Só restou a rivalidade entre as torcidas

OM e PSG fazem o maior clássico da França | Foto: Yannick Parienti/OM

Olympique de Marseille e Paris Saint-Germain possuem vários atrativos para formar uma rivalidade destrutiva na Europa. Os dois clubes são de cidades antagônicas, com diferenças culturais e sociológicas, além de possuírem torcidas fanáticas que não se bicam, fazendo com que tenham um forte potencial comercial, que foi devidamente explorado durante as décadas de 1990 e 2000. Assim surgiu Le Classique, tido como o maior clássico da França.

Dentro das quatro linhas também há grande rivalidade. Enquanto o PSG se orgulhava do Parque dos Príncipes e do rápido crescimento, o Marseille batia no peito e, com muito orgulho, gritava que era o único francês a vencer uma Liga dos Campeões.

Todos esses fatores, porém, estão indo por água abaixo pela disparidade técnica entre as duas equipes nos últimos anos. Ambos se mostram incapazes de competir em níveis iguais. O cenário atual mostra um Paris milionário desde a chegada da Qatar Sports Investiments defronte um OM, que passou por dificuldades financeiras e somente agora, com o norte-americano Frank McCourt no comando, tenta se reerguer. O reflexo disso é uma doutrinação parisiense que perdura seis anos.

A última vez que os torcedores do Marseille voltaram para casa com uma vitória foi no dia 27 de novembro de 2011, quando derrotaram o já milionário PSG por 3×0. Era a primeira temporada do time da capital francesa com investimento do Qatar e a equipe ainda passou alguns maus bocados no primeiro semestre com o técnico Antoine Kombouaré, que viria a ser demitido na virada do ano. Um dos pontos altos desse preocupante rendimento foi exatamente esta derrota no Vélodrome.

Desde aquele dia, foram 14 jogos, com impressionantes 12 vitórias do PSG e dois empates. Neste período, o Paris fez 32 gols (média de 2.28 por jogo) e sofreu somente 11. Graças a esse novo cenário, o time da capital francesa passou a ser o dominador do clássico. Em 91 jogos ao longo da história, acumulou 38 vitórias contra 32 do OM e 21 empates.

No último jogo, aliás, o PSG sequer tomou conhecimento do maior rival e meteu 5×1, em pleno Vélodrome. Foi a maior goleada do clássico, igualando o mesmo placar aplicado pelo próprio PSG em janeiro de 1978.

Em fevereiro deste ano, o PSG meteu cinco na casa do rival | Foto: C. Gavelle/PSG

Se dividirmos Le Classique em antes e depois do PSG milionário, notaremos bem o desequilíbrio em que ficou este grande jogo. Antes da versão qatarina do Paris, foram 76 jogos, com 26 vitórias parisienses, 19 empates e 31 triunfos do OM, que também tinha o melhor ataque, com 105 gols contra 92. Na nova versão parisiense são 15 jogos, com 12 vitórias do time da capital, dois empates e somente uma vitória marselhesa.

É essa discrepância que me preocupa. O Marseille tinha a vantagem antes, mas era equilibrado. O OM nunca teve esses 14 jogos de invencibilidade – o máximo que atingiu foram nove jogos entre 1990 e 1994, com seis vitórias e três empates – tampouco acumulou dez vitórias seguidas como fez o PSG entre 2012 e 2016. É fora do comum e preocupante para o futuro do clássico. Hoje, somente a rivalidade entre as cidades de Marseille e Paris e das duas torcidas mantém o confronto vivo.

11 anos depois, Patrice Evra volta à França

O lateral-esquerdo Patrice Evra é, indiscutivelmente, um dos jogadores franceses mais bem-sucedidos no exterior nos últimos tempos. Foram 11 anos de desempenho de alto nível. Com o Manchester United, conquistou 15 títulos, incluindo uma Uefa Champions League, já com a Juventus foram cinco troféus em três anos. Só para termos de comparação (do currículo, só para deixar claro), Zinedine Zidane concluiu a carreira com 12 títulos em dez temporadas divididas na Itália e Espanha.

Agora o lateral está de volta. Após perder espaço na Juventus (fez apenas 13 jogos na temporada), Evra, aos 35 anos, acertou com o Olympique de Marseille, com um contrato de um ano e meio. É uma volta em um cenário bastante diferente do que deixou o país, na metade da temporada 2005/2006. De grande expoente quando saiu, volta com o status de veterano de sucesso.

