Le Podcast du Foot #87 | Balanço da janela

A janela de transferências do Campeonato Francês teve seus altos e baixos. De perdas importantes, como Mariano Diaz, que deixou o Lyon e voltou ao Real Madrid, a contratações de impacto, como Kevin Strootman, que reforça o Marseille, e até aquelas negociações para reviver velhos nomes, como Ben Arfa e Paulo Henrique Ganso, que vestirão as camisas de Rennes e Amiens, respectivamente.

Mas, afinal, quem contratou bem? Qual time perdeu jogadores mais importantes? E quem saiu ileso aos assédios de clubes rivais? O balanço das principais negociações esteve em pauta na edição #87 de Le Podcast du Foot.

O jornalista Eduardo Madeira conduziu o programa ao lado do jornalista Flávio Botelho e do colaborador do Footure, Renato Gomes. Ouça abaixo e assine o feed no iTunes e no Google Podcasts:

As maiores transferências da história da Ligue 1 – antes dos times milionários

A cada abertura de janela de transferências, há um frisson na Europa sobre qual será a grande investida do Paris Saint-Germain. Fortemente abastecido financeiramente pela Qatar Sports Investiments, o clube da capital francesa já foi capaz de realizar ousadas contratações como as de Edinson Cavani (€ 64 milhões), Ángel Dí Maria (€ 63 milhões) e David Luiz (€ 50 milhões), todos frutos desta ambição parisiense.

Dá para englobar nessa lista ainda o Monaco, do bilionário russo Dmitri Rybolovlev, que investiu € 60 milhões em Falcao García e € 45 milhões em James Rodríguez. Claro, ressalte-se, que ele diminuiu drasticamente os investimentos após algumas polêmicas pessoais.

Mas muitos ainda se perguntam: afinal, antes das injeções de dinheiro em Paris e em Monaco, quais eram as maiores negociações da história do Campeonato Francês? Para sanar essa dúvida, decidi trazer hoje o levantamento das cinco maiores transferências do Francesão… antes dos investimentos milionários de PSG e Monaco. Os dados foram todos extraídos do site Transfermarkt. Confira!

5º – Sonny Anderson – Lyon – € 19 milhões

Sonny Anderson se notabilizou como um dos brasileiros mais bem sucedidos do futebol francês | Foto: Divulgação

Sonny Anderson se notabilizou como um dos brasileiros mais bem sucedidos do futebol francês | Foto: Divulgação

Sem larga carreira no Brasil, Sonny Anderson teve bom desempenho no exterior, especialmente na França. Nos anos 90, fez boas temporadas em Marseille e Monaco, antes de passar dois anos no Barcelona. O nome que construiu em terras gaulesas fez com que o Lyon, já iniciando a era hegemônica do começo da última década, investisse € 19 milhões no brasileiro em 1999/2000. O investimento não se mostrou ruim e Anderson balançou as redes 94 vezes em 165 partidas e ainda participou dos dois primeiros títulos franceses da série de sete do clube. Deixou a equipe em 2003, aos 33 anos, para jogar pelo Villarreal.

No ranking geral, Sonny Anderson é o 24º.

4º – Shabani Nonda – Monaco – € 20 milhões

Nonda fechou a conta no histórico 3x1 sobre o Chelsea | Foto: Panoramic

Nonda fechou a conta no histórico 3×1 sobre o Chelsea | Foto: Panoramic

Depois de duas belas temporadas no Rennes, o congolês Shabani Nonda foi contratado pelo Monaco por € 20 milhões na temporada 2000/2001. Na época, ele veio para suprir a ausência de David Trezeguet, vendido para a Juventus naquele mesmo ano. O ápice do atacante foi em 2002/2003, ano em que o clube do Principado foi vice-campeão europeu. Nonda fez 28 gols em 40 jogos na temporada, inclusive o terceiro na vitória por 3×1 sobre o Chelsea, que colocou o ASM na final da Liga dos Campeões. Deixou o clube ao término da temporada 2004/2005, quando encerrou o contrato, com a sensação de que cumpriu bem o seu papel.

Shabani Nonda é o 23º no nosso ranking.

3º – Yoann Gourcuff – Lyon – € 22 milhões

Gourcuff não venceu as lesões e fracassou no Lyon | Foto: IconSport

Gourcuff não venceu as lesões e fracassou no Lyon | Foto: IconSport

Yoann Gourcuff era um dos pilares do Bordeaux campeão francês de Laurent Blanc, razão que fez com que o Lyon investisse € 22 milhões em sua contratação na temporada 2010/2011. Entre altos e baixos, a vinda do talentoso meia se mostrou um completo fracasso. Tentando vencer as lesões, Gourcuff não conseguiu entrar em campo 30 vezes em três das cinco temporadas no Gerland. Em 30 de junho de 2015, o contrato venceu e o Lyon não renovou.

