Portugal surpreende, mas precisa de um “homem-gol”

Titular, Hélder Postiga não transmite confiança aos portugueses

Admito que não esperava muita coisa de Portugal nesta UEFA Euro 2012. Nos jogos que tive a oportunidade de ver, o time lusitano me parecia muito dependente de Cristiano Ronaldo. Além de ter uma defesa de pouca segurança, o ataque carecia de um grande centro-avante. Desde a saída de Pauleta, em 2006, Luís Felipe Scolari, Carlos Queiroz e, atualmente, Paulo Bento, têm tido problemas para solucionar essa questão.

Esse cara não é Hélder Postiga, que mesmo chegando na lista dos dez maiores artilheiros da história da Seleção Portuguesa, convence poucos. Ele foi o escolhido por Paulo Bento a titularidade nos dois primeiros jogos de Eurocopa, mas pouco agradou. Lento, pouco técnico, posicionamento ruim e mínima presença de área. Falta tudo a Postiga. Até por isso, eu optaria pela entrada de Hugo Almeida, que é mais forte fisicamente e na temporada passada teve números mais expressivos. Na Süper Lig da Turquia, o atacante do Besiktas anotou 13 gols em 20 jogos, enquanto Postiga marcou, pelo Zaragoza, nove gols em 33 jogos. Porém, costumo dizer que esta é uma escolha pessoal, pois acredito que, mesmo considerando Hugo mais jogador, ele não resolveria o problema português.

Quem surge como boa alternativa é Nélson Oliveira. O benfiquista de apenas 20 anos é uma das grandes apostas para o futuro português e acabou entrando nos dois jogos de Portugal na Euro, dando a entender que Bento confia mais nele do que em Hugo Almeida. É muito bacana isso que o comandante lusitano têm feito, já que dá minutos preciosos e experiência ao garoto, que mostra ter capacidade para assumir a titularidade de Portugal na Copa do Mundo de 2014.

O outro setor do time que causa mais atenção a Paulo Bento é a defesa. Dos quatro titulares, João Pereira e Bruno Alves são os únicos, que para mim, estão muito bem. Ambos estão discretos, mas precisos em suas atuações. Já Pepe foi muito instável nas duas partidas, não emocionalmente e sim tecnicamente. No jogo contra a Alemanha, ele se perdeu no desvio do meio do caminho e ficou sem o tempo de bola, resultando no gol de Gomez. Hoje, Nicklas Bendtner marcou o gol de empate dinamarquês em suas costas. O detalhe é que suas atuações não se resumem nesses “cochilos”, Pepe tem atuado bem, mas essas bobeiras são prejudiciais.

Porém, quem está dando maiores problemas é o supervalorizado Fábio Coentrão. O lateral-esquerdo do Real Madrid foi, contra alemães e dinamarqueses, o ponto de desequilíbrio – para baixo – português. Os três gols que Portugal tomou na Euro, tiveram alguma ação no setor de Coentrão, seja direta pro gol ou de criação de jogada.

Na faixa central, só uma reclamação: precisão nos passes. No duelo diante da Dinamarca, João Moutinho e Raúl Meireles, principalmente no segundo tempo, pecaram em alguns passes. Ambos, mais calmos, podem consertar esse problema num piscar de olhos. No geral, o setor me agradou bastante, principalmente na marcação, que foi firme e em alguns momentos no campo inteiro.

Mas a julgar pelo título do post e ver o que foi escrito nos parágrafos anteriores, vocês certamente me chamarão de “louco” ou “hipócrita”, mas terei de explicar o porquê do título. Como disse antes, esperava pouco de Portugal, não à toa, listei vários pontos negativos do início português que nem me surpreenderam.

Porém, a “não-dependência” de Cristiano Ronaldo foi o que me chamou a atenção positivamente. Eu acreditava que todas as jogadas do time passariam pelos pés do astro madridista e que a falta de bons coadjuvantes lhe atrapalharia. Mas não é isso que estou vendo.

