De Genghini a Hoarau: as finais de Monaco x PSG

Sábado será um dia especial para o futebol francês. Monaco e Paris Saint-Germain, os dois principais times do país, se encontrarão no Parc OL para a decisão da Copa da Liga Francesa. Frente a frente, o poderoso ataque monegasco de Falcao García (que é dúvida para o jogo), Bernardo Silva, Mbappé e Lemar contra o milionário time de Cavani e Dí Maria.

Por mais que a Copa da Liga seja um torneio de menor relevância comparado a outros, o jogo pode gerar reflexos no Campeonato Francês, onde ambos disputam o título rodada a rodada. Quem vencer a copa, certamente sairá fortalecido e com a impressão de que poderá abocanhar o torneio nacional nos jogos que restam.

Na história, será o confronto de número 90 entre as duas equipes e o Monaco leva ampla vantagem, com 42 vitórias contra 22 do Paris e outros 25 empates. Em contrapartida, o equilíbrio vem prevalecendo nos anos recentes e, nos últimos dez jogos, foram dois triunfos para os dois times e seis empates.

Apesar desta larga história, será apenas a terceira vez que as duas equipes baterão de frente em uma decisão. Nas outras duas vezes, uma vitória para cada lado.

No ‘esquenta’ para o jogo de sábado, recordo os dois jogos decisivos, que ajudaram a construir a história do confronto:

Genghini dá o título ao Monaco

Monaco levou o caneco em 85 na casa do PSG | Foto: Divulgação/AS Monaco

A primeira vez em que parisienses e monegascos se encontraram em uma final foi na temporada 1984/85, na decisão da Copa da França. Aquele 8 de junho de 1985 tinha sabor diferente para as duas equipes. O PSG vinha de temporada fraca no Campeonato Francês, onde terminou apenas em 13º, e via no torneio eliminatório a chance de salvar o ano (na época pobre, isso foi recorrente). Já o Monaco buscava lavar a alma após perder a decisão para o Metz na prorrogação no ano anterior.

Na época, tirando a decisão, todos os jogos da Copa da França eram de ida e volta e até nisso os dois times se diferenciavam. Enquanto a equipe do Principado chegou à final sem grandes sustos, a agremiação da capital passou por disputa por pênaltis contra o Montpellier na primeira fase e ainda passou apuros com Le Havre (na época, na segunda divisão) e arrancou a classificação para a final nos penais diante do Toulouse.

No jogo decisivo, porém, o time de campanha mais tranquila levou a melhor e aos 14 minutos, Bernard Genghini fez o gol que valeu o título ao Monaco. O meia-atacante, que fez história na seleção francesa, aproveitou rebote de uma falta e, com o goleiro Moutier fora do lance, anotou o tento.

O PSG, que havia jogado a semifinal diante do Toulouse quatro dias antes (precisou reverter um 2×0 contra, passar por prorrogação e pênaltis), sentiu o cansaço e não conseguiu virar o marcador.

Foi a consagração da equipe que tinha ainda como destaques o goleiro Ettori, o lateral Amoros, o meio-campista Puel (que não pode jogar a final) e o atacante Bruno Bellone. Aquela foi a quarta conquista de Copa da França dos monegascos, que viriam a ganhar somente mais uma dali em diante.

Ficha técnica:

Estádio: Parque dos Príncipes

Público: 45.711

Gol: Genghini (14’/1º)

PSG: Moutier – Lemoult, Morin, Jeannol e Bacconnier – Fernandez, Charbonnier, Susic e Lanthier – Toko e Rocheteau | Treinador: Georges Peyroche.

Monaco: Ettori – Liégeon, Stojkovic, Simon e Amoros – Bijotat, Bravo e Genghini – Tibeuf, Anziani e Bellone | Treinador: Lucien Muller.

Hoarau salva uma temporada trágica

Hoarau cravou nome na história do PSG | Foto: Paris SG

Os dois times voltariam a se encontrar em nova decisão mais de 20 anos depois. No dia 1º de maio de 2010, Monaco e PSG enxergavam a final da Copa da França como uma chance de salvar a temporada. Os monegascos viviam tempo de vacas magras, sem títulos desde 2003, enquanto os parisienses, meros coadjuvantes no Campeonato Francês, se sustentavam nas copas, onde haviam chegado a cinco finais no século (aquela seria a sexta).