No nosso ranking, Gourcuff está em 19º lugar.

2º – Lisandro López – Lyon – € 24 milhões

Bons números e a interminável disposição em campo fizeram com que Lisandro conquistasse a torcida do Lyon | Foto: Flash Press

Bons números e a interminável disposição em campo fizeram com que Lisandro conquistasse a torcida do Lyon | Foto: Flash Press

Jogador do ano em Portugal em 2008, onde também foi artilheiro do campeonato nacional com 24 gols, o argentino Lisandro López parou em Lyon por € 24 milhões em 2009. Maior contratação da história do Olympique Lyonnais, Licha, como passou a ser carinhosamente chamado pela torcida, fez valer todo o investimento – diferentemente de Gourcuff. Durante cinco temporadas (quatro completas), fez 82 gols em 168 jogos, sendo o 10º maior artilheiro da história do clube. Deixou o OL na temporada 2013/2014 ovacionado pelo torcedor, que reconheceu o ídolo que foi formado.

No ranking geral, Lisandro está em 18º.

1º – Nicolas Anelka – PSG – € 34,5 milhões

A contratação de Anelka foi um dos atos megalomaníacos de grandeza do PSG antes de se tornar milionário | Foto: Divulgação

A contratação de Anelka foi um dos atos megalomaníacos de grandeza do PSG antes de se tornar milionário | Foto: Divulgação

Revelado pelo Paris Saint-Germain em 1996, Nicolas Anelka retornou a capital francesa quatro anos depois em uma transferência que assombrou a Europa. Com o investimento € 34,5 milhões, o PSG firmou com o atacante, que estava no Real Madrid, um contrato de sete anos em um negócio recorde para o ano 2000. O retorno se mostrou um grande problema. Com dificuldades de relacionamento, Anelka durou somente duas temporadas no clube, com 20 gols em 66 jogos. Em 2002/2003, foi negociado com o Manchester City, por € 20 milhões.

No ranking geral, a negociação envolvendo Anelka e PSG ocupa a 10ª colocação no ranking geral do Campeonato Francês.

Quem completa o top-10?

Jogador Clube Valor Temporada
Lucho Gonzalez Marseille € 19 milhões 2009/2010
Michel Bastos Lyon € 18 milhões 2009/2010
Kader Keita Lyon € 16,8 milhões 2007/2008
Aly Cissokho Lyon € 16,2 milhões 2009/2010
André-Pierre Gignac Marseille € 16 milhões 2010/2011


E na lista geral?

Jogadores Clubes Valores Temporada
Edinson Cavani PSG € 64,5 milhões 2013/2014
Ángel Dí Maria PSG € 63 milhões 2015/2016
David Luiz PSG € 49,5 milhões 2014/2015
James Rodríguez Monaco € 45 milhões 2013/2014
Falcao Monaco € 43 milhões 2013/2014
Thiago Silva PSG € 42 milhões 2012/2013
Javier Pastore PSG € 42 milhões 2011/2012
Julian Draxler PSG € 40 milhões 2016/2017
Lucas PSG € 40 milhões 2012/2013
Nicolas Anelka PSG € 34,5 milhões 2000/2001

Top-5 vendas:

Jogador Clubes envolvidos Valores
James Rodríguez do Monaco para o Real Madrid € 75 milhões
Anthony Martial do Monaco para o Manchester United € 50 milhões
Michy Batshuayi do Marseille para o Chelsea € 39 milhões
Didier Drogba do Marseille para o Chelsea € 38,5 milhões
Michael Essien do Lyon para o Chelsea € 38 milhões

Muita calma nessa hora

Com Leonardo como dirigente e com o dinheiro da Qatar Sports Investments, o PSG visa os títulos

Quando um time é comprado por algum milionário das arábias ou por um magnata russo, a grande intenção desse maluco, além de salvar o clube das dívidas, é levar esse mesmo clube a glória. Para conseguir isso, esse cidadão endinheirado tentará levar de todas as formas para o seu clube os jogadores de maior renome internacional. A maioria consegue trazer esses jogadores, mas nem sempre conquista a glória imediata.

O Paris Saint-Germain, por exemplo, foi comprado pela Qatar Sports Investments e gastou mais de 85 milhões de euros em contratações na última janela de transferências. Dinheiro esse que seria capaz de montar uma dúzia de bons times de meio de tabela da Ligue 1. Imagina esse dinheiro todo em um time só? Coisa de louco!