Nani foi decisivo diante da Dinamarca

Nani, que é um jogador que não me agrada, fez uma bela partida diante da Dinamarca. Marcou demais e, no ataque, não tomou conhecimento de Simon Poulsen, que no sábado anulou Arjen Robben. O meia do Manchester United foi, inclusive, o assistente de Hélder Postiga no segundo gol português.

Nani não faz mais do que obrigação. No Real Madrid, Cristiano Ronaldo divide a responsabilidade com jogadores como Benzema, Özil e Casillas, e em Portugal, tendo um parceiro que atua com regularidade no Manchester United, não consegue ter essa divisão. Esse “peso” está atrapalhando o astro português, que na partida desta quarta-feira, perdeu dois gols incríveis. Nani precisa criar mais, aparecer mais e ajudar Ronaldo. E inaceitável uma seleção ter dois jogadores que estão em dois dos mais vitoriosos clubes da Europa – claro, relativizando a importância de Nani pro United e de Ronaldo para o Real – e só um aparecer pra jogar. Hoje, Nani mostrou um pouco do que deve fazer, basta ser regular.

A vitória diante da Dinamarca deixa Portugal em situação simples: basta vencer a Holanda que se classifica. Se empatar, dependerá de uma vitória alemã. Não é confortável, mas é bem possível de acontecer.

*Crédito das imagens: Getty Images e AFP

EURO 2012: Grupo da morte?

Entra torneio, sai torneio e a necessidade da mídia e torcedores em encontrarem um “grupo da morte” persiste. Até quando a maioria considera não haver algo do tipo, insistem em encontrar um “grupo do assalto” ou de algum que se aproxime da morte. Acredito que seja esse o caso do grupo B da UEFA Euro 2012.

Alemães e holandeses estiveram presentes nas semifinais da última Copa do Mundo e terão como concorrentes duas seleções que passaram despercebidas pelo citado torneio. É verdade que este é o único grupo da competição que reúne quatro times presentes no Mundial de 2010, mas isso não significa que seja um “grupo da morte”. Vejo Alemanha e Holanda acima de Portugal e Dinamarca.

Confira abaixo a análise dos quatro selecionados:

HOLANDA: Agora vai?

Seria Huntelaar o salvador da pátria?

Em todo torneio que chega, a Holanda gera certa expectativa em torno de seu desempenho. Sempre se espera boas campanhas e futebol vistoso, porém, a Laranja Mecânica sempre esbarrou em potências e, até hoje, só conquistou a Eurocopa de 1988. Para esta edição do torneio europeu a expectativa não é diferente!

Geralmente, olhamos para os craques holandeses e não para o conjunto que a seleção apresenta. Para esta Euro, há essa pequena mudança. Os principais jogadores do país não vivem o melhor momento técnico e psicológico e a parte estrutural acaba tornando-se um ponto mais primordial para as vitórias do que propriamente os destaques individuais.

Arjen Robben e Wesley Sneijder vêm de temporadas fracassadas por seus clubes. O primeiro, embora tenha números interessantes – 19 gols em 36 partidas -, pôs tudo a perder ao desperdiçar os pênaltis contra Borussia Dortmund e Chelsea. Por terem sido jogos na reta final da temporada, podemos dizer que Robben chega à Euro atravessando uma curva descendente.

Já Sneijder conviveu com as inúmeras lesões e não participou nem de trinta jogos na temporada. O holandês evoluiu na reta final, porém, o estrago já estava feito e ele pouco pôde fazer para ajudar a Inter. Fica a esperança holandesa que Sneijder possa repetir as brilhantes atuações de 2010, onde chegou a ser considerado por muitos como melhor jogador do mundo.

Robin van Persie ficaria incumbido de ser o grande nome desta Holanda. O atacante do Arsenal foi o artilheiro do Campeonato Inglês, com 30 gols. Porém, a indefinição de seu futuro pode atrapalhar. O clube londrino quer renovar seu contrato, mas outras equipes estão de olho no atleta, que faz um “charminho” para definir seu novo time.

Outro ponto que pesa contra van Persie é o seu “sumiço” em jogos decisivos. Mesmo com 26 gols com a camisa laranja, o atacante foi uma das decepções da Holanda na última Copa, marcando apenas um gol.

