Le Podcast du Foot #48

Foto: Reuters - Com nove gols, Rivière está voando na Ligue 1

Foto: Reuters – Com nove gols, Rivière está voando na Ligue 1

O Campeonato Francês esquentou! Com o tropeço do Paris Saint-Germain e a vitória do Monaco, a diferença entre os dois times caiu para três pontos. E aproveitando o clima quente da competição, Le Podcast du Foot aproveitou para trazer um formato diferente pro programa desta semana, com um debate mais intenso.

>> Confira a classificação da Ligue 1;

Para aplicar esta nova formatação, uma dupla tocou o programa, ao invés do tradicional trio. Eduardo Madeira e Flávio Botelho dividiram os papeis de comentaristas e apresentadores da edição #48 do podcast.

Entre os destaques do programa estão temas como a provável vinda de Yohan Cabaye ao PSG, os substitutos de Falcao García, a escassez de gols do Lille e a crise interna que afeta o Olympique de Marseille.

Confira todas as análises nos links abaixo:

OUÇA NO MIXCLOUD

OUÇA NO UOL MAIS

Balanço da janela: França

Dando sequencia as análises das transferências na última janela de negociações, chegamos à França. Na liga mais equilibrada da Europa, tivemos uma equipe que investiu muito para desequilibrar o campeonato.

Pastore fazendo enorme barulho na França

Com a grana vinda da Qatar Sports Investiments, o Paris Saint-Germain pôde fazer um investimento pesado, visando o título da Ligue 1. Nesta última janela, o clube da capital francesa gastou a singela bagatela de 86 milhões de euros. A negociação mais cara e mais estrondosa foi de Javier Pastore. O ex-jogador do Palermo foi contratado por 42 milhões de euros, o negócio mais caro da história do campeonato francês.

Aliás, falei que Pastore veio do Palermo da Itália. O país da Velha Bota cedeu mais três jogadores ao Paris. Mohamed Sissoko veio da Juventus, Salvatore Sirigu veio do Palermo, enquanto Jérémy Ménez veio da Roma. É o famoso “efeito Leonardo“, que estava trabalhando no futebol italiano e chegou no PSG para ser o diretor esportivo do clube.

Completando os investimentos do time parisiense, vieram do Saint Etienne, Matuidi, do Valenciennes, Bisevac, do Lorient, Gameiro, do Rennes, Douchez e o reforço mais recente, Diego Lugano, vindo do Fenerbahçe.

Das saídas, destaque para os aposentados Coupet e Makélélé, de Ludovic Giuly, que foi para o Mônaco e para o goleiro Apoula Edel, que foi pro Hapoel Tel-Aviv.

Foi um investimento pesado e a exigente torcida do Paris não irá aceitar algo diferente do título. A vaga para a Champions League serviria mais como um consolo, já que investir mais de 80 milhões em um time e sair de mãos abanando não é nada bom.

Agora falando do atual campeão, Lille, que comprou bem, mas vendeu muito bem. Dos quase 26 milhões de euros obtidos em vendas, os LOSC conseguiu 18 milhões vendendo Gervinho pro Arsenal – 12 milhões – e Rami pro Valencia – 6 milhões. Cabaye, outro titular na conquista da última Ligue 1 também foi vendido, só que por um valor abaixo dos outros dois citados. O Newcastle pagou 5 milhões por ele. O brasileiro Émerson não era titular, mas jogava com frequência, porém, foi vendido ao Benfica.

Joe "Incógnita" Cole

O grande negócio do Lille vem da Inglaterra. Joe Cole vem por empréstimo do Liverpool e tentará reencontrar seu bom futebol em terras francesas. Bom… esse foi o negócio mais barulhento, até por isso citei como “grande negócio”, mas não prevejo grandes acréscimos de Cole ao Lille, diferente de Payet e Pedretti. O primeiro veio do Saint Etienne e o LOSC investiu 9 milhões em seu futebol, enquanto o segundo veio do Auxerre por 1,5 milhões.

Payet pode não ser tão rápido e habilidoso como Gervinho, mas pode dar a precisão nos passes e nos chutes, que algumas vezes faltavam ao marfinense. Quanto a Pedretti, ele pode ser uma boa peça de cadência e experiência no meio campo do Lille.

O LOSC ainda gastou alguns trocados para trazer Basa do Lokomotiv Moscow, Rozehnal do Hamburgo e Rodelin do Nantes. Enyeama – o homem que parou Messi na Copa -, Bonnart e Jelen chegaram de graça nos atuais campeões franceses.

