Sem projeto consolidado, Lyon tenta não ficar para trás

Mesmo sob críticas, Genésio é o técnico nesta temporada | Foto: S. Guiochon

Entre os times postulantes ao título ou a vagas em torneios europeus, o Lyon é o que tem o ponto de interrogação maior para a temporada que recém iniciou na França. O OL não conta com o aporte financeiro do Paris Saint-Germain, tampouco tem projetos promissores e ousados como Lille e Olympique de Marseille.

Em contrapartida, o clube gerido por Jean-Michel Aulas tem dinheiro no bolso após as vendas pomposas de Corentin Tolisso e Alexandre Lacazette (juntos, suas vendas somaram € 94 milhões).

Apesar das negociações, a atuação no mercado de transferências não foi das mais agressivas. Das seis contratações efetuadas, quatro jogadores estão abaixo dos 25 anos e são legítimas apostas. Entre Bertrand Traoré, Mariano Díaz, Ferland Mendy, Kenny Teté e os brasileiros Marcelo e Fernando Marçal, não há nenhum que encha os olhos e seja garantia de retorno de imediato.

Até mesmo a dupla de brasileiros, que é a mais experiente (Marcelo tem 30 anos e Marçal 28), não possui muita rodagem na Europa, quase sempre atuando em ligas ou times de menor escalão. Os demais contratados mostraram valor por onde passaram (especialmente Traoré), mas ainda são jogadores em construção e a tendência é errar mais do que acertar.

Dentro deste cenário, abre-se um vazio para a formação de líderes. Os próprios Tolisso e Lacazette, vendidos nesta janela de transferências, eram figuras de respeito dentro do elenco. Christophe Jallet, lateral com Copa do Mundo no currículo, cabe na lista. Entre todos eles, porém, a figura máxima era a de Maxime Gonalons, vendido a Roma por € 5 milhões.

Gonalons trocou o Lyon pela Roma | Foto: S. Guiochon

Aos 28 anos de idade, o volante foi formado no Lyon e estava no clube desde 2000. Era capitão e líder nato no meio de campo, além de ser considerado ídolo da torcida. A saída, porém, foi tumultuada.

Além de já ter saída cogitada há algumas temporadas, publicamente ele disse “faltar ambição” ao time após tomar quatro do Ajax, na partida de ida das semifinais da Liga Europa. A frase foi o estopim de uma crise entre o staff do jogador e Aulas, que trocaram farpas via imprensa.

Esse vácuo acaba sendo amplificado na figura do próprio Mathieu Valbuena, que não era exatamente um líder do elenco, mas a vivência futebolística lhe daria um status diferente nesta temporada. O baixinho meia quase foi expulso do clube, vide a pouca vontade demonstrada pela direção em mantê-lo devido ao alto salário. Assim como Maxime, saiu se manifestando contra diretoria e comissão técnica.

A figura da liderança dentro do plantel, até mesmo como exemplo de adaptação para os novos contratados, recairá sobre Nabil Fekir, que tenta retomar o ótimo nível técnico após uma série de lesões, do goleiro Anthony Lopes e do próprio Memphis Depay, contratado a peso de ouro na metade da última temporada e que tem papel de referência cada vez mais evidenciado com as saídas de Lacazette e Tolisso.

E é dentro deste cenário que Genésio terá que se impor. Os rachas internos, que faziam com que os jogadores mais experientes perdessem parte do respeito pelo técnico, somadas as críticas da torcida, que não confiam em seu desempenho na casamata, fazem com que transforme esse desafio ainda maior.

Diferente dos outros clubes que citei ainda no primeiro parágrafo, o Lyon não conta com uma coesão de ideias entre comissão técnica e diretoria e isso pode pesar no fim da temporada.

Início animador

Apesar de todas essas variantes, o Lyon começou a temporada com o pé direito, goleando o recém-promovido Strasbourg, por 4 a 0. Mariano Díaz, vindo do Real Madrid, já marcou dois.

