Os esquecidos da Ligue 1

Nunca tantos holofotes bateram em cima da Ligue 1. A chegada de Neymar ao Paris Saint-Germain, somada ao acréscimo de Kyllian Mbappé, Daniel Alves e de toda áurea midiática trouxeram para a liga francesa um aspecto talvez nunca antes visto.

Somado ao milionário PSG, ainda surgiram outros tópicos interessantes, como o fracasso de Marcelo El Loco Bielsa no Lille – que foi abordado na edição #69 de Le Podcast du Foot – e o poderoso ataque do Lyon. Dá para dizer que temos uma das temporadas mais agitadas e interessantes dos últimos anos, reunindo uma série de atrativos para acompanharmos rodada após rodada da competição.

Porém, apesar de todas as câmeras e flashes na competição, há quem fique esquecido nesse cenário todo. O próprio milionário PSG tem Lucas Moura e Hatem Ben Arfa, que já estão ultra aquecidos no banco de reservas do clube. Há outros como Wesley Sneijder, Grenier… É tanta gente que me senti obrigado a levantar uma lista com alguns dos esquecidos da atual temporada francesa. Confiram:

Do Chelsea para o banco do Amiens

Esse é um dos raros registros de Nathan no Amiens | Foto: Divulgação/Amiens

O meia Nathan é mais um daqueles clássicos casos de atletas que escolhem o Chelsea para jogar na Europa e passam a rodar pelo Velho Continente, sempre por empréstimo, e vão vendo a carreira ruir. Elogiadíssimo no Atlético-PR e com passagens por seleções de base, tinha um grande futuro. Hoje, aos 21 anos, amarga a reserva no Amiens. O meia acumula apenas 161 minutos na temporada, somente nove no Campeonato Francês – na 6ª rodada, na derrota por 2 a 0 diante do Marseille, em 17 de setembro.

Sem prestígio

Contento deve ser negociado nesta janela | Foto: Divulgação/Bordeaux

A situação de Diego Contento no Bordeaux mudou drasticamente de uma temporada para outra. Se em 2016/17 o ítalo-alemão era titular nos Girondins, agora ele sequer entrou em campo na Ligue 1. Suas únicas aparições foram em jogos da Liga Europa. Sem prestígio com o técnico Jocelyn Gourvennec, o lateral-esquerdo, de passagem vitoriosa pelo Bayern, deverá deixar o clube na janela de inverno.

Persona non grata

Grenier é sombra do que já foi | Foto: Divulgação/OL

Depois de três temporadas mágicas pelo Lyon, onde se notabilizou como um meia clássico e de ótima pegada na bola – o que ocasionou as inevitáveis comparações com Juninho Pernambucano no quesito cobrança de faltasClément Grenier virou persona non grata dentro do clube. Derrubado por gravíssimas lesões (que o tiraram da Copa do Mundo de 2014) e problemas extracampo, o meia, que tem contrato até junho de 2018, atuou por apenas quatro minutos na Ligue 1 e está fora dos planos do técnico Bruno Genesio. A tendência é que deixe o clube no meio da temporada.

Dupla de ferro

Atuações ruins e concorrentes como Rami e Abdennour tiraram o espaço de Dória | Foto: Divulgação/OM

Mesmo sem o poderio financeiro do Paris Saint-Germain, o Olympique de Marseille conseguiu investir bastante nessa temporada, fazendo com que alguns nomes calejados sumissem do mapa. Um deles é o do zagueiro brasileiro Dória. Após as chegadas de Aymen Abdennour e Adil Rami, passou a atuar pouco e, atualmente, acumula apenas 85 minutos jogados na temporada e míseros três jogos na Ligue 1. Ele ficou marcado pela catastrófica atuação na goleada sofrida diante do Monaco, por 6 a 1, onde recebeu nota 1 do jornal L’Equipe. O site 10 Sport informa que o Saint-Étienne poderia ser o destino do atleta pouco aproveitado por Rudi Garcia.

Quem vive situação pior é Rod Fanni. O defensor de 34 anos, com passagens pela seleção francesa e uma história de sucesso dentro do próprio Marseille, simplesmente não entrou em campo na atual temporada. O atleta se diz bem fisicamente e tenta encerrar seu contrato com o OM para seguir com a carreira em outro clube.

Na reserva do lanterna

Zagueiro alemão sequer jogou na Ligue 1 | Foto: Divulgação/FC Metz

A terrível campanha do Metz, com míseros 11 pontos em 19 rodadas, só não é mais estranha que a situação do zagueiro alemão Philipp Wollscheid. Com passagens até pela seleção nacional, ele fez apenas uma partida pelo clube grená, e foi pela Copa da Liga. Matéria do Le Républicain Lorrain aponta que o defensor vive péssima fase física, chegando a jogar no time amador do Metz, onde também encontrou dificuldades para mostrar bom nível. Como diz a mesma reportagem, é um mistério a situação de Wollscheid no clube.

Flop rubro-negro?

Sneijder voltou a sofrer com as lesões | Foto: Divulgação/Nice

Uma das principais apostas do Nice na temporada, o holandês Wesley Sneijder foi recepcionado com muita festa do torcedor. Dentro de campo, porém, a resposta não foi em nível igual. Ausente desde a 13ª rodada da Ligue 1, o meia de 33 anos vem sofrendo com a forma física e está fora de combate há um mês devido a um problema muscular. Somando todas as competições, fez oito jogos e deu apenas uma assistência.

