Os “caras” de 2014 no futebol francês

Em troca de ano é normal que, em vários setores da sociedade, todas as ações realizadas durante os últimos 12 meses sejam revistas e avaliadas. No blog, como não tive a mesma disponibilidade de tempo como em outras épocas, não daria pra fazer um apanhado com os melhores posts, mas ainda assim dá para fazer um balanço de 2014.

Como o Europa Football tem um foco maior no futebol francês, até mesmo pelo Le Podcast du Foot, decidi levantar os nomes que foram destaque na terra dos vinhos no último ano. Seria uma lista de cinco nomes, mas enquanto vasculhava mais e conversava com alguns colegas, fui encontrando outros personagens e fechei o ranking com os dez “caras” do futebol francês em 2014.

Sem mais enrolações, vamos a eles:

 10 – Didier Deschamps

Foto: AFP

Foto: AFP

A participação mais digna da França em uma Copa do Mundo neste século foi em 2014, mesmo tendo sido eliminada nas quartas-de-final. Em 2002, caiu na primeira fase, especialmente abalada pela lesão de Zinedine Zidane as vésperas da estreia; em 2006 até ficou com o vice-campeonato, mas as eternas polêmicas do técnico Raymond Domenech chamavam a atenção (lembrando que Ludovic Giuly, em alta no Barcelona, não foi convocado. Segundo o atleta, não foi chamado porque teve um caso com a esposa de Domenech), além da expulsão de Zizou na final por dar uma cabeçada em Marco Materazzi, da Itália; em 2010, o maior vexame de todos na África do Sul, com boicote do elenco e tudo mais. No Mundial do Brasil isso foi diferente e tudo passou pela disciplina do técnico Didier Deschamps.

Com uma equipe bem armada e com atletas mais comprometidos, a França de DD terminou 2014 com apenas uma derrota (o 1×0 diante da Alemanha, que tirou os Bleus do Mundial). Foram 15 partidas, dez vitórias, quatro empates e uma derrota – 75,5% de aproveitamento.

Deschamps teve um ano pra lá de proveitoso após passar maus bocados no Marseille nos últimos anos. Ter feito à França sair da Copa do Mundo com dignidade após muito tempo já foi uma grande credencial para entrar em nossa lista.

9 – Lucas

Foto: C. Gavelle - PSG Officiel

Foto: C. Gavelle – PSG Officiel

O atacante Lucas, do Paris Saint-Germain, talvez não guarde 2014 como um de seus grandes anos, especialmente porque ficou fora do grupo que defendeu a seleção brasileira na Copa do Mundo, mas na França ele não tem do que reclamar. Após 2013 penoso, onde teve imensas dificuldades em se adaptar ao 4-4-2 britânico de Carlo Ancelotti, o menino dos 40 milhões de euros se acertou em 2014 e é um dos principais nomes do milionário PSG de Laurent Blanc.

Lucas encerrou o ano tendo participado de 54 jogos, sendo 36 como titular, anotando oito gols e nove assistências. Nesta temporada, o camisa 7 parisiense participou de 26 jogos e esteve no 11 inicial em 21 oportunidades.

Este ano ainda, o brasileiro terminou em terceiro no ranking de assistências da última temporada da Ligue 1 com dez passes para gol. O bom desempenho em Paris o levou de volta para a seleção brasileira com o técnico Dunga e o deixou como o nono lugar em nosso ranking.

8 – Alexandre Lacazette

Foto: S. Guiochon - Le Progrès

Foto: S. Guiochon – Le Progrès

Clément Grenier? Yohan Gourcuff? Não, quem responde como principal nome do Olympique Lyonnais em 2014 é Alexandre Lacazette. Apenas no primeiro turno da Ligue 1 na atual temporada, o atacante de 23 anos foi responsável por 55% dos gols do time – 17 gols e cinco assistências.