Evra atuou por duas temporadas no Nice | Foto: Arquivo/Nice Matin

Evra atuou por duas temporadas no Nice | Foto: Arquivo/Nice Matin

Evra, que nasceu em Senegal e se mudou para a França antes de completar o primeiro ano de vida, curiosamente, começou a carreira profissionalmente na Itália, jogando pelos modestos Marsala, da 3ª divisão, e pelo Monza, da 2ª. Somente em 2000, no Nice, que recebeu a primeira oportunidade no país onde cresceu. Claro, o fato de Fédérico Pastorello, diretor geral do clube, ser o seu empresário facilitou nesta chegada.

Mas antes de retornar ao país gaulês e também no começo de sua passagem pelo clube, Evra viveu um momento de muita incerteza. Quando garoto, nos testes que fez alguns clubes, incluindo o Paris Saint-Germain, chegou a ser chamado de “novo Romário” por um amigo que lhe levou a uma das peneiras. Isso chegou pela altura, mas também pelo fato de ser atacante. Quando chegou ao Nice, já atuava no meio.

No clube rubro-negro, entretanto, viu a carreira crescer. Chegou quando a equipe estava na segunda divisão, estreou numa derrota impiedosa por 7×2, jogou pouco, mas tomou conta da lateral-esquerda no ano seguinte de forma surpreendente, sendo eleito o melhor lateral-esquerdo da temporada, conseguindo a transferência para o Monaco ao término do contrato.

Didier Deschamps foi um dos grandes mentores da carreira de Evra | Foto: Getty Images

Didier Deschamps foi um dos grandes mentores da carreira de Evra | Foto: Getty Images

No clube do Principado, tinha em mente que atuaria como winger pelo flanco esquerdo. Entretanto, entraria na história o técnico Didier Deschamps. O ex-defensor, campeão mundial com a França em 1998, o convenceu a atuar na lateral-esquerda e que lhe faria um marcador melhor. Dito isso, Evra passou a compor a defesa ao lado de Jurietti, Rafa Márquez e Squillaci.

A estratégia deu certo. Evra se notabilizou como um dos principais laterais do país e, com o vice-campeonato europeu em 2004, teve nome vinculado a grandes clubes, como Arsenal, Milan, Juventus e Barcelona. Decidiu deixar a França apenas em setembro de 2005, quando optou por aceitar a proposta do Manchester United, se transferindo na janela de inverno daquela temporada.

Pelo Monaco, foram 154 partidas em três temporadas e meia, com dois gols e três assistências. Coletivamente, ergueu apenas a Copa da Liga em 2002/2003, mas viu o clube ser vice-campeão europeu e sempre ficar nas três primeiras posições enquanto esteve por lá. Tamanho desempenho fez com que fosse reconhecido pela torcida, que o colocou como o melhor lateral-esquerdo da história do clube em votação no site oficial do próprio Monaco.

Acréscimo importante

Evra chega para reforçar o OM por uma temporada e meia | Foto: Divulgação/OM

Apesar de não ser mais aquele jovem vigoroso dos tempos de Monaco, tampouco o regular e eficiente lateral dos tempos de Manchester e seleção francesa, Evra deve acrescentar bastante ao Marseille, de Rudi Garcia.

A posição é uma das principais, se não a principal, carência do OM. No momento, o camaronês Henri Bedimo, que veio para ser o titular na função, se recupera de um grave problema no menisco e o brasileiro Dória vem sendo improvisado na lateral-esquerda.

Na péssima campanha do time na Ligue 1 (no momento, ocupa a 7ª colocação, com 30 pontos e bem distante das ligas europeias) Evra pode ser um acréscimo importante se mantiver a forma física, mantendo-se livre das lesões (o que sempre foi uma característica do atleta). Só resta saber o ritmo de jogo do jogador, que não joga oficialmente desde outubro de 2016.

Num modo geral, o Marseille vem fazendo um bom mercado, tentando corrigir o elenco e solucionar problemas pontuais que afetam o clube há alguns anos. O novo dono, o norte-americano Frank McCourt, tem consigo o diretor esportivo Andoni Zubizarreta, e os dois, ao lado de Garcia, buscam uma sintonia de ideias para formar um novo Marseille, com atletas comprometidos com o novo projeto do clube. O marfinense Didier Drogba, ídolo do clube, por exemplo, foi colocado para fora do leque de opções do OM exatamente por não se enquadrar neste perfil.