Trinca milionária

Lucas e Trapp são reservas de luxo do PSG | Foto: Reprodução

No recheado e milionário elenco do Paris Saint-Germain, um reflexo claro é na sobra para o banco de reservas. Três casos claros são os de Kevin Trapp, Lucas Moura e Hatem Ben Arfa.

O goleiro alemão, que se revezou na titularidade com Alphonse Areola na temporada passada, não tem mais o mesmo espaço com o técnico Unai Emery e atuou por apenas três jogos – dois no campeonato e outro na Copa da Liga. Às vésperas da Copa do Mundo, a tendência é que busque novos ares para ser um dos escolhidos do técnico Jöachim Löw.

Já Lucas, que outrora almejava vaga na seleção brasileira, entrou em campo apenas seis vezes na temporada. Ao todo, acumula 79 minutos e é um dos alvos mais cobiçados do clube parisiense.

Só que mais esquecido que os dois está Hatem Ben Arfa. Num momento de devaneio, ele imaginou que poderia ter espaço entre os titulares, mesmo com o rendimento baixo e as públicas declarações de que não jogaria, e ficou no clube. Sequer entrou em campo e dificilmente seguirá em Paris na segunda metade da temporada.

Sobre as peças descartáveis do PSG, falei mais disso em agosto aqui no Europa Football.

E aí? Entre os esquecidos na Ligue 1, esqueci de mais alguém (com o perdão da redundância)? Deixe sua lembrança na caixa de comentários.

Anúncios

Os tops da temporada francesa

Encerrada mais uma temporada do Campeonato Francês, é chegada àquela hora bacana de retrospectiva e análise de tudo o que aconteceu ao longo das 38 rodadas. Desta vez, me empolguei em levantar listas com os tops e os flops do ano.

Claro que houve uma predominância: entre os tops, o Monaco, que com uma impressionante campanha e um ataque avassalador, ocupou as principais opções. Já entre os flops, o Paris Saint-Germain, que mais uma vez gastou tufos de grana e apresentou um futebol muito pobre, se sobressaindo muito na base da individualidade.

Hoje trago quem se destacou e, ainda nesta semana, trarei quem decepcionou. Confira a primeira lista:

5 – Balotelli ressurge

Super Mario foi o artilheiro do Nice na Ligue 1 | Foto: Divulgação/OGC Nice

Quando o Nice anunciou a contratação do italiano Mario Balotelli, muitos torceram o nariz. Polêmico, de extracampo complicado, Super Mario vinha de temporada pífia pelo Milan, com míseros três gols em 23 jogos. Parecia ser uma aposta perdida. Mero engano.

O italiano encerrou a temporada com 15 gols em 1.746 minutos na Ligue 1 (um a cada 116.4 ou um jogo e 26 minutos). O detalhe dos tentos é a distribuição deles. Foram oito na primeira etapa e sete na segunda, sendo sete em ações de jogo, três de pênalti, três após cruzamentos e dois de falta. Foi o artilheiro do time e peça-chave da formação ao lado do excelente meio-campista Jean Seri.

Ah, e sobre a tão cobrada questão disciplinar – com razão – Balotelli recebeu seis cartões amarelos e dois vermelhos.

4 – Nice voltando à Liga dos Campeões

Favre recolocou o Nice em uma Liga dos Campeões | Foto: Divulgação/OGC Nice

Com Lucien Favre no comando, o Nice fez história e, finalmente, terá a honra de disputar a Liga dos Campeões – mesmo que seja a fase prévia. Foram apenas duas vezes na história que isso aconteceu e a última foi na temporada 1959/60, quando caiu nas quartas-de-final para o Real Madrid.

Apesar de tradicionalíssimo, o Nice não tem grande carreira europeia, especialmente em anos mais recentes. Neste século, por exemplo, disputou duas edições da extinta Taça Intertoto e, mais recentemente, participou da Liga Europa sem grande sucesso – na atual temporada, caiu na fase de grupos.

Boa parte dos méritos vão para Favre, que armou uma equipe extremamente competitiva, capaz de bater de frente com os poderosos PSG e Monaco – nos 12 pontos disputados contra os dois, somou sete. Parte disso é explicado pela eficiência ofensiva, registrada nos números: 4º melhor ataque da Ligue 1, com 63 gols marcados, mas com a marca de ser apenas o 12º time no ranking de chutes por jogo.

Pena que Favre não deve permanecer nas Águias para a próxima temporada – o Borussia Dortmund é o principal cotado para tê-lo como treinador.

3 – Quadrado mágico do Monaco

Falcao foi um dos pilares do poderoso ataque monegasco | Foto: Divulgação/AS Monaco

Disparado o ataque mais positivo da Ligue 1, com 107 gols marcados – 60 (!!!) há mais que na temporada passada – o Monaco deve parte desse sucesso ao mágico quadrado ofensivo, formado pelos habilidosos Thomas Lemar e Bernardo Silva e dos letais Kyllian Mbappé e Radamel Falcao.

Dos 107 gols, 53 saíram do quarteto, ou seja, impressionantes 49,5% dos tentos. Destaque, é claro, para o colombiano, que voltou a ter uma temporada relevante e marcou 21 gols, e para o prodígio Mbappé, autor de 15 tentos.

Interessante destacar também a distribuição das assistências de Silva e Lemar: das nove do português, quatro foram para Mbappé, enquanto três das dez do francês foram para Falcao. No jogo de duplas de Leonardo Jardim (dois meio-campistas, dois articuladores e dois homens de frente), foi a formação de um quarteto que transformou a avassaladora máquina de gols do Monaco.

2 – El Pistolero!

