Tradição alemã de 54 anos

Desde o final da temporada 1957/58, uma coisa é tradição na Alemanha: o Schalke não será mais campeão alemão. O ano em que a Seleção Brasileira conquistava sua primeira Copa do Mundo também ficou marcado como o último ano em que os Azuis Reais conquistavam o Campeonato Alemão.

De lá pra cá, muitas decepções! A lembrança mais dolorosa de todas foi na temporada 2006/07, quando o Schalke, líder da Bundesliga, foi até Dortmund enfrentar seu maior rival, em jogo válido pela penúltima rodada da competição. Se os Azuis Reais vencessem o derby e a dupla Stuttgart e Werder Bremen, rivais na luta pelo título, perdessem, seriam campeões em cima dos maiores desafetos no futebol. Só que os vários torcedores do Schalke que promoveram uma invasão no Westafalenstadion viram seu time perder por 2×0 e posteriormente, perder o título, ganho na última rodada pelo Stuttgart.

Effenberg participou do lendário "4 minuten im mai"

Ah, não podemos esquecer da temporada 2000/01, quando a torcida do Schalke invadiu o gramado do Parkstadion ao término da vitória sobre o Unterhaching na última rodada da Bundesliga, isso sem a partida do Bayern se encerrar. Eles perdiam pro Hamburgo por 1×0. Resultado: no último minuto, Patrik Andersson fez o gol de empate e que dava o título ao time bávaro, selando assim, um dos maiores micos da história do futebol alemão. Aliás, pro Schalke, mico, pro Bayern, “4 Minuten im Mai”, uma história épica!

Na atual temporada, a história parecia que iria mudar. O Schalke trocou de técnico ainda no início da temporada. Ralf Rangnick decidiu sair, e Huub Stevens retornou – ele era o técnico em 2001 – ao cargo nos Azuis Reais. Tudo parecia ir muito bem! Stevens colocava praticamente o mesmo time de seu antecessor, porém, com uma grande virtude: ele sabia fazer as alterações corretas!

O Schalke vinha fazendo uma temporada impecável! Lutava pelo título alemão e estava muito bem na UEFA Europa League. Só que o “encanto” parece ter acabado.

Após contundente vitória sobre o Wolfsburg, os Azuis Reais bateram de frente com o problemático Bayern de Munich, porém, em um jogo que foram dominados durante 90 minutos, veio a derrota por 2×0. Normal? Nem tanto se lembrarmos que dias antes deste duelo, o Schalke penou para eliminar o Viktoria Plsen da UEL. Em que pese a garra tcheca, o time alemão teve o jogo em mãos, mas com uma soberba do tamanho de seu jejum de títulos da Bundesliga, cedeu o empate. Se não fosse o cansaço e os jogadores a menos – o Plsen teve um atleta expulso e um contundido quando já havia trocado três – do time adversário, dificilmente faria o resultado favorável no tempo extra.

A prova fatal de que não se tratavam de meros “jogos complicados”, veio neste fim de semana. O Schalke foi derrotado na Floresta Negra pelo Freiburg, então lanterna do Alemão, por 2×1. Os jornais alemães já classificam esse mau momento azul real como “crise”. Eu não chegaria a tanto, mas também não pegaria leve.

Stevens está perdido no comando do Schalke (Reuters)

Pra mim, este Schalke parou de “enganar”. Huub Stevens tem tomado decisões duvidosas durante sua passagem. Para alguns, essas eternas mexidas no time titular são normais, pra mim, demonstram a dúvida que ele tem em quem escalar. A começar pela zaga. Stevens não sabe quem é seu lateral-direito. Uchida ganha algumas oportunidades, mas quase sempre é queimado no intervalo. O capitão Höwedes, sabe-se lá porque, ganha várias oportunidades na posição, tendo jogado mal em 90% das vezes. Marco Höger, jogador que mais se deu bem na lateral, só joga lá quando Stevens precisa, porque só o coloca no meio campo.

Na defesa, faltam opções confiáveis. O mesmo Höwedes não joga na zaga, quando poderia ser muito útil por lá. Metzelder, que daria um toque de experiência ao time, vive contundido. Joel Matip é muito instável e Papadopoulos é mediano – é decisivo nas subidas ao ataque, mas gosta de abrir a caixa de ferramentas na defesa.

No meio-campo, Stevens usa o instável Matip na cabeça-de-área, porém, não tem idéia de quem ocupar nas demais posições. Holtby e Jurado podem jogar ao lado do camaronês, mas ambos são muito irregulares. Höger também joga lá, mas como foi dito acima, ele se dá melhor na lateral. Na faixa direita, joga Farfán. Mesmo eu achando que ele não joga tudo que se fala, o peruano é importante pro time azul real e cumpre bem sua função na faixa direita. Mas na esquerda? Quem joga? Draxler? Obasi?

No ataque é inquestionável, jogam Raúl – esse mais recuado, quase como um armador – e Huntelaar, mas para substituí-los, Stevens parece confiar mais no mediano – estou sendo bonzinho – Ciprian Marica do que no jovem Teemus Pukki, que nas oportunidades que recebeu, foi muito bem.

Nesse tapinha de pé direito, Ribéry fez um dos gols do Bayern (Reuters)

Vamos falar a verdade: Huub Stevens não faz essas mexidas achando que a rodagem no elenco faz bem, ele simplesmente não tem idéia de quem jogar! São essas dúvidas que vão minando o Schalke da luta pelo título. Os Azuis Reais só venceram o Gladbach dos três times que estão acima, mesmo assim, no 2º turno tomou uma porrada dos Potros. O Schalke perdeu as duas partidas pro Bayern e saiu derrotado do Signal Iduna Park no duelo contra o Dortmund.

Ao que pese o reajuste do Freiburg com Christian Streich – o time tem mais conjunto sem Cissé -, a partida do sábado parece ter selado o destino do Schalke na Bundesliga. 11 pontos atrás do líder Dortmund, com problemas pra vencer jogos grandes e com um técnico que não tem idéia do que está fazendo, os Azuis Reais passam a se preocupar com a manutenção da vaga na Champions League!