Evra pode até ter tido no passado alguns problemas (seríssimos) extracampo na seleção francesa, mas retomou a carreira nos Bleus sendo peça de confiança de Didier Deschamps e tornando-se um líder da equipe. Em reta final de carreira, mas em boas condições físicas, tende a ser uma peça de grande valia e de poder de liderança ao novo Marseille.

Le Podcast du Foot #55 – A temporada do Marseille

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Foto: Icon Sport

Tradicional equipe do futebol francês, o Olympique de Marseille vem tendo temporada para ser esquecida. Distante de qualquer luta por vagas em ligas europeias e afundado em uma crise interna sem precedentes, o OM não sabe até onde pode parar.

Este tema foi pauta da edição #55 de Le Podcast du Foot. Eduardo Madeira, Renato Gomes e Vinícius Ramos se reuniram e debateram o tema nos microfones do podcast.

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Mais do futebol francês:

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Os “caras” de 2014 no futebol francês

Em troca de ano é normal que, em vários setores da sociedade, todas as ações realizadas durante os últimos 12 meses sejam revistas e avaliadas. No blog, como não tive a mesma disponibilidade de tempo como em outras épocas, não daria pra fazer um apanhado com os melhores posts, mas ainda assim dá para fazer um balanço de 2014.

Como o Europa Football tem um foco maior no futebol francês, até mesmo pelo Le Podcast du Foot, decidi levantar os nomes que foram destaque na terra dos vinhos no último ano. Seria uma lista de cinco nomes, mas enquanto vasculhava mais e conversava com alguns colegas, fui encontrando outros personagens e fechei o ranking com os dez “caras” do futebol francês em 2014.

Sem mais enrolações, vamos a eles:

 10 – Didier Deschamps

Foto: AFP

Foto: AFP

A participação mais digna da França em uma Copa do Mundo neste século foi em 2014, mesmo tendo sido eliminada nas quartas-de-final. Em 2002, caiu na primeira fase, especialmente abalada pela lesão de Zinedine Zidane as vésperas da estreia; em 2006 até ficou com o vice-campeonato, mas as eternas polêmicas do técnico Raymond Domenech chamavam a atenção (lembrando que Ludovic Giuly, em alta no Barcelona, não foi convocado. Segundo o atleta, não foi chamado porque teve um caso com a esposa de Domenech), além da expulsão de Zizou na final por dar uma cabeçada em Marco Materazzi, da Itália; em 2010, o maior vexame de todos na África do Sul, com boicote do elenco e tudo mais. No Mundial do Brasil isso foi diferente e tudo passou pela disciplina do técnico Didier Deschamps.

Com uma equipe bem armada e com atletas mais comprometidos, a França de DD terminou 2014 com apenas uma derrota (o 1×0 diante da Alemanha, que tirou os Bleus do Mundial). Foram 15 partidas, dez vitórias, quatro empates e uma derrota – 75,5% de aproveitamento.

Deschamps teve um ano pra lá de proveitoso após passar maus bocados no Marseille nos últimos anos. Ter feito à França sair da Copa do Mundo com dignidade após muito tempo já foi uma grande credencial para entrar em nossa lista.

9 – Lucas

Foto: C. Gavelle - PSG Officiel

Foto: C. Gavelle – PSG Officiel

O atacante Lucas, do Paris Saint-Germain, talvez não guarde 2014 como um de seus grandes anos, especialmente porque ficou fora do grupo que defendeu a seleção brasileira na Copa do Mundo, mas na França ele não tem do que reclamar. Após 2013 penoso, onde teve imensas dificuldades em se adaptar ao 4-4-2 britânico de Carlo Ancelotti, o menino dos 40 milhões de euros se acertou em 2014 e é um dos principais nomes do milionário PSG de Laurent Blanc.

Lucas encerrou o ano tendo participado de 54 jogos, sendo 36 como titular, anotando oito gols e nove assistências. Nesta temporada, o camisa 7 parisiense participou de 26 jogos e esteve no 11 inicial em 21 oportunidades.

Este ano ainda, o brasileiro terminou em terceiro no ranking de assistências da última temporada da Ligue 1 com dez passes para gol. O bom desempenho em Paris o levou de volta para a seleção brasileira com o técnico Dunga e o deixou como o nono lugar em nosso ranking.

8 – Alexandre Lacazette

Foto: S. Guiochon - Le Progrès

Foto: S. Guiochon – Le Progrès

Clément Grenier? Yohan Gourcuff? Não, quem responde como principal nome do Olympique Lyonnais em 2014 é Alexandre Lacazette. Apenas no primeiro turno da Ligue 1 na atual temporada, o atacante de 23 anos foi responsável por 55% dos gols do time – 17 gols e cinco assistências.

