Golpe de estado

Era quarta-feira, quarto dia do ano de 2012. Eu estava num “aquecimento” pra assistir Paris Saint-Germain x Milan – ô joguinho chato, diga-se de passagem – e antes de rumar para o sofá da sala, decidi dar uma navegada por sites alemães e conferir as novidades do futebol local.

O primeiro site que decido entrar é o polêmico diário Bild. Logo na página inicial do portal está a notícia de que Marco Reus seria o novo reforço do Borussia Dortmund. Bom, pra estar na capa do Bild – não na capa de esportes, e sim na principal – é porque eles botavam fé na informação ou queriam mesmo é receber mais acessos.

Decidi dar meu clique e ver o que estava rolando. Na notícia constava que por 17,5 milhões de euros, a jóia do Borussia Monchengladbach reforçaria o time que defendeu dos 7 aos 17 anos até 2017.

Levei um pouco de fé na notícia, mas me lembrei que na semana anterior, o próprio Bild, jornal que adora uma especulação, havia divulgado que o mesmo Reus recebera uma grande proposta do Real Madrid. Se recebeu a proposta do clube espanhol, poucos sabem, mas se realmente houve, Reus não aceitou.

Decidi então entrar no site da conceituada revista Kicker. Nada marcava lá. Se fosse uma mera especulação, até estaria na página, mas ficaria em um cantinho obscuro, de pouco destaque.

Então, deixei a notícia de lado…

Passa um tempo… pequeno tempo, diga-se de passagem, nem cinco minutos, alguém me alerta no twitter – eu já havia twittado minutos antes da notícia publicada no Bild – que o Borussia Monchengladbach confirmara a venda de Marco Reus para o Borussia Dortmund.

Vou correndo pro site da Kicker e já estava na capa do site uma foto enorme de Reus, já anunciando sua venda. Decido então entrar no site do Borussia Dortmund. Dito e feito! Lá também estava o anúncio de sua contratação e todo aquele “blá, blá, blá” de dirigentes felizes com a vinda do novo jogador. Faltava entrar no site do Gladbach, mas o número de acessos era tanto, que o portal dos Potros saiu do ar.

Mas voltando ao portal Kicker, o que realmente me chamou a atenção foi a manchete do site: “Golpe de estado: Dortmund leva Reus”. “Golpe de estado”, não há melhor definição para o assunto.

Todos esperavam ansiosamente por uma proposta do Bayern de Munich. Os mais otimistas, aguardavam até propostas de times de fora da Alemanha, como Arsenal e Real Madrid. E do nada, “Buuuum!”, explode a bomba, Reus é do Dortmund.

Como quem não queria nada, o BVB, clube que rejeitou Reus quando ele tinha 18 anos, traz o garoto de volta. Foi um trabalho bem feito, ágil e eficiente, que deixou o Bayern chupando dedo como criança que fica sem o colo da mãe.

Marco Reus se tornou a 7ª contratação mais cara da história do futebol alemão!

O que será dessa dupla em Dortmund? (bvb.de)

Logo após o anúncio, um turbilhão de mensagens surgiu, todos imaginando como será a dupla Marco Reus-Mario Götze. Admito que também imaginei, assim como pensei que Jurgen Klopp é um privilegiado ao ter a disposição quatro meias de enorme qualidade. Além de Reus e Götze, o técnico aurinegro têm Grosskreutz e Kagawa.

Com todos inteiros, Klopp pode optar por formar um trio mais técnico, colocando Götze na direita, Kagawa pelo centro e Reus na esquerda, sacando Grosskreutz. Se o treinador atual campeão alemão decidir ter um pouquinho mais de velocidade, o japonês seria sacado, com Götze indo pro centro e Reus invertendo de lado, para Grosskreutz atuar na esquerda.

Klopp terá pelo menos até o dia 1º de julho para decidir. A não ser que…

Alguém seja vendido! Fica difícil imaginar que o Borussia Dortmund, clube que até a metade da última década sofria com problemas financeiros, quisesse gastar quase 20 milhões em um jogador que o time não precisava. Os rumores das saídas ou de Götze ou de Kagawa deverão ser levados mais à sério.