TÓPICOS DA RODADA

>O Borussia Dortmund bateu o Mainz por 2×1 e disparou na liderança, com 7 pontos de vantagem pro Bayern. Foi a oitava vitória seguida do BVB, feito inédito na história do clube na Bundesliga;

>O Bayern perdeu mais uma, 2×0 diante do Leverkusen. Robin Dutt, outrora chamado por mim de medroso, foi muito corajoso neste duelo, ao deslocar Castro para a lateral-direita e jogar com dois centro-avantes na etapa final;

>Müller, que já havia discutido com Holger Badstuber nos vestiários, após o duelo contra o Basel na Champions League, bateu boca com Jêrome Boateng no meio da primeira etapa no jogo de ontem;

>Essa foi mais uma prova de que é hipocrisia jogar a culpa do mau momento bávaro na ausência de Schweinsteiger. O Bayern jogou novembro e dezembro sem ele e foi muito bem. Não custa reforçar que Schweini voltou jogando mal. Foram poucos jogos, é verdade, mas estava em péssima forma técnica. Esse time do Bayern é rachado! Já era desde os tempos de van Gaal e agora com esta má fase, só ficou mais escancarado ainda;

>O Hamburgo pegou uma síndrome contrária a do rival regional, Werder Bremen. Os Verdes são leões em casa e gatinhos mansos fora. O HSV é o inverso e reforçou isto nesta rodada. Derrota por 4×0 diante do Stuttgart e já são cinco jogos sem vencer em casa. O Hamburgo sofreu 14 gols em 5 jogos jogando na Nordbank-Arena;

>Em compensação, o HSV não perde fora desde setembro;

>Segundo jogo seguido sem Herrmann, segundo tropeço. Incrível como o Gladbach sente falta dele! Os Potros ficam sem velocidade alguma. A derrota foi diante do Nüremberg;

>Pobre é Lucien Favre, que além de ter pouquíssimas opções no banco, ainda vê Reus, Arango e Hanke atuando de forma ridícula;

>O Kaiserslautern ficou no 0x0 com o Wolfsburg e chegou ao 14º jogo sem vitórias! O time ocupa a lanterna e Marco Kurz começa a ter seu emprego ameaçado;

Kagawa volta a brilhar!

O Borussia Dortmund teve uma atuação de gala diante do Hamburgo. O 5×1 não foi só mérito de uma grande atuação coletiva do time aurinegro, mas também da partida quase perfeita do japonês Shinji Kagawa.

No muito bem dividido 4-2-3-1, Kagawa conseguiu flutuar pelo campo com tranquilidade. Coisa rara de se ver em qualquer jogador que atue em um time que adote o esquema citado anteriormente. Claro que a organização do time de Jurgen Klopp e o entrosamento do japonês com Grosskreutz ajudou, mas as confusas duplas de volantes do Hamburgo – foram duas duplas nos 90 minutos – ajudaram bastante…

No confronto do último domingo, tanto Hamburgo, quanto Dortmund, atuaram no 4-2-3-1

O japonês já teve boas atuações nesta temporada. A maioria, abaixo das séries de dribles, passes e finalizações vistas na primeira metade da vitoriosa temporada passada. Mas neste domingo, Kagawa conseguiu mostrar seu verdadeiro futebol. Foi a melhor atuação do japonês na atual temporada. Os defensores do Hamburgo ainda devem estar procurando o camisa 23 do Dortmund.

Mas voltando a falar das táticas: o time aurinegro entrou em campo no 4-2-3-1, que sem a bola virava um 4-4-2, com Kagawa ajudando Lewandowski na marcação da saída de bola. O polonês marcava o lado esquerdo, enquanto o japonês cuidava do lado direito.

Defensivamente, os laterais do Borussia Dortmund se comportaram bem. Tanto Piszczek quanto Schmelzer subiram pouco pro ataque e se preocuparam mais em guardar posição. Mas o que tornou o lado do lateral polonês como fonte de ataques do Hamburgo foi a falta de apoio defensivo. Na esquerda, Grosskreutz sempre acompanhava Diekmeier e não deixava Schmelzer no mano-a-mano. No lado oposto, Kuba seguia Aogo até a intermediária e por lá ficava, deixando seu compatriota, Piszczek, de mãos atadas.

 No mais, nenhum problema defensivo.

Ofensivamente, a movimentação foi a palavra chave do Dortmund. Kuba era o mais fixo – se somarmos isso com a pouca presença defensiva, diriamos que a atuação do polonês foi ruim, mas passou longe disso – no lado direito, sempre aproveitando o espaço que havia entre Dennis Aogo e Heikko Westermann. Kagawa jogava centralizado e buscava a aproximação no centro-avante Lewandowski. O japonês sempre caia pela faixa esquerda do campo. Isso geralmente acontecia quando Kevin Grosskreutz vinha pra dentro, abrindo um corredor em seu lado. Nunca sobrava um espaço do campo sem alguém de amarelo!

Robert Lewandowski foi o único centro-avante, porém, não estava isolado. Os meias sempre encostavam e o polonês não ficava fixo na área.

Muitas vezes, Kagawa agia como segundo atacante, atuando ao lado de Lewandowski

Se sobrou movimentação no meio campo do Borussia, faltou no do Hamburgo!

A começar pelo erro do técnico Thorsten Fink, que colocou Tesche como meia armador. O camisa 13 é volante e criou muito pouco na nova função. Não à toa, Fink teve de reposicioná-lo após o intervalo – coisa que veremos mais tarde.

Na defesa, muito espaçamento, mas muita lentidão. Bruma e Westermann, dupla de zaga, até que estavam atuando próximos um do outro, mas Aogo e Diekmeier ficavam muito abertos e distantes dos demais defensores. A saída de bola ficava restrita aos volantes Kacar e Rincón, mas ambos abusaram dos erros de passe. A marcação do Dortmund era avançada, mas não era muito forte. Mas como a saída de bola do HSV era obrigatoriamente dos volantes, ficou fácil marcá-la.