Lacazette encerrou o ano com 23 gols em 38 jogos. Foram 3108 minutos em campo, o que lhe deu uma média de um gol a cada 135 minutos, ou seja, um tento a cada um jogo e meio. O atacante do Lyon terminou a primeira metade da temporada como artilheiro da Ligue 1 e terceiro colocado no ranking de assistências.

Na edição anterior do Francesão, ele já havia sido o goleador do OL com 15 gols, sendo o sétimo na tábua geral. Os espantosos números o colocam, justamente, em nosso ranking.

7 – Franck Ribéry

Foto: Splash News/AKM-GSI

Foto: Splash News/AKM-GSI

Franck Ribéry é o único jogador que entra nessa lista mais no aspecto negativo do que positivo. Indispensável para a seleção francesa que viria ao Brasil para a disputa da Copa do Mundo, o meia-atacante do Bayern de Munique teve um problema nas costas no fim da última temporada e não participou dos amistosos de preparação, sendo cortado posteriormente.

Até aí tudo bem, não é mesmo? Problemas assim acontecem em todas as Copas do Mundo. Mas aí vieram as controversas férias de Ribéry em Ibiza, na Espanha. Enquanto a França disputava o Mundial, o atleta do Bayern dava saltos ornamentais na praia espanhola. Aparentemente, as dores nas costas foram milagrosamente curadas pelos efeitos da Marijuana. Ressalte-se também que, segundo Le Figaro, o atleta foi convidado pela Federação Francesa de Futebol para dar apoio à delegação no Brasil antes do jogo contra a Alemanha, mas teria recusado o convite.

Já era sabido, também, que aquela seria a sua última Copa do Mundo, mas o que poucos esperavam era o anúncio de sua aposentadoria da seleção aos 31 anos, tendo uma Eurocopa na própria França em 2016.

Enfim, a passagem de Ribéry pela seleção francesa acabou de forma controversa. Foram duas Eurocopas, dois mundiais, 81 jogos e 16 gols, o mais importante deles talvez tenha sido o que reproduzo abaixo, contra a Espanha, nas oitavas-de-final da Copa do Mundo de 2006.

6 – Zlatan Ibrahimović

Foto: C. Gavelle - PSG Officiel

Foto: C. Gavelle – PSG Officiel

Aos 33 anos, o sueco Zlatan Ibrahimović se sente cada vez mais em casa em Paris e até pensa em encerrar a carreira por lá. Antes disso, o atacante tentará quebrar mais alguns recordes, além dos vários que já quebrou – alguns quebrados este ano.

Com dez gols, Ibra se tornou o maior artilheiro do PSG em uma única edição da Liga dos Campeões. O recorde pode ser ainda maior se fizer dois gols no mata-mata do próximo ano. Isso significaria que ultrapassaria George Weah e se transformaria no maior goleador parisiense em torneios europeus.

O sueco também se tornou o segundo maior goleador da história do Paris em uma única temporada: 30 gols, perdendo apenas para Carlos Bianchi, que fez 37 gols na temporada 1977/1978. Além disso, Ibra foi o principal artilheiro do Campeonato Francês pela segunda temporada seguida, feito que não acontecia desde a 2005/2006 e 2006/2007 com Pedro Miguel Pauleta, também no PSG.

Além disso, Ibrahimović vai subindo cada vez mais no ranking de maiores goleadores do clube. Já são 88 gols, o quinto na tabela geral. Neste último ano, deixou para trás atletas como Safet Susić, Raí e Carlos Bianchi. Enfim, esses recordes que citei foram apenas alguns dos fatores credenciais para o sueco entrar nessa seleta lista.

5 – Lionel Mathis

Foto: Jean-François Monier - AFP

Foto: Jean-François Monier – AFP

O meio-campista Lionel Mathis pode não ser muito conhecido pelo grande público, mas em 2014 conseguiu um grande feito na carreira: foi tetracampeão da Copa da França e sempre jogando por equipes intermediárias ou pequenas. Em 2003 e 2005, foi campeão com o Auxerre e em 2009 ergueu o caneco com o Guingamp, clube o qual voltou a ser vencedor do torneio em 2014.

