Quem será o Zizou da vez?

Zizou cresceu na hora certa

Dia 13 de junho de 2004. A Europa estava atenta para a estréia de duas seleções consideradas favoritas a vencer a UEFA Euro daquele ano: a França de Zinedine Zidane contra a Inglaterra de David Beckham. O Estádio da Luz em Lisboa ficaria pequeno para tantos craques e tantas emoções.

Era apenas o segundo dia de jogos e os anteriores apresentaram poucas emoções. Portugal, mandante, tropeçou diante da Grécia – tropeço que se repetiria no jogo final do torneio -, enquanto a Espanha vencera a Rússia pelo placar mínimo. Pelo mesmo grupo de franceses e ingleses, Suíça e Croácia empataram sem gols e a vitória em Lisboa destinaria a ponta do grupo logo na primeira rodada.

Assim como nas guerras, Inglaterra e França tinham um enorme histórico de jogos. No início, os ingleses dominavam completamente o confronto. Entre 1923 e 1931, foram seis jogos e seis vitórias inglesas, todas elas marcando pelo menos três gols. No sétimo jogo, em 1931, Les Bleus descontaram e venceram por 5×2, mas voltaram a ficar em uma série inativa de vitórias. Seu triunfo seguinte seria em 1946, vitória por 2×1.

Os primeiros duelos oficiais entre franceses e ingleses foram apenas nos anos 60. Em 1962 e 1963, a dupla se enfrentou na fase de qualificação para a Eurocopa. Na ida, em Sheffield, 1×1, na volta, em Paris, vitória francesa por 5×2. Em 1966 aconteceu o primeiro jogo em uma Copa do Mundo. As quase 100 mil pessoas que foram ao Estádio Wembley viram o English Team bater a França por 2×0, com dois gols de Roger Hunt.

O último duelo de Copa do Mundo entre as duas seleções foi em 1982. A seleção francesa, que encantara o planeta bola naquele ano, foi totalmente envolvida pela Inglaterra e deixou o San Mamés em Bilbao derrotada por 3×1. Não custa reforçar que o selecionado inglês, de Peter Shilton, derrotou, simplesmente, a França de Platini, Rocheteau, Giresse e Trésor.

Em 1992, aconteceu o primeiro duelo em uma Eurocopa. Porém, nada de gols. E olha que opções para as redes balançarem não faltaram. O English Team tinha Gary Lineker e Alan Shearer no ataque, enquanto os Bleus tinham Eric Cantona e Jean-Pierre Papin.

O confronto válido pelo Torneio da França de 1997 ficou marcado como a última vitória inglesa sobre a França. Depois daquele triunfo no Stade de La Mosson, 1×0 gol de Shearer, foram mais cinco jogos, com quatro vitórias francesas e um empate.

Mas voltando ao confronto de 2004, a Inglaterra parecia que finalmente tiraria a barriga da miséria. Vencia por 1×0, gol de Frank Lampard. O ídolo inglês, Beckham, teve participação decisiva no tento, pois foi ele quem cobrou a falta com precisão, na cabeça do meia do Chelsea.

Na etapa final, o English Team teve o jogo em mãos. Aos 28 minutos, o jovenzinho Wayne Rooney, na época com apenas 19 anos, recebeu em velocidade e só foi parado por Silvestre, que cometeu pênalti. David Beckham teve em seus pés a chance de dar a vitória para a Inglaterra, mas sua cobrança parou nas mãos de Barthez. O goleiro se redimiu de 1997, quando errou no gol de Shearer, no supracitado duelo do Torneio da França.

Falhar não era uma opção aceitável quando se tinha do outro lado Zinedine Zidane. Zizou, em dois toques de mestre, decidiu a peleja. Primeiro, aos 45 minutos, em cobrança de falta magistral, jogando ao lado direito do goleiro David James, que, parado, nada pôde fazer. No lance seguinte, Steven Gerrard recuou para seu arqueiro, mas não viu a presença de Henry, que venceu a disputa em velocidade, mas foi derrubado na grande área. Zidane cobrou o pênalti no mesmo lugar onde havia colocado a bola na cobrança de falta e virou a peleja para a França.

De falta, Zidane decidiu em 2004

As falhas nos acréscimos do árbitro, somado ao pênalti desperdiçado por Beckham, culminaram na derrota inglesa.

Em toda a história, franceses e ingleses se enfrentaram trinta vezes e o English Team leva ampla vantagem: 16 a 9 em vitórias, além de cinco empates. Porém, a França equilibrou esses números com o pequeno tabu supracitado, que dura desde 1997.

E na segunda-feira? Quem será o Zizou? A camisa 10 francesa é de Karim Benzema. Ele será capaz de decidir em dois lances como Zidane em 2004? Aguardemos!

FICHA TÉCNICA:

Estádio da Luz – Lisboa

França: Barthez; Thuram, Gallas, Silvestre (Sagnol) e Lizarazu; Pirès (Wiltord), Vieira, Makélélé (Dacourt) e Zidane; Henry e Trezeguet — Técnico: Jacques Santini

Inglaterra: James: Neville, King, Campbell e Cole; Beckham, Lampard, Gerrard e Scholes (Hargreaves); Rooney (Heskey) e Owen (Vassell) — Técnico: Sven-Göran Eriksson

Arbitragem: Markus Merk, Christian Schräer e Jan-Hendrik Salver (Alemanha)

Gols: Zidane, 90+1′ e 90+3′ (FRA); Lampard, 38′
Cartões amarelos: Silvestre e Pirès (FRA); James, Lampard e Scholes (ING)

EURO 2012: O grupo da vida

Para fechar esse balanço pré-Euro, chegamos ao Grupo D, o “Grupo da Vida”. Encontram-se nesta chave uma seleção se acertando, outra perdida entre diversas crises internas, outra com um dos maiores centroavantes da atualidade, além da seleção que recebe o torneio em sua casa e contará com o apoio da torcida.

Renovada, a França precisava justamente de um grupo como esse, onde saísse como favorita para conseguir confiança para o restante da competição; A Inglaterra, com muitos problemas internos e, mais recentemente, de contusão, dificilmente teria chances de se classificar em outro grupo; Ainda tem a Suécia, que conta simplesmente com Zlatan Ibrahimovic; Para fechar, uma das anfitriãs do torneio, a Ucrânia.

Confira abaixo a análise e as expectativas para cada uma das seleções nesta UEFA Euro.

UCRÂNIA: Que a torcida os ajude

Shevchenko encerrará sua carreira após a Eurocopa

Diferentemente da outra anfitriã, Polônia, a Ucrânia chega a Eurocopa com bem menos expectativas. Com sete jogadores acima dos 30 anos, o selecionado ucraniano participará pela primeira vez na história da competição européia com um time velho. O técnico Oleh Blokhin também possui em seu elenco oito atletas que, em 2006, estiveram com ele na Alemanha disputando a Copa do Mundo.

Falando no comandante ucraniano, este foi um dos problemas da seleção na preparação para a Euro. Myron Markevych iniciou no comando técnico, mas dividindo as atenções com seu time, o Metalist. Após problemas do clube com a federação ucraniana, ele teve de escolher entre um ou outro. O time que treinava desde 2005 foi a escolha. Em seguida, Yuriy Kalitvintsev assumiu interinamente, mas ficou por muito tempo, oito jogos, só atrasando o retorno de Blokhin, que já havia treinado a Ucrânia de 2003 a 2007. A indefinição só atrasou a formação do grupo e, também, uma sequência de trabalho não foi proporcionada e a seleção viveu tempos de incerteza.

Por isso, Blokhin aposta em figuras carimbadas, como Andriy Shevchenko, Artem Milevskiy, Andriy Voronin e Anatoliy Tymoshchuk, e ainda mantém como base do time os poderosos times locais, Dynamo e Shakhtar. Nove atletas do time de Kiev e seis da equipe de Donetsk foram chamados para a disputa do torneio.