Os meias também pouco fizeram pra auxiliar. Jansen e Lam não chegaram perto do meio campo e seus toques na bola só aconteciam quando recebiam no pé, e não quando buscavam jogo. Tesche estava perdido na função de armador.

Somada a essa desorganização e falta de conjunto, o resultado era único: Isolamento do centro avante Guerrero.

Erros de passe e desorganização resumem o primeiro tempo do time de Thorsten Fink.

Com laterais distantes dos zagueiros, o Hamburgo teve dificuldades pra sair jogando com os volantes

No primeiro tempo, foi visto um domínio total do Borussia Dortmund. O time de Jurgen Klopp estava melhor distribuído em campo, os jogadores trocavam de posicionamento com sincronia e a marcação exercida na saída de bola do – desorganizado e lento – Hamburgo determinou o 2×0 no marcador.

No primeiro gol, Kagawa tirou um coelho da cartola, ao puxar a bola e trazer a marcação pra si. Sem muito equilíbrio, saiu o passe para o livre Grosskreutz marcar. Mais tarde, Lewandowski deu uma caneta desmoralizante em Westermann, passou fácil por Aogo e deu um tapinha charmoso por cima de Drobný. Foi 2×0, mas poderia ter sido mais.

Veja como se distribuíram em campo as duas equipes

Na etapa final, o Hamburgo voltou com uma mudança: Kacar, talvez o pior em campo, deu lugar a Mladen Petric. Tesche foi recuado para a cabeça de área. A mexida era necessária, mas o Hamburgo já estava muito atrás e precisava sair pro jogo, dando campo pro Dortmund fazer o que mais gosta, contra-atacar.

Mas voltando a falar sobre o Hamburgo, a alteração surtiu pouco efeito. A grande mudança foi da maior presença de Guerrero, que não estava mais tão isolado, mas o problema foi que Petric tocou pouco na bola. Jansen seguiu dormindo, Lam ficou preso na direita e os laterais deixaram os zagueiros e volantes sozinhos com os atacantes aurinegros várias vezes.

A saída de bola já não era problema. Kacar não tinha mais de organiza-la e o Dortmund já jogava mais recuado.

Jacob Sala chegou a entrar mais tarde no lugar de Jansen – invertendo com Lam e indo jogar na direita – mas já era tarde…

Lam e Jansen acabaram tendo atuação pra lá de fraca. Ambos se movimentara pouco

Já o Borussia Dortmund não mexeu nas peças, e sim na postura. O BVB é reconhecidamente um time de forte contra-ataque. Os jovens aurinegros não só são velozes, mas também se posicionam bem e correm agrupados, ou seja, nos contra-golpes, encurralam o adversário. Até por isso, o time de Jurgen Klopp jogou mais recuado no segundo tempo, não apertou tanto na saída de bola, tratou apenas de esperar o erro do Hamburgo – sem forçar – para contra-atacar e matar o jogo.

As mudanças que Klopp viria fazer mais tarde, foram simplesmente para dar ritmo a alguns jogadores.

Mas retornando aos contra-ataques, o terceiro gol aurinegro saiu de um contra-ataque armado por Grosskreutz e Kagawa, concluído por Kuba. O mesmo meia polonês viria a marcar mais um, dessa vez de pênalti. Lewandowski fechou a conta. Antes que me esqueça, Guerrero marcou pro Hamburgo. Não mereçeram, mas marcaram.

Com essa vitória, o tabú de seis anos sem vencer o Hamburgo na Nordbank Arena foi quebrado pelo Dortmund. O destalhe é que em 2006, na histórica vitória por 4×2, um polonês teve grande atuação, Smolarek – atacante que surgiu muito bem no Feyenoord e hoje está perdido no Al Khor do Qatar – que fez um gol e participou dos outros três. Na vitória deste domingo, Lewandowski e Kuba, dois conterrâneos de Smolarek foram decisivos, anotando dois gols cada.

Eu estava assistindo a partida e só caiu a minha ficha quando a partida já estava praticamente decidida: Götze não jogou! O #11 do Dortmund estava contundido e não participou da lavada na Nordbank Arena.

Se foi isso que proporcionou grande atuação de Kagawa, eu não sei, mas o japonês teve sua melhor atuação na temporada e deixa o torcedor do Dortmund com a esperança de ver seu time erguer a Salva de Prata pelo segundo ano seguido.

Desesperado, o Hamburgo deu campo pro Dortmund

Pássaro novo na Renânia do Norte-Vestfália

Não! Não é um post ecológico que vai defender o habitat natural de aves da região alemã. Por incrível que pareça, falo de futebol.

É que recentemente, migrou para a cidade de Leverkusen um tal de pardal. Dizem que ele é professor e que descolou um emprego de treinador do time da região que disputa a primeira divisão da Bundesliga.

É, pard... ops, Dutt! (Reuters)

Antes de me esquecer, chamam esse pardal de Robin Dutt!

Já faz algumas rodadas que fiquei com essa impressão do pobre cidadão, mas antes de acusá-lo injustamente, decidi ter calma, pois ele quase levou o Freiburg para a Europa League na última temporada, era início de trabalho no Leverkusen e se ele fez um time como o Freiburg, com poucos investimentos e jogadores bem limitados, quase ir para a Europa League, por que ele não conseguiria com um time de maior investimento e de jogadores renomados como o Leverkusen?

Não acusei nada, não quis me precipitar, mas acho que este é o momento certo para botar a boca no trombone: Robin Dutt é sim um professor pardal!

A prova final veio hoje. O Leverkusen vencia o Hamburgo na BayArena por 2×0 e cedeu o empate ao HSV. Se eu pudesse escolher um único culpado, seria Dutt.

Na primeira etapa, o Leverkusen estava armado num interessante 4-3-3, com Rolfes jogando centralizado, protegendo a defesa e com a dupla Bender e Ballack saindo pro jogo. Mais na frente, Sam e Schürrle jogavam abertos, com Stefan Kiessling na referência. Esse esquema deu certo. Até sair o primeiro gol, o Leverkusen não deixou o Hamburgo jogar. Depois que o primeiro zero saiu do marcador, a deficiência do adversário permitiu um domínio maior dos Aspirinas.