Feito absolutamente espetacular que o coloca a um título dos maiores vencedores. Os que mais venceram foram Marceau Somerlinck com o Lille (é o atleta que detém o recorde de partidas pelo clube), Dominque Barthenay com Saint-Étienne (três vezes) e PSG (duas) e Alain Roche com o PSG (três) e com o Bordeaux (duas).

Notou que os recordistas foram campeões com clubes grandes? Pois então, Mathis não segue essa linhagem. E ainda obteve um feito maior, sendo campeão em 2009, com o Guingamp, que estava na metade da tabela da segunda divisão, e agora em 2014, com o time na elite. Um símbolo dessa fase de ascensão do time bretão, único representante francês no mata-mata da UEFA Europa League.

4 – Dmitry Rybolovlev

Foto: HNGN

Foto: HNGN

Principal acionista do AS Monaco, o bilionário russo Dmitry Rybolovlev viu – e segue vendo – o sonho de transformar o clube monegasco em uma potência europeia ruir. Os altos investimentos foram deixados de lado e Falcao García e James Rodríguez, principais nomes do projeto, deixaram o clube.

A principal responsável por isso foi a ex-esposa do bilionário, Elena Rybolovlev. Em maio, depois de mais de seis anos de batalhas nos tribunais, o mandatário do Monaco foi condenado a pagar 4,5 bilhões de dólares de divórcio à Elena, um dos divórcios mais caros da história.

Com tamanho prejuízo, Rybolovlev deixou os investimentos no clube em stand by e vê o time distante dos líderes da tabela do Campeonato Francês.

3 – Corinne Diacre

Foto: O. Stéphan - Stade Brestois

Foto: O. Stéphan – Stade Brestois

Aos 40 anos, a ex-jogadora Corinne Diacre topou um desafio e tanto: treinar um time de futebol masculino e decidiu comandar o Clermont na primeira metade de temporada da segunda divisão francesa. Corinne, que defendeu a seleção francesa de futebol feminino por mais de uma década, se tornou a primeira mulher a obter a licença para trabalhar como técnica nas duas primeiras divisões do país.

Um dos principais objetivos de Corinne é manter o clube na Ligue 2, missão que vem cumprindo até o momento. O Clermont encerrou 2014 na 14ª colocação com 20 pontos, três acima da zona de rebaixamento.

Quanto às copas nacionais, entretanto, o time vermelho e azul já deu adeus às duas. Na Copa da Liga, a equipe até eliminou Istres e Chateauroux, mas parou no Caen, da primeira divisão, nas oitavas-de-final. Na Copa da França, eliminação na oitava fase para o Epinal.

Mas pelo simples fato de ter aceitado o desafio de encarar o futebol masculino e ainda estar cumprindo o objetivo de manter o Clermont na segunda divisão, Corinne merece estar em nossa lista.

>> Confira mais da história de Corinne Diacre na matéria especial da Vavel Brasil;

2 – Marcelo Bielsa

Foto: Pascal Pochard Casablanca - AFP

Foto: Pascal Pochard Casablanca – AFP

O Olympique de Marseille gastou bastante na temporada 2013/2014. Ao todo, o OM investiu 42 milhões de euros. Entretanto, o investimento não trouxe resultado e a equipe não conseguiu classificação para nenhum torneio europeu e ainda deixou a Liga dos Campeões na fase de grupos sem nem fazer cócegas nos adversários.

Para mudar o cenário sem precisar mexer muito no bolso, o presidente Vincent Labrune trouxe o técnico Marcelo Bielsa. O argentino pegou o mesmo elenco, mas com o desfalque primordial de Mathieu Valbuena, vendido ao Dínamo de Moscou, e fez uma ótima primeira metade de temporada, terminando 2014 na liderança do Campeonato Francês com 41 pontos, tendo vencido 13 jogos de 19.

