Le Podcast du Foot #76 | O futuro de Wenger

A era Arsène Wenger no Arsenal está prestes a se encerrar. Depois de 22 anos vitoriosos na Inglaterra, ele comunicou a saída dos Gunners ao término da temporada e agora a pergunta que não quer calar: qual o futuro do francês?

As primeiras especulações já o colocam como alvo do Paris Saint-Germain para ocupar um cargo na direção do clube. Mas há quem diga que Wenger possa ficar na espreita para assumir a seleção francesa.

Projetando essas possibilidades, Eduardo Madeira, Filipe Papini e Flávio Botelho se reuniram em Le Podcast du Foot #78. Dá para imaginar um retorno para a França? Técnico ou dirigente? Volta ao Monaco? Ida para PSG, Lyon? Nossos debatedores brincaram com algumas dessas opções.

Ouça abaixo o programa:

*PS: Perdão pelo ato falho do apresentador, que citou algumas vezes que era a edição 78, e não a 76;

 

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Le Podcast du Foot #75 | Conturbado Lyon

O Lyon vive temporada atípica. Enfim estabilizado financeiramente após a construção do Estádio Groupama e com a venda de nomes como Alexandre Lacazette e Corentin Tolisso, o clube agiu bem no mercado de transferências, trouxe bons nomes para se juntarem as crias do clube, mas não consegue ser competitivo ao ponto de lutar pelo título francês e até mesmo pela vaga direta na fase de grupos da Liga dos Campeões.

Somado a isso, a temporada tem sido repleta de decepções, com eliminações precoces nas copas nacionais e na Liga Europa. Isso tudo coloca o trabalho do técnico Bruno Génésio em xeque e já é cogitada sua saída ao término da competição.

Le Podcast du Foot #75 debateu todas essas conjunturas da conturbada temporada do Lyon. Eduardo Madeira conduziu o programa ao lado de Filipe Papini, do Brasil Lyonnais. Ouça o programa abaixo:

Le Podcast du Foot #72 | Janela fechada

A janela de transferências de inverno enfim foi fechada na França, e alguns clubes trataram de se mexer para tentar resultados melhores na temporada. Saint-Étienne e Bordeaux são dois exemplos, já que trataram de buscar reforços para crescer no Campeonato Francês depois de inícios ruins.

Em Le Podcast du Foot #72, Eduardo Madeira e Filipe Papini analisam as principais movimentações da janela francesa e projetam os encaixas dos times com os planteis definidos.

É só dar play abaixo e acompanhar o programa:

Le Podcast du Foot #71 | 2º turno vem aí!

Após algumas semanas de pausa, o Campeonato Francês retorna com carga total a partir da próxima sexta-feira (12), com a abertura do 2º turno.

A expectativa fica para os mortais, podemos dizer assim. O poderosíssimo Paris Saint-Germain, de Neymar, Kyllian Mbappé e Edinson Cavani, é líder, com 50 pontos, e com 16 vitórias em 19 rodadas, dificilmente perderá o título.

Restam as brigas entre Monaco, Lyon e Marseille pelas vagas nas copas europeias, com a zebra Nantes, de Claudio Ranieri, correndo por fora. Além disso, fica a expectativa por Saint-Étienne, Bordeaux e Lille, equipes com nível de investimento alto para os padrões franceses, mas que estão na parte baixa da tabela.

As projeções do 2º turno estiveram em debate no Le Podcast du Foot #71. Eduardo Madeira, Filipe Papini e Renato Gomes participaram do programa, que analisou o campeonato até agora e imaginou as próximas rodadas da competição.

Ouça abaixo o programa completo:

Sob as bênçãos de Karim

Aos 19 anos, Aouar é uma das peças de desequilíbrio do Lyon | Foto: S. Guiochon/Le Progres

É difícil citar quem seria o principal jogador formado nas consagradas academias do Lyon, mas o certo é que entre tantos nomes citados, o de Karim Benzema estaria nas cabeças, seja pela qualidade e pelo que entregou dentro de campo, seja pela bem-sucedida carreira já fora do clube. E é exatamente sob as bênçãos do franco-argelino que surge a nova joia bruta do clube: Houssem Aouar.

