Com Blanc, o PSG finalmente jogou futebol

O PSG perdeu apenas dois jogos na temporada

O PSG perdeu apenas dois jogos na temporada

No próximo dia 1, o técnico Laurent Blanc completará seis meses de trabalho no Paris Saint-Germain. Anunciado no dia 25 de junho, o campeão do mundo como jogador em 1998 iniciou sua caminhada na capital no primeiro dia de julho, e, mesmo em pouco tempo, já fez o PSG liderar o Campeonato Francês com sobras, se classificar para as oitavas-de-final da Liga dos Campeões e ainda apresentar algo que não foi visto com Carlo Ancelotti e muito menos com Antoine Kombouaré (técnicos do clube na era milionária): futebol.

Blanc já chegou balançando as estruturas e mexendo em quase tudo que fora planejado por Ancelotti, a começar pelo esquema tático. Enquanto o italiano utilizava o 4-4-2 britânico, com duas linhas de quatro rígidas e de pouca movimentação, o francês passou a adotar o 4-3-3 com meio-campistas bem participativos e atacantes livres para flutuar por toda intermediária.

PSG 12-13PSG 13-14

O novo treinador também tratou de retirar das catacumbas do Parque dos Príncipes jogadores como Thiago Motta e Gregory van der Wiel, que não estavam no gosto principal de Ancelotti. O retorno do volante ítalo-brasileiro era esperado (como dito aqui no blog), afinal, Blanc sempre foi inclinado a escalar volantes de maior poder de marcação na faixa central.

Mas Motta não tem sido aquele volantão a moda antiga, daqueles que só bate e toca de lado. O italiano se notabilizou por distribuir vários lançamentos longos, originando diversas jogadas de ataque. Além disso, Motta é um dos homens das bolas paradas do time de Blanc.

O que surpreendeu foi a inclusão de van der Wiel no time titular. Via redes sociais, muitos me questionavam sobre o motivo de ele ser banco do mediano Christophe Jallet, e sempre fui direto: “van der Wiel tem atrapalhado na defesa, onde é ‘avenida’, e não contribui no ataque. Jallet tem sido mais correto”. Nesta temporada, tudo mudou.

Com Blanc, van der Wiel foi de vital auxílio ofensivo no PSG, dando dois passes para gol no Campeonato Francês e quatro na Liga dos Campeões. Defensivamente também não tem atrapalhado. Os espaços que normalmente deixava foram corrigidos com menos afoiteza no ataque. No mano-a-mano defensivo, o holandês é quase impecável. No ataque, as assistências citadas acima registram bem isto. Enquanto isso, Jallet tem ficado fora até mesmo do banco de reservas em diversas partidas.

Dinamismo de Verratti

Verratti se tornou peça chave no PSG de Blanc

Verratti se tornou peça chave no PSG de Blanc

Quem também tratou de acordar pra vida foi Marco Verratti. Desconhecido quando contratado, mas muito bem recomendado por quem o viu jogar pelo Pescara, o italiano chegou trazendo a expectativa de ser o maestro do meio-campo parisiense. Na primeira temporada, nada disso aconteceu e Verratti se notabilizou pela violência: 11 cartões amarelos em 27 partidas no Campeonato Francês.

Mas o jovem de 21 anos se controlou com Blanc e recebeu cinco cartões no primeiro turno. Número ainda elevado, mas que não sobrepõe o bom futebol apresentado. Tendo maior liberdade e sem perder o compromisso com a marcação, o italiano trouxe dinâmica ao antes quadrado jogo do PSG. Toques rápidos, visão de jogo e qualidade na armação de jogadas do círculo central foram algumas das virtudes do atleta que deu quatro passes para gol no Campeonato Francês.

Não podemos deixar de citar Blaise Matuidi, o pulmão parisiense. É o ‘casamento’ de características dele com Motta e Verratti que faz o meio-campo do PSG ser o melhor da França.

Jovens progredindo

Com Ancelotti, os jovens não tinham vez. Ele até lançou Adrien Rabiot e Kingsley Coman, mas foi na emergência. O primeiro, inclusive, foi emprestado ao Toulouse e muitos diziam que nem voltaria ao clube pela dificuldade em encontrar espaço. Com Blanc tem sido diferente.

Rabiot se tornou uma das alternativas do treinador e já participou de 22 partidas, tendo balançado as redes uma vez. Outro jovem que ganhou espaço é Hervin Ongenda. Um dos mais jovens jogadores a marcar com a camisa parisiense (fez gol na Supercopa Francesa), o atacante de 18 anos já foi utilizado quatro vezes e deu um passe para gol.

No geral, Blanc aproveitou oito jogadores de nível Sub-23 em todas as competições que o Paris Saint-Germain participou.

