‘Rangnickzação’ evoluída

O Schalke 04 “se livrou” de Ralf Rangnick. “Se livrou” está entre aspas, porque o termo mais adequado fosse a “amarelada” de Rangnick, que não aguentou a pressão e se mandou.

Isso fez bem ao Schalke. O ex-técnico do Hoffenheim cometeu vários equívocos durante sua época nos Azuis Reais, como insistir com Holtby de segundo volante, colocar Matip de zagueiro e afastar Raúl da área.

Porém, essa saída foi benígna até a página 2.

Huub Stevens retorna ao Schalke para recolocá-los nos trilhos (DPA)

Huub Stevens voltou ao Schalke, mas como diria Tite, “manteve a Rangnickzação” do time.

Stevens re-estreou nesta quinta-feira pelos Azuis Reais em um duelo pela Liga Europa, contra o Maccabi Haifa, mas escalou o time quase do mesmo jeito que era escalado por Rangnick. Raúl ainda era o meia central da linha de três meias do 4-2-3-1, enquanto o meia ofensivo, Lewis Holtby seguia como um segundo volante. O ponto positivo dos 11 iniciais de Stevens comparados a Rangnick é que Matip deixou a zaga e virou primeiro volante, enquanto o questionável Papadopoulos foi para a reserva.

Mesmo que na escalação o time era basicamente o mesmo, a postura era diferente.

Höger e Fuchs tinham liberdade para avançar como bem entendessem, não à toa, o austríaco anotou o primeiro gol do Schalke.

Só que essa foi a única evolução que notei, já que defensivamente, o Schalke não foi bem e esteve vacilante durante boa parte da peleja. Faltava entrosamento – Holtby e Matip era a nova dupla de volante, enquanto Höwedes e Metzelder voltavam a jogar juntos – e faltava atenção. Alguns dos erros cometidos pela defesa alemã não poderiam ser simplesmente atribuídos a falta de rodagem das duas duplas. Eram erros técnicos e de falta de atenção dos jogadores.

Aliás, voltando a falar dos laterais mais soltos, isso tinha um ponto positivo, que era ter mais alternativas e elementos surpresa no ataque, mas tinha um ponto negativo, que era a prisão dos dois volantes para a cobertura. Ter Holtby preso pra marcar sem poder encostar no ataque é um grande desperdício. O rapaz já não está adaptado ao novo posicionamento e agora querem que ele fique preso marcando sem que possa demonstrar sua técnica avançando ao ataque? É demais pra minha cabeça!

Outro detalhe: Raúl pode até ser um segundo atacante, mas ser o meia-central da linha de três não está dando certo. No jogo contra o Maccabi, o espanhol esteve nulo em campo. Não armou pros companheiros, não criou pra si, não fez nada. Isso é ruim também para os ponteiros Farfán e Draxler, que não tem um meia para acioná-los.

Talvez a mudança do esquema seja a melhor alternativa, pois Raúl não pode ficar tão longe da área e Huntelaar é o centro-avante do time e não pode ficar de fora.

Holtby ficou preso na marcação

Só que diferente de Rangnick, Huub Stevens mexeu muito bem no duelo contra o Maccabi Haifa. Ele tirou o perdido Matip e o preso Holtby para colocar Papadopoulos e Jurado. O grego ficaria mais na marcação, dando liberdade para o espanhol. E mais: Jurado ao menos tem alguma rodagem como segundo volante. Tá certo que faz uma partida boa em dez disputadas, mas essa experiência na posição de segundo volante já o coloca alguns degraus acima de Holtby.

Jurado entrou muito bem contra o Maccabi Haifa. Se movimentou no campo de ataque, avançou, criou alternativas e fez o que Schweinsteiger faz no Bayern: divide a armação com o meia-central. No caso do Schalke, Jurado fez tudo sozinho, porque Raúl era peça nula.

A vitória por 3×1 foi justa pro Schalke, que manteve seu bom volume de jogo e mesmo vacilando na defesa, acabou sendo a equipe mais eficiente e tendo a sorte de enfrentar um adversário fraco, que teve as chances, mas por deficiência técnica, acabou perdendo o jogo.