Obviamente, o grande nome do time é Shevchenko, que dará um gás final na carreira nesta Eurocopa. O ex-atacante de Milan e Chelsea tenta vencer as lesões e assumir o protagonismo nessa Ucrânia que carece de atletas mais talentosos. Sheva é a grande referência do time, ao lado do experiente Milevskiy, que não viveu a melhor de suas temporadas pelo Dynamo.

Aos 22 anos, Yarmolenko e Konoplyanka surgem como boas esperanças para rejuvenescer o futebol do país, porém, ambos não parecem ser capazes de ter o brilhantismo que Shevchenko teve em seus tempos de Milan. A dupla atua no meio campo e deverá, não só municiar, como correr pela dupla do Dynamo.

A defesa não inspira nenhuma confiança. Blokhin teve problemas em definir o goleiro titular, graças às lesões de Dykan e Shovkovskiy e a suspensão por doping de Rybka. Pyatov do Shakhtar Donetsk deve ser o escolhido para assumir a titularidade, embora viva uma briga sadia com o atleta mais jovem do elenco, Maksym Koval, de 19 anos.

O ponto de confiança na defesa é Tymoshchuk, do Bayern. O volante, além de polivalente, é um dos líderes do time. Tymo é firme na marcação e não costuma comprometer nos passes.

Os ucranianos sabem que as chances de classificação são mínimas, mas o time e a torcida local querem dar um final de carreira digno ao maior jogador da história do país, Shevchenko. É óbvio que ele não repetirá as atuações de seus tempos de Milan, mas vai gastar suas últimas energias na Eurocopa.

CONVOCADOS:

Goleiros: Andrei Pyatov (Shakhtar Donetsk), Alexander Goryainov (Metalist Kharkiv), Maxim Koval (Dynamo Kiev)

Defensores: Taras Mykhalik, Yevgeny Khacheridi (ambos do Dynamo Kiev), Yaroslav Rakytsky, Alexander Kucher, Vyacheslav Shevchuk (do Shakhtar Donetsk), Yevgeny Selin (Vorskla Poltava), Bogdan Butko (Mariupol)

Meio-Campistas: Anatoly Tymoshchuk (Bayern-ALE), Oleg Gusev, Denis Garmash, Alexander Aliev, Andrei Yarmolenko (todos do Dynamo Kiev), Ruslan Rotan, Yevgeny Konoplyanka (ambos no Dnepropetrovsk), Sergei Nazarenko (Tavria Simferopol)

Atacantes: Andrei Shevchenko, Artem Milevsky (do Dynamo Kiev), Andrei Voronin (Dynamo Moscou-RUS), Yevgeny Seleznov, Marko Devic (ambos no Shakhtar Donetsk)

INGLATERRA: Um retorno sem estilo

A ausência de Rooney deve prejudicar a Inglaterra

Após nem se classificar para a Eurocopa de 2008, a Inglaterra volta a disputar o torneio europeu. Porém, o que deveria ser um retorno em grande estilo, não deve passar de mais um vexame para a enorme coleção que o English Team possui.

Assim como na Copa de 2010, o selecionado inglês tem seus problemas internos. No Mundial, o problema envolvia John Terry, Wayne Bridge e o já muito comentado -sabe-se lá porque “muito comentado” – “chifre”. Agora, o capitão do Chelsea está novamente envolvido no caso, só que desta vez é de racismo com Anton Ferdinand. Por causa disso, Rio Ferdinand, irmão de Anton, ficou de fora da lista inglesa.

Como todos também sabem, a troca de técnico no início de ano foi por causa do intercedimento da FA na capitania da seleção. Capello, técnico vencedor e experiente, não gostou disso e pediu seu boné e Roy Hodgson foi chamado para substituí-lo, enquanto muitos davam como certa a vinda de Harry Redknaap. O ex-técnico do Liverpool agora tem problemas físicos para ajeitar seu time. Frank Lampard, Gareth Barry e Gary Cahill já foram cortados por estarem lesionados.

O problema mais grave é de Wayne Rooney. Após chutar um jogador montenegrino nas eliminatórias para a Euro, o atacante do Manchester United foi suspenso por dois jogos e só poderá estrear na terceira rodada do torneio, quando, talvez seja tarde demais. Por causa dessa ausência, Hodgson vem tentando encontrar um centro-avante “tapa buraco” para esses dois jogos. Andy Carroll do Liverpool e Danny Welbeck do Manchester United foram os mais testados e a tendência é que o jovem Red Devil seja o titular.

Algumas dessas saídas forçadas deram uma rejuvenescida no elenco inglês. Além de Welbeck, os outros jovens convocados por Hodgson foram Jack Butland, Martin Kelly, Phil Jones, Jordan Henderson e Oxlade Chamberlain, todos eles abaixo dos 23 anos.

Sem Lampard e Barry, a Inglaterra terá de se virar com Parker – lesionado durante a parte final da temporada – e Gerrard – novamente abaixo do que pode render. Ambos são talentosos, mas tanto Lampard, quanto Barry fizeram boas temporadas por seus clubes e formariam uma dupla firme na faixa central do ortodoxo 4-4-2 inglês.

Com a saída da dupla central e a suspensão de Rooney, o peso cairá sobre Ashley Young. Após boa temporada pelo Manchester United, o camisa 11 inglês deverá atuar aberto pela esquerda e ser o diferencial do time, já que pela outra ponta deverá jogar o velocista Walcott. Young só precisa perder a fama de “cai-cai” que ganhou no final da temporada inglesa. Em uma Eurocopa, manter esse estilo lhe dará uma fama eterna e reconhecida mundialmente.

Diferentemente de outras competições, a Inglaterra não chega como favorita e parece saber disso. Hodgson tem preparado seu time para jogar no contra-ataque, ao melhor estilo Chelsea. Os Blues conquistaram a Europa assim, será que a história se repetirá com o English Team?

CONVOCADOS:

Goleiros: Joe Hart (Manchester City), Robert Green (West Ham), Jack Butland (Birmingham City)

Defensores: Leighton Baines (Everton), Martin Kelly (Liverpool), Ashley Cole (Chelsea), Glen Johnson (Liverpool), Phil Jones (Manchester United), Joleon Lescott (Manchester City), John Terry (Chelsea), Phil Jagielka (Everton)

Meio-Campistas: Stewart Downing (Liverpool), Steven Gerrard (Liverpool), Jordan Henderson (Liverpool), James Milner (Manchester City), Alex Oxlade-Chamberlain (Arsenal), Scott Parker (Tottenham), Theo Walcott (Arsenal), Ashley Young (Manchester United)

Atacantes: Andy Carroll (Liverpool), Jermain Defoe (Tottenham), Wayne Rooney (Manchester United), Danny Welbeck (Manchester United)

SUÉCIA: Bastará a experiência?

Ibra: bem ou mal?

Sem nenhum jogador abaixo dos 23 anos, a Suécia chega para a sua quarta Eurocopa consecutiva buscando resultados melhores. Nas edições anteriores, a melhor campanha do selecionado nórdico foi em 2004, quando caiu apenas nas quartas-de-final.

Naquela edição da UEFA Euro, Zlatan Ibrahimovic surgiu para o mundo. Em um belo gol de calcanhar, contra a poderosa Itália, Ibra mostrou do que era capaz. Hoje em dia, a Suécia de Erik Hamren vive um dilema envolvendo o jogador. Na partida diante da Holanda, ainda nas eliminatórias para o torneio, o selecionado sueco não tinha Ibrahimovic à disposição, ainda assim, venceu por 3×2. Talvez tenha sido a melhor atuação da Suécia de Hamren.