Cavani fez 35 gols em 36 jogos na Ligue 1 | Foto: Divulgação/PSG

Em 36 jogos, 35 gols. Nunca Cavani marcou tantos quanto nessa temporada, superando, inclusive, 2012/13, quando marcou 29 na Série A italiana, ainda com a camisa do Napoli. Foi o artilheiro da Ligue 1 com sobras.

O detalhe interessante da temporada de El Pistolero é a regularidade: 18 gols foram feitos no primeiro turno e 17 no segundo. Se dividirmos o jogo em três partes de 30 minutos, observaremos que 15 tentos do uruguaio saíram na faixa final (contra 12 entre 0-30; 8 entre 30-60), mostrando que foi decisivo – coisa a qual era cobrado em temporadas anteriores.

Em dez ocasiões fez ao menos dois gols, incluindo uma em que fez quatro, no 6 a 0 sobre o Caen. Além disso, dos 36 jogos em que atuou, só não marcou em 13. Em uma temporada bem decepcionante dos parisienses, Cavani foi o ponto fora da curva e o diferencial do time.

1 – O campeão!

Com méritos, a taça Ligue 1 ficou no Principado | Foto: Divulgação/AS Monaco

Enquanto todos esperavam o quinto título consecutivo do Paris Saint-Germain, surgiu o Monaco. Time de futebol envolvente, de dominação de espaço, mas, ao mesmo tempo, agressivo, os monegascos ergueram o troféu de campeão nacional após 17 anos.

A campanha foi irretocável, com maior número de vitórias (30), menor de derrotas (3), melhor ataque (107 gols) e melhor campanha como mandante e visitante. Somado a isso, o Monaco encerrou a Ligue 1 invicto a 20 jogos, com 12 vitórias seguidas e nenhum tropeço em 2017.

Interessante ressaltar ainda que, segundo o WhoScored, o Monaco foi o time que teve maior média de finalizações na temporada, mas foi apenas o quinto em posse de bola e sexto em porcentagem de passes certos. Ou seja, foi uma equipe de controle espacial e de intensa eficácia com a bola no pé.

Somado a isso, o time comandado por Leonardo Jardim apresentou ao mundo jovens talentos que quem acompanha o Francesão há algum tempo já conhece, como Benjamin Mendy, Tiemoué Bakayoko, Thomas Lemar, Fabinho, Bernardo Silva e, é claro, a estrela da companhia, Kyllian Mbappé. É, amigos, daqui algum tempo, teremos história para contar desse fantástico time.

O que acharam dos tops da Ligue 1? Faltou alguém? Exagerei em algum ponto? Dê seu pitaco! Ainda nesta semana trago os flops da temporada.

Qual a origem dos nomes dos estádios franceses? (Parte II)

Na última semana, você conferiu no Europa Football a primeira parte do especial que trouxe a origem de dez nomes de estádios dos clubes do Campeonato Francês. Por uma grata surpresa, o post teve ótima repercussão, inclusive, sendo destaque no Trivela.

Mas passado o Carnaval e todo o feriadão, retorno com a parte final e explicando os últimos dez nomes. Lembrando que junto, a nomenclatura dos estádios, está a localização no Google Maps, para que vocês possam ver mais e conhecer a casa de cada equipe francesa. Vamos a eles:

  • Metz

Estádio Saint-Symphorien – inaugurado em 1923 – capacidade para 25.636 pessoas

Construído no início dos anos 20, o estádio Saint-Symphorien foi inaugurado em 1923, mas o desmoronamento de uma parte do telhado fez com que passasse por longa reforma até ser reinaugurado, de forma definitiva, em 1932. Essa reforma foi concluída exatamente na época em que o clube mandante mudava de nome de Club Atlético de Metz para FC Metz, o que segue até hoje. O estádio possui esse nome por estar situado no Boulevard Saint-Symphorien.

  • Monaco

Estádio Louis II – inaugurado em 1985 – capacidade para 18.523 pessoas

O novo estádio Louis II foi construído em 1985 | Foto: Divulgação/AS Monaco

O novo estádio Louis II foi construído em 1985 | Foto: Divulgação/AS Monaco

A casa atual do Monaco foi inaugurada em janeiro de 1985, sendo obra idealizada pelo príncipe Rainier III. O Louis II foi construído no distrito de Fontvielle, no lugar do estádio que tinha o mesmo nome. O local, que homenageava o príncipe Louis II, recebeu partidas do time monegasco de 1939 até 1985. Antes disso tudo, o ASM atuava no estádio Moneghetti, no bairro de mesmo nome, entre 1924 e 1939.

  • Montpellier

Estádio de la Mosson e do Mundial 98 – inaugurado em 1972 – capacidade para 32.900 pessoas

O primeiro clube a utilizar o estádio de La Mosson foi o AS Pallaide, clube que disputava torneios distritais em Montpellier. Com a fusão do clube com o Montpellier Litoral SC, (que jogava no estádio Richter), surgiu o Montpellier HSC, que passou a utiliza-lo em 1974. O estádio leva esse nome por estar próximo ao Rio Mosson. Já a referência a Copa do Mundo de 1998, disputada na França, foi feita pela escolha do estádio para sediar jogos da competição, o que fez com que fosse ampliada sua capacidade para 35 mil pessoas.

Os outros dois estádios em que o MHSC mandou jogos também possuem nomes fáceis de explicar. O primeiro foi o Parque de Esportes da Avenida da Ponte Juvenal, entre 1923 e 1967, que leva a mesma nomenclatura da localização, enquanto o estádio Richter, utilizado entre 1968 e 1974, também faz referência a sua localização.

