Os números dizem muito (III) – “Mitoslav” Klose

O apelido de Miroslav Klose é “Miro”. É um apelido carinhoso, o diminutivo de seu primeiro nome.

Mas logo ao chegar na Itália, seus gols fizeram os torcedores da Lazio lhe chamar de “Mito”.  Isso antes do Derby della Capitale.

Já estávamos nos acréscimos da etapa completamentar. A Lazio, jogando a 2ª etapa inteira com um homem à mais empatava com a Roma por 1×1, até que o brasileiro Matuzalém deu belo passe para Miroslav Klose mandar pras redes. A festa foi imensa e certamente o apelido de “Mito” ficará marcado.

Mas ilude-se quem pensa que esse início de Klose pela Lazio é o melhor de sua carreira. Veja abaixo a comparação.

Em seus 6 primeiros jogos com a camisa do Bayern, Klose marcou 5 gols

Em seus 6 primeiros jogos com a camisa do Bremen, Klose marcou 5 gols

Em seus 6 primeiros jogos com a camisa da Lazio, Klose marcou 4 gols
 
*Os números acima se referem aos jogos pelo campeonato nacional

Na verdade, não quero rebaixar Klose e seu início na Lazio, e sim mostrar o quanto ele é regular e que essa história de que ele só faz gol na Seleção é uma balela sem tamanho.

Klose na Lazio! Sei não…

A carreira de Klose virou de cabeça para baixo

44 gols com a camisa do Kaiserslautern, 53 com a do Werder Bremen e mais 24 com a camisa do Bayern, sem falar dos 14 gols em Copas do Mundo, faltando dois para se tornar o maior artilheiro das Copas. Mesmo com esses números empolgantes, a ida de Miroslav Klose para a Lazio não me anima.

O que me faz pensar assim é a sua decepcionante passagem pelo Bayern de Munich. Esses 24 gols foram anotados em 98 jogos disputados de 2007 até 2011. Para tomar de exemplo, o mesmo Klose fez 53 gols em 89 jogos, nos seus três anos de Werder Bremen. Ou seja, no Bayern, mesmo atuando em um número maior de partidas, não fez nem metade dos gols que fez no time do norte alemão.

Uma dura queda, levando em conta que Klose é presença constante na Seleção Alemã, onde já fez mais de 100 jogos.

Klose teve muito sucesso no Bremen

Mesmo assim não deixa de ser um desafio interessante para a carreira do atacante. Klose contruiu uma carreira sólida na Bundesliga, onde fez com que os gols e as atuações convincentes se tornassem rotina. Miro sabe que se fracassar na Velha Bota, tem uma casa para voltar, mas cabe a insistência na Itália.

Sempre acho este tipo de mudança de ares interessante para o atleta. Klose é ídolo na Alemanha e fez sua carreira lá. No momento de declínio, ao invés de voltar e recomeçar, decide tomar novos rumos em outro país.

Klose pode também acabar com a estigma de muitos jogadores que fizeram sucesso na Bundesliga, mas que não foram isso tudo fora do torneio alemão. Ballack, Hleb e Hiltzperger são três bons exemplos.

Ballack era idolatrado no Leverkusen e mesmo tendo uma boa passagem pelo Chelsea, foi muito inconstante no clube londrino. Hleb e Hiltzperger se destacaram no Stuttgart. O primeiro foi pro Arsenal, jogou bastante, mas acabou achando que jogava mais do que sabia e até já voltou pra Alemanha. O segundo jogou na Lazio e no West Ham, mas as várias lesões o atrapalharam.

Mas antes que soem as cornetas, estes são exemplos recentes. Claro que lembro de jogadores como Matthäus, Brehme, Lehmann, Bierhoff, Illgner e Klismann, que tiveram sucesso fora da Bundesliga, lá nos mil novecentos e antigamente.

Mas só pra desmentir tudo que escrevi antes, é tudo subjetivo. Se basear no que um atleta pode render em uma liga diferente em casos de outros jogadores, não indica nada, por isso abaixo coloco meus motivos por não me animar muito com a ida de Klose para a Lazio.

Até na Seleção Gómez tem ganho de Klose

O maior motivo de todos é que o atacante está em decadência. Sua passagem pelo Bayern não foi boa. Klose, que chegou a terminar como líder da tabela de artilheiros da Bundesliga na época de Werder Bremen, acumulou lesões e perdeu muito espaço, principalmente na última temporada, quando viu o até então esquecido Mário Gómez ser artilheiro da Bundesliga e ainda ganhar mais espaços na Nationalelf. Só pra constar, Klose só fez 1 gol na temporada 2010/11!

O segundo motivo será a pressão. Não a pressão de mudar a história de jogadores que saem da Bundesliga com fama e fracassam fora dela, – que é uma pressão pequena – mas sim a pressão da própria Lazio. O nome de Klose é forte. Ao ouvi-lo, logo se imagina em “Alemanha”, “gols”, “artilheiro”, “Ronaldo, se cuida” e “Copa do Mundo”. Os Biancocelesti depositam no alemão toda a esperança de conquistar a vaga na Champions League que escapou na última temporada. Ai dele se não botar a bola na rede!

