Da glória ao ostracismo

Foto: Reprodução - O Alavés fez história ao chegar na decisão da Copa da Uefa

Foto: Reprodução – O Alavés fez história ao chegar na decisão da Copa da Uefa

Quando relacionamos times espanhóis com finais de copas europeias, logo nos lembramos de Real Madrid e Barcelona, além do Atlético de Madrid, que ganhou a Liga Europa em duas oportunidades nos últimos anos. O que muitos esquecem é que, certa vez, o pequenino Deportivo Alavés, da província de Álava, chegou a uma final internacional com uma campanha heroica.

Fundado em 1921, o citado clube espanhol nunca havia obtido grandes feitos até a chegada do técnico José Manuel Esnal, o Mané, em 1997. Com ele no comando, o Alavés começou a saga que teve início na segunda divisão e parou com um vice-campeonato continental.

O acesso

O Alavés teve campanha praticamente impecável na segunda divisão espanhola na temporada 1997/98, na qual foi campeão. Em 42 partidas, foram conquistados 82 pontos, sendo o time que mais venceu (24 vezes) e o que menos sofreu gols (25).

Mas o que marcou não foi o acesso, mas sim o início do que seria caracterizado como “copeirismo” do time de Mané. O Alavés foi semifinalista da Copa do Rei, e também contando com uma boa dose de heroísmo.

O drama começou já nas fases iniciais. Contra o desconhecido Aurrerá de Vitoria, o Alavés precisou reverter o 1-0 sofrido na ida para seguir na competição. Venceu por 2-0 na volta e prosseguiu para enfrentar o Real Oviedo, no qual despachou com uma magra vitória por 1-0 na ida e 0-0 na volta.

Na etapa seguinte, mais dificuldades. Diante do Compostela, clube de primeira divisão na época, o Alavés venceu por 1-0 em casa e segurou o 2-2 na volta para se qualificar.

Na fase de oitavas-de-final, o adversário era o poderoso Real Madrid, futuro campeão europeu. No jogo de ida, no Estádio de Mendizorroza, em Álave, com gol de Manuel Serrano, o Alavés bateu o adversário da capital pelo marcador mínimo. Na volta, sufoco em Madrid. Riesco fez 1-0 para os visitantes, mas Roberto Carlos e Šuker viraram o jogo. O tento do atacante croata saiu aos 10 minutos da etapa final e o Alavés se segurou por 35 minutos para conseguir a classificação.

Na fase seguinte, o Alavés passou sem grandes dificuldades pelo Deportivo La Coruña, também time da elite, aplicando 3-1 em casa no jogo de ida e segurando o placar zerado na volta.

Na semifinal veio a queda diante do Mallorca. Com duas derrotas (2-1 na ida e 1-0 na volta), o Alavés deu adeus ao sonho de conquistar a Copa do Rei (que seria vencida pelo Barcelona naquele ano).

Caminho na elite

Em seu ano de retorno à elite do futebol espanhol após mais de 40 anos, o Alavés conseguiu a permanência na primeira divisão apenas na última partida. Antes do início da 38ª rodada, o Glorioso somava 37 pontos, ocupava a 17ª colocação e não possuía chances de queda, mas poderia ficar no playoff contra o descenso. Os adversários diretos eram Villarreal, com 35 pontos, e Extremadura, com 38. Curiosamente, os dois concorrentes se enfrentariam na rodada derradeira.

A fórmula do Alavés era simples: vencer a Real Sociedad e torcer pelo tropeço do Extremadura. Uma derrota o deixaria no playoff, já que os 17º e 18º colocados disputariam esta fase.

Tudo começou tranquilo para o Glorioso e acabou com emoção. Ao término do primeiro tempo dos dois jogos, o Alavés vencia por 2-0 e o Extremadura perdia pelo marcador mínimo. Antes dos 20 minutos da etapa complementar, a Real Sociedad conseguiu descontar com Javier de Pedro e trouxe emoção para a partida.

Aos 36 minutos, David Albelda marcou para o Submarino Amarelo, abrindo 2-0 e, aparentemente definindo a parada. Porém, em menos de cinco minutos, Iván Gabrich marcou dois gols, empatou a partida para o Extremadura, deixando o Alavés com atenção nos dois jogos.

Por fim, os placares permaneceram intactos e, com uma boa dose de sorte, o Glorioso permaneceu na elite espanhola.

Grandes resultados

Na temporada seguinte, tudo mudou. Já com nomes de destaque como Javier Moreno, Hermes Desio e o veterano Julio Salinas, o Alavés fez campanha impecável, ocupando a 6ª colocação ao término do Campeonato Espanhol, obtendo 61 pontos. O desempenho lhe rendeu uma vaga na Copa da Uefa do ano seguinte.

Na temporada do 6º lugar, resultados importantes ficaram marcados para o time, entre estes, 2-0 sobre o Valencia no Mestalla, 2-1 de virada sobre o Barcelona, 2-0 no Atlético de Madrid e 1-0 no Real Madrid.

Saga europeia

Para começar a rotina de mochileiro pelo Velho Continente, o Alavés precisou dar uma modificada no elenco. Entre os reforços estavam o uruguaio Iván Alonso, vindo do River Plate do Uruguai, Jordi Cruyff, contratado junto ao Manchester United, Juan Epitié, atacante de Guiné Equatorial que veio da base do Real Madrid, Mario Rosas, cria do Barcelona, e Ivan Tomić, que veio da Roma.

Em contrapartida, Mané perdeu duas peças importantes para a temporada: o atacante Meho Kodro, autor de cinco gols na temporada anterior, foi para o Maccabi Tel-Aviv (onde encerrou a carreira), e o volante Ángel Morales, que retornou de empréstimo ao Espanyol.

Autor de sete gols na campanha do Campeonato Espanhol, o atacante Javi Moreno foi mantido no clube, diferente do artilheiro do time, Julio Salinas, que balançou as redes oito vezes. O atacante, que disputou as Copa de 1986, 1990 e 1994, tinha 38 anos e pendurou as chuteiras em 2000.

Foto: Reprodução - O veterano Julio Salinas ajudou o Alavés a chegar na Copa da Uefa

Foto: Reprodução – O veterano Julio Salinas ajudou o Alavés a chegar na Copa da Uefa

Mortal fora de casa

Reza a lenda do bom time copero, que para se sair bem em competições mata-mata, seu time precisa saber jogar fora de casa, principalmente pelo temido gol como visitante. O Alavés cumpriu com maestria este quesito.

Nas primeiras fases, o Glorioso sofreu em jogos em casa e precisou sair da Espanha para conseguir avançar. Logo na estreia, empatou sem gols com o Gaziantepspor no estádio de Mendizorroza, mas buscou a vaga na Turquia com uma surpreendente vitória por 4-3, quando esteve duas vezes atrás no marcador.

Já nesta fase, os reforços começaram a aparecer. Na partida fora de casa, Iván Alonso e, principalmente, Tomić foram os responsáveis pela imponente vitória do Alavés.

Nas duas fases seguintes, o Glorioso enfrentou adversários noruegueses e, em ambos os casos, fez o resultado no país nórdico. Contra o Lillestrøm, vitória por 3-1 na ida e a manutenção do empate em 2-2 na Espanha. Diante do Rosenborg veio o maior susto, afinal, o empate em 1-1 no Mendizorroza causava dores de cabeça. Mas o 3-1 na volta foi construído com imensa tranquilidade e qualificou o Alavés para as oitavas-de-final da Copa da Uefa, um feito inimaginável para um clube que estava na segunda divisão dois anos antes.

Primeiro gigante

Foto: Reprodução - Os espanhóis fizeram história ao eliminar a Inter em Milão

Foto: Reprodução – Os espanhóis fizeram história ao eliminar a Inter em Milão

Nas oitavas-de-final, o Alavés viu o primeiro gigante pela frente: a Internazionale. Invicto e mais tradicional internacionalmente, o time italiano era franco favorito. Sem sentir a pressão de jogar a primeira partida na Espanha e de sair atrás no marcador, a Inter virou para 3-1 sem suar.

Mas, na raça, o Glorioso buscou o empate diante do gigante italiano. Óscar Téllez cobrando falta e Iván Alonso de cabeça deram o placar igualitário à partida. Não era essa a vez que o Alavés conseguiria sua primeira vitória internacional jogando em casa, mas o resultado não era tão ruim quanto se desenhou durante a partida.