A saída de bola do Hamburgo era muito lenta e feita somente de toques de lado. O time não avançava com a pelota! O Leverkusen nem fazia força pra roubá-la, pois sabia que uma hora ou outra, o HSV erraria um passe. O segundo gol, marcado por Lars Bender foi de total merecimento, não só pro Leverkusen como pro jogador. O irmão de Sven – jogador do Dortmund – era o condutor do time. Fez sua parte na defesa e controlava o ritmo ofensivo da equipe. Foi o melhor em campo na etapa inicial.

O gol que o Leverkusen sofreu no final da primeira etapa foi só uma repetição de jogos passados: bola na área, surge alguém livre e manda pras redes. Esse “alguém” no caso foi o zagueiro Heikko Westemann.

Não era pro Leverkusen sofrer tanto por um gol bobo… mas sofreu demais e agradeceu aos céus quando ouviu o último apito de Knut Kircher.

Era só botar a cabeça no lugar e voltar pra etapa final… assim como era pro Leverkusen seguir tranquilo após o gol sofrido…

Se vira, Reinartz (Reuters)

Robin Dutt resolveu agir e tirou de campo Sidney Sam para colocar Reinartz. Pra quem não acompanha a Bundesliga, Sam é meia/atacante, enquanto Reinartz é zagueiro, mas sabe Deus porque, Dutt o colocou como volante. Deu tudo errado! Ele mexeu na estrutura do meio campo e o time morreu.

Rolfes passou a jogar atrás de uma linha de quatro formada por Schürrle, Reinartz, Ballack e Bender, pelo menos eu acho que era isso, pois o time de desestruturou. Um negócio escroto e sem noção que o nobre pardal armou. Dutt acabou com seu meio campo, viu o Hamburgo pressionar e empatar, com Jansen.

Dutt percebeu a besteira que havia feito e tirou de campo Rolfes e colocou Derdyiok. O esquema ficou semelhante ao original, mas o atacante suíço não tem a agilidade de Sam – que estava muito mal na partida, diga-se de passagem – e por isso tornava o esquema apenas “semelhante”.

A grande mudança que esse esquema causou foi no surgimento de Castro. Reconhecidamente um lateral ofensivo, o camisa 27 ficou muito preso, porque Reinartz “inteliJentemente” subia junto com ele e ficava um enorme buraco na direita. Até que chegou o momento que Castro se tocou que era pra ficar atrás… Quando Derdyiok entrou e Reinartz virou o primeiro volante, Gonzalo Castro pôde avançar com mais tranquilidade.

"Eu mal tenho condições de jogar, vou ter mesmo de decidir..." Deve ter pensado o mascarado Ballack

Nada disso adiantou pra tirar o 2×2 do placar.

Dediquem esse marcador a Robin Dutt, que destruiu o time do Leverkusen. Tinha uma equipe muito bem armada na primeira etapa, desarrumou, sabe-se lá porque tirou Bender da faixa central e abriu na esquerda, colocou um zagueiro de volante, prendeu seus dois laterais – que tem boas qualidades ofensivas – e fica achando que Ballack, jogando o que está jogando, será a solução de seus problemas. Pobre coitado…

…e o Hamburgo!

Já vejo evoluções no time. Claro que táticamente fica difícil notar alguma grande mudança nesse início de trabalho de Thornsten Fink, mas a grande dessarrumação vista anteriormente sumiu. Os laterais sobem alternadamente, Marcell Jansen já vem entendendo o que significa jogar no meio campo e parou de ficar sempre esperando que alguém de trás venha salvar sua vida, percebendo que ele é que tem de salvar a vida de quem está à sua frente.

Também está nítido que a posição de Gokhän Töre é mesmo aberto na direita. Antes do início da temporada, falei que a técnica deste garoto me chamou a atenção e centralizado ele não conseguia mostrar o que tinha de melhor. Pelo flanco direito, Töre consegue criar jogadas mais agudas, vide o lance do segundo gol do Hamburgo, onde ele veio por dentro e deu belo passe por elevação para Jansen, que concluiu para as redes.

…e a arbitragem!

Está uma lástima nesta rodada! Na sexta, o senhor Guido Wilkmann deu um pênalti absurdo em Nicolai Müller do Mainz e estragou o jogo. Na ocasião, o time da Renânia Palatinado virou o jogo e deixou o time do Stuttgart nervoso em campo. O Mainz venceu por 3×1.

Em outro jogo da rodada que vi – que por acaso foi o supracitado Leverkusen x HSV -, o árbitro Knut Kircher anulou um gol muito esquisito do Hamburgo, onde não ficou claro se ele assinalou toque de mão de Jansen – que não houve – ou falta de Guerrero em Friedrich – não vi falta no lance. Mais tarde, ele deixou de marcar um pênalti de Töre em Bender. Em outras palavras, prejudicou os dois times.

Não vi os outros jogos – exceto Dortmund x Wolfsburg, onde nada de anormal aconteceu – pra saber se aconteceram irregularidades, apenas pênaltis em Bremen x Colônia e Nüremberg x Freiburg. QUERO IBAGENS!

12 grandes? A Alemanha também tem!