Seria um problema ter Ibra no elenco? Acredito que não, até porque os suecos baseiam seu jogo no astro do time. Quando a missão é defender, Ibrahimovic será o atacante mais isolado, buscando meter pra dentro as poucas bolas que receber. Quando o time buscará mais o ataque, a tendência é que o atacante milanista tenha a companhia de Elmander no ataque.

Mesmo assim, a Suécia não é um time que possui apenas Ibrahimovic como destaque. Ola Toivonen foi autor de 18 gols pelo PSV na última temporada e é uma boa alternativa de ataque. No meio-campo, Hamren terá a sua disposição Kim Källström, Sebastian Larsson e Anders Svensson, todos bons passadores.

Porém, o sinônimo desta seleção sueca não é técnica, como os parágrafos anteriores dão a entender, mas sim “experiência”. Cinco atletas irão para sua terceira Euro, enquanto outros cinco irão para a segunda disputa. Apenas Olof Melberg está desde 2000 jogando o torneio europeu pela Suécia, será sua quarta participação.

Porém, Erik Hamren têm conseguido mesclar razoavelmente bem a juventude com a experiência. Mesmo sem ter atletas abaixo dos 23 anos, sete jogadores que estiveram disputando a Euro Sub-21 de 2009 – que a Suécia caiu nas semifinais para a Inglaterra – foram convocados para a disputa da Eurocopa.

A seleção sueca não vem para o torneio apenas para ficar como figurante. A única ausência foi na Copa de 2010 nos últimos doze anos, a Suécia quer se tornar mais do que um time de constantes aparições, para virar, quem sabe, uma potência. A chance de classificação é real, mas mesmo apresentando um bom conjunto, Ibrahimovic precisará estar inspirado para os suecos conseguirem ir longe

CONVOCADOS:

Goleiros: Andreas Isaksson (PSV Eindhoven-HOL), Johan Wiland, (Copenhagen-DIN), Pär Hansson (Helsingborg)

Defensores: Mikael Lustig (Celtic-ESC), Olof Mellberg (Olympiakos-GRE), Andreas Granqvist (Genoa-ITA), Martin Olsson, (Blackburn-ING),Jonas Olsson (West Bromwich-ING), Behrang Safari (Anderlecht-BEL), Mikael Antonsson (Bologna-ITA)

Meio-Campistas: Rasmus Elm (AZ Alkmaar-HOL), Sebastian Larsson (Sunderland-ING), Kim Kallstrom (Lyon-FRA), Anders Svensson (Elfsborg), Pontus Wernbloom (CSKA Moscow-RUS), Samuel Holmen (Istanbul BB-TUR), Emir Bajrami (Twente-HOL), Christian Wilhelmsson (Al-Hilal-ARA)

Atacantes: Zlatan Ibrahimovic (Milan-ITA), Johan Elmander (Galatasaray-TUR), Tobias Hysen (IFK Gotemburgo), Ola Toivonen (PSV Eindhoven-HOL), Marcus Rosenberg (Werder Bremen-ALE)

FRANÇA: Últimos ajustes

Benzema vestirá a lendária camisa 10 francesa

A Alemanha tem problemas nítidos na zaga; a Holanda ainda precisa encontrar um lateral-esquerdo; enquanto a Espanha jogará sem os líderes Villa e Puyol. Dentre aos selecionados postulantes ao título, podemos dizer que a França é a mais inteira entre todas.

Completamente destruída após a Copa do Mundo de 2010, Laurent Blanc chegou e botou ordem na casa. Arrumou a defesa, trouxe talento para o meio-campo e facilitou tudo para o matador Benzema. Chamar a França de grande favorita é exagero, mas o ex-treinador do Bordeaux tem pouca coisa para arrumar nesta tradicional seleção.

Na zaga, Rami e Mexès foram várias vezes utilizados por Blanc, mas ainda não passam grande confiança para o torcedor. Enquanto Patrice Evrá, aos 31 anos, parece sentir o peso da idade e vai enxergando o mais jovem Clichy tomar um pouco de seu espaço. Mas ainda assim, é um setor que o técnico parece ter controle absoluto e consciência do que faz.

O problema da cabeça de área é apenas de quantidade. Yohan Cabaye, que fez temporada fantástica pelo Newcastle, deve ser titular ao lado de Yann M’Vila, porém, o segundo teve problemas no tornozelo nos amistosos de preparação e talvez desfalque a França em alguns jogos. O problema está aí: se M’Vila não jogar, joga quem? Alou Diarra teve temporada terrível pelo Marseille, enquanto Matuidi tem pouca experiência internacional.

O oposto acontece na linha de armadores. A dúvida de Blanc não se deve a escassez e sim ao excesso de opções. Franck Ribéry e Samir Nasri parecem ter suas vagas garantidas. Jérémy Ménez e a novidade Hatem Ben Arfa lutam pela titularidade. Florent Malouda corre por fora, porém, ter sido banco durante toda a temporada no Chelsea e ainda ter sofrido uma lesão na reta final de temporada deve pesar na decisão de Blanc. Mathieu Valbuena teve temporada decepcionante, como quase todo o time do Marseille, e deve ser a última opção do técnico.

Yoann Gourcuff poderia ser uma alternativa para suprir essa ausência, porém, o meia do Lyon não conseguiu vencer as lesões. Ele até foi convocado para a pré-lista – isso após conseguir uma boa sequência de jogos no fim da temporada -, mas não convenceu nos amistosos e ficou de fora da lista final.

No ataque, Karim Benzema é titular indiscutível. O atacante do Real Madrid teve, nos números, a melhor temporada de sua carreira, superando 2007-08. Na citada temporada, quando ainda defendia o Lyon, o atacante anotou 31 gols e deu 10 assistências. Na temporada mais recente, Benzema balançou as redes 32 vezes e ainda deu 15 assistências.

Há quem defenda a tese de que o atacante do Real Madrid deva ter um parceiro de ataque, e este seria Olivier Giroud, artilheiro do Campeonato Francês pelo Montpellier. Acredito que Blanc só usará esse esquema quando for realmente preciso marcar gols, no desespero.

A França pode ser colocada entre as favoritas. Não perde desde 2010 e o técnico Blanc tem poucas dúvidas na montagem do time titular. É claro que manter essas dúvidas no percorrer do torneio não será legal, mas comparadas a outras seleções colocadas como favoritas, os problemas são menores.

CONVOCADOS

Goleiros: Cedric Carrasso (Bordeaux), Hugo Lloris (Lyon), Steve Mandanda (Olympique de Marseille)

Defensores: Gael Clichy (Manchester City-ING), Mathieu Debuchy (Lille), Patrice Evra (Manchester United-ING), Laurent Koscielny (Arsenal-ING), Philippe Mexès (Milan-ITA), Adil Rami (Valencia-ESP) e Anthony Reveillere (Lyon)

Meio-Campistas: Yohan Cabaye e Hatem Ben Arfa (Newcastle-ING), Alou Diarra (Olympique de Marseille), Florent Malouda (Chelsea-ING), Marvin Martin (Sochaux), Blaise Matuidi (Paris Saint-Germain), Yann M’Vila (Rennes), Samir Nasri (Manchester City-ING)

Atacantes: Karim Benzema (Real Madrid-ESP), Olivier Giroud (Montpellier), Jeremy Menez (Paris Saint-Germain), Franck Ribéry (Bayern-ALE) e Mathieu Valbuena (Olympique de Marseille)

*Crédito das imagens: Reuters

Euro 96 – O futebol volta para casa

Colorado, analista de TI na RBS/RS e fanático por futebol inglês, Alexandre Perín é mais um a contribuir com o “Futebol Europeu Online” em mais um “Conto da Euro”. Em seu blog, o “Almanaque Esportivo”, Perín mudou um pouco o seu estilo de escrever sobre regulamentos, regras e fatos curiosos que cercam o mundo dos esportes, para destacar um dos eventos futebolísticos que mais marcaram sua vida, a Euro de 96.