Lacazette encerrou o ano com 23 gols em 38 jogos. Foram 3108 minutos em campo, o que lhe deu uma média de um gol a cada 135 minutos, ou seja, um tento a cada um jogo e meio. O atacante do Lyon terminou a primeira metade da temporada como artilheiro da Ligue 1 e terceiro colocado no ranking de assistências.

Na edição anterior do Francesão, ele já havia sido o goleador do OL com 15 gols, sendo o sétimo na tábua geral. Os espantosos números o colocam, justamente, em nosso ranking.

7 – Franck Ribéry

Foto: Splash News/AKM-GSI

Foto: Splash News/AKM-GSI

Franck Ribéry é o único jogador que entra nessa lista mais no aspecto negativo do que positivo. Indispensável para a seleção francesa que viria ao Brasil para a disputa da Copa do Mundo, o meia-atacante do Bayern de Munique teve um problema nas costas no fim da última temporada e não participou dos amistosos de preparação, sendo cortado posteriormente.

Até aí tudo bem, não é mesmo? Problemas assim acontecem em todas as Copas do Mundo. Mas aí vieram as controversas férias de Ribéry em Ibiza, na Espanha. Enquanto a França disputava o Mundial, o atleta do Bayern dava saltos ornamentais na praia espanhola. Aparentemente, as dores nas costas foram milagrosamente curadas pelos efeitos da Marijuana. Ressalte-se também que, segundo Le Figaro, o atleta foi convidado pela Federação Francesa de Futebol para dar apoio à delegação no Brasil antes do jogo contra a Alemanha, mas teria recusado o convite.

Já era sabido, também, que aquela seria a sua última Copa do Mundo, mas o que poucos esperavam era o anúncio de sua aposentadoria da seleção aos 31 anos, tendo uma Eurocopa na própria França em 2016.

Enfim, a passagem de Ribéry pela seleção francesa acabou de forma controversa. Foram duas Eurocopas, dois mundiais, 81 jogos e 16 gols, o mais importante deles talvez tenha sido o que reproduzo abaixo, contra a Espanha, nas oitavas-de-final da Copa do Mundo de 2006.

6 – Zlatan Ibrahimović

Foto: C. Gavelle - PSG Officiel

Foto: C. Gavelle – PSG Officiel

Aos 33 anos, o sueco Zlatan Ibrahimović se sente cada vez mais em casa em Paris e até pensa em encerrar a carreira por lá. Antes disso, o atacante tentará quebrar mais alguns recordes, além dos vários que já quebrou – alguns quebrados este ano.

Com dez gols, Ibra se tornou o maior artilheiro do PSG em uma única edição da Liga dos Campeões. O recorde pode ser ainda maior se fizer dois gols no mata-mata do próximo ano. Isso significaria que ultrapassaria George Weah e se transformaria no maior goleador parisiense em torneios europeus.

O sueco também se tornou o segundo maior goleador da história do Paris em uma única temporada: 30 gols, perdendo apenas para Carlos Bianchi, que fez 37 gols na temporada 1977/1978. Além disso, Ibra foi o principal artilheiro do Campeonato Francês pela segunda temporada seguida, feito que não acontecia desde a 2005/2006 e 2006/2007 com Pedro Miguel Pauleta, também no PSG.

Além disso, Ibrahimović vai subindo cada vez mais no ranking de maiores goleadores do clube. Já são 88 gols, o quinto na tabela geral. Neste último ano, deixou para trás atletas como Safet Susić, Raí e Carlos Bianchi. Enfim, esses recordes que citei foram apenas alguns dos fatores credenciais para o sueco entrar nessa seleta lista.

5 – Lionel Mathis

Foto: Jean-François Monier - AFP

Foto: Jean-François Monier – AFP

O meio-campista Lionel Mathis pode não ser muito conhecido pelo grande público, mas em 2014 conseguiu um grande feito na carreira: foi tetracampeão da Copa da França e sempre jogando por equipes intermediárias ou pequenas. Em 2003 e 2005, foi campeão com o Auxerre e em 2009 ergueu o caneco com o Guingamp, clube o qual voltou a ser vencedor do torneio em 2014.

Feito absolutamente espetacular que o coloca a um título dos maiores vencedores. Os que mais venceram foram Marceau Somerlinck com o Lille (é o atleta que detém o recorde de partidas pelo clube), Dominque Barthenay com Saint-Étienne (três vezes) e PSG (duas) e Alain Roche com o PSG (três) e com o Bordeaux (duas).