Em 71, o Gladbach era campeão alemão

Dizem que o Campeonato Brasileiro é o campeonato nacional mais equilibrado do mundo. Isso é questão de gosto e opinião (honestamente, o equilíbrio do Brasileirão me irrita. Não é um equilíbrio feito por muitas vitórias e poucos tropeços e sim pelo inverso, onde os líderes perdem muitos pontos e as vitórias são ocasionais. Por isso até costumo dizer que o Brasileirão tem dois setores na tabela: a parte de cima e a parte debaixo. Não há o “meio”. Os times que teoricamente estão no meio da tabela, se conquistam duas ou três vitórias consecutivas, já colam na ponta, assim como se perderem essa mesma sequencia de jogos, já estão na beira do inferno. É um equilíbrio que me irrita!). Mas sempre dizem que um dos motivos do Brasileirão ser muito equilibrado é que há muitos times grandes. Ouvi recentemente que o nosso campeonato nacional tem “de 12 a 13 equipes grandes, capazes de serem campeãs nacionais”. Esse tema de “clubes grandes” já foi debatido meses atrás e só pra dar uma recapitulada no assunto…

Acho que muitos “clubes grandes” aqui do Brasil só são chamados assim porque sempre tem um estadual pra livrar sua pele e enfim ganhar um título, mas no geral, ficam anos e anos sem ganhar nada de nível nacional ou internacional. Mesmo com esse incômodo jejum, basta ganhar um título estadual, que a frase “o grande voltou” aparece. Enquanto isso, a Europa convive com muitos times que tiveram seu auge nos anos 60 e 70, e hoje vivem na sombra de clubes milionários. Como o futebol europeu cresceu em nosso país recentemente, esses clubes que se não são grandes, são pelo menos tradicionais, acabam virando “pequenos”, devido ao seu sucesso no passado. Honestamente, quem enche a bola de um “grande” fajuto e menospreza um grande de história acaba sendo taxado por mim como “mente pequena”.

Mas para provar que ter mais de 10 grandes em seu campeonato nacional não é exclusividade do Campeonato Brasileiro, decidi revirar algumas fichas da minha querida Bundesliga e ver se bate de frente com o Brasileirão.

Tanto no Campeonato Brasileiro quanto na Bundesliga, cinco times cada não conquistaram o campeonato nacional. No Brasil, América, Atlético (GO), Avaí, Figueirense e Ceará. Na Alemanha, Leverkusen, Hoffenheim, Mainz, Freiburg e Augsburg.

Bom, até aí, nada demais. Uma simples comparação que mostra que nesses números, ambos estão em pé de igualdade. Agora, vou comparar times considerados grandes aqui, com grandes de lá, mas que são chamados de pequenos por aqui.

Olhem o Atlético Mineiro, por exemplo. O Galo conquistou o Brasileirão em 1971, ganhou uma espécie de Copa do Brasil – a Copa dos Campeões do Brasil – em 1978, duas Copas Conmebol nos anos 90 e… mais nada. Apenas alguns “importantissímos e maravilhosos campeonatos mineiros”.

O Gladbach conquistou seu penúltimo título alemão em 1976

Agora olhem o Borussia Monchengladbach. Os Potros tem 5 títulos alemães nos anos 70, três títulos da Copa da Alemanha e ainda nos gloriosos anos 70, o time se acostumou a chegar nas finais das copas européias.

Agora… ai de quem chamar o Atlético Mineiro de “pequeno”. É executado em praça pública, com transmissão ao vivo da Rede Globo, com Galvão Bueno na narração. Mas o pobre Gladbach… coitado! É famoso pelo nome complicado!

Vocês podem vir com a desculpa de que o Atlético tem uma grande torcida. Ora bolas, o Monchengladbach também tem. O Borussia Park pode receber mais de 50 mil pessoas e é raro ver um jogo nesse estádio com menos de 40 mil pessoas.

Outro exemplo: o Palmeiras têm 8 títulos brasileiros – oito depois da unificação – mas está a quase 20 anos sem ganhar o Brasileirão. Sem falar que seu último título de mais expressão foi a Copa dos Campeões de 2000.

Mas há também o “Palmeiras alemão”. Isso mesmo! Mesmo não jogando de verde, o Nüremberg tem muitos títulos nacionais e está em uma fila gigantesca. Foram 9 títulos alemães do time bávaro, mas o último foi no ano de 1968. Um ponto que deixa o Nüremberg na frente do Palmeiras é que seu último título foi em 2007, a Copa da Alemanha.

E ainda há uma porrada de exemplos que eu poderia citar de times brasileiros chamados pela mídia de “grandes” e times da Alemanha que talvéz sejam maiores, mas que por aqui, são “pequenos”.

Em 1983, o Hamburgo foi campeão nacional e europeu

Mas pra resumir o que quero dizer, é que tentei ser irônico – embora isso não seja o meu forte – no título. Não acho que todos os times alemães que tenham ganham a Bundesliga sejam grandes. Uns são grandes, outros tradicionais – acredite, acho os dois patamares parecidos mas não iguais – e muitos outros se perderam no tempo.

Esse texto saiu mesmo só pra eu mostrar um pouco que eu não gosto muito desse negócio de vangloriar toda hora um time que ganha 457 títulos estaduais, que pra mim, não se equivalem a dois títulos nacionais. Assim como não gosto do desprezo e despeito com alguns clubes estrangeiros cheios de histórias são tratados por mídia e fãs de futebol.

>>Campeões brasileiros e alemães presentes nas primeiras divisões

Série A Bundesliga Títulos
  Bayern 22
  Nüremberg 9
Santos

Palmeiras

  8
  Schalke

Borussia Dortmund

7
São Paulo Hamburgo 6
Flamengo Stuttgart

Monchengladbach

5
Corinthians

Vasco

Kaiserslautern

Werder Bremen

4
Internacional

Fluminense

Colônia 3
Cruzeiro

Botafogo

Grêmio

Bahia

Hertha Berlin

Hannover

2
Atlético (MG)

Atlético (PR)

Coritiba

Wolfsburg 1

 

Foi na empolgação

Na empolgação de Rodolfo Cardoso, o Hamburgo saiu da série sem vitórias

Após longas sete rodadas, finalmente veio a primeira vitória do Hamburgo na Bundesliga.

Foi um verdadeiro drama. O HSV e seus torcedores se gabam tanto por nunca terem sido rebaixados, tanto que tem um contador do tempo que permanece na primeira divisão alemã em seu site e na Nordbank Arena, e agora viam seu time não vencer nenhum dos sete jogos iniciais da Bundesliga.

Muita história rolou para que essa série sem vitórias ocorresse. E a história tem de ser contada desde a temporada passada.

Armin Veh não conseguia fazer seu time jogar. O elenco era envelhecido e ele não conseguia tirar mais nada do elenco, até que foi demitido. Michael Oenning assumiu em seu lugar, mas também não fez grande coisa.