Com um futebol ofensivo e vistoso e com personalidade forte (já bateu de frente com o presidente Labrune por não cumprir exigências prometidas e por trazer Dória, jogador que não havia pedido), Bielsa já se tornou ídolo da cidade de Marseille e faz por merecer um lugar no ranking, mesmo estando há apenas seis meses na França.

1 – Karim Benzema

Foto: FFF

Foto: FFF

O atacante Karim Benzema chegou a ficar mais de um ano sem marcar pela seleção francesa entre 2012 e 2013. Foram 16 partidas sem balançar as redes pelos Bleus. Entretanto, 2014 foi o ano de afirmação do atleta do Real Madrid.

Em 13 partidas pela seleção este ano, Benzema fez sete gols, chegando a 25 em sua carreira internacional e ingressando no top-10 artilheiros da história da seleção, ocupando a 9ª posição no ranking. Aliás, aos 27 anos, a tendência é que suba mais na lista e até mesmo ultrapasse Zinedine Zidane, quarto no ranking, que têm 31 gols. Entre os jogadores em atividade, o jogador do Real Madrid é o que tem mais gols.

Benzema também obteve destaque na Copa do Mundo. Com o corte de Franck Ribéry, foi preciso que o camisa 10 francês assumisse a responsabilidade, e o fez com maestria, sendo responsável por três gols e duas assistências. O atacante foi o único jogador de linha da seleção a participar dos 90 minutos dos cinco jogos que fez no Mundial. O outro atleta foi o goleiro Hugo Lloris.

Além desses ótimos números pela seleção, Benzema também acumula bom retrospecto pelo Real Madrid. O francês participou de 51 partidas em 2014 e fez 27 gols, se afirmando como um dos principais nomes da equipe e também ganhando o status – atribuído humildemente pelo blogueiro que vos fala – de jogador francês do ano.

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O que achou? Faltou alguém? Algum nome poderia estar melhor ou pior ranqueado? Ou teve gente que nem merecia ter entrado na lista? Comente abaixo! Vamos debater!

 

Com Blanc, o PSG finalmente jogou futebol

O PSG perdeu apenas dois jogos na temporada

O PSG perdeu apenas dois jogos na temporada

No próximo dia 1, o técnico Laurent Blanc completará seis meses de trabalho no Paris Saint-Germain. Anunciado no dia 25 de junho, o campeão do mundo como jogador em 1998 iniciou sua caminhada na capital no primeiro dia de julho, e, mesmo em pouco tempo, já fez o PSG liderar o Campeonato Francês com sobras, se classificar para as oitavas-de-final da Liga dos Campeões e ainda apresentar algo que não foi visto com Carlo Ancelotti e muito menos com Antoine Kombouaré (técnicos do clube na era milionária): futebol.

Blanc já chegou balançando as estruturas e mexendo em quase tudo que fora planejado por Ancelotti, a começar pelo esquema tático. Enquanto o italiano utilizava o 4-4-2 britânico, com duas linhas de quatro rígidas e de pouca movimentação, o francês passou a adotar o 4-3-3 com meio-campistas bem participativos e atacantes livres para flutuar por toda intermediária.

PSG 12-13PSG 13-14

O novo treinador também tratou de retirar das catacumbas do Parque dos Príncipes jogadores como Thiago Motta e Gregory van der Wiel, que não estavam no gosto principal de Ancelotti. O retorno do volante ítalo-brasileiro era esperado (como dito aqui no blog), afinal, Blanc sempre foi inclinado a escalar volantes de maior poder de marcação na faixa central.

Mas Motta não tem sido aquele volantão a moda antiga, daqueles que só bate e toca de lado. O italiano se notabilizou por distribuir vários lançamentos longos, originando diversas jogadas de ataque. Além disso, Motta é um dos homens das bolas paradas do time de Blanc.