  • Nancy

Estádio Marcel Picot – inaugurado em 1926 – capacidade para 20.087 pessoas

Chamado inicialmente de Parque de Esportes de Essey, a casa do Nancy foi oficialmente aberta em 8 de agosto de 1926. No começo, o estádio foi utilizado pela escola universitária local e pelo FC Nancy (clube que existiu entre 1901 e 1968). Com o surgimento do AS Nancy, em 1967, o local foi rebatizado no ano seguinte como estádio Marcel Picot.  Ele foi um empreiteiro que dedicou boa parte da vida ao FC Nancy e auxiliou no desenvolvimento do estádio. Por ter falecido em 1967, teve nome estampado na casa dos Vermelhos e Brancos em 1968, como forma de homenagem.

  • Nantes

Estádio de la Beaujoire-Louis Fonteneau – inaugurado em 1984 – capacidade para 37.473 pessoas

O caldeirão da Beaujoire é uma das armas do Nantes | Foto: Divulgação/Nantes

O caldeirão da Beaujoire é uma das armas do Nantes | Foto: Divulgação/Nantes

Um dos maiores caldeirões do futebol francês, La Beaujoire faz referência ao bairro do mesmo nome, em Nantes. Sua construção foi feita em razão da disputa da Eurocopa de 1984. Já o nome de Louis Fonteneau homenageia o presidente do clube entre 1969 e 1986. Ele foi um dos grandes idealizadores do projeto da construção do estádio a partir dos anos 70. Como morreu em 1989, o local foi rebatizado no mesmo ano.

Antes da nova casa, os Canários jogaram em alguns estádios: Saint-Pierre, Contrie e Procé. Após a II Grande Guerra, o Nantes passou a utilizar o estádio Marcel Saupin, que resistiu até a chegada de la Beaujoire. Atualmente, já houve uma parte demolida e o time reserva do time amarelo atua por lá.

  • Nice

Allianz Riviera – inaugurado em 2013 – capacidade para 35.624 pessoas

Assim como ocorre com muitas arenas mundo afora, o novo estádio do Nice, construído visando a Eurocopa de 2016, possui o naming rights da Allianz e a referência da região da Riviera. Entretanto, tivemos muitas reviravoltas até a concretização, isso porque, em 2010, o estádio se chamaria Olímpico de Nice. Em 2012, houve o acerto com a seguradora alemã, que pagará € 1,8 milhões por ano durante nove temporadas.

Antes da moderna arena, o Nice mandou jogos no estádio do Ray entre 1927 e 2013. O nome original deste estádio é Léo Lagrange, um secretário de estado de esportes, mas se tornou popular pelo nome do distrito onde está localizado.

  • Paris Saint-Germain

Estádio Parque dos Príncipes – inaugurado em 1897 – capacidade para 48.583 pessoas

Um dos maiores e mais antigos estádios da França, o Parque dos Príncipes recebeu este nome por causa da família real francesa, que utilizava o local de recreação e caça nos séculos XVIII e XIX. O estádio foi inaugurado, originalmente, para abrigar provas de ciclismo e o PSG passou a utilizar o parque em julho de 1974.

Antes da fusão do Paris FC e do Stade Saint-Germain, o clube mandava seus jogos no estádio municipal Georges-Lefévre. Atualmente, os times de base do PSG atuam ali e o clube se comprometeu a renovar o estádio.

  • Rennes

Estádio Parque Roazhon – inaugurado em 1912 – capacidade para 29.778 pessoas

O nome do estádio do Rennes sempre foi razão de polêmica. Tradicionalmente, o local era conhecido como Rota para Lorient, pela sua localização. Porém, durante vários anos, houve quem sugerisse uma mudança, incluindo naming rights ou homenagens a grandes ídolos da história do clube. Finalmente, em 2015, o presidente René Ruello realizou um referendo, que aprovou a mudança do nome para Parque Roazhon com 70% dos votos. Roazhon, para entendermos, significa Rennes em bretão, que é a linguagem local.

  • Saint-Étienne

Estádio Geoffroy-Guichard – inaugurado em 1931 – capacidade para 41.965 pessoas

Conhecido como “Caldeirão Verde”, o Geoffroy-Guichard vem sendo casa do Saint-Étienne desde sua profissionalização | Foto: Divulgação/ASSE

Conhecido como “Caldeirão Verde”, o Geoffroy-Guichard vem sendo casa do Saint-Étienne desde sua profissionalização | Foto: Divulgação/ASSE

O caldeirão verde do Saint-Étienne foi construído nos anos 30 e recebeu o nome do empresário Geoffroy Guichard. Ele foi um dos fundadores de clube e o terreno onde o estádio foi construído era de propriedade de uma de suas empresas. O estádio Geoffrey-Guichard acompanhou o ASSE durante todo o seu percurso profissional, a partir de 1933.

  • Toulouse

Estádio de Toulouse – inaugurado em 1937 – capacidade para 33.150 pessoas

Bom, a origem do estádio do TFC não tem muito segredo, até por ser um estádio que leva o nome da cidade onde está localizado. Conhecido como “pequeno Wembley”, o local era a casa do primeiro Toulouse FC entre 1937 e 1967 e depois do atual Toulouse (que apesar do mesmo nome e cidade, curiosamente, não tem relação alguma com o clube anterior), a partir de 1970.

11 anos depois, Patrice Evra volta à França

O lateral-esquerdo Patrice Evra é, indiscutivelmente, um dos jogadores franceses mais bem-sucedidos no exterior nos últimos tempos. Foram 11 anos de desempenho de alto nível. Com o Manchester United, conquistou 15 títulos, incluindo uma Uefa Champions League, já com a Juventus foram cinco troféus em três anos. Só para termos de comparação (do currículo, só para deixar claro), Zinedine Zidane concluiu a carreira com 12 títulos em dez temporadas divididas na Itália e Espanha.