Meses atrás, também destaquei a competição, mas abrangendo a disputa de pênaltis. Naquela edição da Eurocopa, a Inglaterra conquistou sua primeira e única vitória em uma série de cobranças da marca fatal. Um contexto histórico que envolvia o English Team foi destacado.

Perín escreveu de um modo diferente. A pedido deste blogueiro que vos escrever, o colorado escreveu sobre o torneio que mais o agradou e o porque tal agrado. Confira abaixo as impressões de Alexandre Perín.

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Surpresa, drama, glória, dominação. Sentimentos diversos ecoam em minha mente ao recordar a Eurocopa de 1996. Confesso que, depois da minha euforia com a conquista da Dinamarca em 92 contra todas as expectativas, a ansiedade estava alta. Seria a chance de ver o renascido futebol inglês. Naquela época, sem globalização da mídia, apenas ouvíamos falar do que ocorria nos gramados britânicos. Foram os ingleses os primeiros a tratarem os torcedores como verdadeiros clientes, promovendo o conforto e reformando seus centenários estádios a um nível ainda não visto neste esporte. Uma mudança que, gradualmente, atingiria todo o planeta…

A expectativa com relação aos times era bastante alta. Cinco times europeus estavam entre os oito melhores do Mundial de 1994: Itália, Bulgária, Alemanha, Romênia e Holanda. A anfitriã Inglaterra, ausente do Mundial anterior, merecia a condição de favorita com uma equipe jovem e qualificada. Já a “Nova Europa”, sem o bloco comunista, se mostrava presente com a República Tcheca – da outrora unida Tchecoslováquia – e a Croácia – saída da guerra civil que dissolveu a Iugoslávia -, times que chamavam a atenção pela técnica apurada.

Embalado pela trilha do Lightning Seeds, “Football is Going Home”, os ingleses faziam um revival do Mundial de 1966, seu grande momento. Na base do time, tínhamos a segurança de David Seaman e Paul Ince ao lado da juventude de Alan Shearer, Jamie Redknapp e Steve McManaman. Depois da dramática semifinal de 1990 em Turim, os ingleses precisavam ganhar confiança sob a tutela de Terry Venables. É verdade que um decepcionante empate em 1×1 contra a Suíça não ajudou a sempre instável autoconfiança local. Principalmente porque o adversário seguinte seria a rival Escócia em um Wembley angustiado…

Gascoigne e sua marcante comemoração diante da Escócia (Getty Images)

O 0x0 do 1º tempo se transformou em uma vantagem mínima, gol de Shearer. Gary McAllister teve a chance do empate escocês, mas Seaman pegou o pênalti. Sessenta segundos depois, Gascoigne marcaria um gol antológico, dando um balãozinho em Colin Hendry e desferindo um petardo sem deixar a bola cair. O 2×0 embalou o time, que atropelou a fortíssima Holanda – cuja base era o campeão europeu Ajax – por 4×1. Aliás, o solitário gol de Patrick Kluivert seria crucial para a classificação holandesa, para desespero da Escócia, de novo eliminada no saldo de gols.

No Grupo B, franceses e espanhóis atropelaram romenos e búlgaros e se classificaram com facilidade. A França, treinada por Aimée Jacquet, tinha praticamente todo o time que seria campeão mundial em dois anos. Enquanto isto, na chave C ocorreu à primeira zebra. Após uma decisão bizarra de poupar jogadores, o técnico Arrigo Sacchi selou seu destino quando viu a Itália levar 2×1 da República Tcheca. Na rodada posterior, um jogo maluco no qual os tchecos levaram 3×2 de virada e arrancaram o empate nos acréscimos contra a eliminada Rússia. Agonizante, o time italiano empatou em 0x0 com a Alemanha, campeã do grupo, e ficou fora das quartas. Finalizando, a campeã Dinamarca e a fraca Turquia não jogaram nada e foram eliminadas facilmente no grupo D pelas surpresas Croácia e Portugal, no primeiro brilho da geração de Luís Figo e Rui Costa.

Nas quartas, a Inglaterra sofreu com a Espanha, mas venceu nos pênaltis após um 0x0 arrastado. Vale lembrar a emoção de Stuart “Psycho” Pearce após converter sua cobrança, ele que havia errado nas semis de 90 contra os alemães. A França superou a Holanda nos pênaltis, também depois de um 0x0 bem ruim. Em um jogo superior, a Alemanha bateu a Croácia por 2×1, gols de suas estrelas: Klinsmann e Sammer pela Alemanha, Davor Suker pelos croatas. Que, aliás, reclamariam muito da arbitragem, e teriam vingança em dois anos… Finalmente, a República Tcheca bateu Portugal por 1×0 com um gol espetacular de Karel Poborsky e se classificou para as semifinais. Poborsky, aliás, ofuscava a estrela Patrik Berger e era o maestro de sua equipe, na qual brilhava também o atacante Vladmir Smicer.

No primeiro jogo das semifinais, um novo 0x0 muito ruim e decidido nos pênaltis entre França e República Tcheca, um confronto de duas ótimas defesas. Nas penalidades, vitória dos tchecos, que chegavam a uma surpreendente decisão. Eles aguardariam o vencedor daquele que seria um dos mais dramáticos jogos da história da Eurocopa.

‘Andi’ Möller comemorou ao estilo Gascoigne na eliminação inglesa

Ecos de 1966, com Bobby Charlton na arquibancada de um Wembley eletrizante. No campo, com dois timaços de cada lado, os ingleses saíram na frente com mais um gol de Shearer, mas o reserva Stefan Kuntz empatou para os alemães. Na prorrogação, Darren Anderton e Paul Gascoigne erram gols inacreditáveis e o jogo foi para os pênaltis. Depois de 10 cobranças perfeitas, Southgate bateu e Andreas Kopke defendeu. O capitão Andreas Möller, suspenso da final pelo 2º amarelo, converteu e destroçou os corações ingleses. O sonho acabou. Era hora de voltar para casa.

A decisão seria vista como uma espécie de anticlímax. A Alemanha era absolutamente favorita, inclusive, tendo vencido a República Tcheca na estréia da Euro por 2×0. Entretanto, o drama da final de 1992 voltou a ocorrer: nervosos, os alemães não conseguiam mostrar seu melhor futebol e experiência, e acabaram sendo envolvidos. Em uma penalidade discutível de Mathias Sammer, Patrik Berger fez 1×0 aos 25 do 2º tempo. Seria o fim?

Não. A salvação germânica viria de um nome improvável, escolhido do banco de reservas pelo treinador Berti Vogts. O atacante Oliver Bierhoff entrou e logo em seu primeiro toque na bola empatou em 1×1, conferindo de cabeça. “Morte Súbita”, quem fizesse primeiro na prorrogação seria o campeão. Quis o destino que o reserva e nada cotado Bierhoff, em um chute desviado na zaga tcheca e que contou com a falha do goleiro tcheco Petr Kouba, desse o tricampeonato europeu para a Alemanha logo a cinco minutos.

Klinsmann ergueu a Eurocopa diante da rainha Elizabeth (Getty Images)

A Alemanha dominava a Europa novamente!

Seria esta a última conquista internacional dos alemães.

Eles bateram na trave em 2002 no Mundial (Brasil) e 2008 na Eurocopa (Espanha).

Até hoje…

Quem diz que vizinho não se entende?

Uma hora é o som alto, outra hora é a gritaria, outra hora são os bichos de estimação, na outra é a sujeira… Enfim, sempre há uma reclamação sua do vizinho, ou do vizinho pra você. No futebol é quase a mesma coisa. Geralmente, vizinhos no mundo futebolístico são rivais e se odeiam até a alma. Mas isso não impede que em alguns casos eles se entendam. É o que aconteceu em 1992.

