O inferno de Mamadou Sakho

Sakho está fora dos planos de Jürgen Klopp, no Liverpool | Foto: Getty Images

Sakho está fora dos planos de Jürgen Klopp, no Liverpool | Foto: Getty Images

Mamadou Sakho é o típico zagueiro francês: alto, de ombros largos, forte fisicamente e parece ter duas vezes o tamanho que realmente tem. Na França, em qualquer esquina é possível encontrar defensores assim e todo time deve ter um ou dois no elenco.

Entretanto, diferente de muitos outros, Sakho nasceu para o futebol em algo semelhante a um berço de ouro. Formado no Paris Saint-Germain, na época em que o clube não era milionário, o zagueiro era tido como a grande esperança do futuro de uma equipe que era grande só no papel. Ainda longe dos xeiques e das cifras hipnotizantes, os parisienses sonhavam alto e tinham no zagueiro uma grande referência para crescer.

Lapidado desde os 12 anos de idade em Camp des Loges, o defensor cresceu rápido, inclusive sendo titular do PSG campeão nacional sub-18… quando tinha apenas 15 anos. Dois anos depois, já estava entre os profissionais do clube. Em pouco tempo, Sakho foi de promessa a capitão do time e foi um dos que ganhou respeito da torcida parisiense por conseguir transitar da “era pobre” pro momento milionário da equipe.

Ótimo no jogo físico e de boa qualidade técnica para um defensor do biótipo que tem, ele sempre se saiu bem em Paris. Salvo um ou outro equívoco, coisa natural para um jovem, Sakho fez valer todo o cuidado e dedicação que recebeu na base do clube.

Deixou o PSG em 2013 com o título de campeão francês, o ápice que teve pelo clube. Além disso, acumulou conquistas individuais, como Jogador Jovem do ano da União Nacional dos Futebolistas Profissionais (UNFP em francês) em 2011, mesma temporada em que entrou na seleção do campeonato.

Formado em Paris, Sakho foi capitão do PSG durante algumas temporadas | Foto: Divulgação/PSG

Formado em Paris, Sakho foi capitão do PSG durante algumas temporadas | Foto: Divulgação/PSG

Hoje, com 26 anos (fará 27 em fevereiro) e na quarta temporada na Inglaterra, Sakho se vê em cenário totalmente oposto. Longe de Paris, o zagueiro vive um inferno que parece não ter fim em Liverpool, culminando com uma temporada 2016/2017 desastrosa, onde somente entrou em campo pelo time sub-23 dos Reds.

O que agrava a situação do francês é que o problema principal passa longe de estar somente dentro das quatro linhas. Dentro de campo, aliás, acumula boas atuações – apesar de deixar a impressão de que poderia render mais. Ao longo da passagem pelo futebol inglês, entretanto, Sakho possui uma série de episódios controversos, que foram minando-o dentro do próprio clube.

Em 2014, por exemplo, ao saber que ficaria de fora do clássico contra o Everton, simplesmente abandonou o estádio. O episódio foi contornado após um pedido de desculpas. Dois anos depois, teve a suspeita de doping no mês de abril, que fez com que a Uefa o investigasse. O Liverpool optou por afasta-lo durante a investigação. Ele chegou a ser suspenso, mas foi absolvido em julho. Neste meio tempo, perdeu tempo, espaço e ficou fora da Eurocopa, que seria disputada na própria França.

O estopim, entretanto, foi durante a pré-temporada. O atraso no voo para os Estados Unidos, onde o Liverpool se preparava para a temporada, e também para sessões de tratamento médico e refeição desagradaram ao técnico alemão Jürgen Klopp, que o mandou embora da terra do Tio Sam e o afastou para o time sub-23, situação que se mantém até este momento.

A irresponsabilidade na pré-temporada esfriou a relação entre Klopp e Sakho | Foto: Getty Images

A irresponsabilidade na pré-temporada esfriou a relação entre Klopp e Sakho | Foto: Getty Images

Longe da seleção francesa desde março de 2016, Sakho não jogou pelo time principal nesta temporada. A última aparição pelos Reds foi em 20 de abril de 2016, na goleada por 4×0 sobre o Everton, onde foi bastante elogiado pela marcação em cima do belga Romelu Lukaku. Cabe acrescentar que o declínio do francês teve início em um de seus principais momentos no clube, se não o melhor. O zagueiro era titular de Klopp, vinha de boas atuações e com gols decisivos, como na classificação para a semifinal da Europa League, na vitória por 4×3 sobre o Borussia Dortmund.

Porém, o episódio do doping – depois comprovado que era inocente – o deslocou totalmente do cenário do clube. Perdeu espaço e prestígio e não mostrou responsabilidade para recuperar dentro da pré-temporada.

Somado a tudo isso, o histórico de lesões é preocupante e contribuiu para que não conseguisse ter uma grande sequência. Desde que chegou ao Liverpool foram sete problemas, conforme o site Transfermarkt:

– Temporada 13/14: estiramento na coxa – 59 dias;

– Temporada 14/15: estiramento na coxa – 77 dias;

– Temporada 14/15: lesão no quadril – 14 dias;

– Temporada 14/15: estiramento na coxa – 46 dias;

– Temporada 15/16: ruptura dos ligamentos do joelho – 38 dias;

– Temporada 15/16: lesão no joelho – 7 dias;

– Temporada 16/17: problemas no tendão de Aquiles – 42 dias;

Somente por lesão, Sakho perdeu 52 partidas do Liverpool, quase a mesma quantidade de jogos que teve na Premier League: 56. Números estarrecedores que aumentam a sensação de inferno que vive em Liverpool.

O francês agora tem jogado pelo time sub-23 do Liverpool | Foto: Getty Images

O francês agora tem jogado pelo time sub-23 do Liverpool | Foto: Getty Images

O fato é que os Reds querem se livrar de Sakho de qualquer maneira. O problema é que o zagueiro renovou contrato em 2015 e agora tem vínculo até junho de 2020, o que faz com que o Liverpool queira ao menos £20 milhões para deixa-lo sair. Sevilla, Galatasaray e Swansea City surgiram como interessados. Até o fechamento da janela, muita coisa vai rolar.

Sem confiança, sem moral dentro do clube e sem condição física ideal, Sakho, em uma idade onde poderia estar atingindo o auge de uma carreira que iniciou de forma meteórica, hoje se vê no ocaso dela, buscando um clube para jogar e, enfim, voltar a velha forma.

Da glória ao ostracismo

Foto: Reprodução - O Alavés fez história ao chegar na decisão da Copa da Uefa

Foto: Reprodução – O Alavés fez história ao chegar na decisão da Copa da Uefa

Quando relacionamos times espanhóis com finais de copas europeias, logo nos lembramos de Real Madrid e Barcelona, além do Atlético de Madrid, que ganhou a Liga Europa em duas oportunidades nos últimos anos. O que muitos esquecem é que, certa vez, o pequenino Deportivo Alavés, da província de Álava, chegou a uma final internacional com uma campanha heroica.

Fundado em 1921, o citado clube espanhol nunca havia obtido grandes feitos até a chegada do técnico José Manuel Esnal, o Mané, em 1997. Com ele no comando, o Alavés começou a saga que teve início na segunda divisão e parou com um vice-campeonato continental.

O acesso

O Alavés teve campanha praticamente impecável na segunda divisão espanhola na temporada 1997/98, na qual foi campeão. Em 42 partidas, foram conquistados 82 pontos, sendo o time que mais venceu (24 vezes) e o que menos sofreu gols (25).

Mas o que marcou não foi o acesso, mas sim o início do que seria caracterizado como “copeirismo” do time de Mané. O Alavés foi semifinalista da Copa do Rei, e também contando com uma boa dose de heroísmo.