Cirúrgico, o Alavés precisou de duas estocadas no final do jogo para eliminar a Inter no Giuseppe Meazza. Na primeira, aos 33 minutos da etapa complementar, Jordi Cruyff acertou um potente chute de canhota e abriu o placar. Cinco minutos depois, Tomić usou do mesmo artifício de Cruyff para marcar o tento que sacramentou a histórica classificação na Itália.

 

Consolidação em casa

Apesar de estarem invictos jogando em casa, o fato de não terem vencido no Mendizorroza incomodava parte da torcida que ainda não vira de perto o time triunfar. Nas quartas-de-final, esse sonho tinha grandes chances de ser realizado de uma forma ou de outra, afinal de contas, o adversário seria o também espanhol Rayo Vallecano.

Aliás, essa fase foi dominada por times da Península Ibérica. Além da partida espanhola citada no parágrafo acima, Barcelona e Celta de Vigo se confrontaram, sem falar do Porto, que enfrentou o Liverpool.

Mas voltando a falar do Alavés, o time de Mané finalmente agradou a torcida e conseguiu uma grande vitória sobre o Rayo já no jogo de ida, 3-0. A partida de volta se tornou mera formalidade e o Glorioso se deu ao luxo de perder a primeira na competição: 2-1.

Em estado de graça, o Alavés permaneceu com o mesmo pique e atropelou o Kaiserslautern na semifinal. Com 5-1 na Espanha e 4-1 na Alemanha, os espanhóis passaram por cima e confirmaram a inimaginável vaga na final da Copa da Uefa.

O triunfo sobre o Kaiserslautern não foi um triunfo qualquer, já que o time alemão era um dos que estava no bolo de candidatos ao título em seu país. Na semana da partida de ida, o Campeonato Alemão tinha completadas 27 rodadas e a diferença do líder Bayern pro Kaiserslautern, 6º colocado, era de apenas três pontos.

A situação que o Alavés vivia na Espanha era muito diferente. Era o 8º colocado com 40 pontos, estava 19 atrás do Real Madrid, então líder do torneio, e sonhava apenas com a vaga na Copa da Uefa.

O adversário

Foto: Reprodução - O Liverpool de Owen poderia erguer o segundo troféu em uma semana

Foto: Reprodução – O Liverpool de Owen poderia erguer o segundo troféu em uma semana

Na decisão, o pequenino Deportivo Alavés teria pela frente um time de enorme história e de respeito inigualável: o Liverpool. Naquela época, os Reds eram detentores de 18 títulos do Campeonato Inglês, seis da Copa da Inglaterra, seis da Copa da Liga Inglesa, além de quatro da Liga dos Campeões e dois da Copa da Uefa.

O novo título europeu não seria apenas uma nova conquista para o time de Gérard Houllier, mas também a chance de erguer o segundo troféu em menos de uma semana. No dia 12 de maio de 2001, o Liverpool venceu o Arsenal no Millenium Stadium por 2-1 e foi campeão da Copa da Inglaterra. Aquele jogo foi marcante porque os Reds perdiam até os 38 minutos da etapa final, quando Michael Owen apareceu e virou a partida com dois gols em cinco minutos.

Além disso, em fevereiro daquele ano, o Liverpool havia derrotado o Birmingham City pela final da Copa da Liga Inglesa, também no Millenium Stadium. Ou seja, na final do dia 15 de maio, em Dortmund, o time da terra dos Beatles poderia erguer o terceiro troféu da temporada.

Na Copa da Uefa, o Liverpool teve campanha praticamente impecável. Foram 12 jogos, com sete vitórias, quatro empates e somente uma derrota. Além disso, 14 gols foram marcados e sua defesa foi vazada apenas cinco vezes.

A decisão

Foto: Reprodução - Um gol contra decidiu a final de 2001

Foto: Reprodução – Um gol contra decidiu a final de 2001

O Liverpool entrou no gramado do Westfalenstadion, em Dortmund, no 4-4-2 habitual, contando com o retorno do escocês Gary McAllister, que havia ficado de fora da decisão da Copa da Inglaterra. Já o Alavés entrou no cauteloso 5-4-1, apenas com Javi Moreno no ataque. O uruguaio Iván Alonso, um dos grandes nomes da campanha, começou no banco.

Talvez nervoso com a situação atípica em que se encontrava, o Glorioso sentiu o peso da decisão. Com 15 minutos já olhava o placar com dois gols de vantagem para o adversário inglês. Markus Babbel e Steven Gerrard marcaram para o Liverpool em erros do time espanhol.

Mané se viu obrigado a mexer rapidamente. Aos 22 minutos, chamou Alonso e sacou um de seus defensores: o norueguês Dan Eggen. A mexida surtiu efeito imediato e três minutos após entrar, o uruguaio descontou, aproveitando cruzamento de Cosmin Contra, que também fez ótimas aparições na temporada.

Porém, outro erro de passe no meio-campo resultou em um pênalti a favor do Liverpool antes do término do primeiro tempo. Os aproveitadores do erro foram Dietmar Hamann e Michael Owen. O alemão lançou o inglês, que driblou o goleiro Herrera e foi derrubado na sequência. McAllister converteu a cobrança e levou o 3-1 para os vestiários.

Além da entrada do brasileiro Magno no intervalo, a conversa de Mané com os jogadores surtiu grande efeito nos jogadores do Alavés, que buscaram o resultado rapidamente. Javi Moreno, que havia ficado de fora do jogo de volta das quartas-de-final e das duas partidas da semifinal, fez dois gols em três minutos e deixou tudo igual. O primeiro tento foi de cabeça, aproveitando nova jogada de Contra. Já o segundo gol foi cobrando falta por baixo da barreira.

Os dois gols lhe deixaram com seis na competição, empatado no topo do ranking de artilheiros com outros três jogadores: Drulić (Estrela Vermelha), Kuzba (Lausanne) e Nikolaidis (AEK Atenas).

Porém, não era apenas Mané que poderia fazer mexidas úteis. Houllier também agiu e tirou Robbie Fowler do banco de reservas aos 20 minutos. Menos de dez minutos depois, o atacante recebeu de McAllister, limpou a marcação e finalizou no cantinho esquerdo de Herrera, recolocando o Liverpool em vantagem.

Valente, o Alavés foi buscar o empate aos 44 minutos com uma cabeçada de Jordi Cruyff. O filho de Johan pode não ter chegado nem perto do que o pai fez, mas foi de fundamental importância para a campanha espanhola naquele ano. Ele foi o autor de quatro gols, incluindo o que abriu o placar na histórica vitória sobre a Inter nas oitavas-de-final.

O gol em Dortmund forçou a prorrogação, na época, com o temido Gol de Ouro.

No tempo extra, o Alavés foi sentindo o cansaço aos poucos. Sem poder de recuperação com 11, os espanhóis se viram em prejuízo ainda maior quando o brasileiro Magno entrou de forma violenta em Babbel, recebeu o segundo amarelo e foi expulso.

Sem pernas e com 10, o Alavés cedeu à pressão do Liverpool. Faltando cinco minutos para acabar o jogo, Smicer, que entrara no começo do segundo tempo, ia passando fácil por Antonio Karmona. Sem opção, o capitão espanhol puxou o adversário e cometeu falta no bico da grande área. Por já ter amarelo, também foi expulso.

Na cobrança de falta, o pior aconteceu. McAllister cobrou fechado e o zagueiro Delfí Geli, com o intuito de afastar a bola, se antecipou ao goleiro e jogou contra a própria meta. A desolação foi total. Depois de ficar atrás no marcador em duas oportunidades e buscar o empate em ambas às vezes, o Alavés sucumbia no final da prorrogação. Foi o encerramento de um sonho.

Foto: Reprodução - A derrota foi dolorosa para o Alavés

Foto: Reprodução – A derrota foi dolorosa para o Alavés

Futuro sombrio

Depois de ir longe na Copa da Uefa, o Alavés sofreu perdas importantes. O Milan veio buscar Cosmin Contra e Javi Moreno, enquanto Ivan Tomić retornou a Roma. Apesar das perdas significativas, o time de Mané seguiu forte e terminou na 7ª colocação na temporada seguinte, retornando a Copa da Uefa na temporada 2002/03.

