucos amarelos e sabem levar bem no papo. O que foi de anormal no jogo foi o gol de Novakovic. Com 9 gols na Bundesliga, o esloveno hoje fez contra. Mohamad empatou pro Colônia.

O grande duelo da partida foi Ibisevic versus Rensing. O goleiro dos Bodes catou tudo que o atacante do Hoffenheim tentou.

Esses pontos tem sido preciosos pro Colônia, que já está três posições acima da zona de repescagem – 16ª colocação – e três pontos de vantagem pros times que redidem nessa zona. Cabe aos Bodes saberem de duas coisas: Primeiro é aproveitar esse bom momento pra somar o máximo de pontos que puder, pra escapar de vez no rebaixamento. Segundo é “saber perder”, não se desesperar após voltar a perder na Bundesliga.

É Frings! A coisa tá feia (Getty Images)

Outra grande decepção da Bundesliga é o Werder Bremen do eterno Thomas Schäaf. Os verdes somam 9 pontos em 30 disputados, nenhuma vitória nos últimos cinco jogos e no sábado veio outra grande vergonha. Humilhante derrota num clássico local contra o Hamburgo, na Imtech Arena. O HSV não teve trabalhos pra meter 4×0, com dois gols de Guerrero, um de Petric e outro de Ben-Hatira.

Mertesacker, bom zagueiro, mas que ganhou o meu rótulo de pior jogador da temporada alemã, falhou em três dos quatro gols do HSV.

Nessa partida, o atacante Ruud Van Nistelrooy ficou no banco de reservas, assim como Jarolim. Como não tive informação de contusões de ambos e acompanhei os últimos jogos do Hamburgo, acho eu que Armin Veh colocou eles como suplentes por má fase técnica mesmo.

O Werder Bremen vai assumindo o crachá de candidato ao rebaixamento. Não tá fazendo por onde merecer uma vaguinha na primeira divisão. Os principais jogadores vivem má fase e não é de engano a ninguém que Klaus Aloffs cia. ltda. contrataram mal. O time está duas posições acima da zona de repescagem – 14ª colocação -, só um ponto acima dessa zona, com 24 pontos.

Wolfsburg ameaçados (AP)

Uma das grandes decepções da temporada é o Wolfsburg. Se juntando a base que foi mantida das temporadas anteriores, vieram jogadores como Friedrich, Kjaer e Diego e logo a chancela de candidatos ao título. Steve McLaren levou o time ao buraco e foi demitido, e Pierre Littbarski, seu substituto, mantém seu time na mesma toada.

No jogo de sábado, a reação era iminente. Os Lobos batiam o Freiburg por 1×0, gol do substituto de Dzeko, Patrick Helmes, mas cederam a virada com a ‘forcinha’ de outro contratado. Tuncay Sanli errou passe no meio campo e acabou armando o contra-ataque adversário, para a finalização de Reisinger – dois minutos após entrar em campo. Os jogadores do Wolfsburg reclamaram de um suposto toque de mão de Putsila, quando ‘recebeu’ o passe de Tuncay, mas não vi intenção. Cissé foi técnico pra virar o jogo, pois ele deu um balãozinho em Riether na pequena área, antes de mandar pras redes.

O Wolfsburg é o 15º colocado, uma posição acima da zona de repescagem e só não está lá por causa do saldo de gols superior ao do Kaiserslautern. É bom abrir o olho. São 8 pontos em 30 disputados, a quarta derrota consecutiva e vale lembrar que de 13 de novembro de 2010 – Wolfsburg 2×2 Schalke – até 15 de janeiro de 2011 – Wolfsburg 1×1 Bayern -, os Lobos emplacaram a gloriosa sequencia de sete empates consecutivos. Esses pontos fazem falta…

Vai Rodnei, tenta parar o Konan

Com menos investimento que os outros times e voltando a segunda divisão, é mais normal ver o Kaiserslautern como candidato ao rebaixamento. Os Diabos Vermelhos tem campanha muito irregular e só venceram duas das últimas dez partidas, 9 pontos conquistados de 30.

Nesse fim de semana, o Kaiserslautern caiu facilmente pro bom time do Hannover. 3×0, com grande atuação de Ya Konan. Ele não marcou nenhum gol – Schlaudraff fez dois e Abdellaoue fez mais um -, mas deu assistências pros dois primeiros gols, mostrando não só ser artilheiro como bom criador de jogadas. Me arrisco a dizer que Ya Konan é o melhor jogador da Bundesliga.