Porém, o técnico Bert van Marwijk tem uma excelente opção para eventuais más atuações – ou até para jogar ao lado – de van Persie: Klaas-Jan Huntelaar. O atacante do Schalke 04 teve passagens frustradas pelos poderosos Real Madrid e Milan, mas se encontrou na Alemanha. Artilheiro da Bundesliga com 29 gols, The Hunter já tem em seu currículo mais gols pela Holanda do que van Persie, 31 contra 28. Caso ultrapasse a marca de 40 tentos, o atacante do Schalke se tornará o maior artilheiro da história da Seleção Holandesa, deixando Patrick Kluivert para trás.

O detalhe é que caso marque dois gols, Huntelaar igualará o número de Johan Cruyff com 33 gols.

É um desafio e tanto para o jogador que apareceu muito bem no Ajax, mas que em grandes potências européias não conseguiu mostrar seu valor. Agora, consagrado na Alemanha, Huntelaar tem de assumir a “responsa” e ser o artilheiro que a Holanda tradicionalmente tem.

Se no ataque, gols não devem ser problemas, a defesa é a dor de cabeça de Marwijk. Van der Wiel, Heitinga e Mathijsen são entrosados, mas na lateral-esquerda, Pieters, substituto de Gio van Bronckhorst – que se aposentou após a Copa – está contundido e não disputará a Eurocopa. O volante Schaars deve ser improvisado na função.

A Holanda é certamente uma das grandes favoritas a conquista do torneio, porém, sempre existe aquele “pé atrás” com a seleção laranja. Além das tradicionais “amareladas” em jogos decisivos, a Laranja Mecânica obtêm o mesmo histórico inglês de quase nunca vencer uma disputa por pênaltis. No futebol moderno, onde o medo de perder sobrepõe-se a vontade de ganhar, esse se torna um detalhe importante.

Porém, van Marwijk tem gente capacitada para decidir jogos no tempo normal. Robben, Sneijder, van Persie e Huntelaar formam um quarteto interessante demais e podem atormentar as defesas adversárias.

CONVOCADOS:

Goleiros: Maarten Stekelenburg (Roma-ITA), Michel Vorm (Swansea-ING) e Tim Krul (Newcastle-ING)

Defensores: Khalid Boulahrouz (Stuttgart-ALE), John Heitinga (Everton-ING), Joris Mathijsen (Málaga-ESP), Ron Vlaar (Feyenoord), Wilfred Bouma (PSV), Gregory van der Wiel (Ajax) e Jetro Willems (PSV)

Meio-Campistas: Ibrahim Afellay (Barcelona-ESP), Mark van Bommel (Milan-ITA), Nigel de Jong (Manchester City-ING), Stijn Schaars (Sporting-POR), Wesley Sneijder (Inter de Milão-ITA), Kevin Strootman (PSV) e Rafael van der Vaart (Tottenham-ING)

Atacantes: Klaas-Jan Huntelaar (Schalke 04-ALE), Luuk de Jong (Twente), Dirk Kuyt (Liverpool-ING), Luciano Narsingh (Heerenveen), Robin van Persie (Arsenal-ING) e Arjen Robben (Bayern-ALE)

DINAMARCA: Bom passo para a renovação

Eriksen é o grande jogador dinamarquês do momento

Desde 2000 no comando técnico da seleção dinamarquesa, Morten Olsen traz para Ucrânia e Polônia uma geração renovada e que visa a Eurocopa como um torneio para fortalecer o time para a Copa de 2014. Jogadores como Christian Poulsen, Dennis Rommedahl, Thomas Kahlenberg e Stephan Andersen seguem no elenco que disputou a Euro de 2004, porém, eles se reúnem a outros nove jogadores com 25 anos ou menos.