Agora o lateral está de volta. Após perder espaço na Juventus (fez apenas 13 jogos na temporada), Evra, aos 35 anos, acertou com o Olympique de Marseille, com um contrato de um ano e meio. É uma volta em um cenário bastante diferente do que deixou o país, na metade da temporada 2005/2006. De grande expoente quando saiu, volta com o status de veterano de sucesso.

Evra atuou por duas temporadas no Nice | Foto: Arquivo/Nice Matin

Evra atuou por duas temporadas no Nice | Foto: Arquivo/Nice Matin

Evra, que nasceu em Senegal e se mudou para a França antes de completar o primeiro ano de vida, curiosamente, começou a carreira profissionalmente na Itália, jogando pelos modestos Marsala, da 3ª divisão, e pelo Monza, da 2ª. Somente em 2000, no Nice, que recebeu a primeira oportunidade no país onde cresceu. Claro, o fato de Fédérico Pastorello, diretor geral do clube, ser o seu empresário facilitou nesta chegada.

Mas antes de retornar ao país gaulês e também no começo de sua passagem pelo clube, Evra viveu um momento de muita incerteza. Quando garoto, nos testes que fez alguns clubes, incluindo o Paris Saint-Germain, chegou a ser chamado de “novo Romário” por um amigo que lhe levou a uma das peneiras. Isso chegou pela altura, mas também pelo fato de ser atacante. Quando chegou ao Nice, já atuava no meio.

No clube rubro-negro, entretanto, viu a carreira crescer. Chegou quando a equipe estava na segunda divisão, estreou numa derrota impiedosa por 7×2, jogou pouco, mas tomou conta da lateral-esquerda no ano seguinte de forma surpreendente, sendo eleito o melhor lateral-esquerdo da temporada, conseguindo a transferência para o Monaco ao término do contrato.

Didier Deschamps foi um dos grandes mentores da carreira de Evra | Foto: Getty Images

Didier Deschamps foi um dos grandes mentores da carreira de Evra | Foto: Getty Images

No clube do Principado, tinha em mente que atuaria como winger pelo flanco esquerdo. Entretanto, entraria na história o técnico Didier Deschamps. O ex-defensor, campeão mundial com a França em 1998, o convenceu a atuar na lateral-esquerda e que lhe faria um marcador melhor. Dito isso, Evra passou a compor a defesa ao lado de Jurietti, Rafa Márquez e Squillaci.

A estratégia deu certo. Evra se notabilizou como um dos principais laterais do país e, com o vice-campeonato europeu em 2004, teve nome vinculado a grandes clubes, como Arsenal, Milan, Juventus e Barcelona. Decidiu deixar a França apenas em setembro de 2005, quando optou por aceitar a proposta do Manchester United, se transferindo na janela de inverno daquela temporada.

Pelo Monaco, foram 154 partidas em três temporadas e meia, com dois gols e três assistências. Coletivamente, ergueu apenas a Copa da Liga em 2002/2003, mas viu o clube ser vice-campeão europeu e sempre ficar nas três primeiras posições enquanto esteve por lá. Tamanho desempenho fez com que fosse reconhecido pela torcida, que o colocou como o melhor lateral-esquerdo da história do clube em votação no site oficial do próprio Monaco.

Acréscimo importante

Evra chega para reforçar o OM por uma temporada e meia | Foto: Divulgação/OM

Apesar de não ser mais aquele jovem vigoroso dos tempos de Monaco, tampouco o regular e eficiente lateral dos tempos de Manchester e seleção francesa, Evra deve acrescentar bastante ao Marseille, de Rudi Garcia.

A posição é uma das principais, se não a principal, carência do OM. No momento, o camaronês Henri Bedimo, que veio para ser o titular na função, se recupera de um grave problema no menisco e o brasileiro Dória vem sendo improvisado na lateral-esquerda.

Na péssima campanha do time na Ligue 1 (no momento, ocupa a 7ª colocação, com 30 pontos e bem distante das ligas europeias) Evra pode ser um acréscimo importante se mantiver a forma física, mantendo-se livre das lesões (o que sempre foi uma característica do atleta). Só resta saber o ritmo de jogo do jogador, que não joga oficialmente desde outubro de 2016.

Num modo geral, o Marseille vem fazendo um bom mercado, tentando corrigir o elenco e solucionar problemas pontuais que afetam o clube há alguns anos. O novo dono, o norte-americano Frank McCourt, tem consigo o diretor esportivo Andoni Zubizarreta, e os dois, ao lado de Garcia, buscam uma sintonia de ideias para formar um novo Marseille, com atletas comprometidos com o novo projeto do clube. O marfinense Didier Drogba, ídolo do clube, por exemplo, foi colocado para fora do leque de opções do OM exatamente por não se enquadrar neste perfil.

Evra pode até ter tido no passado alguns problemas (seríssimos) extracampo na seleção francesa, mas retomou a carreira nos Bleus sendo peça de confiança de Didier Deschamps e tornando-se um líder da equipe. Em reta final de carreira, mas em boas condições físicas, tende a ser uma peça de grande valia e de poder de liderança ao novo Marseille.