O Kaiserslautern ocupa a 16ª colocação e jogaria a repescagem no momento e o time que se cuide. São seis jogos sem vitórias e segue a velha frase: “Não há nada que é ruim que não possa piorar”.

As equipes que vivem drama maior são Borussia Monchengladbach e Stuttgart. As duas equipes estão lá embaixo desde o início da competição e quando parecem reagir…logo tropeçam.

Pelo menos o Bruno Labbadia mudou o time...

Duas rodadas atrás, o Stuttgart batia o Monchengladbach em duelo direto, mas duas rodadas se passaram e duas derrotas vieram. Hoje, os Roten caíram na Bay Arena, 4×2. O Stuttgart até deu trabalho pros mandantes, criaram grandes chances de gol, igualaram o marcador duas vezes, mas a derrota foi inevitável. Kiessling fez dois, Castro e Reinartz fizeram os outros gols do Leverkusen. Harnik e Kuzmanovic – num pombo sem asa – marcaram pros visitantes.

O Stuttgart está na vice-lanterna da Bundesliga, com 19 pontos, quatro atrás dos times que estão fora da zona de rebaixamento. Não sei porque, mas o time do Stuttgart é o que mais me inspira confiança em sair dessa zona perigosa. Bruno Labbadia deu nova cara ao time. Antes via-se uma equipe abatida e medrosa, hoje pode-se ver uma equipe determinada, aguerrida e corajosa. Assisti a alguns jogos do Stuttgart em 2011 e essa é a impressão que o time me passa. Espero que possa sair dessa situação.

Já o Borussia Monchengladbach conseguiu uma vitória de certa forma histórica. Após 12 jogos no Borussia Park, os Potros finalmente venceram sua primeira partida em casa. Exatamente! E os contemplados com esse feito foram os jogadores do Schalke 04. Os Azuis Reais até saíram na frente, com Kluge, mas com Reus – um petardo de pé direito – e Idrissou, o Gladbach virou e conquistou sua primeira vitória em casa.

O Monchengladbach ainda esboça uma reação, vive a mesma situação do Stuttgart, com os mesmos pontos. Mas diferentemente do Stuttgart, não acredito nos Potros, não.

Pra resumir toda essa ladainha, eu já admito a possibilidade de um grande ser rebaixado. Vale lembrar que times como Wolfsburg, Werder Bremen, Stuttgart e Kaiserslautern foram campeões alemães recentemente, ou seja, o tal do legado deveria ter existido, pra pelo menos sustentar essas equipes.

TÓPICOS ALEMÃES

>>Fiquei falando dos times ameaçados e deixei de lado os vencedores (no caso do Schalke, o perdedor), então lá vai:

>>O Hoffenheim, que empatou com o Colônia, está em 9º, com 33 pontos e ainda sonha com uma vaguinha na Liga Europa; O Hamburgo, que humilhou o Werder Bremen, está em 7º, com 36 pontos e está lutando com o Mainz e Freiburg por uma vaga na Liga Europa; O Freiburg, que bateu o Wolfsburg, está na 6ª colocação, com 37 pontos, vivo na luta por uma vaga na UEL; O Hannover, que bateu o Kaiserslautern, está na 4ª colocação, com 41 pontos, se fixando na zona de classificação pra Europa League e vivo na briga pela vaga na Champions League; O Leverkusen, que bateu o Stuttgart, está na vice-liderança, com 45 pontos, dez atrás do líder Dormund, sonhando com a salva de prata; O Schalke está em 10º com 29 pontos e está na lista de times que tem de ficar com o sinal amarelo acesso pra não entrar na luta contra o descenso.

>>O Borussia Dortmund segue caminhando a passos largos pro título. Bateu o St. Pauli por 2×0 e abre dez pontos na liderança. Os Piratas deram uma boa fugida da parte debaixo da tabela.

>>O Bayern segue tentando se recuperar e dessa vez bateu o Mainz por 3×1 e fica na 3ª colocação. O Mainz definitivamente está em declínio e deverá lutar por vaga nas ligas européias.

>>O Eintracht Frankfurt segue em declínio e tomou três do bom time do Nüremberg e vai se aproximando da zona perigosa.

Classificação (Bundesliga)