Mutante, França tem prova de fogo para buscar o bicampeonato

Foto: FFF

Foto: FFF

Não há seleção na Copa do Mundo que seja mais mutante que a França. Há um ano, muitos acreditavam que a ausência no Mundial era algo provável de acontecer. Após a histórica vitória sobre a Ucrânia na Repescagem, os franceses começaram a ser colocados no bloco de coadjuvantes.

O triunfo sobre a Holanda (2×0), em março deste ano, trouxe novos horizontes para a equipe comandada por Didier Deschamps. Os então personagens secundários começaram a ser apontados como potenciais surpresas da Copa. Entretanto, o corte de Franck Ribéry, semanas antes do debute na competição, fez muitos darem passos atrás com os Bleus.

Leia mais no Doentes Por Futebol:

Golpe de estado

Era quarta-feira, quarto dia do ano de 2012. Eu estava num “aquecimento” pra assistir Paris Saint-Germain x Milan – ô joguinho chato, diga-se de passagem – e antes de rumar para o sofá da sala, decidi dar uma navegada por sites alemães e conferir as novidades do futebol local.

O primeiro site que decido entrar é o polêmico diário Bild. Logo na página inicial do portal está a notícia de que Marco Reus seria o novo reforço do Borussia Dortmund. Bom, pra estar na capa do Bild – não na capa de esportes, e sim na principal – é porque eles botavam fé na informação ou queriam mesmo é receber mais acessos.

Decidi dar meu clique e ver o que estava rolando. Na notícia constava que por 17,5 milhões de euros, a jóia do Borussia Monchengladbach reforçaria o time que defendeu dos 7 aos 17 anos até 2017.

Levei um pouco de fé na notícia, mas me lembrei que na semana anterior, o próprio Bild, jornal que adora uma especulação, havia divulgado que o mesmo Reus recebera uma grande proposta do Real Madrid. Se recebeu a proposta do clube espanhol, poucos sabem, mas se realmente houve, Reus não aceitou.

Decidi então entrar no site da conceituada revista Kicker. Nada marcava lá. Se fosse uma mera especulação, até estaria na página, mas ficaria em um cantinho obscuro, de pouco destaque.

Então, deixei a notícia de lado…

Passa um tempo… pequeno tempo, diga-se de passagem, nem cinco minutos, alguém me alerta no twitter – eu já havia twittado minutos antes da notícia publicada no Bild – que o Borussia Monchengladbach confirmara a venda de Marco Reus para o Borussia Dortmund.

Vou correndo pro site da Kicker e já estava na capa do site uma foto enorme de Reus, já anunciando sua venda. Decido então entrar no site do Borussia Dortmund. Dito e feito! Lá também estava o anúncio de sua contratação e todo aquele “blá, blá, blá” de dirigentes felizes com a vinda do novo jogador. Faltava entrar no site do Gladbach, mas o número de acessos era tanto, que o portal dos Potros saiu do ar.

Mas voltando ao portal Kicker, o que realmente me chamou a atenção foi a manchete do site: “Golpe de estado: Dortmund leva Reus”. “Golpe de estado”, não há melhor definição para o assunto.

Todos esperavam ansiosamente por uma proposta do Bayern de Munich. Os mais otimistas, aguardavam até propostas de times de fora da Alemanha, como Arsenal e Real Madrid. E do nada, “Buuuum!”, explode a bomba, Reus é do Dortmund.

Como quem não queria nada, o BVB, clube que rejeitou Reus quando ele tinha 18 anos, traz o garoto de volta. Foi um trabalho bem feito, ágil e eficiente, que deixou o Bayern chupando dedo como criança que fica sem o colo da mãe.

Marco Reus se tornou a 7ª contratação mais cara da história do futebol alemão!

O que será dessa dupla em Dortmund? (bvb.de)

Logo após o anúncio, um turbilhão de mensagens surgiu, todos imaginando como será a dupla Marco Reus-Mario Götze. Admito que também imaginei, assim como pensei que Jurgen Klopp é um privilegiado ao ter a disposição quatro meias de enorme qualidade. Além de Reus e Götze, o técnico aurinegro têm Grosskreutz e Kagawa.

