400 vezes Hilton

Hilton é o brasileiro com mais jogos na história do Campeonato Francês | Foto: Divulgação/MHSC

Ao pisar no gramado do Estádio de La Mosson na tarde do último sábado (4), no empate por 1 a 1 entre Montpellier e Amiens, Vitorino Hilton entrou para a história. Aos 40 anos, o zagueiro chegou a expressiva marca de 400 jogos na carreira no Campeonato Francês. Entre todos os brasileiros que já disputaram o torneio, ninguém tem mais aparições do que ele.

Desconhecido no Brasil, o brasiliense, de 40 anos – jogador mais velho da atual temporada da Ligue 1 – tem carreira sólida na França. Filho de mãe costureira e pai trabalhador de construção, Hilton passou pela base da Chapecoense, mas se profissionalizou pelo Paraná Clube, antes de passar três anos no Servette, da Suíça, entre 2001 e 2004. Por lá, trabalhou com o técnico Lucien Favre, hoje no Nice, e participou da melhor campanha europeia do clube, parando nas oitavas-de-final da Copa da Uefa de 2002.

Desembarcou em terras gaulesas na temporada 2003/04, quando tinha 25 anos, para defender o Bastia. A passagem, que seria apenas por empréstimo, ficou para a eternidade. Suas qualidades nas antecipações, recuperação de bola e visão de jogo chamaram a atenção no curto período em que ficou na Ilha de Córsega e, na temporada seguinte, foi contratado em definitivo pelo tradicionalíssimo Lens.

Lens foi o segundo clube de Hilton na França | Foto: Reprodução

A mudança de clube significava o primeiro dos saltos que daria dali em diante. Em 2004, enquanto o Bastia escapou do rebaixamento somente na última rodada, o Lens foi o 8º colocado e havia disputado a Liga dos Campeões na temporada anterior.

No Norte da França, foi titular por quatro temporadas e se tornou capitão rapidamente. Anos depois, em 2013, em entrevista ao Eurosport, disse ter vivido os melhores anos da carreira no clube e que, na França, não há torcida mais apaixonada que a do Lens. “Meu único arrependimento foi não ter ganhado nada no clube”, admitiu.

O destaque foi tanto que entrou na seleção da temporada 2007/08, elaborada pela União Nacional dos Futebolistas Profissionais (UNFP), mesmo tendo sido o ano em que o clube Sangue e Ouro foi rebaixado para a segunda divisão.

Com a queda, abriu-se caminho para o Olympique de Marseille, de Didier Deschamps, e logo Hilton foi contratado por um dos mais tradicionais clubes franceses – o único do país a conquistar a Liga dos Campeões.

No OM, a primeira temporada foi brilhante. Participou de 36 dos 38 jogos do campeonato, e novamente foi colocado na seleção da temporada da UNFP. Em 2009/10, sem ter a mesma regularidade de antes, foi campeão francês e da Copa da Liga pelo Marseille, quebrando uma seca de quase 20 anos sem qualquer título.

No OM, Hilton foi campeão francês | Foto: Divulgação/OM.net

Porém, a saída do OM foi turbulenta. Assaltantes invadiram a residência do atleta, o agrediram e apontaram uma arma para sua cabeça diante dos próprios filhos. Após escapar desse episódio que poderia ter consequências ainda piores, o reflexo parecia único: sair do clube.

Foi aí que surgiu o Montpellier na vida de Hilton, em 2010/11. No ano seguinte, formando uma sólida dupla de zaga com o jovem Mapou Yanga-Mbiwa, conquistou o inédito título nacional, batendo o já milionário Paris Saint-Germain. Na mesma temporada, novamente foi lembrado na seleção da temporada da UNFP.

Considerado um profissional exemplar, dentro e fora de campo, Vito é capitão do time desde 2012, quando Mbiwa deixou o clube para se aventurar no futebol inglês. Desde então, tem sido líder e extremamente regular. Apenas na temporada passada fez menos de 30 jogos – ficou perto, 27.

Até o fim do campeonato, Hilton deve quebrar recordes de outros jogadores históricos como, por exemplo, Ludovic Giuly (401 jogos), Jean Tigana (411) e Dominique Rocheteau (417).

Hoje, sem dúvida alguma, é idolatrado pelo torcedor. Um exemplo foi relatado pela RFI Brasil, em maio deste ano. “Ao final do apito da partida em que o Montpellier perdeu de 2 a 0 para o Paris Saint-Germain, pela 34ª rodada do Campeonato Francês, Hilton chamou seus companheiros para agradecer a presença de um grupo pequeno de torcedores acomodados na lateral do estádio Parc des Princes reservada à torcida adversária. Apenas um jogador seguiu o gesto elegante do capitão da equipe. ‘Essa é a imagem que um jogador tem que deixar aos seus torcedores. Eles fazem um esforço de viajar até Paris, e o mínimo que devemos fazer é agradecer a presença deles’, explicou na entrevista na saída do estádio”.

Aos 40 anos, Vito é idolatrado no Montpellier | Foto: MHSC

Na mesma entrevista, Hilton foi sincero e revelou que não pretende voltar ao Brasil, pois está estabelecido na França e que retornar ao país onde nasceu seria reiniciar uma vida. “Espero encerrar minha carreira no Montpellier”, confessou.

Quando isso acontecer, a tendência é continuar no clube. Em mais uma oportunidade, o brasileiro manifestou a intenção de trabalhar na formação de novos atletas, mas, à rede de televisão francesa TF1, Hilton revelou que, mais adiante pode ser até treinador no MHSC.