O que surpreendeu foi a inclusão de van der Wiel no time titular. Via redes sociais, muitos me questionavam sobre o motivo de ele ser banco do mediano Christophe Jallet, e sempre fui direto: “van der Wiel tem atrapalhado na defesa, onde é ‘avenida’, e não contribui no ataque. Jallet tem sido mais correto”. Nesta temporada, tudo mudou.

Com Blanc, van der Wiel foi de vital auxílio ofensivo no PSG, dando dois passes para gol no Campeonato Francês e quatro na Liga dos Campeões. Defensivamente também não tem atrapalhado. Os espaços que normalmente deixava foram corrigidos com menos afoiteza no ataque. No mano-a-mano defensivo, o holandês é quase impecável. No ataque, as assistências citadas acima registram bem isto. Enquanto isso, Jallet tem ficado fora até mesmo do banco de reservas em diversas partidas.

Dinamismo de Verratti

Verratti se tornou peça chave no PSG de Blanc

Verratti se tornou peça chave no PSG de Blanc

Quem também tratou de acordar pra vida foi Marco Verratti. Desconhecido quando contratado, mas muito bem recomendado por quem o viu jogar pelo Pescara, o italiano chegou trazendo a expectativa de ser o maestro do meio-campo parisiense. Na primeira temporada, nada disso aconteceu e Verratti se notabilizou pela violência: 11 cartões amarelos em 27 partidas no Campeonato Francês.

Mas o jovem de 21 anos se controlou com Blanc e recebeu cinco cartões no primeiro turno. Número ainda elevado, mas que não sobrepõe o bom futebol apresentado. Tendo maior liberdade e sem perder o compromisso com a marcação, o italiano trouxe dinâmica ao antes quadrado jogo do PSG. Toques rápidos, visão de jogo e qualidade na armação de jogadas do círculo central foram algumas das virtudes do atleta que deu quatro passes para gol no Campeonato Francês.

Não podemos deixar de citar Blaise Matuidi, o pulmão parisiense. É o ‘casamento’ de características dele com Motta e Verratti que faz o meio-campo do PSG ser o melhor da França.

Jovens progredindo

Com Ancelotti, os jovens não tinham vez. Ele até lançou Adrien Rabiot e Kingsley Coman, mas foi na emergência. O primeiro, inclusive, foi emprestado ao Toulouse e muitos diziam que nem voltaria ao clube pela dificuldade em encontrar espaço. Com Blanc tem sido diferente.

Rabiot se tornou uma das alternativas do treinador e já participou de 22 partidas, tendo balançado as redes uma vez. Outro jovem que ganhou espaço é Hervin Ongenda. Um dos mais jovens jogadores a marcar com a camisa parisiense (fez gol na Supercopa Francesa), o atacante de 18 anos já foi utilizado quatro vezes e deu um passe para gol.

No geral, Blanc aproveitou oito jogadores de nível Sub-23 em todas as competições que o Paris Saint-Germain participou.

Arma letal

Ibra e Cavani foram responsáveis por mais de 40 gols parisienses

Ibra e Cavani foram responsáveis por mais de 40 gols parisienses

Por fim, o grande trunfo de Laurent Blanc e grande responsável por fazer o time parisiense apresentar um futebol bom se ver foi o entendimento da dupla Zlatan Ibrahimović e Edinson Cavani.

Para muitos (me incluo nessa), os dois só seriam encaixados no 4-4-2, mas Blanc conseguiu explorar Cavani no lado direito do 4-3-3, coisa que já fazia na seleção uruguaia, e sem medo de barrar Lucas. Essa mexida deu certo porque o trio completado por Ezequiel Lavezzi não é nada estático.

Ibrahimović está mais para um meia-armador do que centroavante, algo que sugere o esquema tático no papel. É normal ver o sueco trabalhar com a bola próximo da risca central, criando jogadas e agindo como um legítimo armador. E essa movimentação possibilita a Cavani a ocupação da grande área, coisa que Lavezzi, por exemplo, não seria capaz de fazer.