Assim como Karim, o meio-campista de 19 anos tem raízes na Argélia, mas, por ter nascido em Lyon (curiosamente, nasceu em meio a Copa do Mundo no país, em 1998), adotou a França como casa. Igualmente ao madridista, Aouar também foi lapidado no OL assim que chegou ao clube aos 11 anos de idade.

Desde então, queimou etapas, explodiu no sub-17 ainda abaixo da idade limite (aos 16 anos, fez 27 gols e deu 15 assistências em uma única temporada na categoria) e defendeu a equipe sub-19 sem nem ter 17 anos. O caminho natural era crescer cedo entre os profissionais, e é isso que estamos vendo de Aouar desde 2016/17.

“Eu gosto dele. Ele é técnico, tem boa visão e se bem trabalhado, pode ir longe”, disse Benzema no mês de março a RMC. E sob a bênção de Karim, começou a trajetória do meia.

Assim como em outros tantos casos da história recente do Lyon, Aouar ganhou espaço mediante a lacuna deixada por outros atletas mais tarimbados que não corresponderam. No caso dele, foi do holandês Memphis Depay, contratado por pomposos 25 milhões de euros, mas que viveu períodos de inconstância nos primeiros seis meses de França. Como Maxwell Cornet e Rachid Ghezzal não ofereciam a competitividade desejada, Aouar passou a garimpar espaço.

Já havia sido assim com Alexandre Lacazette tomando lugar de Jimmy Briand, com Maxime Gonalons ocupando brechas de Jean II Makoun e, mais recentemente, com Mouctar Diakhaby desbancando Nicolas N’Koulou. Depay, que chegou ao OL com status de estrela, se viu obrigado a jogar mais após ver a presença de um atrevido garoto de 19 anos.

Versatilidade como ponto forte

Aouar e seu fino trato com a bola | Foto: Instagram Oficial/Aouar

Aouar é o que muitos chamam de “falso lento”: parece caminhar em campo, estar desligado da partida, quando, na verdade, está atento 100% do tempo, possuindo uma agilidade e rapidez de pensamento impressionantes. A capacidade de leitura de jogo e movimentos também chamam a atenção no garoto de precoces 19 anos.

Observando esses predicados, o técnico Bruno Genesio já encontrou algumas fórmulas para encaixar Aouar no time titular, mesmo tendo um poderoso setor ofensivo com o já citado Depay, Mariano Diaz e Bertrand Traoré. Mediante a versatilidade do garoto, que tem o drible para abrir espaços pelo lado, mas possui o passe que quebra linhas, já o aproveitou na primeira faixa do meio-campo, ao lado de Tousart, em um 4-2-3-1.

Apesar de atuar também pelos lados (assim que começou a incomodar Depay), foi na função encontrada por Genesio que conseguiu ser mais influente para o time. Pode não ser um meio-campista rompedor, como era Corentin Tolisso, transferido do Lyon para o Bayern nesta temporada, mas é combativo, enxerga e preenche bem os espaços e possui passe de extrema qualidade, capaz de romper linhas adversárias. Curiosamente, sempre teve como referências o próprio Tolisso e Juninho Pernambucano, que jogavam exatamente naquela função.

Fora essas virtudes no passe, Aouar é um driblador nato. Somando esta qualidade ao raciocínio rápido e leitura de movimentos de adversários, ele se mostra capaz de fazer os mais ríspidos marcadores parecerem baratas tontas quando baterem de frente com ele.

Hoje, Aouar está no time ideal do Campeonato Francês do site WhoScored, especializado em estatísticas, com média de 7.6. Já o Squawka aponta que ele tem média de 85% passes certos, sendo que 57,5% são passes para frente. Fatalmente, será eleito a revelação da temporada na França e, com alguma sorte, poderá pintar na lista dos favoritos de Didier Deschamps para a Copa da Rússia – por que não?

Sorte a nossa de ver mais um talento puro que o Lyon apresenta para o mundo. Sob as bênçãos de Karim, será mais um que nos fará admirar ainda mais o bom futebol que une em um único jogador as maiores virtudes argelinas e francesas.