Com 1,80m, Hilton é um gigante. A história que construiu, aliás, é gigante. Se adaptou rápido a França, cresceu no meio da paixão sangue e dourada do Lens, saiu da fila com o Marseille e calou muitas boca$ no Montpellier. Merece respeito e admiração por ser um dos zagueiros mais regulares do século XXI no futebol francês. Bicampeão, quatro vezes entre os melhores do país. Podemos repetir isso 400 vezes para valorizar um dos grandes brasileiros que trilhou os gramados gauleses.

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Qual a origem dos nomes dos estádios franceses? (Parte II)

Na última semana, você conferiu no Europa Football a primeira parte do especial que trouxe a origem de dez nomes de estádios dos clubes do Campeonato Francês. Por uma grata surpresa, o post teve ótima repercussão, inclusive, sendo destaque no Trivela.

Mas passado o Carnaval e todo o feriadão, retorno com a parte final e explicando os últimos dez nomes. Lembrando que junto, a nomenclatura dos estádios, está a localização no Google Maps, para que vocês possam ver mais e conhecer a casa de cada equipe francesa. Vamos a eles:

  • Metz

Estádio Saint-Symphorien – inaugurado em 1923 – capacidade para 25.636 pessoas

Construído no início dos anos 20, o estádio Saint-Symphorien foi inaugurado em 1923, mas o desmoronamento de uma parte do telhado fez com que passasse por longa reforma até ser reinaugurado, de forma definitiva, em 1932. Essa reforma foi concluída exatamente na época em que o clube mandante mudava de nome de Club Atlético de Metz para FC Metz, o que segue até hoje. O estádio possui esse nome por estar situado no Boulevard Saint-Symphorien.

  • Monaco

Estádio Louis II – inaugurado em 1985 – capacidade para 18.523 pessoas

O novo estádio Louis II foi construído em 1985 | Foto: Divulgação/AS Monaco

O novo estádio Louis II foi construído em 1985 | Foto: Divulgação/AS Monaco

A casa atual do Monaco foi inaugurada em janeiro de 1985, sendo obra idealizada pelo príncipe Rainier III. O Louis II foi construído no distrito de Fontvielle, no lugar do estádio que tinha o mesmo nome. O local, que homenageava o príncipe Louis II, recebeu partidas do time monegasco de 1939 até 1985. Antes disso tudo, o ASM atuava no estádio Moneghetti, no bairro de mesmo nome, entre 1924 e 1939.

  • Montpellier

Estádio de la Mosson e do Mundial 98 – inaugurado em 1972 – capacidade para 32.900 pessoas

O primeiro clube a utilizar o estádio de La Mosson foi o AS Pallaide, clube que disputava torneios distritais em Montpellier. Com a fusão do clube com o Montpellier Litoral SC, (que jogava no estádio Richter), surgiu o Montpellier HSC, que passou a utiliza-lo em 1974. O estádio leva esse nome por estar próximo ao Rio Mosson. Já a referência a Copa do Mundo de 1998, disputada na França, foi feita pela escolha do estádio para sediar jogos da competição, o que fez com que fosse ampliada sua capacidade para 35 mil pessoas.

Os outros dois estádios em que o MHSC mandou jogos também possuem nomes fáceis de explicar. O primeiro foi o Parque de Esportes da Avenida da Ponte Juvenal, entre 1923 e 1967, que leva a mesma nomenclatura da localização, enquanto o estádio Richter, utilizado entre 1968 e 1974, também faz referência a sua localização.

  • Nancy

Estádio Marcel Picot – inaugurado em 1926 – capacidade para 20.087 pessoas

Chamado inicialmente de Parque de Esportes de Essey, a casa do Nancy foi oficialmente aberta em 8 de agosto de 1926. No começo, o estádio foi utilizado pela escola universitária local e pelo FC Nancy (clube que existiu entre 1901 e 1968). Com o surgimento do AS Nancy, em 1967, o local foi rebatizado no ano seguinte como estádio Marcel Picot.  Ele foi um empreiteiro que dedicou boa parte da vida ao FC Nancy e auxiliou no desenvolvimento do estádio. Por ter falecido em 1967, teve nome estampado na casa dos Vermelhos e Brancos em 1968, como forma de homenagem.

  • Nantes

Estádio de la Beaujoire-Louis Fonteneau – inaugurado em 1984 – capacidade para 37.473 pessoas

O caldeirão da Beaujoire é uma das armas do Nantes | Foto: Divulgação/Nantes

O caldeirão da Beaujoire é uma das armas do Nantes | Foto: Divulgação/Nantes

Um dos maiores caldeirões do futebol francês, La Beaujoire faz referência ao bairro do mesmo nome, em Nantes. Sua construção foi feita em razão da disputa da Eurocopa de 1984. Já o nome de Louis Fonteneau homenageia o presidente do clube entre 1969 e 1986. Ele foi um dos grandes idealizadores do projeto da construção do estádio a partir dos anos 70. Como morreu em 1989, o local foi rebatizado no mesmo ano.

Antes da nova casa, os Canários jogaram em alguns estádios: Saint-Pierre, Contrie e Procé. Após a II Grande Guerra, o Nantes passou a utilizar o estádio Marcel Saupin, que resistiu até a chegada de la Beaujoire. Atualmente, já houve uma parte demolida e o time reserva do time amarelo atua por lá.