O drama começou já nas fases iniciais. Contra o desconhecido Aurrerá de Vitoria, o Alavés precisou reverter o 1-0 sofrido na ida para seguir na competição. Venceu por 2-0 na volta e prosseguiu para enfrentar o Real Oviedo, no qual despachou com uma magra vitória por 1-0 na ida e 0-0 na volta.

Na etapa seguinte, mais dificuldades. Diante do Compostela, clube de primeira divisão na época, o Alavés venceu por 1-0 em casa e segurou o 2-2 na volta para se qualificar.

Na fase de oitavas-de-final, o adversário era o poderoso Real Madrid, futuro campeão europeu. No jogo de ida, no Estádio de Mendizorroza, em Álave, com gol de Manuel Serrano, o Alavés bateu o adversário da capital pelo marcador mínimo. Na volta, sufoco em Madrid. Riesco fez 1-0 para os visitantes, mas Roberto Carlos e Šuker viraram o jogo. O tento do atacante croata saiu aos 10 minutos da etapa final e o Alavés se segurou por 35 minutos para conseguir a classificação.

Na fase seguinte, o Alavés passou sem grandes dificuldades pelo Deportivo La Coruña, também time da elite, aplicando 3-1 em casa no jogo de ida e segurando o placar zerado na volta.

Na semifinal veio a queda diante do Mallorca. Com duas derrotas (2-1 na ida e 1-0 na volta), o Alavés deu adeus ao sonho de conquistar a Copa do Rei (que seria vencida pelo Barcelona naquele ano).

Caminho na elite

Em seu ano de retorno à elite do futebol espanhol após mais de 40 anos, o Alavés conseguiu a permanência na primeira divisão apenas na última partida. Antes do início da 38ª rodada, o Glorioso somava 37 pontos, ocupava a 17ª colocação e não possuía chances de queda, mas poderia ficar no playoff contra o descenso. Os adversários diretos eram Villarreal, com 35 pontos, e Extremadura, com 38. Curiosamente, os dois concorrentes se enfrentariam na rodada derradeira.

A fórmula do Alavés era simples: vencer a Real Sociedad e torcer pelo tropeço do Extremadura. Uma derrota o deixaria no playoff, já que os 17º e 18º colocados disputariam esta fase.

Tudo começou tranquilo para o Glorioso e acabou com emoção. Ao término do primeiro tempo dos dois jogos, o Alavés vencia por 2-0 e o Extremadura perdia pelo marcador mínimo. Antes dos 20 minutos da etapa complementar, a Real Sociedad conseguiu descontar com Javier de Pedro e trouxe emoção para a partida.

Aos 36 minutos, David Albelda marcou para o Submarino Amarelo, abrindo 2-0 e, aparentemente definindo a parada. Porém, em menos de cinco minutos, Iván Gabrich marcou dois gols, empatou a partida para o Extremadura, deixando o Alavés com atenção nos dois jogos.

Por fim, os placares permaneceram intactos e, com uma boa dose de sorte, o Glorioso permaneceu na elite espanhola.

Grandes resultados

Na temporada seguinte, tudo mudou. Já com nomes de destaque como Javier Moreno, Hermes Desio e o veterano Julio Salinas, o Alavés fez campanha impecável, ocupando a 6ª colocação ao término do Campeonato Espanhol, obtendo 61 pontos. O desempenho lhe rendeu uma vaga na Copa da Uefa do ano seguinte.

Na temporada do 6º lugar, resultados importantes ficaram marcados para o time, entre estes, 2-0 sobre o Valencia no Mestalla, 2-1 de virada sobre o Barcelona, 2-0 no Atlético de Madrid e 1-0 no Real Madrid.

Saga europeia

Para começar a rotina de mochileiro pelo Velho Continente, o Alavés precisou dar uma modificada no elenco. Entre os reforços estavam o uruguaio Iván Alonso, vindo do River Plate do Uruguai, Jordi Cruyff, contratado junto ao Manchester United, Juan Epitié, atacante de Guiné Equatorial que veio da base do Real Madrid, Mario Rosas, cria do Barcelona, e Ivan Tomić, que veio da Roma.

Em contrapartida, Mané perdeu duas peças importantes para a temporada: o atacante Meho Kodro, autor de cinco gols na temporada anterior, foi para o Maccabi Tel-Aviv (onde encerrou a carreira), e o volante Ángel Morales, que retornou de empréstimo ao Espanyol.

Autor de sete gols na campanha do Campeonato Espanhol, o atacante Javi Moreno foi mantido no clube, diferente do artilheiro do time, Julio Salinas, que balançou as redes oito vezes. O atacante, que disputou as Copa de 1986, 1990 e 1994, tinha 38 anos e pendurou as chuteiras em 2000.

Foto: Reprodução - O veterano Julio Salinas ajudou o Alavés a chegar na Copa da Uefa

Foto: Reprodução – O veterano Julio Salinas ajudou o Alavés a chegar na Copa da Uefa

Mortal fora de casa

Reza a lenda do bom time copero, que para se sair bem em competições mata-mata, seu time precisa saber jogar fora de casa, principalmente pelo temido gol como visitante. O Alavés cumpriu com maestria este quesito.

Nas primeiras fases, o Glorioso sofreu em jogos em casa e precisou sair da Espanha para conseguir avançar. Logo na estreia, empatou sem gols com o Gaziantepspor no estádio de Mendizorroza, mas buscou a vaga na Turquia com uma surpreendente vitória por 4-3, quando esteve duas vezes atrás no marcador.

Já nesta fase, os reforços começaram a aparecer. Na partida fora de casa, Iván Alonso e, principalmente, Tomić foram os responsáveis pela imponente vitória do Alavés.

Nas duas fases seguintes, o Glorioso enfrentou adversários noruegueses e, em ambos os casos, fez o resultado no país nórdico. Contra o Lillestrøm, vitória por 3-1 na ida e a manutenção do empate em 2-2 na Espanha. Diante do Rosenborg veio o maior susto, afinal, o empate em 1-1 no Mendizorroza causava dores de cabeça. Mas o 3-1 na volta foi construído com imensa tranquilidade e qualificou o Alavés para as oitavas-de-final da Copa da Uefa, um feito inimaginável para um clube que estava na segunda divisão dois anos antes.

Primeiro gigante

Foto: Reprodução - Os espanhóis fizeram história ao eliminar a Inter em Milão

Foto: Reprodução – Os espanhóis fizeram história ao eliminar a Inter em Milão

Nas oitavas-de-final, o Alavés viu o primeiro gigante pela frente: a Internazionale. Invicto e mais tradicional internacionalmente, o time italiano era franco favorito. Sem sentir a pressão de jogar a primeira partida na Espanha e de sair atrás no marcador, a Inter virou para 3-1 sem suar.

Mas, na raça, o Glorioso buscou o empate diante do gigante italiano. Óscar Téllez cobrando falta e Iván Alonso de cabeça deram o placar igualitário à partida. Não era essa a vez que o Alavés conseguiria sua primeira vitória internacional jogando em casa, mas o resultado não era tão ruim quanto se desenhou durante a partida.

Cirúrgico, o Alavés precisou de duas estocadas no final do jogo para eliminar a Inter no Giuseppe Meazza. Na primeira, aos 33 minutos da etapa complementar, Jordi Cruyff acertou um potente chute de canhota e abriu o placar. Cinco minutos depois, Tomić usou do mesmo artifício de Cruyff para marcar o tento que sacramentou a histórica classificação na Itália.

 

Consolidação em casa

Apesar de estarem invictos jogando em casa, o fato de não terem vencido no Mendizorroza incomodava parte da torcida que ainda não vira de perto o time triunfar. Nas quartas-de-final, esse sonho tinha grandes chances de ser realizado de uma forma ou de outra, afinal de contas, o adversário seria o também espanhol Rayo Vallecano.

