Le Podcast du Foot #94 | Os caras do ano na França

2018 foi, definitivamente, um ano especial para o futebol francês. Foi esta a temporada em que a França voltou a erguer uma Copa do Mundo, a segunda de sua história. Foi também o período em que voltamos a ver uma equipe do país a chegar a uma decisão europeia. O Marseille, porém, ficou sem a taça, mas valeu a campanha histórica na Liga Europa. No futebol feminino, vimos o Lyon emplacar a melhor jogadora e o melhor treinador do planeta. Enfim, rolou muita coisa que colocaram os franceses em evidência.

Para homenagear as pessoas que fizeram o ano de 2018 ser mais do que marcante, a turma de Le Podcast du Foot se reuniu e escolheu os nomes de destaque da temporada, entre atletas e treinadores franceses ou que atuam na França. Eduardo Madeira comandou a edição #94 ao lado de Filipe Papini e Renato Gomes.

Ouça abaixo o programa:

Le Podcast du Foot #58 – O vice da França

aurelien durand

Foto: Aurélien Durand/FFF – Matuidi é consolado após derrota na final

O esperado terceiro título europeu não veio e a França precisou se contentar com o vice da Uefa Euro 2016. Mesmo jogando diante de seu torcedor, os Bleus pararam na seleção portuguesa, que pela primeira vez na história ergueu o principal troféu do continente europeu.

A França, comandada por Didier Deschamps, teve como grande pilar Antoine Griezmann. Artilheiro do torneio com seis gols, o atacante do Atlético de Madrid ainda foi eleito o principal jogador da competição. Além disso, os Bleus tiveram campanha praticamente impecável. Foram cinco vitórias e dois empates – contabilizando o empate da decisão, já que a partida foi definida na prorrogação.

Entretanto, estes fatores não impediram a seleção das críticas. Desempenho ruim, decisões contestáveis de Deschamps e atuações decepcionantes de Paul Pogba foram alguns dos temas que geraram questionamentos durante a competição.

Enfim, a Euro deixou perguntas e respostas no ar e Le Podcast du Foot, em sua edição #58, debate muitas delas. O programa teve apresentação de Eduardo Madeira e comentários de Filipe Papini e Renato Gomes, além de um drop de Bruno Pessa.

Clique no player e ouça o programa!

Sem título

Mutante, França tem prova de fogo para buscar o bicampeonato

Foto: FFF

Foto: FFF

Não há seleção na Copa do Mundo que seja mais mutante que a França. Há um ano, muitos acreditavam que a ausência no Mundial era algo provável de acontecer. Após a histórica vitória sobre a Ucrânia na Repescagem, os franceses começaram a ser colocados no bloco de coadjuvantes.

O triunfo sobre a Holanda (2×0), em março deste ano, trouxe novos horizontes para a equipe comandada por Didier Deschamps. Os então personagens secundários começaram a ser apontados como potenciais surpresas da Copa. Entretanto, o corte de Franck Ribéry, semanas antes do debute na competição, fez muitos darem passos atrás com os Bleus.

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A copa do amadurecimento

Paul Pogba assumiu a capitania da seleção francesa sub-20

Paul Pogba assumiu a capitania da seleção francesa sub-20

A expulsão contra a Espanha nas Eliminatórias para a Copa do Mundo – Brasil 2014 marcou o início da passagem de Paul Pogba pela seleção francesa principal. Muitos colocaram a culpa da derrota pelo placar mínimo em cima do jogador da Juventus, mas o técnico Didier Deschamps, consciente, relativizou o lance pela juventude do atleta (20 anos completado em março) e frisou que ele ainda amadurecerá.

Como consequência, Pogba ficou de fora da turnê francesa pela América do Sul em junho, mas não por punição do comandante bleu, mas sim por um processo que classifico como “Período de Amadurecimento”. Ao invés da excursão por nosso continente, o juventino foi convocado por Pierre Mankowski para o Mundial Sub-20 realizado na Turquia.

Pogba chegou com status de astro, principal jogador e capitão do time e todas essas funções estão sendo exercidas com maestria pelo meio-campista. A França já é semifinalista do mundial com 13 gols marcados e cinco sofridos.

O juventino também é um dos condutores do time de Mankowski. Jogando sempre de cabeça erguida e errando poucos passes, Paul Pogba não tem tido o aproveitamento ofensivo que normalmente tem – seu primeiro gol foi de pênalti contra o Uzbequistão nas quartas-de-final – mas forma um tripé interessantíssimo no meio-campo francês com Veretout no Nantes e Kodogbia do Sevilla. Essa trinca talentosa dá toda liberdade de movimentação a outro trio, esse formado pelos habilidosos Thauvin e Bahebeck, complementada pelo centroavante Yaya Sanogo.

Entre todos esses talentos, Pogba é o que enxerga o Brasil mais de perto. Se a França conquistar a vaga para a Copa do Mundo (o que pode acontecer via repescagem) seu nome será cobrado na lista final de Deschamps e parte dessa exigência passará pelo futebol demonstrado na Juventus e, principalmente, pelo que mostrou no “Período de Amadurecimento” como capitão da seleção sub-20 de Mankowski.

É sempre importante que o jogador tenha em mente que esse momento não é uma exclusão ou punição por um erro (até porque tem gente que fez coisa pior e ainda veste a camisa da seleção), mas apenas uma nova etapa na carreira. Pogba tem de saber que os dois jogos na América do Sul em junho não serão tão importantes quanto à experiência de um Mundial Sub-20 como capitão de uma forte equipe.

ABRE O OLHO, DESCHAMPS!

Yaya Sanogo já deixará o futebol francês

Yaya Sanogo já deixará o futebol francês

A seleção sub-20 da França não se resume a Paul Pogba e a vaga na semifinal do mundial demonstra isso com clareza.

Depois do atleta da Juventus, o principal jogador do time é Yaya Sanogo. O atacante é o artilheiro com quatro gols e já está acertado com o Arsenal. É um centroavante alto (1,91m), de porte físico e pouca técnica, mas é inteligente na questão de posicionamento e muito veloz. Se sua primeira temporada na Inglaterra for proveitosa, pode entrar no radar de Deschamps, afinal, o grande ponto de interrogação da seleção é o ataque onde Benzema enfrenta uma seca enorme de gols.

Outro jogador que poderia ser observado com mais carinho pelo comandante bleu é Samuel Umtiti. O defensor do Lyon demonstra enorme frieza dentro de campo, além de ser bom tecnicamente e jogar em três das quatro posições de defesa (só não é lateral-direito). Pode não ser opção para agora, mas dar um pouco de cancha ao garoto neste momento é olhar para o futuro e vislumbrar uma dupla com Raphäel Varane já na Euro 2016.

Kodogbia, Thauvin e Digne também se destacam nessa seleção e em seus clubes, mas, no atual momento, sofrem com a concorrência na seleção principal e podem ser consideradas apenas apostas para o futuro.

Imagens: Joern Pollex e Jamie McDonald (ambos da Getty Images)