  • Nice

Allianz Riviera – inaugurado em 2013 – capacidade para 35.624 pessoas

Assim como ocorre com muitas arenas mundo afora, o novo estádio do Nice, construído visando a Eurocopa de 2016, possui o naming rights da Allianz e a referência da região da Riviera. Entretanto, tivemos muitas reviravoltas até a concretização, isso porque, em 2010, o estádio se chamaria Olímpico de Nice. Em 2012, houve o acerto com a seguradora alemã, que pagará € 1,8 milhões por ano durante nove temporadas.

Antes da moderna arena, o Nice mandou jogos no estádio do Ray entre 1927 e 2013. O nome original deste estádio é Léo Lagrange, um secretário de estado de esportes, mas se tornou popular pelo nome do distrito onde está localizado.

  • Paris Saint-Germain

Estádio Parque dos Príncipes – inaugurado em 1897 – capacidade para 48.583 pessoas

Um dos maiores e mais antigos estádios da França, o Parque dos Príncipes recebeu este nome por causa da família real francesa, que utilizava o local de recreação e caça nos séculos XVIII e XIX. O estádio foi inaugurado, originalmente, para abrigar provas de ciclismo e o PSG passou a utilizar o parque em julho de 1974.

Antes da fusão do Paris FC e do Stade Saint-Germain, o clube mandava seus jogos no estádio municipal Georges-Lefévre. Atualmente, os times de base do PSG atuam ali e o clube se comprometeu a renovar o estádio.

  • Rennes

Estádio Parque Roazhon – inaugurado em 1912 – capacidade para 29.778 pessoas

O nome do estádio do Rennes sempre foi razão de polêmica. Tradicionalmente, o local era conhecido como Rota para Lorient, pela sua localização. Porém, durante vários anos, houve quem sugerisse uma mudança, incluindo naming rights ou homenagens a grandes ídolos da história do clube. Finalmente, em 2015, o presidente René Ruello realizou um referendo, que aprovou a mudança do nome para Parque Roazhon com 70% dos votos. Roazhon, para entendermos, significa Rennes em bretão, que é a linguagem local.

  • Saint-Étienne

Estádio Geoffroy-Guichard – inaugurado em 1931 – capacidade para 41.965 pessoas

Conhecido como “Caldeirão Verde”, o Geoffroy-Guichard vem sendo casa do Saint-Étienne desde sua profissionalização | Foto: Divulgação/ASSE

Conhecido como “Caldeirão Verde”, o Geoffroy-Guichard vem sendo casa do Saint-Étienne desde sua profissionalização | Foto: Divulgação/ASSE

O caldeirão verde do Saint-Étienne foi construído nos anos 30 e recebeu o nome do empresário Geoffroy Guichard. Ele foi um dos fundadores de clube e o terreno onde o estádio foi construído era de propriedade de uma de suas empresas. O estádio Geoffrey-Guichard acompanhou o ASSE durante todo o seu percurso profissional, a partir de 1933.

  • Toulouse

Estádio de Toulouse – inaugurado em 1937 – capacidade para 33.150 pessoas

Bom, a origem do estádio do TFC não tem muito segredo, até por ser um estádio que leva o nome da cidade onde está localizado. Conhecido como “pequeno Wembley”, o local era a casa do primeiro Toulouse FC entre 1937 e 1967 e depois do atual Toulouse (que apesar do mesmo nome e cidade, curiosamente, não tem relação alguma com o clube anterior), a partir de 1970.

Depay e Sanson: os grandes negócios da janela francesa

O período de abertura da janela de transferências de inverno vai seguindo para as semanas finais, mas, na França, pelo menos nesta semana, não foi para Paris que se direcionaram os grandes negócios no Campeonato Francês. A dupla de Olympiques – Lyonnais e Marseille – acertou as contratações de Memphis Depay e Morgan Sanson, respectivamente, e movimentaram os últimos dias na Ligue 1.

Das duas, a negociação que mais chamou a atenção foi a de Depay, de 22 anos, que está no Manchester United. A transferência ainda não é oficial, mas está quase lá. O Lyon, inclusive, publicou foto do holandês chegando na França para finalizar os últimos termos do contrato. Especula-se entre os órgãos de imprensa franceses e ingleses que o OL pagará € 16,5 milhões, mais € 8 milhões de bônus, caso atinja alguns objetivos.

Depay já está na França para acertar os últimos detalhes da transferência | Foto: Divulgação/Lyon

Depay já está na França para acertar os últimos detalhes da transferência | Foto: Divulgação/Lyon

Valorizado após a Copa do Mundo de 2014, Depay não correspondeu às expectativas em duas temporadas e meia em Manchester e em 56 jogos pelo clube, anotou apenas sete gols e deu sete assistências.

Nesta temporada, com José Mourinho no comando, os números são piores e o holandês atuou em apenas 134 minutos, distribuídos em míseros oito jogos. São estatísticas que contrastam bastante com os 50 gols e 29 assistências nos tempos de PSV Eindhoven, na Holanda.

Na França, Depay tem tudo para dar certo na ponta esquerda do Lyon. Talento tem de sobra e pode acrescentar com um jogo mais agressivo pelas laterais. Uma das ideias, evidentemente, é fazer com que o OL, time que tem a maior média de chutes por jogo da Ligue 1 e é o terceiro melhor ataque da temporada, consiga explorar ainda mais este recurso.

