Os descartáveis

Lucas e Matuidi estão na lista de descartáveis parisienses | Foto: Getty

O Paris Saint-Germain virou o time mais visado da Europa nas últimas semanas. Dos apreciadores do bom futebol, há uma espera em ver como Neymar, contratado por generosos € 222 milhões, irá se encaixar na equipe e como se adaptará ao Campeonato Francês. Os adversários em nível doméstico também têm essa curiosidade, já que terão de encara-los a cada fim de semana.

Mas, certamente, quem está com os olhinhos atentos a tudo que cerca o PSG são os adversários de outras ligas, equipes com dinheiro para gastar e que procuram os alvos certos para negociar. A chegada de Neymar, além de provocar natural alteração no elenco para ajuste financeiro, deve mexer nos brios de alguns jogadores, que além de perder holofotes, devem ficar com espaço reduzido no elenco.

O exemplo mais claro disso é de Lucas Moura. Contratado em 2013 por € 40 milhões e com vínculo até 2019, o ex-são-paulino nunca foi peça unânime dentro do clube. Chegou na época do italiano Carlo Ancelotti, que atuava num clássico 4-4-2, onde não se encontrou. Não possuía capacidades para compor a segunda linha de quatro, tampouco conseguia render mais adiantado, junto de Ibrahimović.

Com Laurent Blanc, que trocou o 4-4-2 pelo 4-3-3, e também com Unai Emery, rendeu mais, cresceu nas estatísticas, mas nunca explodiu. Na última temporada, por exemplo, atuou 53 vezes, marcou 19 gols e deu 11 assistências, mas não completou 90 minutos nem em 15 jogos.

Na segunda metade da temporada, perdeu mais espaço ainda com o crescimento de Ángel Dí Maria e a chegada de Julian Draxler. Virou reserva e, na estreia contra o Amiens, sequer ficou no banco.

Avaliado pelo Transfermarkt em € 38 milhões, Lucas já virou peça descartável para o PSG. Uma saída é o melhor caminho para que os parisienses assumam o fracasso do negócio e que o próprio brasileiro tente render mais a menos de um ano da Copa do Mundo da Rússia.

Rumo a Itália?

Juventus é uma das interessadas em Matuidi | Foto: P.Lahalle/L’Equipe

Outro jogador que pode mudar de ares já visando o Mundial é Blaise Matuidi. Com contrato até junho de 2018, o PSG não demonstra intenção em renovar com o meio-campista de 30 anos, muito pela filosofia de jogo de Emery.

Matuidi não é dos jogadores mais técnicos e virtuosos e ganha espaço na aptidão física e condução de bola. O espanhol prepara seus times para reter a bola, atuar com triangulações, tendo combatividade. Talvez isso explique Adrien Rabiot ganhar mais espaço.

Já Blaise, que começou a temporada na reserva, deve estar pensando no melhor caminho para ganhar minutos visando 2018. Especulações colocam a Juventus como uma das interessadas no volante. O único impasse, porém, seria o desejo do time italiano de contar com um atleta mais jovem que o francês.

Avaliado em € 30 milhões, o empecilho da idade pesa, deve abaixar o valor e fazer com que essa novela se arraste até o fechamento da janela.

Os meninos-problemas

Aurier parece não fazer parte dos planos de Unai Emery | Foto: F.Faugere/L’Equipe

Se Matuidi e Lucas estão com a cabeça em outros times por pura falta de espaço ou de encaixe nas ideias de Emery, Serge Aurier e Hatem Ben Arfa vivem situações totalmente opostas e o PSG procura algum clube corajoso a segurar essas bombas.

Tanto o marfinense quanto o francês aprontaram o que podiam e o que não podiam e, mediante a atuação do clube no mercado, estão totalmente descartados. Ambos começaram a temporada sonhando em retomar espaço, mas viram as pretensões caírem por terra depois das chegadas de Daniel Alves para a posição de Aurier e Neymar para a função de Ben Arfa.