O domínio do OL ficou escancarado muito além do placar, aja vista que os comandados de Genésio finalizaram 12 vezes, sendo que sete desses arremates foram contra a meta de Kamara. Além disso, teve amplo controle da posse de bola, com 61,6% de domínio, tendo concluído mais de 457 passes.

Entretanto, preocupa o estilo “boxeador” que Genésio impõe. Apesar das 12 finalizações, o Strasbourg, que deve se limitar a lutar contra o rebaixamento, arrematou em sete oportunidades. Três desses chutes saíram quando a partida ainda estava 1 a 0, o que se tornou um risco sério de estrago do placar.

Nas próximas duas rodadas, o OL terá testes de fogo que poderão mostrar a que pé anda a própria evolução. Na sexta (11), o adversário será o remodelado Rennes, na Bretanha, e oito dias depois, recebe o Bordeaux, tentando se reerguer após um conturbado início de temporada – marcado por eliminação na Liga Europa e empate na rodada inicial da Ligue 1. Diferentemente do que ocorreu com o Strasbourg, a “trocação” característica da equipe pode pesar ao lado contrário nos próximos duelos.

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O passo adiante de Lacazette

Lacazette foi anunciado no Arsenal nesta quarta-feira (5) | Foto: Divulgação/Arsenal

Chegou a hora de Alexandre Lacazette. Após algumas temporadas tendo nome ventilado em algumas das principais equipes do futebol europeu, enfim apareceu o momento de deixar o Olympique Lyonnais e buscar voos maiores no Arsenal, disputando a badalada Premier League.

Vendido aos Gunners por € 53 milhões, o atacante formado no próprio Lyon sai do clube com diversas sensações. Individualmente, deixa a França com o status de quarto maior goleador da história do OL, com 129 tentos. Se continuasse onde está, fatalmente subiria mais no ranking, já que o terceiro e o quarto colocado, Serge Chiesa e Bernard Lacombe, respectivamente, estão com 134 e 149 gols.

Além disso, Lacazette se tornou o jogador do Lyon com mais gols em uma única temporada do Campeonato Francês. Primeiro, em 2014/15, bateu recorde histórico de André Guy, de 1968/69, com 25 gols, terminando o ano com 27 tentos. Na última edição do torneio nacional, Laca bateu o próprio recorde e marcou 28 vezes.

Em contrapartida, coletivamente, a sensação é de que deixa um clube que não foi capaz de estar em mesmo nível. Desde a temporada 2009/10 entre os profissionais, conquistou apenas a Copa da França de 2012 pelo OL. Pouco, muito pouco.

As razões para esse currículo pouco extenso em títulos são várias e passam muito pelos técnicos incapazes de fazer o time render mais e até mesmo da montagem dos elencos, quase sempre desequilibrados e pautados no que o clube produzia na base. Lacazette, entregando pelo menos 20 gols desde 2013/14, certamente é o menor dos culpados por não ter conquistado tantos títulos.

O Lyon agora fica para trás e ele terá um árduo desafio pela frente na Premier League. O Campeonato Francês vem fornecendo um terreno fértil para os clubes ingleses, mas Lacazette é um dos poucos que vai com status elevado nas últimas temporadas. Com a iminente saída de Alexis Sanchez, o francês chega para ser o grande nome do comando de ataque do time de Arsène Wenger, até mesmo pelo status de maior negociação da história do clube inglês.

Só que da mesma maneira em que ir para a Premier League é um novo desafio na carreira de Lacazette, essa transferência também é um risco assumido a menos de um ano para a Copa do Mundo. Com apenas 11 jogos na seleção principal, um passo em falso na Inglaterra pode enterrar qualquer chance de estar no time inicial de Didier Deschamps na Rússia.

E sempre gosto de lembrar: a posição mais aberta dos Bleus é o ataque. A sombra de Lacazette ronda a posição há muito tempo, só que, hoje, Olivier Giroud é o cara da função. O estilo bruto de jogo do Gunner e os poucos indícios de que pode ser um atacante realmente capaz de decidir jogos grandes, porém, mantém a função órfã do descartado Karim Benzema. Em meio a isso, surgiu Kyllian Mbappé, o prodígio que desponta como o futuro francês e que já dá amostras de que pode ser aproveitado agora.