Entretanto, dois fatores preocupam. O primeiro deles é o ritmo de jogo. Como citei acima, Depay foi pouco aproveitado por Mourinho e, em função disso, está inativo desde o dia 24 de novembro do último ano, quando atuou por apenas oito minutos contra o Feyenoord, pela Liga Europa. Importante ressaltar que o máximo de minutos que o holandês teve em uma partida nesta temporada foi 55, contra o Northampton Town, pela Copa da Liga.

Nem mesmo a lendária camisa 7 fez com que Depay ganhasse minutos nesta temporada pelo United | Foto: Facebook/Memphis Depay

Nem mesmo a lendária camisa 7 fez com que Depay ganhasse minutos nesta temporada pelo United | Foto: Facebook/Memphis Depay

O outro fator seria uma possível decepção pelas cifras envolvidas. Ao pagar a bagatela de mais de € 16 milhões, o Lyon transmite um recado bem claro a Depay: “queremos você jogando e sendo decisivo”.

O próprio OL tem um trauma com altos investimentos que deram errado, vide os casos de Yoann Gourcuff (€ 22 milhões), Kader Keitä (€ 16,8 milhões) e Aly Cissokho (€ 16,2 milhões), contratados a peso de ouro, mas que deixaram o clube pela porta dos fundos. Uma nova decepção em um investimento caro seria um duro golpe na autoestima de um clube que busca, a sua maneira, competir com os milionários PSG e Monaco.

Além disso, vale ressaltar que a Ligue 1 tem sido terreno fértil para clubes de outros ligas deitarem e rolarem, gastando pouco e tendo um retorno muito maior, tanto dentro de campo, quanto financeiramente. Alguns exemplos são Dimitri Payet, contratado pelo West Ham junto ao Marseille por € 15 milhões, e N’Golo Kanté, trazido do Caen pelo Leicester City por € 9 milhões, valores que são relativamente pequenos para clubes ingleses.

Alguns torcedores, desconfiados com a contratação de Depay, se perguntam: não seria melhor garimpar algum talento na França por um valor menor? Só o tempo para responder.

Na Inglaterra, o holandês não repetiu dos bons números que obteve no futebol holandês | Arte: Europa Football

Na Inglaterra, o holandês não repetiu dos bons números que obteve no futebol holandês | Arte: Europa Football

A negociação que já é oficial, entretanto, envolve o meio-campista Morgan Sanson, de 22 anos. Ele foi contratado pelo Marseille, junto ao Montpellier, pelo valor de € 9 milhões, com € 3 milhões de bônus.

O OM adquiriu um meio-campista completo. Sanson pode fazer a função defensiva e ofensiva e deve contribuir de várias maneiras ao time comandado por Rudi Garcia. É um jogador de muita técnica, boa distribuição de jogo e que possui, principalmente, boa decisão de jogadas e sabe o que fazer na hora de articular uma situação de gol.

Sanson vestirá a camisa 8 no OM | Foto: Allan Chaussard/OM

Sanson vestirá a camisa 8 no OM | Foto: Allan Chaussard/OM

Na atual temporada, Sanson era um dos poucos que vinha se salvando na péssima temporada do Montpellier, tendo marcado três gols e distribuído sete assistências. Já não é de hoje que vinha fazendo boas exibições no MHSC e foi premiado agora com essa transferência.

O grande impasse sobre Sanson é sobre a concentração mesmo. O Marseille já trouxe a pouco tempo outras revelações do futebol francês, como Florian Thauvin e Remy Cabella, mas ambos não conseguiram ainda repetir as atuações que os projetaram até a Premier League, por exemplo. Certamente há um temor em Garcia e em toda a direção que um novo garoto problema surja. O histórico de Sanson não aponta isso, mas o ambiente turbulento do OM é propício para pressões extremas, “criando” novos flops. À primeira vista, é um grande negócio do OM.

Sanson era um dos destaques do frágil Montpellier | Arte: Europa Football

Sanson era um dos destaques do frágil Montpellier | Arte: Europa Football

Com o passar das semanas, a tendência é que o mercado fique mesmo mais agitado. Quem ainda almeja algo na temporada, certamente vai mexer os pauzinhos para trazer novos reforços e cumprir com as metas. Alguns ainda vão tentar se estabelecer com o que tem e segurar as suas peças. A única certeza é que o mercado francês já está tendo suas movimentações de impacto.

Le Podcast du Foot #46

Foto: PSG.fr - De peixinho, Matuidi deu a vitória ao PSG

Foto: PSG.fr – De peixinho, Matuidi deu a vitória ao PSG

O Paris Saint-Germain é cada vez mais líder no Campeonato Francês. Com o triunfo sobre o Ajaccio na Córsega e os tropeços de Monaco e Lille diante de Montpellier e Stade de Reims (respectivamente), o time da capital abriu cinco pontos na ponta da Ligue 1.

>> Confira a classificação após a 20ª rodada;

Um dos grandes nomes da rodada foi o sueco Zlatan Ibrahimović, que no triunfo parisiense por 2-1, deu passe pros dois gols do PSG. Também estiveram em evidência na França os atletas que estrearam em seus novos clubes, como M’Baye Niang, reforço do Montpellier (e que marcou um gol), e Djibrill Cissé, que chegou prometendo gols ao Bastia.

Com tudo da 20ª rodada, Eduardo Madeira apresenta mais um Le Podcast du Foot. Nesta semana, a edição #46. Os comentários ficaram a cargo de Flávio Botelho e Vinícius Ramos. Ouça o programa abaixo:

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Os 20 melhores jogos de 2013 na França

O surpreendente Epinal foi um dos personagens de 2013

O surpreendente Epinal foi um dos personagens de 2013

O ano de 2013 chegou ao final e o Europa Football preparou um apanhado especial com os 20 jogos mais marcantes do ano na França. A lista inicialmente seria de sete jogos, mas se estendeu a duas dezenas de partidas.