Arma letal

Ibra e Cavani foram responsáveis por mais de 40 gols parisienses

Ibra e Cavani foram responsáveis por mais de 40 gols parisienses

Por fim, o grande trunfo de Laurent Blanc e grande responsável por fazer o time parisiense apresentar um futebol bom se ver foi o entendimento da dupla Zlatan Ibrahimović e Edinson Cavani.

Para muitos (me incluo nessa), os dois só seriam encaixados no 4-4-2, mas Blanc conseguiu explorar Cavani no lado direito do 4-3-3, coisa que já fazia na seleção uruguaia, e sem medo de barrar Lucas. Essa mexida deu certo porque o trio completado por Ezequiel Lavezzi não é nada estático.

Ibrahimović está mais para um meia-armador do que centroavante, algo que sugere o esquema tático no papel. É normal ver o sueco trabalhar com a bola próximo da risca central, criando jogadas e agindo como um legítimo armador. E essa movimentação possibilita a Cavani a ocupação da grande área, coisa que Lavezzi, por exemplo, não seria capaz de fazer.

Para exemplificar esta movimentação, separei o primeiro gol da vitória por 2-1 sobre o Nantes, ainda na 3ª rodada. Observe o local do campo em que Ibrahimović recebe a bola e também a movimentação de Cavani, sempre buscando o espaço vazio na grande área.

Os números da dupla também assustam. Juntos, Ibrahimović e Cavani somam 41 gols em todas as competições. Além disso, Ibrahimović já deu seis passes para gols, todos no Campeonato Francês.

O que impressiona mais ainda é que será uma tremenda mentira se você falar que “o Paris Saint-Germain é só Ibrahimović e Cavani”. É óbvio que o time perde muita força sem os dois, mas o PSG não é só isso. É Verratti, é Motta, é Maxwell, é Sirigu, é Matuidi… É um time muito forte e que não sobrevive à custa de uma dupla fora de série.

Com Laurent Blanc, os torcedores parisienses puderam ver algo que há tempos não viam: futebol. Bola no chão, toques rápidos, paciência, verticalidade e dinamismo. Esse é o PSG de Blanc, esse é o time do técnico que muitos diziam ser tampão. Esse é o time que tem banca para chegar ao topo da Europa.

Sem Cavani, PSG corre maiores riscos contra o Lille

No Uruguai, Cavani não pega o Lille

No Uruguai, Cavani não pega o Lille

O ano de 2013 será fechado com chave de ouro na França: confronto direto entre Paris Saint-Germain e Lille no Parque dos Príncipes. O time da capital lidera o Campeonato Francês com 43 pontos e pode abrir cinco para o vice-líder Monaco, que perdeu para o Valenciennes na sexta-feira. Enquanto os visitantes poderão ultrapassar os monegascos em caso de vitória.

O desafio para a equipe do norte da França não é difícil apenas por enfrentar o líder da competição fora de casa, mas também pelo retrospecto do adversário de Paris. Nos últimos cinco jogos em casa pelo Campeonato Francês, o Paris Saint-Germain venceu todos, marcando 20 gols e sofrendo somente um. Também é válido lembrar que o PSG ainda não foi derrotado na capital: sete vitórias e dois empates.

A campanha do Lille como visitante não deixa a desejar, mas empolga pouco para o confronto deste domingo. Em nove partidas, os Dogues venceram quatro, empataram três e perderam dois. O que motiva é o número de gols sofridos, apenas três. Em casa, o PSG fez 26 gols, ou seja, frente-a-frente estará o time que mais fez gols em casa e o que menos sofreu fora.

Mas um fator pode ser preponderante para a partida de domingo: a ausência de Edinson Cavani. O uruguaio está em seu país natal, onde iniciou os trâmites envolvendo seu divórcio. Sem saber se o atacante chegaria a tempo, o técnico do PSG, Laurent Blanc, optou por deixa-lo de fora da lista de convocados para a partida. Com isso, a tendência é que o brasileiro Lucas ganhe vaga no time titular.

E é justamente nessa mudança que René Girard, treinador do Lille, deve trabalhar para conseguir vencer o aparentemente imbatível Paris Saint-Germain (não me venham relatar a derrota diante do Evian, no qual os parisienses estavam com time misto).

Souaré poderá ser peça chave no duelo

Souaré poderá ser peça chave no duelo

Um dos pontos fortes e de desequilíbrio dos times de Girard é a presença de um lateral agressivo no ataque. No Montpellier, era Garry Bocaly pela direita. No título em 2012, ele foi um dos grandes responsáveis pela conquista por sempre aparecer como elemento-surpresa no ataque. No Lille atual, esta peça está no lado oposto e atende por Pape Souaré.