Por outro lado, é claro, Lacazette pode acertar em cheio, ter uma temporada de ouro e, enfim, se tornar um nome de peso na seleção. Basta lembrar o caso de Dimitri Payet, que trocou o Marseille pelo West Ham na temporada que culminaria com a Eurocopa. Explodiu na Inglaterra, teve temporada de destaque nos Hammers e chegou ao torneio europeu com status de peça-chave do time. Por que não pode acontecer o mesmo com o novo reforço do Arsenal?

A bola da vez

Desempenho na temporada faz Lacazette ser cobiçado por grandes clubes europeus | Foto: S. Guiochon/Le Progrés

Com contrato válido até junho de 2019 e avaliado em € 40 milhões, segundo o site Transfermarkt, o atacante Alexandre Lacazette é a bola da vez da França. No inconstante time de Bruno Genésio, é ele quem desequilibra, decide jogos e vem se tornando alvo de grandes clubes do continente europeu.

Até o momento, Laca já balançou as redes 31 vezes em 40 jogos na temporada, o que lhe dá uma impressionante média de um gol a cada 101 minutos. Só para termos ideia, o gabonês Pierre-Emerick Aubameyang, artilheiro da atual temporada da Bundesliga, tem 34 gols em 41 jogos na temporada inteira e, ainda assim, e tem a mesma média de um tento a cada 101 minutos.

Na Ligue 1, o aproveitamento do camisa 10 do Lyon é ainda mais impressionante: 24 gols em 2.173 minutos, distribuídos em 27 jogos, o que lhe dá média de um gol a cada 91 minutos, praticamente um por jogo. Ele é o vice artilheiro do torneio, atrás apenas do uruguaio Edinson Cavani, do PSG, que está com absurdos 31 gols em 31 jogos, um a cada 84 minutos.

Para serviço de comparação com os artilheiros das principais ligas europeias, em tempo médio de tentos, Lacazette só está atrás de três jogadores: além de Cavani, está Lionel Messi, do Barcelona (um gol a cada 78 minutos), e Aubameyang, do Borussia Dortmund (um a cada 90 minutos).

Camp. Artilheiro Clube J G Tempo pra gol
ESP Lionel Messi Barcelona 29 31 78 minutos
FRA Edinson Cavani Paris SG 32 31 84 minutos
ALE Pierre Aubameyang Dortmund 28 27 90 minutos
ITA Andrea Belotti

Edin Dzeko

Torino

Roma

33

33

25

25

105 minutos

109 minutos

ING Romelu Lukaku Everton 33 24 121 minutos
FRA Alexandre Lacazette Lyon 27 24 91 minutos

Convenhamos que ficar atrás de Messi é algo natural. Cavani, no nível que atingiu nesta temporada, também. Com Aubameyang, é praticamente um empate técnico nos números.

Hoje é fato: Lacazette é um dos principais fios condutores do Lyon nesta temporada. Decisivo, importante e poderoso em suas finalizações, ele é o ponto de desequilíbrio e quem pode decidir jogos para a equipe. Na Liga Europa, por exemplo, já vimos isso contra Roma e Besiktas nas últimas fases. Aliás, apenas um parêntese: a lesão que sofreu contra a equipe turca pode o tirar das semifinais diante do Ajax, o que significa um prejuízo quase que incalculável para o técnico Bruno Genésio.

Mas voltando aos números, essa importância de Lacazette ao Lyon fica mais evidente quando observamos que 36% dos gols da equipe no Campeonato Francês saíram de conclusões dele. Mais impressionante ainda é constatar que 50% dos gols do time como visitante foram do artilheiro lyonnais.

Contrato de Laca com o OL vai até o meio de 2019 | Foto: S. Guiochon/Le Progrés

Atualmente, Lacazette possui muitas valências que um jogador de sua posição precisa ter: inteligência, bom posicionamento, velocidade, saída da área e poder de finalização. Peca ainda em algumas questões de repertório na hora da conclusão, tendo em vista que 19 dos 24 gols foram marcados de pé direito – um foi de cabeça e outro de canhota.

