Os “caras” de 2014 no futebol francês

Em troca de ano é normal que, em vários setores da sociedade, todas as ações realizadas durante os últimos 12 meses sejam revistas e avaliadas. No blog, como não tive a mesma disponibilidade de tempo como em outras épocas, não daria pra fazer um apanhado com os melhores posts, mas ainda assim dá para fazer um balanço de 2014.

Como o Europa Football tem um foco maior no futebol francês, até mesmo pelo Le Podcast du Foot, decidi levantar os nomes que foram destaque na terra dos vinhos no último ano. Seria uma lista de cinco nomes, mas enquanto vasculhava mais e conversava com alguns colegas, fui encontrando outros personagens e fechei o ranking com os dez “caras” do futebol francês em 2014.

Sem mais enrolações, vamos a eles:

 10 – Didier Deschamps

Foto: AFP

Foto: AFP

A participação mais digna da França em uma Copa do Mundo neste século foi em 2014, mesmo tendo sido eliminada nas quartas-de-final. Em 2002, caiu na primeira fase, especialmente abalada pela lesão de Zinedine Zidane as vésperas da estreia; em 2006 até ficou com o vice-campeonato, mas as eternas polêmicas do técnico Raymond Domenech chamavam a atenção (lembrando que Ludovic Giuly, em alta no Barcelona, não foi convocado. Segundo o atleta, não foi chamado porque teve um caso com a esposa de Domenech), além da expulsão de Zizou na final por dar uma cabeçada em Marco Materazzi, da Itália; em 2010, o maior vexame de todos na África do Sul, com boicote do elenco e tudo mais. No Mundial do Brasil isso foi diferente e tudo passou pela disciplina do técnico Didier Deschamps.

Com uma equipe bem armada e com atletas mais comprometidos, a França de DD terminou 2014 com apenas uma derrota (o 1×0 diante da Alemanha, que tirou os Bleus do Mundial). Foram 15 partidas, dez vitórias, quatro empates e uma derrota – 75,5% de aproveitamento.

Deschamps teve um ano pra lá de proveitoso após passar maus bocados no Marseille nos últimos anos. Ter feito à França sair da Copa do Mundo com dignidade após muito tempo já foi uma grande credencial para entrar em nossa lista.

9 – Lucas

Foto: C. Gavelle - PSG Officiel

Foto: C. Gavelle – PSG Officiel

O atacante Lucas, do Paris Saint-Germain, talvez não guarde 2014 como um de seus grandes anos, especialmente porque ficou fora do grupo que defendeu a seleção brasileira na Copa do Mundo, mas na França ele não tem do que reclamar. Após 2013 penoso, onde teve imensas dificuldades em se adaptar ao 4-4-2 britânico de Carlo Ancelotti, o menino dos 40 milhões de euros se acertou em 2014 e é um dos principais nomes do milionário PSG de Laurent Blanc.

Lucas encerrou o ano tendo participado de 54 jogos, sendo 36 como titular, anotando oito gols e nove assistências. Nesta temporada, o camisa 7 parisiense participou de 26 jogos e esteve no 11 inicial em 21 oportunidades.

Este ano ainda, o brasileiro terminou em terceiro no ranking de assistências da última temporada da Ligue 1 com dez passes para gol. O bom desempenho em Paris o levou de volta para a seleção brasileira com o técnico Dunga e o deixou como o nono lugar em nosso ranking.

8 – Alexandre Lacazette

Foto: S. Guiochon - Le Progrès

Foto: S. Guiochon – Le Progrès

Clément Grenier? Yohan Gourcuff? Não, quem responde como principal nome do Olympique Lyonnais em 2014 é Alexandre Lacazette. Apenas no primeiro turno da Ligue 1 na atual temporada, o atacante de 23 anos foi responsável por 55% dos gols do time – 17 gols e cinco assistências.

Lacazette encerrou o ano com 23 gols em 38 jogos. Foram 3108 minutos em campo, o que lhe deu uma média de um gol a cada 135 minutos, ou seja, um tento a cada um jogo e meio. O atacante do Lyon terminou a primeira metade da temporada como artilheiro da Ligue 1 e terceiro colocado no ranking de assistências.

Na edição anterior do Francesão, ele já havia sido o goleador do OL com 15 gols, sendo o sétimo na tábua geral. Os espantosos números o colocam, justamente, em nosso ranking.