Frank Arnesen chegou para ser o diretor esportivo do clube propondo uma nova filosofia. Jogadores veteranos como Rost, Zé Roberto, Mathijsen e Nistelrooy deixaram a equipe, para a entrada de garotos como Rajkovic, Bruma e Töre, todos esses trabalharam com Arnesen no Chelsea.

Mas nada dava certo!

Oenning não conseguiu tirar nada de positivo do time envelhecido, e muito menos do rejuvenescido. Não à toa foi demitido após a derrota em casa pro Borussia Monchengladbach, onde após sofrer o gol, pouco ameaçou a meta de ter Stegen.

Rodolfo Cardoso teve sucesso no time B do Hamburgo e veio pra apagar o fogo

Para apagar o incêndio, foi chamado Rodolfo Cardoso, argentino que comandava o time B do Hamburgo. Solução caseira, porém, inteligente.

O time B do Hamburgo disputa a Regionalliga do norte – Regionalliga é a quarta divisão, que é dividida por regiões – e lidera a competição, com 15 pontos em seis jogos. Se era pra pegar alguém da casa, que pegasse alguém com alguma experiência. E isso foi feito.

Hoje aconteceu a estreia de Rodolfo Cardoso. Jogo difícil contra o Stuttgart na Mercedes-Benz Arena. Os mandantes vinham de importante vitória sobre o Freiburg e poderiam ser considerados uma das equipes que mais evoluiu de uma temporada pra outra na Bundesliga. Porém, o Stuttgart sucumbiu a animação e motivação proporcionado por Rodolfo Cardoso no time do Hamburgo. Derrota de virada por 2×1.

A impressão que tive é que Rodolfo ganhou o grupo em pouco tempo.

Um dos motivos está no fato de ele ter colocado quatro jogadores do time B entre os 18 relacionados. E o surpreendente: Rodolfo Cardoso colocou em campo como titular o garoto Zhi-Gin Lam, de 20 anos e que nunca havia atuado na Bundesliga. O mais surpreendente ainda foi o fato dele ter jogado bem. Lam se entendeu bem com Gokhän Töre – que finalmente teve uma atuação convincente – e foi um dos melhores em campo.

Outro ponto que só saberemos quando algum jogador vier a público falar, seria o papo de vestiário de Rodolfo. O Hamburgo não fez um mal primeiro tempo. Jogava de igual para igual quando sofreu o primeiro gol, mas sentiu demais essa baixa. Mas no fim da etapa inicial, já estava meio recuperado, mas saiu no barato o 1×0 contra, pois o goleiro Drobný fez defesas importantes na etapa inicial.

Bruma vibrou demais com o gol de empate do HSV

No segundo tempo, o Hamburgo voltou com outra atitude. Virou o jogo com autoridade, administrou bem a vantagem e sofreu poucos sustos. Rodolfo pode ter dado um esporro daqueles, assim como pode ter simplesmente dado orientações mais detalhadas, coisa que na beira do gramado é meio impossível.

As imagens de Rodolfo Cardoso que apareciam na TV pelo menos, não o mostravam fazendo grandes indicações de posicionamento ou algo do tipo. Parecia mais gesticulações do estilo: “Vamú lá! Força rapaziada! É assim mesmo!”. E isso pareceu motivar o time.

Michael Oenning é meio “morto” na beira do gramado. Ele cruza os braços e dá uma instrução aqui e outra acolá, mas não é muito agitado. Não acho que agitação seja um ponto importante para definir o que é ou não um bom treinador, mas em determinadas situações, como a terrível situação vivida pelo Hamburgo, o melhor era ter um treinador mais agitado, que apoiasse e vibrasse junto após cada momento bom vivido por seu time na partida. Basta ver o momento dos gols marcados por Bruma e Tesche: todos foram vibrar com Rodolfo, que realmente parecia feliz por fazer o Hamburgo vencer.

É muito cedo para falar isso, mas Rodolfo Cardoso conquistou o grupo do Hamburgo!

Não sei se vale seguir apostando no argentino. A experiência que Rodolfo tem é na quarta divisão! Será mesmo que ele tem conhecimentos táticos, técnicos e experimentais para treinar um time gigante, ameaçado pelo descenso mas que nunca foi rebaixado?

E outra: se ele não tem esses conhecimentos, vai na motivação, né? Hoje deu certo. Nas próximas rodadas pode dar certo também. Mas se uma série de derrotas vier e a motivação acabar, o que acontece? Manda ele embora e traz o locutor do estádio para dar motivação ao time?

Huub Stevens deve voltar ao Hamburgo

Mas a tendência mesmo é Rodolfo Cardoso voltar ao time B do Hamburgo. O diário alemão Bild dá como certa a contratação de Huub Stevens, que foi muito bem no Schalke e não muito bem no próprio Hamburgo.

No HSV, foram 49 jogos, 23 vitórias, 15 empates e 11 derrotas.

É uma aposta mais sensata, mas fica a dúvida: será que o experiente Huub Stevens conseguirá conquistar a confiança do grupo como o novato Rodolfo Cardoso conseguiu?

Balanço da janela: Alemanha

A janela de transferências se fechou e só negociações internas podem acontecer. Mas como a janela barulhenta acabou de se fechar, farei um balanço dos principais negócios, pros internautas não só saberem o que rolou, mas saberem também a minha opinião sobre algumas transações.

Começando pela Alemanha!

Torcedor dá as boas vindas a Neuer

O time que mais gastou foi o Bayern de Munich. Os bávaros investiram uma singela bagatela de 44 milhões de euros. O jogador mais caro e mais batalhado pelo clube foi Manuel Neuer. O ex-arqueiro do Schalke chegou por 22 milhões de euros. O Bayern também batalhou para trazer Jêrome Boateng. O Manchester City insistiu em não liberar, mas após ver os 13 milhões de euros, decidiu vender.

Ainda chegaram na Baviera, Nils Petersen, Rafinha e Usami. Deixaram o clube de graça Kraft e Ottl, que foram pro Hertha, Altintop, pro Real Madrid e Klose, que foi pra Lazio. Ekici foi o único que encheu os cofres bávaros. O Bremen pagou 5 milhões de euros pelo atleta.