Sem projeto consolidado, Lyon tenta não ficar para trás

Mesmo sob críticas, Genésio é o técnico nesta temporada | Foto: S. Guiochon

Entre os times postulantes ao título ou a vagas em torneios europeus, o Lyon é o que tem o ponto de interrogação maior para a temporada que recém iniciou na França. O OL não conta com o aporte financeiro do Paris Saint-Germain, tampouco tem projetos promissores e ousados como Lille e Olympique de Marseille.

Em contrapartida, o clube gerido por Jean-Michel Aulas tem dinheiro no bolso após as vendas pomposas de Corentin Tolisso e Alexandre Lacazette (juntos, suas vendas somaram € 94 milhões).

Apesar das negociações, a atuação no mercado de transferências não foi das mais agressivas. Das seis contratações efetuadas, quatro jogadores estão abaixo dos 25 anos e são legítimas apostas. Entre Bertrand Traoré, Mariano Díaz, Ferland Mendy, Kenny Teté e os brasileiros Marcelo e Fernando Marçal, não há nenhum que encha os olhos e seja garantia de retorno de imediato.

Até mesmo a dupla de brasileiros, que é a mais experiente (Marcelo tem 30 anos e Marçal 28), não possui muita rodagem na Europa, quase sempre atuando em ligas ou times de menor escalão. Os demais contratados mostraram valor por onde passaram (especialmente Traoré), mas ainda são jogadores em construção e a tendência é errar mais do que acertar.

Dentro deste cenário, abre-se um vazio para a formação de líderes. Os próprios Tolisso e Lacazette, vendidos nesta janela de transferências, eram figuras de respeito dentro do elenco. Christophe Jallet, lateral com Copa do Mundo no currículo, cabe na lista. Entre todos eles, porém, a figura máxima era a de Maxime Gonalons, vendido a Roma por € 5 milhões.

Gonalons trocou o Lyon pela Roma | Foto: S. Guiochon

Aos 28 anos de idade, o volante foi formado no Lyon e estava no clube desde 2000. Era capitão e líder nato no meio de campo, além de ser considerado ídolo da torcida. A saída, porém, foi tumultuada.

Além de já ter saída cogitada há algumas temporadas, publicamente ele disse “faltar ambição” ao time após tomar quatro do Ajax, na partida de ida das semifinais da Liga Europa. A frase foi o estopim de uma crise entre o staff do jogador e Aulas, que trocaram farpas via imprensa.

Esse vácuo acaba sendo amplificado na figura do próprio Mathieu Valbuena, que não era exatamente um líder do elenco, mas a vivência futebolística lhe daria um status diferente nesta temporada. O baixinho meia quase foi expulso do clube, vide a pouca vontade demonstrada pela direção em mantê-lo devido ao alto salário. Assim como Maxime, saiu se manifestando contra diretoria e comissão técnica.

A figura da liderança dentro do plantel, até mesmo como exemplo de adaptação para os novos contratados, recairá sobre Nabil Fekir, que tenta retomar o ótimo nível técnico após uma série de lesões, do goleiro Anthony Lopes e do próprio Memphis Depay, contratado a peso de ouro na metade da última temporada e que tem papel de referência cada vez mais evidenciado com as saídas de Lacazette e Tolisso.

E é dentro deste cenário que Genésio terá que se impor. Os rachas internos, que faziam com que os jogadores mais experientes perdessem parte do respeito pelo técnico, somadas as críticas da torcida, que não confiam em seu desempenho na casamata, fazem com que transforme esse desafio ainda maior.

Diferente dos outros clubes que citei ainda no primeiro parágrafo, o Lyon não conta com uma coesão de ideias entre comissão técnica e diretoria e isso pode pesar no fim da temporada.

Início animador

Apesar de todas essas variantes, o Lyon começou a temporada com o pé direito, goleando o recém-promovido Strasbourg, por 4 a 0. Mariano Díaz, vindo do Real Madrid, já marcou dois.

O domínio do OL ficou escancarado muito além do placar, aja vista que os comandados de Genésio finalizaram 12 vezes, sendo que sete desses arremates foram contra a meta de Kamara. Além disso, teve amplo controle da posse de bola, com 61,6% de domínio, tendo concluído mais de 457 passes.

Entretanto, preocupa o estilo “boxeador” que Genésio impõe. Apesar das 12 finalizações, o Strasbourg, que deve se limitar a lutar contra o rebaixamento, arrematou em sete oportunidades. Três desses chutes saíram quando a partida ainda estava 1 a 0, o que se tornou um risco sério de estrago do placar.