Aliás, essa fase foi dominada por times da Península Ibérica. Além da partida espanhola citada no parágrafo acima, Barcelona e Celta de Vigo se confrontaram, sem falar do Porto, que enfrentou o Liverpool.

Mas voltando a falar do Alavés, o time de Mané finalmente agradou a torcida e conseguiu uma grande vitória sobre o Rayo já no jogo de ida, 3-0. A partida de volta se tornou mera formalidade e o Glorioso se deu ao luxo de perder a primeira na competição: 2-1.

Em estado de graça, o Alavés permaneceu com o mesmo pique e atropelou o Kaiserslautern na semifinal. Com 5-1 na Espanha e 4-1 na Alemanha, os espanhóis passaram por cima e confirmaram a inimaginável vaga na final da Copa da Uefa.

O triunfo sobre o Kaiserslautern não foi um triunfo qualquer, já que o time alemão era um dos que estava no bolo de candidatos ao título em seu país. Na semana da partida de ida, o Campeonato Alemão tinha completadas 27 rodadas e a diferença do líder Bayern pro Kaiserslautern, 6º colocado, era de apenas três pontos.

A situação que o Alavés vivia na Espanha era muito diferente. Era o 8º colocado com 40 pontos, estava 19 atrás do Real Madrid, então líder do torneio, e sonhava apenas com a vaga na Copa da Uefa.

O adversário

Foto: Reprodução - O Liverpool de Owen poderia erguer o segundo troféu em uma semana

Foto: Reprodução – O Liverpool de Owen poderia erguer o segundo troféu em uma semana

Na decisão, o pequenino Deportivo Alavés teria pela frente um time de enorme história e de respeito inigualável: o Liverpool. Naquela época, os Reds eram detentores de 18 títulos do Campeonato Inglês, seis da Copa da Inglaterra, seis da Copa da Liga Inglesa, além de quatro da Liga dos Campeões e dois da Copa da Uefa.

O novo título europeu não seria apenas uma nova conquista para o time de Gérard Houllier, mas também a chance de erguer o segundo troféu em menos de uma semana. No dia 12 de maio de 2001, o Liverpool venceu o Arsenal no Millenium Stadium por 2-1 e foi campeão da Copa da Inglaterra. Aquele jogo foi marcante porque os Reds perdiam até os 38 minutos da etapa final, quando Michael Owen apareceu e virou a partida com dois gols em cinco minutos.

Além disso, em fevereiro daquele ano, o Liverpool havia derrotado o Birmingham City pela final da Copa da Liga Inglesa, também no Millenium Stadium. Ou seja, na final do dia 15 de maio, em Dortmund, o time da terra dos Beatles poderia erguer o terceiro troféu da temporada.

Na Copa da Uefa, o Liverpool teve campanha praticamente impecável. Foram 12 jogos, com sete vitórias, quatro empates e somente uma derrota. Além disso, 14 gols foram marcados e sua defesa foi vazada apenas cinco vezes.

A decisão

Foto: Reprodução - Um gol contra decidiu a final de 2001

Foto: Reprodução – Um gol contra decidiu a final de 2001

O Liverpool entrou no gramado do Westfalenstadion, em Dortmund, no 4-4-2 habitual, contando com o retorno do escocês Gary McAllister, que havia ficado de fora da decisão da Copa da Inglaterra. Já o Alavés entrou no cauteloso 5-4-1, apenas com Javi Moreno no ataque. O uruguaio Iván Alonso, um dos grandes nomes da campanha, começou no banco.

Talvez nervoso com a situação atípica em que se encontrava, o Glorioso sentiu o peso da decisão. Com 15 minutos já olhava o placar com dois gols de vantagem para o adversário inglês. Markus Babbel e Steven Gerrard marcaram para o Liverpool em erros do time espanhol.

Mané se viu obrigado a mexer rapidamente. Aos 22 minutos, chamou Alonso e sacou um de seus defensores: o norueguês Dan Eggen. A mexida surtiu efeito imediato e três minutos após entrar, o uruguaio descontou, aproveitando cruzamento de Cosmin Contra, que também fez ótimas aparições na temporada.

Porém, outro erro de passe no meio-campo resultou em um pênalti a favor do Liverpool antes do término do primeiro tempo. Os aproveitadores do erro foram Dietmar Hamann e Michael Owen. O alemão lançou o inglês, que driblou o goleiro Herrera e foi derrubado na sequência. McAllister converteu a cobrança e levou o 3-1 para os vestiários.

Além da entrada do brasileiro Magno no intervalo, a conversa de Mané com os jogadores surtiu grande efeito nos jogadores do Alavés, que buscaram o resultado rapidamente. Javi Moreno, que havia ficado de fora do jogo de volta das quartas-de-final e das duas partidas da semifinal, fez dois gols em três minutos e deixou tudo igual. O primeiro tento foi de cabeça, aproveitando nova jogada de Contra. Já o segundo gol foi cobrando falta por baixo da barreira.

Os dois gols lhe deixaram com seis na competição, empatado no topo do ranking de artilheiros com outros três jogadores: Drulić (Estrela Vermelha), Kuzba (Lausanne) e Nikolaidis (AEK Atenas).

Porém, não era apenas Mané que poderia fazer mexidas úteis. Houllier também agiu e tirou Robbie Fowler do banco de reservas aos 20 minutos. Menos de dez minutos depois, o atacante recebeu de McAllister, limpou a marcação e finalizou no cantinho esquerdo de Herrera, recolocando o Liverpool em vantagem.

Valente, o Alavés foi buscar o empate aos 44 minutos com uma cabeçada de Jordi Cruyff. O filho de Johan pode não ter chegado nem perto do que o pai fez, mas foi de fundamental importância para a campanha espanhola naquele ano. Ele foi o autor de quatro gols, incluindo o que abriu o placar na histórica vitória sobre a Inter nas oitavas-de-final.

O gol em Dortmund forçou a prorrogação, na época, com o temido Gol de Ouro.

No tempo extra, o Alavés foi sentindo o cansaço aos poucos. Sem poder de recuperação com 11, os espanhóis se viram em prejuízo ainda maior quando o brasileiro Magno entrou de forma violenta em Babbel, recebeu o segundo amarelo e foi expulso.

Sem pernas e com 10, o Alavés cedeu à pressão do Liverpool. Faltando cinco minutos para acabar o jogo, Smicer, que entrara no começo do segundo tempo, ia passando fácil por Antonio Karmona. Sem opção, o capitão espanhol puxou o adversário e cometeu falta no bico da grande área. Por já ter amarelo, também foi expulso.

Na cobrança de falta, o pior aconteceu. McAllister cobrou fechado e o zagueiro Delfí Geli, com o intuito de afastar a bola, se antecipou ao goleiro e jogou contra a própria meta. A desolação foi total. Depois de ficar atrás no marcador em duas oportunidades e buscar o empate em ambas às vezes, o Alavés sucumbia no final da prorrogação. Foi o encerramento de um sonho.

Foto: Reprodução - A derrota foi dolorosa para o Alavés

Foto: Reprodução – A derrota foi dolorosa para o Alavés

Futuro sombrio

Depois de ir longe na Copa da Uefa, o Alavés sofreu perdas importantes. O Milan veio buscar Cosmin Contra e Javi Moreno, enquanto Ivan Tomić retornou a Roma. Apesar das perdas significativas, o time de Mané seguiu forte e terminou na 7ª colocação na temporada seguinte, retornando a Copa da Uefa na temporada 2002/03.

Porém, de 2003 em diante, o Alavés sofreu uma vertiginosa queda. Já na Copa da Uefa não foi longe, parando logo na segunda fase diante do Besiktas. No Campeonato Espanhol a campanha foi horrível e, na penúltima colocação, foi rebaixado para a segunda divisão. Além disso, Mané havia deixado o cargo de técnico após derrota para o Valencia na 31ª rodada. Na ocasião, o Alavés já ocupava a penúltima colocação e aquele foi o nono tropeço consecutivo, sendo que, desses nove jogos, o Glorioso não havia marcado gols em seis partidas.