Para a formação da tabela de jogos, foram selecionadas partidas realizadas pelo Campeonato Francês da 1ª, 2ª e 3ª divisão, além de jogos da Copa da França e da Copa da Liga.

A lista foi elaborada de forma cronológica para que não haja discussões do tipo: “como o jogo A ficou na frente do jogo B?”.

Sem mais delongas, confira os 20 jogos marcantes de 2013 na França:

2012/2013

6 de janeiro – Epinal (4) 3-3 (2) Lyon – Copa da França (32 avos de final)

O Lyon começou 2013 com um tropeço monumental na Copa da França. Enfrentando o modesto Epinal, da terceira divisão, logo em sua estreia na competição, o time comandado por Rémi Garde sofreu uma vergonhosa derrota nos pênaltis. Depois de sair com 2-0 contra em 15 minutos, o OL virou na metade da etapa final, mas sofreu o terceiro gol, foi para a prorrogação e, posteriormente, disputa de pênaltis. Nos tiros da marca fatal, brilhou a estrela do goleiro Olivier Robin, um dos grandes heróis da classificação do Epinal. A aventura do time da terceira divisão parou nas oitavas-de-final, quando o RC Lens o eliminou com um triunfo por 2-0.

1 de fevereiro – Guingamp 4-3 Niort – Campeonato Francês/Segunda Divisão (23ª rodada)

Brigando pelo acesso à elite do futebol francês, o Guingamp deu enorme demonstração de força na 23ª rodada da Ligue 2. Enfrentando o ameaçado Niort, então 16º colocado, o EAG precisou de um milagre para vencer. Após sofrer o empate em 3-3 aos 31 minutos do 2º tempo, o Guingamp buscou a vitória no nono minuto de acréscimo! O gol foi do artilheiro Mustapha Yatabaré.

1 de fevereiro – Laval 4-5 Auxerre – Campeonato Francês/Segunda Divisão (23ª rodada)

No mesmo dia do maluco 4-3 entre Guingamp x Niort, outro jogo agitado marcou a 23ª rodada da segundona francesa. O Laval, que lutava contra o descenso, ia trazendo o Auxerre para esta briga ao abrir 2-0 com 40 minutos de jogo. Porém, antes do intervalo, o AJA buscou o empate com dois gols da joia Yaya Sanogo. Quando o relógio marcava 20 minutos do 2º tempo, mais reviravoltas e o marcador apontava 4-4, sendo que Sanogo havia anotado os dois gols do Auxerre. O placar só foi definido aos 43 minutos, quando Christopher Jullien fez o gol da vitória do AJA, 5-4.

11 de fevereiro – Angers 3-2 Lens – Campeonato Francês/Segunda Divisão (24ª rodada)

Na rodada seguinte da segunda divisão da França, virada heroica do Angers diante do Lens. Perdendo em casa por 2-1, o time mandante se viu em situação delicada quando Fabien Boyer foi expulso aos 40 minutos da etapa final. Porém, El Jadeyaoui, aos 45’, e Ayaru, aos 50’, viraram para o Angers e fecharam a partida em 3-2.

29 de março – Chateauroux 2-3 Angers – Campeonato Francês/Segunda Divisão (30ª rodada)

O Angers voltou promover virada heroica no dia 29 de março, em partida válida pela 30ª rodada da Ligue 2. Após abrir o placar com menos de 20 minutos diante do Chateauroux, o Angers vacilou entre os 30 e 32 minutos da etapa final, sofrendo a virada. Porém, aos 47 minutos e aos 49, Ravet e Fall marcaram, respectivamente, e deram a vitória aos visitantes.

6 de abril – Toulouse 3-4 Nice – Campeonato Francês (31ª rodada)

Contra o Toulouse, Anin marcou o último gol antes do acidente de carro

Contra o Toulouse, Anin marcou o último gol antes do acidente de carro

Para muitos, Toulouse 3-4 Nice será marcado pela bizarrice. Ali Ahamada e David Ospina, goleiros dos dois times, falharam na maioria dos gols. O arqueiro do Toulouse, inclusive, foi expulso no segundo tempo. O jovem Bosetti também foi excluído da partida por tentar dar um carrinho voador em M’Bengue. Mas o que marcou foi o autor do gol da vitória do Nice: Kevin Anin. O volante fez seu último gol antes do grave acidente de carro que sofreu meses depois e que lhe tirou dos gramados, muito provavelmente, de forma definitiva.

13 de abril – Fréjus St-Raphaël 2-2 Epinal – Campeonato Francês/Terceira Divisão (32ª rodada)

O modesto Epinal volta a nossa lista com a busca de um empate heroico na terceira divisão francesa. Perdendo por 2-0 pro Fréjus St-Raphaël e jogando com 10 desde os 25 minutos da etapa final, quando Dembele foi expulso, o pequenino time que havia derrotado o Lyon na Copa da França arrancou um pontinho nos minutos finais da partida. Rother, aos 40’, e Chouleur de pênalti, aos 45’, foram os responsáveis pelo empate.

17 de abril – Évian (4) 1-1 (1) PSG – Copa da França (quartas-de-final)

Após empate por um gol no tempo regulamentar e na prorrogação, o milionário Paris Saint-Germain sucumbiu ao valente Évian na disputa por pênaltis das quartas-de-final da Copa da França. Com Ibrahimović parando no goleiro Laquait e Thiago Silva acertando o travessão, o time da capital saiu de campo eliminado da competição. O triunfo foi o gás que o time de Annecy necessitava para chegar até a final da competição.