O Bayern investiu pesado. Muita grana em um goleiraço como Neuer, mas talvez exagerada em um zagueiro de nível duvidoso como Boateng. Mas claramente o investimento bávaro chega pra corrigir a defesa, que foi o ponto falho na última temporada.

Outra equipe que manteve o costume de gastar bastante foi o Wolfsburg. Os Lobos gastaram bem menos que o Bayern, “só” 21 milhões e diferentemente do time bávaro, não focou em um ajuste em determinada posição, mas fez sim uma enorme lista de contratações para várias posições.

Os Lobos pagaram 9 milhões por Träsch

Começando pela defesa, onde chega do rebaixado Frankfurt Marco Russ e o brasileiro Chris, Träsch vem do Stuttgart – negócio mais caro do Wolfsburg, 9 milhões – Kyrgiakos do Liverpool e Cale do Trabzonspor. Pro meio campo, vem Ochs do Frankfurt, Klich do MKS Cracóvia, Salihamidzic da Juventus, Hitzlsperger do West Ham e Hleb do Barcelona – os últimos três voltam ao futebol alemão. Pro ataque, vem do Kaiserslautern, Srdjan Lakic e Jönsson do Helsingborg.

Jogadores acostumados a jogar pelo time titular do Wolfsburg acabaram deixando o clube. Grafite foi vendido pro Al-Ahli, Riether pro Colônia, enquanto Kjaer, Diego e Pekarik foram emprestados para Roma, Atlético de Madrid e Kayserispor, respectivamente. Ainda deixam o clube Fabian Johnson, Ziani, Ben Khalifa, Gogia e Tuncay.

Como pode-se notar, há uma gastança desenfreada nos Lobos. Vem jogadores para todas as posições, não há, como no Bayern, um critério definido para os reforços. Talvez até alguns desses reforços não irão jogar. O Wolfsburg é mais um caso de time que tem dinheiro, mas parece não saber gastar.

Nos dois primeiros colocados da última temporada da Bundesliga, apenas alguns ajustes.

Bakalorz, Gundogan, Leitner, Löwe e Perisic prontos pra nova batalha

No Dortmund, veio Gundogan pro lugar de Nuri Sahin – grande perda do BVB -, vendido ao Real Madrid. Löwe chegou para ser o reserva imediato de Schmelzer, enquanto o artilheiro da última Liga Belga, Perisic, surge como um bom reserva ofensivo. No Leverkusen, Toprak chegou para coordenar a problemática defesa. Bernard Leno vem para ser o substituto de Adler, que anda se contundindo demais. Sem falar de Schürrle, que está contratado desde a temporada passada e chegou para ser titular.

Acima, já havia falado da grande perda do Dortmund, falta a do Leverkusen, que curiosamente também é na posição de volante. Arturo Vidal, que foi tantas vezes especulado no Bayern e que obrigou o presidente do Leverkusen, Wolfgang Holzhäuser a repetir dezenas de vezes que pro time bávaro ele não iria, acabou indo para a Juventus.

Só pra constar, BVB e Leverkusen, juntos, gastaram 21 milhões de euros, a mesma quantia gasta pelo Wolfsburg…

Afundando o Hamburgo, seu Arnesen?

Outra equipe que fez barulho na Alemanha durante a janela de transferências foi o Hamburgo, com Frank Arnesen como novo diretor de esportes. O dinamarquês trabalhou de 2005 até 2009 no Chelsea. Resultado disso: 5 jogadores dos Blues vieram parar no HSV. São eles: Töre, Bruma, Sala, Mancienne e Rajkovic.

Além dos desconhecidos Skjelbred e Neuhaus, o Hamburgo trouxe do Kaiserslautern o meia Ivo Ilicevic. Por ter se destacado no Lautern, a sua contratação parece ser mais segura que a garotada vinda do Chelsea.

O balanço hamburguês é meio negativo. Muitos negócios duvidosos!

BOLA DENTRO (CONTRATAÇÕES)

– O Hannover trouxe de graça Christian Pander, ex-Schalke. Pode jogar tanto na meia esquerda quanto na lateral do mesmo lado. Bom jogador e que já teve passagens pela Seleção Alemã. O Hannover, que já tem um time muito bem armado por Mirko Slomka, começa a armar um elenco forte também;

– Por empréstimo do Schalke, Mario Gavranovic chegou no Mainz. Suíço bom de bola. Boa pro garoto, que ganha experiência e bom pro clube do sudoeste alemão, que ganha um bom jogador e o principal, um jovem, sempre lembrando que Thomas Tüchel se dá bem que essa “espécie” de jogador;

Wolf chega pra ser o cherife do meio campo Verde

– O Werder Bremen tirou do Nüremberg o jogador Andreas Wolf. Marcador e polivalente, que pode atuar como volante e como zagueiro. Destaque pra seu espírito de liderança, que pode mudar o ânimo da equipe que não anda dos melhores;

– Duas bolas dentro do Schalke: Ralf Fährmann e Christian Füchs. O goleiro mostrou pelo Eintracht Frankfurt que tem futuro e pode sim ser o substituto de Neuer. Já o lateral-esquerdo se destacou muito no Mainz, principalmente nas assistências. Somente Fuchs “obrigou” o Schalke a gastar alguma coisa. Foram quase 4 milhões de euros;

– O Hertha Berlin também deu duas bolas dentro: Tunay Torun e Ânis Ben-Hatira. Ambos são jovens promissores e tem muito a evoluir do time berlinense;

BOLA DENTRO (SAÍDAS)

– Antes de tudo: falarei só dos jogadores que foram vendidos. Há muitos que ficaram sem contrato e se transferiram pra outra equipe. Esses não contam.

– Muitas do Hamburgo. Vamos por tópicos:

– Alex Silva, Flamengo: Nunca rendeu no Hamburgo. Sai sem deixar saudades.
– Pitroipa, Rennes: Fraquíssimo. Só corre. Não sabe passar, muito menos finalizar
– Rozehnal, Lille: Perdeu espaço no HSV
– Mathjisen, Málaga: Declinou demais. A zaga precisava ser renovada.
– Eljero Elia, Juventus: Mais uma enganação do mundo futebolístico.