Olhando para trás, aliás, posso afirmar: que times alternativos!

O Monaco ainda tinha o ótimo Ruffier no gol e apostava suas fichas no brasileiro Nenê, que tempos depois brilharia no próprio PSG. Ainda no time monegasco de Guy Lacombe estavam Djimi Traoré, ex-Liverpool, e Eduardo Costa. Já o Paris tinha no gol o folclórico Apoula Edel (que teve ótima atuação na final), Claude Makélélé e Ludovic Giuly comandando o elenco e um Christophe Jallet com cabelo na lateral.

Por fim, quem levou a melhor foi o PSG na prorrogação, com um gol de Guillaume Hoarau, que ganhou um espaço especial no coração dos torcedores parisienses com esse tento. Hoarau virou uma espécie de ídolo da época mais humilde do clube, se é que podemos dizer assim.

Aquele título foi um divisor de águas para as duas equipes. O Paris só voltaria a erguer um caneco depois de receber a singela injeção monetária da Qatar Sports Investiments, enquanto o ASM seria rebaixado no ano seguinte, iniciando um processo de reconstrução que vem atingindo um ponto próximo do ápice nessa temporada.

Stade de France – Saint-Denis

Público: 77.000

Gols: Hoarau (15’/1ºP)

Monaco: Ruffier – Modesto, Mongongu, Puygrenier e Traoré – Eduardo Costa (Sagbo 111’), Mangani (Haruna 55’), Pino (Maazou 86’), Alonso e Nenê – Park | Técnico: Guy Lacombe

PSG: Edel – Jallet (Traoré 116’), Camara, Sakho e Armand – Makelele, Clément, Giuly (Luyindula 77’) e Sessegnon – Hoarau e Erding (Ceará 65’) | Técnico: Antoine Kombouaré

Só restou a rivalidade entre as torcidas

OM e PSG fazem o maior clássico da França | Foto: Yannick Parienti/OM

Olympique de Marseille e Paris Saint-Germain possuem vários atrativos para formar uma rivalidade destrutiva na Europa. Os dois clubes são de cidades antagônicas, com diferenças culturais e sociológicas, além de possuírem torcidas fanáticas que não se bicam, fazendo com que tenham um forte potencial comercial, que foi devidamente explorado durante as décadas de 1990 e 2000. Assim surgiu Le Classique, tido como o maior clássico da França.

Dentro das quatro linhas também há grande rivalidade. Enquanto o PSG se orgulhava do Parque dos Príncipes e do rápido crescimento, o Marseille batia no peito e, com muito orgulho, gritava que era o único francês a vencer uma Liga dos Campeões.

Todos esses fatores, porém, estão indo por água abaixo pela disparidade técnica entre as duas equipes nos últimos anos. Ambos se mostram incapazes de competir em níveis iguais. O cenário atual mostra um Paris milionário desde a chegada da Qatar Sports Investiments defronte um OM, que passou por dificuldades financeiras e somente agora, com o norte-americano Frank McCourt no comando, tenta se reerguer. O reflexo disso é uma doutrinação parisiense que perdura seis anos.

A última vez que os torcedores do Marseille voltaram para casa com uma vitória foi no dia 27 de novembro de 2011, quando derrotaram o já milionário PSG por 3×0. Era a primeira temporada do time da capital francesa com investimento do Qatar e a equipe ainda passou alguns maus bocados no primeiro semestre com o técnico Antoine Kombouaré, que viria a ser demitido na virada do ano. Um dos pontos altos desse preocupante rendimento foi exatamente esta derrota no Vélodrome.

Desde aquele dia, foram 14 jogos, com impressionantes 12 vitórias do PSG e dois empates. Neste período, o Paris fez 32 gols (média de 2.28 por jogo) e sofreu somente 11. Graças a esse novo cenário, o time da capital francesa passou a ser o dominador do clássico. Em 91 jogos ao longo da história, acumulou 38 vitórias contra 32 do OM e 21 empates.