Porém, de 2003 em diante, o Alavés sofreu uma vertiginosa queda. Já na Copa da Uefa não foi longe, parando logo na segunda fase diante do Besiktas. No Campeonato Espanhol a campanha foi horrível e, na penúltima colocação, foi rebaixado para a segunda divisão. Além disso, Mané havia deixado o cargo de técnico após derrota para o Valencia na 31ª rodada. Na ocasião, o Alavés já ocupava a penúltima colocação e aquele foi o nono tropeço consecutivo, sendo que, desses nove jogos, o Glorioso não havia marcado gols em seis partidas.

Na temporada seguinte, com Pepe Mel no comando, o Alavés ficou em 4º na segunda divisão e não subiu e ainda parou na semifinal da Copa do Rei. Na temporada 2004/05, com Chuchi Cos como técnico, o acesso finalmente veio, mas a festa durou pouco e o Glorioso ficou apenas uma temporada na elite (2005/06).

Desde então não voltou mais. E nem tem passado perto disso. Depois de duas temporadas em que se salvou na bacia das almas, a queda para a terceira divisão veio em 2009. O Alavés voltou para a segunda divisão apenas nesta temporada, mas novamente briga contra o descenso. Após algumas rodadas na lanterna, o time ganhou fôlego e ocupa a 19ª colocação com 33 pontos. Tal posicionamento ainda lhe rebaixa, mas a distância pro primeiro time fora da zona de descenso (Hércules) é de apenas um ponto.

Uma pena que em pouco mais de dez anos, um time que surpreendeu toda Europa esteja sofrendo de tal maneira. É apenas sombra do que era em 2001.

Enquanto novos dias de sol não chegam para o Alavés, recorde como foi a decisão de 2001:

Fora Benzema (?)

Até onde vai a paciência com Benzema?(Getty Images)

Até onde vai a paciência com Benzema?
(Getty Images)

O nome de Karim Benzema finalmente começou a ser questionado na seleção francesa, infelizmente, pelos motivos errados. O movimento francês Front National (FN), por meio de sua presidente, Marine Le Pen, criticou o atacante do Real Madrid por não cantar o hino nacional antes dos jogos da seleção e cobra a exclusão do jogador nas próximas convocações.

Antes de entrar no mérito das críticas levantadas, vale lembrar que o FN é qualificado como um grupo político de extrema-direita, apesar de Le Pen e outros membros afirmarem que “não são nem de direita, nem de esquerda”. Além disso, o FN tem características neofascistas e de repressão a imigrantes.

Creio que a maioria dos leitores passou a desconsiderar as críticas do FN apenas lendo o segundo parágrafo e com alguma razão, afinal de contas, Karim Benzema é neto de argelinos, apesar de ter nascido e vivido em Lyon boa parte de sua vida.

E convenhamos, os franceses poderiam enumerar diversos motivos que classificam como vergonhosos e antipatrióticos em sua seleção, menos o que foi levantado pelo FN. A baderna na África do Sul, as escolhas “astrais” de Raymond Domenech, a falta de respeito com outros profissionais como Carlos Alberto Parreira do próprio Domenech e por aí vão os inúmeros motivos que você pode escolher.

Cantar o hino é o menor dos problemas. Como o próprio Benzema chegou a dizer, “se marcar três gols, ninguém vai reclamar do fato de não cantar o hino”. Esse nacionalismo nas seleções nacionais não existe mais, essa é a realidade, sem falar da série de regras empíricas que o mundo tenta impor em todos os âmbitos da sociedade. “Não canta o hino, não gosta do país”, “não faz tal coisa, é isso”, “faz tal coisa, é aquilo”, essa tentativa de padronização que há no mundo incomoda e o futebol, que muitas vezes parece ser um mundo novo e diferente, se assemelha ao que vemos diariamente em nossa vida.

Mas olhando para dentro de campo, vale questionar a presença de Benzema na seleção francesa? A convocação, creio que não, mas seu status de intocável no time titular, sim. Como destaquei em outubro de 2012, o atacante tem números ruins pela seleção, principalmente se compararmos com Thierry Henry, principal referência da posição na França na última década.

Aos 25 anos, Henry tinha marcado 16 gols em 45 partidas internacionais, sendo três gols na Copa do Mundo de 1998 e outros três na Eurocopa de 2000. Benzema, que completou 25 anos em dezembro de 2012, fez 55 partidas, mas apenas 15 gols. Seu último tento foi anotado no dia 05 de junho de 2012 contra a Estônia, desde então, o atacante participou de dez jogos – sendo quatro pela Eurocopa – e saiu de campo sem marcar gols em todos eles. Enquanto isso, a maior seca de Henry foi em sua fase descendente e perdura até hoje. Desde o gol marcado contra a Áustria em outubro de 2009, o atacante disputou oito partidas, incluindo duas pela trágica Copa do Mundo de 2010, mas não balançou as redes. Nunca mais foi convocado após a citada competição.

Para piorar o cenário envolvendo Benzema, sua situação no Real Madrid não é das melhores. Após 37 jogos na temporada, o francês balançou as redes em 15 oportunidades, número mais baixo desde seu ano inicial com a camisa madridista, onde fez nove gols em 33 partidas. Aliás, Benzema tem aparecido mais fora de campo – chegou a ser multado por andar em alta velocidade – do que dentro dele, não à toa, Gonzalo Higuaín tem tomado seu espaço no time de José Mourinho.

Benzema se defende das diversas críticas envolvendo essa seca de gols, tanto no clube, quanto na seleção, afirmando que tem criado muitas chances para seus companheiros marcarem, mas quando você é o principal atacante de sua seleção, esse argumento se torna vazio. Seus companheiros é que deveriam criar chances para você e não o inverso.

O técnico Didier Deschamps tem que rever essa situação, afinal, Olivier Giroud e Bafétimbi Gomis pedem passagem. Apesar de não viverem seus melhores momentos – principalmente o atacante do Lyon –, ambos marcaram em amistosos recentes e aparecem como melhores opções para o lugar de Benzema. Deschamps sempre foi um técnico enérgico e nunca pestanejou diante de estrelas, o problema será controlar o nada frio ambiente da seleção francesa caso a exclusão do madridista do time titular cause grandes transtornos.

Mas é uma pena que essa válida discussão sobre a omissão de Benzema em comparação com estrelas do passado venha aparecer por causa de uma crítica política descabida. Se o atacante merece perder espaço na seleção francesa, é pelo futebol apresentado e não por deixar de cantar o hino nacional.

TOP 7 – Momentos chave das oitavas-de-final

Barcelona, Bayern, Borussia Dortmund, Galatasaray, Juventus, Málaga, Paris Saint-Germain, Real Madrid são os grandes vencedores da fase de oitavas-de-final da UEFA Champions League. Os oito times citados estarão envolvidos no sorteio da sexta-feira que irá encadear os caminhos de cada um na próxima fase da competição.

Para valorizar cada feito, o Europa Football selecionou sete momentos chave das oitavas-de-final. Confira:

7 – O gol de Claudio Marchisio

Celtic x Juventus em Glasgow foi uma partida interessante de assistir. Os italianos foram eficazes e converteram em gol um terço de suas finalizações, enquanto os escoceses finalizaram 17 vezes e não balançaram as redes. Mas a partida em si foi tensa, afinal, o Celtic usou e abusou da bola aérea e do jogo físico, causando alguns apuros para a Vecchia Senhora.

Só que aos 33 minutos da etapa complementar, o meia juventino Claudio Marchisio fez belo gol e deixou a partida em 2×0. O tento italiano derrubou o Celtic que não teve mais forças para atacar e ainda sofreu o terceiro gol. Marchisio acabou trazendo toda tranquilidade que a Juve necessitaria para o restante do jogo, que com 1×0 seria tenso, e para a partida de volta em Turim.

6 – Primeiro tempo

Em Londres, o Bayern se sentiu em casa(Getty Images)

Em Londres, o Bayern se sentiu em casa
(Getty Images)

Tanto Bayern quanto Paris Saint-Germain passaram sufoco em seus jogos em casa para garantirem acesso as quartas-de-final da Liga dos Campeões. O que foi preponderante para a afirmação da vaga de ambos, porém, foi o primeiro dos quatro tempos disputados nos dois jogos.