Notou que os recordistas foram campeões com clubes grandes? Pois então, Mathis não segue essa linhagem. E ainda obteve um feito maior, sendo campeão em 2009, com o Guingamp, que estava na metade da tabela da segunda divisão, e agora em 2014, com o time na elite. Um símbolo dessa fase de ascensão do time bretão, único representante francês no mata-mata da UEFA Europa League.

4 – Dmitry Rybolovlev

Foto: HNGN

Foto: HNGN

Principal acionista do AS Monaco, o bilionário russo Dmitry Rybolovlev viu – e segue vendo – o sonho de transformar o clube monegasco em uma potência europeia ruir. Os altos investimentos foram deixados de lado e Falcao García e James Rodríguez, principais nomes do projeto, deixaram o clube.

A principal responsável por isso foi a ex-esposa do bilionário, Elena Rybolovlev. Em maio, depois de mais de seis anos de batalhas nos tribunais, o mandatário do Monaco foi condenado a pagar 4,5 bilhões de dólares de divórcio à Elena, um dos divórcios mais caros da história.

Com tamanho prejuízo, Rybolovlev deixou os investimentos no clube em stand by e vê o time distante dos líderes da tabela do Campeonato Francês.

3 – Corinne Diacre

Foto: O. Stéphan - Stade Brestois

Foto: O. Stéphan – Stade Brestois

Aos 40 anos, a ex-jogadora Corinne Diacre topou um desafio e tanto: treinar um time de futebol masculino e decidiu comandar o Clermont na primeira metade de temporada da segunda divisão francesa. Corinne, que defendeu a seleção francesa de futebol feminino por mais de uma década, se tornou a primeira mulher a obter a licença para trabalhar como técnica nas duas primeiras divisões do país.

Um dos principais objetivos de Corinne é manter o clube na Ligue 2, missão que vem cumprindo até o momento. O Clermont encerrou 2014 na 14ª colocação com 20 pontos, três acima da zona de rebaixamento.

Quanto às copas nacionais, entretanto, o time vermelho e azul já deu adeus às duas. Na Copa da Liga, a equipe até eliminou Istres e Chateauroux, mas parou no Caen, da primeira divisão, nas oitavas-de-final. Na Copa da França, eliminação na oitava fase para o Epinal.

Mas pelo simples fato de ter aceitado o desafio de encarar o futebol masculino e ainda estar cumprindo o objetivo de manter o Clermont na segunda divisão, Corinne merece estar em nossa lista.

>> Confira mais da história de Corinne Diacre na matéria especial da Vavel Brasil;

2 – Marcelo Bielsa

Foto: Pascal Pochard Casablanca - AFP

Foto: Pascal Pochard Casablanca – AFP

O Olympique de Marseille gastou bastante na temporada 2013/2014. Ao todo, o OM investiu 42 milhões de euros. Entretanto, o investimento não trouxe resultado e a equipe não conseguiu classificação para nenhum torneio europeu e ainda deixou a Liga dos Campeões na fase de grupos sem nem fazer cócegas nos adversários.

Para mudar o cenário sem precisar mexer muito no bolso, o presidente Vincent Labrune trouxe o técnico Marcelo Bielsa. O argentino pegou o mesmo elenco, mas com o desfalque primordial de Mathieu Valbuena, vendido ao Dínamo de Moscou, e fez uma ótima primeira metade de temporada, terminando 2014 na liderança do Campeonato Francês com 41 pontos, tendo vencido 13 jogos de 19.

Com um futebol ofensivo e vistoso e com personalidade forte (já bateu de frente com o presidente Labrune por não cumprir exigências prometidas e por trazer Dória, jogador que não havia pedido), Bielsa já se tornou ídolo da cidade de Marseille e faz por merecer um lugar no ranking, mesmo estando há apenas seis meses na França.

1 – Karim Benzema

Foto: FFF

Foto: FFF

O atacante Karim Benzema chegou a ficar mais de um ano sem marcar pela seleção francesa entre 2012 e 2013. Foram 16 partidas sem balançar as redes pelos Bleus. Entretanto, 2014 foi o ano de afirmação do atleta do Real Madrid.