No último jogo, aliás, o PSG sequer tomou conhecimento do maior rival e meteu 5×1, em pleno Vélodrome. Foi a maior goleada do clássico, igualando o mesmo placar aplicado pelo próprio PSG em janeiro de 1978.

Em fevereiro deste ano, o PSG meteu cinco na casa do rival | Foto: C. Gavelle/PSG

Se dividirmos Le Classique em antes e depois do PSG milionário, notaremos bem o desequilíbrio em que ficou este grande jogo. Antes da versão qatarina do Paris, foram 76 jogos, com 26 vitórias parisienses, 19 empates e 31 triunfos do OM, que também tinha o melhor ataque, com 105 gols contra 92. Na nova versão parisiense são 15 jogos, com 12 vitórias do time da capital, dois empates e somente uma vitória marselhesa.

É essa discrepância que me preocupa. O Marseille tinha a vantagem antes, mas era equilibrado. O OM nunca teve esses 14 jogos de invencibilidade – o máximo que atingiu foram nove jogos entre 1990 e 1994, com seis vitórias e três empates – tampouco acumulou dez vitórias seguidas como fez o PSG entre 2012 e 2016. É fora do comum e preocupante para o futuro do clássico. Hoje, somente a rivalidade entre as cidades de Marseille e Paris e das duas torcidas mantém o confronto vivo.

Unai Emery e um fracasso que vai além de resultados

Emery viu o PSG fazer 5×3 no agregado e ser eliminado pelo Barcelona | Foto: EPA

Unai Emery tem tudo em mãos em Paris. Jogadores milionários, estrutura de primeiro mundo, um dos zagueiros mais regulares da década, uma joia italiana desejada por vários clubes da Europa e uma dupla sul-americana na frente capaz de colocar medo em qualquer um. Fora isso, tem por trás a Qatar Sports Investiments (QSI), empresa que administra o Paris Saint-Germain e lhe dá capacidade de investimento quase infinita. Nem com todas essas ferramentas foi capaz em transformar o PSG em um time temido.

O vexame em Barcelona foi apenas a cereja de um bolo que queimou no forno. O time desorganizado defensivamente, afobado com a bola nos pés, displicente no ataque e posicionado atrás contra uma equipe de forte ataque tem mais do que o dedo do treinador, tem todas as mãos de Emery, que chegou gabaritado por um tricampeonato da Europa League com o Sevilla.

Para a história, ficará a virada do Barcelona como o grande feito, mas o fato é que o Paris teve o maior vexame da história. Foi muito mais uma derrota do que uma vitória. Basta ver os primeiros gols, que saíram de falhas grotescas (Marquinhos esteve muito mal nos dois primeiros lances) de uma defesa com jogadores de ótimo nível. Basta ver, também, que o PSG fez um gol quando perdia por 3×0, obrigando o adversário a dobrar o número de gols. Dí Maria e Cavani também tiveram chances claríssimas e pararam no próprio preciosismo. Foi um vexame enorme, uma hecatombe para derrubar Paris.

Não sei sequer dizer o que faltou para o PSG se classificar. Por mais que seja possível fazer uma análise técnica (a postura passiva é o principal ponto de crítica), fica difícil fugir de críticas mais passionais, como a própria falta de vergonha na cara, de perceber que se tratava de um jogo dificílimo e que valeria uma temporada.

Fosse eu que estivesse na posição do xeique Nasser Al Khelaifi, certamente iria no vestiário e soltaria aquele nada gosto “suco de urina” em todo mundo. Ia resolver algo? Provavelmente não, mas, honestamente, é impossível ficar parado vendo isso. Tomar seis gols, seja qual for a ocasião, já é de envergonhar qualquer um, porém, sofrer seis deste jeito, tendo a vantagem em mãos, com chances claras e adversário abalado após inesperado gol, é doloroso.

Dí Maria teve a chance de fazer o segundo gol parisiense no Camp Nou | Foto: Reuters

Pode parecer exagero falar tudo isso de um time que está em 2º lugar no Campeonato Francês, é finalista da Copa da Liga e segue firme e forte na Copa da França, mas, convenhamos, com o que o PSG tem à disposição, é sintomático que isso aconteça em terreno local. Os resultados vêm naturalmente dentro do território gaulês. O que mais preocupa é a incapacidade de Emery em fazer o Paris apresentar um futebol minimamente convincente com o material que tem.