20 de abril – Saint-Étienne 1-0 Rennes – Copa da Liga (Final)

Dois times na fila chegaram à decisão da Copa da Liga Francesa: o Saint-Étienne, que não vencia nada desde 1981, e o Stade Rennais, que não ergueu troféu algum desde 1971. Por fim, venceu o time mais tradicional e que estava há menos tempo na fila. O ASSE fez 1-0 com o artilheiro Brandão, marcando na decisão pelo segundo ano seguido (no ano anterior havia marcado pelo Marseille). O título também foi a consagração de Pierre-Emerick Aubameyang, astro do time, e de Christophe Galtier, técnico do time e mentor deste longo e ótimo trabalho.

24 de maio – Red Star 2-1 Fréjus St. Raphaël – Campeonato Francês/Terceira Divisão (38ª rodada)

Um dos jogos mais simbólicos da temporada na 3ª divisão francesa foi justamente na última rodada. No Stade Bauer, na capital do país, o Red Star, 15º colocado, enfrentava o Fréjus St. Raphaël, 3º colocado. Para resumir: estavam frente-a-frente um time que estava caindo de divisão e outro que estava subindo. Com dois gols de Jean-Jacques Mandrichi, o Red Star venceu de virada e evitou o rebaixamento (o Bourg-Péronnas perdeu pro Carquefou e foi ultrapassado pelos parisienses). De quebra, o tropeço fez com que o Fréjus St. Raphaël fosse deixado para trás pelo CA Bastia, que venceu o Créteil Lusitanos, e ficasse sem o acesso.

31 de maio – Évian 2-3 Bordeaux – Copa da França (Final)

Durante toda temporada 2012/13, tanto Évian quanto Bordeaux não acreditavam que pudessem conquistar algum título. O time de Annecy se preocupava mais em permanecer na elite francesa, enquanto a equipe da terra dos vinhos fazia campanha mediana na Ligue 1. No último dia de maio, entretanto, os dois times estavam com seus fãs no Stade de France decidindo a Copa da França. Em uma partida pra lá de animada, os Girondins venceram por 3-2 e levaram o troféu para a casa. O grande nome da partida foi o centroavante Cheick Diabaté, autor de dois gols e que também perdeu um pênalti. A conquista foi justa, mas muitos sentiram pena do simpático Évian, que fez por merecer chegar à decisão e vendeu caro a derrota.

2013/2014

6 de outubro – Montpellier 5-1 Lyon – Campeonato Francês (9ª rodada)

Durante as últimas temporadas, temos apertado na tecla (tanto no blog quanto no podcast) que o Lyon está em um patamar abaixo dos times de ponta da França, apesar de ainda esboçar alguns brilharecos. Porém, logo na 9ª rodada do Campeonato Francês da atual temporada, o OL sofreu uma derrota simbólica e que demonstrou o novo momento do clube. Enfrentando o Montpellier, que ainda não havia vencido na temporada, o Lyon foi destruído com uma humilhante derrota por 5-1. O nome do jogo foi Rémy Cabella, autor de dois gols e dois passes para gols.

6 de outubro – Olympique de Marseille 1-2 Paris Saint-Germain (9ª rodada)

O primeiro “Le Classique” da atual temporada foi muito nervoso, só para variar. Mas quem colaborou (e muito) para que o jogo fosse tenso foi a arbitragem comandada por Clément Turpin. Thiago Motta cometeu pênalti em Mathieu Valbuena aos 30 minutos da etapa inicial e, de forma absurda, foi expulso. O lance gerou a revolta de todos no PSG, ainda mais porque André Ayew converteu a cobrança. Com Maxwell e Ibrahimović, o clube da capital virou e saiu do Vélodrome com os três pontos. Vale destacar também a participação do jovem Adrien Rabiot, que entrou para ocupar a lacuna deixada após a expulsão, não sentiu a pressão e jogou bem.

27 de outubro – Saint-Étienne 2-2 Paris Saint-Germain – Campeonato Francês (11ª rodada)

Lemoine foi expulso após receber cotovelada

Lemoine foi expulso após receber cotovelada

Duas rodadas depois, a arbitragem voltou a aparecer em um jogo do PSG, desta vez, ajudando o clube da capital. Perdendo pro Saint-Étienne no Geoffrey-Guichard por 2-0 e sendo completamente dominado pelos Vérts, os parisienses foram beneficiados pelo árbitro Ruddy Buquet, que expulsou Fabien Lemoine. O volante do ASSE disputava bola com Ezequiel Lavezzi e, durante o “puxa-puxa”, recebeu uma cotovelada. Com o rosto ensanguentado, viu o cartão vermelho. O Saint-Étienne sentiu o baque e cedeu o empate nos acréscimos.

3 de novembro – Lille 2-0 Monaco – Campeonato Francês (12ª rodada)

Fazendo campanha surpreendente no Campeonato Francês, o Lille, de René Girard, iria testar forças contra o milionário Monaco na 12ª rodada da competição. Em tarde inspirada do centroavante Nolan Roux, os Dogues mostraram que não estavam para brincadeira, venceram por 2-0 com dois gols do atacante e provocaram a primeira derrota dos monegascos na Ligue 1.