A questão financeira não é o principal impasse. O marfinense está avaliado em € 15 milhões, já o francês é cotado em € 14 milhões. Além disso, os dois tiveram nomes ventilados em algumas equipes, como Manchester United, Inter (Aurier) e Fenerbahçe (Ben Arfa). A grande questão é: o valor monetário não é problema, mas, e o valor agregado? Quem quer pegar a bomba de dois jogadores-problemas, de extracampo pesadíssimo e que reflete em campo? O PSG só espera algum clube responder “eu quero” para uma dessas perguntas.

Pílulas

– Além desses casos que detalhei acima, há outros em que o descarte é mais escancarado. Grzegorz Krychowiak e Jesé Rodríguez, por exemplo, dificilmente jogarão nesta temporada, muito em conta pelo rendimento decepcionante no último ano e pelas contratações que foram feitas;

– E ainda há quem esteja de stand by. No gol, por exemplo, Kevin Trapp começou o ano no banco de Alphonse Areola e, com a forte especulação de Jan Oblak, do Atlético de Madrid, pode ser que procure novos ares;

– Retornando a linha de frente, a nova especulação do momento envolve a contratação de Kylian Mbappé. Se o prodígio do Monaco vier, alguém deve ir embora de Paris. Há quem aposte que o goleador Edinson Cavani procuraria novos ares, outros acreditam que Julian Draxler poderia partir. Enfim, se confirmada a vinda do monegasco, as especulações das peças descartáveis tendem apenas aumentar;

Os tops da temporada francesa

Encerrada mais uma temporada do Campeonato Francês, é chegada àquela hora bacana de retrospectiva e análise de tudo o que aconteceu ao longo das 38 rodadas. Desta vez, me empolguei em levantar listas com os tops e os flops do ano.

Claro que houve uma predominância: entre os tops, o Monaco, que com uma impressionante campanha e um ataque avassalador, ocupou as principais opções. Já entre os flops, o Paris Saint-Germain, que mais uma vez gastou tufos de grana e apresentou um futebol muito pobre, se sobressaindo muito na base da individualidade.

Hoje trago quem se destacou e, ainda nesta semana, trarei quem decepcionou. Confira a primeira lista:

5 – Balotelli ressurge

Super Mario foi o artilheiro do Nice na Ligue 1 | Foto: Divulgação/OGC Nice

Quando o Nice anunciou a contratação do italiano Mario Balotelli, muitos torceram o nariz. Polêmico, de extracampo complicado, Super Mario vinha de temporada pífia pelo Milan, com míseros três gols em 23 jogos. Parecia ser uma aposta perdida. Mero engano.

O italiano encerrou a temporada com 15 gols em 1.746 minutos na Ligue 1 (um a cada 116.4 ou um jogo e 26 minutos). O detalhe dos tentos é a distribuição deles. Foram oito na primeira etapa e sete na segunda, sendo sete em ações de jogo, três de pênalti, três após cruzamentos e dois de falta. Foi o artilheiro do time e peça-chave da formação ao lado do excelente meio-campista Jean Seri.

Ah, e sobre a tão cobrada questão disciplinar – com razão – Balotelli recebeu seis cartões amarelos e dois vermelhos.

4 – Nice voltando à Liga dos Campeões

Favre recolocou o Nice em uma Liga dos Campeões | Foto: Divulgação/OGC Nice

Com Lucien Favre no comando, o Nice fez história e, finalmente, terá a honra de disputar a Liga dos Campeões – mesmo que seja a fase prévia. Foram apenas duas vezes na história que isso aconteceu e a última foi na temporada 1959/60, quando caiu nas quartas-de-final para o Real Madrid.

Apesar de tradicionalíssimo, o Nice não tem grande carreira europeia, especialmente em anos mais recentes. Neste século, por exemplo, disputou duas edições da extinta Taça Intertoto e, mais recentemente, participou da Liga Europa sem grande sucesso – na atual temporada, caiu na fase de grupos.

Boa parte dos méritos vão para Favre, que armou uma equipe extremamente competitiva, capaz de bater de frente com os poderosos PSG e Monaco – nos 12 pontos disputados contra os dois, somou sete. Parte disso é explicado pela eficiência ofensiva, registrada nos números: 4º melhor ataque da Ligue 1, com 63 gols marcados, mas com a marca de ser apenas o 12º time no ranking de chutes por jogo.