Emery mantém o 4-3-3, que se tornou habitual desde os tempos de Laurent Blanc, mas priorizando a posse de bola. Entretanto, o que tem sido visto em campo é uma equipe com muita dificuldade de construir jogadas e que se esforça muito para fazer o básico.

Lembro que o time que meteu quatro no Barcelona é o mesmo que venceu o Nancy por 1×0 com um gol de pênalti, somente aos 35 minutos do segundo tempo. É o mesmo que fez 3×1 no Dijon, com dois gols nos últimos dez minutos. É o mesmo também que precisou de um gol irregular nos acréscimos para derrotar o Lille.

O PSG não consegue convencer sequer em nível doméstico. Vem sendo inconstante e está somando seus pontos em fatores que estão alheios a organização do time (como o brilhantismo de Cavani e a fragilidade de alguns adversários). Para efeitos de comparação, o time de Laurent Blanc na temporada anterior, liderava o campeonato nacional com 28 rodadas, tinha 73 pontos contra os 62 atuais, quatro vitórias a mais e um ataque de 68 gols contra 56 de hoje.

Bastou para Blanc ficar? Não. A cobrança também era por um jogo mais qualificado e um rendimento que, aparentemente, poderia ser maior. O PSG não quer mais só “resultados”. Isso o clube vem obtendo ano pós ano. O clube quer rendimento de alto nível, capaz de colocá-lo entre as principais equipes do mundo, o que ainda não foi possível.

Não descarto novo título francês, tampouco as conquistas nas copas nacionais, mas Emery não está pronto para tocar o ambicioso projeto parisiense. Dentro do que tentou propor, fracassou e nenhum resultado mudará isso.

PS: Sobre a arbitragem do jogo, só queria dizer que um time que consegue ser eliminado depois de fazer 4×0 e 5×3 no placar agregado não tem moral alguma para reclamar de arbitragem (por mais que não daria nenhum dos dois pênaltis, especialmente o segundo).

Chegada de Draxler “acorda” concorrentes de posição

Draxler já tem dois gols em três jogos pelo PSG | Foto: C. Gavelle/PSG

Draxler já tem dois gols em três jogos pelo PSG | Foto: C. Gavelle/PSG

O alemão Julian Draxler foi uma das cartadas do Paris Saint-Germain na janela de inverno. Unai Emery precisava ter em seu elenco alguém capaz de articular o jogo pelo lado do campo, compondo ainda a faixa central com a bola, e foi direto ao Wolfsburg buscar o atleta por € 40 milhões. Javier Pastore era um dos que poderia compor esta função, mas as lesões estão sendo um obstáculo para o argentino, que fez poucos mais de 20 jogos desde a temporada 2015/2016, enquanto o compatriota Ángel Dí Maria tem desempenho abaixo da crítica.

Draxler já começou a mostrar a que veio e já tem dois gols marcados em três jogos (174 minutos). No 4-3-3 de Emery, o alemão vem atuando pelo flanco esquerdo na linha ofensiva. O técnico espanhol forma o ataque com Lucas pela direita e Edinson Cavani pelo centro, além do germânico pela canhota.

Desenho tático do setor ofensivo parisiense com Draxler | Foto: Football User

Desenho tático do setor ofensivo parisiense com Draxler | Foto: Football User

Nesse começo, Dí Maria foi desbancado. Na primeira temporada em Paris, após ser contratado junto ao Manchester United por € 50 milhões, o argentino até teve desempenho destacado, com 15 gols e 25 assistências (dez gols e 18 assistências na Ligue 1), mas tem sido uma negação em 2016/2017. Em 26 partidas, fez seis gols e deu nove assistências. No Campeonato Francês, porém, onde o PSG passa apuros com Monaco e Nice, balançou as redes somente uma vez e deu cinco passes para gol.