Para exemplificar esta movimentação, separei o primeiro gol da vitória por 2-1 sobre o Nantes, ainda na 3ª rodada. Observe o local do campo em que Ibrahimović recebe a bola e também a movimentação de Cavani, sempre buscando o espaço vazio na grande área.

Os números da dupla também assustam. Juntos, Ibrahimović e Cavani somam 41 gols em todas as competições. Além disso, Ibrahimović já deu seis passes para gols, todos no Campeonato Francês.

O que impressiona mais ainda é que será uma tremenda mentira se você falar que “o Paris Saint-Germain é só Ibrahimović e Cavani”. É óbvio que o time perde muita força sem os dois, mas o PSG não é só isso. É Verratti, é Motta, é Maxwell, é Sirigu, é Matuidi… É um time muito forte e que não sobrevive à custa de uma dupla fora de série.

Com Laurent Blanc, os torcedores parisienses puderam ver algo que há tempos não viam: futebol. Bola no chão, toques rápidos, paciência, verticalidade e dinamismo. Esse é o PSG de Blanc, esse é o time do técnico que muitos diziam ser tampão. Esse é o time que tem banca para chegar ao topo da Europa.

Le Podcast du Foot #43

Ibrahimovic fez dois gols e deu duas assistências

Ibrahimovic fez dois gols e deu duas assistências

Participando de quatro dos cinco gols do Paris Saint-Germain na goleada por 5-0 sobre o Sochaux, o sueco Zlatan Ibrahimovic foi o grande nome da 17ª rodada do Campeonato Francês. Essa participação do camisa 10 ajudou a colocar os parisienses no topo do campeonato com 40 pontos, dois de vantagem pro Monaco.

A luta pela vice-liderança também está em bom ritmo na Ligue 1. Os monegascos venceram o Ajaccio pelo marcador mínimo e deixaram o Lille para trás. Os Dogues tropeçaram diante do Bordeaux depois de 11 jogos sem sofrer gols e três vitórias consecutivas.

Além disso, esteve em destaque na rodada a nova derrota do Olympique de Marseille que resultou na demissão de Élie Baup. O tropeço da vez foi diante do Nantes.

Esses assuntos e outros que foram relevantes para a rodada estiveram na pauta da 43ª edição de Le Podcast du Foot. Nesta semana, Eduardo Madeira apresentou e a dupla encarregada de fazer os comentários foi Flávio Botelho e Vinícius Ramos.

Ouça o programa no MixCloud:

Faça o download do podcast:

*Imagem: PSG.fr

Painel Europa Football: Ibrahimović e Cavani podem jogar juntos?

Essa é a novidade do Europa Football nessa reta final de julho, o “Painel”. Sempre que possível, trarei especialistas para debater um assunto que está repercutindo entre os amantes do futebol, mais especificamente, entre os apaixonados da bola que rola no Velho Continente.

Os convidados da semana foram Flávio Botelho, Vinícius Ramos e Vitor Sérgio Rodrigues e eles deram suas opiniões sobre a futura dupla de ataque do Paris Saint-Germain: Edinson Cavani e Zlatan Ibrahimović. Será que podem jogar juntos? Laurent Blanc, novo técnico do time, ficará fixo ao 4-4-2 para encaixá-los? E o sueco aceitará não ser mais a única grande estrela do milionário elenco?

Confira abaixo os pareceres dos três colegas que toparam participar da edição de estreia do Painel:

Painel Europa Football

 

*Qualquer dificuldade em compreender o que está escrito, clique em cima da imagem que ela aparecerá ampliada.