Pena que Favre não deve permanecer nas Águias para a próxima temporada – o Borussia Dortmund é o principal cotado para tê-lo como treinador.

3 – Quadrado mágico do Monaco

Falcao foi um dos pilares do poderoso ataque monegasco | Foto: Divulgação/AS Monaco

Disparado o ataque mais positivo da Ligue 1, com 107 gols marcados – 60 (!!!) há mais que na temporada passada – o Monaco deve parte desse sucesso ao mágico quadrado ofensivo, formado pelos habilidosos Thomas Lemar e Bernardo Silva e dos letais Kyllian Mbappé e Radamel Falcao.

Dos 107 gols, 53 saíram do quarteto, ou seja, impressionantes 49,5% dos tentos. Destaque, é claro, para o colombiano, que voltou a ter uma temporada relevante e marcou 21 gols, e para o prodígio Mbappé, autor de 15 tentos.

Interessante destacar também a distribuição das assistências de Silva e Lemar: das nove do português, quatro foram para Mbappé, enquanto três das dez do francês foram para Falcao. No jogo de duplas de Leonardo Jardim (dois meio-campistas, dois articuladores e dois homens de frente), foi a formação de um quarteto que transformou a avassaladora máquina de gols do Monaco.

2 – El Pistolero!

Cavani fez 35 gols em 36 jogos na Ligue 1 | Foto: Divulgação/PSG

Em 36 jogos, 35 gols. Nunca Cavani marcou tantos quanto nessa temporada, superando, inclusive, 2012/13, quando marcou 29 na Série A italiana, ainda com a camisa do Napoli. Foi o artilheiro da Ligue 1 com sobras.

O detalhe interessante da temporada de El Pistolero é a regularidade: 18 gols foram feitos no primeiro turno e 17 no segundo. Se dividirmos o jogo em três partes de 30 minutos, observaremos que 15 tentos do uruguaio saíram na faixa final (contra 12 entre 0-30; 8 entre 30-60), mostrando que foi decisivo – coisa a qual era cobrado em temporadas anteriores.

Em dez ocasiões fez ao menos dois gols, incluindo uma em que fez quatro, no 6 a 0 sobre o Caen. Além disso, dos 36 jogos em que atuou, só não marcou em 13. Em uma temporada bem decepcionante dos parisienses, Cavani foi o ponto fora da curva e o diferencial do time.

1 – O campeão!

Com méritos, a taça Ligue 1 ficou no Principado | Foto: Divulgação/AS Monaco

Enquanto todos esperavam o quinto título consecutivo do Paris Saint-Germain, surgiu o Monaco. Time de futebol envolvente, de dominação de espaço, mas, ao mesmo tempo, agressivo, os monegascos ergueram o troféu de campeão nacional após 17 anos.

A campanha foi irretocável, com maior número de vitórias (30), menor de derrotas (3), melhor ataque (107 gols) e melhor campanha como mandante e visitante. Somado a isso, o Monaco encerrou a Ligue 1 invicto a 20 jogos, com 12 vitórias seguidas e nenhum tropeço em 2017.

Interessante ressaltar ainda que, segundo o WhoScored, o Monaco foi o time que teve maior média de finalizações na temporada, mas foi apenas o quinto em posse de bola e sexto em porcentagem de passes certos. Ou seja, foi uma equipe de controle espacial e de intensa eficácia com a bola no pé.

Somado a isso, o time comandado por Leonardo Jardim apresentou ao mundo jovens talentos que quem acompanha o Francesão há algum tempo já conhece, como Benjamin Mendy, Tiemoué Bakayoko, Thomas Lemar, Fabinho, Bernardo Silva e, é claro, a estrela da companhia, Kyllian Mbappé. É, amigos, daqui algum tempo, teremos história para contar desse fantástico time.

O que acharam dos tops da Ligue 1? Faltou alguém? Exagerei em algum ponto? Dê seu pitaco! Ainda nesta semana trago os flops da temporada.