Na temporada seguinte, com Pepe Mel no comando, o Alavés ficou em 4º na segunda divisão e não subiu e ainda parou na semifinal da Copa do Rei. Na temporada 2004/05, com Chuchi Cos como técnico, o acesso finalmente veio, mas a festa durou pouco e o Glorioso ficou apenas uma temporada na elite (2005/06).

Desde então não voltou mais. E nem tem passado perto disso. Depois de duas temporadas em que se salvou na bacia das almas, a queda para a terceira divisão veio em 2009. O Alavés voltou para a segunda divisão apenas nesta temporada, mas novamente briga contra o descenso. Após algumas rodadas na lanterna, o time ganhou fôlego e ocupa a 19ª colocação com 33 pontos. Tal posicionamento ainda lhe rebaixa, mas a distância pro primeiro time fora da zona de descenso (Hércules) é de apenas um ponto.

Uma pena que em pouco mais de dez anos, um time que surpreendeu toda Europa esteja sofrendo de tal maneira. É apenas sombra do que era em 2001.

Enquanto novos dias de sol não chegam para o Alavés, recorde como foi a decisão de 2001:

Şahin voltou! Só falta saber pra onde

Şahin está de volta ao Dortmund

Şahin está de volta ao Dortmund

Durante dez anos, Nuri Şahin prestou serviços ao Borussia Dortmund. O turco chegou jovenzinho ao clube, tinha apenas 13 anos, e foi até gandula nos jogos do timecomo mostra a imagem acima. Şahin, durante algum tempo, foi uma das revelações mais cobiçadas da Europa, chegando a ser considerado “o maior talento sub-18” por Arsène Wenger. O Arsenal tentou trazê-lo, mas “o futuro do Dortmund”, como disse o diretor Hans-Joachim Watzke, não poderia carregar essa alcunha para outro lugar.

Watzke tinha razão. Şahin foi o jogador mais jovem a disputar uma partida da Bundesliga e a marcar um gol também, além disso, com o turco como destaque, o Borussia Dortmund conquistou o Campeonato Alemão na temporada 2010/11, batendo o poderoso Bayern de Munique de Louis van Gaal, que ficaria com o vice da Liga dos Campeões no mesmo ano.

Sua saída, logo após a Salva de Prata ser erguida, foi um tanto quanto precipitada. Apesar da grande participação na conquista e apresentação de características que lhe credenciavam a ser um tão falado “jogador moderno” – marca, sai pro jogo, tem técnica, finaliza bem -, Şahin não parecia pronto para encarar um desafio como jogar pelo Real Madrid. Faltava um “algo mais”.

Com problemas em falar a língua espanhola e com algumas lesões que o tiraram de combate por muitos jogos, o turco fez míseras dez partidas em Madrid. Emprestado ao Liverpool nesta temporada, Şahin também não conseguiu render e apareceu pouco. No geral, foram menos de 25 partidas em um ano e meio fora da Alemanha.

Şahin vestirá a 18 que era de Barrios

Şahin vestirá a 18 que era de Barrios

Şahin decidiu voltar ao lugar que pode chamar de “casa”, o Borussia Dortmund, com um empréstimo do clube espanhol que durará até o fim da próxima temporada. Uma coisa é certa, o turco encontrará um ambiente mais agradável no país do chucrute. O Real Madrid, como todos sabem, é uma sucursal do inferno na Terra, enquanto o Liverpool vive em eterna pressão pela seca de títulos ingleses. Em Dortmund, Şahin encontrará um clube que está em estado de graça com seu torcedor. Não era pra menos, o time é bicampeão nacional e faz campanha espetacular na Liga dos Campeões. Além do mais, o turco é adorado pela torcida e foi muito bem recepcionado por seus fãs.

Mesmo com toda a adoração dos torcedores, fica a dúvida: para onde que Şahin voltou? Para dentro de campo onde será o mesmo protagonista de dois anos atrás ou para trás das placas publicitárias onde era o “gandula” quando garoto? Não há certeza.

Bom futebol Şahin tem, só que o Borussia Dortmund também sabia que Gündoğan teria quando apostou nele na temporada passada. O turco que, diferentemente de Şahin, optou por jogar pela Alemanha, demorou a se adaptar, chegou a ser tornar quarta opção de meio campo, mas hoje, comanda a faixa central borussiana. Gündoğan tem lembrado, em muitos momentos, o próprio Şahin.

Os dois podem jogar juntos na cabeça de área, lembrando que Gündoğan já foi o volante mais fixo com Kehl saindo pro jogo, mas me parece muito inviável. Os dois têm características ofensivas, são meias, praticamente. Valeria expor a zaga de tal maneira?

Jürgen Klopp, pensando nisso, já providencia novas alternativas para encaixar a dupla no time. Em alguns amistosos, o Borussia Dortmund chegou a jogar no 4-3-3 – variando para o 4-1-4-1 que o time se acostumou a usar – com Kehl ou Bender, Şahin e Gundoğan atuando no meio campo. Reus, Götze e Lewandowski formariam a trinca ofensiva.

Esse sistema me parece ser o mais aceitável para o encaixe dos dois, mas uma coisa me deixa encucado: Klopp sacar Kuba do time. O Dortmund pode ter Weidenfeller comandando tudo na defesa, Gundoğan e agora Şahin esbanjando técnica no meio e o trio Reus, Lewandowski e Götze mostrando do que são capazes no ataque, mas Kuba acabava sendo quem movimentava isso tudo, ele é o motor do time. Não custa lembrar que o momento mais turbulento do BvB no primeiro turno da Bundesliga foi quando o polonês esteve machucado. O time não tinha o ritmo e a velocidade que ele impunha.

Mas é nossa obrigação levantar a hipótese de Şahin não repetir as atuações do primeiro título do Dortmund, fazendo com que Kuba não perca seu espaço, mesmo tendo função diferente dentro do time. Hoje, o turco é mais uma incógnita do que uma garantia de bom futebol. Considerei o retorno bom para ambos, afinal, clube e jogador têm uma grande relação de admiração e um histórico de conquistas, mas é uma avaliação prévia.

O retorno de Nuri Şahin é uma “história nova” no Borussia Dortmund, que trás um antigo ídolo, mas fracassado no exterior, até por isso, se torna uma dúvida. Não creio que desbanque Gündoğan, assim como não vejo como esse time jogar sem Kuba. Jürgen Klopp, que baterá de frente com Pep Guardiola na próxima temporada, precisa mostrar, desde já, do que é capaz para encaixar Şahin no time titular, seja como protagonista, seja como gandula.

TOP 7: Os quinze campeões (Parte 2)

Dando sequência à série com os quinze treinadores europeus que venceram torneios nacionais, continentais e mundiais, passo hoje os últimos sete nomes desta lista. Nesta segunda parte, teremos duas faixas bônus, sendo um técnico europeu e outro sul-americano, mas que obteve tal feito por um clube europeu.

Confira a parte final desta lista abaixo:

Faixa Bônus1 – Helenio Herrera – Internazionale

Está certo que Helenio Herrera é argentino, mas ele tem traços franceses e fortes relações com os italianos, então vale essa menção honrosa. Herrera ganhou quatro campeonatos espanhóis, dois pelo Barcelona e dois pelo Atlético de Madrid. Porém, Milão foi o local onde concluiu a trinca de títulos. Foi pela Inter que venceu o Campeonato Italiano em 1962/63 e a Liga dos Campeões na temporada seguinte – curiosamente, vitória sobre o Real Madrid, seu rival em tempos de Espanha. No Mundial Interclubes, os nerazzurri reverteram a vantagem do Independiente da Argentina em três jogos e venceram o torneio. No ano seguinte, novo título europeu para Herrera, esse sobre o Benfica e mais um título mundial em cima do Independiente.