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A Suécia recebeu a nona edição da UEFA Euro

O ano era 1992 e a Escandinávia receberia uma Eurocopa. O país em questão era a Suécia. Mesmo com toda boa organização feita, algo já esperado de uma entidade como a UEFA, o torneio teve alguns percalços antes mesmo de seu início.

A Iugoslávia era uma das seleções que estava qualificada para a Euro 1992. A seleção treinada por Ivica Osim terminou em primeiro no Grupo 4 das eliminatórias, tendo somado 14 pontos, ficando na frente de Dinamarca, Áustria, Irlanda do Norte e Ilhas Faroe. Porém, os iugoslavos, que terminaram a fase qualificatória com o melhor ataque – 24 gols – e com Pancev de artilheiro – 10 gols – não pode participar da fase final. Uma guerra que acontecia no país, somadas a alguns problemas políticos, forçaram a UEFA a banir os iugoslavos da competição.

A Dinamarca, que acabara na segunda colocação no grupo da Seleção Iugoslava, foi convidada para participar do torneio em seu lugar.

O outro “problema” talvez até não mereça receber esta alcunha. A União Soviética, única seleção ao lado de França e Inglaterra a se classificar para a fase final do torneio de forma invicta, foi desmantelada no final de 1991 após o fim da Guerra Fria. O resultado disto foi que a seleção que disputou a Euro de 1992 foi um “apanhado” de jogadores das repúblicas da ex-União Soviética, menos Estônia, Letônia e Lituânia, formando estão a CIS – Commonwealth of Independent States, em português, Comunidade dos Estados Independentes. A base do time era feita por jogadores russos e ucranianos, porém, muito enfraquecida, já que alguns atletas importantes decidiram não se juntar a esta seleção.

No resto, nenhum problema maior!

Julgando apenas os nomes, poderíamos dizer que o grupo A era o mais curioso. Duas seleções nórdicas estariam frente-a-frente: Suécia e Dinamarca, vizinhos no continente, mas naquela oportunidade, adversários no gramado. Do outro lado, duas seleções com história e que saíram da fase de grupos invictas: França e Inglaterra.

E o interesse pelo grupo não ficou apenas no pensamento, já que tivemos emoção até a última rodada. Só para ter noção do nível de dramaticidade do grupo, a primeira vitória saiu no quarto jogo, Suécia 1×0 Dinamarca. Este triunfo foi o impulso necessário para os suecos conquistarem a torcida local e buscar a vitória no jogo seguinte diante a Inglaterra – 2×1, com mais um gol de Brolin, que já havia deixado sua marca na partida contra a França – e consequentemente, a classificação.

Já os Dinamarqueses pareciam desinspirados. Chegavam ao torneio como convidados e dos quatro pontos – a vitória valia dois pontos na época – possíveis para se somar, apenas um veio. A sorte da Dinamarca era que tanto França quanto Inglaterra somaram dois pontos. E como foi dito no parágrafo anterior, o English Team perdeu na última rodada para a Suécia, então bastava aos dinamarqueses uma vitória sobre a França para voltar a uma semifinal desde 1984, quando ganharam o apelido de “Dinamite Dinamarquês”, graças a bela campanha no torneio.

Henrik Andersen e Flemming Povlsen comemoraram a classificação dinamarquesa (Getty Images)

O duelo contra a França estava nervoso. Já passávamos dos 30 minutos da etapa final e dinamarqueses e franceses estavam no 1×1 – Larsen pra Dinamarca e Papin para a França -, mesmo resultado de Suécia e Inglaterra. Os anfitriões da competição estavam se classificando, enquanto franceses e ingleses estavam empatados em todos os critérios. Pior pra Dinamarca, que eliminada, ficaria chupando dedo. Só que um jogador salvou a pátria dinamarquesa: seu nome é Lars Elstrup.

O atacante que defendia o Odense aproveitou cruzamento rasteiro que veio da direita e completou pro gol. Mal sabia Elstrup que este gol decisivo foi uma surpresa inclusive pro técnico Richard Moller-Nielsen, que anos mais tarde declarou que já estava se preparando para consertar a cozinha, quando soube que sua seleção disputaria a Euro de 92.

Minutos depois, Brolin marcaria mais um para a seleção sueca e classificaria as duas seleções nórdicas para as semifinais da Euro 92. Um feito marcante ter duas seleções da mesma região do continente disputando a fase decisiva do maior torneio de seleções da Europa, ainda mais que ambos os selecionados poderiam ser considerados azarões na competição.

Os suecos protagonizaram um jogo histórico, porém, com final triste na semifinal. O adversário da vez era a Seleção da Alemanha, comandada pelo lendário Berti Vogts. Os alemães venceram por 3×2, mas com alta dose de dramaticidade. Com o jogo em 2×1, Riedle marcou o terceiro gol aos 43 minutos da etapa final e um minuto depois, Kennet Andersson descontou. Só que a reação sueca parou por aí.

Na outra semifinal, a Dinamarca bateu de frente com a Holanda e os dois selecionados proporcionaram um confronto que não perdeu em dramaticidade para a outra semifinal. Os dinamarqueses levavam a vitória por 2×1 até os minutos finais, quando Frank Rijkaard empatou o jogo quando restavam menos de cinco minutos para encerrar a partida.

A partida foi para as penalidades e foi a hora da grande estrela dinamarquesa brilhar. Peter Schmeichel já havia evitado a derrota de sua seleção no tempo normal, após fazer inúmeras defesas importantes. Na hora que o goleiro só tem uma alternativa – defender o pênalti – a sua estrela teve o maior brilho. Schmeichel catou uma cobrança de van Basten, herói holandês no título da última Eurocopa, e colocava sua seleção numa inédita final continental. E os dinamarqueses, de convidados eram finalistas da Eurocopa!

Na final, teríamos o voluntarioso time dinamarquês contra o badalado esquadrão alemão. A Alemanha tinha nomes de peso no cenário internacional, como Völler, Effenberg, Klinsmann e Sammer, já a Dinamarca não poderia se gabar de ter seu principal nome no torneio. Michael Laudrup, grande jogador do país na época, decidiu não participar da competição por divergências com o técnico. Um grande tapa na cara do atacante, que deixou de ser a estrela de uma seleção marcante.

Jogando de forma simples, porém, muito eficiente, a Dinamarca conseguiu terminar a etapa inicial com 1×0 de vantagem. O tento foi anotado John Jensen, em um petardo que deixou Bodo Ilgner sem pai nem mãe, vide velocidade e colocação do tiro. Assim como nos jogos anteriores, muito do placar vantajoso se devia a atuação de Schmeichel, que novamente ia salvando sua seleção.

E a história se repetira na etapa final, com o arqueiro evitando o empate alemão. Só que em feroz contra-ataque, Vilfort matou a decisão ao chutar no contrapé de Ilgner.

Em 1992, a Dinamarca conquistou a Europa pela primeira vez (Getty Images)

Após o apito final do árbitro, uma emoção nunca antes sentida pelos dinamarqueses explodiu no estádio Ullevi em Götemburgo. A Dinamarca, outrora badalada – “Dinamite Dinamarquês” e “Dinamáquina” são só alguns exemplos de times anteriores ao campeão em 92 – conquistava um título europeu em cima de um gigante do continente e todos os atletas eram gratos a Schmeichel, o humilde astro daquele time.

As fantásticas campanhas de Dinamarca e Suécia deixaram um enorme legado para o futebol escandinavo. Muitos dos atletas que participaram da Eurocopa em 1992, viriam também a participar de competições futuras tanto de Dinamarca, quanto da Suécia. O problema de ambos foi uma tal seleção que tem apelido de Amarelinha. O Brasil parou os suecos na Copa de 1994 e os dinamarqueses em 1998.