Em 13 partidas pela seleção este ano, Benzema fez sete gols, chegando a 25 em sua carreira internacional e ingressando no top-10 artilheiros da história da seleção, ocupando a 9ª posição no ranking. Aliás, aos 27 anos, a tendência é que suba mais na lista e até mesmo ultrapasse Zinedine Zidane, quarto no ranking, que têm 31 gols. Entre os jogadores em atividade, o jogador do Real Madrid é o que tem mais gols.

Benzema também obteve destaque na Copa do Mundo. Com o corte de Franck Ribéry, foi preciso que o camisa 10 francês assumisse a responsabilidade, e o fez com maestria, sendo responsável por três gols e duas assistências. O atacante foi o único jogador de linha da seleção a participar dos 90 minutos dos cinco jogos que fez no Mundial. O outro atleta foi o goleiro Hugo Lloris.

Além desses ótimos números pela seleção, Benzema também acumula bom retrospecto pelo Real Madrid. O francês participou de 51 partidas em 2014 e fez 27 gols, se afirmando como um dos principais nomes da equipe e também ganhando o status – atribuído humildemente pelo blogueiro que vos fala – de jogador francês do ano.

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O que achou? Faltou alguém? Algum nome poderia estar melhor ou pior ranqueado? Ou teve gente que nem merecia ter entrado na lista? Comente abaixo! Vamos debater!

 

Le Podcast du Foot #52

Foto: Yannick Parienti (OM.net)

Foto: Yannick Parienti (OM.net)

O único programa em áudio da internet brasileira dedicado única e exclusivamente ao futebol francês está de volta! Nesta semana de festas de fim de ano, a equipe de Le Podcast du Foot se reuniu para realizar a edição #52 do programa e trazer um balanço do que teve de bom e de ruim no primeiro turno do Campeonato Francês.

Depois de 19 rodadas, o Olympique de Marseille, do argentino Marcelo Bielsa, terminou na liderança com 41 pontos. Logo em seguida, com 39, vem o surpreendente Lyon, que tem o artilheiro da competição, Alexandre Lacazette, com 17 gols. Na terceira colocação está a principal decepção da temporada: o milionário Paris Saint-Germain, que não faz jus aos investimentos e acumula oito empates no torneio, o líder no quesito.

Le Podcast du Foot #52 tem a apresentação de Eduardo Madeira e os comentários de Filipe Papini e Vinícius Ramos. Nesta edição também contaremos com a participação especial de Thiago Simões, comentarista dos Canais ESPN, que se juntou a nosso time de analistas neste podcast.

Clique na imagem abaixo e ouça o programa:

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Baup tirou o máximo do mínimo e o mínimo do máximo

Baup será substituído interinamente por José Anigo

Baup será substituído interinamente por José Anigo

Temperamento frio, poucas palavras e gestos tímidos dentro de campo. Esse é Élie Baup, que assumiu o Marseille no meio de 2012 com o objetivo de renovar o elenco esfacelado deixado por Didier Deschamps e ainda fazer frente ao milionário rival Paris Saint-Germain. Na última sexta-feira, ele foi demitido após derrota diante do Nantes e pode dizer que não cumpriu o objetivo traçado no dia que chegou. O diretor de esporte José Anigo assumirá em seu lugar.

Qualquer treinador poderia elencar vários motivos para este fracasso, começando com a desigualdade financeira. O Marseille não só não tem cacife para fazer frente à PSG e Monaco, como ainda enfrenta o drama de reformar o estádio Vélodrome, visando a Euro 2016, o que lima parte das finanças (problema que clubes como Bordeaux, Lyon e Lille também sofrem).

Se quisesse, também poderia culpar a escassez do elenco, outro motivo que lhe impediria bater de frente com os milionários rivais. Mas seria justamente ai que Baup começaria a perder a razão (sempre levando em conta que essas reclamações não passam de suposições).

Na primeira temporada no comando do Marseille, foi investido cerca de 8 milhões de euros em contratações e ficou, aos trancos e barrancos, com o 2º lugar da Ligue 1. Dos 38 jogos em solo nacional, o OM venceu 21 partidas, 12 por 1-0 e outros seis por um gol de diferença. E isso tudo com elenco escasso e cheio de jovens, já que Baup utilizou 25 jogadores na temporada, sendo que despachara uma série de atletas úteis (como Brandão, M’Bia, Azpilicueta, Diarra, Kaboré e Remy) durante a temporada.

Para esta temporada, tudo foi diferente. O Marseille investiu quase 43 milhões de euros em contratações, incluindo atletas de muito potencial como Dimitri Payet, Giannelli Imbula e o badalado Florian Thauvin. Além disso, ninguém de grande relevância deixou o clube, tornando o sonho do título palpável.