10 de novembro – Saint-Étienne 1-2 Lyon – Campeonato Francês (13ª rodada)

Se a situação do Lyon não é nada boa na questão de títulos, o contrário é dito quando os torcedores lembram o derby contra o Saint-Étienne. O OL engordou a lista de jogos invictos no Geoffrey-Guichard alimentada desde 1994 com mais um triunfo nesta temporada. O gol da vitória dos visitantes (que mais parecem mandantes) veio nos acréscimos, com um gol de cabeça de Jimmy Briand. Porém, não foi apenas isso que marcou a partida. Sem poder levar torcedores para o jogo, o elenco do Lyon ficou com sangue nos olhos durante a partida e até mesmo o veterano Joël Bats (aquele da Copa de 86 e do pênalti de Zico) provocou a torcida adversária, provocando uma confusão que poderia ter trazido maiores problemas para a realização da peleja.

22 de novembro – Fréjus St. Raphaël 2-3 Bourg-Péronnas – Campeonato Francês/Terceira Divisão (13ª rodada)

Acredito que muita gente nunca tenha ouvido falar do Fréjus St. Raphaël. Mas, a partir deste post, vai conhecê-lo como “time da virada”, porém, não no sentido criado no Brasil. Já nesta temporada, o Fréjus viu o triunfo diante do Bourg-Péronnas desandar nos minutos finais. Vencendo por 2-1 no Stade Eugène-Pourcin, os ventos começaram a mudar quando o senegalês Matar Fall foi expulso aos 43 minutos da etapa final. Como tragédia pouca é bobagem, aos 46’, Jordan Gaubey, e aos 47’, Lakdar Boussaha, viraram o jogo. Desde então, o Fréjus não venceu mais e despencou da 4ª colocação para a 8ª na 3ª divisão do país.

1 de dezembro – Paris Saint-Germain 4-0 Lyon – Campeonato Francês (15ª rodada)

O Lyon voltou a receber um choque de realidade ao encarar o PSG em Paris. Inoperante no Parc des Princes, o OL saiu da capital humilhado e com um 4-0 na bagagem. O sueco Zlatan Ibrahimović marcou duas vezes de pênalti, sendo a primeira cobrança no estilo Panenka.

15 de dezembro – Lyon 2-2 Olympique de Marseille – Campeonato Francês (18ª rodada)

Lyon e Marseille podem não estar em seus melhores dias, mas sempre é garantia de bom jogo quando se enfrentam (recentemente tivemos um 5-5, por exemplo). Este ano foi a vez das duas equipes nos presentearem com um bem jogado 2-2 no Stade Gerland. Os mandantes abriram 2-0 com Lacazette e Gomis, e tiveram chances de alargar a vantagem, mas as desperdiçaram e pagaram um preço caro: o empate. Gignac e Thauvin marcaram em falhas do goleiro Remy Vercoutre e levaram um ponto para a casa.

22 de dezembro – Paris Saint-Germain 2-2 Lille – Campeonato Francês (19ª rodada)

Mavuba marcou no último jogo do ano na Ligue 1

Mavuba marcou no último jogo do ano na Ligue 1

O ano de 2013 (e nossa lista) não poderia ser encerrado da melhor maneira possível. PSG e Lille protagonizaram um dos melhores jogos do ano na França, e com uma surpresa: o time do norte não se assustou com o adversário milionário e jogou de igual pra igual, mesmo atuando fora de casa. A partida acabou 2-2, mas poderia ter acabado com vitória lillois, time que criou as melhores chances na etapa final. O jogo também ficou marcado pelo entrevero entre Ibrahimović e Rio Mavuba. Os dois se agrediram e receberam apenas o cartão amarelo (minutos depois, Mavuba marcou para o Lille).

Le Podcast du Foot #45 – Balanço do turno

Mavuba foi um dos personagens da última rodada da Ligue 1

Mavuba foi um dos personagens da última rodada da Ligue 1

O primeiro turno do Campeonato Francês foi encerrado no último domingo. Para também fechar o ano da melhor maneira possível, Le Podcast du Foot é reproduzido mais uma vez para trazer tudo que aconteceu no primeiro turno.

>> Confira a classificação do Campeonato Francês;

Nesta edição, Eduardo Madeira apresentou, e teve a companhia dos comentaristas Eduardo Ramos de Medeiros e Flávio Botelho. Com eles, você saberá de tudo que aconteceu no turno inicial da Ligue 1.

O trio responsável pela apresentação da 45ª edição do podcast também participou da votação da seleção do primeiro turno feita pela equipe do programa. Confira abaixo os escolhidos e, em seguida, escute o material preparado:

Seleção do turno

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Imagens: Reprodução e Football User

 

Baup tirou o máximo do mínimo e o mínimo do máximo

Baup será substituído interinamente por José Anigo

Baup será substituído interinamente por José Anigo

Temperamento frio, poucas palavras e gestos tímidos dentro de campo. Esse é Élie Baup, que assumiu o Marseille no meio de 2012 com o objetivo de renovar o elenco esfacelado deixado por Didier Deschamps e ainda fazer frente ao milionário rival Paris Saint-Germain. Na última sexta-feira, ele foi demitido após derrota diante do Nantes e pode dizer que não cumpriu o objetivo traçado no dia que chegou. O diretor de esporte José Anigo assumirá em seu lugar.

Qualquer treinador poderia elencar vários motivos para este fracasso, começando com a desigualdade financeira. O Marseille não só não tem cacife para fazer frente à PSG e Monaco, como ainda enfrenta o drama de reformar o estádio Vélodrome, visando a Euro 2016, o que lima parte das finanças (problema que clubes como Bordeaux, Lyon e Lille também sofrem).