A maioria dos reforços são modestos em relação o PSG, mas são cirúrgicos e acrescentaram ao elenco do Lille. Deverá seguir na luta pelo troféu da Ligue 1.

Enquanto uns investem muito, outros pouco se mexem e preocupam seus torcedores. É o caso dos Olympiques Lyonnais e Marseille.

O Lyon gastou pouco mais de 4,5 milhões, mas não fez negócios impactantes. Bakary Koné veio do Guingamp e foi o investimento mais caro. O OL precisou pagar 2 milhões de euros ao clube da segundona francesa. O jovem Fofana e o rodado Mouhamadou Dabo completam a lista de chegadas no Lyon. Nada de outro mundo…

Já as saídas são outra história. O voluntarioso César Delgado não teve seu contrato renovado e foi pro futebol mexicano, enquanto Jérémy Toulalan e Miralem Pjanic acabaram aceitando propostas ousadas de clubes de outras ligas. Toulalan foi pro Málaga e Pjanic foi pra Roma. Dois novos ricos!

O Marseille lutou para trazer Alou Diarra

Já no Marseille, pelo menos houve uma negociação que fizesse um pouco de barulho. Por 5 milhões, Alou Diarra, capitão do Bordeaux, chegou no OM com a função de mandar na cabeça de área do time. Jérémy Morel e Amalfitano, vindo do Lorient, não deixam de ser bons reforços. Bracigliano vindo do Nancy e a dupla do Monaco, Nkolou e Traoré completam a lista de chegada no OM.

Todas as saídas do elenco do Marseille foram por fim de contrato, mas algumas irão deixar saudade, como Heinze, que mesmo não sendo um grande zagueiro, fazia o feijão com arroz na defesa do OM. Taye Taiwo foi outro a sair e deixará uma lacuna na lateral-esquerda. Edouard Cissé e o brasileiro Hilton eram boas opções para uma eventual ausência de um titular, hoje reforçam outras equipes.

Resumindo os Olympiques: o clima tenso que ronda as duas equipes desde a temporada passada é tão grande, que deu uma atrapalhada nas negociações de ambos. Poucas entradas, poucas saídas. Pouco dinheiro entrou, pouco dinheiro foi gasto.

Só pra constar, algumas equipes que pro seu atual nível, não economizaram: Toulouse e Saint Etienne.

Rivière é o novo centro-avante do Toulouse

TFC gastou 11 milhões de euros e o grande negócio vem do Saint Etienne. Emmanuel Rivière foi contratado por 6 milhões. Bom centro-avante, que pode tapar o buraco que Gignac deixou após ir pro Marseille. Bulut do Trabzonspor, Ninkov do Estrela Vermelha, Abdennour do Etoile du Sahel (Tunísia) e Riou do Auxerre completam as transferências do Toulouse.

Já o Saint Etienne gastou 13 milhões, mas não chegou a fazer nenhuma grande loucura. O investimento mais caro vem pro gol: o ótimo Stéphane Ruffier veio do Mônaco por 3 milhões. O rodado Sinama-Pongolle veio por empréstimo do Sporting e terá de ser o substituto de Rivière. O brasileiro Paulão, que fez bela Europa League 10/11, veio de graça do Braga. Mignot, Clément, Lemoine, Gradel, Kitambala e Nicolita completam a lista de reforços do ASSE.

Só pra constar, o Saint Etienne havia trazido Malbranque do Sunderland, mas ele encerrou sua carreira para cuidar de seu filho, que está com câncer.

Agora é esperar pra ver se as duas equipes voltaram a ser grandes ou se o investimento acabou sendo pouco…

BOLA DENTRO (CHEGADAS)

– Duas bolas dentro do Ajaccio: Ochoa e Ilan. Sobre o mexicano, nem há muito do que se falar. É um goleiraço. Já sobre o brasileiro, não o acho mal atacante e sua experiência no futebol francês e sua história de “resgates” – Ilan fez gols importantes, evitando o rebaixamento do West Ham há duas temporadas – pode acrescentar ao Ajaccio;

Hilton substituirá Spahic no MHSC

– O Montpellier trouxe o brasileiro Hilton, que estava sem contrato no Marseille. Bom zagueiro, chegará para substituir Spahic;

– Yannick Djaló decidiu trocar os pesados ares do Sporting pra se aventurar no Nice. Achei uma boa pros dois;