Mas é início de trabalho para Huub Stevens. Ele ainda tem tempo para perceber os defeitos supracitados e arrumar o time. O Schalke não tem um elenco maravilhoso, mas pode incomodar lá em cima na Bundesliga e quiçá na Liga Europa. Andou faltando um técnico que tivesse o time nas mãos. Se Stevens conseguir isso, será um grande passo para buscar um algo mais com o Schalke.

Huub Stevens começa bem, mas precisa rever os 11 iniciais

Tão perto do céu…mas longe do paraíso

É Jurado...vai ser difícil voltar a jogar o que tu jogou contra a Inter (Reuters)

Há duas semanas atrás, o Schalke 04 vencia a Internazionale por 2×1, fechava a série em 7×3 e chegava a uma inédita semifinal de Uefa Champions League. Era o auge de uma equipe que vive uma temporada conturbada, com problemas internos, mal futebol e uma péssima colocação na Bundesliga. As semifinais da Liga dos Campeões eram uma dádiva para Ralf Rangnick, que com pouco tempo de trabalho, conseguiu levar o time num lugar pouco antes imaginado.

A torcida se empolgou e nesta quarta-feira, lotou a Veltins Arena para empurrar o Schalke no duelo contra o Manchester United. Mas o que se viu em campo não parecia nada com o time que goleou a Inter e espantou o mundo, mas sim o time que espantou a confiança da torcida, nos tempos de Félix Magath. O time Azul Real esteve o tempo inteiro entregue em campo, sem nenhum esboço de reação e lembrou muito o jogo contra o Borussia Dortmund no segundo turno da Bundesliga. Só o desfecho que foi diferente.

Ah...se não fosse o Neuer (AFP)

No então clássico do Vale do Ruhr, o Schalke ficou um tempo inteiro só se defendendo e sem atacar e na etapa final, ameaçou uma ou outra subida, mas se não fosse Neuer, não saíria do Signal Iduna Park com o 0x0. Hoje a história foi quase a mesma, com a mesma situação de jogo, só que “se não fosse Neuer”, o Schalke teria perdido de muito mais. A impressão que fica é que o 2×0 dos Red Devils ficou barato e o paraíso, que estava a dois passos do time alemão, parece ficar mais distante.

Há quem atribua essa derrota azul real a um defensivismo aplicado por Ralf Rangnick, mas os times de Rangnick não tem costume de jogarem fechados. O “defensivismo” que muitos falam é ocasionado pelo Manchester United. Os Red Devils tiveram a bola durante boa parte do jogo e fizeram Manuel Neuer trabalhar e trabalhar muito mesmo. Atuação do arqueiro alemão entra no TOP 5 de sua carreira. Aliás, essa é outra semelhança com o Derby do Vale do Ruhr citado antes, onde Neuer pegou até pensamento e segurou o 0x0.

Mas cá pra nós, se o Schalke estivesse mesmo retrancado, tu acha que o Manchester conseguiria entrar tantas vezes na área adversária?

O United teve grande atuação. Teve um volume de jogo muito alto e soube aproveitar os pontos fracos do Schalke. Embora tenha demorado para abrir o placar e tenha feito “só” dois gols, merecia ter feito mais, se não fosse em alguns momentos a falta de pontaria de seus atacantes e Manuel Neuer, que em tarde inspirada, pegou tudo.

Neuerrrrrrrr (Reuters)

Já o Schalke teve uma atuação ruim e jogadores que contra a Internazionale tiveram atuações que talvez nunca mais os veremos fazer, voltaram a sua normalidade. Na zaga, o garoto Matip voltou com as inconstâncias e deu muitos espaços lá atrás. Sarpei, que deixou Schmitz no banco desde a chegada de Rangnick, comprometeu demais. Antes ele não estava jogando mal, mas não era uma grande peça. Ele simplesmente não comprometia. No meio campo, Papadopoulos se viu sobrecarregado e se não fosse a cirúrgica substituição de Rangnick – Kluge entrou para auxiliar o grego na marcação -, os Red Devils teriam entrado mais vezes na área alemã. Jurado, que jogou demais nas duas partidas da série contra a Inter, mal viu a cor da bola na tarde de hoje. Edú voltou a ruindade que apresentou durante a temporada inteira. A cada dez bolas que recebia, em uma, duas na melhor das hipóteses, ele conseguia sequenciar as jogadas.