Quando a casa faz diferença

Foto: F3 Côte d'Azur

Foto: F3 Côte d’Azur

Trocar de casa deve ser uma atividade meio estressante. Eu, particularmente, moro na mesma casa desde que nasci, mas conheço uma dezena de pessoas que tiveram de se mudar e passaram maus bocados até se adaptarem completamente. Uma hora é um hábito que não pode ser repetido, em outra é o vizinho que é mais chato que os anteriores. Enfim, quando não é uma coisa, é outra. No futebol, há um caso assim.

O tradicional Nice, quatro vezes campeão francês, jogou de 1927 a 2013 no simpático Stade du Ray e atualmente manda suas partidas na moderna Allianz Riviera. O time rubro-negro deixou um estádio antigo e que poderia receber pouco mais de 18 mil pessoas para uma atrativa arena, capaz de receber 35 mil pessoas e que ainda será palco da Eurocopa de 2016. Em outras palavras, o clube trocou um casebre por uma super casa, com tudo que você pode imaginar.

Que coisa boa, não?! Pro Nice, não foi tão bom assim.

Foto: OGC Nice

Foto: OGC Nice

Na última temporada em que jogou no Stade du Ray, o time do sudeste da França teve o melhor desempenho do século, terminando na 4ª colocação, com 64 pontos. Ao todo, o Nice somou 38 pontos jogando em casa, sendo o quarto melhor mandante da temporada 2012/2013. Dos 57 gols, 35 foram no acanhado estádio. Na mesma época, emendou dez jogos invictos em casa – incluindo seis vitórias seguidas. Foram quase seis meses até ser derrotado em seus domínios.

Ao término da temporada, o Nice sustentou uma média de público de 10.246 pessoas, média aceitável, se levarmos em conta a capacidade do Stade du Ray – considerando a média, o estádio ficava 54,8% ocupado.

Foto: Instagram Oficial/Allianz Riviera

Foto: Instagram Oficial/Allianz Riviera

Na temporada seguinte, veio a Allianz Riviera e o Nice demorou a se encontrar. O time que surpreendeu e terminou em quarto em 2012/2013, ficou em 17º com 42 pontos, à beira da zona de rebaixamento.

A campanha em casa até ajudou bastante. Na moderna arena, somou 32 pontos e repetiu as dez vitórias como mandante, mas viu o número de derrotas mais que dobrar: de três para sete. O Nice foi uma das equipes que mais perdeu em casa na temporada 2013/2014, empatado com o Guingamp e a frente apenas de Nantes, com oito, e dos rebaixados Valenciennes e Ajaccio, com dez.

Pior ainda foi o ataque, que foi às redes em casa apenas 22 vezes. Os mesmos Valenciennes e Ajaccio, rebaixados, fizeram mais. Esse desempenho ficou retratado com a queda de produtividade do atacante argentino Darío Cvitanich. Artilheiro do time na temporada 2012/2013 com 19 gols, ele sucumbiu junto com a equipe no ano seguinte e marcou apenas oito tentos. Ele ficou, inclusive, quatro meses sem fazer um golzinho sequer.

Fase negra

Mas a primeira temporada do Nice na Allianz Riviera não foi tão ruim assim, se olharmos mais atentamente aos números. Apesar de ter ficado pertinho da zona de rebaixamento, o time conquistou a maior parte dos pontos em casa, teve a oitava melhor campanha entre os mandantes e somou as mesmas dez vitórias em casa da temporada anterior. Além disso, a média de público não foi ruim: 24.186 pessoas, ou seja, 67,8% do estádio ocupado. O Nice teve a sétima melhor média de público da temporada.

Foto: Maxppp

Foto: Maxppp

O que poucos imaginavam é que, em 2014/2015, tudo isso ruiria. Apesar da campanha razoavelmente melhor – 11º lugar, com 48 pontos –, o time teve média de público de apenas 19.309, apenas 54,2% do estádio ocupado, porcentagem menor do que no último ano no Stade du Ray. Equipes como Rennes e Bordeaux, com estádios menores, tiveram médias maiores na última temporada.

O torcedor não tinha a mínima confiança na equipe treinada por Claude Puel, não à toa, em 12 jogos não havia nem 20 mil torcedores – em três, tinha pouco mais que 15 mil.

O abandono do torcedor foi refletido em campo. O Nice teve o quinto pior desempenho como mandante entre os 20 times do Campeonato Francês. Em 19 jogos, seis vitórias, seis empates e sete derrotas. Em duas oportunidades, emendou seis jogos seguidos sem vencer em casa e o máximo de vitórias que engatou foram duas.

Em meio a tudo isso, uma investigação busca apurar possíveis irregularidades na parceria público-privada, responsável pela construção do estádio. A Allianz Riviera é gerida pelo Grupo Vinci e por empresas locais. O estádio custou 243,5 milhões de euros, incluindo 69 milhões de verba pública. O caso segue em investigação.

O que esperar?

Foto: OGC Nice

Foto: OGC Nice

Nesta sexta-feira, dia 7, começa a temporada 2014/2015 e o que podemos esperar do Nice? O time do sudeste francês logo de cara terá um clássico contra o Monaco, na Allianz Rivieira, no sábado, dia 8.

Para a temporada, o Nice perdeu três jogadores importantes: o volante e capitão Didier Digard, que estava desde 2011 no clube e fez mais de 160 partidas na equipe, não renovou contrato e se transferiu para o Bétis, da Espanha. Na última temporada, já havia jogado pouco e não era um jogador fora dos planos do técnico Claude Puel; o winger Eric Bautheac também deixou o clube e foi vendido ao Lille por 2,4 milhões de euros. Na última edição do Campeonato Francês, foram oito gols e seis assistências; a perda mais sentida foi do lateral-esquerdo Jordan Amavi, de 21 anos. Presença frequente nas seleções de base da França, ele foi vendido ao Aston Villa por 11 milhões de euros, terceira maior venda da história do clube.