Por isso que pra mim, a junção “Klose decadente” e “pressão para vaga na Champions League” não dará certo. Pode não ser a intenção da comissão técnica, mas a inteção da torcida é ver o alemão conduzindo o time para o maior torneio da Europa e entendo eu que jogar isso nas mãos de um cara que está em decadência é um erro.

Caberá a Hernanes tomar as rédeas da situação!

Se o brasileiro quiser mostrar que realmente se adaptou ao Calcio, ele que chame a responsabilidade, ponha a bola debaixo do braço e vire a estrela do time, fazendo com que Klose vire um “mero” anotador de tentos.

Roma conquista seu título na temporada

Totti decisivo (AFP)

Os clássicos italianos são um barato. São cercados de rivalidade nas arquibancadas e dentro de campo. Muitas vezes, o torcedor prefere ver seu time vencer o clássico regional e do que conquistar um título. É questão de gosto, mas acontece de encontrarmos fanáticos que chegam a esse ponto.

Lazio e Roma fizeram hoje o Derby della Capitale. Ambas as equipes não almejam o título e terão de se contentar com uma eventual vaga em alguma competição internacional. Muito pra um, pouco pra outro.

Os Biancocelesti estavam na 5ª colocação, com 51 pontos e durante bom tempo ficaram ocupando um dos postos na zona de classificação pra Champions League. Definitivamente é uma temporada acima do esperado, se levarmos em conta que a Lazio chegou até a lutar contra o rebaixamento na temporada passada.

Já os Giallorossi estavam na 6ª colocação, com 46 pontos, distante demais do título, distante da zona de classificação da Champions League e ainda era recém eliminado da mesma Champions League de forma vexatória, após tomar 6×2 do Shakhtar no placar agregado. Temporada pra lá de decepcionante, para um time que perdeu a chance de ser campeão italiano na última temporada.

Digo que “perdeu” o título italiano por causa desse jogo aqui, diante da Sampdoria, na 35ª rodada da Série A, quando a Roma, jogando no Olímpico lotado, perdeu pra Samp por 2×1 e desperdiçou a chance de permanecer na liderança da competição. A Inter tomou a ponta e levantou o caneco.

No clássico de hoje então, teríamos a Lazio querendo muito a vaga na Champions League e a Roma tentando se reconstruir e quem sabe, chegar a alguma competição internacional.

Mas se lembra o que digitei acima, dizendo que a “campanha da Lazio é acima do esperado”? Basicamente dá pra dizer que o time não tem cancha, não tem experiência, ou seja, cai fácil na presa do adversário. Assim dá pra descrever o clássico.

Dividida light (Reuters)

A partida foi ruim, muito truncada, poucas chances de gols e muitas pancadas. Costumo dizer que clássicos como esse tem porrada, sangue, braço decepado e tiro na cara. Na hora mais decisiva, a Roma catimbou e a Lazio caiu na armadilha.

Com a partida em 1×0 à favor da Roma – gol de Totti, de falta, num frangaço do Muslera -, os Giallorossi começaram a fazer cera no fim do jogo, prendendo a bola na linha de fundo, demorando pra cobrar faltas, laterais e outras ceras do tipo. Até que Radu deu uma cabeçada em Simplício, primeiro ato de descontrole. O segundo ato de descontrole envolveu o mesmo Fábio Simplício, que sofreu pênalti. Aliás, no jogo do 1º turno, Fábio Simplício também sofreu um pênalti, ou seja, ele foi o grande protagonista do clássico na temporada. No lance, Ledesma foi expulso e Totti converteu o penal.

Totti vibra com o gol (Fotonotizia)

Não é só por causa dos dois gols que Totti foi o grande personagem da partida. Ele apanhou um bocado. Travou duelos de gladiadores com Biava e Matuzálem, mas diga-se de passagem, não foi nenhum santinho em campo. Não fugia de uma dividida, deixa braço, perna, coração…Mas numa balança, ele apanhou mais e não se esquentou tanto como vive fazendo. Porém, com a bola no pé, foi o maestro romanista.

Foi o grande título da Roma na temporada, vencer os dois derbys da temporada. O time pode não erguer nenhum troféu, pode não valer vaga pra nada – embora eu seja um daqueles que ache que título tem seu valor, mesmo não dando vaga pra nenhuma competição -, mas tem o valor motivacional pros jogadores, que podem buscar uma motivação pro restante da temporada e o vale mais pros torcedores, que garantiram mais alguns meses de gozação aos torcedores da Lazio.

Agora pros Biancocelesti fica a sensação de que realmente falta cancha pro time. A Lazio perdeu a cabeça no fim do jogo. Deixou a Roma segurar a bola e impaciente, foi pra porrada. Vale lembrar que provavelmente o time romano vai disputar uma competição internacional na próxima temporada e não é perdendo a cabeça que eles vão fazer bonito.