O zagueiro Höwedes fez muita falta. Ele é o grande pilar da defesa e grande líder do time. Sua ausência, além da óbvia mexida tática – Matip entrou em seu lugar e deu no que deu… -, houve a mexida técnica, que teve grande influência gigantesca. Junto com Neuer, eles são a alma do Schalke. A defesa alemã pareceu em alguns momentos do jogo bem desentrosada.

É isso que dá ter jogadores de nível duvidoso no elenco. Eles podem até render bem em certos momentos, mas uma hora falta cancha e acima de tudo, falta bom futebol. Não me pareceu ter faltado experiência ao Schalke. Não custa lembrar que Neuer, Farfán, Raúl e até mesmo o criticado Sarpei, tem experiência bastante para encarar um jogo de um tamanho gigantesco. Faltou mesmo é bola. A zaga alemã parecia mais um queijo suíço, o meio campo estava numa palidez tamanha e por consequência, o ataque pouco participou. Raúl jogou? Não vi.

United mandou no jogo (AFP)

Mas repito, o grande fator da derrota do Schalke não foi a ruindade de seu time e sem a superioridade do Manchester, que dominou durante dos 90 minutos.

O papinho de que “o Schalke fez 5 na Inter no Giuseppe Meazza, pode fazer 3 no Manchester no Old Trafford” não cola comigo. Primeiro porque são times diferentes, então já muda totalmente o contexto da frase. Segundo que a zaga inglesa é melhor que a zaga italiana. São só três gols sofridos na Champions League inteira. Ou seja, o Schalke terá de em um jogo, fazer a mesma quantidade de gols que o United sofreu na competição inteira, ou fazer dois terços dos gols sofridos. Pra resumir: os alemães terão de suar sangue!

Difícil imaginar o Schalke conseguindo a vaga, mas vai saber? Eu sou um “Bundesligafanático” e acabo sendo mais otimista com os clubes da terra do chucrute. Os Azuis Reais podem espelhar o placar do jogo de ida, seria mais fácil do que fazer 3×0. Mas o Schalke precisa simplesmente fazer com que jogadores (medíocres) como Jurado e Edú jogarem o que jogaram contra a Inter.

Esse (não) é o Schalke que eu conheço!

Em pouco tempo, Ralf Rangnick já tem influência esse time do Schalke

Os jogos de ida da fase de quartas-de-final da Uefa Champions League já acabaram e a grande surpresa certamente foi o Schalke 04. Os Azuis Reais foram ao Giuseppe Meazza e simplesmente acabaram com a Internazionale.

Aliás, foi uma atuação que me deixou de queixo caído. Há tempos – levando em conta também os bons anos na metade da última decada – eu não via o Schalke jogar assim. Jogadores outrora chamados de medíocres, como Jurado e Edú, tiveram bela atuação. O time acostumado a cautela de Félix Magath, jogou solto agora no comando de Ralf Rangnick.

Mas só pra constar, foi um partidaço. Com 25 segundos de jogo, Stankovic acertou um petardo do círculo central e marcou o primeiro gol, isso porque Neuer havia saído para afastar uma bola e não voltou em tempo. O Schalke absorveu bem o gol. O time trocava passes com calma e também com extrema facilidade. A marcação interista era frágil e estava toda recuada.

Algo que percebi é que o time alemão havia feito pelo menos uns dois levantamentos para a grande área e tinha ganho todos. Pois é, em uma cobrança de escanteio, Papadopoulos teve liberdade pra cabecear e Matip marcou no rebote de Júlio César.

Porém, o Schalke se acomodou na vantagem e acabou recuando. A Inter não conseguia trabalhar tantas jogadas, por isso apostava muito nas bolas longas, porém, obtinha sucesso nessas jogadas. Quando trabalhou a bola, voltou a frente. Sneijder lançou Cambiasso, que escorou para Milito marcar.

O Schalke havia acordado, mas não mantinha o mesmo ritmo dos minutos iniciais.