– Ainda no Nice, chegou Fabrice Abriel, ex-Marseille. Com tempo pra jogar, ele poderá render mais do que rendeu no OM;

– Pro lugar de Jelen, o Auxerre trouxe por 2 milhões, Jemâa. Atacante interessante, mas não deixa de ser uma aposta meio arriscada;

– O Bordeaux trouxe do Sochaux, Maurice-Belay. Jogador inteligente e costuma desfalcar pouco as suas equipes. Bom reforço pros Girondins;

– O Caen trouxe o experiente P.A. Frau. É bom atacante e o fator quilometragem pode ajudar a equipe na luta da parte debaixo da tabela;

– O promovido Évian fez três contratações de risco. Podem ser o maior sucesso, como o maior fracasso. Os experientes Govou, Leroy e Poulsen. Pra quem vai disputar lá embaixo, tá bom;

– O Lorient foi na liga suíça buscar o jovem Innocent Emeghara. Jogador veloz e habilidoso. Bom reforço;

– Já o Valenciennes trouxe Gil do Cruzeiro. Ele não é mal zagueiro, pode se dar bem na França;

BOLA DENTRO (SAÍDAS)

– O Montpellier até segurou por algum tempo o zagueiro Spahic, mas quando foi pra vender, pode não ter faturado tanto, mas não reforçou uma equipe da Ligue 1. Vendeu pro Sevilla;

– O Rennes deixou o contrato de Leroy se encerrar e nem renovou. Fez bem. Ele é bom jogador, mas já tem 36 anos. Dificil imaginar os rubro-negros faturando algo no futuro, caso renovassem seu contrato;

– O Bordeaux não renovou o contrato de Cavenaghi e ele foi pro River Plate. Desde que o argentino se transferiu pro Mallorca, ele ficou sem clima nos Girondins;

– Ainda no Bordeaux, continuando sua renovação, o brasileiro Fernando foi vendido pro Al Shabab. Bom pro clube que ganhou 6 milhões com a negociação e bom pro brasileiro, que vai ganhar uns cascalhos à mais;

– O Caen vendeu um de seus poucos destaques da última temporada: El Arabi. Vendeu pra fora da França e por um bom valor. O Al Hilal pagou 7,5 milhões pelo atacante. Vendeu bem o Caen;

BOLA FORA (CHEGADAS)

– O Nice trouxe o rodado Meriem, que honestamente, deve acrescentar pouco ao OGCN;

– O Rennes trouxe Pitroipa, que estava no Hamburgo. Jogador medíocre, só corre;

– O veterano Zebina trocou a Juventus pelo Brest. Preparem suas canelas!

BOLA FORA (SAÍDAS)

– O Nice não renovou o contrato de Ljuboja. Pode não ser um primor de atacante, mas fazia sua parte. Eu faria um esforço à mais para renovar seu contrato, mas agora já é tarde, porque ele foi pro Légia Varsóvia;

– Carlos Bocanegra entra na lista: “não é um primor de jogador, mas tem seu valor”. Mas o Saint Etienne não soube dar esse valor e vendeu ele pro Rangers por 460 mil euros. Poderia ter segurado!;

– Pior foi o Auxerre, que segurou por tempo demais os seus destaques, Jelen e Birsa. Ambos acabaram saindo de graça e o clube não ganhou nenhum centavo;

– O Bordeaux vendeu o brasileiro Wendel pro Al Ittihad por 1,5 milhões. Acho que ele tinha lenha pra queimar no Girondins, mesmo tendo feito uma temporada 10/11 ruim;

Até a próxima!

Costurada aqui, costurada ali

 

A costura da tabela francesa

Deram uma descosturada na tabela do Campeonato Francês. A maioria dos jogos foram adiados por causa do mal tempo. Ontem e hoje essa tabela foi costurada. Tivemos um jogo da 15ª rodada, um da 13ª rodada e um da 11ª.