Será que se não fosse a Seleção Brasileira, esses selecionados seriam mais do que “um rostinho bonito”? Impossível saber! Mas o fato é que a Euro 92 ficou marcada na história de Dinamarca e Suécia, já que foi o pontapé inicial para o considerável avanço de ambos países no cenário futebolístico.

O dia que o quase não existiu

David Batty é um dos que ficou marcado por perder um pênalti decisivo pelo English Team

No dia 30 de novembro de 1872, a Inglaterra não fazia apenas seu primeiro jogo como Seleção, mas também protagonizava o primeiro confronto entre seleções na história do futebol. O duelo contra a Escócia – eterna rival – acabou sem gols. Quase cem anos depois, o então árbitro alemão, Karl Wald, introduziu na Alemanha a disputa por pênaltis, isso em 1970. Este sistema de desempate só foi aparecer em uma Copa do Mundo doze anos depois, na Copa do Mundo realizada na Espanha.

Você pode estar se perguntando neste exato momento: o que a disputa de pênaltis tem haver com o English Team? E o pior: o que tem haver com a Euro? Simples. O time britânico, que mesmo tendo um título mundial, acumula fracassos em todos os tipos de competição, só tem uma vitória nos penais e foi em uma Eurocopa.

Essa vitória aconteceu justamente em uma Euro que tinha tudo pra ser positivamente histórica para a Inglaterra: a Euro 96, realizada na própria Inglaterra.

A união era total, o país inteiro em pró de uma seleção! Todos queriam melhores resultados, já que a melhor atuação inglesa em uma Eurocopa havia sido em 1968, com um terceiro lugar. Desde a edição realizada na Itália até a que seria disputada em 96, seis Eurocopas foram realizadas e o English Team só havia participado de três delas, tendo em todas sido eliminado ainda na primeira fase. Para somar com tudo isso, coloque a ausência na Copa do Mundo de 1994. A Inglaterra tinha a obrigação moral de satisfazer seu torcedor com uma campanha digna.

Mas para poder começar a contar a história da Euro 96, é preciso retornar para a Copa do Mundo de 1990.

A Inglaterra não estava com uma campanha pra lá das melhores. A seleção de Bobby Robson terminara a primeira fase com dois empates e uma vitória magra sobre o Egito – 1×0. Na fase de mata-mata, mais sufoco. Nas oitavas de final, os ingleses só passaram pelos belgas no último minuto da prorrogação, graças a um gol de Platt. Nas quartas-de-final, a Inglaterra foi surpreendida pelo time mais atrevido daquela Copa, Camarões. A vitória por 3×2 só veio na prorrogação, no jogo que foi pra muitos, o melhor da Copa do Mundo de 90.

Mesmo com essa campanha frustrante, a Inglaterra chegava para a semifinal da Copa podendo voltar a uma final desde 1966, quando vencia o torneio dentro de seu país. O adversário da então semifinal era a mesma equipe que derrotara na final da Copa de 66, a Alemanha Ocidental.

Quando beirávamos o minuto de número 60 da semifinal, falta para a Alemanha a poucos passos da grande área. Andreas Brehme é o encarregado da cobrança. A bola é rolada pro então meia da Internazionale, que finaliza firme, a bola desvia em Paul Parker e encobre Peter Shilton. Era o primeiro gol do jogo, o tento que ia tirando a Inglaterra de uma nova final mundial.

Só que na época, o grande nome da Inglaterra era Gary Lineker, que após salvar a Inglaterra nas quartas de final – anotou dois dos três gols ingleses – não mediu esforços para evitar a eliminação do English Team. Lineker recebeu cruzamento de Parker – o mesmo que desviou a bola na hora do gol alemão -, passou pela marcação e atirou cruzado, deixando tudo igual e forçando o tempo extra.

Em sua primeira disputa de pênaltis, os ingleses saíram derrotados

Nos dois tempos de 15 minutos, nada de gols e a Inglaterra passaria a conhecer algo novo em sua já centenária carreira futebolística: a disputa de pênaltis. Tudo ia bem para a Inglaterra! Cobrando primeiro, os ingleses sempre sabiam o que fazer pra se manter em vantagem. A história ia sendo escrita desse modo, até chegar a vez e Stuart Pearce cobrar. A disputa estava 3×3 e o jogador do Nottingham Forest desperdiçou sua cobrança ao bater no centro do gol e ver Illgner defendê-la. Na quinta e decisiva cobrança, Waddle, já vendo sua seleção em desvantagem, decidiu encher o pé e mandou na lua. Era a primeira decisão por pênaltis inglesa e a primeira derrota.

Agora sim podemos voltar para a Euro 96, que como eu disse anteriormente, era de obrigação da seleção de Terry Venables conseguir uma campanha digna.

Isso foi feito na fase inicial. Na estreia, decepção, empate em 1×1 com a Suíça, mas depois viria a vitória sobre a Escócia por 2×0, gols de Paul Gascoigne e Alan Shearer. Depois disso, pouco importava a classificação, já que um rival histórico havia sido derrotado. A goleada por 4×1 sobre a Holanda – se não fosse esse gol de honra anotado por Kluivert, os holandeses seriam eliminados pelo saldo – serviu só pra fechar bem a fase de grupos.

Chega a fase de quartas-de-final e a seleção que enfrentaria a Inglaterra era a Espanha, time que na fase de grupos só conseguira a classificação após vitória heróica sobre a Romênia na última rodada.

Mas pareceu que naquele 22 de junho, os espanhóis jogaram no lixo toda a sua campanha na primeira fase, pois em nenhum momento tremeram diante dos mais de 75 mil ingleses que acompanharam a partida no Wembley. Foi a melhor partida da Espanha naquela edição da Eurocopa.

Ao final de 120 minutos, o placar mostrava 0x0. Uma pena! O jogo tinha sido muito movimentado, com chances de gols pros dois lados. Mas a vida é assim! Pênaltis!

Na disputa de penais, os ingleses foram perfeitos: quatro cobranças, quatro acertos. Um dos jogadores que converteu foi Stuart Pearce, o mesmo que havia desperdiçado sua cobrança em 1990, contra a Alemanha. Após ver a bola balançar as redes, Pearce vibrou de forma acalorada, como se estivesse desabafando pelos vários anos de chacota e humilhação que sofrera por causa do pênalti de 1990.

Ao contrário dos ingleses, o espanhóis falharam na hora H – como era de costume na época –  e Hierro e Nadal acabaram desperdiçando suas cobranças.

Era a segunda disputa de pênaltis da seleção inglesa e sua primeira vitória… O que os ingleses não imaginavam na época é que aquela vitória em 1996 seria a única em disputa de penais.

Southgate ficou marcado por perder o pênalti que eliminou a Inglaterra na Euro 96

Logo na fase seguinte, a Inglaterra daria de cara com a Alemanha, seleção que a derrotara na Copa do Mundo de 1990. Pode-se dizer que vimos um jogo atípico no Wembley. Os primeiros 90 minutos foram tensos, mas com gols. Shearer para a Inglaterra e Kuntz para a Alemanha. Esse placar forçou a prorrogação. Acontece que nos 30 minutos adicionais, o jogo foi bem aberto e não morno como deveria se esperar. Os ingleses chegaram a meter uma bola na trave e Gascoigne perdeu um gol com a trave aberta. Já os alemães tiveram um gol anulado – de forma bem esquisita. Nada que impedisse a disputa de pênaltis.

“Loteria” ou não, o fato é que todos estavam com os pés calibrados na disputa de pênaltis. Menos Gareth Southgate… O na época jogador do Aston Villa foi o sexto cobrador inglês e acabou cobrando fraco, fácil para a defesa de Köpke. Möller converteu o pênalti seguinte colocou a Alemanha na final. Já Southgate, carrega aquela cobrança desperdiçada até hoje, ficou marcado!