Le Podcast du Foot #18

33013Depois de rodadas de emparelhamento, houve um disparo na ponta do Campeonato Francês. Foi o Paris Saint-Germain, que na goleada sobre o Toulouse, colocou três pontos na frente do vice-líder Lyon, que perdeu nessa rodada. Outro time que tropeçou foi o Olympique de Marseille, derrotado em casa pelo, então lanterna, Nancy.

Outro destaque da semana na França é o amistoso entre franceses e alemães neste meio de semana. A convocação de Didier Deschamps teve algumas novidades, como Romain Alessandrini do Rennes.

Esses e outros temas foram destaque no Le Podcast du Foot #18, apresentado por Eduardo Junior e que recebeu os comentários de Filipe Papini e Vinícius Ramos.

Ouça no player abaixo:

 Vídeos do VodPod não estão mais disponíveis.

>>Faça o download do programa:

Os números dizem muito: Ibrahimović, a máquina de gols

Ibra e sua média assustadora de gols(Foto: AFP/Getty Images)

Ibrahimovic e sua média assustadora de gols
(Foto: AFP/Getty Images)

Nesta sexta-feira, o sueco Zlatan Ibrahimović chegou a impressionante marca de 20 gols em 20 jogos pelo Campeonato Francês. O atacante do Paris Saint-Germain lidera a tábua de artilheiros com oito gols de vantagem para o argentino Dario Cvitanich, atacante do Nice.

Porém, a cada gol de Ibra, surge alguém falando que “o sueco está em um nível superior ao da Ligue 1”. Será? Ou melhor, será que é justo falar isso sem colocar o Campeonato Italiano no mesmo balaio? Justifico nos números abaixo:

NOS ÚLTIMOS 52 JOGOS DE CAMPEONATO

IBRAHIMOVIĆ FEZ 48 GOLS

Média: 0,92 por jogo

O Campeonato Francês não é nenhum primor de torneio, admito, mas não deixa muito a desejar em comparação com o atual Campeonato Italiano. Então, na hora de valorizar um dado desses de Ibrahimović, é bom decidir em que lado ficar: o canto onde consideram o sueco uma máquina de fazer gols ou no lado em que o colocam acima dos torneios disputados na França e TAMBÉM na Itália.

Onde Lucas entra?

Lucas poderá estrear oficialmente na sexta-feira(Foto: Getty Images)

Lucas poderá estrear oficialmente na sexta-feira
(Foto: Getty Images)

Neste fim de semana, o Campeonato Francês será reiniciado. Junto com as partidas, chega à expectativa de ver como o brasileiro Lucas Moura irá se sair em terras parisienses. Recentemente, falei de como ele pode fazer sucesso na Europa, triunfo esse que virá com o tempo, talvez não agora, nem em 2014, mas nos anos seguintes, após muito esforço dentro e fora de campo.

Mas olhando para os próximos meses da vida esportiva de Lucas, fica a questão de como ele irá se encaixar nesse time do Paris Saint-Germain. Antes de esmiuçar tudo que pode acontecer, cabe esclarecer o seguinte. Carlo Ancelotti não tem escalado seu time no esquema “árvore de natal” (4-3-2-1) e nem no 4-2-3-1, tática sugestiva ao elenco que possui. O PSG vem jogando no 4-4-2 no famoso estilo britânico. Claro que com a movimentação dos meio-campistas ofensivos, esse esquema varia em boa parte dos jogos, mas, basicamente, o time joga com duas linhas de quatro e com uma dupla de homens de ataque.

Lucas é um jogador de lado de campo, mais notabilizado no Brasil por atuar na ponta-direita, ainda assim, já afirmou que não teria problema algum em jogar no flanco oposto. Casando com o sistema tático do PSG, também pode ser encaixado como um segundo atacante, jogando atrás de Ibrahimović, hipótese que Ancelotti já levantou.

Para se tornar titular em Paris, Lucas terá de desbancar um dos três citados: Javier Pastore, Ezequiel Lavezzi ou Jérémy Ménez. Nos parágrafos abaixo, descreverei qual a função de cada um e como Lucas poderia entrar.