O grande nome desta nova geração é Christian Eriksen, meia do Ajax. Nesta temporada da Eredivisie, o garoto distribuiu 21 assistências e foi um dos grandes nomes do título do Ajax. É um jogador ainda em fase de amadurecimento. Seu clube não disputa grandes ligas européias em alto nível e na Eurocopa Sub-21 do ano passado, Eriksen decepcionou na fraca campanha dinamarquesa.

Além do meia do Ajax, Andreas Bjelland e Daniel Wass são dois jogadores que participaram do torneio Sub-21 e que estarão na Ucrânia e na Polônia. Outro jovem atleta que estará presente na competição é Jones Okore, de 19 anos, defensor do campeão dinamarquês Nordsjælland.

No setor ofensivo, Olsen tem boas opções. O experiente Dennis Rommedahl deve auxiliar Eriksen na armação, enquanto o técnico Kahlenberg deverá disputar posição com Michael Krohn-Dehli, um dos poucos destaques da fraca campanha do Brondby na Dinamarca.

Na frente, a esperança de gols é Nicklas Bendtner. Inconstante nos clubes em que atua, o atacante de 1,92 de altura costuma jogar bem por sua seleção e não deixa de ser um perigo nas bolas aéreas. Como a Dinamarca deve atuar nos contra-ataques, o jogador do Sunderland tem a obrigação de aproveitar as raras chances que tiver.

Mesmo em processo de renovação, a Dinamarca ficou duas vezes na frente de Portugal, adversária na primeira fase. Nas eliminatórias para a Copa e para a Euro, os portugueses ficaram atrás dos dinamarqueses e se viram obrigados a disputar a repescagem. Esse histórico favorável diante dos lusitanos dá uma motivação ao selecionado nórdico que deve ser uma pedra no sapato de alemães e holandeses, favoritos do grupo. Imaginar um novo título, como em 1992, é um pouco demais, mas pensar que podem fazer barulho, isso os dinamarqueses podem sonhar. Digamos que será a Euro de “adaptação” dos novos jogadores ao futebol de alto nível.

CONVOCADOS:

Goleiros: Kasper Schmeichel (Leicester-ING), Stephan Andersen (Evian Thonon Gaillard-FRA), Anders Lindegaard (Manchester United-ING)

Defensores: Lars Jacobsen (Copenhagen), Daniel Wass (Evian Thonon Gaillard-FRA), Daniel Agger (Liverpool-ING), Simon Kjaer (Roma-ITA), Andreas Bjelland (Nordsjaelland), Simon Poulsen (AZ Alkmaar-HOL), Jores Okore (Nordsjaelland)

Meio-Campistas: Christian Poulsen (Evian Thonon Gaillard-FRA), Jakob Poulsen (Midtjylland), William Kvist (Stuttgart-ALE), Niki Zimling (Club Brugge-BEL), Thomas Kahlenberg (Evian Thonon Gaillard-FRA), Christian Eriksen (Ajax-HOL), Michael Silberbauer (Young Boys-SUI), Lasse Schone (NEC Nijmegen-HOL)

Atacantes: Dennis Rommedahl (Brondby), Nicklas Bendtner (Sunderland-ING), Michael Krohn-Dehli (Brondby), Tobias Mikkelsen (Nordsjaelland), Nicklas Pedersen (Groningen-HOL)

PORTUGAL: Por um brilho de Cristiano Ronaldo

Sem um “matador” na frente, Cristiano Ronaldo terá de se virar para ajudar Portugal

Finalista em 2004 e quadrifinalista em 2008, a seleção de Portugal chega à nova edição da Eurocopa sem grandes aspirações. Mesmo contando com um dos melhores jogadores do mundo, Paulo Bento carece de opções confiáveis nos demais setores do time, além de um rejuvenescimento do elenco. Do time vice-campeão mundial Sub-20 no ano passado, Nélson Oliveira é o único que disputou a competição e jogará a Euro.

Na defesa, o desmiolado Pepe e o supervalorizado Coentrão são as peças mais importantes. Com Ricardo Carvalho afastado da seleção por problemas com o treinador, Rolando surge como a grande opção para formar dupla com o defensor madridista.