Ainda assim, vale o investimento. Aos 25 anos de idade, ele já está atuando em excelente nível e ainda possui boa margem de progressão para as próximas temporadas. A renovação contratual dificilmente irá sair e, com isso, Ligue 1, que tem sido um ótimo celeiro de atletas para clubes de ligas mais competitivas (a Premier League me confirma essa afirmação), apresenta ao mercado um Lacazette pronto para explodir. Cabe agora chegarem a um meio-termo com Jean-Michel Aulas, presidente do Lyon.

Le Podcast du Foot #63 | Violência nos estádios franceses

Bastia e Lyon foi paralisado no intervalo | Foto: OLWEB

A onda de violência que assola os estádios franceses foi pauta de mais uma edição de Le Podcast du Foot. O apresentador Eduardo Madeira comandou a mesa redonda ao lado de Flávio Botelho e do convidado especial Simon Balacheff, correspondente do Lucarne Opposée no Brasil, que trouxe uma visão local e de quem conheceu de perto a cultura das torcidas francesas.

Recentemente, tivemos a torcida do Bastia invadindo o gramado do Armand Cesari para brigar com jogadores do Lyon, ampliando o vasto de leque de incidentes que vem provocando nesta temporada. Além disso, o próprio Lyon foi punido pela Uefa em função da confusão diante do Besiktas, na Liga Europa, e caso a torcida volte a aprontar, será automaticamente suspenso por dois anos.

Abaixo você pode ouvir a edição #63 de Le Podcast du Foot:

Trilha: Ao fundo da edição #63 do podcast, você ouve as músicas do álbum “Comme on a dit”, da banda francesa Louis Attaque. Foi o segundo álbum do grupo, lançado em 2000, e que foi eleito o melhor do ano na categoria “rock” em 2001. O CD completo está disponível no YouTube.

Limite ultrapassado

Os jogadores do Lyon passaram por apuros na Córsega | Foto: OlWeb

Violência nos estádios é um assunto bastante delicado e difícil de se abordar. Por mais que se cobrem punições a “torcedores” brigões, é quase impossível isolar os clubes dessas discussões. Muitos deles são coniventes e fazem vista grossa por interesses alheios aos jogos e que, por muitas vezes, possuem até cunho político.

Mas há momentos em que medidas radicais precisam ser tomadas em prol da coletividade. Ver os ultras do Bastia – a “Bastia 1905” – invadirem o gramado do estádio Armand Cesari para brigar com jogadores do Lyon no aquecimento e no intervalo do jogo foi algo totalmente fora do compasso e que obriga a LFP (Liga de Futebol Profissional, em português) a tomar medidas bruscas para evitar problemas maiores e diminuir a sensação de impunidade.

Para quem quiser entender mais do ocorrido, o colega Filipe Papini, do Brasil Lyonnais, fez um compilado dos acontecimentos. Veja e se espante com a brutalidade, que fez com que o jogo durasse apenas 45 minutos.

Já vi muita coisa em termos de violência nos estádios, mas nada parecido com aquilo. Vi confusões entre torcedores e jogadores do próprio time, brigas entre si e com organizadas adversárias, mas nada a ponto do que foi visto na Córsega, uma invasão a campo antes mesmo de a bola rolar. Foi desproporcional e inconsequente.

Vale ressaltar que a torcida do Bastia já possui um histórico violento nesta temporada. O L’Equipe fez o levantamento:

vs PSG: Lucas foi cobrar um escanteio e tentaram agredi-lo com um cabo de bandeira. Por mais que o brasileiro tenha simulado, fica nítido que o torcedor teve a intenção de atingi-lo.

vs Nice: o italiano Mario Balotelli foi perseguido desde o aquecimento por gritos racistas. Não foram um ou dois gritos. Foram vários, insistentes e ofensivos. Como mostra o vídeo abaixo, a “torcida” chegou a imitar macacos e ainda soltaram ofensas como “espécie de m…”.

vs Nantes: Durante o jogo, os Canários empataram no último minuto em 2×2. O técnico Sérgio Conceição vibrou efusivamente e desagradou o banco do Bastia. Na saída para o vestiário, muito tumulto e isso passou para a torcida, que atacou o ônibus do Nantes. Os atletas e a comissão técnica tiveram que esperar os ânimos se acalmarem e a escolta chegar para se dirigirem ao aeroporto.