O interessante disso tudo é que a chegada de Draxler, de certa forma, deu uma animada no argentino e em outros concorrentes. O canal Infosport+ trouxe no Twitter um dado interessante nesta semana: desde a chegada do meia alemão, Dí Maria fez três gols e deu duas assistências, enquanto Lucas, que vem sendo titular, fez um e deu três passes para tentos.

Lucas e Dí Maria precisaram agir após a chegada do alemão | Arte: Infosport+

Lucas e Dí Maria precisaram agir após a chegada do alemão | Arte: Infosport+

O próprio Hatem Ben Arfa pode ser enquadrado na lista. Por mais que tenha ainda apenas um gol na temporada (exatamente no primeiro jogo, na Supercopa da França), o winger de 29 anos deu duas assistências na goleada por 7×0 sobre o Bastia, na Copa da França, jogo de estreia de Draxler com a camisa azul de Paris.

É inegável que a contratação do alemão serviu para tirar muita gente da zona de conforto dentro do PSG. Ou alguém acredita que Ben Arfa não esteja com uma pulga atrás da orelha? Ou que o próprio Lucas não esteja preocupado ao ver um Dí Maria no banco? O argentino, aliás, é o caso mais emblemático deste novo cenário parisiense. Caso queira manter-se em alto nível, precisará encarar a concorrência, retomar o bom futebol e tornar-se importante para Emery no restante da temporada. Caso contrário, terá de tomar outro rumo – e pode ser a China.

Gonçalo Guedes

Guedes chegou a Paris querendo repetir os feitos de Pauleta | Foto: PSG

Guedes chegou a Paris querendo repetir os feitos de Pauleta | Foto: PSG

Para embaralhar ainda mais as cartas no setor ofensivo do PSG, o clube francês confirmou nesta semana a chegada de Gonçalo Guedes. O atacante de 20 anos, revelação portuguesa do Benfica, foi contratado por € 30 milhões, com vínculo até 2021.

O lusitano começou a carreira atuando aberto pela direita, mas nesta temporada tem jogado preferencialmente como centroavante. Ele chega à Paris para ser uma opção a Cavani, que vive fase esplendorosa em Paris (são 26 gols em 26 jogos).

Na chegada ao clube, Guedes projetou um caminho de sucesso e até citou o compatriota Pedro Miguel Pauleta, segundo maior artilheiro da história do clube com 109 gols (Cavani já igualou a marca com dois tentos sobre o Bordeaux, na Copa da Liga, na última terça-feira, dia 24).

“Sei que Pauleta foi muito apreciado pelos torcedores parisienses. Espero me sair tão bem e ser, um dia, tão popular quanto ele”, Gonçalo Guedes

Currículo para obter tal status não falta. O ESPN FC elencou cinco coisas a se saber de Gonçalo Guedes e algumas delas me chamaram a atenção, como o talento observado já desde os cinco anos de idade, a preferência pelo estilo mais reservado, sem tatuagens ou joias, mostrando não se deslumbrar com a fama, além das comparações com Cristiano Ronaldo desde a base do Benfica.

Apesar de não poder jogar a Champions League por já ter disputado o torneio pelo Benfica, Guedes é a peça que faltava no elenco de Emery. Caso haja qualquer problema com o uruguaio, o técnico parisiense vem sendo obrigado a improvisar na função, utilizado um centroavante mais móvel, de característica bastante diferente a de Cavani. O português supre essa necessidade.

Além disso, o português passa a ser uma opção para o futuro. El Pistolero completará 30 anos em fevereiro e chega num momento decisivo na carreira. Pode escolher ficar em Paris enquanto for competitivo, buscar novos objetivos em outra liga (como aconteceu com o sueco Zlatan Ibrahimović) ou até mesmo encher o bolso de dinheiro nos mercados periféricos da Ásia e do Mundo Árabe. Independente de qual for a decisão, o PSG terá Guedes preparado para substitui-lo.

O inferno de Mamadou Sakho

Sakho está fora dos planos de Jürgen Klopp, no Liverpool | Foto: Getty Images

Sakho está fora dos planos de Jürgen Klopp, no Liverpool | Foto: Getty Images

Mamadou Sakho é o típico zagueiro francês: alto, de ombros largos, forte fisicamente e parece ter duas vezes o tamanho que realmente tem. Na França, em qualquer esquina é possível encontrar defensores assim e todo time deve ter um ou dois no elenco.