Michael Zorc, diretor esportivo do Borussia Dortmund, já havia dito semanas atrás que o BVB “está bem financeiramente, que Götze tem contrato até 2014, então não há motivos para vendê-lo”. Zorc até tem razão ao dizer isso, mas meio mundo que a jóia borussiana, então, é bom ficarmos atentos. Só o tempo nos trará essa resposta.

Por enquanto, nos basta sonhar em ver em campo jovens talentosos como Götze e Reus juntos em um clube, algo diário, jogos todas as semanas, jogos de alto nível e não jogos de seleções, que até são de alto nível, mas são raros.

PÍLULAS DO TEMA

>Será normal no segundo turno da Bundesliga o Borussia Monchengladbach cair de produção. O time titular é até bom, mas o elenco nem tanto. Se somarmos essa provável queda de rendimento com a paixão de torcedor, pelo menos eu, cheguei a conclusão de que a pressão cairá em cima de Reus, naquele papo de “já está vendido e não quer mais jogar aqui”. Será essa a reação da torcida ou o ídolo se sobressairá nessa?

>As 10 contratações mais caras da história da Bundesliga

  1. Mario Gómez (2009) – Do Stuttgart pro Bayern – 30 milhões de euros
  2. Franck Ribéry (2007) – Do Marseille pro Bayern – 25 milhões
  3. Amoroso (2001) – Do Parma pro Dortmund – 25 milhões
  4. Arjen Robben (2009) – Do Real Madrid pro Bayern – 24 milhões
  5. Manuel Neuer (2011) – Do Schalke pro Bayern – 22 milhões
  6. Roy Makaay (2003) – Do La Coruña pro Bayern – 19 milhões
  7. Marco Reus (2012) – Do M’Gladbach pro Dortmund – 17,5 milhões
  8. Luíz Gustavo (2011) – Do Hoffenheim pro Bayern – 17 milhões
  9. Miroslav Klose (2007) – Do Werder pro Bayern – 15 milhões
  10. Tomás Rosicky (2001) – Do Sparta Praga pro Dortmund – 14,5 milhões

Será que não sou tão louco assim?

Quando fiz minha prévia da nova temporada da Bundesliga, fiz uma aposta arriscada para surpresa do campeonato: o Borussia Monchengladbach.

Era uma aposta arriscada, pois os Potros só se salvaram do rebaixamento na última temporada via repescagem. Sem falar que o Gladbach teve a segunda pior da defesa da última Bundesliga, com uma retaguarda horrorosa, que deixaria um cego com orgulho de não enxergar aquilo.

Lucien Favre ajudou a salvar o Gladbach (Dpad)

Mesmo assim, o bom trabalho feito pro Lucien Favre fez a equipe conquistar vários pontos importantes, que evitaram o descenso.

Mas que pessoa em sã consciência apostaria como surpresa do campeonato, uma equipe que se salvou do rebaixamento na repescagem e teve a segunda pior defesa do torneio anterior?

Talvéz eu seja louco…

Ou como diria o outro, “ou não”.

O Gladbach terminou a temporada passada em alto astral. Os resultados vieram, a torcida que já havia largado mão do time, voltou a comparecer no Borussia Park, jogadores como Igor de Camargo e Marco Reus passaram a decidir jogos, como era esperado e a recompensa foi a permanência na primeira divisão alemã.

O alto astral de fim de temporada não acabou nas férias. O Monchengladbach só perdeu dois jogos na pré-temporada e acumulou resultados como um 0x0 com o Porto e um 5×2 no Aberdeen. Mas o resultado que me chamou a atenção e me fez fazer esta aposta arriscada foi no dia 29 de julho: Jahn Regensburg 1×3 Gladbach, em jogo válido pela DFB Pokal. Por quanto mais que o adversário da 3ª divisão fosse um time frágil, gostei do modo como os Potros jogaram. Vi um futebol mais leve, de toques de bola e muita participação de Igor e Reus.

Naquele mesmo post, falei que o problema para a concretização dessa aposta no meu modo de ver era a fragilidade defensiva do Gladbach. De nada adiantava ter nomes fortes no ataque e sofrer 65 gols em 34 jogos. Esperava que com tempo para treinar durante a pré-temporada, Lucien Favre pudesse dar uma ajeitada na defesa.