7 – Franck Ribéry

Foto: Splash News/AKM-GSI

Foto: Splash News/AKM-GSI

Franck Ribéry é o único jogador que entra nessa lista mais no aspecto negativo do que positivo. Indispensável para a seleção francesa que viria ao Brasil para a disputa da Copa do Mundo, o meia-atacante do Bayern de Munique teve um problema nas costas no fim da última temporada e não participou dos amistosos de preparação, sendo cortado posteriormente.

Até aí tudo bem, não é mesmo? Problemas assim acontecem em todas as Copas do Mundo. Mas aí vieram as controversas férias de Ribéry em Ibiza, na Espanha. Enquanto a França disputava o Mundial, o atleta do Bayern dava saltos ornamentais na praia espanhola. Aparentemente, as dores nas costas foram milagrosamente curadas pelos efeitos da Marijuana. Ressalte-se também que, segundo Le Figaro, o atleta foi convidado pela Federação Francesa de Futebol para dar apoio à delegação no Brasil antes do jogo contra a Alemanha, mas teria recusado o convite.

Já era sabido, também, que aquela seria a sua última Copa do Mundo, mas o que poucos esperavam era o anúncio de sua aposentadoria da seleção aos 31 anos, tendo uma Eurocopa na própria França em 2016.

Enfim, a passagem de Ribéry pela seleção francesa acabou de forma controversa. Foram duas Eurocopas, dois mundiais, 81 jogos e 16 gols, o mais importante deles talvez tenha sido o que reproduzo abaixo, contra a Espanha, nas oitavas-de-final da Copa do Mundo de 2006.

6 – Zlatan Ibrahimović

Foto: C. Gavelle - PSG Officiel

Foto: C. Gavelle – PSG Officiel

Aos 33 anos, o sueco Zlatan Ibrahimović se sente cada vez mais em casa em Paris e até pensa em encerrar a carreira por lá. Antes disso, o atacante tentará quebrar mais alguns recordes, além dos vários que já quebrou – alguns quebrados este ano.

Com dez gols, Ibra se tornou o maior artilheiro do PSG em uma única edição da Liga dos Campeões. O recorde pode ser ainda maior se fizer dois gols no mata-mata do próximo ano. Isso significaria que ultrapassaria George Weah e se transformaria no maior goleador parisiense em torneios europeus.

O sueco também se tornou o segundo maior goleador da história do Paris em uma única temporada: 30 gols, perdendo apenas para Carlos Bianchi, que fez 37 gols na temporada 1977/1978. Além disso, Ibra foi o principal artilheiro do Campeonato Francês pela segunda temporada seguida, feito que não acontecia desde a 2005/2006 e 2006/2007 com Pedro Miguel Pauleta, também no PSG.

Além disso, Ibrahimović vai subindo cada vez mais no ranking de maiores goleadores do clube. Já são 88 gols, o quinto na tabela geral. Neste último ano, deixou para trás atletas como Safet Susić, Raí e Carlos Bianchi. Enfim, esses recordes que citei foram apenas alguns dos fatores credenciais para o sueco entrar nessa seleta lista.

5 – Lionel Mathis

Foto: Jean-François Monier - AFP

Foto: Jean-François Monier – AFP

O meio-campista Lionel Mathis pode não ser muito conhecido pelo grande público, mas em 2014 conseguiu um grande feito na carreira: foi tetracampeão da Copa da França e sempre jogando por equipes intermediárias ou pequenas. Em 2003 e 2005, foi campeão com o Auxerre e em 2009 ergueu o caneco com o Guingamp, clube o qual voltou a ser vencedor do torneio em 2014.

Feito absolutamente espetacular que o coloca a um título dos maiores vencedores. Os que mais venceram foram Marceau Somerlinck com o Lille (é o atleta que detém o recorde de partidas pelo clube), Dominque Barthenay com Saint-Étienne (três vezes) e PSG (duas) e Alain Roche com o PSG (três) e com o Bordeaux (duas).

Notou que os recordistas foram campeões com clubes grandes? Pois então, Mathis não segue essa linhagem. E ainda obteve um feito maior, sendo campeão em 2009, com o Guingamp, que estava na metade da tabela da segunda divisão, e agora em 2014, com o time na elite. Um símbolo dessa fase de ascensão do time bretão, único representante francês no mata-mata da UEFA Europa League.