Entretanto, diferente de muitos outros, Sakho nasceu para o futebol em algo semelhante a um berço de ouro. Formado no Paris Saint-Germain, na época em que o clube não era milionário, o zagueiro era tido como a grande esperança do futuro de uma equipe que era grande só no papel. Ainda longe dos xeiques e das cifras hipnotizantes, os parisienses sonhavam alto e tinham no zagueiro uma grande referência para crescer.

Lapidado desde os 12 anos de idade em Camp des Loges, o defensor cresceu rápido, inclusive sendo titular do PSG campeão nacional sub-18… quando tinha apenas 15 anos. Dois anos depois, já estava entre os profissionais do clube. Em pouco tempo, Sakho foi de promessa a capitão do time e foi um dos que ganhou respeito da torcida parisiense por conseguir transitar da “era pobre” pro momento milionário da equipe.

Ótimo no jogo físico e de boa qualidade técnica para um defensor do biótipo que tem, ele sempre se saiu bem em Paris. Salvo um ou outro equívoco, coisa natural para um jovem, Sakho fez valer todo o cuidado e dedicação que recebeu na base do clube.

Deixou o PSG em 2013 com o título de campeão francês, o ápice que teve pelo clube. Além disso, acumulou conquistas individuais, como Jogador Jovem do ano da União Nacional dos Futebolistas Profissionais (UNFP em francês) em 2011, mesma temporada em que entrou na seleção do campeonato.

Formado em Paris, Sakho foi capitão do PSG durante algumas temporadas | Foto: Divulgação/PSG

Formado em Paris, Sakho foi capitão do PSG durante algumas temporadas | Foto: Divulgação/PSG

Hoje, com 26 anos (fará 27 em fevereiro) e na quarta temporada na Inglaterra, Sakho se vê em cenário totalmente oposto. Longe de Paris, o zagueiro vive um inferno que parece não ter fim em Liverpool, culminando com uma temporada 2016/2017 desastrosa, onde somente entrou em campo pelo time sub-23 dos Reds.

O que agrava a situação do francês é que o problema principal passa longe de estar somente dentro das quatro linhas. Dentro de campo, aliás, acumula boas atuações – apesar de deixar a impressão de que poderia render mais. Ao longo da passagem pelo futebol inglês, entretanto, Sakho possui uma série de episódios controversos, que foram minando-o dentro do próprio clube.

Em 2014, por exemplo, ao saber que ficaria de fora do clássico contra o Everton, simplesmente abandonou o estádio. O episódio foi contornado após um pedido de desculpas. Dois anos depois, teve a suspeita de doping no mês de abril, que fez com que a Uefa o investigasse. O Liverpool optou por afasta-lo durante a investigação. Ele chegou a ser suspenso, mas foi absolvido em julho. Neste meio tempo, perdeu tempo, espaço e ficou fora da Eurocopa, que seria disputada na própria França.

O estopim, entretanto, foi durante a pré-temporada. O atraso no voo para os Estados Unidos, onde o Liverpool se preparava para a temporada, e também para sessões de tratamento médico e refeição desagradaram ao técnico alemão Jürgen Klopp, que o mandou embora da terra do Tio Sam e o afastou para o time sub-23, situação que se mantém até este momento.

A irresponsabilidade na pré-temporada esfriou a relação entre Klopp e Sakho | Foto: Getty Images

A irresponsabilidade na pré-temporada esfriou a relação entre Klopp e Sakho | Foto: Getty Images

Longe da seleção francesa desde março de 2016, Sakho não jogou pelo time principal nesta temporada. A última aparição pelos Reds foi em 20 de abril de 2016, na goleada por 4×0 sobre o Everton, onde foi bastante elogiado pela marcação em cima do belga Romelu Lukaku. Cabe acrescentar que o declínio do francês teve início em um de seus principais momentos no clube, se não o melhor. O zagueiro era titular de Klopp, vinha de boas atuações e com gols decisivos, como na classificação para a semifinal da Europa League, na vitória por 4×3 sobre o Borussia Dortmund.