É uma ficha corrida bastante preocupante e suficiente para punições duras. É claro que os infratores precisam ser identificados e punidos, mas mediante a reincidência e a aparente falta de vontade em coibir esse tipo de situação, é preciso colocar o próprio Bastia no jogo.

A LFP precisa pensar em medidas eficazes, mas exemplares. Só os acontecimentos desta temporada já são razão suficiente para, pelo menos, banir a Bastia 1905 dos estádios franceses ou colocar o clube da Córsega para atuar com portões fechados. Qualquer medida que afaste esse grupo dos estádios será positiva. É hora de dar um “basta” e mostrar que o limite já foi esgotado.

Histórico cultural

Vale acrescentar a discussão que a violência vista pela torcida do Bastia, especialmente pelo grupo Bastia 1905, tem uma relação muito próxima com a questão cultural da Ilha da Córsega. Historicamente, a região tem ligações com grupos separatistas e nacionalistas. A própria Bastia 1905 é ligada a esses blocos e já usou do argumento de xenofobia e preconceito para rebater punições passadas – já foram impedidos de viajar e obrigaram a equipe a atuar com portões fechados.

Para acrescentar a discussão, recomendo dois conteúdos do Xadrez Verbal:

– o post do blog do historiador Filipe Figueiredo, que conta bem como é a política e a cultura da Ilha da Córsega:

– e o podcast no Central 3, que abordou esse mesmo tema, tendo o viés futebolístico:

Le Podcast du Foot #62 | Desafios europeus de Monaco e Lyon

Os sobreviventes franceses nas competições europeias estiveram em pauta na edição #62 de Le Podcast du Foot. Eduardo Madeira conduziu o programa, que teve os comentários de Renato Gomes, do Centrocampismo, e Vinícius Ramos, do Ici C’est Paris.

Entre os assuntos debatidos esteve o confronto entre Monaco e Borussia Dortmund, pela Champions League. Na terça (11), começa a disputa com a partida de ida, na Alemanha. Será que o time do Principado terá força e ritmo para disputar a série com o BvB e manter o pique nas competições domésticas?

Já o Lyon, que declaradamente abriu mão do Campeonato Francês e passou a focar na Europa League, vai encontrar o Beşiktaş, de Şenol Güneş (técnico responsável por levar a Turquia ao terceiro lugar na Copa de 2002). Ao contrário do Monaco, os gones jogarão a primeira partida em casa, na quinta (13). Não será um confronto fácil e o podcast avaliou as chances do OL no confronto.

Você pode ouvir o programa clicando na imagem abaixo:

Trilha: Ao fundo da edição #62 de Le Podcast du Foot você estará ouvindo a banda Noir Desir e o álbum Des Visages des Figures, lançado em 2001. Com esse álbum, o grupo formado nos anos 80 e que seguiu na ativa até 2010 obteve o disco de platina e ainda ganhou o prêmio de “Álbum de Rock do Ano”, em 2002. O CD completo está disponível no YouTube:

Qual a origem dos nomes dos estádios franceses? (Parte I)

Não sei vocês, mas sou do tipo de pessoa que fica sempre curioso em saber os motivos de os estádios terem os nomes que têm. Fico instigado a entender se aquele cidadão que está com o nome estampado na fachada foi um jogador importante, um dirigente histórico ou apenas um político da região. Considero saber isso como algo fundamental para entendermos mais das origens dos times.

Motivado por essa curiosidade pessoal, decidir fazer um levantamento justificando os nomes dos estádios das 20 equipes que disputam a primeira divisão do Campeonato Francês nesta temporada 2016/2017.