Só que em boa jogada de Baumjohann, Edú marcou após finalizar duas vezes.

Edú jogando muito bem...coisa rara!

Baumjohann, aliás, é um dos “ressucitados” de Ralf Rangnick. O ganês Sarpei, por exemplo, que era reserva do reserva, do reserva (…) no Schalke, passou a ocupar a posição de titular, antes ocupada por Lukasz Schmitz. Kluge, peça importante do antigo esquema de Magath, foi barrado. Edú pode ser considerado um “ressucitado” de Rangnick também. Ele até jogava com frequencia com o Mago, mas como meia direita, mas Ralf Rangnick recolocou o brasileiro em sua verdadeira posição, o ataque.

O torcedor da Inter já não gostou muito da primeira etapa de seu time. Os Nerazzurri só encontravam jogo na bola longa e jogadores como Eto’o e Sneijder estavam muito mal e ainda tiveram de ver um Schalke menos tímido que o normal. Mas como eu disse, “se o torcedor da Inter já não gostou muito do primeiro tempo”, deve ter sentido vontade de pedir o seu dinheiro de volta

O que se viu foi uma Inter entregue, sem ação nem reação. Após um começo de segundo tempo razoavelmente bom, falhas defensivas resultaram no gol da virada, anotado por Raúl – aproveitando a bobeira de Zanetti, que parou na área e deu condição pro espanhol -, o quarto gol, que foi contra de Ranocchia – de novo no cantinho esquerdo, de Zanetti e Chivu, esse último com atuação lamentável -, uma expulsão de Chivu e o quinto gol, anotado por Edú – num lance esquisito, onde a regra parecia ser: “A bola fica na defesa”.

Sobre a Inter: atuação ridícula e vexatória. O time estava desorganizado no meio campo, falhou demais na defesa e seus principais homens ofensivos não jogaram.

Jurado é outro que teve grande atuação. Raúl fez o de sempre (gols na UCL)

Sobre o Schalke: atuação maravilhosa. A melhor do time na temporada. Os Azuis Reais se defenderam bem, tinham calma na saída de jogo e tinham mais calma ainda para trocar passes no ataque. E de lambuja, contou com uma grande atuação de jogadores de nível duvidoso, como Jurado e Edú. O meia espanhol deitou e rolou no meio campo, se movimentou com muita liberdade e distribuiu muito bem o jogo. Já o brasileiro foi uma ótima opção de ataque, fazendo o pivô, se movimentando e principalmente, aproveitando as brechas na defesa interista.

Para resumir essa atuação do time alemão, dá para dizer que não foi o Schalke que eu conheço. E no bom sentido. O time não teve aquele futebol insonso dos tempos de Magath e sim um futebol vistoso e ofensivo, dos tempos de Rangnick no Hoffenheim. É só não cair no oba-oba que administra o placar com tranquilidade. Lembrando que o Schalke tem que perder por 4 gols de diferença para cair fora.

Para fechar sobre a Inter, o texto fica à cargo de Michel Costa

Barcelona praticamente classificado

Já a dupla espanhola encaminhou bem a classificação. O Real Madrid finalizou mais de 20 vezes e sofreu menos 5 arremates do Tottenham, não à toa meteu 4×0 no time londrino. Dificilmente os Merengues sofrerão uma derrota parecida. Se os Spurs quiserem ir à Wembley, só pelas arquibancadas. Se nas oitavas de final o Barcelona perdeu o jogo de ida pro Arsenal, nas quartas-de-final a história foi diferente. 5×1 pra cima do Shakhtar em um jogo muito movimentado. Pelo andar da carruagem, teremos um Superclasico em uma das semifinais.

No duelo inglês das quartas-de-final, o Manchester United bateu o Chelsea por 1×0 no Stamford Bridge, gol de Rooney e vai jogar pelo empate no Old Trafford. O jogo foi ruim, mas o time londrino foi prejudicado pela arbitragem. No fim do jogo, Ramires foi derrubado escandalosamente por Evrá dentro da área, mas Undiano Malenco não deu nada. Mas mesmo assim, o Manchester mereceu vencer. Jogou bola, já os Blues abusaram do jogo no modo “abafa”.