4 – Dmitry Rybolovlev

Foto: HNGN

Foto: HNGN

Principal acionista do AS Monaco, o bilionário russo Dmitry Rybolovlev viu – e segue vendo – o sonho de transformar o clube monegasco em uma potência europeia ruir. Os altos investimentos foram deixados de lado e Falcao García e James Rodríguez, principais nomes do projeto, deixaram o clube.

A principal responsável por isso foi a ex-esposa do bilionário, Elena Rybolovlev. Em maio, depois de mais de seis anos de batalhas nos tribunais, o mandatário do Monaco foi condenado a pagar 4,5 bilhões de dólares de divórcio à Elena, um dos divórcios mais caros da história.

Com tamanho prejuízo, Rybolovlev deixou os investimentos no clube em stand by e vê o time distante dos líderes da tabela do Campeonato Francês.

3 – Corinne Diacre

Foto: O. Stéphan - Stade Brestois

Foto: O. Stéphan – Stade Brestois

Aos 40 anos, a ex-jogadora Corinne Diacre topou um desafio e tanto: treinar um time de futebol masculino e decidiu comandar o Clermont na primeira metade de temporada da segunda divisão francesa. Corinne, que defendeu a seleção francesa de futebol feminino por mais de uma década, se tornou a primeira mulher a obter a licença para trabalhar como técnica nas duas primeiras divisões do país.

Um dos principais objetivos de Corinne é manter o clube na Ligue 2, missão que vem cumprindo até o momento. O Clermont encerrou 2014 na 14ª colocação com 20 pontos, três acima da zona de rebaixamento.

Quanto às copas nacionais, entretanto, o time vermelho e azul já deu adeus às duas. Na Copa da Liga, a equipe até eliminou Istres e Chateauroux, mas parou no Caen, da primeira divisão, nas oitavas-de-final. Na Copa da França, eliminação na oitava fase para o Epinal.

Mas pelo simples fato de ter aceitado o desafio de encarar o futebol masculino e ainda estar cumprindo o objetivo de manter o Clermont na segunda divisão, Corinne merece estar em nossa lista.

>> Confira mais da história de Corinne Diacre na matéria especial da Vavel Brasil;

2 – Marcelo Bielsa

Foto: Pascal Pochard Casablanca - AFP

Foto: Pascal Pochard Casablanca – AFP

O Olympique de Marseille gastou bastante na temporada 2013/2014. Ao todo, o OM investiu 42 milhões de euros. Entretanto, o investimento não trouxe resultado e a equipe não conseguiu classificação para nenhum torneio europeu e ainda deixou a Liga dos Campeões na fase de grupos sem nem fazer cócegas nos adversários.

Para mudar o cenário sem precisar mexer muito no bolso, o presidente Vincent Labrune trouxe o técnico Marcelo Bielsa. O argentino pegou o mesmo elenco, mas com o desfalque primordial de Mathieu Valbuena, vendido ao Dínamo de Moscou, e fez uma ótima primeira metade de temporada, terminando 2014 na liderança do Campeonato Francês com 41 pontos, tendo vencido 13 jogos de 19.

Com um futebol ofensivo e vistoso e com personalidade forte (já bateu de frente com o presidente Labrune por não cumprir exigências prometidas e por trazer Dória, jogador que não havia pedido), Bielsa já se tornou ídolo da cidade de Marseille e faz por merecer um lugar no ranking, mesmo estando há apenas seis meses na França.

1 – Karim Benzema

Foto: FFF

Foto: FFF

O atacante Karim Benzema chegou a ficar mais de um ano sem marcar pela seleção francesa entre 2012 e 2013. Foram 16 partidas sem balançar as redes pelos Bleus. Entretanto, 2014 foi o ano de afirmação do atleta do Real Madrid.

Em 13 partidas pela seleção este ano, Benzema fez sete gols, chegando a 25 em sua carreira internacional e ingressando no top-10 artilheiros da história da seleção, ocupando a 9ª posição no ranking. Aliás, aos 27 anos, a tendência é que suba mais na lista e até mesmo ultrapasse Zinedine Zidane, quarto no ranking, que têm 31 gols. Entre os jogadores em atividade, o jogador do Real Madrid é o que tem mais gols.