A Seleção Alemã iniciara em 1990 com a tradição inglesa de sempre perder em disputas de pênaltis e em 1996, deu sequencia a esse costume. O English Team passou por mais três disputas por pênaltis e foi derrotada em todas – Argentina na Copa de 98 e Portugal na Euro de 2004 e na Copa de 2006.

Grupo da morte? Discordo

Toda vez que chegamos no dia de um sorteio para os grupos de uma grande competição, sempre fica aquela expectativa de ver um “grupo da morte”. A expectativa é tanta, que a gente às vezes enxerga um grupo forte e logo já vamos chamando de “grupo da morte”. Na maioria das vezes o grupo só tem uns times de destaque e só, não é um grupo da morte. Pelo menos pra mim, foi o que aconteceu nesta sexta-feira, após o sorteio dos grupos da Uefa Euro 2012.

O grupo B do torneio será formado pelo segundo e terceiro colocado da última Copa do Mundo, respectivamente, Holanda e Alemanha. Além de ter seleções de certo renome, como Dinamarca e Portugal, nomes constantes em Eurocopa.

Logo após a confirmação do grupo, vários comentários surgiram como “temos o grupo da morte” ou “este é o grupo que queríamos ver”. Mas honestamente, discordo da afirmação de que o grupo B da Eurocopa é o “grupo da morte”.

Joachim Löw, Morten OIsen, Paulo Bento e Bert Van Marwijk: técnicos do grupo B (Sports File)

Primeiro de tudo: a Alemanha está acima das três seleções. A Nationalelf não tem uma grande solidez defensiva, porém, o ataque compensa. Podolski, Müller, Özil e Klose formam um quarteto letal. Isso que Jögi Löw tem a disposição no banco jogadores como Götze, Reus e Mário Gomez. Nas eliminatórias, a Alemanha fez dez jogos e venceu todos, tendo marcado 34 gols e sofrido 7. A seleção não só é favorita no grupo como é favorita ao título.

A segunda força do grupo é a Holanda. Atuais vice-campeões mundiais, a Laranja pode não apresentar um futebol vistoso como outrora, mas tem um time muito consistente. O grande pecado do time fica na falta de um homem decisivo. Sneijder acaba sendo mais um “coadjuvante decisivo”. Não é o cara que põe a bola na rede, mas é aquele que sempre deixa os companheiros em condições de fazer o gol. Robben vive machucado e desde que voltou nesta temporada, tem produzido pouco. Van Persie, grande nome holandês do momento, não traduz na seleção o que produz no Arsenal, vide a última Copa do Mundo, onde marcou somente um gol.

A terceira força do grupo fica dividida entre Portugal e Dinamarca. Muito se falou após o sorteio do grupo B que “os dinamarqueses eram a primeira seleção eliminada do torneio”, não por ser mais fraca que alemães e holandeses, mas por serem mais fracos até que os portugueses, claramente colocando a seleção de Portugal no mesmo patamar das duas citadas anteriormente. Não custa lembrar que no grupo H das eliminatórias para a Euro, Dinamarca e Portugal caíram na mesma chave e os dinamarqueses terminaram na primeira colocação, mandando o time lusitano para a repescagem. Claro que a Dinamarca já viveu anos melhores, mas colocá-la abaixo de Portugal é no mínimo desatualização.

O início dos anos 2000 – entenda-se “era Scolari” – foram ótimos para a seleção portuguesa, que conseguiu grandes feitos, como um vice-campeonato europeu e um quarto lugar mundial, mas o time envelheceu, Felipão se foi e o time está se reformulando de forma lenta. Paulo Bento já se envolveu em algumas confusões com alguns jogadores mais experientes e tenta remontar Portugal do jeito que dá, mas o futebol apresentado não agrada tanto assim…

Não é “grupo da morte”. Diria eu que é o “grupo da atenção”. Alemanha e Holanda são as melhores seleções do grupo e estão alguns patamares – ou vários patamares – acima de Portugal e Dinamarca. Mas é aquela história: são seleções perigosas. A atenção definirá os jogos. O time mais ligado levará os três pontos.

DEMAIS GRUPOS

O grupo A com certeza é o mais fraco de todos. Ele será composto por Polônia, República Tcheca, Grécia e Rússia.

Franciszek Smuda, Fernando Santos, Dick Advocaat e Michal Bilek são os treinadores do grupo A (Getty Images)

Quem agradece são os russos, que mesmo não tendo mais aquele brilhantismo de 2008, são os favoritos da chave. O time chegou na Euro vencendo o grupo B e possuem jogadores mais rodados e técnicos, pontos que lhes coloca na lista de favoritos do grupo.

Tchecos e poloneses deverão brigar pela segunda vaga. A República Tcheca já teve times muito melhores do que o atual comandado por Michal Bílek, mas pelo menos este atual time tem experiência, algo que pode ser um ponto pra lá de positivo em um grupo desses. Já os poloneses tem o fator casa, já que terão sua torcida à favor. Não adianta dizer que não adianta de nada, pois se houver uma ligação entre elenco e torcida, adiantará sim.

Gregos correm por fora, mas é aquela história, eles já não mostraram brilhantismo algum em 2004, quando conquistaram o torneio, imagina agora que o time está envelhecido e o futebol no país está quebrado…

Do grupo B já falei, agora chegamos ao grupo C, onde quem se deu bem foi a Espanha, que terá Itália, Irlanda e Croácia como adversários. Os espanhóis são francos favoritos e só uma tragédia os tirará da fase de mata-mata.

A segunda força é a reformulada Itália de Cesare Prandelli. Mas não adiantam apenas os resultados satisfatórios, o time dentro de campo ainda não tem uma grande solidez. Por isso, tudo pode acontecer quando se pega uma Irlanda, por exemplo. Os irlandeses são experientes e “cascudos”. Serão adversários complicados.

O duelo entre Itália e Irlanda marcará o reencontro da Azzurra com Giovanni Trapattoni, experiente técnico italiano e que treinou a seleção italiana de 2000 à 2004.

A Croácia corre por fora e não deve ser excluída. Os croatas tem jogadores de boa qualidade, como Srna, Modric e Olic. Se o conjunto – e a condição física – ajudar, o time pode ser uma das zebras do torneio. Não duvido disso!

O grupo D também é cascudo, ele é formado por França, Inglaterra, Suécia e um dos países sede, Ucrânia.

Enquanto a França sente falta de Zizou, ele coloca a Irlanda no Grupo B (Sports File)

Franceses e ingleses são os favoritos, mas a fase de ambos não ajuda. Les Bleus terminaram 2011 invictos, porém, jogando mal. Laurent Blanc tem testado muita gente e não encontrou uma base firme. Sem falar do fato da França ainda sentir falta de um Zidane. Não precisa exatamente de alguém que jogue como Zizou – como se fosse fácil encontrar outro -, mas precisa sim de um protagonista, de alguém que ponha a bola debaixo do braço e chame o jogo. Falta isso pra França. Já no English Team falta um melhor ambiente interno. Na copa passada tivemos o famoso caso de John Terry e Wayne Bridge. Desta vez, temos as várias trocas de capitão e a suspensão de Wayne Rooney. Somado a isso, Fábio Capello ainda não tem um time bem definido. Assim como na França, dá pra sentir que falta um “algo mais”.

A Suécia pode ser encarada como uma Dinamarca: já foi melhor, mas não pode ser desprezada. A diferença de suecos para dinamarqueses está em Ibrahimovic, esse é o homem que pode decidir para a Suécia, embora ele sofra do mesmo mal de Van Persie, o mal de dar uma sumida nas grandes competições.