Os bávaros massacraram o Arsenal no Emirates Stadium e levaram o 2×0 para o intervalo, complicando a missão inglesa. O placar final foi 3×1 para o Bayern, o que deu uma margem para uma – exagerada – acomodação no duelo de volta, vencido pelos Gunners por 2×0, mas que valeu a qualificação alemã.

Já o Paris Saint-Germain fez primeiro tempo primoroso contra o Valencia no Mestalla e, assim como o Bayern, foi para os vestiários com dois gols de vantagem e com a sensação de que poderia ter sido melhor. O 2×1 apontado ao término do jogo possibilitou ao PSG o empate obtido no duelo de volta, que lhe garantiu nas quartas-de-final.

Isso só aumenta minha teoria de que o jogo mais importante de um mata-mata é o de ida, pois é onde o confronto está aberto e seu time pode abrir vantagem. Paris Saint-Germain e Valencia aproveitaram bem esse fator, diferentemente do Porto…

5 – Antigas convicções deixadas de lado

Terim cumprimenta suas duas principais estrelas

Terim cumprimenta suas duas principais estrelas

Mircea Lucescu e Fatih Terim, técnicos de Shakhtar Donetsk e Galatasaray, respectivamente, foram duas figuras que abriram mão de suas convicções nas oitavas-de-final da Liga dos Campeões. Como o futebol não é uma ciência exata, ucranianos e turcos seguiram caminhos contrários.

O Shakhtar era um time caracterizado por um jogo imponente, de marcação por todo o campo e constante avanço de “homens surpresas”, como Fernandinho e Srna, porém, no duelo de volta contra o Borussia Dortmund, mesmo precisando do gol, os ucranianos decidiram esperar a equipe alemã na defesa e caíram do cavalo. O Shakhtar foi para o intervalo com 2×0 de desvantagem. No 2º tempo, com menos de cinco minutos, o time de Lucescu, mais ousado, fez mais do que toda etapa inicial, mas já era tarde e a eliminação não foi evitada.

Já Fatih Terim, mesmo com Didier Drogba e Wesley Sneijder reforçando seu time, não abriu mão de seu 4-4-2, mesmo deslocando o holandês para o lado esquerdo. Ao ver que o sistema tático não estava funcionando, Terim escalou seu time no 4-3-1-2 na volta contra o Schalke em Gelsenkirchen. Sneijder, outrora sumido, teve atuação destacável como armador e foi um dos responsáveis, ao lado de Yilmaz e Terim, pela classificação turca.

4 – Olho neles

Isco ajudou o Málaga na virada sobre o Porto(Getty Images)

Isco ajudou o Málaga na virada sobre o Porto
(Getty Images)

Durante a fase de grupos da competição, dois jogadores chamaram a atenção sem estar nos times considerados favoritos: Isco do Málaga e Burak Yilmaz do Galatasaray. Na fase de mata-mata, onde seria normal que sentissem a pressão de serem os grandes nomes de seus times, corresponderam à altura.

O espanhol Isco participou dos dois gols do Málaga na vitória sobre o Porto que lhe garantiu na fase seguinte do torneio. O meia abriu o placar com um belo chute de fora da área e deu o passe para Santa Cruz anotar o tento de qualificação. Já Yilmaz manteve a escrita de marcar desde a terceira rodada da fase de grupos e balançou as redes nos dois duelos contra o Schalke, acumulando oito dos onze gols do Galatasaray e lhe deixando com a artilharia da Liga dos Campeões ao lado de Cristiano Ronaldo.

3 – A expulsão de Nani

A partida entre Manchester United e Real Madrid ganhava contornos dramáticos. Os ingleses venciam por 1×0 e garantiam a classificação, enquanto os espanhóis precisavam do empate para forçar a prorrogação. Parecia que teríamos um restante de partida movimentado e tenso, porém, o árbitro chamou a atenção para si.

Aos 11 minutos da etapa final, após bola rebatida da entrada da área do Manchester, Nani estava soberano e tentou dominar com o pé no ar. Observando apenas a bola, o português não viu a chegada de Arbeloa e atingiu o adversário. Lance acidental, talvez para cartão amarelo, mas o rigoroso Cüneyt Çakir decidiu expulsar Nani.

A exclusão do jogador português mudou os rumos da partida. O Manchester, que já marcava mais do que atacava, teve de recuar por completo, enquanto o Real Madrid se mandou para o ataque e conseguiu o resultado que desejava, a virada. Parte da classificação deve ser colocada na conta de Çakir e na expulsão de Nani.

2 – Bola na trave de Niang

A tônica de Barcelona x Milan no Camp Nou era previsível: catalães no ataque e italianos se defendendo, esperando uma mísera chance para marcar o gol que complicaria a vida do adversário. Com o Barcelona vencendo pela placar mínimo, o que ainda era favorável ao Milan, veio a grande chance aos 37 minutos da etapa inicial. Após falha de Mascherano, o jovem M’Baye Niang escapou com liberdade e ficou cara-a-cara com Victor Valdés. O francês de 18 anos sentiu a pressão e acertou a trave. Foi a grande chance do Milan na partida toda. Para piorar, menos de dois minutos depois, Messi fez o segundo gol do Barcelona e deu sequência a goleada catalã.

O possível gol de Niang daria ares dramáticos a partida, afinal de contas, o empate milanista obrigaria o adversário a fazer três gols para se classificar para fase seguinte.

1 – Fazendo jus ao nome

Messi abriu caminho para a virada do Barcelona(Getty Images)

Messi abriu caminho para a virada do Barcelona
(Getty Images)

Cristiano Ronaldo e Messi são, indiscutivelmente, os melhores jogadores da atualidade. Na fase de oitavas-de-final do torneio eles fizeram jus a tal status e ajudaram a dupla Barça-Madrid a conquistar a classificação.

O gajo português evitou a derrota madridista na ida ao marcar um gol de cabeça semelhante ao feito na final da competição em 2008, quando defendia justamente o Manchester United. No duelo de volta, em Old Trafford, Cristiano Ronaldo, mais apagado que o normal, apareceu na hora certa e anotou o segundo tento do Real Madrid, classificando seu time para a próxima fase.

Enquanto isso, seu “rival” Messi, após nem aparecer na ida em San Siro, foi um dos grandes responsáveis pela virada no duelo de volta, quando fez os dois primeiros gols do Barcelona na goleada por 4×0 sobre o Milan.

Não bastou ter o status, mas eles fizeram justiça a tal alcunha.

Prévia das oitavas de final da Champions League – Parte 1

A UEFA Champions League está de volta. O maior torneio interclubes do planeta reunirá os dezesseis melhores times da fase de grupos em oito empolgantes duelos de ida e volta. Nesta semana, serão realizados os primeiros quatro confrontos com alguns campeões e favoritos em campo. O Europa Football preparou uma prévia especial para esses quatro jogos.

Nos próximos parágrafos, você irá saber de tudo que envolve Valencia x Paris Saint-Germain, Celtic x Juventus, Shakhtar Donetsk x Borussia Dortmund e Real Madrid x Manchester United, com informações, estatísticas e muita opinião. Confira toda prévia abaixo:

-> Valencia x Paris Saint-Germain

O duelo que coloca frente-a-frente espanhóis e franceses tem tudo para ser interessante na questão tática. O Valencia fará o primeiro jogo no Mestalla, a tendência seria ir ao ataque e buscar o resultado, mas irá encontrar um time muito forte defensivamente e que se sai bem nos contra-ataques, porém, que enfrenta muitas dificuldades com adversários retrancados. É o dilema de Ernesto Valverde: atacar e, possivelmente, sofrer ou defender e esperar o contra ataque.

Possível time escalado por Ancelotti

Por isso, podemos afirmar que o PSG é favorito no confronto. O time de Carlo Ancelotti chegará com a responsabilidade de cumprir com todas as expctativas geradas em torno do elenco antes da temporada iniciar, porém, tem em mente que pode aplicar seu jogo de aproximação dos pontas com os atacantes e avanços dos laterais com relativa tranquilidade, pois o Valencia estará em seu dilema de enfrentamento, provavelmente, definido enquanto a bola rolar.