Com todos inteiros, Klopp pode optar por formar um trio mais técnico, colocando Götze na direita, Kagawa pelo centro e Reus na esquerda, sacando Grosskreutz. Se o treinador atual campeão alemão decidir ter um pouquinho mais de velocidade, o japonês seria sacado, com Götze indo pro centro e Reus invertendo de lado, para Grosskreutz atuar na esquerda.

Klopp terá pelo menos até o dia 1º de julho para decidir. A não ser que…

Alguém seja vendido! Fica difícil imaginar que o Borussia Dortmund, clube que até a metade da última década sofria com problemas financeiros, quisesse gastar quase 20 milhões em um jogador que o time não precisava. Os rumores das saídas ou de Götze ou de Kagawa deverão ser levados mais à sério.

Michael Zorc, diretor esportivo do Borussia Dortmund, já havia dito semanas atrás que o BVB “está bem financeiramente, que Götze tem contrato até 2014, então não há motivos para vendê-lo”. Zorc até tem razão ao dizer isso, mas meio mundo que a jóia borussiana, então, é bom ficarmos atentos. Só o tempo nos trará essa resposta.

Por enquanto, nos basta sonhar em ver em campo jovens talentosos como Götze e Reus juntos em um clube, algo diário, jogos todas as semanas, jogos de alto nível e não jogos de seleções, que até são de alto nível, mas são raros.

PÍLULAS DO TEMA

>Será normal no segundo turno da Bundesliga o Borussia Monchengladbach cair de produção. O time titular é até bom, mas o elenco nem tanto. Se somarmos essa provável queda de rendimento com a paixão de torcedor, pelo menos eu, cheguei a conclusão de que a pressão cairá em cima de Reus, naquele papo de “já está vendido e não quer mais jogar aqui”. Será essa a reação da torcida ou o ídolo se sobressairá nessa?

>As 10 contratações mais caras da história da Bundesliga

  1. Mario Gómez (2009) – Do Stuttgart pro Bayern – 30 milhões de euros
  2. Franck Ribéry (2007) – Do Marseille pro Bayern – 25 milhões
  3. Amoroso (2001) – Do Parma pro Dortmund – 25 milhões
  4. Arjen Robben (2009) – Do Real Madrid pro Bayern – 24 milhões
  5. Manuel Neuer (2011) – Do Schalke pro Bayern – 22 milhões
  6. Roy Makaay (2003) – Do La Coruña pro Bayern – 19 milhões
  7. Marco Reus (2012) – Do M’Gladbach pro Dortmund – 17,5 milhões
  8. Luíz Gustavo (2011) – Do Hoffenheim pro Bayern – 17 milhões
  9. Miroslav Klose (2007) – Do Werder pro Bayern – 15 milhões
  10. Tomás Rosicky (2001) – Do Sparta Praga pro Dortmund – 14,5 milhões

Os números dizem muito (III) – “Mitoslav” Klose

O apelido de Miroslav Klose é “Miro”. É um apelido carinhoso, o diminutivo de seu primeiro nome.

Mas logo ao chegar na Itália, seus gols fizeram os torcedores da Lazio lhe chamar de “Mito”.  Isso antes do Derby della Capitale.

Já estávamos nos acréscimos da etapa completamentar. A Lazio, jogando a 2ª etapa inteira com um homem à mais empatava com a Roma por 1×1, até que o brasileiro Matuzalém deu belo passe para Miroslav Klose mandar pras redes. A festa foi imensa e certamente o apelido de “Mito” ficará marcado.

Mas ilude-se quem pensa que esse início de Klose pela Lazio é o melhor de sua carreira. Veja abaixo a comparação.

Em seus 6 primeiros jogos com a camisa do Bayern, Klose marcou 5 gols

Em seus 6 primeiros jogos com a camisa do Bremen, Klose marcou 5 gols

Em seus 6 primeiros jogos com a camisa da Lazio, Klose marcou 4 gols
 
*Os números acima se referem aos jogos pelo campeonato nacional

Na verdade, não quero rebaixar Klose e seu início na Lazio, e sim mostrar o quanto ele é regular e que essa história de que ele só faz gol na Seleção é uma balela sem tamanho.