Como em função da Eurocopa 2016 muitos mudaram de casa e até adotaram os famigerados naming rights em seus estádios, decidi também citar os nomes dos campos antecessores e a razão dos respectivos nomes. Aliás, ‘linkado’ as nomenclaturas estará a localização dos estádios no Google Maps, para que você também possa ver mais de cada um.

Confira agora a primeira das duas partes do especial:

Angers

Estádio Jean-Bouin – inaugurado em 1912 – capacidade para 16.500 pessoas

O estádio homenageia Jean Bouin, um famoso corredor francês do início do século XX, que conquistou uma medalha de prata nos Jogos Olímpicos de 1912, em Estocolmo, na Suécia. Ele foi medalhista nos 5.000 metros livres. Na França, são quase dez estádios com esse nome, incluindo um em Marseille, cidade onde nasceu. No caso do Angers, o estádio foi construído em 1912, com o nome de Bessonneau, em homenagem ao empresário local Julien Bessonneau. Na época, nem existia o Angers, mas sim o Club Sportif Bessonneau. Apenas em 1957 foi rebatizado como estádio Jean Bouin, para homenagear o ex-atleta.

Bastia

Estádio Armand Cesari – inaugurado em 1932 – capacidade para 16.078 pessoas

Casa do Bastia, o Armand Cesari homenageia ex-capitão do time | Foto: SC Bastia

Casa do Bastia, o Armand Cesari homenageia ex-capitão do time | Foto: SC Bastia

Inaugurado em 1932, a casa do Bastia teve como primeiro nome estádio Doutor Luciani, homenagem ao presidente do clube na época e idealizador do projeto. Quatro anos depois, o local foi rebatizado com o nome atual: Armand Cesari. Ele foi membro de uma família bastante atuante no clube. O irmão Jean-Marie jogou pelo time principal, enquanto o pai Joseph Cesari foi presidente do clube entre 1922 e 1925. Já Armand foi capitão da equipe durante um bom tempo, se tornando um dos atletas mais famosos do clube. Ele desapareceu em janeiro de 1936, quando tinha 33 anos. O nome do estádio foi uma forma de homenageá-lo.

Bordeaux

Estádio Matmut-Atlantique – inaugurado em 2015 – capacidade para 42.115 pessoas

O Bordeaux jogou muito tempo no estádio Chaban-Delmas até se mudar para o moderníssimo Matmut-Atlantique, construído entre 2012 e 2015, também visando a Eurocopa de 2016. A questão do nome gerou muitas discussões entre os torcedores, já que a empresa do ramo de companhia de seguros Matmut investiu € 2 milhões para estampar o nome do grupo no estádio por dez anos. Uma ala de torcedores, descontente com isso, realizou uma votação para escolher o novo nome e decidiram por homenagear René Gallice, sexto jogador com mais atuações com a camisa do clube. Por fim, ficou o nome Matmut-Atlantique e a empresa que gere o estádio é a Bordeaux Atlantique, sendo que o financiamento é feito entre a cidade de Bordeaux e a própria empresa.

Sobre o Chaban-Delmas, que homenageia o estadista francês Jacques Chaban Delmas, hoje é de domínio do Union Bordeaux Bégles, clube de rugby. O estádio passou a ser chamado assim em 2001, após a morte dele em 2000 – antes era conhecido como Parc Lescure.

Caen

Estádio Michel D’Ornano – inaugurado em 1993 – capacidade para 20.453 pessoas

Inaugurado em 1993, o estádio do Caen homenageia o político francês Michel D’Ornano. Ele morreu em 1991, após ser atropelado por uma van. A ideia de homenageá-lo foi do senador-prefeito de Caen, Jean-Marie Girault, já que ele entendia que D’Ornano era um amigo dos esportes e a construção do estádio estava ligada ao nome do político. Por via de curiosidade, antes desse estádio, os azuis e vermelhos jogavam no estádio Venoix, em razão do bairro onde está localizado. Em 2013, o local foi renomeado como estádio Claude Mercier, em homenagem a um ex-jogador do clube. O time reserva e de base do Caen utilizam o campo, assim como algumas equipes amadoras que por lá treinam.