Porém, com 17 rodadas, o OM tem desempenho decepcionante e ocupa apenas a 5ª colocação com 27 pontos, 13 atrás do líder PSG e oito atrás do Monaco, primeiro time no G-3 da Ligue 1. Na temporada anterior, com as mesmas 17 partidas disputadas, o Marseille tinha 32 pontos, era o 3º colocado e estava só três pontos atrás do então líder Lyon.

Curiosamente, o OM tinha 22 gols marcados no ano passado e 23 agora. Evolução irrisória para um time que se reforçou com muitos atletas para o ataque.

Baup - Tabela

Burocrático

Muitos chamavam Baup de “treinador burocrático” pelos inúmeros placares magros. Eu considerava injusta essa marcação simplesmente por ele ter um elenco pobre em mãos, mas hoje reconheço que esse termo possui lógica quando colocada ao citado treinador. É inadmissível que um técnico que tenha a disposição Gignac, Valbuena, André Ayew, Payet, Thauvin e outros, faça o time marcar míseros 23 gols em 17 jogos.

Baup não mostrou ter grandes ideias táticas para o Marseille. Foi do 4-2-3-1 do início ao fim de sua passagem pelo Vélodrome, dando algumas passadinhas pelo 4-3-3, mas pouco diferenciando do esquema habitual.

O treinador também foi teimoso em muitos jogos ao manter Gignac no banco e insistir com o displicente Jordan Ayew, que está muito abaixo do irmão André, por exemplo.

A demissão de Baup é justificada. Ele até tem motivos para elaborar explicações contra, mas os motivos favoráveis pesam mais. O treinador, de forma curiosa, conseguiu levar o Marseille a um lugar que nunca chegaria com o elenco escasso que tinha em 2013, mas não saiu do “lugar comum” quando contava com atletas de ótimo nível.

O Marseille precisa de alguém que consiga extrair o máximo do bom elenco que tem. Alguém que não seja teimoso e traga ideias novas e capazes de igualar com os milionários clubes do país. Resumindo: o Marseille precisa de alguém que não seja Élie Baup.

Bola de segurança

Courbis volta ao Montpellier para ser o salvador do time

Courbis volta ao Montpellier para ser o salvador do time

A “dança das cadeiras” rolou solta na França na última semana. Outra mudança foi no Montpellier: Jean Fernandez não resistiu ao sétimo jogo seguido sem vitória (14º no campeonato) e foi demitido. Neste sábado, Rolland Courbis foi anunciado como substituto de Fernandez.

Courbis tem enorme experiência na França e atua como técnico desde a metade dos anos 80 (colecionando diversas polêmicas judiciais). As principais passagens da carreira foram nos anos 90, quando levou Bordeaux, Toulouse e Marseille as cinco primeiras colocações do Campeonato Francês.

Neste século passou a figurar em times de rabeira e segunda divisão. Entre 2007 e 2009 trabalhou no Montpellier. Quando chegou, evitou o rebaixamento do time a terceira divisão e, dois anos depois, colocou o clube na elite do futebol francês, dando, então, lugar a René Girard, que viria a ser o técnico mais importante da história do MHSC.

Desde então, Courbis teve passagens obscuras pelo Sion, da Suíça, e USM Alger, da Argélia.

Mesmo em baixa na carreira, a aposta do presidente Louis Nicollin é na bola de segurança. Em 17º lugar com 15 pontos, o momento do Montpellier é delicadíssimo. A ala radical da torcida cobrava insistentemente a demissão de Fernandez, alguns até pediam a renúncia de Nicollin. Os jogos no Stade de la Mosson estão cada vez mais vazios. A torcida está em clima de guerra com o elenco e a diretoria, principalmente porque o presidente não mede palavras na hora de criticar a torcida quando pensa ser conveniente.

Entre torcida e Nicollin, um lado precisava ceder nesse intenso cabo-de-guerra. Quem cedeu foi a presidência. A chegada de Courbis é a forma que Nicollin encontrou para tentar trazer os torcedores de volta para seu lado, mesmo contando com um treinador na curva descendente da carreira. A aposta é arriscada, mas tem boas chances de dar certo, vide o fato do Montpellier não ter um time ruim.
 