Dito e feito!

Assisti aos três jogos do Gladbach nesse início de temporada e gostei da postura defensiva do time. Os laterais Jantschke e Daems dão poucas brechas na defesa, sendo que o segundo citado ainda tem qualidades ofensivas. Já na faixa central da defesa, Brouwers e Dante vem atuando bem e mostrando entrosamento. Somado a isso, ainda dá para ver uma outra linha de quatro bem firme, com Reus e Arango ajudando a marcar pelas pontas, e com Nordveit e Neustädter fazendo bem a proteção a defesa.

Mas como faz goleiro bom a tal da Alemanha! (Getty Images)

Ah, sem falar do jovem e muito promissor goleiro Marc-André ter Stegen. Descoberta de Lucien Favre! Ele era reserva de Heimeroth e Baily, mas ambos falhavam constantemente, e ter Stegen surgiu do nada e causou barulho no fim da última temporada. O jovem de 19 anos foi importante na escapada do descenso.

E na atual temporada, ter Stegen começou muito bem. Catou tudo contra o Bayern, foi seguro diante do Stuttgart e nem foi exigido pelo Wolfsburg. Para este blogueiro, é o grande nome das rodadas iniciais da Bundesliga.

E como disse no supracitado post, bastava ajeitar a defesa. No ataque, tudo resolvido.

Na primeira rodada, o brasileiro Igor de Camargo calou a Alianz Arena, ao marcar o gol solitário da vitória sobre o Bayern. Na segunda rodada, Reus sofreu o pênalti que resultou no gol de Daems no 1×1 diante do Stuttgart. E no jogo de hoje contra o Wolfsburg, tudo deu certo. O reserva Bobadilla, substituindo de Camargo, teve grande atuação, com um gol e uma assistência, somado a isso, dois gols de Reus e uma atuação pra lá de convincente de Arango.

E o torcedor do Gladbach pode se orgulhar e dizer que seu time não está “apenas vencendo”, mas está jogando bem.

O Gladbach triturou o Wolfsburg (Witters)

Contra o Bayern, a sua proposta de defender bem, compactar as linhas de quatro e tentar tirar a velocidade bávara deu certo, e no erro adversário, veio a vitória. Contra o Stuttgart, um jogo mais parelho, mas a vitória só não veio por causa de um único vacilo na defesa. Já contra o Wolfsburg, o Gladbach encontrou uma defesa muito frágil e mal protegida, – com Josué intocável na cabeça de área – e sem se intimidar, foi ao ataque e meteu 4 nos Lobos. Se não fosse o bom goleiro Diego Benaglio, a derrota teria sido mais elástica.

Pode ser que a aposta deste blogueiro seja uma furada, pois tenho receios. Acho o time do Gladbach bom… mas o elenco não.

Bobadilla, que acabou com o jogo na tarde de hoje, é uma atacante daqueles que está entre a exibição de gala e a de “ganhei o ingresso pra ver o jogo de dentro do campo”. Ele é o primeiro substituto do ataque. Ataque esse que tem como centro-avante Hanke, um atacante bem mediano.

Sem falar da zaga. Será que mais desfalcada, manterá essa boa sequencia de jogos?

Jogadores do Gladbach fizeram a festa com a torcida após o jogo (Getty Images)

Mas com esses problemas, não largo mão de minha aposta. O Gladbach está empolgado, está jogando bem, está vencendo e trouxe a torcida pro seu lado. Não duvido que os Potros voltem a seus bons tempos, onde conquistaram cinco títulos alemães nos anos 70, claro, sem esse nível de “viagem no tempo”, mas pelo menos fazendo campanhas dignas de time grande.

O time é bom. O técnico também. Somado a isso, vemos 11 jogadores bem treinados e empurrados por sua torcida. Dá pra ir longe!

Mas é apenas início de temporada. O Monchengladbach pode vir a ser um “novo Mainz” e triunfar com Lucien Favre no comando, mas pode ser um “novo Eintracht Frankfurt”, arrancando bem e morrendo no final.

No final da temporada, sairá a definição de minha loucura!