7) Marcelo Lippi – Juventus

Lippi fez a trinca na Juventus

Lippi fez a trinca na Juventus

O italiano Marcelo Lippi passou por uma penca de times em sua carreira, mas suas conquistas mais gloriosas foram na Juventus – além de vencer a Copa de 2006 pela Itália. Foram treze títulos na equipe de Turim. A primeira vez que conquistou o Campeonato Italiano foi na temporada 1994/95. No ano seguinte, veio o título europeu conquistado em cima do Ajax na disputa por pênaltis.

Em dezembro de 1996, a Juventus deu de cara com o River Plate na final do Mundial Interclubes. Em jogo muito disputado, a decisão veio dos pés de Del Piero, que aos 36 minutos da etapa complementar, fez o gol que valeu o título mundial ao time de Lippi.

A Juve quase repetiu este feito em outras oportunidades. O título italiano veio mais quatro vezes, mas a Liga dos Campeões bateu na trave três vezes. Em 1997 contra o Borussia Dortmund, 1998 diante do Real Madrid e em 2003 contra o rival Milan.

Faixa Bônus2 – Guus Hiddink – PSV Eindhoven e Real Madrid

Conhecido por seus trabalhos em seleções, o holandês Guus Hiddink também botou suas manguinhas de fora nos clubes em que passou. Pelo PSV, foram duas passagens, ambas somando títulos. Entre 1987 e 1990, foram três conquistas do Campeonato Holandês e duas da Copa da Holanda. A temporada 1987/88 foi a mais marcante de Hiddink em Eindhoven. O título holandês veio graças ao ataque avassalador de 117 gols e em seguida, veio o título europeu. Diferentemente do torneio doméstico, a campanha continental não foi das melhores – três vitórias, cinco empates e uma derrota -, mas ainda assim veio o título nos pênaltis diante do Benfica.

No Mundial Interclubes não deu outra: novo empate, desta vez, em 2×2 com o Nacional do Uruguai. Na decisão por pênaltis, vitória dos sul-americanos. Hiddink só completou a série de títulos dez anos depois treinando o Real Madrid. Na final, os madridistas bateram o Vasco da Gama.

Em sua segunda passagem pelo PSV, já nos anos 2000, conquistou três vezes o Holandês.

6) Ottmar Hitzfeld – Dortmund e Bayern

A primeira Champions League de Hitzfeld foi no Dortmund

A primeira Champions League de Hitzfeld foi no Dortmund

O suíço Ottmar Hitzfeld está no seleto grupo de técnicos que conquistaram a UEFA Champions League por duas equipes diferentes, primeiro pelo Borussia Dortmund em 1997 e depois pelo Bayern em 2001. Curiosamente, antes de conquistar a Europa por esses times, ele já acumulava dois títulos alemães por cada clube. A grande diferença é que Hitzfeld parou nesses dois com os aurinegros, mas com os bávaros vieram mais três conquistas.

Também foi com o time da Baviera que veio seu título mundial. Em 2001, Samuel Kuffour salvou o Bayern na prorrogação contra o Boca Juniors e os alemães levaram o caneco. Hitzfeld só não fez isso pelo Borussia Dortmund por ter deixado o clube após o título europeu.

5) Vicente Del Bosque – Real Madrid

Del Bosque fez história no Real Madrid e na seleção espanhola

Del Bosque fez história no Real Madrid e na seleção espanhola

Vicente Del Bosque está próximo de completar 62 anos e se, hipoteticamente, decidir se aposentar, vai poder dizer, com o maior orgulho, que ganhou praticamente tudo que disputou. Antes mesmo de conquistar o Campeonato Espanhol, o Real Madrid de Del Bosque já havia ganhado a “orelhuda” na final espanhola diante do Valencia em 2000. Porém, os espanhóis pararam no Boca Juniors de Riquelme e Palermo e não se sagraram campeões mundiais.

Na temporada seguinte, o Real Madrid voltou vencer o Campeonato Espanhol após três anos. No ano posterior, não veio o bicampeonato nacional, mas veio outro título europeu, conquistado graças a maestria de Zidane. No final do ano, os merengues foram à forra e conquistaram o mundo ao bater o Olímpia do Paraguai por 2×0.

Anos mais tarde, Del Bosque completou sua sala de troféus, simplesmente, com a Eurocopa e a Copa do Mundo.

4) Carlo Ancelotti – Milan

Ancelotti ganhou duas finais de Champions League das três que disputou

Ancelotti ganhou duas finais de Champions League das três que disputou

Foram oito anos vitoriosos de Carlo Ancelotti no Milan, onde ganhou muita coisa e se fixou como um dos grandes técnicos do continente. Assim como o comandante citado anteriormente, o italiano ganhou primeiro o título europeu. A conquista veio em 2003, na disputa de pênaltis vencida diante da Juventus. Nos pênaltis também veio a derrota no Mundial Interclubes para o Boca Juniors. No ano seguinte, os rossoneros conquistaram seu 17° scudetto na Itália, primeiro de Ancelotti.

Após perder uma Champions League de forma inacreditável para o Liverpool em 2005, o Milan retornou a final do torneio em 2007 e se vingou do time inglês ao vencer por 2×1. A outra vingança veio no final do ano contra o mesmo Boca Juniors na decisão do Mundial de Clubes.

Carlo Ancelotti ainda acumulou um título do Campeonato Inglês, mas as conquistas internacionais pararam com o Mundial de 2007.

3) Alex Ferguson – Manchester United

Ferguson posou com a "orelhuda" em 1999

Ferguson posou com a “orelhuda” em 1999

Alex Ferguson é outro que pode se gabar de ter ganhado praticamente tudo na carreira, desde os tempos longínquos no Aberdeen e agora no Manchester United. Seus primeiros títulos nacionais foram na Escócia em 1979/80, 1983/84 e 1984/85. Nos Red Devils, o primeiro Campeonato Inglês veio em 1992/93 e juntaram-se a esse título mais onze.

Em 1998/99 e 2007/08, anos em que conquistou o principal campeonato do país, o Manchester de Ferguson também ganhou a Europa e o mundo. Juventus e Chelsea pagaram caríssimos preços em âmbito europeu com dolorosas derrotas, enquanto Arsenal e o próprio Chelsea viram o United ganhar a Premier League por uma diferença curta de pontos.

Em 1999, os ingleses bateram o Palmeiras no Mundial Interclubes, na histórica falha do goleiro Marcos aproveitada por Roy Keane. Em 2008, os derrotados da vez foram os equatorianos da LDU com nova vitória por placar mínimo, desta vez, com gol de Rooney.

2) Rafael Benítez – Valencia, Liverpool e Internazionale

Benítez fez a trinca por três times diferentes

Benítez fez a trinca por três times diferentes

O espanhol Rafa Benítez fez uma “escadinha” pra obter o feito supracitado nesta matéria. Seus únicos títulos de campeonatos nacionais foram na Espanha com o Valencia. Essas conquistas vieram nas temporadas 2001/02 e 2003/04, onde desbancou Barcelona, Real Madrid e, o na época forte, Deportivo La Coruña.

Ao se transferir para a Inglaterra, Rafa venceu de forma heroica a Champions League de 2005 com o Liverpool. Os ingleses foram para o intervalo perdendo por 3×0 e arrancaram o empate no tempo normal e a vitória nos pênaltis. No Mundial de Clubes, os Reds não furaram a barreira armada pelo São Paulo e ficaram com o segundo lugar.

Em passagem nada marcante pela Internazionale, Rafa Benítez ao menos deixou sua marca e bateu o surpreendente Mazembe do Congo na decisão do Mundial de Clubes, completando a trinca de títulos. O espanhol poderá se tornar bicampeão mundial treinando o Chelsea neste ano.