Dijon

Estádio Gaston Gérard – inaugurado em 1934 – capacidade para 13.778 pessoas

A casa do Dijon é um dos poucos que tem o mesmo nome desde sua inauguração. Gaston Gérard, que dá nome ao estádio, foi um influente político no início do século passado, tendo sido vice-prefeito de Dijon e primeiro-ministro do Turismo francês. Ele nasceu em 1878 e morreu em 1969, vivendo sempre na mesma cidade, o suficiente para ser imortalizado no estádio da cidade.

Guingamp

Estádio Municipal de Roudourou – inaugurado em 1990 – capacidade para 18.465 pessoas

O nome do estádio do Guingamp é bem simples de explicar: ele fica localizado no distrito de Roudourou. O Guingamp, apesar de ser um clube de 114 anos, só atuou profissionalmente desde 1984. Então, antes do Roudourou, jogava no estádio Yves-Jaguin, que homenageava um ex-presidente do clube nos anos 40. Esse estádio, aliás, vive um momento curioso. O time reserva e de base do Guingamp treinavam ali, mas discute-se a possibilidade de venda do local e até mesmo de uma demolição.

Lille

Estádio Pierre Mauroy – inaugurado em 2012 – capacidade para 50.157 pessoas

Na onda de reformas, o estádio do Lille foi o primeiro a ser concluído | Foto: LOSC

Na onda de reformas, o estádio do Lille foi o primeiro a ser concluído | Foto: LOSC

Originalmente conhecido como Grand Stade Lille Metrópole, o estádio recebeu o nome de Pierre Mauroy, em junho de 2013. A medida foi adotada pelo Conselho Metropolitano de Lille, que visava homenagear o ex-prefeito de Lille e ex-primeiro-ministro, que morreu no mesmo mês. Muitos não gostaram, pois o político não era um grande fã de esportes e que a decisão foi tomada sem consultas a outros órgãos e aos torcedores.

Antes da moderna arena, o Lille jogou em quatro estádios: o Jules-Lemaire (dentista famoso por ter descoberto propriedades antissépticas de ácido de carbono), que foi utilizado até a II Guerra Mundial; Henri Jooris (dirigente bastante atuante na região de Lille) aproveitado após a guerra e até os anos 70; Grimonprez-Jooris (uma homenagem ao próprio Henri Jooris e o ex-campeão de hóquei de campo Félix Grimonprez), utilizado entre 1975 e 2004; e mais recentemente o Lille Metropole, aproveitado entre 2004 e 2012.

Lorient

Estádio Yves Allainmat – Le Moustoir – inaugurado em 1959 – capacidade para 18.500 pessoas

O apelido de “Moustoir” acabou ficando para o estádio do Lorient por ser exatamente o bairro onde o clube fica localizado. Em 1993, a casa dos Merlus foi rebatizada com o nome de Yves Allainmat, ex-vice-prefeito da cidade, que morreu no mesmo ano.

Lyon

Parc OL – inaugurado em 2016 – capacidade para 59.186 pessoas

O moderníssimo estádio do Lyon é gerido pelo OL Groupe, que foi fundado em 1999 para supervisionar o clube. Oficialmente, o estádio se chama Parc OL, mas também é lembrado por Grand Stade de Lyon ou Stade des Lumières. O antigo estádio Gerland, inaugurado em 1920 e utilizado pelo OL desde sua fundação, em 1950, até 2015, levava esse nome por estar localizado no bairro com mesmo nome.

Marseille

Estádio Orange Vélodrome – inaugurado em 1937 – capacidade para 67.394

Entre mudanças e reformas, o OM sempre seguiu no Vélodrome | Foto: Yannick Parienti/OM

Entre mudanças e reformas, o OM sempre seguiu no Vélodrome | Foto: Yannick Parienti/OM

Casa do único francês que já conquistou uma Liga dos Campeões, o mítico Vélodrome ganhou naming rights para dez anos, contando a partir de 2016, da empresa Orange. O nome original, por razões óbvias, se deve ao fato de também abrigar corridas de ciclismo.

*Nos próximos dias, possivelmente após o Carnaval, trago a segunda parte, com as origens dos demais dez times;