Se quisesse, também poderia culpar a escassez do elenco, outro motivo que lhe impediria bater de frente com os milionários rivais. Mas seria justamente ai que Baup começaria a perder a razão (sempre levando em conta que essas reclamações não passam de suposições).

Na primeira temporada no comando do Marseille, foi investido cerca de 8 milhões de euros em contratações e ficou, aos trancos e barrancos, com o 2º lugar da Ligue 1. Dos 38 jogos em solo nacional, o OM venceu 21 partidas, 12 por 1-0 e outros seis por um gol de diferença. E isso tudo com elenco escasso e cheio de jovens, já que Baup utilizou 25 jogadores na temporada, sendo que despachara uma série de atletas úteis (como Brandão, M’Bia, Azpilicueta, Diarra, Kaboré e Remy) durante a temporada.

Para esta temporada, tudo foi diferente. O Marseille investiu quase 43 milhões de euros em contratações, incluindo atletas de muito potencial como Dimitri Payet, Giannelli Imbula e o badalado Florian Thauvin. Além disso, ninguém de grande relevância deixou o clube, tornando o sonho do título palpável.

Porém, com 17 rodadas, o OM tem desempenho decepcionante e ocupa apenas a 5ª colocação com 27 pontos, 13 atrás do líder PSG e oito atrás do Monaco, primeiro time no G-3 da Ligue 1. Na temporada anterior, com as mesmas 17 partidas disputadas, o Marseille tinha 32 pontos, era o 3º colocado e estava só três pontos atrás do então líder Lyon.

Curiosamente, o OM tinha 22 gols marcados no ano passado e 23 agora. Evolução irrisória para um time que se reforçou com muitos atletas para o ataque.

Baup - Tabela

Burocrático

Muitos chamavam Baup de “treinador burocrático” pelos inúmeros placares magros. Eu considerava injusta essa marcação simplesmente por ele ter um elenco pobre em mãos, mas hoje reconheço que esse termo possui lógica quando colocada ao citado treinador. É inadmissível que um técnico que tenha a disposição Gignac, Valbuena, André Ayew, Payet, Thauvin e outros, faça o time marcar míseros 23 gols em 17 jogos.

Baup não mostrou ter grandes ideias táticas para o Marseille. Foi do 4-2-3-1 do início ao fim de sua passagem pelo Vélodrome, dando algumas passadinhas pelo 4-3-3, mas pouco diferenciando do esquema habitual.

O treinador também foi teimoso em muitos jogos ao manter Gignac no banco e insistir com o displicente Jordan Ayew, que está muito abaixo do irmão André, por exemplo.

A demissão de Baup é justificada. Ele até tem motivos para elaborar explicações contra, mas os motivos favoráveis pesam mais. O treinador, de forma curiosa, conseguiu levar o Marseille a um lugar que nunca chegaria com o elenco escasso que tinha em 2013, mas não saiu do “lugar comum” quando contava com atletas de ótimo nível.

O Marseille precisa de alguém que consiga extrair o máximo do bom elenco que tem. Alguém que não seja teimoso e traga ideias novas e capazes de igualar com os milionários clubes do país. Resumindo: o Marseille precisa de alguém que não seja Élie Baup.

Bola de segurança

Courbis volta ao Montpellier para ser o salvador do time

Courbis volta ao Montpellier para ser o salvador do time

A “dança das cadeiras” rolou solta na França na última semana. Outra mudança foi no Montpellier: Jean Fernandez não resistiu ao sétimo jogo seguido sem vitória (14º no campeonato) e foi demitido. Neste sábado, Rolland Courbis foi anunciado como substituto de Fernandez.

Courbis tem enorme experiência na França e atua como técnico desde a metade dos anos 80 (colecionando diversas polêmicas judiciais). As principais passagens da carreira foram nos anos 90, quando levou Bordeaux, Toulouse e Marseille as cinco primeiras colocações do Campeonato Francês.

Neste século passou a figurar em times de rabeira e segunda divisão. Entre 2007 e 2009 trabalhou no Montpellier. Quando chegou, evitou o rebaixamento do time a terceira divisão e, dois anos depois, colocou o clube na elite do futebol francês, dando, então, lugar a René Girard, que viria a ser o técnico mais importante da história do MHSC.

Desde então, Courbis teve passagens obscuras pelo Sion, da Suíça, e USM Alger, da Argélia.

Mesmo em baixa na carreira, a aposta do presidente Louis Nicollin é na bola de segurança. Em 17º lugar com 15 pontos, o momento do Montpellier é delicadíssimo. A ala radical da torcida cobrava insistentemente a demissão de Fernandez, alguns até pediam a renúncia de Nicollin. Os jogos no Stade de la Mosson estão cada vez mais vazios. A torcida está em clima de guerra com o elenco e a diretoria, principalmente porque o presidente não mede palavras na hora de criticar a torcida quando pensa ser conveniente.

Entre torcida e Nicollin, um lado precisava ceder nesse intenso cabo-de-guerra. Quem cedeu foi a presidência. A chegada de Courbis é a forma que Nicollin encontrou para tentar trazer os torcedores de volta para seu lado, mesmo contando com um treinador na curva descendente da carreira. A aposta é arriscada, mas tem boas chances de dar certo, vide o fato do Montpellier não ter um time ruim.
 
*Crédito das imagens: Frédéric Speich (Baup) e Franck Valentin (Courbis)