Lucho perdeu o gol feito da semana (Presse Sports)

O jogo da 11ª rodada foi o mais esperado: Marseille x Rennes. Assisti ao jogo, foi uma boa partida. Os Rubro-Negros começaram sem se intimidar com o Velodrome, criando algumas chances, tendo até um pênalti ao seu favor. Montaño recebeu passe entre os zagueiros, ganhou de Mandanda, mas o goleiro o derrubou. Pênalti claro, na minha visão, o arqueiro deveria ter sido expulso, mas o árbitro Ruddy Buquet deu apenas amarelo pro goleiro. Resultado: o goleiro que deveria ter sido expulso, defendeu o mal cobrado pênalti de Kembo-Ekoko. Minutos depois, o mesmo Mandanda fez bela defesa em finalização de Camará. O Rennes continuavam encontrando espaços entre os zagueiros do Marseille, mas com o tempo, os donos da casa começaram a tomar conta do jogo. Lucho González começou a se destacar distribuindo o jogo, era um dos poucos a encontrar brechas na defesa adversária, junto com Brandão. O brasileiro teve três chances de gol. As duas primeiras foram parecidas, ele recebeu em profundidade e finalizou cruzado, Douchez pegou nas duas. Acontece que na segunda vez Brandão estava impedido. Na terceira tentativa, Lucho cruzou para o brasileiro, que desviou, mas a bola passou a direita de Douchez. O restante da etapa inicial foi fraco. O Marseille não criava e o Rennes parecia ter cansado. O OM sentia falta de seus dois laterais. Na direita, Azpilicueta, que rompeu os ligamentos do joelho e só volta no fim da temporada e Taiwo, que ficou no banco por opção de Deschamps.  Kaboré, jogando na direita, não tinha muitos recursos, acabava sempre dando um chutão à frente, enquanto Heinze, na esquerda, mantinha a sua regularidade de ter um jogo “sem sal”. No ataque não aparecia e na defesa dava alguns espaços.

Na etapa final, o Rennes começou melhor, criando algumas chances de gol, enquanto Marseille encontrava algumas dificuldades na armação, Lucho sumiu de vez do jogo. Quem entrou pra campo foi Mathieu Valbuena, no lugar de Cheyrou, recuando Lucho, mas acontece que a entrada de Valbuena confundiu demais os três armadores e o time ficou sem um armador. Por fim, o argentino citado acima, perdeu a grande chance do jogo. Fanni tinha a bola dominada e acabou pisando na pelota, sobrando para Brandão e carregou até a grande área. O brasileiro, que em lances anteriores se afobou, desta vez fez o certo, tocou pro meio, pra chegada de Lucho González, que cara-a-cara com Douchez, perdeu um gol feito. Após perder esse gol, ficou claro que a partida não saíria do zero.

O resultado não foi tão ruim assim pro Marseille. O OM, agora com o mesmo número de jogos que as demais equipes, lidera com 26 pontos, um à mais que os vice-líderes Lille e Brest. Pro Rennes já acho que foi um resultado ruim, pois fica na 6ª colocação, com 24 pontos e como a Ligue One está muito equilibrada, pode acabar caindo várias posições.

Valenciennes ainda na parte perigosa da tabela (Presse Sports)

No jogo de meio de tabela, o jogo da 13ª rodada, o , empate entre Saint-Etienne x Valenciennes. O ASSE abriu o placar com Riviere e o VAFC empatou num belo gol de Danic, aproveitando toque de calcanhar de Pujol e completando com bela finalização. O Valenciennes chega a 19 pontos, na 14ª colocação, três acima da zona de rebaixamento, cinco pontos acima dessa zona. O Saint-Etienne está em 10º lugar com 21 pontos.

Já o jogo do Brest já é desta rodada e o SB29 não tomou conhecimento do Lens, vencendo por 4×1. A bola aérea foi o forte do Brest. Poyet, Paysse e Grougi marcaram todos de cabeça. O mesmo Grougi fez outro, esse aproveitando rebote da trave. O gol do time de Sangue e Ouro foi do brasileiro Eduardo. O Brest sobe para a 3ª colocação, com 25 pontos, um atrás do líder Marseille, enquanto o Lens é o vice-líder com 14 pontos.

Classificação

Pos Time P J SG
1 Olympique de Marseille 26 15 11
2 Lille 25 15 8
3 Brest 25 15 7
4 Paris-Saint Germain 24 15 8
5 Rennes 24 15 5
6 Montpellier 24 15 -3
7 Bordeaux 23 15 3
8 Lyon 23 15 2
9 Sochaux 21 15 7
10 Saint-Etienne 21 15 2
11 Lorient 21 15 1
12 Toulouse 21 15 0
13 Auxerre 19 15 3
14 Valenciennes 19 15 2
15 Nancy 18 15 -8
16 Nice 17 15 -5
17 Monaco 15 15 1
18 Caen 14 15 -9
19 Lens 14 15 -12
20 Arles-Avignon 6 15 -23