A Ucrânia reserva todas as suas expectativas em cima da dupla Andriy Shevchenko e Andriy Voronin. A dupla é experiente, mas são as opções que eles tem. São matadores, o problema fica no resto do time. Não adianta ter dois bons jogadores de frente e os outros 9 jogadores não forem de boa qualidade. Para isso, o técnico Oleh Blokhin torce para que os milhares de torcedores que irão aos estádios ucranianos torcer por sua seleção, façam com que esses jogadores “melhorem”.

Confira a tabela da Eurocopa

TOP 7: Inglaterra na Euro

O drama acabou!

Após o histórico vexame diante da Croácia no Wembley Stadium nas eliminatórias para a Euro de 2008, a Inglaterra voltará a disputar uma edição final de Eurocopa. Isso foi conquistado após o empate em 2×2 diante de Montenegro.

Para poder celebrar esse retorno – e também aumentar um pouquinho o assunto do blog he, he -, o Europa Football faz uma lista de sete jogos históricos do English Team em edições passadas da Euro.

Vamos a eles!

7) Iugoslávia 1×0 Inglaterra – Semifinal da Eurocopa 1968

A primeira vez a gente nunca esquece! 1968 foi a primeira vez que a Inglaterra participou da fase final de uma Eurocopa. O formato era diferente: após passar por uma fase de grupos, oito equipes duelavam em um playoff, os quatro sobreviventes iriam para a Itália, onde em duas semifinais, seriam conhecidos os finalistas daquela que seria a terceira edição da Eurocopa. A Inglaterra acabou sendo uma das quatro finalistas e pegou em Florença a seleção da Iugoslávia por uma das semifinais. Após muita disputa, o gol veio a sair aos 43 minutos do segundo tempo, com Dragan Dzajic. O gol eliminou a Inglaterra em sua primeira participação na Eurocopa.

6) Inglaterra 2×3 Romênia – 3ª rodada do Grupo da Eurocopa 2000

O English Team tinha tudo para se classificar para os playoffs da Euro 2000. Bastava vencer a Romênia… aliás, até um empate lhes qualificaria, bastaria a Alemanha não vencer Portugal para isso acontecer. Mas a Inglaterra se complicou! Saiu atrás no marcador com um gol sem querer do ainda jovem Chivu. Antes do intervalo, conquistou a virada com Shearer e Owen. Mas isso tudo foi jogado fora quando Monteanu empatou na etapa final. A Inglaterra ia levando o empate, já que a Alemanha ia perdendo pra Portugal por 3×0 e a vaga ia sendo garantida. Só que os ingleses não contavam com uma forte investida de Moldovan pela direita. Ele chegou a linha de fundo, invadiu a área e só foi parado faltosamente por Phill Neville. Ganea converteu o pênalti aos 44 minutos do segundo tempo e eliminou a Inglaterra da Eurocopa de 2000.

5) Inglaterra (4) 0x0 (2) Espanha – Quartas-de-final da Eurocopa 1996

Quando os ingleses vêem uma disputa de pênaltis em seu caminho, tentam imaginar esse duelo de 1996… até porque não tem outro pra se espelhar. Históricamente a Inglaterra se dá mal em disputas de pênaltis e em 96, duas atravessaram seu caminho na Euro disputada na própria Inglaterra. A primeira delas ficou marcada positivamente. Após 0x0 com a Espanha nos tempos normal e extra, os ingleses foram pra disputa de pênaltis iluminados. Não erraram nenhuma das quatro cobranças e ainda viram Nadal e Hierro desperdiçarem seus tiros. Era a primeira vez que a Inglaterra vencia uma disputa de pênaltis em sua história! Um feito e tanto. Só que a sorte inglesa acabou logo na fase seguinte, quando caíram fora da competição nos pênaltis diante da Alemanha.

4) Inglaterra 1×2 França – 1ª rodada do Grupo B da Eurocopa 2004

A Eurocopa de 2004 não foi boa para a Inglaterra, mas não muda o fato da equipe britânica ter estado presente em dois dos melhores jogos do torneio. O primeiro foi logo no segundo dia de jogos em Portugal, contra a poderosa França. Com Lampard, a Inglaterra abriu o placar ainda na etapa inicial. No 2º tempo, David Beckham teve a chance de garantir a vitória inglesa, mas desperdiçou uma cobrança de pênalti e por fim, foi calado pelo capitão adversário, simplesmente Zidane. De falta, aos 46 minutos e de pênalti, aos 48, Zizou foi o protagonista de uma grande virada francesa.

3) Portugal (6) 2×2 (5) Inglaterra – Quartas de final da Eurocopa 2004

O segundo jogo inglês da Euro 2004 que destaco foi o de sua eliminação. A Inglaterra encarava os donos da casa de Portugal no lotado Estádio da Luz. Um grande clima e todos esperando uma vitória dos mandantes. Com três minutos de jogo, Owen calou o estádio anotando o primeiro gol inglês. À partir daí, começou uma pressão lusitana, que foi recompensada com o gol de Hélder Postiga, já na parte final do segundo tempo. O 1×1 prosseguiu até os 20 minutos da prorrogação, quando presenciamos um gol de placa de Rui Costa. Ele avançou desde o meio campo e na entrada da área ajeitou o corpo e mandou um petardo de direita. Mas cinco minutos depois, Lampard deixou tudo igual e forçou a disputada das grandes penalidades. Aí surgiu o goleiro Ricardo! Ele primeiro tirou as luvas. Isso talvez tenha assustado Beckham, que mandou sua cobrança em Plutão. Mais tarde, já na série das alternadas, ele agarrou a cobrança de Vassell e foi cobrar a sétima penalidade portuguesa, convertendo e levando o time português as semifinais. A Inglaterra caía fora da Euro, com Beckham sendo o vilão nos dois jogos citados.

2) Inglaterra 0x1 Irlanda – 1ª rodada do grupo B da Eurocopa 1988

A Inglaterra iniciaria sua caminhada na Euro 88 contra um time britânico, a Irlanda. Mesmo o jogo sendo contra um adversário conhecido, era fato que o English Team carregava o favoritismo e tinha tudo para vencer o jogo. Com mnenos de dez minutos contra a Irlanda, isso tudo foi abaixo, quando no cochilo da defesa, Houghton fez o gol irlandês. Isso resultou numa pressão maluca do time inglês, somada com muitos cruzamentos a grande área. Nada disso surtiu efeito. A Inglaterra caira por 1×0 e nas rodadas seguintes tomaria um duplo 3×1 de Holanda e União Soviética, terminando em último no seu grupo.

1) Escócia 0x1 Inglaterra – 2ª rodada do grupo A da Eurocopa 1996

Olha como eu sou bonzinho, botei uma vitória inglesa na primeira colocação! Eu juro que tentei botar vitórias inglesas nessa lista, mas eu não tenho culpa se o English Team sempre acumula esses tropeços marcantes. Brincadeiras à parte, esse duelo de 1996 foi marcante. A Eurocopa era disputada justamente na Inglaterra e os donos da casa haviam empatado com a Suíça na estreia. O clássico diante da Escócia era a chance de ouro dos ingleses vencerem e conquistarem a torcida. Aliás, nos últimos anos, a rivalidade entre ingleses e escoceses caiu bastante, mas houve tempos em que essa rivalidade era comparada a rivalidade Brasil-Argentina, de tanto que as duas torcidas se odiavam. Naquele jogo, a Inglaterra venceu por 2×0, com gols de Shearer e Gascoigne. Aliás, o gol de Gazza foi histórico. Ele deu um chapéu no marcador e mandou um sem pulo perfeito. Gol que está marcado na história do mítico Wembley.

Esqueci de algum jogo? Mande aqui nos comentários que abro um “Menções Honrosas”.