Outro ponto que torna o time francês favorito no duelo é seu técnico, Carlo Ancelotti, que conhece como poucos os atalhos para conquistar a orelhuda, além disso, o PSG teve a melhor campanha entre os 32 times da fase de grupos. O detalhe é que esses resultados foram obtidos no momento em que Carlo Ancelotti ainda buscava a melhor formação e curiosamente, o 4-4-2 ao melhor estilo britânico, esquema usado hoje pelo time, começou a ser testado contra o Porto, no último jogo da fase de grupos. Em outras palavras, o PSG conquistou a maior parte dos pontos sem estar em sua melhor forma tática.

A esperança parisiense fica depositada em Zlatan Ibrahimović. O sueco é, disparado, o artilheiro do Campeonato Francês e um dos principais assistentes do time. Porém, a Liga dos Campeões é uma espécie de carma do atacante, que persegue o troféu há anos, mas sempre falha no meio do caminho. Ibra tentará fugir do estigma de “pipoqueiro” na UEFA Champions League com o experiente Ancelotti no comando.

Vale observar o comportamento dos atletas do Paris Saint-Germain em campo. Muitos deles estão em sua primeira Liga dos Campeões, consequentemente, em sua primeira disputa de mata-mata na competição, talvez falte a famosa cancha. Lucas é o exemplo mais claro. O brasileiro desembarcou há pouco tempo na França e vem encontrando a melhor maneira de se encaixar no time. Teoricamente, é titular, mas talvez perca espaço nesses jogos por ser muito jovem.

Possível time do Valencia

Já o Valencia procura repetir o feito da temporada 2006/07, quando chegou pela última vez à fase de quartas-de-final. O time espanhol vive um novo momento com Ernesto Valverde, que substituiu Mauricio Pellegrino no final de 2012 e conseguiu recolocar a equipe em posições respeitáveis na Liga BBVA. Desde a chegada do novo comandante, os Che sofreram apenas duas derrotas, conseguiram empatar com o Barcelona e se tornaram realidade na briga por uma vaga na próxima Liga dos Campeões, já que o Málaga, time que ocupa a última vaga para o torneio na Espanha, está proibido de disputar a próxima edição.

O empate entre Valencia x Barcelona é um tema pertinente a ser levantado por Ancelotti a seus jogadores. Na partida em questão, Valverde conseguiu estabelecer uma estratégia para neutralizar a presença de Messi. Convenhamos, se conseguiram parar o argentino, conseguem parar qualquer um, não que seja fácil, mas já é um ótimo parâmetro.

Vale destacar também o embate defesa-ataque. O PSG tem sofrido poucos gols e o goleiro italiano Salvatore Sirigu quebrou o recorde de Bernard Lama ao permanecer 948 minutos sem ser vazado. Enquanto isso, o Valencia tem um ataque forte e muito entrosado com Soldado e Jonas.

Porém, o time francês não deverá contar com Thiago Silva que está lesionado. Alex, parceiro de Thiago, retornou do estaleiro somente agora, podendo formar uma zaga mais física com Sakho. O possível desfalque do time espanhol pode ser Cissokho, ex-Lyon.

DE OLHO: Muitas atenções às duplas ofensivas dos dois times. De um lado, Lucas e Ibrahimović, do outro, Soldado e Jonas. Pela equipe parisiense, o ex-são-paulino Lucas já descobriu qual é a receita do sucesso e já começou a distribuir suas assistências para Ibra, enquanto o sueco vive fase esplendorosa. Apesar de contar ainda com nomes do naipe de Pastore e Lavezzi – e Beckham, que ainda não iniciou a série de treinamentos – a dupla milionária é a que chama mais atenção. Já a dupla, Jonas e Soldado possui mais rodagem e são os principais nomes do time ao lado de Feghouli, porém, somente a dupla formada por Jonas e Soldado é responsável por 14 dos 32 gols do time na Liga BBVA.

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-> Celtic x Juventus

Fazia tempo que não escutávamos o nome de Celtic e Juventus em uma fase eliminatória da Liga dos Campeões. Os escoceses passaram algumas edições morrendo ainda na fase prévia do torneio, enquanto os italianos, neste momento de reconstrução, tiveram de amargar alguns anos longe da competição. Nos números, é a primeira participação do Celtic nas oitavas de final desde a temporada 2007/08, enquanto a Juventus esteve nesta fase pela última vez na temporada 2008/09.

Possível Celtic de Neil Lennon

Falando dos times, começamos com o Celtic, que sem o rival Rangers em sua liga doméstica, lidera com tranquilidade, com dezoito pontos de vantagem para o vice-líder Inverness. A equipe de Neil Lennon tem o ataque mais positivo, a defesa menos vazada, a maior quantidade de vitórias e a menor de empates, liderança absoluta.

O principal jogador do time tem sido o atacante Gary Hooper, de 25 anos. Ele foi o artilheiro do Celtic nas últimas temporadas e nessa já balançou as redes em 13 oportunidades. Em 2013, Hooper tem cinco gols em quatro jogos no Campeonato Escocês. Outro nome de destaque do time é o queniano Victor Wanyama, que é peça de confiança de Lennon por cumprir bem as funções de volante e zagueiro.

A tendência é que o Celtic vá a campo com o 4-4-2, variando para o 4-4-1-1, mas não se surpreenda caso Neil Lennon escale seu time com três zagueiros. O treinador norte-irlandês testou o 3-5-2 em algumas partidas do Campeonato Escocês, provavelmente pensando no que irá encarar contra o time italiano.

A Juve não deve abandonar o 3-5-2

A Juventus não vem tendo vida tão fácil assim na Série A. Apesar da liderança, o time de Antônio Conte é perseguido de perto pelo Napoli. A distância entre as duas equipes é de cinco pontos. Porém, assim como o adversário escocês, a Juve tem o maior número de vitórias, é o que menos perdeu e tem o melhor saldo do campeonato.

Chama à atenção no elenco juventino, a mescla de experiência e juventude, ao mesmo tempo, com a adequação de cada setor ao protagonismo. Buffon, Barzagli e Pirlo são pra lá de experientes. O trio já ultrapassou a marca dos trinta anos, são atletas de seleção, mas são tão importantes quanto Giovinco, Vidal e Pogba, que não tem a mesma bagagem dos demais citados, mas tem sido tão decisivos quanto.

Aliás, falando em Pogba, suas participações têm sido muito importantes nessa temporada. O francês já anotou quatro gols na temporada e mesmo aos 19 anos, joga com regularidade e vê seu nome sendo especulado na seleção francesa. Atuar próximo de Pirlo deve dar a liberdade necessária ao garoto para brilhar na pesada UEFA Champions League.

DE OLHO: Visão atenta aos goleiros menos vazados das ligas da Escócia e Itália, não só por este feito, mas pelo contraste da idade: Buffon tem 35 anos, já Forster tem 24. O italiano é ídolo em Turim, é um dos melhores goleiros do planeta e, com certeza, um dos principais nomes da posição nos últimos 20 anos. Ainda tem lenha para queimar e se livrou das lesões, é uma das peças decisivas da Juventus para o confronto, pois o Celtic irá de franco atirador e Gigi terá de trabalhar pouco, mas de forma eficaz. Já Fraser Forster é jovem ainda, é nove anos mais novo que Buffon, mas só ganhou notoriedade na temporada 2009/10, atuando pelo Norwich City. O goleiro está desde 2010 no Celtic e chamou a atenção do mundo no duelo contra o Barcelona pela fase de grupos da UEFA Champions League, onde fez defesas monumentais e teve uma atuação de “classe mundial”.

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-> Shakhtar Donetsk x Borussia Dortmund

Esse é um dos confrontos mais interessantes da fase de mata-mata. O Shakhtar Donetsk mostrou ao continente que há bom futebol na Ucrânia, obra de Mircea Lucescu e sua frota brasileira, agora falta provar em um âmbito maior. Já o Borussia Dortmund mostrou que sua nova geração não está destinada a brilhar apenas em campos germânicos e deixou Real Madrid, Ajax e Manchester City para trás na fase de grupos.

Shakhtar de Lucescu

Na Ucrânia, o Shakhtar nada de braçada e lidera o campeonato nacional com treze pontos de vantagem para o Dnipro com uma campanha quase perfeita: 17 vitórias e uma derrota em 18 jogos. O time de Lucescu balançou as redes 52 vezes, sofreu apenas nove gols e ainda conta com o artilheiro Mkhitaryan, 18 tentos. Porém, o Campeonato Ucraniano está parado nesta época do ano e o ritmo de jogo pode atrapalhar demais o Shakhtar neste momento da temporada. Outros times dessa região da Europa já mostraram, em anos anteriores, que essa pausa pode ser prejudicial.