Nas próximas duas rodadas, o OL terá testes de fogo que poderão mostrar a que pé anda a própria evolução. Na sexta (11), o adversário será o remodelado Rennes, na Bretanha, e oito dias depois, recebe o Bordeaux, tentando se reerguer após um conturbado início de temporada – marcado por eliminação na Liga Europa e empate na rodada inicial da Ligue 1. Diferentemente do que ocorreu com o Strasbourg, a “trocação” característica da equipe pode pesar ao lado contrário nos próximos duelos.

O passo adiante de Lacazette

Lacazette foi anunciado no Arsenal nesta quarta-feira (5) | Foto: Divulgação/Arsenal

Chegou a hora de Alexandre Lacazette. Após algumas temporadas tendo nome ventilado em algumas das principais equipes do futebol europeu, enfim apareceu o momento de deixar o Olympique Lyonnais e buscar voos maiores no Arsenal, disputando a badalada Premier League.

Vendido aos Gunners por € 53 milhões, o atacante formado no próprio Lyon sai do clube com diversas sensações. Individualmente, deixa a França com o status de quarto maior goleador da história do OL, com 129 tentos. Se continuasse onde está, fatalmente subiria mais no ranking, já que o terceiro e o quarto colocado, Serge Chiesa e Bernard Lacombe, respectivamente, estão com 134 e 149 gols.

Além disso, Lacazette se tornou o jogador do Lyon com mais gols em uma única temporada do Campeonato Francês. Primeiro, em 2014/15, bateu recorde histórico de André Guy, de 1968/69, com 25 gols, terminando o ano com 27 tentos. Na última edição do torneio nacional, Laca bateu o próprio recorde e marcou 28 vezes.

Em contrapartida, coletivamente, a sensação é de que deixa um clube que não foi capaz de estar em mesmo nível. Desde a temporada 2009/10 entre os profissionais, conquistou apenas a Copa da França de 2012 pelo OL. Pouco, muito pouco.

As razões para esse currículo pouco extenso em títulos são várias e passam muito pelos técnicos incapazes de fazer o time render mais e até mesmo da montagem dos elencos, quase sempre desequilibrados e pautados no que o clube produzia na base. Lacazette, entregando pelo menos 20 gols desde 2013/14, certamente é o menor dos culpados por não ter conquistado tantos títulos.

O Lyon agora fica para trás e ele terá um árduo desafio pela frente na Premier League. O Campeonato Francês vem fornecendo um terreno fértil para os clubes ingleses, mas Lacazette é um dos poucos que vai com status elevado nas últimas temporadas. Com a iminente saída de Alexis Sanchez, o francês chega para ser o grande nome do comando de ataque do time de Arsène Wenger, até mesmo pelo status de maior negociação da história do clube inglês.

Só que da mesma maneira em que ir para a Premier League é um novo desafio na carreira de Lacazette, essa transferência também é um risco assumido a menos de um ano para a Copa do Mundo. Com apenas 11 jogos na seleção principal, um passo em falso na Inglaterra pode enterrar qualquer chance de estar no time inicial de Didier Deschamps na Rússia.

E sempre gosto de lembrar: a posição mais aberta dos Bleus é o ataque. A sombra de Lacazette ronda a posição há muito tempo, só que, hoje, Olivier Giroud é o cara da função. O estilo bruto de jogo do Gunner e os poucos indícios de que pode ser um atacante realmente capaz de decidir jogos grandes, porém, mantém a função órfã do descartado Karim Benzema. Em meio a isso, surgiu Kyllian Mbappé, o prodígio que desponta como o futuro francês e que já dá amostras de que pode ser aproveitado agora.

Por outro lado, é claro, Lacazette pode acertar em cheio, ter uma temporada de ouro e, enfim, se tornar um nome de peso na seleção. Basta lembrar o caso de Dimitri Payet, que trocou o Marseille pelo West Ham na temporada que culminaria com a Eurocopa. Explodiu na Inglaterra, teve temporada de destaque nos Hammers e chegou ao torneio europeu com status de peça-chave do time. Por que não pode acontecer o mesmo com o novo reforço do Arsenal?