– Três do Schalke: Hao Junmin, que chegou pra ser uma espécie de revide a Kagawa no Dortmund, mas pouco jogou; Lukasz Schmitz, que fez péssima temporada e precisava mudar de ares; Anthony Annan, sabe-sa lá como foi parar no Schalke;

BOLA FORA (CONTRATAÇÕES)

– O Colônia trouxe Henrique Sereno. Um verdadeiro Zé-Ninguém que estava no Porto. Quer fugir da degola como?

– Sokratis Papasthoopoulos veio pro Bremen pra ajudar a estabilizar a defesa do time de Thomas Schaaf. Mas entre Prödl, Naldo e o grego, prefiro os dois primeiros, sem pestanejar;

– O Schalke não deu só bola dentro nas contratações, mas errou ao trazer o limitado Marica. Pelo menos trouxeram pra ser reserva…;

BOLA FORA (SAÍDAS)

– O Leverkusen não tem um vasto número de atacantes e acabou (novamente) emprestando um jogador que poderia ser aproveitado no time principal: Zvonko Pamic, que se destaca nas seleções de base da Croácia. Ele jogará no Duisburg;

– O Stuttgart optou por emprestar o garoto Patrick Funk ao St. Pauli. Vi poucos jogos dele na última temporada, mas gostei mesmo assim. Acho que poderia disputar posição com o atual titular da lateral-direita, Boulahrouz;

– O Wolfsburg sofre tantos problemas na lateral direita e o jogador a ser vendido foi justamente Sascha Riether, atleta da posição. Não venderia, principalmente pro Colônia, que está abaixo dos Lobos.

– Sem oportunidades, Idrissou trocou o Monchengladbach pelo Eintracht Frankfurt. Pro atacante camaronês, é bom, jogará mais. Mas pros Potros nem tanto. O elenco não é dos melhores e pra este blogueiro, Idrissou é melhor que Hanke e Bobadilla, que pro técnico Lucien Favre estão à frente do camaronês;

Está fechado o primeiro balanço das transferências. Nos próximos dias, darei sequencia a análise.

Até a próxima!

Começou como terminou

Texto de: Romário Henderson

Em jogo épico, Barça conquista a Supercopa espanhola

Na Espanha, embora a liga nacional não tenha iniciado, a temporada já foi aberta com o superclasico Barça-Madrid. Para variar, a temporada para os espanhóis começou como havia terminado: Barcelona campeão. O jogo foi válido pela Supercopa da Espanha, que reúne o campeão nacional contra o campeão da Copa do Rei.

No jogo decisivo, no Camp Nou, pudemos acompanhar o que cada equipe pode fazer na temporada. O Barcelona, melhor time do mundo, impondo seu estilo pra lá de invejável, no “toque me voy”, abrindo espaços e contando com um jogador que, é o único na atualidade, em minha visão, capaz de decidir uma partida sozinho, no sentido de fazer uma jogada individual driblando alguns adversários e marcando o gol ou deixando um companheiro próximo disso: Lionel Messi.

Como parar o Barça? Há estratégia para tal? Muito difícil. O fato é que José Mourinho conseguiu diminuir a diferença dos catalães que, outrora, era abissal. Mourinho resolveu mandar seus jogadores se comportarem sem a bola como faz o Barça, marcando na frente, sob pressão, diminuindo os espaços, forçando o erro de passe, com, aproximadamente, sete jogadores no campo de ataque. E conseguiu em muitas oportunidades retomar a bola.

A vantagem catalã diminuiu significativamente, mesmo assim, ainda não foi suficiente para vencer seus arquirivais. Jogadores como Di Maria e Ozil precisam aparecer mais no jogo, chamando a responsabilidade, tomando as rédeas das jogadas madridistas, e não se esconderem como fizeram vergonhosamente neste duelo. Mourinho parece não acreditar em Kaká, já que o colocou apenas aos 32 da etapa final, na vaga do inoperante e reticente Mesut Ozil.

Vejo uma vez mais o Barcelona forte. Aliás, ainda mais forte do que na temporada passada, já que tem, por exemplo, opções como Thiago Alcântara – mais maduro -, Fábregas e Alexis Sanchéz. Já o Real Madrid também é muito forte, fez uma ótima pré-temporada, e, claro, brigará com afinco nas competições. Mas, hoje, ainda é inferior ao Barcelona. Na verdade, quem não é?

Malouda salvou os Blues

Chelsea robótico–> Impressionante a postura do Chelsea no primeiro tempo contra o possante West Bromwich, em Stamford Bridge. A equipe londrina tomou o primeiro gol, no erro individual e inadmissível do brasileiro Alex, e depois mostrou-se previsível em suas jogadas. Vi um Chelsea travado taticamente, sem a mínima movimentação, com lentidão na saída de bola e uma falta de criatividade inaceitável. Villas-Boas precisa fazer esta equipe variar taticamente, escalar corretamente, até porque deixar Didier Drogba no banco é um erro de técnico iniciante e incompetente, coisa que não condiz com as façanhas conseguidas pelo luso na última temporada no comando do FC Porto.

Rolo compressor–> Como amante do futebol europeu, assisti ao jogo do Bayern, na Allianz-Arena, contra o Hamburgo, e vi uma postura extremamente agressiva dos bávaros. É óbvio que o Hamburgo é uma equipe frágil, pelo menos no início da Bundesliga, mas a imposição do Bayern, com Robben de um lado e Ribery do outro, com jogadas velozes e voluntariosas chamam a atenção, além da presença de área de Mario Gomez, a habilidade e chegada de Thomas Muller, além, evidentemente, do administrador de meio-campo: Bastian Schweinsteiger. Belíssimo jogador. Bávaros bem montados, bem treinados, com um repertório de jogadas vasto, coletivamente funcionam com eficácia e individualmente conta com atletas acima da média.