Presença constante no jogo ofensivo do Lille, o senegalês já marcou três gols na atual temporada, dois em vitórias por 1-0. Em um time que atua com losango no meio-campo, a presença do lateral se torna ainda mais importante por ocupar uma faixa do gramado que não é preenchida pelos meio-campistas.

Para este jogo de domingo, as características de Souaré podem ser deveras importantes justamente porque quem lhe acompanhará não será Cavani. O uruguaio, na composição tática do PSG, seria o responsável por fechar o lado direito, este ocupado pelo senegalês quando vai ao ataque. Normalmente, Cavani exerce essa função com maestria.

Com Lucas substituindo o camisa 9 parisiense, a história muda totalmente de figura. O brasileiro ainda não aprendeu a recompor a marcação, além de ter imensas dificuldades em exercer a marcação por si só. Seu acompanhamento do adversário se dá até determinada parte do gramado e isso será o que Souaré mais vai querer.

No jogo contra o Ajaccio, ainda na 2ª rodada da Ligue 1, Lucas mostrou um pouco das dificuldades que tenha. Observe nos frames abaixo (clique nas imagens para ampliar):

Lucas - Frame 1

 

Lucas - Frame 2

 

Lucas - Frame 3

>> Assista ao gol de Pedretti:

Por fim, a maior dificuldade será bater de frente com Gregory van der Wiel. O holandês teve o bom futebol recuperado por Laurent Blanc, faz boa temporada em Paris e deve ficar bem atento às subidas do lateral adversário. Além disso, van der Wiel também é extremamente veloz, podendo ser um problema há mais para Souaré tanto na defesa, quanto no ataque.

Porém, creio que esta será a menor das dificuldades, já que a aproximação de um meia ou até mesmo de um atacante, pressionará o defensor holandês e deverá provocar a abertura de maiores espaços.

Voltando a falar do substituto de Cavani, ainda existem as chances das entradas de Jérémy Ménez e Javier Pastore (este último com chances remotas), mas é bem provável que Lucas entre e cause essa dor de cabeça para o Paris. Ele será peça chave na partida e é justamente no espaço ocupado pelo brasileiro que Girard deverá fazer seu time jogar, mesmo com a possibilidade de Blanc inverte-lo com Ezequiel Lavezzi. É um ponto frágil do PSG, e é justamente o que o Lille quer, já que entrará em campo para jogar no erro do adversário.

O que muda no ataque?

A principal mudança está na característica dos jogadores que desempenharão as funções em campo. Apesar de o PSG estar desenhado no 4-3-3, o time se apresenta no 4-3-1-2 em várias partidas. Ibrahimović, pela qualidade de passe e inteligência em campo, recua e atua com armador em diversas oportunidades. Com esta movimentação, Cavani sai da direita e ocupa o espaço do sueco na área. Considero essa uma das grandes armas do Paris de Blanc, algo que pode fazer o sonho do título europeu se tornar mais concreto.

Com Lucas, o Paris pode até continuar com o mesmo deslocamento, mas perde um grande finalizador. Aliás, não há nem comparação. Enquanto o uruguaio já balançou as redes 12 vezes e é um dos atacantes mais letais da Europa, o brasileiro é motivo de chacota por ter poucos gols (apenas três). Nesta semana, inclusive, Blanc criticou Lucas ao dizer que ele precisa melhorar a finalização.

Resumindo: o PSG troca um dos melhores finalizadores do planeta por um dos mais promissores atacantes do mundo, mas que ainda peca nas finalizações.

Por fim, apesar do elenco recheado, quem sai ganhando nessa história toda é o Lille, já que bateria de frente com a forte dupla formada por Ibrahimović e Cavani, e agora irá encarar apenas um, sendo este auxiliado por dois finalizadores medianos (Lavezzi também deixa a desejar). Vale lembrar que o time de Girard sofreu apenas seis gols no campeonato todo.

Não creio que será uma partida aberta e repleta de oportunidades, mas sim um jogo estudado em que um episódio extracampo (a ausência de Cavani) pode decidir, já que credito essa ausência como a colocação do Lille em novo patamar no jogo.

Ficha técnica (clique nas imagens para ampliar):

PSG FormaçãoLille - Formação

Últimos confrontos em Paris

27 de janeiro/2013 – Paris Saint-Germain 1-0 Lille

18 de dezembro/2011 – Paris Saint-Germain 0-0 Lille

21 de maio/2011 – Paris Saint-Germain 2-2 Lille

30 de agosto/2009 – Paris Saint-Germain 3-0 Lille

9 de novembro/2008 – Paris Saint-Germain 1-0 Lille

*Imagens: Páginas oficiais de PSG, Lille e Ligue 1 (YouTube), Football User;

Vitória de Blanc

Blanc se aproveitou do vacilo de Gillot para erguer o caneco

Blanc se aproveitou do vacilo de Gillot para erguer o caneco

Conquistar supercopas nacionais não tem grande valor histórico, essa é a verdade. Normalmente é um único jogo, aquele que abre a temporada e normalmente em campo neutro. A função desse torneio é muito mais coroar o início de um novo ano no futebol do país do que premiar o melhor time.