Se na defesa o problema está na irregularidade dos principais atletas, no ataque o problema é técnico. Hélder Postiga e Hugo Almeida não são, nem de longe, jogadores em que se possam confiar a dura tarefa de marcar gols. A revelação Nélson Oliveira desponta como possível titular, mas como já foi visto na sua temporada pelo Benfica, ele carece de um amadurecimento.

Talvez a grande peça de apoio a Cristiano Ronaldo seja Luís Nani, mas o meia do Manchester United é outro que precisa provar muito na carreira. Mesmo em um clube de grande porte mundial, Nani não consegue ser um jogador que encha os olhos. Apesar de ser veloz e finalizar bem de longa distância, ele precisa aplicar isso em um ritmo mais expressivo durante os jogos.

A esperança acaba vindo mais de trás, com João Moutinho e Raúl Meireles. Bons passadores, a dupla pode ser um ponto de equilíbrio do time. Ambos têm características de marcação, mas também de avanço ao ataque, podendo se tornar elementos surpresas em jogos complicados.

Com esses problemas, o peso cai todo sobre Cristiano Ronaldo. O astro do Real Madrid vive grande forma, mas diferente do que acontece no seu clube, falta um melhor elenco de apoio. Em Portugal, ele terá de fazer tudo: do desarme, à finalização, o jogo português dependerá de CR7. Em um grupo que ainda conta com as semifinalistas da última Copa, Holanda e Alemanha, além da Dinamarca, seleção que tem deixado os lusitanos na freguesia, isso é muito pouco. Portugal precisa de um conjunto forte, mas falta material humano para Paulo Bento.

Bento, aliás, que em 2002 foi para a Ásia disputar a Copa do Mundo. Aquele time de Portugal tinha nomes consagrados, como Luís Figo, Jorge Andrade, Pauleta e Rui Costa, mas parou na primeira fase da competição. Dez anos depois, o time lusitano tem valores escassos e tudo cairá nas costas de Cristiano Ronaldo. História repetida?

CONVOCADOS

Goleiros: Rui Patrício (Sporting), Eduardo (Benfica) e Beto (Cluj-ROM)

Defensores: João Pereira (Sporting), Miguel Lopes (Braga), Pepe (Real Madrid-ESP), Bruno Alves (Zenit-RUS), Rolando (Porto), Ricardo Costa (Valencia-ESP) e Fábio Coentrão (Real Madrid-ESP)

Meio-campistas: João Moutinho (Porto), Raúl Meireles (Chelsea-ING), Carlos Martins (Granada-ESP), Miguel Veloso (Genoa-ITA), Rúben Micael (Zaragoza-ESP), Custódio (Braga)

Atacantes: Cristiano Ronaldo (Real Madrid-ESP), Nani (Manchester United-ING), Ricardo Quaresma (Besiktas-TUR), Silvestre Varela (Porto), Hugo Almeida (Besiktas-TUR), Hélder Postiga (Zaragoza-ESP) e Nélson Oliveira (Benfica)

ALEMANHA: Favoritos até a página 2

Jogando bem abaixo do normal, Schmelzer não se firma na Nationalelf

Após a Copa do Mundo, a Alemanha foi a seleção que apresentou o futebol mais vistoso do mundo. Bom toque de bola, controle de jogo preciso, velocidade e muita habilidade das jovens revelações do país. Os bons resultados credenciam o time germânico a conquista da Eurocopa, que não vem desde 1996. Porém, os problemas defensivos deixam os torcedores com um pé atrás.

Se no ataque, a dúvida de Joachim Löw é só de quem escalar, sempre sabendo que o nível será o mesmo, na defesa o problema é um mistério. Jerome Boateng, Per Mertesacker, Holger Badstuber, Mats Hummels e Marcel Schmelzer brigam por três vagas – levando em conta que uma é de Philipp Lahm -, mas os cinco não conseguem apresentar na seleção o que jogam em seus clubes. Pior do que simplesmente jogar bem na Alemanha, mas ser espetacular em seus times, é que os jogadores citados falham demais nos jogos internacionais, sendo totalmente o inverso do que são nos clubes.