Nas contratações, o clube foi econômico e apostou nos desconhecidos Jean Michäel Seri, marfinense que veio do Paços Ferreira, por 1 milhão de euros, e em Maxime Le Marchand, contratado junto ao Le Havre por 600 mil euros. Outro jogador contratado foi o atacante Valere Germain, que estava sem espaço no Monaco e chega por empréstimo.

Foto: OGC Nice

Foto: OGC Nice

Por fim, o Nice aposta suas fichas em Hatem Ben Arfa (AQUELE!). Aos 28 anos, ele retorna à França para tentar retomar o bom futebol. Após imbróglio judicial, que o impediu de jogar pelo time no começo do ano, ele agora volta após quase um ano sem jogar oficialmente – o último jogo foi em 29 de novembro de 2014, ainda pelo Hull City.

Na pré-temporada, foram seis jogos, com quatro vitórias, um empate e uma derrota. Entre os resultados, alguns interessantes, como o 4×0 sobre o Galatasaray – turcos com Sneijder, Podolski e companhia limitada – e o 3×2 sobre o Napoli. Nos seis testes, destaques para Germain e Plea, artilheiros do time com quatro e três gols, respectivamente.

Vale citar que o Nice está com uma linha de frente interessante. Germain pode não ser o melhor centroavante do mundo, mas é eficiente e conhece o ótimo Valentin Eysseric. Os dois jogaram juntos no Monaco, quando o time estava na segunda divisão, e formaram interessante dupla em 2011/2012. Essa dupla somada a Ben Arfa pode fazer algo diferente – claro, o meia precisa ter a cabeça no lugar.

Além disso, o Nice possui uma base sólida, com poucas perdas nos últimos anos. O elenco está nas mãos de Claude Puel, que ainda tem a disposição uma das melhores academias de jogadores do futebol francês. Um novo 4º lugar e um retorno para as copas europeias é inviável, mas uma campanha digna é o objetivo possível do time para esta temporada.

Não está “nice”

Foto: Alexandre Debbache (OGC Nice Médias) & Serge Haouzi (Nice-Matin) - Bautheac e Pied lamentam as chances perdidas em Mônaco

Bautheac e Pied lamentam as chances perdidas em Mônaco

Grande surpresa da última temporada do Campeonato Francês, o Nice vai encerrando esta edição da competição com chances (pequenas, é verdade) de rebaixamento. Ao perder no domingo (20) para o Monaco, em partida válida pela 34ª rodada do torneio, as Águias ficaram na 15ª colocação com 39 pontos, seis acima do Sochaux, primeiro time dentro da zona de rebaixamento. Quando a 34ª jornada da temporada anterior foi encerrada, o Nice tinha 57 pontos, era o 6º colocado e estava somente três atrás do Lyon, sonhando com a impensável vaga na Liga dos Campeões (que se traduziu apenas em vaga na Liga Europa).

Muitos se questionam os motivos que levaram a esta queda de rendimento, principalmente porque a base do time foi mantida, assim como o experiente técnico Claude Puel. Analisando todas as nuances da temporada do Nice, levantei alguns pontos que podemos justificar como primordiais para esse notório declínio do time. Vamos a eles:

Lesões

A razão mais notada foi a série de lesões que assolou o time. Puel só conseguiu repetir a escalação uma vez durante todo campeonato (1-0 Guingamp e 0-1 Toulouse, 8ª e 9ª rodada). O treinador ainda foi obrigado a utilizar 27 jogadores durante a temporada.

Puel também se viu obrigado a aproveitar muitos atletas da base. Por mais que o Nice tenha uma reconhecida excelência na formação de jogadores, o número utilizado foi elevado e ocasionado pelas lesões. Foram 12 jogadores de 23 anos ou menos que atuaram nesta temporada pelas Águias, incluindo Mouez Hassen, 19 anos, Mohamed Said Benrahma, 18, Albert Rafetraniaina e Franck Honorat, ambos com 17.

O mais novo a entrar em campo foi um dos filhos do técnico: Paulin Puel, de apenas 16 anos. Isso foi na partida diante do Monaco. O detalhe é que Claude Puel já tinha o filho Gregoire (também jovem, de 22 anos) em campo, encerrando a partida, então, com as duas crias no time.

Devo ressaltar, também, que alguns dos sub-23 do elenco principal já são presenças constantes nos jogos, como são os casos de ‘Timo’ Kolodziejczak, 22 anos, e do meteoro Neal Maupay, 17.

Além da juventude do time, a dupla de zaga, que era um dos pontos fortes na última temporada, foi desmantelada. O argentino Renato Civelli se transferiu para o Bursaspor (Turquia) e Nemanja Pejcinovic não conseguiu manter o ritmo anterior. Em 2013/14, o sérvio fez apenas 14 jogos e participou de apenas uma partida em 2014, estando no estaleiro há mais de dois meses.

Para tentar tapar estes buracos, Puel fez diversas improvisações, como utilizar o lateral-esquerdo Kolodziejczak e o meio-campista Didier Digard na zaga. O remendo que mais está durando é a presença do também meio-campista Mathieu Bodmer entre os zagueiros. Aos 31 anos, o atleta é “macaco velho” no futebol francês e já desempenhou inúmeras funções pelos clubes que defendeu. Atuar no miolo de zaga foi apenas mais uma das posições que cumpriu com eficiência.