Benzema também obteve destaque na Copa do Mundo. Com o corte de Franck Ribéry, foi preciso que o camisa 10 francês assumisse a responsabilidade, e o fez com maestria, sendo responsável por três gols e duas assistências. O atacante foi o único jogador de linha da seleção a participar dos 90 minutos dos cinco jogos que fez no Mundial. O outro atleta foi o goleiro Hugo Lloris.

Além desses ótimos números pela seleção, Benzema também acumula bom retrospecto pelo Real Madrid. O francês participou de 51 partidas em 2014 e fez 27 gols, se afirmando como um dos principais nomes da equipe e também ganhando o status – atribuído humildemente pelo blogueiro que vos fala – de jogador francês do ano.

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O que achou? Faltou alguém? Algum nome poderia estar melhor ou pior ranqueado? Ou teve gente que nem merecia ter entrado na lista? Comente abaixo! Vamos debater!

 

Sem Cavani, PSG corre maiores riscos contra o Lille

No Uruguai, Cavani não pega o Lille

No Uruguai, Cavani não pega o Lille

O ano de 2013 será fechado com chave de ouro na França: confronto direto entre Paris Saint-Germain e Lille no Parque dos Príncipes. O time da capital lidera o Campeonato Francês com 43 pontos e pode abrir cinco para o vice-líder Monaco, que perdeu para o Valenciennes na sexta-feira. Enquanto os visitantes poderão ultrapassar os monegascos em caso de vitória.

O desafio para a equipe do norte da França não é difícil apenas por enfrentar o líder da competição fora de casa, mas também pelo retrospecto do adversário de Paris. Nos últimos cinco jogos em casa pelo Campeonato Francês, o Paris Saint-Germain venceu todos, marcando 20 gols e sofrendo somente um. Também é válido lembrar que o PSG ainda não foi derrotado na capital: sete vitórias e dois empates.

A campanha do Lille como visitante não deixa a desejar, mas empolga pouco para o confronto deste domingo. Em nove partidas, os Dogues venceram quatro, empataram três e perderam dois. O que motiva é o número de gols sofridos, apenas três. Em casa, o PSG fez 26 gols, ou seja, frente-a-frente estará o time que mais fez gols em casa e o que menos sofreu fora.

Mas um fator pode ser preponderante para a partida de domingo: a ausência de Edinson Cavani. O uruguaio está em seu país natal, onde iniciou os trâmites envolvendo seu divórcio. Sem saber se o atacante chegaria a tempo, o técnico do PSG, Laurent Blanc, optou por deixa-lo de fora da lista de convocados para a partida. Com isso, a tendência é que o brasileiro Lucas ganhe vaga no time titular.

E é justamente nessa mudança que René Girard, treinador do Lille, deve trabalhar para conseguir vencer o aparentemente imbatível Paris Saint-Germain (não me venham relatar a derrota diante do Evian, no qual os parisienses estavam com time misto).

Souaré poderá ser peça chave no duelo

Souaré poderá ser peça chave no duelo

Um dos pontos fortes e de desequilíbrio dos times de Girard é a presença de um lateral agressivo no ataque. No Montpellier, era Garry Bocaly pela direita. No título em 2012, ele foi um dos grandes responsáveis pela conquista por sempre aparecer como elemento-surpresa no ataque. No Lille atual, esta peça está no lado oposto e atende por Pape Souaré.

Presença constante no jogo ofensivo do Lille, o senegalês já marcou três gols na atual temporada, dois em vitórias por 1-0. Em um time que atua com losango no meio-campo, a presença do lateral se torna ainda mais importante por ocupar uma faixa do gramado que não é preenchida pelos meio-campistas.

Para este jogo de domingo, as características de Souaré podem ser deveras importantes justamente porque quem lhe acompanhará não será Cavani. O uruguaio, na composição tática do PSG, seria o responsável por fechar o lado direito, este ocupado pelo senegalês quando vai ao ataque. Normalmente, Cavani exerce essa função com maestria.

Com Lucas substituindo o camisa 9 parisiense, a história muda totalmente de figura. O brasileiro ainda não aprendeu a recompor a marcação, além de ter imensas dificuldades em exercer a marcação por si só. Seu acompanhamento do adversário se dá até determinada parte do gramado e isso será o que Souaré mais vai querer.