1) Josep Guardiola – Barcelona

Guardiola ganhou tudo e é um dos técnicos mais cobiçados do mundo

Guardiola ganhou tudo e é um dos técnicos mais cobiçados do mundo

Pep Guardiola é o técnico mais desejado do momento, principalmente dos times que possuem donos milionários dispostos a abrir o cofre para trazê-lo a seu clube. Tal obsessão não existe em vão. O catalão ganhou de tudo no Barcelona. Guardiola disputou quatro edições do Campeonato Espanhol e ganhou três, sendo essas consecutivas.

Já na Liga dos Campeões, o Barça estabeleceu uma freguesia com o Manchester United de Alex Ferguson. Foram duas finais, em 2009 e 2011, e duas vitórias. No Mundial de Clubes, sem grandes decepções. Vitórias sobre Estudiantes e Santos. Se contarmos sua passagem pelo time B do Barcelona, Guardiola acumula quinze títulos em cinco anos de carreira.

*Crédito das imagens: Getty Images

Gangorra

Os alemães estão tomando o lugar dos ingleses?

Durante a última década, nos acostumamos a ver times ingleses nas semifinais da UEFA Champions League. Não à toa, quando faltaram britânicos nesta fase na edição 2009/10, chegaram a falar em declínio da Premier League, mas preferimos tratar o caso como temporada de exceção. Na última edição do torneio, a dupla de Manchester caiu na fase de grupos, sendo que esses mesmos times foram os dois líderes do Inglês ao término da temporada. Queda? Ainda deixamos essa hipótese de lado, principalmente com o Chelsea conseguindo o almejado título europeu.

Nesta nova temporada, corre-se o risco de avançarmos para a fase mata-mata, novamente, com apenas dois ingleses. O Manchester City, atual campeão nacional, parece que ainda não aprendeu a jogar a Champions League e já está eliminado com uma rodada de antecedência. Já o Chelsea precisa de um milagre para evitar o vexame de ser o primeiro campeão europeu eliminado ainda na fase de grupos.

Em outro canto da Europa, a história é completamente oposta. Mesmo perdendo o Borussia Mönchengladbach na fase prévia da competição, a Alemanha tem seus demais representantes classificados, com o Dortmund tendo assegurado a ponta do temido “Grupo da Morte”. Enquanto isso, Schalke e Bayern dependem de seus esforços para confirmar a primeira colocação de suas chaves.

Os parágrafos anteriores demonstram uma significativa mudança no cenário europeu. Os ingleses, outrora clubes dominantes do continente, não conseguem impor internacionalmente a força vista nos campeonatos domésticos, enquanto a Alemanha, antes resumida, em cenário europeu, ao Bayern, enxerga muito mais do que resultados, mas também, bom futebol.

No Borussia Dortmund, impressiona a frieza de Marco Reus nessa primeira fase de Champions League. O garoto estreou em um torneio continental nesta temporada e não sentiu nenhum peso, chegando a marcar um gol no vislumbrante Santiago Bernabéu. O Schalke 04 está bem mais amadurecido em relação o time que chegou nas semifinais da temporada retrasada e salve um equívoco ou outro do técnico Huub Stevens, tem tudo para surpreender no torneio.

O Bayern dispensa maiores apresentações e não é exagero algum colocá-lo como um dos principais favoritos ao caneco. A campanha na Bundesliga beira a perfeição, o ataque ganhou nova movimentação com o croata Mandžukić e a defesa já não é mais o grande problema, tendo sofrido poucos gols na temporada. Acima do Barcelona no ranking de favoritos? Exagero. Mas os bávaros, se não estão acima, pelo menos estão em patamar igual ao do Real Madrid.

Deposito parte considerável desse sucesso a divisão de forças dos principais times alemães. Manuel Neuer foi o único exemplo recente de jogador que trocou uma equipe de porte por outra. No restante, os clubes buscam se reforçar com atletas de equipes menores ou então revelar jogadores. É o caso de Schalke e Dortmund, que contam com nomes do calibre de Füchs, Neustadter, Draxler, Reus, Götze, Lewandowski e Gündoğan. Todos estes citados são crias dos times citados ou foram trazidos de clubes menores da Alemanha e outros países.

O Bayern, por ser um clube mais rico, se dá ao luxo de buscar jogadores renomados internacionalmente, como foi, recentemente, com Arjen Robben e Javi Martínez. Porém, o clube bávaro tem seguido as ações dos adversários e buscou novos talentos em equipes menores, caso de Dante, Mandžukić e Luiz Gustavo.

Em contrapartida, as equipes inglesas não estão tendo a capacidade de se “reforçar mutuamente”. Basta olhar o seguinte exemplo: Liverpool e Arsenal não estão brigando por títulos, logo, seus destaques trocam de clube por esse motivo. O pior disto tudo é que esses jogadores reforçam os rivais, ou seja, entre as equipes de porte do país, um perde, outro ganha. Os principais atletas ficam concentrados nos mesmos times e a circulação de bons jogadores fica menor.

Isso indica declínio da Premier League? Eu ainda prefiro esperar antes de dar uma opinião final. Se fosse para dar uma resposta agora, diria que não, mas fica aquela pontinha de desconfiança se essa opção de buscar reforços no rival é uma boa em âmbito geral. O adversário forte lhe obriga a ser mais poderoso ainda. Se você enfraquece o rival, pode lhe causar acomodação. Se isso vier acontecer, aí sim poderemos apontar uma decadência da Liga Inglesa… Decadência mental!

Mas ainda é cedo para chegarmos a uma conclusão. Na temporada passada, vimos o campeão alemão cair na fase de grupos e outro time do país chegando na final, assim como notamos a dupla mais forte da Inglaterra afundar cedo e um desacreditado Chelsea ganhando a competição. São times que adoram brincar de gangorra quando o assunto é torneios UEFA e como toda gangorra, tem o momento que desce e o momento que sobe.

*Crédito da imagem: Getty Images

Balanço da janela: Inglaterra

Dando sequencia as análises finais das contratações, chegamos ao local onde as negociações são mais intensas, a Premier League. Na liga mais milionária do mundo, todos querem entrar pra mostrar seu valor e quem já está lá, mas se deu mal, quer sempre uma segunda chance. Vamos as principais mexidas!

Kun Agüero foi a grande contratação do City

Fazendo jûs ao apelido de “novo rico”, o Manchester City foi a equipe que mais gastou na terra da rainha. Foram mais de 81 milhões de libras investidos em contratações. A mais cara foi a de Kun Agüero, 39,6 milhões de libras. Os Citizens também gastaram uma nota preta para tirar Samir Nasri do Arsenal. Foram 24 milhões investidos. Completam a lista de chegadas no clube azul de Manchester, Gael Clichy, Stefan Savic, Costel Pantilimon e Owen Hargreaves.

Na lista de dispensados do clube, estão jogadores como Jô, Given, Boateng, Wright-Philips, Bellamy, Santa Cruz e Adebayor, todos eles com rodagem no elenco azul. Desses todos, somente os dois últimos a serem citados saíram por empréstimo. A venda mais lucrativa foi a de Jêrome Boateng, onde o City conseguiu quase 12 milhões ao vendê-lo pro Bayern.

Os Citizens fizeram altos investimentos para continuarem com o ambicioso plano de tomar conta do futebol inglês. É um dos favoritos ao título inglês e se o time encaixar, pode fazer barulho na Uefa Champions League.

Outro time que também não economizou na hora das transferências foi o Chelsea. O time londrino gastou 75 milhões de euros e acabou dando uma renovada em seu elenco. O jogador mais caro foi Juan Mata, de 23 anos, contratado por 23 milhões de libras. Por 19 milhões, veio Lukaku, de 18 anos. Oriol Romeu, Ulises Dávila, Thibaut Courtois e o brasileiro Lucas Piazón, outros contratados dos Blues estão todos abaixo dos 21 anos. Apenas Raúl Meireles – contratado por 11 milhões de libras – está acima dessa margem. O português tem 28 anos.