Por isso mesmo que o Paris Saint-Germain não deve fazer grande festa pelo título da Supercopa Francesa, assim como o Bordeaux não tem muito do que lamentar por não ter mais um troféu em sua galeria. Porém, esse 2×1 para os parisienses não deixou de ser um aprendizado para os comandantes das duas equipes.

Francis Gillot, só para variar, armou bem o Bordeaux e soube controlar o PSG na marcação. Além disso, promoveu uma inversão bem interessante no meio campo: Ludovic Obraniak, acostumado a ser o meia central na linha de três armadores, atuou mais pela direita, com Jaroslav Plašil cumprindo função pelo centro.

Essa mudança só comprovou o quanto Mariano evoluiu na França. Sem um apoiador firme na marcação, o brasileiro fez ótima partida na defesa, cedendo poucos espaços aos parisienses e aparecendo com a já conhecida precisão no ataque.

No restante da partida, Gillot cometeu um erro fatal, que foi o de recuar o time cedo demais. O Bordeaux perdeu várias chances e poderia ter feito mais dois ou três gols se não fosse sua inoperância ofensiva, causada pela ausência de um centroavante de confiança. Dos 20 minutos do segundo tempo em diante, desmotivados pelos gols perdidos, os girondinos recuaram suas linhas e avançavam com poucos homens, dando a deixa para Laurent Blanc se tornar um dos grandes caras da partida.

O técnico do PSG começou com Thiago Motta na cabeça de área, algo que eu já havia previsto quando foi contratado, mas, observando que o Bordeaux abdicara do ataque e que o ítalo-brasileiro ficaria sem função, Blanc o sacou do time para colocar Marco Verratti. O PSG ganhou dinamismo, precisão e incisão nos passes, tornando seu jogo menos previsível.

Junto com o italiano vieram os jovens Kingsley Coman e Hervin Ongenda nos lugares de Javier Pastore e Ezequiel Lavezzi. Os moleques promoveram uma insana correria que a dupla argentina não foi capaz de produzir e Ongenda, inclusive, anotou o primeiro gol parisiense.

Ainda assim, esse título do Paris Saint-Germain não mudará a cotação do dólar. Nem tudo está pronto na capital, assim como nem tudo está errado na terra dos vinhos. O PSG segue com seu vício do toque de bola infértil e sem armador, enquanto o Bordeaux permanece precisando, urgentemente, de um bom centroavante. Mas essa partida realizada no Gabão serviu para mostrar aos técnicos, o que podem ou não fazer para seus times conquistarem resultados satisfatórios na temporada.

LUCAS

Apesar de decisivo, Lucas ainda mostra dificuldades em mostrar seu jogo

Apesar de decisivo, Lucas ainda mostra dificuldades em mostrar seu jogo

Senti-me obrigado a abrir alguns parágrafos para falar de Lucas e de como segue com alguns vícios ruins desde que chegou ao PSG. O brasileiro não consegue sequer entrar na área, quiçá finalizar. Suas tradicionais arrancadas em direção à linha de fundo são raras, lembro-me de apenas uma, no início do segundo tempo, no jogo de hoje. O normal para Lucas é pegar a bola na direita e trazer para dentro. Consigo vem o ponteiro que o marca, um volante e, vez ou outra, mais um cabeça-de-área, tornando-se presa fácil para a marcação.

Esse parágrafo acima pode resumir o primeiro tempo de Lucas e talvez todos os seis meses de sua passagem por Paris.

A etapa final foi diferente, mas ainda abaixo do esperado. O brasileiro jogou mais para o time, parou de abusar das jogadas individuais e procurou fazer o “feijão com arroz”. Ainda assim foi decisivo ao roubar a bola que originou o gol de Ongenda e cobrar a falta do gol do título, anotado por Alex.

Esse jogo de hoje me fez questionar a real capacidade de Lucas em exercer a função de meia pela direita em um 4-4-2. O brasileiro fica sem espaço para correr e seu último toque na bola quase sempre é longe da área. Um 4-2-3-1 parece ser o sistema tático perfeito para ele, pois assim tem com quem trabalhar a bola, já que o personagem central desta trinca de meias tem de se aproximar dos pontas para criar jogadas.

Vale essa reflexão para Laurent Blanc. Largar todo o lado direito nas costas de Lucas não parece ser a melhor medida para fazer o verdadeiro futebol do garoto brotar em terras parisienses.

Imagens: PSG (Site Oficial)