No jogo contra o Ajaccio, ainda na 2ª rodada da Ligue 1, Lucas mostrou um pouco das dificuldades que tenha. Observe nos frames abaixo (clique nas imagens para ampliar):

Lucas - Frame 1

 

Lucas - Frame 2

 

Lucas - Frame 3

>> Assista ao gol de Pedretti:

Por fim, a maior dificuldade será bater de frente com Gregory van der Wiel. O holandês teve o bom futebol recuperado por Laurent Blanc, faz boa temporada em Paris e deve ficar bem atento às subidas do lateral adversário. Além disso, van der Wiel também é extremamente veloz, podendo ser um problema há mais para Souaré tanto na defesa, quanto no ataque.

Porém, creio que esta será a menor das dificuldades, já que a aproximação de um meia ou até mesmo de um atacante, pressionará o defensor holandês e deverá provocar a abertura de maiores espaços.

Voltando a falar do substituto de Cavani, ainda existem as chances das entradas de Jérémy Ménez e Javier Pastore (este último com chances remotas), mas é bem provável que Lucas entre e cause essa dor de cabeça para o Paris. Ele será peça chave na partida e é justamente no espaço ocupado pelo brasileiro que Girard deverá fazer seu time jogar, mesmo com a possibilidade de Blanc inverte-lo com Ezequiel Lavezzi. É um ponto frágil do PSG, e é justamente o que o Lille quer, já que entrará em campo para jogar no erro do adversário.

O que muda no ataque?

A principal mudança está na característica dos jogadores que desempenharão as funções em campo. Apesar de o PSG estar desenhado no 4-3-3, o time se apresenta no 4-3-1-2 em várias partidas. Ibrahimović, pela qualidade de passe e inteligência em campo, recua e atua com armador em diversas oportunidades. Com esta movimentação, Cavani sai da direita e ocupa o espaço do sueco na área. Considero essa uma das grandes armas do Paris de Blanc, algo que pode fazer o sonho do título europeu se tornar mais concreto.

Com Lucas, o Paris pode até continuar com o mesmo deslocamento, mas perde um grande finalizador. Aliás, não há nem comparação. Enquanto o uruguaio já balançou as redes 12 vezes e é um dos atacantes mais letais da Europa, o brasileiro é motivo de chacota por ter poucos gols (apenas três). Nesta semana, inclusive, Blanc criticou Lucas ao dizer que ele precisa melhorar a finalização.

Resumindo: o PSG troca um dos melhores finalizadores do planeta por um dos mais promissores atacantes do mundo, mas que ainda peca nas finalizações.

Por fim, apesar do elenco recheado, quem sai ganhando nessa história toda é o Lille, já que bateria de frente com a forte dupla formada por Ibrahimović e Cavani, e agora irá encarar apenas um, sendo este auxiliado por dois finalizadores medianos (Lavezzi também deixa a desejar). Vale lembrar que o time de Girard sofreu apenas seis gols no campeonato todo.

Não creio que será uma partida aberta e repleta de oportunidades, mas sim um jogo estudado em que um episódio extracampo (a ausência de Cavani) pode decidir, já que credito essa ausência como a colocação do Lille em novo patamar no jogo.

Ficha técnica (clique nas imagens para ampliar):

PSG FormaçãoLille - Formação

Últimos confrontos em Paris

27 de janeiro/2013 – Paris Saint-Germain 1-0 Lille

18 de dezembro/2011 – Paris Saint-Germain 0-0 Lille

21 de maio/2011 – Paris Saint-Germain 2-2 Lille

30 de agosto/2009 – Paris Saint-Germain 3-0 Lille

9 de novembro/2008 – Paris Saint-Germain 1-0 Lille

*Imagens: Páginas oficiais de PSG, Lille e Ligue 1 (YouTube), Football User;

Vitória de Blanc

Blanc se aproveitou do vacilo de Gillot para erguer o caneco

Blanc se aproveitou do vacilo de Gillot para erguer o caneco

Conquistar supercopas nacionais não tem grande valor histórico, essa é a verdade. Normalmente é um único jogo, aquele que abre a temporada e normalmente em campo neutro. A função desse torneio é muito mais coroar o início de um novo ano no futebol do país do que premiar o melhor time.