A diretoria do Chelsea aproveitou para se desfazer de jogadores que estavam sem espaço ou que decepcionaram em sua passagem pela Inglaterra, como no caso de Yuri Zhirkov, que foi vendido pro Anzhi por 13 milhões de euros. Jogadores como Benayoun e Mancienne foram outros a mudar de ares.

De Gea, Jones e Young são os novos Red Devils

O Manchester United seguiu a receita do Chelsea e decidiu trazer alguns jovens valores para seu elenco, como David De Gea, de 20 anos e Phil Jones, de 19. Ashley Young, que não chega a ser um jovem, mas que também não é nenhum veterano, também se juntou aos Red Devils. A grande diferença das jovens contratações das duas equipes está justamente nos valores. Enquanto o Chelsea trouxe Lukaku por 19 milhões e Courtois por 7 milhões, o Manchester United fez com que não houvesse essa disparidade. De Gea veio por 17 milhões, Jones por 16 milhões e Young por 15 milhões.

Outra diferença das negociações entre as duas equipes inglesas está nas dispensas. O Chelsea trouxe jovens valores, mas mandou poucos veteranos embora, já o United deu essa renovada. Van der Sar e Scholes encerraram suas carreiras, enquanto John O’Shea, Wes Brown e Owen Hargreaves, todos com muitos anos no clube, acabaram mudando de ares.

O Manchester ainda “se livrou” de duas apostas que não deram certo: Gabriel Obertan e Bebé. O francês nunca repetiu suas boas atuações dos tempos de Bordeaux e seleções de base de seu país, enquanto o português, contratado do nada por Sir Alex Ferguson, mostrou que do nada veio, pro nada voltará. Obertan foi em definitivo pro Newcastle, enquanto Bebé foi por empréstimo pro Besiktas.

Aparentemente, não só pelos negócios, como também pelo começo de temporada, a renovação do Manchester United tem sido mais bem sucedida que a renovação do Chelsea.

O Liverpool aos poucos tenta se acertar e nessa última janela de transferências, gastou mais de 57 milhões de libras. Os Reds não chegaram a fazer grandes loucuras e se reforçaram mais com destaques da própria Premier League do que com estrelas de fora. Jordan Henderson – negócio mais caro do clube, 15 milhões – veio do Sunderland, Charlie Adam veio do Blackpool, Downing chegou do Aston Villa, Bellamy regressou ao Liverpool após algum tempo de Manchester City e José Enrique veio do Newcastle. Completam a lista de reforços dos Reds a revelação uruguaia, Coates e o goleiro brasileiro Doni.

Mas pode-se dizer que o grande reforço do Liverpool foram as saídas de muita gente que pouco acrescentou ao time em seu tempo por lá. Paul Konchesky foi pro Leicester por 1,4 milhões, N’Gog foi pro Bolton por 3 milhões, Jovanovic foi pro Anderlecht por 704 mil euros, enquanto Poulsen, Ínsua, Kyrgiakos, El Zhar e Degen saíram de graça. Aquilani e Cole, apostas furadas dos Reds foram por empréstimo para Milan e Lille, respectivamente.

O Liverpool se mexeu bem, mesmo não tendo feito loucuras. Foram contratações pensadas e boas, além das ótimas saídas, porque o ruim de ter esses malucos no banco de reservas, é que em alguma hora eles terão de entrar.

Será que se machucará pouco?

O Arsenal gastou bastante… mas não dá pra dizer que gastou bem. Dos 54 milhões de libras gastos pelos Gunners, o investimento mais caro foi no jovem de 18 anos, Oxlade-Chamberlain, 12 milhões. O clube londrino ainda gastou 10 milhões cada em Gervinho e Arteta. Per Mertesacker veio por 6 milhões. Curiosamente, Mertesacker e Arteta gostam de um departamento médico…

Carl Jenkinson, o brasileiro André Santos, Park Chu-Young e Benayoun completam a lista de contratados do Arsenal. Nada que deixe o torcedor Gunner ansioso por títulos…

Se o Arsenal “ganhou” pouco nas contratações, perdeu demais nas saídas. Por 25 milhões de euros, Fàbregas foi pro Barcelona, já Samir Nasri, por 24 milhões, foi pro Manchester City. A saída dos dois ocasionou uma dura queda no nível do time, que já não era dos mais altos… Clichy, Bendtner, Denílson, Eboué e Vela foram outros atletas com rodagem no time titular do Arsenal que deixaram o clube.

Que ergam as mãos os torcedores do Arsenal contentes com as mexidas no seu time!

BOLA DENTRO (CHEGADAS)

– Scott Parker, bom meio campista que estava no West Ham, chegou no Tottenham. Negócio bom e barato dos Spurs, que gastaram 4 milhões de libras;

Bryan Ruíz está a disposição de Martin Jol

– O Fulham trouxe dois jogadores interessantes para esta temporada: Bryan Ruíz, ex-Twente e Grygera, ex-Juventus. Os dois devem ajudar bastante;

– O Aston Villa foi outro que se mexeu bem. Trouxe do Wigan, Charles N’Zogbia, do Manchester City o experiente goleiro Shay Given e o meio campista Jermaine Jenas veio do Tottenham. Devem dar experiência ao jovem time do Villa;

– O West Brom trouxe de volta Zoltán Gera. Gosto do futebol do húngaro. Ele havia perdido espaço no Fulham, mas acredito que no WBA ele possa não só jogar mais partidas como ser decisivo;

– O Newcastle trouxe boas peças de reposição para os lugares de Carroll e Nolan. Vieram Demba Ba e Yohan Cabaye;

– O Stoke City se mexeu bem nessa janela. Trouxe o zagueiro Upson, que estava no West Ham e tem passagens pela seleção inglesa. Trouxe também o volante Palacios, além de Peter Crouch. Não havia time mais propício para Crouch jogar! Tinha de ser no time dos laterais malucos;

BOLA DENTRO (SAÍDAS)

– O Tottenham se livrou do fraco Alan Hutton, que foi pro Aston Villa. De quebra, ainda arranjou um time para Bentley, o West Ham. Pena pros Spurs que no caso de Bentley é só um empréstimo;

– Por empréstimo, o Aston Villa mandou para a Grécia o limitado Jean II Makoun. Ele ficará no Olympiacos;

– O West Bromwich conseguiu faturar quase 2 milhões de libras mandando o frangueiro goleiro Scott Carson para o Bursaspor;

– O pessoal do Stoke City não deve ter pensado duas vezes quando viu que o contrato de Eidur Gudjohnsen estava se encerrando e decidiu: “Vá com Deus!”. E ele foi… Está no AEK Athenas;

BOLA FORA (CHEGADAS)

– O Tottenham trouxe o veteraníssimo Brad Friedel. Ele é bom goleiro, mas não sei o que os Spurs querem com um goleiro de 40 anos em seu elenco;

– O Manchester City vive emprestando Adebayor de time em time. O próximo time do togolês será o Tottenham, torcida que odeia o atacante. Junte uma torcida irada com um atacante mediano! Só pode dar coisa ruim;

– Com o passar dos anos, o futebol de Tuncay Sanli cai… e com o passar dos anos aparecem mais clubes lhe dando chances. Agora será a vez do Bolton;

– Ainda no Bolton, chegou N’Gog. Atacante horroroso!;

BOLA FORA (SAÍDAS)

– O Bolton perdeu seu principal atacante, Johan Elmander. E ainda não ganhou nenhum trocado, porque ele foi de graça pro Galatasaray. Perda total;

Até a próxima!

Quarta força… e caindo!