Porém, o episódio do doping – depois comprovado que era inocente – o deslocou totalmente do cenário do clube. Perdeu espaço e prestígio e não mostrou responsabilidade para recuperar dentro da pré-temporada.

Somado a tudo isso, o histórico de lesões é preocupante e contribuiu para que não conseguisse ter uma grande sequência. Desde que chegou ao Liverpool foram sete problemas, conforme o site Transfermarkt:

– Temporada 13/14: estiramento na coxa – 59 dias;

– Temporada 14/15: estiramento na coxa – 77 dias;

– Temporada 14/15: lesão no quadril – 14 dias;

– Temporada 14/15: estiramento na coxa – 46 dias;

– Temporada 15/16: ruptura dos ligamentos do joelho – 38 dias;

– Temporada 15/16: lesão no joelho – 7 dias;

– Temporada 16/17: problemas no tendão de Aquiles – 42 dias;

Somente por lesão, Sakho perdeu 52 partidas do Liverpool, quase a mesma quantidade de jogos que teve na Premier League: 56. Números estarrecedores que aumentam a sensação de inferno que vive em Liverpool.

O francês agora tem jogado pelo time sub-23 do Liverpool | Foto: Getty Images

O francês agora tem jogado pelo time sub-23 do Liverpool | Foto: Getty Images

O fato é que os Reds querem se livrar de Sakho de qualquer maneira. O problema é que o zagueiro renovou contrato em 2015 e agora tem vínculo até junho de 2020, o que faz com que o Liverpool queira ao menos £20 milhões para deixa-lo sair. Sevilla, Galatasaray e Swansea City surgiram como interessados. Até o fechamento da janela, muita coisa vai rolar.

Sem confiança, sem moral dentro do clube e sem condição física ideal, Sakho, em uma idade onde poderia estar atingindo o auge de uma carreira que iniciou de forma meteórica, hoje se vê no ocaso dela, buscando um clube para jogar e, enfim, voltar a velha forma.

Le Podcast du Foot #59 – Os franceses lá fora

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Foto: Reprodução

Le Podcast du Foot chega a sua edição #59 para falar das ambições das equipes da França em âmbito europeu. A fase de grupos da Uefa Champions League começa nas próximas semanas e os times franceses estão se preparando para fazer bonito. Paris Saint-Germain, Monaco e Lyon fazem as últimas contratações e os primeiros ajustes antes do debute em seus respectivos grupos.

O time da capital francesa, equipe mais forte do país, ficou no grupo A, ao lado de Arsenal, Basel e Ludogorets. O Lyon, vice-campeão francês na última temporada, caiu numa chave difícil, a H, ao lado de Juventus, Sevilla e Dínamo Zagreb. Já o time do Principado terá pela frente Bayer Leverkusen, Tottenham e CSKA Moscou, no grupo E.

Nesta edição, se reuniram Eduardo Madeira, Filipe Papini e Renato Gomes para analisar e projetar a participação francesa na Champions League. Além disso, demos uma palhinha do que pode acontecer na Liga Europa.

Clique abaixo e ouça o programa!

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Le Podcast du Foot #54 – Os reflexos da soberania do PSG na Ligue 1

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Foto: PSG/Site Oficial

Só uma hecatombe tira o título da temporada 2015/2016 do Campeonato Francês das mãos do Paris Saint-Germain. Invicto, o PSG já tem mais de 20 pontos de vantagem para o segundo colocado, Monaco, e caminha a passos gigantescos para o tetracampeonato. Melhor campanha em casa, melhor campanha fora, melhor ataque, defesa menos vazada, time mais disciplina… O desempenho parisiense é irrepreensível.

Mas em meio a este desempenho, surge o questionamento: Quais os reflexos para a Ligue 1?

Em meio a esta discussão, que coloca em xeque a competitividade do campeonato, Eduardo Madeira, Filipe Papini e Vinícius Ramos debateram este assunto na edição #54 de Le Podcast du Foot. Clique no player abaixo e ouça diretamente no MixCloud:

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