Time do PSG na partida contra o Brest(Foto: L'Equipe)

Time do PSG na partida contra o Brest
(Foto: L’Equipe)

Javier Pastore se encontrou na nova função: aberto na direita. Quando foi trazido do Palermo da Itália, sabia-se de sua qualidade como meia armador, atuando mais centralizado. Nessa função, o argentino não emplacou na França e apresentou futebol muito burocrático. No turbulento início de dezembro, Ancelotti mexeu no esquema e no posicionamento de Pastore, o deslocando para a ponta direita. A mudança surtiu grande efeito e o argentino passou a decidir jogos com muitas assistências e intensa participação na armação de jogadas.

Por atuar na direita, Pastore seria a primeira opção de saída, caso Ancelotti opte por escalar Lucas, mas o encontro do bom futebol do argentino torna essa mudança inviável e injusta com o atleta.

Ezequiel Lavezzi alterna sua posição com Jérémy Ménez. Originalmente, o argentino atua como segundo atacante, mas em diversos momentos, desloca-se para a ponta-esquerda, com o francês ocupando seu espaço no ataque. El Pocho demorou a encontrar seu lugar no time de Ancelotti, mas já tem sido muito mais participativo e decisivo na Ligue 1 e também na Champions League.

Já Ménez não tem sido tão importante como foi na temporada passada, onde fez dupla infernal com o brasileiro Nenê, mas não é um jogador que possa ser desprezado. O meia-atacante francês é importante nas jogadas de contra-ataque, já que é veloz e tem bom controle de bola, além de criar muitos lances de perigo. Porém, Ménez se vê em desvantagem, se comparado aos argentinos, na questão da finalização. Esse nunca foi seu forte, não à toa, segundo estatística fornecida pelo site da Ligue 1, o francês, que tem apenas um gol no campeonato, finalizou 29 vezes e apenas 12 de seus chutes foram na direção da meta. Lavezzi finalizou menos – embora tenha menos partidas – mas tem um índice de acertos maior, 9 de 17.

Cabe a Ancelotti entender qual a melhor escolha para ser titular entre Ménez e Lavezzi: o italiano deve optar por um criador de jogadas, mas mal finalizador ou escolher um jogador que sabe fazer gols, mas que não deverá criar tanto quanto o outro?

Logo, se fosse apostar meu dinheiro em quem deixaria o time para a entrada de Lucas, seria em Ménez, pela menor importância que tem representado nesta temporada. Além do mais, com Lucas e Pastore no time, Lavezzi e Ibrahimović serão bem abastecidos, tornando a presença de Ménez um mero luxo.

Acredito, também, que caso deixe o francês de fora, o brasileiro atuaria mais avançado, fazendo companhia a Ibrahimovic. Claro que na ponta-esquerda seria até mais fácil de se adaptar, mas existem motivos para me levar a crer em tal mexida. Pastore, mesmo na ponta-direita, desloca-se muito para o centro, fazendo em alguns momentos a função de armador. Quando faz isso, o argentino abre espaços para Ménez ocupar o lado direito, deixando o PSG em um 4-2-3-1. Pastore, diferentemente do francês quando há essa rotação, fica mais distante de Ibrahimović, fazendo mesmo uma função de criação no meio-campo. Lucas poderia ocupar a faixa direita nessa rotação com mais efetividade que Ménez.

Mas como foi frisado diversas vezes no “Le Podcast du Foot”, o brasileiro vai entrar aos poucos no time do titular do PSG. Nos primeiros jogos, possivelmente entrará no rodízio do elenco de Ancelotti, salvo alguma demora a adaptação ao futebol europeu, poderá se tornar titular absoluto entre março e abril.

Qualquer outro posicionamento de Lucas no Paris Saint-Germain, será novidade para mim. Aliás, jogar fora do flanco direito já será algo novo para o brasileiro, mas, certamente, importante para sua evolução como jogador.