*Crédito das imagens: Frédéric Speich (Baup) e Franck Valentin (Courbis)

Quando o gol era exclusividade dos atacantes…

Le Jaguar, o brasileiro que fez história no Marseille (Foto: OM 4Ever)

El Jaguar, o brasileiro que fez história no Olympique de Marseille

Foram décadas e mais décadas em que o europeu só via no futebol brasileiro ginga, habilidade e atrevimento com a bola no pé. Somente nos anos 2000 essa imagem ganhou novos contornos e os defensores com sangue verde e amarelo passaram a pintar os gramados do Velho Continente.

Um dos marcos foi a presença de goleiros nos principais clubes do continente. Júlio César, por exemplo, foi considerado o melhor jogador da posição no mundo defendendo a Internazionale. Dida também alcançou status parecido vestindo a camisa do rival, Milan. A Roma chegou a ter Doni, Júlio Sérgio e Arthur como seus goleiros. O último alçou voos mais altos e é destaque do Benfica. Todos eles impulsionados por Cláudio Taffarel, personagem marcante da história do turco Galatasaray entre o final dos anos 90 e início dos 2000.

Um fato curioso é que a França, país onde Juninho Pernambucano, Carlos Mozer, Jairzinho, Paulo César Caju, Sonny Anderson, Raí e outros brasileiros marcaram época, não possui um grande registro de goleiros tupiniquins nos principais clubes.

Mais curioso ainda é que o Olympique de Marseille, time especializado em ‘flops’ brasileiros, como Fernandão, Marcelinho Paraíba, Adriano Gabirú e Édson “Canhão” (considerado sucessor de Roberto Carlos), possui a história mais interessante envolvendo um goleiro de nosso país em terras francesas.

Entre 1936 e 1939, o carioca Jaguaré Bezerra de Vasconcellos defendeu a camisa do OM com maestria. No Brasil, ele também fizera história com a camisa do Vasco da Gama antes de jogar por uma temporada no Barcelona.

Em seus três anos na cidade litorânea, Jaguaré, ou Vasconcellos para os franceses, disputou 69 partidas, todas como titular, venceu 40 jogos, empatou 13 e perdeu 16. Além disso, sua presença foi de extrema importância para o primeiro dos nove títulos nacionais do Olympique de Marseille. El Jaguar, como era apelidado, foi vazado 39 vezes na temporada 1936/37, fazendo com que o saldo do OM fosse de 30 positivos contra 14 do Sochaux. Essa diferença de gols deu o título para os marselheses, pois os dois times terminaram com 38 pontos.

Na temporada seguinte, Jaguaré entrou de vez para o hall de ídolos do Marseille na 29ª rodada do Campeonato Francês. O adversário da ocasião era o FC Sète e a partida ficou marcada pelos vários pênaltis assinalados, momento exato para um goleiro fazer seu nome. Mas nosso personagem decidiu fugir do padrão (o que lhe era normal) para fazer história.

Jaguaré ficou conhecido por suas estripulias debaixo da meta (Foto: OM 4Ever)

Jaguaré ficou conhecido por suas estripulias debaixo da meta

O primeiro dos pênaltis foi para o OM, quando já perdiam pelo marcador mínimo. Vilmos Kohut, cobrador oficial, não estava em campo; Aznar, que seria o atirador imediato, estava baleado e fazia número em campo; Ferdinand Bruhin, capitão do time, parecia relutante em bater e tomou uma decisão ousada: ele apontou para a meta e chamou Jaguaré para a cobrança.

Para o contexto histórico, aquela medida era maluca, afinal, um goleiro nunca cobrou um pênalti, mas para a vida do brasileiro não era nada de outro mundo. Reza a lenda que Jaguaré adorava “brincar” embaixo dos três postes fazendo defesas malucas. Uma das histórias é que só não foi mandado embora do clube mais cedo após fazer uma defesa de bicicleta contra o Racing, porque o Marseille venceu a partida.

Jaguaré, incorporando seu estilo malucão, foi para a bola sorrindo. Com a confiança que poucos ou talvez nenhum outro goleiro teria, ele converteu o pênalti e igualou a partida em 1×1, placar que seria o definitivo, pois o brasileiro ainda defenderia dois tiros da marca fatal do FC Sète.

Esse foi, e é até hoje, o único tento anotado por um goleiro na história do Olympique de Marseille, o segundo maior campeão francês e único time do país a conquistar a Liga dos Campeões da Europa.

Por isso, o PSG pode se gabar de Raí, o Lyon de Juninho, o Saint-Étienne de Aloísio Chulapa e Alex Dias, mas o Marseille pode se orgulhar de ter Jaguaré como seu goleiro artilheiro.

Fotos: OM 4Ever