Pior ataque

Foto: Alexandre Debbache (OGC Nice Médias) & Serge Haouzi (Nice-Matin) - Cvitanich não marca há três meses

O argentino Dario Cvitanich não marca há três meses

Se a defesa sofreu por falta de peças, o ataque é ineficaz em função da queda de rendimento do principal atleta da posição. Hoje, o Nice tem o pior ataque do Campeonato Francês com apenas 29 gols marcados, média inferior a um por jogo. Neste mesmo estágio da temporada passada, as Águias haviam balançado as redes 51 vezes e tinham o 6º melhor ataque da competição ao lado do Montpellier (o Nice terminou com 57 tentos, o 5º mais positivo).

Parte dessa fraqueza ofensiva passa pela fraca temporada do atacante Dario Cvitanich. Depois de anotar 19 gols e ser o vice-artilheiro da temporada passada do Campeonato Francês, o argentino foi às redes somente oito vezes em 2013/14. Para piorar, o atleta de 29 anos fez somente um gol em 2014 e não marca há três meses (nove jogos).

E se na temporada passada Cvitanich teve como maior seca apenas três partidas, nesta o argentino já ficou sem marcar por sete jogos e, atualmente, nove. O nervosismo pela falta de gols do argentino é refletido no número de cartões. Já são oito cartões amarelos, dois há mais que toda temporada passada.

Troca de casa

Querendo ou não, o fato do Nice ter trocado de estádio nesta temporada fez diferença. O acanhado Stade du Ray, com capacidade para 18.696 pessoas, era um diferencial do time devido à pressão que a torcida exercia em cima dos adversários. O pequenino estádio deu espaço a moderna Allianz Riviera, palco da próxima Eurocopa, e capaz de receber mais de 35 mil pessoas.

A média de público subiu significativamente, é verdade. Em 2012/13, a média era de 10.246 (terceira pior) e na anterior de 9.207 (segunda pior). Nesta já é de 24.160 pessoas, sétima melhor média do campeonato.

O que pesa de forma contrária, entretanto, não é a presença de público, mas sim os resultados. Na 34ª rodada da temporada passada, o Nice havia vencido 11 dos 18 jogos realizados no Stade du Ray, tendo a segunda melhor campanha como mandante. Na atual temporada venceu nove de 17 e ainda tem o dobro de derrotas (seis contra três).

Péssimo visitante

Porém, se campanha na Allianz Riviera poderia lhe credenciar a um posto no meio da tabela, a atuação longe dela é lamentável. O Nice tem a terceira pior campanha como visitante, tendo perdido 11 jogos e vencido apenas dois de 17.

O mais impressionante ainda é o ataque. Lembra que falei que tinha o pior ataque com 29 gols? Pois é, oito desses 29 gols foram como visitante. OITO! É disparado o pior ataque entre os times que jogam fora de casa.

Na temporada passada, o Nice somou 26 pontos longe de casa, 20 até a atual rodada.

Tabela difícil

Na matemática, o Nice precisa somar sete pontos dos 12 que disputará para evitar o rebaixamento, mas, pela tabela, essa fuga deverá vir antes. O Sochaux, que é o primeiro time dentro da zona de rebaixamento, pega o Paris Saint-Germain no próximo dia 27. Uma (provável) derrota já diminui a nota de corte para 39, fazendo com que o Nice precise somar quatro pontos.

A tabela do Nice, apesar da mínima chance de queda, inspira cuidados. No próximo dia 26 recebe o Stade de Reims, equipe que classifico como uma das mais perigosas quando joga fora de casa. Tem a 8ª melhor campanha como visitante e assim já atrapalhou as vidas de Lyon, Marseille e Lille.

Logo em seguida, as Águias fazem dois confrontos diretos longe da Allianz Riviera. Pegam o Sochaux no dia 4 de maio e o Evian, em partida sem data confirmada. A participação será encerrada em casa diante do Lyon.

A chance de rebaixamento, volto a dizer, é minúscula, mas o Nice precisará curar alguns traumas, principalmente o de jogar fora de casa. Apesar de ser muito mais forte que os adversários diretos, não pode se acomodar na vantagem técnica, muito menos se apegar na tabela mais difícil dos rivais. A fórmula é simples: jogar futebol!

Crédito das imagens: Alexandre Debbache (OGC Nice Médias) & Serge Haouzi (Nice-Matin)

*————————————————————————–*

Peço perdão pela demora em atualizar o blog. Tenho estado muito ocupado com o trabalho e a faculdade e nem sempre tenho aquela meia-hora marota pra começar a digitar alguma coisa. Sempre que possível tentarei trazer alguma coisa, isso eu garanto.

Le Podcast du Foot #49

Foto: PSG.fr - Lucas deu passes pra dois gols, inclusive um de Zlatan

Foto: PSG.fr – Lucas deu passes pra dois gols, inclusive um de Zlatan

O Paris Saint-Germain voltou a disparar na frente do Campeonato Francês. Ao vencer o Bordeaux, com boa atuação de Lucas, o clube da capital abriu cinco pontos para o Monaco, que tropeçou diante do Lorient na Bretanha.

>> Confira a classificação do Campeonato Francês;

Além disso, na próxima rodada, os dois líderes se pegam e ambos já poderão contar com novos reforços, como Yohan Cabaye e Dimitar Berbatov.

Para debater estes e outros assuntos da rodada da Ligue 1, Eduardo Madeira e Flávio Botelho se reuniram em mais uma edição de Le Podcast du Foot, a 49ª edição. Para ouvir, é só clicar em um dos links abaixo:

CLIQUE AQUI E OUÇA NO MIXCLOUD

CLIQUE AQUI E OUÇA NO UOL MAIS