Mas aí que vem a grande questão: será certo exigir títulos e mais títulos logo nessa primeira temporada como “rico” do PSG?

Penso eu que não… mas há dois pontos de vista.

O ponto de vista que não bate com o meu é até meio simplório: gastou demais, ou seja, tem obrigação de fazer esse investimento valer à pena conquistando títulos.

É uma análise simples, porém coerente. Difícil imaginar que um clube vá ao mercado, gaste uma fortuna, traga uma centena de jogadores e se contente com uma posição intermediária em seu campeonato nacional. Grandes investimentos sempre visam grandes ambições e conquistas.

Conversando com alguns amigos que acompanham da Ligue 1, percebo que todos eles tem mesmo essa expectativa de título do Paris, não só pelos loucos investimentos do time da capital francesa, mas também pelo pouco barulho feito pelas demais equipes candidatas ao título francês. Para alguns amigos, já podemos até dizer que “já podem entregar a taça pro PSG!”.

Talvez até nadando contra a corrente, eu tenho uma visão um pouco – ou muito – contrária a citada acima. Não acho que diretoria, comissão técnica e jogadores do PSG devam ser cobrados por uma eventual ausência de título logo em sua primeira temporada como milionários. Basta olhar outros exemplos do gênero.

Roman Abramovic comprou o Chelsea em 2003 e na sua primeira temporada como “milionário”, os Blues terminaram com o vice-campeonato inglês, ficando com 79 pontos, 11 atrás do Invicible Arsenal. Nas duas temporadas seguintes veio o bi-campeonato nacional do time.

O outro exemplo vem também da Inglaterra: em setembro de 2008, o grupo United Abu Dhabi comprou o Manchester City e fez os Citizens contratarem Deus e o mundo para seu time, mas só agora, na temporada 11/12, os investimentos parecem surtir efeito, fazendo com que o City seja considerado um dos favoritos ao título inglês.

Repito: é coerente exigir de um time de grandes investimentos que conquiste os grandes títulos de seu país, mas discordo do imediatismo nesses casos.

Acredito que o Paris Saint-Germain deva seguir o mesmo caminho percorrido por Blues e Citizens.

Pastore foi o grande negócio do PSG

Primeiro de tudo: o PSG pode não ganhar a Ligue 1 nesta temporada por causa de seu treinador, Antoine Kombouaré. Ele pode armar uma zaga com Sakho e Lugano, pode também escolher entre Matuidi, Sissoko e Bodmer para armar uma boa dupla de volantes, além de ter um forte trio de meias com Mènez, Nenê e Pastore, e opções como Hoarau e Gameiro pro ataque. Só que Kombouaré é temperamental. A qualquer momento ele pode brigar com algum desses jogadores e desarrumar um time aparentemente “auto-ajustado”. Acreditem, não será a primeira vez que ele fará isso.

E segundo: esse “auto-ajustado” não é garantia de ajuste mesmo. Tá certo que as contratações foram feitas na medida certa, para as posições carentes, visando armar um 11 inicial forte, mas pode ser que os jogadores não se acertem e a bola saia “quadrada”. Para isso, nem sempre é culpa do técnico. Muitas vezes, jogadores de talento, quando encontram-se juntos em um time, simplesmente não se encontram.

Como foi citado antes no caso do Manchester City, eles precisaram contratar jogadores da Europa inteira para poder “regular” os níveis de contratação e perceber que esse não era o modo de se montar um time vencedor. Não é só “contratar por contratar” ou “contratar porque é um nome da moda”. Tem que trazer jogadores para as posições carentes, montar um elenco forte e apostar no investimento. Não é certo gastar milhões de euros em dois ou três jogadores e desperdiçar este investimento por causa de alguns jogos ruins.

O início de temporada do PSG é animador. São 7 pontos em 12 disputados. Se depender do início do time, o maluco aqui será eu, e não o pessoal da Qatar Sports Investiments, que estará botando dinheiro num time vencedor. Mas vale citar que o time de Paris sofreu gols em todos os quatro jogos e enquanto a bola entrar mais no gol adversário do que no seu próprio gol, estará tudo ótimo, mas só espera pela hora em que a bola do Paris parar de entrar para ver a tensão que causará…

Para fechar e resumir também: sigo achando que não será “vexame e vergonha do século” se o Paris Saint-Germain não conquistar a Ligue 1. “O futebol é uma caixinha de surpresas” e nada impede que o bolo parisiense não cresça logo de cara, assim como nada impede que um time de menor investimento vá lá, cale a boca de todos e ganhe o Francesão. Claro que espero grandes coisas do PSG, mas é preciso ter calma!