Ficamos sabendo do que o os ucranianos são capazes ainda na fase de grupos: marcação avançada, pressão na saída de bola, movimentação constante dos homens de frente, toques rápidos e participação efetiva dos homens de trás, como o brasileiro Fernandinho, que é um dos diferenciais deste time.

O outro diferencial era o compatriota Willian, mas ele optou por se transferir para o Anzhi da Rússia. Para seu lugar chegou o também brasileiro Taison, que defendia o Metalist. Mudam as características – Willian é mais habilidoso e técnico, enquanto Taison é vertical e muito veloz – mas não as funções, que é atuar pela beirada do campo.

Borussia DortmundO Borussia Dortmund ainda sonha com tricampeonato nacional, apesar da distância para o Bayern. O time comandado por Jürgen Klopp iniciou 2013 com a corda toda, marcando muitos gols e confirmando a dependência de Kuba, que dá outro ritmo ao time borussiano, apesar das envolventes participações de Reus, Götze e Lewandowski. Sem o polonês, a cadencia fica excessiva, é justamente ele que imprime ritmo e é uma peça chave do elenco.

Favorito no confronto, o Dortmund chega para o duelo carregando nas costas um duro tropeço diante do Hamburg no último fim de semana. Os comandados de Klopp foram goleados por 4×1 pelo time do norte alemão em jogo marcado por uma arbitragem fraca e pela péssima atuação defensiva do BvB.

Vale destacar o retorno de Nuri Şahin, que tem tudo para dar outra dinâmica ao time de Klopp. Apesar de ainda ser reserva e não ter incorporado o estilo de jogo, o turco é uma opção para ajudar o time a controlar o meio campo, afinal, tem bom toque de bola, característica semelhante ao de Gündoğan, titular da posição.

Tecnicamente, não há qualquer questionamento quanto ao time do Borussia Dortmund. Eu já acreditava que pudessem surpreender na temporada passada, quando fracassaram na fase de grupos, agora se tornou realidade pelas imponentes participações contra os campeões de Holanda, Espanha e Inglaterra. O único “porém” está na questão da cancha do elenco. Dentre os atletas mais utilizados por Klopp, apenas o capitão Kehl tem vasta experiência, no restante, apesar de participações internacionais, ainda falta uma bagagem que apenas o camisa 5 tem.

Vale ressaltar a falta do zagueiro sérvio Neven Subotić, que se contundiu na pré-temporada e vem retornando aos poucos. O brasileiro Felipe Santana tem o substituído, mas claramente não está a altura do titular, que além de ser muito técnico e eficiente no jogo aéreo, se completa com Mats Hummels.

DE OLHO: Batalha muito interessante no meio campo. O Shakhtar deverá ter Stepanenko na proteção, com Fernandinho mais solto, buscando conduzir a bola ao setor ofensivo e ainda se preocupar com a defesa. Mais a frente, Taison, Mkhitaryan e Alex Teixeira devem dar trabalho a desfalcada defesa alemã, como fizeram com Chelsea e Juventus. No lado borussiano, Kehl e Bender lutam por um lugar no time, o escolhido protegerá a defesa e desempenhará função tática importante ao dar a liberdade necessária para Gündoğan sair para o jogo e se juntar a Kuba, Reus e Götze, que se movimentam como poucos e confundem qualquer tipo de marcação, fora a qualidade técnica do quarteto, que nem é preciso repetir. São formações com características semelhantes e que devem dar ao jogo uma característica bem agradável.

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-> Real Madrid x Manchester United

Esse é o confronto mais esperado desta fase. Frente a frente, dois dos mais vitoriosos times do continente e também o duelo de dois técnicos marcantes da história recente do futebol inglês: Sir Alex Ferguson e José Mourinho. Porém, o que deveria ser um confronto imprevisível, já começa com um favorito destacado: o Manchester United.

Claro que o time inglês tem seus méritos, mas parte significativa desse status vem da fraca campanha do Real Madrid no Campeonato Espanhol. O time merengue acumula nove tropeços – cinco derrotas e quatro empates –, três há mais que na temporada anterior. Pior ainda é ver o Atlético, rival local e eterno motivo de chacota, estar com quatro pontos de vantagem.

Real MadridNão é segredo para ninguém que estes resultados ruins são obras da intensa crise interna vivenciada pelo clube. As informações que circulam na imprensa dão conta de um racha no elenco, que estaria dividido entre os amigos de Mourinho – entenda-se, agenciados por Jorge Mendes – e inimigos de Mourinho.

Entre os desafetos do português, deve estar Kaká. O brasileiro tem apenas oito participações no Campeonato Espanhol e em muitos jogos nem é colocado no banco de reservas. Enquanto isso, Callejón entra em diversas partidas para mudar quase nada. Sim, sei que são de posições diferentes, mas é absurdo gastar tanto em um jogador do nível do Kaká para não ficar nem no banco.  Outro desafeto era o goleiro e capitão Iker Casillas, que chegou a ir para o banco de reservas por “deficiência técnica”. Ele se contundiu e está fora do duelo e o Real agiu rápido ao trazer Diego López para substituí-lo.

A esperança fica toda depositada em um “brilhareco” de Cristiano Ronaldo, que apesar do conturbado ambiente interno, um inacreditável gol contra marcado contra o Granada e a interminável briga estatística com Messi – com o argentino, quase sempre, levando vantagem – ainda é um dos principais jogadores do mundo. Foram 24 gols em 22 partidas do time no Campeonato Espanhol, não podemos rejeitar isso. Além disso, Ronaldo irá enfrentar o clube que deu um up em sua carreira, o Manchester, isso é uma motivação para o português.

ManUtdA vida mancuniana tem sido bem mais tranquila que a madridista. O time lidera a Premier League com doze pontos de vantagem para o rival local, Manchester City, tem o melhor ataque, é a equipe que menos empatou na competição e ainda fez uma das principais contratações da temporada europeia: Robin van Persie.

O holandês, trazido a peso de ouro do Arsenal, não sentiu nenhuma dificuldade em vestir a camisa do rival dos londrinos e lidera o ranking de artilheiros da Premier League com 19 gols. Junto com Wayne Rooney, que já balançou as redes em 10 oportunidades, van Persie tem formado um dos ataques mais avassaladores da Europa com 62 gols marcados.

Porém, a defesa deixa um pouco a desejar. Foram 31 gols sofridos e entre os dez primeiros colocados da Premier League, apenas Liverpool, Everton e West Bromwich viram suas redes serem balançadas em mais oportunidades. Parte desses dados pode ser jogado na conta da ausência de Vidić, que ficou muito tempo lesionado, mas nem todo o peso, afinal, o sérvio tem jogado com regularidade em 2013 e o United segue sofrendo muitos gols.

É esse fator que dá uma equilibrada no duelo. O avassalador ataque inglês terá de ser mais eficaz que o monstro português para levar o duelo, pois é improvável que sua defesa dê conta. Expectativa de muitos gols nesse duelo.

DE OLHO: Em Cristiano Ronaldo. Sei que nos outros confrontos destaquei algum duelo individual ou coletivo da partida, mas chama muito a atenção o retorno do português ao Teatro dos Sonhos. Além de ser a grande, senão única, esperança madridista para o confronto, Cristiano Ronaldo baterá de frente com uma defesa que conta com bons nomes, mas que não desempenha em campo toda a eficiência prevista. O Manchester United é favorito, mas esse ponto deixa o duelo menos desequilibrado, porque o português, além de estar no hall de melhores do mundo, é decisivo e vive grande fase na carreira.

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Şahin voltou! Só falta saber pra onde

Şahin está de volta ao Dortmund

Şahin está de volta ao Dortmund

Durante dez anos, Nuri Şahin prestou serviços ao Borussia Dortmund. O turco chegou jovenzinho ao clube, tinha apenas 13 anos, e foi até gandula nos jogos do timecomo mostra a imagem acima. Şahin, durante algum tempo, foi uma das revelações mais cobiçadas da Europa, chegando a ser considerado “o maior talento sub-18” por Arsène Wenger. O Arsenal tentou trazê-lo, mas “o futuro do Dortmund”, como disse o diretor Hans-Joachim Watzke, não poderia carregar essa alcunha para outro lugar.