O grande exemplo disso é Marcel Schmelzer. O lateral-esquerdo do Borussia Dortmund domina a posição na Bundesliga, mas na Alemanha tem erros infantis na defesa e não vai bem no apoio ao ataque. Sobre a questão defensiva, a ausência de Kevin Grosskreutz pode explicar um pouco, já que ele auxilia demais na marcação, porém, a ineficácia ofensiva, que deveria ser um dos pontos fortes de Schmelzer, é um verdadeiro mistério.

Löw parecia inclinado a colocar Hummels, também do Dortmund, como titular, mas ele é outro que não repete na seleção as suas atuações pelo clube amarelo. A tendência é que Mertesacker forme dupla de zaga com Badstuber, embora, com a situação de momento, seja mais seguro apostar na entrosada dupla Boateng e Badstuber, que se entenderam bem no Bayern.

No setor ofensivo, o problema é somente o encaixe. Sami Khedira é o ponto de equilíbrio do time e é titular absoluto. Bastian Schweinsteiger não perde sua posição de jeito nenhum. Podolski e Özil são outros dois a terem a confiança de Löw. Sobraria uma vaga no meio-campo, onde Marco Reus, Thomas Müller e Toni Kroos brigariam por esta posição.

No ataque, uma luta sadia: Mário Gomez e Miroslav Klose. O primeiro foi artilheiro do Bayern por mais uma temporada e tem correspondido na seleção, enquanto o segundo deixou o time bávaro e se desafiou no futebol da Velha Bota e se deu bem na Lazio. A tendência é que o atacante de origem polonesa seja o titular, mas seja quem for o homem preferido de Löw para posição, a Nationalelf estará bem servida.

Mas ainda assim, a Alemanha é uma das grandes favoritas ao torneio, graças a esta geração jovem e talentosa que surgiu no país. Mas devemos dar ressalvas à defesa do time, que ainda não está formada e baterá de frente na primeira fase com os artilheiros máximos das ligas inglesa e alemã – van Persie e Huntelaar, respectivamente.

CONVOCADOS

Goleiros: Manuel Neuer (Bayern), Tim Wiese (Werder Bremen), Ron-Robert Zieler (Hanover 96)

Defensores: Holger Badstuber (Bayern), Jerome Boateng (Bayern), Benedikt Hoewedes (Schalke 04), Mats Hummels (Borussia Dortmund), Philipp Lahm (Bayern), Per Mertesacker (Arsenal-ING), Marcel Schmelzer (Borussia Dortmund)

Meias: Lars Bender (Bayer Leverkusen), Mario Götze (Borussia Dortmund), Ilkay Gündogan (Borussia Dortmund), Sami Khedira (Real Madrid-ESP), Toni Kroos (Bayern de Munique), Thomas Müller (Bayern de Munique), Mesut Özil (Real Madrid-ESP), Lukas Podolski (Colonia), Marco Reus (Borussia Mönchengladbach), Andre Schürrle (Bayer Leverkusen), Bastian Schweinsteiger (Bayern)

Atacantes: Mario Gomez (Bayern de Munique) e Miroslav Klose (Lazio-ITA)

*Crédito das imagens: Reuters

É a hora da zebra

Sexta-feira acontecerão os jogos de ida da repescagem para a Euro 2012. Bósnia, Portugal, Turquia, Croácia, República Tcheca, Montenegro, Estônia e Irlanda brigam pelas últimas quatro vagas restantes do torneio que será realizado no próximo ano.

Embora três dos duelos pareçam ter favoritos – Portugal, República Tcheca e Irlanda -, o blogueiro que vos fala aposta em algumas zebras.

Paulo Bento já arrumou confusão com Carvalho e Bosingwa (Reuters)

No jogo de maior destaque, Portugal irá até a Bósnia enfrentar o time de Edin Dzeko, Miralem Pjanic e Zvjedzan Misimovic em um momento ruim. Se já não bastasse o time viver uma espécie de “trauma pós Felipão” – que já dura desde 2008 -, a seleção Lusa vive um racha entre jogadores e técnico. Nomes de peso do futebol do país, como Bosingwa e Ricardo Carvalho já anunciaram que não jogam mais por Portugal enquanto Paulo Bento estiver no comando da Seleção. Um fracasso na Repescagem terá um dos dois resultados à seguir: Paulo Bento sai ou mais represálias ocorrerão.