Por isso mesmo que o Paris Saint-Germain não deve fazer grande festa pelo título da Supercopa Francesa, assim como o Bordeaux não tem muito do que lamentar por não ter mais um troféu em sua galeria. Porém, esse 2×1 para os parisienses não deixou de ser um aprendizado para os comandantes das duas equipes.

Francis Gillot, só para variar, armou bem o Bordeaux e soube controlar o PSG na marcação. Além disso, promoveu uma inversão bem interessante no meio campo: Ludovic Obraniak, acostumado a ser o meia central na linha de três armadores, atuou mais pela direita, com Jaroslav Plašil cumprindo função pelo centro.

Essa mudança só comprovou o quanto Mariano evoluiu na França. Sem um apoiador firme na marcação, o brasileiro fez ótima partida na defesa, cedendo poucos espaços aos parisienses e aparecendo com a já conhecida precisão no ataque.

No restante da partida, Gillot cometeu um erro fatal, que foi o de recuar o time cedo demais. O Bordeaux perdeu várias chances e poderia ter feito mais dois ou três gols se não fosse sua inoperância ofensiva, causada pela ausência de um centroavante de confiança. Dos 20 minutos do segundo tempo em diante, desmotivados pelos gols perdidos, os girondinos recuaram suas linhas e avançavam com poucos homens, dando a deixa para Laurent Blanc se tornar um dos grandes caras da partida.

O técnico do PSG começou com Thiago Motta na cabeça de área, algo que eu já havia previsto quando foi contratado, mas, observando que o Bordeaux abdicara do ataque e que o ítalo-brasileiro ficaria sem função, Blanc o sacou do time para colocar Marco Verratti. O PSG ganhou dinamismo, precisão e incisão nos passes, tornando seu jogo menos previsível.

Junto com o italiano vieram os jovens Kingsley Coman e Hervin Ongenda nos lugares de Javier Pastore e Ezequiel Lavezzi. Os moleques promoveram uma insana correria que a dupla argentina não foi capaz de produzir e Ongenda, inclusive, anotou o primeiro gol parisiense.

Ainda assim, esse título do Paris Saint-Germain não mudará a cotação do dólar. Nem tudo está pronto na capital, assim como nem tudo está errado na terra dos vinhos. O PSG segue com seu vício do toque de bola infértil e sem armador, enquanto o Bordeaux permanece precisando, urgentemente, de um bom centroavante. Mas essa partida realizada no Gabão serviu para mostrar aos técnicos, o que podem ou não fazer para seus times conquistarem resultados satisfatórios na temporada.

LUCAS

Apesar de decisivo, Lucas ainda mostra dificuldades em mostrar seu jogo

Apesar de decisivo, Lucas ainda mostra dificuldades em mostrar seu jogo

Senti-me obrigado a abrir alguns parágrafos para falar de Lucas e de como segue com alguns vícios ruins desde que chegou ao PSG. O brasileiro não consegue sequer entrar na área, quiçá finalizar. Suas tradicionais arrancadas em direção à linha de fundo são raras, lembro-me de apenas uma, no início do segundo tempo, no jogo de hoje. O normal para Lucas é pegar a bola na direita e trazer para dentro. Consigo vem o ponteiro que o marca, um volante e, vez ou outra, mais um cabeça-de-área, tornando-se presa fácil para a marcação.

Esse parágrafo acima pode resumir o primeiro tempo de Lucas e talvez todos os seis meses de sua passagem por Paris.

A etapa final foi diferente, mas ainda abaixo do esperado. O brasileiro jogou mais para o time, parou de abusar das jogadas individuais e procurou fazer o “feijão com arroz”. Ainda assim foi decisivo ao roubar a bola que originou o gol de Ongenda e cobrar a falta do gol do título, anotado por Alex.

Esse jogo de hoje me fez questionar a real capacidade de Lucas em exercer a função de meia pela direita em um 4-4-2. O brasileiro fica sem espaço para correr e seu último toque na bola quase sempre é longe da área. Um 4-2-3-1 parece ser o sistema tático perfeito para ele, pois assim tem com quem trabalhar a bola, já que o personagem central desta trinca de meias tem de se aproximar dos pontas para criar jogadas.

Vale essa reflexão para Laurent Blanc. Largar todo o lado direito nas costas de Lucas não parece ser a melhor medida para fazer o verdadeiro futebol do garoto brotar em terras parisienses.

Imagens: PSG (Site Oficial)