Watzke tinha razão. Şahin foi o jogador mais jovem a disputar uma partida da Bundesliga e a marcar um gol também, além disso, com o turco como destaque, o Borussia Dortmund conquistou o Campeonato Alemão na temporada 2010/11, batendo o poderoso Bayern de Munique de Louis van Gaal, que ficaria com o vice da Liga dos Campeões no mesmo ano.

Sua saída, logo após a Salva de Prata ser erguida, foi um tanto quanto precipitada. Apesar da grande participação na conquista e apresentação de características que lhe credenciavam a ser um tão falado “jogador moderno” – marca, sai pro jogo, tem técnica, finaliza bem -, Şahin não parecia pronto para encarar um desafio como jogar pelo Real Madrid. Faltava um “algo mais”.

Com problemas em falar a língua espanhola e com algumas lesões que o tiraram de combate por muitos jogos, o turco fez míseras dez partidas em Madrid. Emprestado ao Liverpool nesta temporada, Şahin também não conseguiu render e apareceu pouco. No geral, foram menos de 25 partidas em um ano e meio fora da Alemanha.

Şahin vestirá a 18 que era de Barrios

Şahin vestirá a 18 que era de Barrios

Şahin decidiu voltar ao lugar que pode chamar de “casa”, o Borussia Dortmund, com um empréstimo do clube espanhol que durará até o fim da próxima temporada. Uma coisa é certa, o turco encontrará um ambiente mais agradável no país do chucrute. O Real Madrid, como todos sabem, é uma sucursal do inferno na Terra, enquanto o Liverpool vive em eterna pressão pela seca de títulos ingleses. Em Dortmund, Şahin encontrará um clube que está em estado de graça com seu torcedor. Não era pra menos, o time é bicampeão nacional e faz campanha espetacular na Liga dos Campeões. Além do mais, o turco é adorado pela torcida e foi muito bem recepcionado por seus fãs.

Mesmo com toda a adoração dos torcedores, fica a dúvida: para onde que Şahin voltou? Para dentro de campo onde será o mesmo protagonista de dois anos atrás ou para trás das placas publicitárias onde era o “gandula” quando garoto? Não há certeza.

Bom futebol Şahin tem, só que o Borussia Dortmund também sabia que Gündoğan teria quando apostou nele na temporada passada. O turco que, diferentemente de Şahin, optou por jogar pela Alemanha, demorou a se adaptar, chegou a ser tornar quarta opção de meio campo, mas hoje, comanda a faixa central borussiana. Gündoğan tem lembrado, em muitos momentos, o próprio Şahin.

Os dois podem jogar juntos na cabeça de área, lembrando que Gündoğan já foi o volante mais fixo com Kehl saindo pro jogo, mas me parece muito inviável. Os dois têm características ofensivas, são meias, praticamente. Valeria expor a zaga de tal maneira?

Jürgen Klopp, pensando nisso, já providencia novas alternativas para encaixar a dupla no time. Em alguns amistosos, o Borussia Dortmund chegou a jogar no 4-3-3 – variando para o 4-1-4-1 que o time se acostumou a usar – com Kehl ou Bender, Şahin e Gundoğan atuando no meio campo. Reus, Götze e Lewandowski formariam a trinca ofensiva.

Esse sistema me parece ser o mais aceitável para o encaixe dos dois, mas uma coisa me deixa encucado: Klopp sacar Kuba do time. O Dortmund pode ter Weidenfeller comandando tudo na defesa, Gundoğan e agora Şahin esbanjando técnica no meio e o trio Reus, Lewandowski e Götze mostrando do que são capazes no ataque, mas Kuba acabava sendo quem movimentava isso tudo, ele é o motor do time. Não custa lembrar que o momento mais turbulento do BvB no primeiro turno da Bundesliga foi quando o polonês esteve machucado. O time não tinha o ritmo e a velocidade que ele impunha.

Mas é nossa obrigação levantar a hipótese de Şahin não repetir as atuações do primeiro título do Dortmund, fazendo com que Kuba não perca seu espaço, mesmo tendo função diferente dentro do time. Hoje, o turco é mais uma incógnita do que uma garantia de bom futebol. Considerei o retorno bom para ambos, afinal, clube e jogador têm uma grande relação de admiração e um histórico de conquistas, mas é uma avaliação prévia.

O retorno de Nuri Şahin é uma “história nova” no Borussia Dortmund, que trás um antigo ídolo, mas fracassado no exterior, até por isso, se torna uma dúvida. Não creio que desbanque Gündoğan, assim como não vejo como esse time jogar sem Kuba. Jürgen Klopp, que baterá de frente com Pep Guardiola na próxima temporada, precisa mostrar, desde já, do que é capaz para encaixar Şahin no time titular, seja como protagonista, seja como gandula.

E se a Conmebol fizesse o sorteio da Liga dos Campeões?

O sorteio dos jogos das oitavas de final da UEFA Champions League já foi realizado e, certamente, vocês já conhecem todos os duelos e até imaginam o que poderá acontecer no início de 2013. Essa análise deixo para o ano que vem, afinal, muita água vai rolar debaixo da ponte até lá.

Mas você já parou para imaginar qual seria o desfecho desse sorteio se os critérios adotados pela UEFA fossem os mesmos da Conmebol? Como não é segredo para ninguém, a organização europeia é muito criteriosa nos seus sorteios e divide os times em dois potes: dos líderes e dos vice-líderes. Além disso, impede que times do mesmo país e que estiveram no mesmo grupo se encontrem logo de cara nas oitavas de final. Enquanto isso, a confederação da América do Sul obriga os times a fazerem contas nas rodadas finais da fase de grupos da Copa Libertadores para escolherem seus adversários, pois há uma classificação geral onde o melhor colocado enfrenta o pior, o segundo encara o décimo quinto e assim por diante.

Pensando nisso, mostro abaixo quais seriam os jogos das oitavas de final da Liga dos Campeões da Europa se fossem seguidos os critérios de sorteio da Copa Libertadores. Confira:

UCL

Oitavas cópia

Analisando os dois sorteios, pude tirar algumas conclusões:

*A vida do Milan ficaria mais tranquila… Mas nada que tornasse sua chance de classificação muito real;

*O Arsenal também teria um adversário mais fraco e talvez tivesse mais chance com o Valencia do que o Milan teria com o PSG;

*O Real Madrid respiraria aliviado, pois pegar o Porto não é tão complicado quanto enfrentar o Manchester United;

*Porém, os mancunianos continuariam com tarefa complicada diante dos campeões italianos;

*E o Schalke seguiria com relativa sorte ao bater de frente com o Málaga;

E vocês? Comparando os dois sorteios, o que acharam? Invadam a caixa de comentários e deem seus pitacos antes que o mundo acabe!

TOP 7: Os quinze campeões (Parte 2)

Dando sequência à série com os quinze treinadores europeus que venceram torneios nacionais, continentais e mundiais, passo hoje os últimos sete nomes desta lista. Nesta segunda parte, teremos duas faixas bônus, sendo um técnico europeu e outro sul-americano, mas que obteve tal feito por um clube europeu.

Confira a parte final desta lista abaixo:

Faixa Bônus1 – Helenio Herrera – Internazionale

Está certo que Helenio Herrera é argentino, mas ele tem traços franceses e fortes relações com os italianos, então vale essa menção honrosa. Herrera ganhou quatro campeonatos espanhóis, dois pelo Barcelona e dois pelo Atlético de Madrid. Porém, Milão foi o local onde concluiu a trinca de títulos. Foi pela Inter que venceu o Campeonato Italiano em 1962/63 e a Liga dos Campeões na temporada seguinte – curiosamente, vitória sobre o Real Madrid, seu rival em tempos de Espanha. No Mundial Interclubes, os nerazzurri reverteram a vantagem do Independiente da Argentina em três jogos e venceram o torneio. No ano seguinte, novo título europeu para Herrera, esse sobre o Benfica e mais um título mundial em cima do Independiente.

7) Marcelo Lippi – Juventus

Lippi fez a trinca na Juventus

Lippi fez a trinca na Juventus

O italiano Marcelo Lippi passou por uma penca de times em sua carreira, mas suas conquistas mais gloriosas foram na Juventus – além de vencer a Copa de 2006 pela Itália. Foram treze títulos na equipe de Turim. A primeira vez que conquistou o Campeonato Italiano foi na temporada 1994/95. No ano seguinte, veio o título europeu conquistado em cima do Ajax na disputa por pênaltis.