Enquanto isso, a ajeitada seleção de Safet Susic chega no momento em que pode atingir o ponto máximo do futebol no país. Independente da Iugoslávia desde 1992, a Bósnia esteve próxima de disputar a última Copa do Mundo, mas caiu na Repescagem justamente para Portugal. Desta vez, a geração de Spahic, Pjanic, Salihovic, Misimovic, Ibisevic e principalmente de Dzeko parece ter chances maiores de fazer história e conseguir a vaga para a Euro.

Fica nítido o contraste de confiança que há na Seleção da Bósnia com o clima tenso que vive o time de Portugal!

O outro jogo que pode pintar zebra é República Tcheca e Montenegro. Estas eliminatórias para a Euro foram as primeiras disputadas pelo time montenegrino e Mirko Vucinic e companhia fizeram bonito. Os comandados de Branko Brnovic terminaram na segunda colocação, atrás apenas da Inglaterra e à frente de seleções tradicionais, como Suíça e Bulgária.

Artilheiro da Euro 2004, Baros hoje está escondido no Galatasaray (Reuters)

A seleção de Montenegro tem se mostrado forte no Podgorica City Stadium e pode fazer com que o “fator campo” amanse o envelhecido time tcheco. Outrora conhecida por ter jogadores técnicos e habilidosos, hoje, a República Tcheca vive de jogadores daquela época, mas que envelhecidos, acabaram caindo demais, como Thomás Rosicky e Milan Baros. Em contrapartida, a República Tcheca tem conseguido resultados satisfatórios nas categorias de base, mas fica bem claro que a atual geração dificilmente chegará a obter os feitos de Poborsky, Nedved e Smicer.

Se Montenegro conseguir a vaga, disputará pela primeira vez um torneio oficial – que não seja uma eliminatória ou uma espécie de torneio amistoso.

O outro jogo com algum favorito é Irlanda e Estônia. Os irlandeses tem apenas a seu favor a maior experiência que seus jogadores obtem. Giovanni Trapattoni têm a disposição jogadores de muita quilometragem no futebol inglês e essa rodagem na pegada e corrida Premier League pode ser o diferencial para a Irlanda, que enfrenta a inexperiente, porém motivada Estônia. Técnicamente, há alguns jogadores de destaque, como Robbie Keane, mas isso não tem bastado para a Irlanda chegar a competições de grande porte. A experiência que o time tem, parecia ser pouca em comparação a outras seleções. Contra a Estônia, essa desculpa não serve!

Se nos dois jogos citados anteriormente, aposto minhas fichas nas “zebras” – embora não sejam verdadeiras zebras -, neste duelo entre irlandeses e estonianos, fico com o palpite tradicional. O time da Irlanda tem que ser muito ingênuo para em dois jogos perder para um time que tem como grande e talvéz único trunfo a motivação.

Petric já foi carrasco da Inglaterra em 2007 (Reuters)

No quarto e último jogo, “briga de médios gigantes”. Croatas e turcos estão mais do que acostumados a jogar torneios de grande porte, sejam as seleções ou os jogadores por seus clubes. Só pra tomar de exemplo, a Turquia tem Gokhän Töre, Arda Turan e Emre, enquanto a Croácia tem Modric, Srna, e Petric. Esse é o famoso jogo que só ouso dar um palpite após o jogo de ida, que será realizado na Turk Telekom Arena, em Istambul.

É interessante ver em competições como a Eurocopa surgirem seleções de menor porte que outras, principalmente quando essas duelam contra poderosos selecionados do continente. Para nós que estamos distantes, pode parecer só mais um joguinho bobo, mas para o país que vê o seu pequeno time nacional enfrentar uma poderosa seleção do mundo, é dia de festa. Não importa o resultado, eles irão comemorar!