As derrotas se tornaram rotina para o Arsenal

Depois da Bundesliga e da Ligue 1, é a vez da Barclays Premier League se iniciar. Nesta temporada, o Campeonato Inglês tem um favorito disparado: o atual campeão nacional e vice-europeu, o Manchester United, além de times que almejam esse posto devido os grandes investimentos, como o novo rico, Manchester City e o sedento por títulos, Chelsea.

Mas a temporada 2011/12 pode culminar no declínio absoluto em algo de gosto duvidoso que é feito há anos por um dos mais tradicionais clubes do país: a política de contratar jovens valores feito pelo Arsenal.

É de conhecimento de todos que há algum tempo que os Gunners não fazem grandes investimentos nas janelas de transferências e decidem apostar mais em garotos. Claro que se investir em moleques há os prós e contras, mas a parte contrária parece pesar de forma esmagadora no clube londrino.

O Arsenal tem um longo histórico nos últimos anos de contratar garotos que se destacam na base de clubes e seleções de fora da Inglaterra, sempre mostrando que podem ter um futuro imenso. Mas quando chegam ao clube londrino, mostram exatamente o contrário: falto de preparo, nervosismo e afobação.

Adeus e até a próxima?

Mas como foi citado anteriormente, há os prós também. Cesc Fábregas e Samir Nasri estão no Arsenal desde jovens – Nasri ainda teve experiência no Marseille – e hoje são grandes pilares da equipes. Mesmo Cesc não me parecendo um líder como era Vieira ou Henry, é nítida a mudança de comportamento dos demais jogadores quando ele está em campo. Já Nasri é importante pois sempre joga e é regular.

Mas de que adianta ter os dois se não vem mais ninguém para ajudar?

De que adianta ter Fábregas e Nasri se quando van Persie não joga, a esperança de gols fica para Bendtner, mais uma aposta furada de Arsene Wenger?

De que adianta a dupla, se o lateral direito é Sagna, que acerta um cruzamento de vinte tentados?

Poderiamos ficar nisso o resto do dia…

Mas o fato é que esses negócios de gosto duvidoso vão derrubando o Arsenal. Nasri e Fábregas devem sair do clube e a responsabilidade, que já era grande, ficará ainda maior para cima dos garotos citados acima.

Menos mal que há Jack Wilshere, grande esperança do futebol inglês pro futuro.

Mas entrando de vez no tema central do post, lembro que após essa janela de transferências e o início da nova temporada, poderemos ter uma nova configuração de “forças do futebol inglês”.

Se formos olhar através dos últimos anos, colocaremos o Manchester United como principal força, graças aos títulos nacionais e as boas colocações obtidas em torneios Uefa. Logo em seguida, vem o Chelsea, que como foi citado antes, é sedento por títulos e para saciar essa sede, gasta dinheiro como se não houvesse amanhã. A terceira força deveria ser o Arsenal, mas eu não penso assim.

Já não é de hoje que os Gunners fazem boas temporadas, mas destoam em clássicos e jogos bobos, deixando a conquista do título como impossível. A gota d’água foi na temporada passada. O United começou a tropeçar em alguns jogos e o Arsenal tinha tudo para encostar, mas tropeçou mais que o rival e caiu demais na tabela. A derrocada foi tão vertiginosa, que os Gunners terão de disputar a fase prévia da Champions League, isso porque acabaram em quarto na última temporada do Campeonato Inglês, logo atrás de United, Chelsea e Manchester City.

Gervinho que se vire...

Temo pelo desempenho gunner nessa temporada. Apenas três reforços: Gervinho, Campbell e Oxlade-Chamberlain. Gosto demais do futebol do marfinense, mas não será ele que salvará a horta do Arsenal. Campbell tem feito barulho na Costa Rica, mas não é de hoje que os Gunners fracassam ao trazer jogadores daquela região do planeta. Já Chamberlain tem 17 anos e é uma promessa do futebol inglês, que jogava no Southampton. Os três negócios não animam em nada o torcedor do Arsenal…

Menos mal que o Arsenal se livrou do traste Clichy e o garoto Gibbs poderá mostrar para que veio no mundo futebolístico, mas volto a destacar a possível saída de Nasri e Fábregas. Se isso acontecer, o time “que necessitava só de amadurecimento e umas peças aqui e ali”, vai virar um time comum, com jogadores normais e um ou outro que se diferencia dos demais.

Pior ainda é ver que o posto de quarta força – que já não é algo agradável para um time 13 vezes campeão nacional – pode ser perdido.

Tottenham e Liverpool despontam como principais candidatos a essa simbólica vaga.

Os Spurs já tem uma base firmada há algumas temporadas, base essa que parece se enfraquecer através dos anos, mas não por saída de jogadores, pois a diretoria se mostra firme e não libera facilmente algumas peças, como Luka Modric, desejado pelo Chelsea. Esse enfraquecimento se deve as derrotas que sofrem e o modo como esses tropeços ocorrem.

Liverpool e o gatilho mais rápido da Inglaterra para acertar Suárez

Mas para este blogueiro, o principal time que pode tomar esse símbolo do Arsenal é o Liverpool. Na temporada passada, o time comandado por Kenny Dalglish se acertou durante a segunda metade da temporada e com o dinheiro da New England Sports Ventures, fez a contratação mais eficaz da última temporada na Inglaterra: Luís Suárez.

Se formos colocar em um contexto, poderiamos afirmar que o Ajax seria bombardeado de propostas por Suárez caso ele ficasse no clube holandês até este estágio do ano, mas os Reds foram mais espertos e o contrataram na metade da temporada 10/11. Agilidade que valeu à pena, pois o uruguaio foi muito bem naquele restinho de temporada.

Kenny Dalglish também tem seus méritos ao começar a usar mais garotos, que diferentemente do “esquema Arsenal”, são melhores aproveitados e tem a pressão aliviada. Jogadores como Martin Kelly e Jay Spearing mostraram na última temporada que tem bola para atuar entre os 11 titulares do Liverpool, sem sentir a pressão da enorme fila de títulos do clube.

Ah! Não podemos esquecer dos garotos que vieram de outros clubes, como Andy Carroll, que chegou na metade da última temporada, mas ainda não estorou, vide o grande investimento feito. Para essa temporada, chega um dos destaques do Sunderland, Jordan Henderson, de 22 anos.

O Liverpool se reforçou também trazendo o grande destaque do rebaixado Blackpool. Pode parecer redundante destacar isso como reforço, mas há de se confirmar que Charlie Adam se mostrou um jogador de grande qualidade vestindo a camisa dos Tangerines. Pode acrescentar demais ao elenco red e se tornar uma opção confiável caso demonstre no Liverpool o mesmo futebol que apresentou em seu tempo de Blackpool.

Os Reds se reforçaram bem e mantém o bom trabalho da temporada passada. É um bom modo e voltar a disputar a Champions League, que tem sido algo que não anda no cardápio de competições do clube.

Pelo jeito, Wenger terá de fazer mais consolos

E o Arsenal que se cuide. Poucos negócios feitos e esses “poucos” são de gosto duvidoso, pra não dizer ruins, com garotos que nunca estouram e fazem um jogo bom em nove, dez… Essas negociações duvidosas e a escassez de títulos faz com que destaques como Fábregas e Nasri migrem para outras ligas ou outras forças do país.

É crítica a situação! Se os reforços de peso não vierem, o Arsenal ficará naquela zona que fica entre o 6º e o 3º colocado. Pouco para um time que fica sempre almejando altos objetivos, mas nunca sai de sua zona de conforto.

Quem gosta disso é o Manchester City, que no seu plano de crescimento, desbanca um grande e ainda vai enfraquecendo esse rival.

Wenger precisa rever esse conceito dele de não gastar muito e só gastar com jovens jogadores. Claro, é de cada um o modo de dirigir o clube, mas isso não garante bom futebol, cancha, títulos e até torcida. Aliás, que garotinho vai querer torcer para um time que há anos não ganha nada?