Em dezembro de 1996, a Juventus deu de cara com o River Plate na final do Mundial Interclubes. Em jogo muito disputado, a decisão veio dos pés de Del Piero, que aos 36 minutos da etapa complementar, fez o gol que valeu o título mundial ao time de Lippi.

A Juve quase repetiu este feito em outras oportunidades. O título italiano veio mais quatro vezes, mas a Liga dos Campeões bateu na trave três vezes. Em 1997 contra o Borussia Dortmund, 1998 diante do Real Madrid e em 2003 contra o rival Milan.

Faixa Bônus2 – Guus Hiddink – PSV Eindhoven e Real Madrid

Conhecido por seus trabalhos em seleções, o holandês Guus Hiddink também botou suas manguinhas de fora nos clubes em que passou. Pelo PSV, foram duas passagens, ambas somando títulos. Entre 1987 e 1990, foram três conquistas do Campeonato Holandês e duas da Copa da Holanda. A temporada 1987/88 foi a mais marcante de Hiddink em Eindhoven. O título holandês veio graças ao ataque avassalador de 117 gols e em seguida, veio o título europeu. Diferentemente do torneio doméstico, a campanha continental não foi das melhores – três vitórias, cinco empates e uma derrota -, mas ainda assim veio o título nos pênaltis diante do Benfica.

No Mundial Interclubes não deu outra: novo empate, desta vez, em 2×2 com o Nacional do Uruguai. Na decisão por pênaltis, vitória dos sul-americanos. Hiddink só completou a série de títulos dez anos depois treinando o Real Madrid. Na final, os madridistas bateram o Vasco da Gama.

Em sua segunda passagem pelo PSV, já nos anos 2000, conquistou três vezes o Holandês.

6) Ottmar Hitzfeld – Dortmund e Bayern

A primeira Champions League de Hitzfeld foi no Dortmund

A primeira Champions League de Hitzfeld foi no Dortmund

O suíço Ottmar Hitzfeld está no seleto grupo de técnicos que conquistaram a UEFA Champions League por duas equipes diferentes, primeiro pelo Borussia Dortmund em 1997 e depois pelo Bayern em 2001. Curiosamente, antes de conquistar a Europa por esses times, ele já acumulava dois títulos alemães por cada clube. A grande diferença é que Hitzfeld parou nesses dois com os aurinegros, mas com os bávaros vieram mais três conquistas.

Também foi com o time da Baviera que veio seu título mundial. Em 2001, Samuel Kuffour salvou o Bayern na prorrogação contra o Boca Juniors e os alemães levaram o caneco. Hitzfeld só não fez isso pelo Borussia Dortmund por ter deixado o clube após o título europeu.

5) Vicente Del Bosque – Real Madrid

Del Bosque fez história no Real Madrid e na seleção espanhola

Del Bosque fez história no Real Madrid e na seleção espanhola

Vicente Del Bosque está próximo de completar 62 anos e se, hipoteticamente, decidir se aposentar, vai poder dizer, com o maior orgulho, que ganhou praticamente tudo que disputou. Antes mesmo de conquistar o Campeonato Espanhol, o Real Madrid de Del Bosque já havia ganhado a “orelhuda” na final espanhola diante do Valencia em 2000. Porém, os espanhóis pararam no Boca Juniors de Riquelme e Palermo e não se sagraram campeões mundiais.

Na temporada seguinte, o Real Madrid voltou vencer o Campeonato Espanhol após três anos. No ano posterior, não veio o bicampeonato nacional, mas veio outro título europeu, conquistado graças a maestria de Zidane. No final do ano, os merengues foram à forra e conquistaram o mundo ao bater o Olímpia do Paraguai por 2×0.

Anos mais tarde, Del Bosque completou sua sala de troféus, simplesmente, com a Eurocopa e a Copa do Mundo.

4) Carlo Ancelotti – Milan

Ancelotti ganhou duas finais de Champions League das três que disputou

Ancelotti ganhou duas finais de Champions League das três que disputou

Foram oito anos vitoriosos de Carlo Ancelotti no Milan, onde ganhou muita coisa e se fixou como um dos grandes técnicos do continente. Assim como o comandante citado anteriormente, o italiano ganhou primeiro o título europeu. A conquista veio em 2003, na disputa de pênaltis vencida diante da Juventus. Nos pênaltis também veio a derrota no Mundial Interclubes para o Boca Juniors. No ano seguinte, os rossoneros conquistaram seu 17° scudetto na Itália, primeiro de Ancelotti.

Após perder uma Champions League de forma inacreditável para o Liverpool em 2005, o Milan retornou a final do torneio em 2007 e se vingou do time inglês ao vencer por 2×1. A outra vingança veio no final do ano contra o mesmo Boca Juniors na decisão do Mundial de Clubes.

Carlo Ancelotti ainda acumulou um título do Campeonato Inglês, mas as conquistas internacionais pararam com o Mundial de 2007.

3) Alex Ferguson – Manchester United

Ferguson posou com a "orelhuda" em 1999

Ferguson posou com a “orelhuda” em 1999

Alex Ferguson é outro que pode se gabar de ter ganhado praticamente tudo na carreira, desde os tempos longínquos no Aberdeen e agora no Manchester United. Seus primeiros títulos nacionais foram na Escócia em 1979/80, 1983/84 e 1984/85. Nos Red Devils, o primeiro Campeonato Inglês veio em 1992/93 e juntaram-se a esse título mais onze.

Em 1998/99 e 2007/08, anos em que conquistou o principal campeonato do país, o Manchester de Ferguson também ganhou a Europa e o mundo. Juventus e Chelsea pagaram caríssimos preços em âmbito europeu com dolorosas derrotas, enquanto Arsenal e o próprio Chelsea viram o United ganhar a Premier League por uma diferença curta de pontos.

Em 1999, os ingleses bateram o Palmeiras no Mundial Interclubes, na histórica falha do goleiro Marcos aproveitada por Roy Keane. Em 2008, os derrotados da vez foram os equatorianos da LDU com nova vitória por placar mínimo, desta vez, com gol de Rooney.

2) Rafael Benítez – Valencia, Liverpool e Internazionale

Benítez fez a trinca por três times diferentes

Benítez fez a trinca por três times diferentes

O espanhol Rafa Benítez fez uma “escadinha” pra obter o feito supracitado nesta matéria. Seus únicos títulos de campeonatos nacionais foram na Espanha com o Valencia. Essas conquistas vieram nas temporadas 2001/02 e 2003/04, onde desbancou Barcelona, Real Madrid e, o na época forte, Deportivo La Coruña.

Ao se transferir para a Inglaterra, Rafa venceu de forma heroica a Champions League de 2005 com o Liverpool. Os ingleses foram para o intervalo perdendo por 3×0 e arrancaram o empate no tempo normal e a vitória nos pênaltis. No Mundial de Clubes, os Reds não furaram a barreira armada pelo São Paulo e ficaram com o segundo lugar.

Em passagem nada marcante pela Internazionale, Rafa Benítez ao menos deixou sua marca e bateu o surpreendente Mazembe do Congo na decisão do Mundial de Clubes, completando a trinca de títulos. O espanhol poderá se tornar bicampeão mundial treinando o Chelsea neste ano.

1) Josep Guardiola – Barcelona

Guardiola ganhou tudo e é um dos técnicos mais cobiçados do mundo

Guardiola ganhou tudo e é um dos técnicos mais cobiçados do mundo

Pep Guardiola é o técnico mais desejado do momento, principalmente dos times que possuem donos milionários dispostos a abrir o cofre para trazê-lo a seu clube. Tal obsessão não existe em vão. O catalão ganhou de tudo no Barcelona. Guardiola disputou quatro edições do Campeonato Espanhol e ganhou três, sendo essas consecutivas.

Já na Liga dos Campeões, o Barça estabeleceu uma freguesia com o Manchester United de Alex Ferguson. Foram duas finais, em 2009 e 2011, e duas vitórias. No Mundial de Clubes, sem grandes decepções. Vitórias sobre Estudiantes e Santos. Se contarmos sua passagem pelo time B do Barcelona, Guardiola acumula quinze títulos em cinco anos de carreira.

*Crédito das imagens: Getty Images